Você Pode Ouvir Meu Coração?
63 capítulo 63
Mesmo que isso não justifique o que ela vem fazendo que é sair com todos os caras de Londres naquelas fotos, eu decido ir ouvi-la mais uma vez como o Anthony disse.
...
Eu estou nesse carro mais uma vez, indo ao encontro dela como se um imã sempre me fizesse fazer isso, mesmo que eu realmente não queira fazer isso, porque eu meio que ando cansado dessa nossa montanha russa particular de sentimentos.
Cristal parece surpresa e feliz em me ver ao mesmo tempo. Ela me pede para segui-la assim que eu pergunto pela Emilly.
...
Cristal abre a porta depois de bater e Emilly parece surpresa ao me ver,mas não mais do que eu, depois de ver ela ao lado daquele cara que eu vi com ela na foto e que disseram que era seu novo namorado.
Ela me olha por um tempo e Cristal sai nos deixando lá.
Ela então vai entregando alguns papéis pro cara e diz sem me olhar:
—_O que você tá fazendo aqui?
Eu fico surpreso com a reação dela,mas eu não esperava que ela me recebesse com um sorriso...
Ou esperava?
Eu respondo com meu sarcasmo, como modo de defesa:
—_É bom te ver também!
Ela então me olha e diz:
—_Eu nunca diria isso.
Depois olha pra outro lugar e continua:
—_Pelo menos, não mais!
Juro que eu não esperava ouvir isso.
Eu reviro meus olhos enquanto respiro fundo. Isso vai ser mais complicado do que eu imaginei.
Eu não estou me sentindo bem em estar aqui, eu nem mesmo sei porque eu estou aqui depois de tudo o que eu disse á ela,mas algo me diz que eu tenho que estar aqui.
Eu estou tão confuso e o fato de que ela não tá facilitando nem um pouco a nossa conversa, só está em deixando ainda mais apreensivo.
Eu então digo:
—_Dá pra você pedir a esse cara, pra deixar a gente a sós?
Ela me olha e pensa por um tempo. Depois diz:
—_Pra quê?
Eu digo como se fosse óbvio:
—_Pra agente conversar, ora!
Ela me olha com aquele mesmo sorriso que eu a olhei aquela noite e diz:
—_Eu já tentei isso algumas vezes aquela noite e não deu certo, por que agora daria?
Eu respiro fundo e digo:
—_Só faz isso, por favor!
Ela mantem seus olhos em mim por um tempo, mas um olhar que não me transmite sentimento algum, ela está indecifrável pra mim agora.
O cara já parece meio constrangido no meio disso tudo, ela parece perceber e pede pra ele nos deixar a sós.
—_Não vamos demorar, eu prometo Luke.
Ela sorri pra ele e eu posso ver naquele sorriso que não foi dirigido a mim, a Emilly que eu conheci um dia. Eu fico olhando ela ali por um tempo e meu coração me trai por uns segundos ao começar se acelerar devagar e me fazer ter flashes de quando aquele sorriso era pra mim.
Mas isso tudo acaba, quando o cara nos deixa a sós e ela volta a me olhar com aquele olhar frio outra vez.
Ela me olha e espera que eu comece a dizer o que eu vim dizer,mas agora as palavras estão me traindo, porque não estão tão bem formadas como eu achei que estivessem, enquanto eu formulava uma conversa com ela em meu carro no caminho até aqui.
Eu me aproximo dela que fica ali parada no mesmo lugar em que estava antes sem muita expectativa. Ela realmente está diferente, com um olhar frio e eu não gosto dessa falta de receptividade nesse olhar.
Eu sei que eu não deveria sequer pensar que ela correria até mim e me enchesse de beijos e abraços depois de tudo o que eu fiz aquela noite e da falta de confiança que senti em relação a nós dois aquela tarde, em que a encontrei com o Anthony,mas eu juro que queria muito que ela não estivesse me olhando assim.
