Você Sempre Esteve Em Mim

20 Capítulo 20 - Ninguém disse que seria fácil...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Coldplay - The Scientist

MADRUGADA:

Rachel estava deitava enquanto Quinn lhe acariciava. Deslizava o dedo indicador pelo corpo da morena (que suspirava): entre os seios, pela barriga, voltava aos seios, pescoço... Ficaram assim por um bom tempo. Já não havia mais panqueca. Cada roupão estava aos pés da cama. A nudez era dividida, num momento de pura redescoberta e contemplação. Não diziam nada. Não precisavam mais falar... Em suas mentes os mesmos pensamentos: nunca haviam sentido atração por outras garotas, o corpo feminino nunca havia parecido desejável. Agora, desejavam-se mais do que tudo. Sempre se desejaram, apenas não entendiam este desejo. Confundiram com qualquer coisa... Rachel mantinha o olhar em Quinn, enquanto a loira admirava seu corpo como um todo.

Eram 3:30 da manhã quando Rachel beijou a testa de Quinn e virou-se de costas para ela, puxando-a para ficar em posição de concha. A loira se aconchegou, entrelaçou suas pernas e acariciou a nuca da morena com o nariz até dizer:

Q: Boa noite!

R: Boa noite! Você ainda estará aqui quando eu acordar? — perguntava em um sussurro.

Q: Sim...estarei aqui.

MANHÃ:

Eram 07:30 da manhã quando Rachel despertou. Quinn já não estava a abraçando. Virou-se e a observou dormindo de bruços, com o rosto virado para ela. Logo pensou: “definitivamente, não há a menor chance dessa mania de se separar durante o sono continuar...” Não quis acordar a loira, então se levantou com cuidado e foi tomar um banho. Ao sair do banheiro, viu que Quinn continuava na mesma posição. Vestiu-se e desceu para tomar um café forte. Precisava despertar por completo. Ao chegar à cozinha deparou-se com Leroy, que não estava com uma cara muito boa. O clima entre pai e filha continuava ruim. O silêncio entre eles era pesado.

Eram 08:00 quando o despertador de Rachel tocou. Quinn acordou assustada e viu que a morena não estava na cama. Desligou o despertador e tentou se levantar. O cansaço, após a noite que tiveram, era imenso, mas precisava ir para casa. Levantou-se e se dirigiu ao banheiro. Utilizou, novamente, o enxaguante bucal de Rachel, lavou o rosto e voltou ao quarto para se vestir. Saiu do quarto em direção à parte de baixo da casa, à procura da morena.

Na cozinha, Rachel já não aguentava mais a hostilidade de seu pai e resolveu falar:

R: Eu vou embora amanhã. Você ainda vai continuar me ignorando?

L: Não estou te ignorando. Apenas não quero falar com você.

R: Não seja infantil, pai! — pedia.

L: Não fale assim comigo, Rachel! – dizia sério.

R: Desculpe, mas o que eu posso fazer para que você me entenda?

L: Nada! Você não pode fazer nada. Eu simplesmente não quero entender como você resolveu se envolver com a pessoa que mais te maltratou na vida!

R: Você não parecia se importar quando nós éramos apenas amigas.

L: Era diferente...

R: O que era diferente? Ela estava na minha vida da mesma forma. — tentava manter-se forte.

L: Não é da mesma forma. Não diga que é, porque você sabe que não é. — respondia duramente.

R: O que você quer que eu faça? — perguntava com a voz embargada.

L: Eu não vou lhe dizer o que fazer, Rachel. Você já é adulta. Mas não me obrigue a aceitar.

R: Pai, dê uma chance a ela. — pedia já com a voz falhando.

L: Eu não quero dar chance a ela. Você pode esquecer, mas eu nunca esquecerei as noites que você passou acordada chorando pelas humilhações que ela te fez passar. Você sempre me orgulhou, porque enfrentava a todos na escola, sem nunca baixar a cabeça. Mas era aqui em casa que suas fragilidades vinham à tona e éramos eu e Hiran quem cuidávamos de você. Das feridas que ela causou. Como você espera que eu esqueça isso e a receba de braços abertos? — falava sentido.

R: Mas você vinha aceitando nossa amizade. Por que isso agora? — questionava impaciente.

L: Porque eu achava que não adiantaria interferir e estava tranquilo porque vocês iriam fazer faculdades em locais diferentes. Mas agora vocês vão estar na mesma cidade, nessa ilusão de que ela te ama, não tenho como concordar com isso.

R: Não é uma ilusão! Ela me ama de verdade! — falava duramente.

