Você Sempre Esteve Em Mim
65 Capítulo 65 - Quando você sorri...
Notas iniciais
NYADA — Manhã:
Rachel já sentia o estresse chegando. O tempo que passou sem ir às aulas se transformou num acumulado de textos, artigos, dissertações e várias outras coisas para ler e escrever. Não sabia nem por onde começar. Alguns colegas se mostraram prestativos e a incluíram em seus grupos quando possível, mas os trabalhos individuais, iam lhe render um bom tempo de tensão. Dois de seus colegas mais próximos, Amber e Nathan, separaram para ela tudo o que precisava. Os dois, ao que tudo indicava, nutriam, um pelo outro, sentimentos além da amizade e Rachel já havia pensado em se tornar cupido deles. A ideia voltou a lhe rondar a mente.
Aula de “história da arte” era algo que ela não entendia o porquê de estar em sua grade de estudos, ao contrário de “iniciação musical avançada”. Mas, mesmo sabendo a sua importância e adorando as aulas, contestou o nome da matéria, dizendo que se é “iniciação” não pode ser “avançada”, mas Quinn a convenceu de que se tratava de uma etapa musical bem mais avançada do que um simples “Dó-Ré-Mi-Fá”, mas que era um começo da verdadeira profundidade musical. Ela se convenceu. Um pouco...
Caminhava pelos corredores, entre uma aula e outra, aliviada por não ter aulas de dança naquele dia, pois ainda não tinha sido liberada e esperava que o Dr. Lawrence fizesse isso na consulta da tarde. Pensou em Quinn e tirou o celular da bolsa para enviar-lhe uma mensagem:
“Acabei de sair da aula de 'iniciação musical avançada' e ainda não engoli esse nome, mesmo com a sua explicação... Devo fazer um abaixo-assinado para mudar? ;) Ah, antes que pense que voltamos no tempo e que esta aqui é a Rachel Berry do McKinley, obcecada e irritante, esclareço que estou brincando! ;) Te amo! R”
COLUMBIA — Manhã:
Quinn já havia tido aula de “literatura comparada” e estava em uma das aulas que mais adorava: Fotografia. Como em sua grade havia matérias de diferentes departamentos, a loira era, talvez, a pessoa que mais andava dentro do campus, tendo, às vezes, que correr para não se atrasar. Apesar de amar a beleza congelada em uma fotografia, a parte teórica da matéria a fascinava. Anotava ansiosa todos os equipamentos que precisava comprar. Percebeu que alguém havia sentado ao seu lado. Ao olhar, viu que era Jennifer:
J: Eu soube que Rachel sofreu um acidente. Ela está bem?
Q: Como soube?
J: Michael.
Q: Sim. Ela está bem! Obrigada por perguntar. [sorriu educada]
J: Eu queria me desculpar por aquele dia...
Q: Não precisa! Vamos esquecer. Já faz tempo... [deu-lhe um sorriso sincero]
J: Certo. [sorriu em agradecimento] É verdade que você vai entrar em Medicina?
Q: Eu? Não! Quem disse isso? [questionou surpresa]
J: É o que estão falando pelos corredores e biblioteca. Que o departamento de saúde conseguiu te convencer a fazer Medicina.
Q: Isso não é verdade! Além do mais, já temos muito tempo de aula, não teria como qualquer aluno entrar em Medicina na metade do primeiro ano. [disse com lógica]
J: Bom... É o que dizem. Que você percebeu que era um desperdício ser tão inteligente, ter notas tão altas e não fazer um curso como Medicina.
Q: Não acho que quem faz Medicina seja mais inteligente do que quem estuda o que estudamos.
J: Acho que tem razão! [sorriu]
Após a aula, Quinn se despediu de Jennifer para ir à aula de “estudos de cinema”, outra matéria que amava, quando sentiu seu celular vibrando em sua bolsa. Ao pegá-lo, viu que se tratava de uma mensagem de Rachel. Abriu ansiosa e sorriu com o que a morena havia dito. Apressou-se em responder para não se atrasar para a aula:
“Você vai se acostumar com o nome da aula, Rach... :) E quanto à Rachel Berry do Mckinley, ela ainda está aí... e espero que sempre esteja, pois foi por ela que me apaixonei! ;) Eu mais... Q”
NYADA – à tarde:
R: Amber, como assim eu terei que preparar uma apresentação com uma música do Paramore para a aula de “preparação vocal” que será depois de amanhã?!