Eu olho pra baixo por um tempo e depois pra ela novamente e começo:
—_O Anthony me contou tudo o que ele fez aquela tarde.
Eu espero uma reação sua,mas ela ainda tem aquele mesmo olhar frio e a falta de uma pista pra me indicar o que ela tá pensando a respeito, me deixa totalmente vulnerável.
Eu digo depois de um tempo:
—_Diz alguma coisa, por favor! Nem que seja, eu te avisei!
Ela corta o contato com meus olhos e diz:
—_Ninguém gosta de ouvir isso, Harry.
Eu vou até onde ela está, seguro nos braços dela que estão do lado do seu corpo e digo:
—_Mas eu preciso que você faça isso, para eu me sentir melhor.
Ela apenas me olha e respira fundo.
Eu juro que vou enlouquecer aqui se ela não tiver uma reação diferente a tudo isso que eu tô dizendo e pedindo.
Ela coloca uma das mãos em seus olhos e os fecha por um segundo e diz:
—_Você não percebe o que isso significa?
Eu solto seus braços e fico em sua frente esperando para ouvir o que ela tem a dizer, porque isso tudo só está me deixando confuso.
Ela abre os olhos e continua:
—_As coisas nunca vão mudar, Harry.
Eu a olho ainda mais confuso,mas não a interrompo.
Ela continua:
—_Quantas vezes passamos por isso?
Ela anda pela sala e diz:
—_Isso cansa.
Eu não tô gostando do rumo que essa conversa está tomando. Ela então me olha com aquele olhar frio outra vez e diz:
—_Eu não quero mais isso! Você me pediu pra seguir em frente e bem...eu segui, eu quero seguir em frente e me esquecer que você existe, porque eu já estou cansada disso tudo!
Aquilo me atinge em cheio.
Eu fico ali parado olhando pra ela, ela tem uma confiança no olhar quando diz essas palavras que eu chego a conclusão de que é realmente isso que ela quer. E ao perceber isso, eu sinto uma pontada no peito que vai me deixando paralisado por dentro.
E eu percebo que isso tudo é culpa minha, ela tem razão, é sempre culpa minha.
Eu engulo em seco, porque percebo que não há muita coisa que eu possa fazer se ela não me quer mais em sua vida, a única coisa que posso fazer é manter distancia, por mais que eu saiba que isso vai acabar comigo.
Eu apenas digo:
—_Tudo bem.
Ela fica lá parada, enquanto eu me viro para ir até a porta e abri-la para sair. Eu olho pra ela mais uma vez antes de sair,mas ela não parece ter mudado de ideia em relação ao que disse.
Encontro aquele cara no corredor e não digo nada, porque não tô afim de ser legal com ninguém agora.
...
Cristal está sentada na recepção e me pergunta com um sorriso esperançoso:
—_E aí, como foi?
Eu apenas digo:
—_Ela não quer me ver mais.
Ela me olha surpresa e diz:
—_Ela só pode tá de brincadeira!
Eu me sinto bem ao ouvir essas palavras, como se uma esperança de que a Emilly esteja apenas fingindo, estivesse crescendo dentro de mim.
Então eu não a interrompo e ela continua:
—_Ela tem estado tão mal depois daquilo tudo, que eu achei que ela fosse te receber com abraços e beijos e não dizer isso que você tá me contando.
Eu digo depois de um tempo:
—_Você acha mesmo?
Ela diz:
—_Ela sofreu muito depois daquilo tudo,mas eu sei que ela ainda gosta de você.
Eu apenas tenho um sorriso que tento disfarçar,mas em vão.
...
Eu estou voltando até a sala dela, porque depois de ouvir isso, sei que vou tentar de todas as formas conseguir fazer com que ela esqueça toda essa história de ficar longe e começar de novo comigo.
Cristal está por perto me olhando com expectativa. Eu nem bato na porta, apenas abro.
Mas seria melhor ter voltado pra casa quando tive chance minutos atrás.
Quando abro a porta, ela está beijando aquele cara no meio daquela sala.
