Você Pula. Eu Pulo !
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Emma e eu já estávamos praticamente vestidas, mas continuávamos dentro do carro. Então ela ameaçou abrir a porta do carro, mas eu a segurei. Eu precisava dizer isso para ela.
–Emma espere ! -toquei em sua mão, ela recuou. -Obrigada, por tudo, pelo seu carinho, pelo seu amor, por essa noite ... -ela colocou o dedo na minha boca.
–Shhh ! Não diga mais nada. -ela então não aguentou e fez uma brincadeirinha. -Se você for me agradecer a cada beijo que eu te dou, vai me agradecer o dia inteiro daqui pra frente. Porque eu pretendo te beijar o dia inteiro. -ela riu e eu fiz o mesmo.
–Emma ... -eu ri mas voltei a ficar séria, eu não conseguia segurar aquelas palavras, tocar naquele assunto me doía, mas agora parecia não importar mais. -... é que eu nunca me senti assim antes. A última vez foi com o ... -minha voz falou.
–Com o Daniel ! -ela completou. Eu assenti com a cabeça.
–Desculpe falar dele agora.
–Não, não precisa de desculpar. Eu sei da importância que ele teve na sua vida, e eu jamais pediria pra você esquecê-lo. Apenas se lembre dele como uma lembrança boa do que um dia vocês viveram, assim como eu guardo as minhas lembranças com o Neal, mas agora já não me importo mais com isso, são apenas lembranças. Eu quero que o seu passado agora sejam apenas lembranças Regina. Porque daqui pra frente eu quero que você guarde os momentos que nós duas vamos criar juntas. Eu prometo te dar muitas e muitas lembranças boas. -ela sorriu e então eu a abracei e a beijei.
–Quando eu fui me apaixonar por você hein Emma Swan ? Quando eu fui me apaixonar pela filha da mulher que eu mais odiava ? -ela riu ainda colada a mim. -Se bem que agora eu não a odeio mais. Como eu poderia odiar a mulher que me deu as duas coisas que eu mais amo nessa vida ? Ela me deu você, e você me trouxe o Henry.
Então ela me beijou de novo, mas nosso beijo foi interrompido por um barulho que vinha da entrada daquela sala.
–É melhor a gente sair daqui agora. Alguém deve ter descoberto que tinha gente aqui e mandou os policiais. -Emma sussurrava.
–Mas por onde vamos sair se eles estão na porta ? -perguntei sussurrando também.
–Vem comigo, vamos sair pelas caldeiras. -ela não pode deixar de rir.
Então ela abriu a porta do carro e me puxou pela mão. Saímos correndo de mãos dadas, abrimos a porta que dava nas caldeiras e corremos por elas chamando a atenção de todos os trabalhadores. Emma não parava de rir o que me fazia rir também.
–Você realmente gosta do perigo, não é mesmo Swan ? -perguntei rindo pra ela.
–Você não sabe o quanto meu amor ! -ela brincou também.
Logo chegamos de volta no convés. Paramos para retomar o fôlego, e então Emma me puxou para a proa, era o lugar mais distante de onde estávamos.
Ela não parava de rir, mas logo veio e me abraçou.
–Você é realmente maluca Emma Swan. O que eu fui arrumar para a minha vida ? -brinquei a abraçando de volta.
–Vai dizer que não valeu a pena correr esse risco em Madame Mills ? -ela brincou de volta.
–Valeu, valeu muito a pena. -ela sorriu pra mim e eu retribui. -Quando o navio chegar na Inglaterra, eu quero descer com você Emma.
Então ela me beijou cheia de paixão, como se a nossa vida dependesse daquele beijo. Mas logo fomos interrompidas quando o navio levou um tranco. Nós nos desequilibramos, e quando olhamos para a frente, havia um enorme iceberg. Todos no navio se assustaram, Emma e eu corremos até as grades para olharmos de perto.
–O navio bateu no iceberg. -ela me olhou confusa. -Isso não é bom.
–Será que aconteceu alguma coisa com o navio ? Talvez devêssemos falar com o comandante.
Ela assentiu com a cabeça e então nós corremos em direção a cabine do comandante.
