Você Sempre Esteve Em Mim
100 Capítulo 100 - Para sempre em você...
Notas iniciais
Quando deram a volta no estacionamento para saírem de Columbia, perceberam o Sr. Cook e a Srta. Adams acenando para que parassem o carro. Quinn já começava a se irritar, mas sentiu a mão de Rachel sobre sua coxa, acalmando-a. A loira freou e esperou que se aproximassem. A morena sugeriu que ela saísse do carro para falar com eles e se surpreendeu quando pediram que ela saísse também, pois queriam falar com as duas.
Q: Achei que a reunião tinha acabado. [disse séria]
Sr. Cook: A reunião sim. Mas o nosso assunto com a senhorita não. [disse calmo]
Q: O que mais falta vocês falarem comigo que já não tenha sido dito? [perguntou ríspida]
R: Calma, Quinn... [disse baixinho]
Sr. Cook: Temos uma proposta. [disse com um sorriso educado]
Q: Eu não quero ouvir. Considere negada. [disse seca]
Sr. Cook: Mas...
Q: Eu já falei! [interrompeu] Não quero ouvir.
R: Quinn, seja educada! [repreendeu]
Q: Estou tentando... [bufou]
R: Pois não está conseguindo. [disse séria] Deixe-o falar...
Q: Ok... [deu-se por vencida] Pode falar...
Sr. Cook: Percebemos o quanto a senhorita Berry é importante para suas decisões. [olhou para cada uma] Por isso, oferecemos uma vaga para ela em Harvard. [disse com um sorriso] Ela poderá fazer teatro, música, dança... O que quiser. Se a senhorita aceitar vir para Harvard, faremos de tudo pela senhorita Berry também. Disponibilizaremos um excelente apartamento para que não precisem ficar alojadas em um dormitório... E um carro também. Dois, caso queiram. Ambas com bolsas de estudos integrais, claro! Quero que saiba, senhorita Fabray, que estamos dispostos a atender a todos os seus desejos. E isso inclui manter a senhorita Berry por perto. [finalizou, deixando Rachel um tanto quanto perplexa]
Q: Vocês estão dispostos mesmo a atender aos meus desejos? [perguntou calma]
Sr. Cook: Sim! Totalmente! [sorriu esperançoso]
Q: Muito bem... Atendam ao seguinte: Me deixem em paz! [disse cortante]
Srta. Adams: Senhorita Fabray, é uma excelente oferta, nunca antes feita a ninguém. [tentou enfatizar]
Q: Não me importa. Eu não quero!
Srta. Adams: Pergunte à senhorita Berry se...
Q: Não a envolva nisso! [interrompeu de forma ríspida] Não ousem envolvê-la nessa história! [irritou-se de vez]
Srta. Adams: Mas seria uma grande...
Q: Vocês não conhecem Rachel Berry. [cortou] Mas um dia vão conhecer... E vão entender que ela não nasceu para aceitar uma oferta de consolação. Ela não é um brinde. Vocês não podem nos comprar. Ela merece a melhor formação e, na área dela, NYADA é a melhor que existe. Ela conseguiu isso por mérito próprio, pelo talento incontestável que possui. O que vocês acabaram de propor não foi uma grande oferta. Muito menos irrecusável. Foi, na verdade, uma ofensa e um insulto à nossa inteligência. E como vocês sabem, inteligência é o que não me falta. [disse exaltada, fazendo o coração da morena disparar diante dessas palavras]
Sr. Cook: Senhorita Fabray, a senhorita está entendendo errado. [tentou acalmá-la] Não foi nossa intenção ofendê-las. Só queríamos facilitar sua vida e...
Q: Não! [interrompeu de forma brusca] Vocês querem facilitar a vida de vocês. [acusou] Eu sei a publicidade que vocês ganhariam e o prestígio por ter uma pessoa com o meu Q.I. entre os seus alunos. Vocês só lucrariam. Iam querer que eu encabeçasse pesquisas e mais pesquisas. Monitorias e palestras. Eu seria um objeto para vocês. Uma porcaria de um apartamento e sei lá quantos carros não custariam nada para vocês em comparação ao retorno que a minha presença na sua universidade daria. Columbia, ao contrário, tem respeitado minha privacidade o máximo que pode. Até agora, não tentaram se beneficiar com a minha presença. Eu não gosto desse tipo de abordagem, desse tipo de pressão. Eu gosto de discrição e eu quero que a minha vida siga da forma que eu planejo. E se eu digo que não quero, eu não suporto que tentem me manipular. [finalizou irritada]
Sr. Cook: Somos Harvard, senhorita Fabray. Não esqueça do peso que esse nome carrega.