A: Você consegue, Rachel! Desculpa ter esquecido de avisar... [dizia chateada]
R: Eu consigo cantar, mas como vou conseguir me apresentar se o baterista da banda daqui não poderá estar presente? Eu poderia, se fosse permitido escolher a música. Eu escolheria algo apenas no piano. Mas por que Paramore? Eu só sei cantar “The Only Exception” e nem ela eu pude escolher.
A: Foi sorteio, Rachel. A professora mandou sugerirmos músicas nos mais variados estilos e as sugestões saíram, mas foi o sorteio que determinou quem cantaria o que.
R: Mas essa música não tem nada a ver com o que temos trabalhado nas outras aulas. [reclamava]
A: A intenção foi justamente essa: sairmos da rotina. Eu te ajudo, Rachel. Posso procurar um baterista que possa tocar nesse dia.
R: Por favor! Eu preciso encontrar! Bem... Agora eu preciso ir!
A: Mas ainda temos aula mais tarde!
R: Terei que faltar. Nos vemos amanhã. [abraçou Amber e saiu em busca de um táxi que a levaria à Columbia]
COLUMBIA – 13h20:
Q: Professor, é uma honra ser escolhida para discursar hoje. Confesso que estou nervosa. Todos os palestrantes são mestres e doutores, escritores renomados... Eu sou apenas uma simples aluna entre eles... [disse tímida]
Professor Collins: Quinn, você não foi simplesmente escolhida. Você fez por merecer. Não apenas tirou A+ na prova, como respondeu de forma absolutamente impecável a todas as questões. Suas respostas foram muito mais aprofundadas do que as respostas de seus colegas. Seu nível é muito mais avançado. Ouço boatos de que outros departamentos querem você em outros cursos. Espero, sinceramente, não perdê-la como aluna. [disse de forma acolhedora] Você falar sobre o assunto de forma tão perfeita e construtiva como fez em sua prova, será uma contribuição imensa aos presentes.
Q: Obrigada, Professor! Não sei o que dizer... [sorriu timidamente] E não pretendo ir para nenhum outro departamento. Sei bem o que quero fazer.
Professor Collins: Poucas pessoas da sua idade são tão decididas e têm a mente tão privilegiada quanto a sua. Você é uma grande contribuição para Columbia, Quinn! Como em muitos anos eu não vejo por aqui...
Q: Continuo sem palavras, professor... [sorria amplamente, apesar da timidez]
Professor Collins: Guarde-as para a palestra. [piscou-lhe o olho]
Santana caminhava pelo campus, indo em direção ao auditório onde Quinn iria se apresentar, quando seu celular tocou:
S: Fala, Berry!
R: Onde você está? Cheguei em Columbia mas é muito grande! Não sei andar por aqui!
S: Onde você está?
R: Eu não sei onde estou. Acho que é o portão principal.
S: Espere aí. Estou indo!
Minutos depois, elas se encontraram. Santana guiava Rachel até o auditório quando seu telefone tocou novamente:
Q: Santana! Estou nervosa! Parece o instante antes de nos apresentarmos com o New Directions. Acho que vou vomitar! [dizia ansiosa]
S: Não seja fresca nem nojenta, Fabray! [repreendeu, chamando a atenção de Rachel ao perceber que era Quinn ao telefone]
Q: Onde você está?
S: Estou longe! [mentiu sabendo que ela a chamaria e não poderia deixar Rachel sozinha sem conhecer a Universidade] Mas estou indo ao auditório para te ver! Não se preocupe e relaxe! Você vai se sair bem!
Q: Eu não sei... As pessoas estão depositando muita expectativa sobre mim e eu nem sei de onde isso saiu. É muito louco!
