Você Pertence a Mim
2 Capítulo 2
Eu desci do ônibus vazio e fui indo até ele. Eu morava num lugar afastado da cidade, havia mais mato do que gente. Minha casa era enorme, e não tinha portões, apenas um cercadinho com uma porta no meio.
–Olá. — Ele disse. Eu não estava entendendo. O que ele fazia ali?
Antes que eu pudesse abrir a boca, tia Guida apareceu. Eu não morava com meus pais, ela era responsável por mim.
–Taylor, quero que conheça Marcus, nosso novo vizinho. Marcus, essa é Taylor, minha sobrinha.
–Olá. –Eu disse. Pensei em cumprimentar ele com a mão, mas eu não era acostumada a fazer isso. E ao que parecia, ele também não.
Fiquei olhando pra ele. Ele era diferente da maioria dos adolescentes. Usava roupas formais e tinha uma expressão séria.
–Ele se mudou hoje pra casa ao lado., tem 17 anos e vai estudar no colégio com você. Espero que se tornem amigos. Bons amigos.
Ela deu um sorrisinho e entrou pra dentro de casa. Meu rosto esquentou, e não sabia o que dizer pra ele.
Guida tinha seus quarento e oito anos, e não era alguém que sorria com frequência ou demonstrava sentimentos. Não que ela fosse alguém ruim, mas ela gostava de privacidade e de ficar sozinha. Ela queria que eu tivesse amigos e não me sentisse só, mas, como ela, eu não me importava muito de passar o dia sem ninguém.
–Você se mudou hoje e já começou a estudar?- Perguntei. Eu não era muito boa em puxar conversa.
–Ah, não, só passei por lá pra confirmar a matrícula e conhecer o local.
–Espero que goste do colégio.
–É , ele parece ser legal.
Eu não tinha mais o que dizer. Nem ele. Então ele encerrou a conversa:
–Preciso ajudar meus tios a ajeitarem a casa, então a gente se vê amanhã.
–Claro, até amanhã.
Andei apressada pra dentro e fechei a porta. Sentei no chão e fiquei ali, controlando minha respiração. Qual era o meu problema?
Me levantei e subi as escadas até meu quarto. Ele era grande e aberto. Do lado direito, ao invés de ter paredes, tinha o que parecia um portão, só que de vidro, e geralmente eu deixava aberto. Eu gostava de olhar as árvores e o mato que tinha ali. Eu tinha uma varanda e nela uma beliche branca. Minha cama era de casal e ficava do lado squerdo do quarto, e tinha uma janela nela que dava pra casa do vizinho. A do garoto, agora.
A casa deles não era habitada havia anos. O último que morou lá foi um cara bêbado, mas já faz uns dez anos isso.
Tomei um banho, almocei e comecei a fazer meus deveres na sala. Guida se sentou no sofá com uma caixa de bombons e me ofereceu um, que aceitei.
–O que achou daquele garoto?
Com fingida voz de indiferença, respondi:
–Normal. E você?
–Quando olhei pra ele pensei, é a cópia masculina da Taylor.
Ela ficou rindo e eu ri junto com ela. Guida não tinha o costume de rir, mas quando ria era contagiante.
–Minha cópia versão masculina?
–É, com os óculos e tudo mais. Ele parece ser intelectual, sabe? Que nem você.
–Não sou intelectual. Só estudo.
–Tanto faz. Ele me pareceu um pouco fechado, mas é muito educado. Ele veio aqui a pedido dos tios, pra conhecer a vizinhança.
Eu assenti com a cabeça. A vizinha da frente era uma senhora idosa que amava tomar chá, e do lado da casa dela vivia um cara rabugento que só sabia reclamar da vida. Tirando eles, não tinha mais gente por perto. Será que Marcus e os tios dele iriam querer ajuda na mudança? Guida com certeza não ajudaria.
–Vou lavar roupa e ao anoitecer vou a feira comprar umas verduras. Quer ir comigo?
–Não, to cheia de lição de casa hoje.
Ela foi pra lavanderia e eu voltei a lição. Passei a tarde estudando, quando terminei tudo já tinha escurecido e Guida já tinha saído.
Pra descontrair resolvi subir pro quarto e ouvir música. Peguei uma escova de cabelo, virei ela pra baixo e comecei a cantar e dançar . Isso era o que acontecia quando eu me empolgava.
Eu comecei a dar risada de mim mesma, e pulava na cama fingindo ser uma super star. Quando a música acabou, olhei pra janela perto da cama e levei um susto: Marcus estava debruçado na sua janela olhando pra mim e rindo.
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