Q: O senhor mesmo disse que não fará diferença onde eu me formarei. Minha inteligência fará tudo por mim... [usou o argumento dele contra o próprio] Então esse peso que o senhor destaca, não me vale de nada.
Sr. Cook: Acredito que não chegaremos a um acordo hoje. A senhorita exaltou-se e peço desculpas por isso. Nossa oferta está de pé. Boa noite e desculpem o transtorno! [afastou-se juntamente com a senhorita Adams, voltando ao interior do prédio]
Quinn ainda estava nervosa. Sua respiração estava pesada. Rachel estava com medo de falar qualquer coisa. Completamente surpresa com a oferta que ouviu e com a reação de Quinn...
Q: Vamos jantar. [disse entrando no carro]
Rachel entrou logo depois e continuou em silêncio, pensando em tudo o que foi dito. Dois minutos se passaram até que ela chegou ao seu limite:
R: Eu vou com você! [soltou]
Q: O quê? [virou o rosto bruscamente para olhá-la]
R: Quinn, o trânsito! [chamou sua atenção]
A loira manobrou o carro para o acostamento e parou:
Q: O que você falou? [perguntou confusa]
R: Que eu vou com você. [repetiu] Se você tiver qualquer interesse em ir para Harvard, eu vou com você. Eu aceito essa proposta que eles fizeram. É uma das maiores universidades do mundo em tudo. Eu terei uma boa formação. [estava sendo sincera]
Q: Você não pode estar falando sério. [deu um sorriso nervoso, que Rachel logo identificou como sinal da grande irritação da loira]
R: Assim como você fica por mim, eu vou por você. [insistiu]
Q: Você ainda não entendeu, não foi?!
R: O quê?
Q: Eu jamais permitiria que você fizesse isso! [disse firme]
R: Por quê? Por que você pode abrir mão das coisas por mim e eu não posso abrir por você? [perguntou calma]
Q: Porque eu estou abrindo mão de possibilidades. Você abriria mão do seu sonho. [explicou]
R: Eu ainda seria uma atriz. [argumentou]
Q: Mas não como você sonhou. [contra-argumentou]
R: Mas, Quinn...
Q: Desde quando você sonha com a Broadway? [interrompeu]
R: O quê?
Q: Desde quando você sonha com a Broadway? [repetiu] E com NYADA?
R: Desde criança. [respondeu devagar] Desde que aprendi a falar, talvez... Por quê?
Q: Eu ia fazer dramaturgia em Yale. Em Columbia eu estudo matérias de dramaturgia, cinema, política, fotografia e mais uma infinidade de coisas que são fragmentos dos meus planos. Vou unir o que me servir e vou me formar em Cinema e em várias outras coisas que a universidade me proporciona. Ou talvez eu fique só com Cinema... Eu tenho planos, Rachel. Você tem um sonho. E você o está realizando. Você percebe a diferença? Você ama NYADA, ama a Broadway. E eu... Eu amo você! [dizia num tom calmo, atencioso]
R: E eu amo você! [disse rapidamente]
Q: Eu sei... [sorriu] Eu quero que você entenda a diferença entre a nossa forma de encarar o futuro. Eu não posso permitir que você abra mão do sonho de uma vida toda por causa de uma oferta qualquer que eu recebi. E quando eu digo “qualquer”, eu estou usando a palavra correta. Mesmo que antes tenhamos pensado no peso da credibilidade dessas instituições que me querem, hoje vimos que tanto faz... Eu sei que todas elas terão as portas abertas para mim no futuro, se eu quiser fazer doutorado... Mas ficaremos em Nova York. Aqui é nosso lar agora. Aqui construiremos nossa vida.
R: Eu não sei o que dizer... [estava realmente sem palavras]
Q: Não precisa dizer nada. Não esqueça, também, que eu fiz um trato com o Sr. Thomas. Eu prometi me formar em Columbia em troca do favor que ele me fez, mesmo que eu já tivesse decidido. Ele conseguiu uma vaga para a Britt em Juilliard, Rach. Quando ela teria essa chance? Não posso desapontá-los. E o mais importante de tudo: eu nunca afastaria você da Broadway. Nunca!
R: É bom ouvir tudo isso. Faz com que eu consiga afastar essa sensação ruim de que atrapalho seu futuro... [disse com um sorriso triste]
Q: Por você eu me desfiz do medo que eu tinha do sentimento que me consumia e que me assustava tanto. Por você eu me desfiz de coisas que eu aprendi na minha religião. Contrariei e continuo contrariando ensinamentos que me acompanharam por toda a vida. Eu assumi meu amor por você aqui e em Lima... Eu que sempre tentei manter minha vida privada o mais discreta possível, deixei de ter medo de que me julgassem por amar você. Por você eu vim pra cá e já não quero ficar aqui por você. Quero ficar aqui por nós...