S: Esquece isso e foque no que tem pra apresentar. Estarei na platéia emanando as melhores energia de Lima Heights para você! [disse sorrindo]
Q: Obrigada! [desligou]
R: O que ela disse? [perguntou ansiosa]
S: Está nervosa! Mas vai passar... [respondeu tranquila]
R: Acha que devo ligar pra ela? Pra acalmá-la? [perguntou temerosa]
S: Subentende-se, Berry, que você não está aqui! E que você não sabe que ela está nervosa. Então se acalme, me siga e apenas aproveite!
COLUMBIA – Quase 14h:
Quinn já estava nos bastidores do palco do auditório há um tempo. Viu que os palestrantes anteriores falaram sobre assuntos extremamente importantes, mas a platéia não era grande. Nem metade do auditório tinha suas cadeiras ocupadas. Respirou aliviada. Se tivesse que passar por isso, que fosse para o menor número de pessoas.
Quando a palestra que antecedia a sua terminou, lembrou que só teria 5 minutos até ir ao palco e começar seu discurso. O nervosismo começou a se agravar quando viu uma quantidade enorme de pessoas entrando no auditório. Assustou-se com uma voz que veio de trás:
M: Achou que seu público era aquele montinho insignificante de pessoas de antes?
Q: Ai, Michael! Que susto! [disse com a mão no coração]
M: Desculpe! [sorria] Essa montanha de gente que é o seu público. Você sabe, nem todo mundo gosta de antropologia. Poucas pessoas queriam ver as palestras anteriores. Já você... Bom, essa multidão toda quer te ver. Seja pelo que você vai apresentar ou por sua beleza. Aliás, você está linda, Quinn! [sorriu]
Q: Você está me cantando, Michael? [perguntou sorrindo]
M: Não! Depois que conheci a Rachel, vi que não tenho mesmo chance com você! [sorriu falsamente desanimado] Falo como seu amigo. E aqui está o pen drive com a parte visual de sua apresentação. Vai precisar de mim para manipular?
Q: Sim! Você poderia fazer isso por mim?
M: Claro! Agora respire fundo e apenas seja você! [pôs a mão no ombro de Quinn tentando passar segurança]
Da platéia, Rachel olhava maravilhada para todos os lados. Estava encantada pelo auditório, que era muito grande e, mais ainda, pela quantidade de pessoas ali, entrando junto com ela. Os lugares eram insuficientes e muitas sentaram no chão mesmo.
S: Todas essas pessoas são para ver a Q! [disse orgulhosa]
R: Mas como ela ficou tão conhecida na Universidade se ela tem dito que tem sido discreta?
S: Não sei. Deve ser um dom! [sorriu] Mas eu sei que a prova de antropologia dela se tornou histórica aqui. As pessoas saíram tirando cópias e quase todo mundo leu. Eu preciso ler... [disse sorrindo, percebendo que apesar de ser a melhor amiga dela, não fazia ideia sobre qual assunto ela escreveu]
R: Estou verdadeiramente impressionada!
Rachel sorriu orgulhosa. Ouviu alguns rapazes falando perto delas e percebeu que falavam de Quinn. Um deles dizia “Ela é muito linda! Mas dizem que não dá ousadia pra ninguém!”, enquanto outro dizia “Linda é pouco! Ela é gostosa mesmo! E ainda por cima é inteligente!”. Mas o pior comentário foi de outro rapaz, que disse: “Não me importo com a inteligência dela. Querem apostar quanto que a levo para cama em 10 minutos de conversa? Sugiro 100 dólares”. Rachel arregalou os olhos e virou para Santana, que tinha um sorriso sarcástico no rosto, como na época do Mckinley, antes de aprontar alguma coisa. Rachel se segurou para não agredir os rapazes. Santana não fez o mesmo:
S: Com licença... [disse se dirigindo a eles, recebendo toda a atenção dos três] Se eu ouvir vocês falarem mais uma vez da minha amiga Quinn, seja qual for o assunto, eu vou arrancar suas bolas pela garganta e fazer de brincos, porque tenho certeza de que são minúsculas! E você, “espertinho da aposta”, enfia os seus 100 dólares onde não bate sol, senão eu mesma farei isso! E podem espalhar para seus amigos idiotas que se eu souber de qualquer papinho desse tipo sobre ela, farei o mesmo com eles. E não se perguntem como eu saberei, porque eu sempre sei tudo... [finalizou completamente ameaçadora, voltando a se encostar na cadeira tranquilamente]
Rachel estava completamente pasma com a atitude de Santana, mas também incrivelmente agradecida. Já os três rapazes, ficaram gelados, pálidos e atônitos, calando a boca imediatamente, mortos de vergonha. E, claro, medo! Com certeza, a latina impôs medo em todos eles.
