Você Sempre Esteve Em Mim
36 Capítulo 36 - Melancolia...
Notas iniciais
Cada uma estava em seu respectivo apartamento. Nenhuma conseguia relaxar. Rachel tentava dormir, mas não conseguia tirar a briga da cabeça, principalmente Quinn. A loira havia parado de chorar e lembrou que tinha um calmante em suas coisas. Tomou 2 comprimidos. Não demorou e apagou. A morena olhava o celular o tempo inteiro, na esperança de que Quinn ligasse ou enviasse uma mensagem. Nada... Pensou bastante e concluiu que não deveria ligar. Deveria ter paciência e esperar, senão de nada valeriam seus discursos se ela sempre cedesse.
Quinn despertou, sentindo todo o peso do mundo sobre ela. Estranhou a escuridão do quarto até que viu a hora: 18h! Levantou da cama num pulo. Ela havia dormido quase 10 horas seguidas e percebeu que não devia ter tomado 2 comprimidos. Pensou que Rachel deveria estar ainda mais chateada por ter ligado e ela não ter atendido. Procurou o celular e ficou desapontada ao ver que não havia nenhuma ligação da morena, contrariando o que esperava que tivesse acontecido. Nem mensagem. Nada... Dessa vez, a briga tinha sido séria mesmo...
A loira tomou banho, vestiu uma calça legging preta, com um skeaker cinza, uma camiseta cinza e um sobretudo preto. Estava linda. NY estava fria e ela precisava estar preparada para enfrentar a temperatura lá fora. Estranhou o silêncio no apartamento. Procurou as amigas e viu que não estavam. Na porta da geladeira encontrou um bilhete:
“Fabray, a Brit queria conhecer NY, então saímos. Fiz uma vitamina pra você. Está na geladeira. Beba, porque você não comeu nada o dia todo e sei que não iria comer se não fosse eu a te forçar. Ouvimos algumas coisas da sua discussão com a Berry (que fala alto pra burro) e só digo uma coisa a você: faça logo a merda dessas pazes, porque você vacilou. S”
Quinn fez o que Santana mandou: abriu a geladeira e bebeu a vitamina. Pegou um cachecol e saiu. O vento frio a pegou em cheio, a sensação de que seu rosto ia congelar era intensa. Nem era inverno, mas alguma coisa estava fazendo NY parecer uma geladeira. Pôs as mãos nos bolsos, tentando protegê-las. A melancolia do pôr-do-sol, daquele fim de tarde frio, daquela cidade tomada pelos altos prédios, pelos táxis amarelos... Quinn olhava ao seu redor e tudo parecia melancólico, mesmo que não fosse. A ideia de perder Rachel lhe causava um vazio de pura melancolia. O fim de tarde combinava com o que ela estava sentindo.
Rachel tentou ocupar a cabeça com outras coisas, então resolveu adiantar alguns trabalhos de NYADA. Fez uma série de anotações, selecionou algumas músicas, organizou algumas listas, empilhou pastas... Tomou banho, comeu, sentou-se para assistir filme com Kurt, mas não conseguiu prestar atenção na história. Puxou conversa com o amigo, para que ele falasse mais sobre as aulas dele, para que ela se distraísse. Mas Kurt tinha um compromisso com alguns colegas de uma de suas aulas e a conversa teve que ser interrompida. De volta ao seu quarto, Rachel sentou na cama com o laptop, fones de ouvido e começou a ouvir uma música de um dos trabalhos que teria que fazer para a faculdade. Queria não pensar em Quinn, mas era impossível.
O elevador parou no 11º andar. A passos lentos, Quinn se dirigia ao apartamento de Rachel. Em frente à porta, respirou fundo e tocou a campainha. Não demorou e Kurt aparece em sua frente:
K: Quinn! Ainda bem que você chegou! Ué... cadê sua chave?
Q: Deixei em casa... [respondeu sem graça, mas mesmo que tivesse levado, não achou que deveria abrir a porta sem avisar]
K: Ok. Eu estou de saída. Rachel está no quarto dela e, por favor, façam as pazes.