Rachel começou a chorar. E seu choro era acompanhado por um sorriso nervoso que Quinn conhecia bem. Sabia que a morena estava transbordando de emoção e não conseguia colocar em palavras. Então, soltou o próprio cinto de segurança, depois o de Rachel e a puxou para um abraço, sentindo-a apertar-se com força a seu corpo. Ficaram naquela posição por alguns minutos, até que Quinn depositou um beijo no pescoço da namorada e se afastou.
Q: Ser tão inteligente é bastante solitário, Rach. Como eu já te falei, eu só tinha a Santana e a Britt como amigas na infância e, mesmo assim, eu me sentia só. Era difícil participar de uma conversa quando eu sabia muito mais do que as outras pessoas. Era solitário fazer prova na escola, porque eu terminava muito rápido e saía primeiro do que todos, ficando sozinha pelos corredores. Com o tempo eu passei a fingir que estava demorando e ficava o mesmo tempo do que a maioria. E era tedioso esperar... Era chato saber mais do que minha irmã. Às vezes, ela tinha raiva disso. Meu pai não gostava que eu soubesse dos assuntos mais do que ele, então ele não me perguntava o que eu achava sobre qualquer coisa. Durante muito tempo não tivemos qualquer diálogo. Eu tinha inveja da Frannie quando ela fazia o dever de casa com a ajuda dos meus pais. Mas era ela quem mais me entendia. Ela comprava livros para mim. Deixava que eu lesse os livros dela, mais avançados do que os da minha série, que nunca eram o suficiente para mim. Ela me estimulava. Mas eu ainda me sentia muito solitária... Demorou para que meus pais passassem a me estimular também, até porque, eles se preocupavam mais com minha vida social, do que com a forma como eu me sentia.
Rachel ouvia atentamente...
Q: Eu não quero viver presa em minha mente. Não quero ser só alguém inteligente. Eu já não me sinto só... Com você eu não me sinto solitária... Eu vivi muito tempo comigo mesma. Agora eu só quero continuar vivendo com você... Aqui!
A morena avançou sobre ela, beijando-a apaixonadamente. Não foi um beijo demorado, mas foi intenso. O suficiente para que fechassem aquele assunto.
Q: Podemos não falar sobre isso novamente? Era um assunto enterrado. Vamos enterrá-lo novamente!
Duas semanas depois, Santana estava no apartamento 112, num estado de pura felicidade. Faltavam poucos dias para Brittany mudar-se de vez para Nova York. Sua felicidade era tanta, que transbordava em carinho até sobre Rachel:
R: O que me entristece, Santana, é que esse seu comportamento comigo tem data certa para acabar. [lamentava-se]
S: Ai, Berry! Só aproveite e pare de resmungar. [revirava os olhos em desaprovação]
K: Chamou, Barbra? [perguntou entrando no apartamento]
R: Sim, chamei! Eu preciso falar com vocês.
K: Aconteceu alguma coisa?
R: Não. Mas vai acontecer. E eu preciso que vocês me ajudem.
Próximo dali, Quinn corria na esteira da academia. Já havia “percorrido” mais quilômetros do que de costume e numa velocidade superior à que sempre corria. Estava completamente ligada, ainda sob o efeito da noite anterior, em que Rachel a havia convencido a beber bastante energético para que conseguissem passar a noite inteira fazendo sexo. A morena desabou num sono profundo logo que terminaram, enquanto a loira continuava com a adrenalina à toda, correndo em suas veias. Quinn pensava que seria o contrário, já que Rachel é uma pilha natural, com o estímulo do energético ela deveria estar correndo por Nova York inteira. Mas contrariou a lógica e dormiu como um anjo...
S: Você é estúpida, Berry? Não aprendeu nada com o que já aconteceu? [perguntava]
K: Eu devo concordar com a Santana! [disse tranquilo]
R: Pois vocês estão errados! [disse firme]
S: Você sabe que a Quinn detesta que controlem a vida dela. Você não pode decidir isso sem consultá-la! [avisava]
R: Eu já decidi. Mas não vou conseguir fazer isso sozinha. Preciso que me ajudem. Principalmente você, Kurt. Eu sei que estou pedindo demais e que vocês podem se recusar a me ajudar, até porque isso afeta vocês também, mas é muito importante para nós duas.
K: Você tem certeza de que quer mesmo isso? A Quinn não é igual à Britt e ao Blaine.
R: Quero! [disse segura]
S: Espero não me arrepender, mas... Fechado! Nós aceitamos e ajudaremos, não é Kurt?!
K: Com certeza! [garantiu com um sorriso]
Quando Quinn voltou pra casa, foi direto ao 110 e estranhou a ausência de Rachel e de Kurt. Quando ia saindo para procurá-los no 112, a morena entrou e deu de cara com ela:
R: Hey! [surpreendeu-se] Já voltou?