L: É o que você pensa, minha filha! E, talvez, seja o que ela pensa. Mas o caráter dela não permitirá que ela enfrente as dificuldades que vocês passarão daqui pra frente. Mais cedo ou mais tarde, ela irá tratar você da mesma forma que tratava, e você vai sofrer mais do que qualquer uma das vezes em que ela te machucou. Eu só queria evitar isso. Eu não consigo confiar nela.

R: Mas eu confio... — falava chorando.

L: Você é romântica, como Hiran... Não entendo como as coisas mudaram. Até um tempo atrás você amava o Finn e queria casar com ele. Nunca a vi se interessando por garotas. Agora você me vem com um amor repentino entre você e sua inimiga. Como você quer que eu entenda, minha filha? — falava num tom severo.

R: Ela não é minha inimiga! — falava mais alto – E nossos sentimentos não são repentinos. Eu não posso discutir com você se você sequer se dispõe a dar uma chance a ela. Eu adoraria que você aceitasse o que estou sentindo, mas não posso fazer nada se você prefere ser contra.

L: Não se trata de preferência. Só quero evitar que você sofra mais.

R: Eu não vou sofrer.

L: Eu não acredito em você.

R: Por que? — perguntava desapontada.

L: Você nunca mentiu para nós, no entanto, eu chego em casa cansado e me deparo com o carro dela na minha porta. Ou seja, você a trouxe para dormir aqui na nossa ausência, mesmo sabendo que eu não a quero mais nessa casa.

R: O papai não tem problemas com isso. Ele gosta dela. — chorava.

L: Esta casa não é só do Hiran. É minha também! E eu não a quero aqui. Você quer ficar com ela? Fique! Mas não aqui.

R: Por que você está sendo tão egoísta comigo? — perguntava a ponto de se desesperar.

L: Nós já tivemos essa conversa em Detroit, Rachel. Não é egoísmo. É proteção. Quando ela quebrar seu coração, eu estarei aqui para cuidar de você. Mas não me peça para apoiar isso agora, porque não posso.

R: Mas, pai...

Um barulho é ouvido. Era a porta da frente. Alguém saiu ou entrou. Rachel logo entendeu: Quinn tinha ouvido tudo. Saiu em disparada atrás da loira. Quando chegou no jardim a viu indo em direção ao carro com pressa:

R: Quinn?! Para onde você vai? — perguntava chorando – Espera! Não vai assim!

Quinn parou e se virou para ela. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Aproximou-se de Rachel e falou:

Q: Não culpe seu pai por estar pensando com lógica. — falava chorando – Ele só está te protegendo... Meu Deus! Qual o tamanho do mal que eu te fiz, Rachel? — perguntava chorando, entre soluços. — Eu não fazia ideia do quanto havia te magoado. Você chorava em casa a ponto de precisar ser consolada pelos seus pais. Eu não fazia ideia...

R: É passado! Já passou. Não importa... — respondia também chorando.

Q: É claro que importa! Tanto importa que impede que seu pai consiga pensar na possibilidade de eu não ser uma má pessoa. Porque eu fui péssima com você... Eu não tenho como consertar o que fiz. Eu juro que consertaria, Rach! Se eu pudesse, eu mudaria tudo agora... — chorava copiosamente.

R: Para, Quinn! Por favor, para! Vem... Vamos entrar! — pedia chorando.

Q: NÃO! Eu não volto lá. Seu pai foi claro: ele não me quer em sua casa. Não posso desrespeitar a vontade dele. É a casa dele! Não... não volto lá. — negava-se chorando.

R: Então eu vou com você!

Q: Não! Você não vai! — dizia com um tom seco.

R: O que? — perguntava assustada. — Quinn, o que você... Não... Você não pode se afastar! — pedia chorando.

Q: Depois a gente conversa... — dizia se afastando.

R: O que você quer dizer com isso? Quinn, me fala! O que você quer dizer com isso? — perguntava chorando.

Q: Quero dizer que a gente conversa depois. — respondia séria, tentando conter as lágrimas. — Eu preciso ficar sozinha agora.

R: Não... Por favor! Me deixa ir com você! — pedia em prantos.

Quinn tentou enxugar suas próprias lágrimas, aproximou-se mais de Rachel e a puxou para um abraço:

Q: Pare de chorar! Eu não estou me afastando. Eu só preciso ficar um pouco só. A gente conversa depois. — dizia com calma, mas com a voz falha por conta das lágrimas recém derramadas.

Beijou-lhe a têmpora e sussurrou:

Q: Eu te amo... Não estou me afastando.