–Comandante, o senhor viu o que aconteceu ? -Emma perguntou aflita entrando na cabine dele.
Ele nos olhou preocupado. -Sim, mas ainda não sabemos bem ao certo se houve alguma coisa no casco do navio. Talvez um arranhão, dependendo do tamanho ... -ele parou e nos olhou.
–Ele pode afundar ? -Emma perguntou também preocupada.
–Eu não sei. Olhem voltem para seus quartos, está tudo sob controle. E não alarmem ninguém quanto a isso, a tripulação se agitaria e seria pior.
–Muita gente viu e seria impossível não sentir o tranco que o navio deu quando se chocou. -Emma rebatia, eu apenas a observava.
–Olhe, faça o que eu lhe falei.
–Por favor comandante, eu vou, mas não me esconda nada. Tem coisas aqui nesse navio que eu pretendo proteger se algo acontecer. -eu não pude deixar de sorrir com essa última frase dela. Será que ela estaria falando de mim ? Então ela apenas segurou em minha mão e saiu da cabine do comandante.
Estávamos caminhando em direção aos quartos, quando vimos Cal vindo até nós seguido de alguns policiais, logo atrás dele vinha Rose correndo. Ele apontou para mim e falou:
–É ela, é ela a ladra. Essa mulher roubou o colar da minha noiva.
–Pare com isso Cal, eu já lhe falei que o meu colar eu quebrei. Deixe a Regina fora disso. -disse Rose nervosa.
–Policial, será que o senhor pode revistar o quarto dessa mulher ? Eu quero meu colar de volta, ele é valioso.
–Eu não roubei colar nenhum. -eu respondi já me alterando.
–Se a senhorita não roubou, então eu acho que podemos revistar seu quarto, não é mesmo ? Já que não tem nada a esconder. -perguntou Cal com um olhar cínico.
–Eu tenho sim um colar, igual ao da Rose, mas ele é meu. -eu rebati. Ele não poderia pegar aquele colar de jeito nenhum.
Mas já era tarde, os policiais me arrastaram até meu quarto.
–Solta ela ! -Emma gritou assim que eles tocaram em mim, então outros policiais a seguraram também e a levaram junto. -Ela não roubou nada. Me soltem também. -Emma se rebatia impaciente.
Chegamos no meu quarto e eles começaram a revirar tudo, enfim um deles encontrou o Coração do Oceano.
–É esse o colar senhor Hockley ? -um dos policiais perguntou entregando o colar a Cal.
–Sim, é esse mesmo. -ele sorriu vitorioso.
–Eu não roubei nada, esse colar é meu. -eu tentei dizendo, mas sabia que seria impossível alguém ficar contra Cal naquele momento.
–Levem-na. Prendam essa mulher. -um dos policiais falou.
Então um alarme soou no navio todo, era um alarme de urgência. Emma me fitou preocupada e gritou:
–Soltem ela agora. -ela chutava para o ar tentando sair dos braços do policial que a segurava. -Soltem ela. Será que não percebem, esse maldito navio vai afundar. Escutaram o alarme ?
Mas ninguém a ouviu, Cal apenas fez um sinal com a cabeça e eles me levaram.
–Emma ! Emma ! -eu gritei.
–Regina, eu não vou deixar eles fazerem nada com você. Eu prometo. -então foi a última coisa que eu ouvi ela dizer antes de me levarem para alguma parte do último andar do navio.
–--
–Podem soltá-la. -Cal ordenou e então eles soltaram Emma. -Se ela tentar alguma coisa, mando prendê-la junto com a namoradinha.
–Eu vou acabar com você. -Emma tentou ir para cima de Cal, mas os policiais a seguraram de novo.
–Eu tentei, mas você quis o lado mais difícil. -ele a fitou, depois olhou o colar que segurava em suas mãos. -Agora me diga uma coisa, sua namorada ficou louca ? Ela falou pra Rose que toda a magia dela estava dentro desse colar. -ele soltou uma risada debochada. -Magia não existe, só para quem é louco.
