Você Sempre Esteve Em Mim
1 Capítulo 1 - Sentimento Oculto...
Notas iniciais
Já haviam passado três anos. Três anos desde que Quinn e Rachel cruzaram o mesmo caminho. O 1º ano de convivência foi o inferno na Terra (pelo menos para Rachel) que virou o alvo preferido das maldades da loira. Mas, com o passar do tempo, Quinn, a cheerio malvada, líder, aparentemente fria, extremamente polida, elegante, com todos os passos calculados, voz calma, olhar superior, passou a demonstrar uma doçura que sempre esteve lá, mas que nunca havia demonstrado. O que ninguém sabia, era que Quinn, após cada ato de maldade cometido contra Rachel, chorava escondido. Não houve um insulto ou um copo de slushie lançado contra Rachel que não tenha provocado lágrimas em Quinn. E era sempre no silêncio de seu quarto, de seu carro, ou na solidão do vestiário que ela deixava-se levar pela culpa. A culpa de se deixar dominar pela popularidade e pela necessidade de sentir que havia algo maior do que ela mesma a se controlar. Que ela deveria ser obediente ao status se quisesse sobreviver sem cicatrizes. Mas, por mais que tenha lutado por isso, Quinn sempre saiu ferida de suas batalhas. E sempre sozinha...
Rachel, por outro lado, sempre caminhou de cabeça erguida pelos corredores do colégio, sabendo que a cada passo corria o risco de ser atingida por um novo e ofensivo apelido, ou por um copo gelado de slushie. Mas nada disso a derrotava, nada a deixava fraca, e Quinn percebia isso. Rachel observava Quinn e não entendia o porquê de seu olhar ser diferente quando elas estavam sozinhas. Rachel não tinha medo de nada, nem de ninguém, a não ser de Quinn. Mas não era um medo físico, era um medo emocional. Rachel não queria que Quinn a odiasse, mesmo que tenha roubado seu namorado (mais de uma vez). Tudo o que Rachel queria era entrar naquele mundo em que Quinn vivia. Não o mundo das cheerios, mas aquele mundo que ela sabia que só existia quando Quinn estava sozinha. Ela trocaria qualquer coisa, inclusive todas as chances que teve com Finn, por um minuto naquele mundo de Quinn, para entender o que era aquele magnetismo que a empurrava para perto dela.
O segundo ano de convivência passou a ser um ano interessante, pois Quinn passou a ser uma pessoa claramente doce e isso refletiu em sua relação com Rachel. Elas até poderiam tentar uma amizade mais séria, não fosse pelas constantes brigas provocadas pela presença de Finn entre as duas. Mas, o interessante era que Quinn já não queria mais Finn, queria apenas que Rachel enxergasse que ela merecia mais.
Depois de inúmeras discussões, chegaram ao terceiro ano de convivência mais próximas e, inúmeras vezes, Quinn deu demonstrações de que respeitava Rachel mais do que ninguém e isso deu à morena muito mais determinação para conseguir o que queria: NYADA. Quinn passava noites em claro, procurando músicas e vídeos que pudessem ajudar Rachel a se preparar para sua audição. Mas Rachel não sabia de todo esse esforço, pois Quinn fazia parecer ser algo simples e rápido. Rachel agradecia e se sentia confortável com a descoberta dessa amizade entre elas. Quinn foi fundamental nas noites que antecederam a audição de Rachel, já que Finn começou a se comportar de forma imatura, cobrando de Rachel um posicionamento sobre o relacionamento no caso dela conseguir entrar em NYADA. Finn não queria ir para NY, e não queria que Rachel fosse também. A falta de apoio do namorado, fez Rachel fraquejar em alguns momentos, pois não sabia se toda aquela convicção que mantinha desde criança sobre o seu estrelato valia mesmo a pena sem um amor. Antes de pensar em desistir de seu futuro, Quinn interviu e fez a baixinha enxergar que o amor que vale a pena jamais vai ancorá-la onde ela não deve estar. Quinn entendia as inseguranças de Rachel e o apego a Finn: a morena cresceu ambiciosa e desafiadora, o que a manteve distante das pessoas que não eram fortes o suficiente para aguentar tamanha intensidade. Rachel foi solitária, tratada com desdém pelos colegas preconceituosos pelo fato de ter sido criada por 2 pais. Sempre se sentiu indesejada pela mãe e até entrar no Glee Club, achava impossível cultivar uma amizade. Mas se enganou, e criou laços profundos com pessoas que nunca havia imaginado que poderiam se importar com ela. Mas o que mais a surpreendeu, foi o fato de alguém se apaixonar por ela. Então ela sentia medo de abrir mão de Finn e nunca mais encontrar alguém que a quisesse, alguém capaz de amá-la. Agora que ela sentiu o gosto de ser querida, não queria sentir novamente o gosto da solidão.
Mas Quinn não deixou que a diva se afundasse em seu próprio medo e, assim, Rachel conseguiu ser aprovada em NYADA. Apesar de ter perdido a chance em sua primeira audição e de ter chorado nos braços de Finn (aquele que não a apoiava), Quinn não permitiu que a morena desistisse e a fez tentar novamente. Incrivelmente feliz com sua aprovação e imensamente agradecida por toda a força dada por Quinn, Rachel tentou convencer a loira a ir com ela para NY, mas Quinn havia sido aprovada em Yale e não pensava em abrir mão dessa conquista. Não até Rachel lhe sugerir NY. Não fosse pelo fato das inscrições para a Universidade de NY terem acabado, Quinn não teria pensado duas vezes para acompanhar Rachel, mesmo sem entender o porquê dessa facilidade em se ver magnetizada à morena.
Sem pensar muito, Quinn enviou às pressas sua inscrição à Universidade de Columbia pensando que, talvez, se fosse aceita, ela poderia abrir mão de Yale e ir mesmo para NY. Por precaução, não contou a ninguém sobre esse plano, principalmente à Rachel. Na tarde em que saiu dos correios, suas mãos tremiam e estavam geladas. Ela não entendia esse nervosismo, nem essa necessidade de atender ao pedido de Rachel, mesmo que ela não soubesse (ainda). A única coisa que Quinn sabia era que estava seguindo seu coração e que, talvez, esse fosse o melhor caminho. O que ela não sabia era que estava prestes a descobrir um sentimento que vivia nela há muito tempo e que, ao que parecia, também vivia em Rachel. Ambas caminhavam pelo mesmo caminho, sem perceber que estavam sendo guiadas a algo muito maior do que conseguiam enxergar.
Uma coisa era certa: Rachel Berry jamais precisaria se sentir sozinha novamente...
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