Q: Ela te contou?
K: Não. Mas eu percebi que tinha alguma coisa errada. Não quis pressioná-la a dizer, mas ela passou o dia triste e logo associei a você. Bom, vou nessa. Faça a coisa certa! [deu-lhe um beijo no rosto e saiu]
Quinn começou a caminhar em direção ao quarto e seus passos iam ficando cada vez mais lentos e o caminho parecia cada vez mais longo. Em frente à porta, bateu três vezes. Não obteve resposta. Bateu outra vez. Nada... Resolveu então abrir devagar. Percebeu que Rachel estava na cama e que não ouviu por causa dos fones de ouvido. Em segundos a morena ergueu os olhos e avistou a loira. A troca de olhares foi intensa e aconchegante. Rachel retirou os fones...
Q: Posso entrar? [perguntou temerosa]
R: Claro! Entra... [respondeu calma]
Rachel tentava parecer calma, mas estava vibrando por dentro por ver Quinn ali. E ela estava linda! A loira, ao olhar a morena, viu que ela estava usando um moletom cinza e um short preto curto. Os cabelos presos num coque bem feito, que deixava seu pescoço todo à mostra. Ela estava linda!
Quinn se aproximou e sentou na cama, ficando de lado para Rachel. A morena, pacientemente, esperou que ela falasse. A loira olhava para o chão e dava para perceber que tremia levemente. Rachel começou a se preocupar, mas manteve a calma e compostura e continuou esperando.
Q: E...Eu... [a voz falhava] Eu quero pedir desculpas. [dizia sem olhar para a morena]
R: Estou te ouvindo. [disse calma]
Q: Me desculpe pelas coisas que falei. [a voz saiu rouca, trêmula, insegura] Eu não queria dizer... Eu não penso aquelas coisas de você.
Rachel percebeu que Quinn apertava as mãos, uma na outra, tentando ocultar os tremores. Não entendia porque ela estava tremendo. Não podia ser frio, pois ela estava agasalhada e o quarto estava aquecido. Só podia ser nervosismo, mas por quê?
Quinn puxou o ar com mais força e continuou:
Q: Eu sei que magoei você e que eu prometi não te magoar. Por favor não encare como uma quebra de promessa, porque eu não tive a intenção de te magoar.
Sua voz ia ficando cada vez mais insegura e suas mãos se apertavam com mais força. Rachel deduziu que estava sendo muito difícil para Quinn verbalizar qualquer coisa naquele momento, então resolveu interrompê-la.
R: Não vamos conversar agora, Quinn. [a loira virou o rosto para olhá-la, sem entender] Eu não quero conversar agora. Você não está pronta... [disse calmamente, mas firme]
Quinn fechou os olhos por alguns segundos e se lamentou por não poder consertar as coisas naquele momento. Voltou a encarar o chão e assentiu com a cabeça.
Q: Ok. Me desculpe... [com a voz quase inexistente, levantou-se e se afastou da cama]
R: O que você está fazendo? [perguntou confusa]
Q: Indo embora. Você disse que não quer conversar agora. [respondeu inevitavelmente triste]
R: Mas eu não disse que você deveria ir embora. Eu não quero que você vá.
Q: Não?
R: Não, Quinn! Você precisa aprender a separar as coisas. Não querer conversar, não implica em não querer você perto de mim, comigo...
Q: Eu só pensei...
R: Pensou errado! [disse enquanto fechava o laptop e o colocava na mesinha ao lado da cama. Levantou-se e estendeu a mão para Quinn]
R: Vem!
Q: Pra onde?
R: Pra cozinha. Vamos comer alguma coisa. Tenho certeza de que você não comeu nada.
Q: Tomei uma vitamina. [respondeu sem graça]
R: Vitamina não é comida. Vem! E tira esse casaco...
Quinn obedeceu. Tirou o casaco e a acompanhou até a cozinha. Rachel esquentou a lasanha que havia restado do almoço para as duas comerem. Quinn não falava nada. Estava com medo de dizer qualquer coisa que provocasse uma nova briga. Estava dominada por uma insegurança que odiava e estava se odiando por ceder a essa sensação terrível que a afastava de Rachel.
