Você Sempre Esteve Em Mim

55 Capítulo 55 - Surpresa...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Usher - Without You

Quinn Fabray sempre foi diferente. Mais inteligente do que todos, mais exigente, mais solitária. Sempre teve todas as atenções voltadas para ela, fosse pela beleza perfeita, ou pela genialidade fora do comum... Ou por ambos os fatores. Quinn não sabe o que é ser esquecida. Cresceu tentando passar despercebida entre as crianças e pré-adolescentes que se sentiam incomodados com sua capacidade e beleza física superior. Nunca conseguiu... Para se sentir mais normal e evitar sofrer qualquer tipo de bullying ao ser, eventualmente, considerada uma “nerd”, optou por buscar a popularidade a qualquer custo, apoiada por seus pais, que a incentivaram a praticar esportes e a ser líder de torcida. Mas Quinn Fabray sempre se sentiu solitária. Sua irmã mais velha era a única que conseguia quebrar o muro que a loira construiu ao redor de si desde que era criança. Era a pessoa mais próxima dela. Mais do que Santana e Brittany. Quando Frannie foi embora para Londres, para fazer faculdade, Quinn se viu mais sozinha do que nunca. Mas o buraco negro definitivo em que se perdeu, foi quando precisou se separar de Beth. Engravidar de Puck fugiu completamente dos seus planos, mas apesar disso, desfazer-se de Beth, decidir pela adoção, foi a coisa mais difícil que precisou fazer em toda a sua vida. A loira passou a acreditar que não estava destinada a ser feliz. Que a vida tinha lhe dado beleza e inteligência em abundância, mas que em troca disso, tiraria dela tudo o que lhe fosse precioso.

Então ela se apaixonou por Rachel. Sentiu o pavor inicial de quem não se imaginava atraída por alguém do mesmo sexo. O pavor de ser discriminada pela família, pela sociedade e rejeitada pela morena. O pavor de se aceitar. Por muito tempo camuflou este sentimento, negou-se a acreditar. Atacou Rachel, tentou afastá-la de todas as formas que estavam ao seu alcance, mas a cada investida nesse sentido, sofria. A figura de Rachel a fazia sofrer, porque lhe dava a consciência de que a vida tinha lhe pregado a peça de se atrair por uma garota, por “aquela” garota. Mas afastar a morena era ainda mais doloroso. Quinn se aceitou e se declarou. Surpreendentemente, recebeu de volta a melhor reação que Rachel poderia ter e o sentimento revelou-se recíproco. Como um furacão, as duas se uniram. Mais rápido do que poderiam imaginar, mais intenso do que jamais sonharam... Ter Rachel em seus braços a fez entender que nada seria mais perfeito, e isso a afetou em cheio. Nada mais importava. Nada mais faria sentido sem ela. E por ela, aliás, por elas, Quinn estava disposta a fazer qualquer coisa e abrir mão do que fosse preciso. Tudo o que ela precisa é que fiquem juntas, pois já não se imagina sem ela... Jamais!

Ainda existe o medo comum de se revelar para a sociedade, para os conhecidos, para o restante dos parentes. Mas Quinn sabe que isso é apenas questão de tempo. Tempo para entender que apesar de fatores externos as afetarem, eles não poderão nunca ter força suficiente para quebrá-las. Quinn não pode ter seu coração quebrado mais uma vez...

A loira foi a primeira a despertar. A claridade que escapava pela fresta da cortina a avisou que já era dia. Rachel permanecia aconchegada a seu corpo, então só se afastou um pouco para poder admirá-la. Velou o sono tranquilo da morena, pensando no quão difícil é controlar esse medo de perdê-la. O medo de ver a vida lhe tirando novamente algo que faz parte dela. Sabe que o medo que tem de perdê-la para o Finn é maior do que deveria ser. Sabe que Rachel a ama de verdade. Sente isso. Mas também sabe a importância que ele teve ou ainda tem na vida dela. Ele foi o primeiro amor da morena. Ele também foi, muitas vezes, a pessoa que a apoiou quando Quinn a fez sofrer. E, no fundo, a Loira sabe que não pode apagar o passado, nem arrancar de Rachel as lembranças do que viveu. Nem das coisas ruins, nem das boas. E muitas dessas coisas boas, estão relacionadas ao Finn.

Quinn sentiu Rachel se remexer e esperou expectante que ela abrisse os olhos:

R: Bom dia... [disse rouca, enquanto despertava e percebia que a loira já estava acordada]

Q: Bom dia, meu amor... [beijou-lhe os lábios levemente]

R: Que horas são?

Q: Já passou das 7.

R: Qual é mesmo a hora que tenho que fazer os exames?

Q: Às nove...

R: Então é melhor levantar... [disse se preparando para sair da cama]

Q: Vou preparar o café e depois tomamos banho...

R: Eu posso tomar banho enquanto você prepara o café?

Q: Sozinha? [perguntou confusa enquanto prendia o próprio cabelo num rabo-de-cavalo]

R: É. Para adiantar.