Soltou Rachel e entrou no carro, saindo sem olhar para trás. A morena ficou um tempo vendo o carro se afastar e sair do seu campo de visão. Não queria entrar em casa, mas não conseguia se mover para qualquer outra direção. Depois de alguns minutos, ao entender que Quinn não voltaria, correu para dentro de casa e trancou-se em seu quarto. Leroy batia na porta, mandando-a abrir, mas Rachel não obedecia. Deitada em sua cama, chorava encolhida, abraçada às cobertas que estavam impregnadas do cheiro de Quinn... do cheiro das duas. Adormeceu de tanto chorar...

TARDE:

O relógio indicava 15:21 quando Rachel acordou. Com uma forte dor de cabeça e os olhos pesados, pegou o celular para ligar para Quinn: caixa-postal. Levantou-se, lavou o rosto e saiu do quarto. Hiran já havia chegado e sabia do ocorrido através de Leroy.

H: Filha, é você? — perguntava da cozinha ao ouvir os passos na escada.

R: Sim, papai, sou eu! — respondia com a voz rouca.

Hiran foi ao seu encontro e a abraçou:

H: Seu pai me contou o que houve. Eu vou conversar com ele quantas vezes forem necessárias para que ele entenda que está sendo irracional. Não se preocupe, filha! Vai ficar tudo bem... — dizia tentando confortá-la.

R: Obrigada, papai, mas eu preciso sair.

H: Cuidado, filha! — dizia, sabendo que ela iria atrás de Quinn.

Rachel chegava à casa da loira e percebia que o carro dela não estava lá. Pensou que estivesse na casa de Santana e deslocou-se para a casa da latina. Em vão: Quinn também não estava. Continuou dirigindo, ligando várias vezes para o celular da loira, mas continuava desligado.

Quinn dirigia sem rumo. Já havia parado o carro diversas vezes, mas não tinha ido para casa. Sabia que Rachel a procuraria lá. Perguntava-se se seria capaz de viver em paz sem que seu passado voltasse para lhe assombrar, como tem acontecido. Não tinha resposta para isso. A conversa que ouviu a deixou transtornada. Ouviu Rachel a defender e reconhecia a sinceridade na voz da morena. Mas a falta de confiança que o pai dela empregava às palavras, a raiva carregada em sua voz quando lembrava de toda a mágoa que a loira causou, causava-lhe uma dor que ia além do emocional: era física. Doía em seu corpo a consciência do mal que havia feito à Rachel. E mesmo que a morena diga que não se importa, teve a prova de que mais cedo ou mais tarde, o passado explodiria em sua cara. Não tinha como fugir dele.

NOITE:

Rachel não fazia ideia por quanto tempo havia dirigido. Encontrava-se parada próximo à casa de Quinn. Ela ainda não havia chegado e a morena estava aflita, sem notícias. Avistou seu carro chegando e parando em frente à porta da garagem. Imediatamente, Rachel desceu e foi ao seu encontro. Quando percebeu sua presença, Quinn logo perguntou:

Q: Rachel? O que faz aqui?

R: O que faço aqui? Como assim? É claro que estou aqui à sua procura! Estou tentando falar com você o dia inteiro, mas seu celular está desligado. Vai ser sempre assim? Quando você quiser pensar vai sumir do mapa e me deixar louca atrás de você? — falava exasperada.

Q: Eu não pedi para você vir atrás de mim! — dizia, mas logo se arrependendo do tom usado. Não entendia porque havia falado desse jeito.

Q: Quer dizer...

R: Por que você está falando comigo assim? — Perguntava entristecida e assustada pela reação da loira – Por que você está descontando em mim?

Q: Me desculpa! — pedia arrependida – Por favor, me desculpa!

R: O que está acontecendo, Quinn? Me diga logo... Você está pulando fora? É isso? — voltava a chorar.

Q: Não! Não estou pulando fora, Rach! Não! — respondia rapidamente, querendo tranquilizar Rachel.

R: Então conversa comigo! — pedia chorando – Passei o dia inteiro à sua procura. Por que você se escondeu de mim?

Quinn segurou sua mão e a puxou, abraçando-a para dizer em seu ouvido:

Q: Eu não pensei que as coisas seriam fáceis. Mas também não pensei que seriam tão difíceis... Meu amor, me desculpe! Eu só precisava respirar, pensar... me desculpe!

R: Pense perto de mim! Não se afaste! Por favor, não se afaste! — continuava chorando.

Q: Vamos sair daqui. — disse enquanto abria a porta do carro para Rachel entrar.

R: Para onde vamos?

Q: Para qualquer lugar onde possamos ter um pouco de paz...


Notas finais
Um certo drama. Mas necessário. Nem tudo são flores, principalmente no relacionamento delas. Espero que continuem gostando.
Próximo capítulo, finalmente, NEW YORK! :)