Q: Fiquei fora por duas horas, Rach... Acho que é o suficiente. [disse estranhando o tom de voz da namorada]
R: Que bom que voltou! [disse aproximando-se para abraçá-la]
Quinn recuou:
Q: Estou suada! [justificou]
R: Já me lambuzei no seu suor infinitas vezes... [disse com um tom sexy, fazendo Quinn corar]
A morena a abraçou, beijando o pescoço suado, sentindo as mãos da loira deslizarem por seu corpo.
R: Vem! [disse se afastando e puxando-a pela mão] Vou dar banho em você...
Depois de 30 minutos no banho, com Rachel provocando Quinn o tempo inteiro, a loira saiu do banheiro ainda sob o efeito da adrenalina:
Q: Preciso tomar alguma coisa para dormir, Rach. Vou ao meu apartamento buscar um calmante.
R: Você não vai tomar nada! Isso pode fazer mal!
Q: Não se preocupe! Eu vou verificar o princípio ativo do calmante e ver se choca com algum dos ingredientes do energético...
R: Não! Não vai usar sua inteligência agora. Eu estou pedindo para não tomar. Por favor!
Q: Ok, ok... Então pegarei um chá.
R: Melhor! Aproveita e traz sua blusa de Columbia.
Q: Para quê?
R: Para mim! Quero usá-la, ora... O lugar dela é aqui e não sei porquê você a levou de volta para lá.
Q: A blusa é minha, esqueceu? Nada mais justo do que ficar no meu closet.
R: Você sabe que vai perder essa discussão e vai trazê-la para mim. Anda logo e traz que eu quero seu cheiro em mim. [sorriu travessa]
Q: Posso providenciar isso de outra forma... [disse abraçando-a, beijando o ombro nu]
R: Huuuuum... Faça das duas formas... Agora vá e me traga. [deu-lhe um selinho rápido]
Com o passar do tempo, Quinn começou a estranhar o comportamento de Rachel. Em alguns dias ela ficava fora por duas horas inteiras e sempre dizia que estava passeando por Nova York. Sempre era com Kurt, nunca com ela. Preocupou-se em tentar encontrar uma explicação. Perguntava-se se tinha feito algo errado para que a morena quisesse se afastar um pouco dela, mas o comportamento carinhoso da namorada quando estava em casa dizia que estava tudo bem.
A loira estava lendo no sofá do 112. Isso tinha voltado a ser um hábito:
R: São duas horas da manhã, Quinn... [disse sonolenta, chegando à sala]
Q: Perdi o sono... [respondeu com um sorriso leve]
Rachel se aproximou e sentou-se ao seu lado, encostando a cabeça em seu ombro:
R: Eu prefiro que você acenda a luz e leia ao meu lado, a ter que acordar e sentir sua ausência... [disse rouca, com os olhos fechados]
Q: Desculpe, meu amor... [beijou-lhe a têmpora]
A morena deitou em suas pernas, esperando o cafuné de Quinn. Não demorou nada e os dedos da loira já estavam acariciando os cabelos de Rachel, massageando o couro cabeludo. Quando sentiu sua respiração mais pesada, Quinn olhou para baixo e não pôde evitar sorrir... A morena ficava linda dormindo. Indefesa. Bem diferente da energia que tinha acordada. Mesmo parada, quieta num canto, Rachel nunca consegue ficar parada. Mexe os dedos, a perna, nos cabelos... Dormindo, era o símbolo da pureza para Quinn. Era quando a loira se apaixonava ainda mais... Amanheceram ali: Rachel confortável com a cabeça sobre as pernas de Quinn, enquanto a loira estava numa posição completamente desconfortável. Despertou ao ouvir um barulho na cozinha:
S: Espero que não tenham transado no sofá. [disse com um prato de cereal na mão]
Q: É claro que não, S! [respondeu com a voz rouca e uma careta de dor]
S: Torcicolo?
Q: É...
S: Acorde sua princesa! Hoje temos um dia cheio. Minha Brit-Brit chega amanhã e precisamos deixar tudo impecável para ela.
Depois de tomarem café, Rachel colocava uma roupa de Quinn sobre a cama, enquanto aguardava a loira sair do banho. Sentiu o abraço molhado da namorada por trás:
Q: Ainda não sei porquê eu não fico com você e o Kurt não vai com ela... [disse enquanto beijava-lhe o pescoço]
R: Ela é sua melhor amiga e quer sua companhia. [respondeu com um pouco de dificuldade, amolecida pelos carinhos de Quinn]
Q: Você não pode vir conosco? O Kurt não pode arrumar aqui sozinho? Não tem muito o que fazer...