R: O fato de eu não querer conversar sobre a briga agora, não quer dizer que eu não quero falar com você. Fale comigo! [disse calmamente]
Q: Eu não sei o que falar. Qualquer coisa pode ser a coisa errada.
R: Fale sobre algum filme ou livro. Fale sobre Columbia ou Yale. Fale sobre Santana e Brit. Fale sobre o clima, o tempo, sobre NY, sobre tantas coisas que você seria capaz de falar por horas, porque você sabe falar sobre tudo. [disse com um sorriso meigo]
Q: Eu te amo! [disse de repente]
A morena se surpreendeu. Não esperava ouvir isso agora. Quinn continuou.
Q: Eu sei que você está agindo assim para fazer eu me sentir melhor, mas você não precisa fazer isso. Eu magoei você e mereço que você me mostre sua raiva. Que verbalize o meu erro. Eu amo você e, no entanto, te magoei... [estava com a voz completamente falha, indicando que começaria a chorar] Eu não quero te perder por ser insegura. Eu não sei porque estou me sentindo assim. Eu não sou assim. [começou a chorar] Mas você me desestabiliza, me tira do meu eixo... O medo de perder você é insano! Me deixa sem ar... [respirou fundo para impedir um soluço]
Rachel se aproximou dela, segurou seu rosto com as duas mãos e a beijou... Beijou os olhos, a testa, o nariz, a boca... Quando chegou na boca, Quinn avançou com sede, como se não a beijasse há anos, demonstrando, através de seus lábios e de sua língua, todo seu medo de perder a morena. E Rachel sentia isso, até cortar o beijo. Abraçou Quinn com extremo carinho.
R: Pare de chorar, meu amor... [dizia em seu ouvido] Por favor, pare...
Quinn se esforçava, mas não conseguia parar. Mas Rachel estava pronta para controlar a situação e moveu a cabeça para olhá-la nos olhos, deu-lhe um beijo leve nos lábios e continuou a falar:
R: Você já monopolizou demais a cota de surtos do nosso relacionamento. [disse num tom divertido]
Quinn sorriu. Rachel alcançou seu objetivo...
R: Vem... Vamos para o quarto!
Lá chegando, Quinn ficou descalça e deitou. Rachel deitou à sua frente e a puxou para mais perto. Entrelaçaram as pernas e a morena começou a alisar os cabelos da loira, fazendo um cafuné suave. Quinn mantinha os olhos fechados, desfrutando o carinho de Rachel. A morena alternava o carinho nos cabelos com beijos pelo rosto, carícia com o nariz...
R: Você precisa acreditar que eu amo você e que isso faz com que eu não pense em te deixar...[disse em seu ouvido] A Quinn, minha Quinn, é forte e decidida, não essa gatinha assustada e insegura...
Quinn abriu os olhos e deparou-se com os olhos castanhos lhe encarando apaixonadamente.
R: Eu amo cuidar de você, te fazer carinho... Mas eu não quero que isso seja consolo para te convencer de que eu estou com você. Eu quero que seja a prova de que eu te amo e te desejo. Por favor, não alimente essa melancolia. Eu não vou a lugar nenhum sem você...
Quinn avançou e a beijou. Segurou sua nuca com força, tentando aprofundar o beijo. Rachel permitiu. As línguas se entendiam como sempre. A loira puxava os lábios da morena com os dentes e depois, vagarosamente, voltava a beijar os lábios com extremo carinho.
Q: Eu te amo... [disse enquanto respirava sobre o rosto de Rachel] Eu não sou assim! Você sabe que eu não sou esse poço de insegurança e melancolia. Mas eu não sei de onde vem esse medo feroz de perder você...
R: Eu te amo. Você precisa lidar com esse medo. Ele precisa ir embora, meu amor...Não esqueça nunca: eu não vou a lugar nenhum sem você... Porque você é o meu lugar...
Notas finais
Muito obrigada mesmo! E continuem comentando! :-) Beijos!
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