—_Candice!

Eu digo com um sorriso que se eu mesmo me olhasse, eu não entenderia o que quer dizer.

Ela me olha confusa por um tempo, então de repente aparece uma garota por detrás dela e essa sim parece realmente surpresa em me ver, ela coloca a mão na boca e fica me olhando rindo.

Ela diz alguma coisa pra Candice, que se vira pra ela e diz:

—_Eu sei quem ele é!

Eu acabo rindo, depois fico olhando para elas ali, paradas na porta me olhando ainda do lado de fora e então eu penso por um tempo... chego a uma conclusão.

E digo:

—_Agora tudo isso parece fazer sentido!

Ela me olha ainda mais confusa.

Eu aponto pra Candice e continuo:

—_Você gosta de mulher!

Ela olha pra mim e diz:

—_Você tá bêbado, Harry!

Eu digo:

—_Eu não sei direito,mas eu acho que...

Ela me interrompe:

—_Eu não estou perguntando, eu tô afirmando!

Ela me olha nos olhos e então eu me lembro com quem foi que eu aprendi ser irônico e sarcástico.

Eu me aproximo ainda mais da porta e enquanto passo por elas, digo:

—_Eu tô congelando aqui fora!

Eu entro e Candice fica me olhando com uma cara nada amigável, enquanto diz:

—_Eu não te convidei pra entrar!

Eu apenas digo:

—_E desde quando eu ligo para o que você pensa?

Eu posso jogar esse jogo.

Ela responde:

—_Deixa eu ver... desde aquela noite em que você teve que pegar todas as minhas amigas só pra me fazer sentir a pior pessoa do mundo?

Eu me viro pra ela e digo:

—_Você quer mesmo falar sobre isso?

Ela me olha ainda mais irritada e diz:

—_Eu só quero saber o que você esta fazendo aqui!

Eu digo:

—_Não se preocupe. Eu não vim aqui reviver nenhuma parte da minha vida com você, só porque eu senti falta.

Ela está respirando pesado agora.

Então eu percebo que a amiga dela parece meio sem graça no meio disso tudo e então ela vai para alguma parte longe da minha visão.

Candice enfim diz:

—_Eu nunca esperaria isso! Você se lembra da última coisa que me disse quando nos vimos aquela noite depois que terminamos?

Eu tento lembrar, mas acho que não vou conseguir, ela percebe e decide dizer isso ela mesma:

—_Você me disse pra sumir da sua vida, que nunca mais queria me ver ou falar comigo!

Ela termina de dizer e me olha como se eu tivesse acabado de dizer aquilo tudo novamente.

Eu fico um tempo sem ter o que falar. Minha cabeça tá girando e acabo chegando a conclusão de que talvez não tenha sido a melhor ideia do mundo vir até aqui fazer o que eu pensava em fazer.

Depois de um tempo eu me aproximo dela um pouco mais, enquanto ela me encara ainda imóvel onde estava antes. Eu dou mais uns passos e fico bem próximo dela. Ela ainda tem aquele mesmo jeito de me olhar não demonstrando nada do que ela tá sentindo, me deixando totalmente confuso.

Mas percebo que ela não parece mais aquela garota confiante de segundos atrás a cada centímetro que eu me aproximo dela.

Estamos bem próximos agora e eu respiro fundo, fecho meus olhos e digo:

—_Você jogou uma praga em mim?

Ela me olha surpresa por um tempo,mas eu vejo que ela está começando a querer rir do que eu acabei de falar.

Eu ainda estou sério.

Ou pelo menos estou tentando parecer sério.

Agora que eu disse isso, acho que soa meio idiota,mas se eu vim até aqui pra saber isso, então o mínimo que eu quero é uma resposta.

Ela ainda me olha por um bom tempo e não responde nada, acho que ela espera que eu diga que isso é uma brincadeira,mas eu não digo...

Porque, não é.