Q: Mas você disse que é mais prático tomarmos juntas. [agora fazia um coque em Rachel]

R: E é, meu amor. Mas não hoje, quando temos horário a cumprir e eu sei que não vamos nos comportar muito bem no banho. [disse com um sorriso doce]

Q: Tudo bem! Mas deixe a porta aberta, ok?! [beijou-lhe o ombro]

R: Deixarei! [virou-se e deu um beijo em sua testa e foi ao banheiro]


Chegando na cozinha, Quinn deu de cara com Santana de ressaca, tomando a terceira xícara de café forte.

Q: Bom dia, S!

S: Bom dia, Q! Queria morrer para não ir à aula com essa dor terrível de cabeça... [reclamava]

Q: Da próxima vez, lembre-se de parar antes de chegar na quarta garrafa de vinho. [disse enquanto ia até a cafeteira, preparar o café para Rachel, ficando de costas para Santana]

S: Se eu fosse você, soltava os cabelos...

Q: Por que? [perguntou virando para ela]

S: Porque a “Sexy Berry” deixou as marquinhas das unhas dela em você. [piscou-lhe divertida]

Q: Jura? [perguntou passando a mão na nuca]

S: Juro! Cada vez me convenço mais de que vocês são mais selvagens do que eu e minha Britt! E, Fabray... Por acaso a Rachel já pode ter esse tipo de atividade intensa?

Q: A gente está tendo cuidado, Santana... [respondeu encabulada]

S: Eu ainda me surpreendo, sabia?!

Q: Com o que?

S: Com toda essa sua abertura sexual com a Berry. Você não era tão livre assim. Mas com ela, você está totalmente entregue. Pensei que seria justamente o contrário. Que você demoraria a se familiarizar. Mas me enganei... [disse sorrindo]

Q: Também me surpreendo... Mas ela me tira do sério. Eu não consigo me controlar. Estou completamente nas mãos dela... [disse corada]

S: Dá pra ver, Fabray... Dá pra ver... [piscou-lhe sorridente]

Rachel as encontrou na cozinha, ainda enrolada na toalha:

R: Quinn, tem alguma calça jeans ou alguma saia minha por aqui?

S: Bom dia, “Sexy Berry”!

R: Sexy B...? [desistiu de protestar] Bom dia, Santana! [respondeu calma]

Q: Tem sim! Vem... [disse pegando-a pela mão e voltando ao quarto]

Enquanto Quinn ajudava Rachel a se vestir a morena estava pensativa, causando estranheza na namorada:

Q: Tudo bem, Rach?

R: Podemos passar em NYADA depois que sairmos do hospital? Eu quero fazer como você e já me adiantar a recuperar as aulas que perdi, para quando voltar lá na segunda-feira, não me sentir tão por fora.

Q: Podemos sim, claro! Agora vou tomar meu banho. Seu café está na cafeteira e seu cereal preferido está em cima do balcão. Tem o seu leite de soja na geladeira.

R: Você comprou tudo isso pra mim? [perguntou com um sorriso meigo]

Q: Sim... Claro! [respondeu acanhada]

R: Assim você me acostuma mal... [disse antes de beijá-la]

De banho tomado, Quinn encontrou a morena na cozinha e terminaram juntas de tomar café. Quando estavam escovando os dentes, a loira olhou para o espelho e observou que Rachel estava, como sempre, atrás dela, e percebeu seu sorriso ao ser pega a observando. Quinn não pensou duas vezes e atacou a boca da morena que começou a tentar se esquivar rindo:

R: Pára, Quinn! Você está fazendo a maior sujeira de pasta de dente! Hahahahahahaahaha

Como Quinn não parou, precisaram trocar de blusa, as duas, pois, realmente, a brincadeira deixou marcas.


Depois de Rachel fazer os exames, ficaram animadas por saber que a recuperação da morena estava mesmo excelente e que a medicação fez mesmo efeito, contendo por inteiro a hemorragia em seu cérebro. As dores de cabeça ainda poderiam aparecer, mas já não havia qualquer perigo de algum problema grave.

Preferiram caminhar um pouco, antes de pegarem um táxi até NYADA. Rachel lembrou da noite anterior e não se conteve. Resolveu falar:

R: Quinn... Eu sei que tinha alguma coisa incomodando você ontem.

Q: Como assim? [perguntou surpresa]

R: O jeito como você me beijou e me tocou... Eu sei que você estava preocupada com alguma coisa e só posso supor que tem a ver com o acidente. Espero que agora, depois de saber que estou bem, você deixe de se preocupar. [disse calmamente carinhosa]

Quinn sentiu uma pontada no peito. Por Rachel ter percebido que ela estava preocupada e por nem sonhar com o real motivo. Mas no fim, independente disso, Rachel sabia que a preocupação da loira era de lhe perder, independente de que forma isso acontecesse.

Q: Desculpe... Eu não pude evitar... [pediu encabulada]

R: Não precisa se desculpar. Foi gostoso! Muito, muito, muito gostoso... [disse tímida] Mas eu não quero que você se preocupe demais! Não quero que você sofra. Está tudo bem comigo. Estamos bem! Quero sentir que você também está bem...