Rachel sentiu seu celular vibrar e percebeu que era Quinn:
“Minha palestra vai começar agora. Me deseje sorte... Q”
A morena sorriu de forma terna e logo respondeu:
“Boa sorte, meu amor! Você é perfeita, então, será perfeito... Te amo... R”
Quinn leu a mensagem e respirou aliviada, mas não teve tempo de responder. Foi empurrada para mais perto da entrada do palco, ouvindo o que o professor Collins falava sobre ela:
Professor Collins: Quinn Fabray trouxe à minha aula, grandes discussões relevantes, e as demonstrou também em sua prova. Todos já ouviram falar que não sou uma pessoa muito fácil de se lidar e que sou muito exigente. Mas esta aluna tem sido excepcional e hoje os contemplo com um pouco de sua sabedoria. Por favor, recebam Quinn Fabray!
A loira entrou no palco e, imediatamente, as pessoas começaram a aplaudir e assoviar. Não eram assovios de xaveco, mas assovios tais quais os de uma partida de futebol ou de basquete. Parecia que ela tinha uma torcida. Aproximou-se do microfone e segurou forte na beirada da bancada que, segundo seus pensamentos, seria capaz de protegê-la se atirassem ovos. Ela teria que se abaixar, claro, mas primeiro eles teriam que ter levado ovos à universidade. Concluiu que esse pensamento não fazia muito sentido.
Os olhos de Rachel brilhavam. Quinn estava linda! Ela a havia visto mais cedo, ajudou a escolher o vestido que usava, mas vê-la ali no palco, com uma timidez suave, diante de uma multidão que estava ali para contemplá-la, fez com que se sentisse a mais sortuda do universo, pois aquela garota a pertencia. Aquele sorriso, o mais perfeito... Ela era sua garota... Seu amor... Quando Quinn sorri, abala todas as estruturas de Rachel!
Q: Boa tarde! [ouviu a resposta do público em uníssono] Devo dizer que me sinto uma verdadeira “estranha no ninho” ao estar aqui diante de vocês, falando, depois de ter visto os grandes mestres que palestraram antes de mim. Muitos deles cujos livros eu já li e os tenho como inspiração... Bom, se estou aqui para falar, então vou falar! [disse sorrindo, enquanto a plateia sorria junto com ela] Eu percebi que o tema da minha palestra não consta no programa exposto na porta do auditório e não sei se isso foi proposital. Preciso ressaltar que não contém apenas aspectos antropológicos, mas também políticos e psicológicos acerca do assunto que pretendo abordar. Hoje, eu me arrisco a apresentar-lhes minha forma de pensar sobre isso: “A formação social do homem, seu caráter e o preconceito”.
Santana se engasgou com a água que bebia. Se Rachel estivesse de pé, com certeza ela teria caído. Não fazia ideia de qual era o tema da palestra de Quinn e percebeu que as pessoas presentes já sabiam e estavam ali por isso mesmo. Mas a morena não entendia onde a loira queria chegar falando sobre preconceito, se era ela quem se recusava a tornar o relacionamento delas público. Dependendo da forma com que ela se expressasse, ela estaria saindo do armário ali, diante de todas aquelas pessoas? Rachel ficou confusa. Observou que as pessoas tinham os olhares vidrados em Quinn e, muitas vezes, assentiam com a cabeça quando ela dizia alguma coisa. A parte visual da palestra estava impecável. Depois de um tempo a morena percebeu que a loira tratava do assunto de uma forma muito humana e politizada, mantendo uma distância pessoal daquilo que falava, sendo impecavelmente didática. Citava e retratava passagens históricas e políticas que influenciaram ou foram influenciadas pelo preconceito ou pela tolerância.