Ela então percebe no meu jeito de olhar, que parece muito sério pra mim,mas acho que não parece muito sério pra ela, porque tudo ao meu redor ainda está girando da mesma forma que estava quando eu saí daquela festa mais cedo.

Eu passo as mãos em meus olhos tentando fazer tudo parar de girar, porque isso tá começando a me deixar enjoado.

Ouço ela dizer:

—_Você quer se sentar?

Eu digo:

—_Não, eu só quero saber a resposta do que eu te perguntei, pra eu poder ir embora!

Ela diz:

—_Eu já vou te responder, só, vem comigo...

...

Tem uma luz forte entrando pela janela do quarto onde estou, que faz meus olhos doeram assim que eu olho naquela direção.

Eu me sento na cama.

—_Mas que droga de lugar é esse?

Eu digo pra mim mesmo, tentando fazer com que isso faça meu subconsciente me lembrar de alguma coisa.

Eu não lembro como eu vim parar nessa cama e como eu fiquei sem camisa, sem calça, sapato e meias.

Depois de alguns segundos desisto. Forçar meu subconsciente, tá fazendo uma pequena dor vir junto com isso e eu não quero ter uma daquelas dores de cabeça que eu costumo ter depois de beber assim.

Mas isso não adianta, porque minha cabeça já me fez o favor de começar a doer por si só.

Eu caio de volta na cama e fecho meus olhos por um tempo, passando as mãos pelo rosto.

Escuto uma voz familiar:

—_Vejo que você já acordou!

Eu me sento rapidamente na cama outra vez.

—_Candice?

—_Não, a chapeuzinho vermelho!

Ela diz, enquanto dá a volta na cama e se senta próximo a mim. Eu olho pra ela confuso,mas vê-la agora me faz ter flashes da noite passada, de todas as merdas que fiz na festa, de como eu tive a brilhante ideia de vir falar com minha ex-namorada de colégio e de como eu consegui alguém mais louco que eu pra me trazer até aqui.

—_Como eu vim parar aqui?

Ela me diz:

—_Não sei! Você quem deveria saber!

Eu não respondo e ela continua:

—_Afinal, quem te deu meu endereço?

Eu sei que me lembro disso, só falta fazer um esforço. Minha cabeça dói um pouco mais, mas finalmente me lembro:

—_A sua mãe!

Ela me olha surpresa, eu continuo:

—_Ela gostou de me ver e quando perguntei por você, ela parecia mais feliz ainda!

Eu digo com um sorriso debochado.

Ela revira os olhos.

Eu continuo:

—_Cadê minhas roupas?

—_Elas não ficaram muito apresentáveis, depois que você vomitou nelas e no meu banheiro.

Ela é direta.

Ela sabe me deixar sem graça.

Ela sabe que faz isso...

E ela gosta.

Eu tinha me esquecido disso também.

Eu olho pra ela por um tempo, que tem um quase sorriso no canto da boca, que eu ignoro.

Mesmo eu tendo repetido esses últimos anos que odiava essa mulher, eu tenho que admitir, ela ainda continua muito linda.

Eu balanço minha cabeça, porque eu não consigo admitir pra mim que eu tô realmente pensando nisso.

Ela parece perceber isso e tem de novo aquele sorriso disfarçado.

Devo ter aprendido isso com ela também.

Que droga!

Eu me levanto e fico de frente pra ela e digo:

—_Dá pra você devolver minha roupa, agora?

Vejo que ela se concentra um tempo olhando pro meu corpo e ela faz isso e não tenta nem disfarçar.

Eu tinha me esquecido, que a Candice não liga para o que os outros pensam dela.

Mas é estranho lembrar disso agora, porque ontem ela me pareceu se importar muito com tudo o que eu fiz e disse pra ela depois que terminamos.

Ela se levanta, respira fundo e diz:

—_Eu já volto!

...

Ela volta depois de um tempo, me entrega minhas roupas e assim que eu termino de colocá-las e saio do banheiro, percebo que ela ainda está lá sentada no mesmo lugar.

Eu então digo, enquanto ela me encara:

—_E então?