R: Ele me pediu para ficar. E a Santana ordenou. Não tenho escolha.
Q: Certo. Então deixa eu ir logo, porque quanto mais cedo formos, mais cedo voltamos.
Santana entrava em todas as lojas possíveis do Shopping Center e Quinn a acompanhava pacientemente:
Q: S, por que você quer comprar novos lençóis? A Brit já é de casa.
S: Ela já viu todos os meus lençóis. Agora eu quero que ela veja os “nossos”. As coisas agora serão minhas e dela.
Q: Depois a encoleirada sou eu...
S: Todo mundo sabe que eu sou encoleirada pela Brit. Sempre fui! E tenho orgulho disso.
Q: Isso é verdade. Sempre foi!
S: Nossas garotas têm o controle sobre a gente.
Q: Completamente!
No apartamento 110, Kurt e Rachel executavam a outra parte do plano:
K: Já terminei aqui.
R: Arrumou tudo?
K: Sim. Tudo arrumado.
R: Ótimo. Preciso pegar só mais algumas coisas no 112 e acho que já teremos tudo.
K: Tem certeza de que quer embarcar nessa?
R: Toda a certeza do mundo! [respondeu segura]
K: Espero que dê tudo certo. [sorriu]
R: Vai dar!
K: Deixa eu terminar de juntar as coisas ali e vamos comer algo porque estou com fome.
R: Que horas elas voltam?
K: Em duas horas.
R: Ok... Kurt! [chamou]
K: Oi?
Rachel se aproximou e abraçou o amigo com força:
R: Eu não tenho palavras para agradecer a força que você está me dando.
K: Você sabe que não precisa agradecer.
R: Vou sentir sua falta. [disse triste]
K: E eu a sua! [disse no mesmo tom]
R: Eu te amo! Amo muito!
K: Eu também, Barbra! Amo mesmo!
Quinn e Santana voltavam para casa e a loira já não estava tão paciente como antes:
Q: Eu não acredito que entramos em tantas lojas e você só comprou isso! Você sabe que o tempo que levamos dava para ter comprado a metade do Shopping, não sabe?!
S: Relaxa, Q! Você está absorvendo a chatice da Berry?
Q: Não fala assim! [repreendeu]
S: Não enche e relaxa!
Quando o carro parou na garagem, Santana desceu primeiro e começou a digitar uma mensagem em seu celular:
“Estamos subindo! S”
Q: Diz à Brit que mandei um beijo! [disse ao perceber que a latina enviava uma mensagem]
S: Ah... sim sim... Eu digo... [fingiu]
Santana estava visivelmente nervosa no elevador e Quinn não pôde deixar de notar:
Q: Se esse nervosismo é por causa da vinda da Brit, concluo que você está mais encoleirada do que eu pensava!
S: Cala a boca!
Quinn saiu do elevador sorrindo e quase caiu ao trombar com Kurt no meio do corredor:
K: Desculpa, Quinn!
Q: Que pressa é essa?
K: Café. Estou indo buscar café. [disse apressado]
Q: Mas tem café no apartamento de vocês.
K: A Rachel disse que não tem.
Q: Eu fiz café para ela ontem e vi que tinha bastante.
K: Então ela não sabe onde está.
Q: Espera que vou mostrar a ela. [disse indo em direção ao 110]
Kurt olhou para Santana e piscou o olho, mexendo os lábios em silêncio para dizer: “missão cumprida!”
Quinn sempre foi controladora. Nunca gostou de ter sua vida direcionada por outra pessoa. Sempre decidiu por si mesma o que fazer. Algumas decisões foram equivocadas e a fizeram sofrer muito mais do que esperava. Outras trouxeram recompensas significativas. Com Rachel, ela vivia uma avalanche de emoções. Com a morena ela se sentia viva de verdade. E desde então, suas decisões passaram a ser mais ponderadas, pois sabia que agora tinha alguém com quem compartilhar as consequências. Mas o controle ainda deveria estar em suas mãos. Antes de abrir a porta, ela não imaginava que, talvez, perder o controle, às vezes, poderia ser uma ótima opção. Talvez a única opção que realmente valia a pena...
Quando a loira abriu a porta naturalmente, ficou surpresa com a iluminação do fim de tarde entrando pelas janelas e dando contornos líricos a um ambiente completamente diferente do que vira antes. A mesa estava posta, com duas velas acompanhadas por duas taças, dois pratos e seus devidos talheres. Olhou para trás e Santana e Kurt não estavam mais no corredor. Entrou devagar, fechando a porta atrás de si, quase que em câmera lenta. Seus passos inconfundíveis chamaram a atenção de Rachel que apareceu na sala para recebê-la. A morena estava linda. Usava um vestido estampado curto, colado ao corpo, com um decote em “V”, e mangas compridas. Os cabelos estavam presos, trançados para o lado. Uma maquiagem leve e um sorriso sem igual. Escondia o nervosismo por trás dessa produção, mas estava morrendo de medo da reação de Quinn.