–Desgraçado. Você estava escutando atrás da porta, não é mesmo ? -ela parou por um minuto. -Quer saber de uma coisa, eu não tenho que ficar dando satisfação de nada pra você. E magia existe sim, ela se chama amor, coisa que você nunca vai saber como é sentir na vida. -então antes que alguém pudesse fazer algo, Emma bateu no policial que a segurava, logo outro tentou pegá-la mas ela se livrou dele rapidamente. Foi até Cal e lhe enfiou um soco na cara, ele caiu no sofá com o canto da boca sangrando, limpou o sangue e a olhou com fúria:
–Maldita ... -ele ameaçou se levantar, mas Emma lhe deu outro soco e então pegou o colar das mãos dele e saiu correndo.
–--
Eles me levaram até uma sala do corredor do último andar do navio. De repente os alarmes soaram de novo.
–Me soltem. Esse navio vai afundar. -eu já não aguentava mais, lágrimas ameaçavam sair a qualquer momento.
Então eles me ignoraram, havia um ferro naquela sala, um ferro que ia do teto ao chão. Eles colocaram minhas mãos apoiadas nele e me algemaram. Segundos depois saíram me deixando sozinha naquela sala, e ainda fecharam a porta e pelo barulho havia sido com a chave.
Longos minutos se passaram, eu já havia começado a chorar de desespero. Eu estava presa ali, e onde estaria Emma ? Eu não fazia a mínima ideia de como sair daquele lugar, de como me livrar das algemas. Então de repente senti algo gelado em meus pés, olhei para o chão e havia água. O navio realmente estava afundando, o desespero aumentou. A água subia com força, e eu estava presa. Se alguém não em encontrasse logo, eu não sobreviveria. Então apoiei minha cabeça no ferro sem esperanças e comecei a chorar.
Não sei quanto tempo se passou, a água já estava nos meus joelhos e então eu ouvi gritos vindos de longe.
–Regina ? Regina ? -era a voz de Emma, com certeza.
–Emma, eu estou aqui. Emma ! -eu gritei com força e alto para que ela me ouvisse. Então um silêncio se fez. -Emma ? -gritei de novo.
–Regina ? É você que está aqui ? -Emma bateu na porta, eu senti um enorme alivio ao escutar sua voz tão perto.
–Sim Emma, me ajude por favor !
Então ouvi um estrondo e a porta foi ao chão, Emma correu até mim e quando viu as algemas ficou sem expressão.
–Me diz que você tem as chaves, por favor ? -eu falei com medo da resposta. Ela balançou a cabeça negativamente e então eu abaixei a cabeça voltando a chorar. Ergui a cabeça de novo e falei: -Emma, não vai dar tempo, o navio está afundando, sai daqui logo, salva sua vida, por favor.
–Não, nunca. Eu não vou te deixar Regina, eu não vou a lugar algum sem você.
–Emma, você não percebeu. Não tem como eu sair daqui, não tem. Então pelo menos se salve, por mim. -eu gritava por entre as lágrimas descontrolada. Ela se virou e saiu correndo da sala.
Ela teria ido embora ? Então eu voltei a chorar, eu sabia o que viria depois e o medo tomou conta do meu peito. Passaram-se alguns segundos e então ela voltou com um machado em mãos.
–Eu não vou a lugar algum sem você. Escutou ? -ela me perguntou. Eu sorri pra ela. Eu queria que ela se salvasse, mas ver ela voltando por mim foi mais do que eu poderia querer. -Agora vamos dar um jeito nisso. Eu vou quebrar as algemas. É melhor você virar o rosto.
Então eu estiquei meus braços deixando a corrente das algemas esticada no ferro. Me virei para Emma e falei:
–Vai Emma, você consegue. Eu confio em você ! -então fechei meus olhos e só escutei o som do machado batendo no ferro, assim que abri os olhos as algemas haviam se soltado de mim.
Eu sorri e Emma veio até mim sorrindo também, ela me abraçou:
–Você conseguiu Emma, você conseguiu meu amor ! -eu falei e depois a beijei, um beijo rápido. Ela segurou minha cabeça entre as mãos.
–Eu falei que não iria te deixar. -então sorriu para mim. Sentimos a água aumentando. -Vamos, a gente tem que sair daqui logo.
Então Emma segurou em minha mão e fomos encarar aquele enorme corredor cheio de água e com as luzes piscando. Nós precisávamos sair dalí logo.
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