Ela me pergunta surpresa:

—_Então o quê?

—_Eu te fiz uma pergunta ontem, lembra?

Ela começa a querer rir outra vez.

Depois de um tempo ela diz:

—_Sério que você veio mesmo até aqui, só pra me perguntar isso?

Eu não digo nada, apenas a encaro de volta e então ela se convence de que tô mesmo interessado em saber disso.

Ela bate com a mão algumas vezes na cama perto de onde ela está sentada e diz:

—_Senta aqui!

Eu começo a morder os lábios, e nem sei porque,mas eu me sinto ansioso agora.

Ela começa:

—_Você sabe o quanto isso soa infantil, né?

Isso não está indo para onde eu queria,mas vou ignorar o comentário.

Ela continua:

—_Harry, eu sei que você não tá muito legal e... é por causa daquela garota, não é?

—_Candice, só me responde o que eu perguntei, tá bem!

—_Pra eu te responder, eu tenho que te falar sobre ela!

Eu respiro fundo, por que todo mundo acha que sabe da minha vida e que pode resolver tudo?

Eu não digo isso no entanto, quero ver o que a Candice pode me dizer sobre isso.

Ela começa:

—_Pra começo de conversa...Eu nunca te joguei praga alguma!

Eu me levanto e digo:

—_Ótimo, acho que já tenho uma resposta!

Ela segura minha mão e diz:

—_Eu falei o que você queria ouvir, agora ouve o que eu tenho pra te dizer!

Eu me dou por vencido, porque não vale a pena insistir com a Candice...

Ou com mulher alguma.

Ela começa:

—_De onde foi que você tirou essa ideia boba, de que joguei uma praga em você?

Eu a olho por um tempo,depois digo:

—_Eu sei que é idiota,mas...você sabe! Tudo que acontece comigo, geralmente acaba em algum site ou revista de fofoca... Então...

Ela me interrompe:

—_Eu fazia uma ideia, só queria que você confirmasse isso pra mim.

Eu reviro meus olhos, onde essa mulher quer chegar com isso?

Ela continua:

—_Eu sei que eu fui uma garota muito estúpida com você naquela época, que eu agi da pior forma possível e que eu mereci o que você me fez, mas...

Eu a interrrompo, porque ouvir isso está me deixando com um nó na garganta:

—_Mas?

Ela respira fundo e continua outra vez:

—_Mas não tem nada a ver com você... Nunca teve.

Eu a olho surpreso, porque não entendo muito bem o que ela quis dizer com isso.

—_Eu sei que você pode ter pensado que teve alguma coisa a ver com quem você era, como você era ou suas atitudes...Mas não foi nada disso. Eu era apenas...imatura.

Eu apenas olho pra ela, sem dizer nada.

—_Eu só quero que você tenha isso em mente, que você é um cara incrível, sempre foi, você sempre me tratou da melhor forma possível. Você sempre se entrega em um relacionamento, da mesma forma que fazia comigo, você não tem que pensar que as coisas não dão certo por sua causa, porque eu sei que é exatamente assim que você pensa, pra ter vindo aqui com essa ideia boba.

Ela para por um tempo e fica me olhando. Eu apenas respiro fundo.

—_Ás vezes, as coisas são assim mesmo, só não dão certo na hora em que queremos.

Ela se aproxima de mim e ela tem um sorriso tímido e sem graça ao mesmo tempo , de uma forma que eu nunca havia visto antes.

Ela diz:

—_Me desculpa tá, eu nunca quis que você se sentisse assim por minha causa, se eu pudesse voltar atrás, eu jamais te magoaria outra vez.

Eu sei que ela está sendo sincera. Posso ver isso em seus olhos.

Ela então me abraça.

A Candice não é do tipo de garota que chora, ela apenas respira fundo enquanto me abraça e eu retribuo.

Depois de uns segundos assim e eu apenas digo:

—_Tudo bem. já passou.

Sintoque tem um peso enorme se desfazendo dentro de mim depois de anos.