Q: Rach... O que... O que está acontecendo? [olhava ao redor] Por que está tudo diferente?
Rachel não lhe deu uma resposta objetiva, imediata... Caminhou até o piano, sentou-se, levantou a tampa das teclas e disse:
R: Eu te fiz uma promessa que ainda não cumpri. Você me deu este piano, provando seu amor por mim. E eu te prometi que você seria a primeira pessoa a me ouvir tocar uma música inteira. Tenho feito aulas e não concluí a música que venho treinando, porque você tinha mesmo que ser a primeira. Dentre tantas músicas que poderiam dizer como me sinto, ou descrever nossa relação, eu concluí que só havia uma música perfeita, porque ela nos remete a um momento especial de uma época em que estávamos confusas ainda sobre o que sentíamos. Mas ela foi, mesmo que camuflada, uma declaração de amor... Só não sabíamos o que significava aquela tensão entre nós... Desculpe as falhas que virão. Não foi fácil adaptá-la para o piano... [disse com a voz entregando seu nervosismo]
Rachel respirou fundo e começou a dedilhar as teclas. Muito nervosa, precisou respirar fundo novamente e voltou a tocar. Quinn sorriu nervosa ao perceber que ela tocava “I Feel Pretty/Unpretty”. Não conseguiu evitar se emocionar. A voz perfeita de Rachel acompanhava as teclas, enquanto a morena tentava não errar. Apenas por um milagre, Quinn conseguia ficar de pé...
Quando Rachel terminou de tocar, virou-se para olhar a namorada e viu que os olhos dela estavam inundados de lágrimas:
Q: Foi lindo, meu amor... [disse sorrindo enquanto se aproximava]
Rachel fez sinal para ela parar. Quinn obedeceu instantaneamente...
R: Espera! Só um pouco... [disse nervosa, enquanto Quinn a olhava confusa] Você percebeu que a sala está diferente, mas você sabe o porquê? [perguntou calma]
Q: Não. Eu só... [voltou a olhar ao redor e viu que tinham muitas fotos das duas, além de mais livros seus] Tem mais coisas minhas aqui...
R: Isso mesmo! Não só aqui na sala.
Q: O que você... [Rachel a interrompeu com um simples gesto]
R: Desde criança meu sonho sempre foi brilhar na Broadway. Eu não sonhava com casamento, ou príncipe encantado. Sonhava com holofotes e prêmios. Com o teatro lotado, com entrevistas... É claro que, quando cresci, descobri que eu não poderia fugir de me interessar amorosamente. Então entendi que, naturalmente, eu me apaixonaria e me casaria. E eu pensava que seria com um homem. E como você sabe, tive um candidato. [sorriu fazendo uma leve careta]
R: Mas a vida me surpreendeu e me trouxe você. [sorriu apaixonada] Eu vi que, realmente, eu não precisava pensar em príncipe encantado. Mas sim, numa princesa. [piscou o olho fazendo Quinn sorrir]
R: Há anos minha vida acontece ao seu redor. Há anos você me desafia a ser melhor. E nesse último ano, você me fez ser... E me deu o que de melhor eu poderia receber: seu amor... Eu preciso que você saiba que eu nunca me senti tão amada e tão forte, como eu me sinto desde o dia em que você me tomou em seus braços pela primeira vez. Você tem feito da minha vida algo muito melhor do que eu sempre sonhei. Você me deu uma outra visão de mundo, outra visão de mim mesma. [mantinha o olhar fixo nos olhos claros de Quinn, que ouvia tudo tremendo]
R: Um dia, vamos nos casar. Você fará um pedido criativo e vai me fazer chorar com um lindo e caro anel, dizendo as coisas perfeitas que só você sabe dizer. [sorria] Um dia, vamos morar numa casa grande, e você terá uma sala ou escritório, como queira, com estantes gigantescas para guardar seus livros, que dividirão espaço com meus prêmios, meus “Tonys”. Teremos uma garagem espaçosa, jardim e quintal. Teremos piscina e churrasqueira e nossos amigos irão, praticamente, viver lá. E teremos filhos [suspirou] para os quais explicaremos como o mundo é complicado, mas daremos tanto amor, que eles saberão sobreviver a ele, assim como nós estamos fazendo. Teremos cachorro e gato. Peixes também, talvez... [deu de ombros] Um dia, estaremos vestidas de branco e diremos nossos votos na presença das pessoas de nossas vidas. Um dia... Mas hoje... Hoje eu resolvi ignorar todas as vezes em que você me disse “não”. Eu sei e concordo que você tinha razão ao dizer cada um deles. Precisávamos de mais tempo para amadurecermos. Para sermos, mais ou menos, o que somos hoje. Eu dizia antes que não fazia sentido. E hoje eu reforço isso. E acho que nunca estivemos num momento em que faltasse tanto sentido nisso. Por isso, eu tomei as rédeas de nossas vidas hoje e preparei este apartamento para te receber definitivamente. [percebeu que Quinn havia entendido e o medo de ouvir outro “não” voltou]