Com o passar do tempo, Quinn foi se sentindo mais à vontade. Retirou o microfone do pedestal e passou a caminhar pelo palco, fazendo o público se sentir mais perto dela, mesmo sentindo-se um pouco intimidada ao ver os palestrantes anteriores sentados na platéia. Próximo ao fim de sua palestra, percebeu que algumas pessoas estavam emocionadas com o que ela dizia. Concluiu que aquelas pessoas tinham em suas vidas algo que foi mencionado em seu trabalho e viram nela uma voz que, talvez, elas não tinham.
Quando Quinn disse a última palavra, todo o auditório se levantou e a aplaudiu de pé! As palmas e os assovios criaram um barulho ensurdecedor. A loira estava tremendo, mas mantinha a pose segura, sorrindo para as pessoas e assentindo com a cabeça em forma de agradecimento. Antes de sair, lembrou que tinha mais algumas coisas para falar:
Q: Gostaria de agradecer ao professor Collins pela confiança e incentivo, ao me inserir academicamente num evento tão prestigiado! Também quero agradecer ao meu amigo Michael, que criou e manipulou os slides que vocês viram enquanto eu falava. E obrigada a vocês por se interessarem em me ouvir! [saiu do palco ainda ouvindo as palmas lá fora]
Enquanto tremia atrás do palco, sendo recebida por um abraço de um sorridente e orgulhoso Michael, era parabenizada pelo professor Collins e por todos os outros palestrantes que haviam voltado ali apenas para falar com ela. Estava orgulhosa de si, mas ainda não entendia o impacto que causou nas pessoas.
Q: Que surreal, Michael! Que surreal! [dizia rindo nervosa, animada]
M: Acho que você vai ter que se acostumar com isso. Acho que seu futuro está mesmo no palco! [disse feliz]
De seu lugar, Rachel ainda estava encantada com o que tinha visto! Quinn havia sido perfeita, em todos os quesitos. E não... ela não havia saído do armário. Ela havia demonstrado uma inteligência incomparável e uma firmeza que fez aquele monte de desconhecidos confiarem nela e em suas palavras.
S: Caramba! A Quinn é foda, mesmo! [disse orgulhosa] Está hipnotizada, Berry? [sorriu pra ela]
R: Acho que sim! Preciso falar com ela. Como faço para chegar onde ela está? [perguntou ansiosa]
S: Vem comigo! [levantou-se e estendeu a mão para ela]
Enquanto caminhavam, ouviam as pessoas discutindo sobre o assunto abordado por Quinn e concordando com as coisas que ela disse.
A loira havia sido direcionada ao coquetel pós-palestra e conversava normalmente com os mestres que admirava, e discutia com eles de igual para igual sobre o que falavam e o que perguntavam sobre a apresentação dela. Olhou para o relógio e calculou em quanto tempo deveria sair para buscar Rachel em NYADA, para irem ao médico. Enquanto isso a morena entrou na sala e a viu a uns três metros de distância dela. Em dois segundos, Quinn virou a cabeça em sua direção e seus olhares se cruzaram. O copo que estava em sua mão caiu e Rachel não pôde evitar sorrir. A loira se desculpou com o grupo que conversava com ela e foi em direção à namorada, que estava com Santana ao seu lado.