Q: Estamos bem! [disse sorrindo, enquanto segurava sua mão, entrelaçando os dedos]

R: Estamos em público. Tem certeza disso? [perguntou calma]

Q: Tenho! Te incomoda?

R: Você sabe que não! [respondeu com um sorriso imenso]

Q: Então aqui estou eu, caminhando pelas ruas de Nova York, de mãos dadas com a minha namorada... E quem achar ruim, que se dane! [disse arqueando a sobrancelha direita, com um sorriso desafiador]

R: Hahahahaahahahahahaha Ai de quem desafiar Quinn Fabray!

Q: Ai, mesmo! [piscou-lhe provocante]


Em NYADA, Rachel entregou o atestado médico que justificava suas faltas, mas nem precisava, pois já sabiam sobre o acidente. Mostrou as instalações da Faculdade à Quinn, que ficou maravilhada com a arquitetura interna, com os quadros de fotografias pendurados nos vários corredores. Pelo caminho, Rachel encontrou alguns dos colegas, inclusive alguns que lhe mandaram as várias flores que recebeu. Quinn percebeu que, ao contrário de como era no Mckinley, em NYADA, as pessoas reconheciam o valor de Rachel, sem tratá-la mal. E ficou feliz por isso...

R: Eu queria te apresentar ao pessoal, mas eu estou cansada... [disse desanimada] Podemos ir pra casa? Se eu tenho que estar aqui de volta segunda, preciso estar bem disposta.

Q: Não devíamos ter caminhado. Isso cansou você...

R: Não! Acho que foi ótimo caminharmos. Eu preciso me exercitar. Mas agora eu só quero ir pra casa e deitar um pouco...

Q: Está com dor de cabeça?

R: Um pouco...

Q: Então vamos!


No táxi, Rachel estava em silêncio e Quinn não pôde deixar de notar isso:

Q: Tudo bem, Rach?

R: Eu estava aqui pensando: eu ainda não olhei para a cicatriz da cirurgia. E estou realmente com medo de que tenha ficado grande e feia... [disse temerosa] Afinal, eu vou precisar de mobilidade para dançar e não quero que apareça nenhuma cicatriz feia quando eu levantar o braço...

Q: Não está feia, meu amor... Nem se nota. [disse acalmando-a] Quando formos trocar o curativo hoje a gente usa um espelho para você ver, certo?!

R: Certo! [respondeu mais tranquila]


Ao chegarem no prédio, resolveram entrar na cafeteria que fica embaixo:

Q: Não acredito que, mesmo tendo uma cafeteria aqui embaixo, nós sempre andamos até a Starbucks.

R: Mas Starbucks é Starbucks, Quinn! Nem se compara!

Q: Pois eu devo lhe dizer que esse café é mais gostoso do que o da Starbucks! [disse, enquanto bebia um gole do café que havia pedido]

R: Duvido! [disse antes de levar o seu à boca] Oh meu Deus! Que café delicioso! [disse após o primeiro gole]

Q: Eu não disse? [perguntou sorrindo]

R: É maravilhoso! Teria me poupado do acidente se eu soubesse o quanto que é gostoso! [constatou sorrindo]

Q: Não deixa de ser verdade... [disse pensativa]

Rachel tomou mais duas grandes xícaras de café, enquanto Quinn optou por tomar apenas uma e depois uma xícara de chá. Prometeram-se fazer do café um point. Enlouqueceram pelos bolinhos e os compraram para viagem.

No elevador, Quinn acariciava as costas de Rachel, enquanto esta falava sem parar no quanto era bacana estarem morando uma em frente à outra e que a cafeteria embaixo fazia tudo muito parecido com “Friends”! A loira amava essa animação da morena, que se manifestava em “tagarelice”.

Q: Acho que arruinamos nosso almoço com os cafés e agora com os bolinhos.

R: Não tem problema. Só por hoje... [sorriu e deu-lhe um selinho]

Chegaram em seu andar e Quinn segurou de novo a mão de Rachel, que adorou o gesto, caminhando sorridente. Mas, uma vez no corredor, a atenção de ambas se desviou para a porta do apartamento de Rachel. Suas mãos se soltaram e suas expressões mudaram: a morena ficou surpresa e a loira... bem... esta ficou um tanto quanto chocada. Sentado, encostado na parede, estava Finn, com uma caixa em mãos e uma bagagem ao seu lado...E um grande sorriso ao ver Rachel. Uma grande surpresa! Uma surpresa nada boa... Pelo menos para Quinn.



Notas finais
Algumas de vocês detestam o Finn. Outras me perguntaram sobre Rachel em NYADA, querendo mais capítulos sobre. Então, eu gostaria de dizer que o papel do Finn na história é importante. Para o desenvolvimento da relação das duas. Confiem em mim! Não esqueçam que é uma história FABERRY e não Finchel. ;)
E sobre NYADA, teremos mais capítulos sobre as aulas e os colegas de Rachel, assim como mais capítulos sobre Columbia.
E não precisarão esperar muito, pois serão nos próximos. :)
Muito obrigada pelos comentários! Leio todos e adoro cada um! Alguns me fazer rir de verdade. Hoje tentarei respondê-los individualmente.
Por favor, continuem comentando.
Beijos!