R: Hoje eu te peço, Quinn Fabray, que venha morar comigo de verdade. Eu não quero mais um corredor e paredes nos separando. Eu não quero mais ter que escolher onde vamos dormir. Não quero mais nossas coisas espalhadas. Quero nossas maquiagens juntas de uma vez! Eu não quero que você tenha um lugar para fugir de mim quando brigarmos. Eu quero que você se refugie no sofá, ou eu farei isso. Ou que vire as costas para mim na cama, mas eu preciso de você comigo. Eu não quero esperar pelo casamento para construir de verdade uma vida unificada com você. E eu não vou aceitar mais um “não” como resposta. [disse decidida] Quando você colocou este anel no meu dedo, você selou a certeza de que queria ficar comigo. E eu quero que isso aconteça por inteiro. Então, eu trouxe suas coisas pra cá. Como você pode ver, seus livros agora têm uma estante para eles. Não é grande e sei que daqui a pouco não caberá mais nenhum, mas, por enquanto, você não precisará deixá-los em todos os lugares. No quarto que era do Kurt, você poderá fazer o que quiser. Revelar fotos, escrever coisas que eu não entendo, mas o mais importante é que todos os dias eu chegarei em casa sabendo que você estará aqui. Eu não precisarei adivinhar em qual dos dois apartamentos você está. Não precisaremos controlar os sons quando fazemos amor, porque não haverá um amigo no outro quarto. Poderemos, inclusive, fazer amor na sala, na cozinha, no corredor... Onde quisermos, na hora que quisermos... [disse com um sorriso travesso, apesar do nervosismo] Eu te disse um dia que seus braços são minha casa. Que você é o meu lar... Então deixa eu ser o seu... E façamos desse apartamento nosso... [finalizou com o pedido num tom extremamente carinhoso]
Rachel continuava nervosa. Suas mãos tremiam e Quinn continuava em silêncio. As lágrimas que escorreram de seu rosto tanto poderiam ser um bom sinal, como mau. A morena estava prestes a entrar em pânico.
R: Fala alguma coisa... [pediu temerosa]
Quinn não disse nada. Avançou os passos que as separavam e tomou Rachel em seus braços. Segurou seu rosto com as duas mãos e deu-lhe um beijo apaixonado. Sugou a língua da morena com voracidade, sentindo que a namorada a puxava para mais perto de si. Em busca de ar se separaram. A respiração ofegante de Quinn batia no rosto de Rachel. A loira ainda não tinha dito nada:
R: Devo interpretar esse beijo como um sim?
Quinn assentiu com a cabeça sorrindo, enquanto a abraçava forte. Depois buscou seus olhos. Rachel nunca tinha visto um sorriso mais lindo em toda a sua vida:
Q: Quem disse a você que você não consegue se expressar? Você quase me mata do coração com isso tudo o que você falou. [sorria amplamente]
R: Digamos que eu acho que aprendi com você. [sorriu para ela] Vem... Deixa eu te mostrar o resto do nosso apartamento. [segurou sua mão]
Quinn se deixou guiar enquanto uma animada Rachel mostrava a ela cada coisa diferente que havia ali. Dos porta-retratos, quadros, às roupas da loira arrumadas num espaço maior do que a parte reduzida que tinha antes no closet da morena. A cama perfeitamente arrumada. Mesmo que já a dividissem, naquele momento, parecia mais “delas” do que nunca.
Q: Como você conseguiu arrumar tudo e trazer as coisas para cá tão rápido?
R: Desviei algumas coisas para cá aos poucos. E Santana e Kurt me ajudaram, claro! [sorriu satisfeita]
Q: Claro! [sorriu ainda olhando ao redor] E como você os convenceu disso?
R: Na verdade, eles foram contra. Acharam que eu estava, de novo, tomando decisões por conta própria, passando por cima de você. O que não deixa de ser verdade, né?! [deu de ombros] Mas os convenci.
Q: E Kurt? Para onde foram as coisas dele?