Eu fico uns segundos parado observando aquela cena, eu já vi algo parecido antes,mas eu juro que agora é real e não é meu ciúme falando por mim. Ela está beijando ele por livre e espontânea vontade e ela está segurando o cabelo dele da mesma forma que ela fazia ao me beijar e cara....
Isso e doloroso de ver.
Ela parece notar minha presença depois de um tempo. Ele se afasta dela rapidamente,mas eles ainda estão de mãos dadas.
Eu não consigo dizer nada, assim que os olhos dela estão nos meus, porque ela não parece estar arrependida, pelo contrário, vejo um começo daquele mesmo sorriso que dei pra ela, naquela noite em que beijei aquela garota por pura vingança.
Eu apenas digo algo que pode não parecer verdadeiro pra mim agora,mas que vai me fazer sentir bem:
—_Você realmente, não presta!
Vejo ela me olhar com uma fúria nos olhos e dizer:
—_Vai embora daqui,Harry! Some da minha vida!
Eu respondo:
—_Nem precisa pedir.
Eu me viro pra porta,passo por Cristal que me olha de volta com um olhar triste e eu vou em direção a saída.
...
Ela tem razão. Tudo isso que acontece e ou aconteceu entre nós só faz com que nos sintamos pior do que estávamos antes. Não era pra dar certo entre nós, nunca dá.
Acho que é como dizem naquelas revistas de garotas da Julliet, que eu li certo dia quando não tinha nada pra fazer, é meio que um aviso do universo para que mantenhamos distancia um do outro, para que tudo volte a funcionar normalmente.
Só pode ser isso, ou eu não sei mais o que é.
...
Estou no meu carro agora, no meio desse transito lento e cansativo de volta pro meu apartamento.
Eu fecho meus olhos e respiro fundo mais uma vez, eu tenho que me concentrar apenas em uma coisa: Eu pedi a ela que sumisse da minha vida primeiro, que me deixasse em paz. Então não posso reclamar disso agora.
Mas eu juro que esperava que ela me perdoasse e não que fizesse a sacanagem de estar realmente saindo com aquele cara e ainda por cima nem esperar eu sair do local de trabalho dela, para ficar aos beijos com ele...
Beijos...
Droga!
Aquela boca que eu tanto senti falta, estava beijando outro cara e eu tive que ver isso outra vez.
Eu passo as mãos pelos cabelos. Não quero pensar nisso. O problema é que essa imagem insiste em ficar se repetindo a cada segundo em meus pensamentos.
...
Alguns dias depois...
Como eu odeio que ela tenha feito isso comigo. Que ela tenha decidido sozinha que é melhor ficarmos longe um do outro.
...
Os dias passam e ficar fora de Londres, me faz pensar com mais clareza do que estar lá.
Eu só contei pro Louis,que fui até a galeria falar com ela e tudo que aconteceu após isso. Porque não quero ninguém mais sentindo pena de mim, porque eu já estou sentindo o suficiente.
Eu já senti de tudo por ela esses dias, de tristeza, pena, saudade até raiva e juro que esses último sentimento, foi o que mais me deixou confortável. Então vou me concentrar nisso agora. Sentir raiva, muita raiva da garota que já me fez sentir de tudo nessa vida.
...
Eu decido que eu não posso ficar pra sempre nos meus dias de folga no meu apartamento,tomando uísque e dizendo todos os piores palavrões possíveis toda vez que eu me lembrar do rosto dela.
...
Eu pego meu carro e dirijo em direção ao The Red Lion.
...
Eu estou sentado aqui há uns bons minutos e descubro que eu senti muita falta dessa tranquilidade. Eu deveria ter vindo aqui antes.
...
Algum tempo depois eu a vejo se aproximar do balcão e assim que me vê, vir em minha direção com um sorriso.
—_Harry?!
Eu apenas digo:
—_E aí, Jordin!
Descubro que eu senti falta não só desse lugar,mas desse sorriso também.
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