Q: O que você está fazendo aqui? [perguntou enquanto lhe dava um abraço]
R: Eu não poderia deixar de ver você em um momento tão especial! [disse orgulhosa]
Q: Eu queria ter visto você enquanto falava. Teria ficado mais calma. [disse enquanto se separava do abraço]
R: Você foi incrível! Como eu já sabia que seria! Deus... Quando você sorri, o mundo parece girar mais devagar... E ao seu redor! [disse com um olhar brilhante e um lindo sorriso, fazendo Quinn corar]
S: Deixa de melação, Berry! Mas você foi mesmo incrível, Fabray! [abraçou a amiga se preparando para ir falar com Michael]
Q: Obrigada! A opinião de vocês é o que realmente importa pra mim! [sorriu feliz] Não acredito que você está aqui! [sorriu apaixonadamente em direção à Rachel, que devolveu o sorriso]
Tudo o que Quinn queria, naquele momento, era expressar para Rachel o quanto estava feliz por tê-la ali. Mas ainda não achava que era a hora de beijá-la na frente daquelas pessoas, nem de segurar sua mão da forma que queria. Aproximou-se o máximo que podia de seu ouvido, sem dar bandeira, e disse:
Q: Quero que você saiba que tudo o que eu queria agora era segurar sua mão aqui... Me desculpe por ainda não fazer isso... Não neste lugar! [disse sincera]
R: Eu sei! Não se preocupe com isso! [respondeu compreensiva]
Foram interrompidas por dois chefes de outros departamentos da universidade que queriam conversar com ela. Percebeu que os boatos sobre a quererem em outros cursos eram mesmo verdadeiros, mas se desculpou educadamente com eles, dizendo que teria que ir, pois tinha um compromisso importante fora dali. Prometeram entrar em contato com ela nos próximos dias. Quando se afastaram, Rachel falou:
R: Eu posso ir sozinha à consulta, Quinn. Isso aqui é importante pra você. Não perca por minha causa. [disse sincera, preocupada em atrapalhar algumas boas oportunidades para a loira]
Q: Você é muito mais importante! Eu vou com você! [disse séria]
Ao ouvir isso, a vontade de Rachel era pular sobre Quinn e fazerem amor ali mesmo. Mas, claro, isso não passou de uma vontade louca. A morena esperou, pacientemente, que a namorada se despedisse de todos, até que se surpreendeu com uma pessoa entrando por uma das várias portas do local. Era Jennifer, carregando um embrulho, aparentemente um presente. Ela ia em direção à Quinn. O olhar de Rachel a seguiu e seu interior começou a queimar em fúria. Santana percebeu de longe e foi até a morena para impedir que alguma coisa desse errado.
S: Berry, o que está havendo? [aproximou-se perguntando, mesmo já sabendo o que era]
R: Veja você mesma! [indicou a direção para onde olhava]
Jennifer alcançou Quinn e entregou-lhe o presente. Parabenizou-a pela apresentação e quando a loira ia abrir o embrulho, ela pediu que só abrisse depois. Quinn levou o olhar até Rachel, para saber se tinha com o que se preocupar. A morena demonstrava calma, mas ela conhecia sua namorada, sabia que Rachel era capaz de dissimular. Ela estuda para ser atriz, afinal. Agradeceu Jennifer mais uma vez pelo presente e pelos elogios, sendo surpreendida por um abraço. Um pouco sem jeito, mas ainda assim um abraço. Se Rachel fosse um vulcão, teria entrado em erupção.
Quando Quinn chegou onde Rachel e Santana estavam, buscou decifrar a morena que se apressou em falar antes de ouvir qualquer coisa:
R: Podemos ir? [tentou manter a calma]
Q: Podemos. [disse levando a mão à base das costas dela, caminhando junto]
S: O que é isso nesse embrulho? [perguntou, sabendo que Rachel estava louca pra saber e não sabia como perguntar sem parecer ciumenta]
Q: É um livro, mas não sei qual. [disse calma, tentando mostrar desinteresse, para Rachel se sentir segura]
A morena dissimulava muito bem, mas Quinn sabia que ela estava louca para colocar pra fora um monte de xingamentos em alto e bom som. A loira agradecia mentalmente o comportamento de Rachel, mas sabia que o dia não terminaria antes de discutirem sobre o assunto...
[CONTINUA...]
Notas finais
Por favor, comentem, ok?! ;)
Beijos!
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