R: Estão no 112. Mas ele está vendo um apartamento aqui no prédio ou perto, para ele e o Blaine. Ainda bem que você disse sim, porque seria um absurdo a Britt morando com a Santana, o Kurt com o Blaine, e nós duas separadas. [disse aliviada]
Q: Nosso caso é diferente. [disse calma]
R: É... O Kurt disse isso... Agora vem... Preparei um jantar especial para nós duas. [puxou-a sorrindo]
Enquanto jantavam à luz de velas, Quinn admirava a pessoa que estava à sua frente. Aquela Rachel Berry era mais madura do que a Rachel Berry da escola, bem como da que chegou em Nova York. À sua frente, estava uma mulher, não mais uma garota caprichosa. Depois de tantos desafios e problemas enfrentados, ainda que alguns deles tenham sido causados pela imaturidade das duas, estavam ali, juntas, mais unidas do que nunca e, talvez, mais seguras do nunca estiveram. Seguras de tudo, seguras delas mesmas...
Rachel juntou os pratos e pegou Quinn pela mão para levá-la ao quarto. Lá chegando, olhou a loira com extrema devoção e disse com a voz carregada de desejo:
R: Você me deu uma nova primeira vez quando chegamos aqui. Agora é minha vez de fazer o mesmo...
Rachel começou a tirar a roupa de Quinn, enquanto a loira retirava a sua. A morena atacou seus lábios, prendendo o inferior entre os dentes, arrancando um gemido rouco da namorada. Chegaram à cama sem dificuldade e continuaram a se despir. Rachel deu a entender que dominaria e Quinn se deixou dominar. As mãos da morena percorriam o corpo perfeito da loira, invadindo a intimidade já molhada com dois dedos, fazendo-a gemer com mais intensidade. Alternavam harmoniosamente nas carícias feitas em seus seios. Durante todo o momento em que faziam amor, fixavam o olhar uma nos olhos da outra, e se comunicavam da forma mais intensa que jamais haviam se comunicado. O suor que se misturava novamente, o calor de suas peles, que incendiava o ambiente, as leves mordidas, os chupões, os beijos vorazes que terminavam delicadamente... Estavam se reconhecendo de novo... Chegaram ao orgasmo juntas, no mesmo segundo... Rachel se aconchegou ao corpo de Quinn, encaixando o rosto na curva do pescoço da namorada. Era a mesma posição de sempre, a mesma forma de buscar conforto, mas ainda provocava arrepio em ambas...
Q: Eu te amo! [disse rouca, enquanto deslizava os dedos sobre o braço da morena que repousava sobre sua cintura]
R: Bem-vinda ao lar, meu amor... [disse sorridente, enquanto erguia a cabeça para beijá-la levemente os lábios]
Q: Você sabe que você é o meu lar, não sabe?! [disse carinhosa]
R: Sei. Assim como você é o meu.... [respondeu apaixonada]
Rachel deitou-se novamente, sentindo o carinho de Quinn em sua pele. Conforme a intensidade das carícias diminuía, a morena percebeu que a loira ia sendo dominada pelo sono. Beijou-lhe o pescoço suavemente e direcionou os lábios ao ouvido dela, para dizer no mesmo tom de tantas vezes, da mesma forma que sabia que a derretia:
R: Eu me encontrei em você meu amor. Mais do que saber que você sempre esteve em mim, eu farei de tudo, tudo, tudo, tudo, para estar sempre em você...
Enfim, estavam prontas para enfrentar o que estivesse à espera delas... juntas!
Notas finais
Agora partiremos para a segunda fase, que terá vários outros assuntos a serem abordados o relacionamento delas.
Nesta primeira fase, elas se concentraram muito nelas mesmas. Foi o período de aceitação e amadurecimento. O período de reconhecimento e de tentativas de acertos, até chegarem num ponto em que, finalmente, sentissem que amadureceram. Essa foi a fase do entendimento, da adaptação, do contato com a realidade, do distanciamento da fantasia. Foi a fase para aprenderem a lidar com as coisas difíceis da vida e, principalmente, a não dificultarem mais.
Fiquei imensamente feliz pela receptividade de vocês. Não esperava que a minha primeira fic tivesse tantos leitores. E tantos comentários! E recomendações!!!!! E cada uma de vocês fez uma enorme diferença para mim. Cada comentário foi especial. Ainda tentarei responder aos comentários atrasados, pois quero falar com cada uma individualmente.
Espero que acompanhem a próxima fase também, onde teremos mais sobre Beth, Puck, Brittana, Klaine e o desenvolvimento Faberry em suas respectivas faculdades.
Postarei o primeiro capítulo da segunda fase daqui a dois dias. Conto com vocês!
Muito obrigada mesmo! Foi por causa de vocês que eu consegui concluir essa fase mantendo um ritmo constante de postagens. Vocês são demais! :)
(Ainda vou fazer uma leitura geral da fic para eventuais correções)
Beijos enormes! ;D
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