Você Não Está Sozinho

7 Minha Bomba de Esperança


Notas iniciais
Oi oi, gente. Sério o que Itou conta nesse cap me deixou com muita pena dele T.T Quero ele pra mim, não chora que eu te amo! kkk

Kotoba

Eu e IA corremos pela estrada deserta gritando por ajuda, esperando que alguma boa alma nos socorresse antes que os terroristas nos peguem. Não posso deixar que aquele maníaco durma com IA, pensar que ele quer uma coisa dessas me faz ter um sentimento desagradável que eu não gosto de sentir, o ódio.

Felizmente IA conseguiu nos libertar e não aceitou ficar com Itou e os terroristas, mas o que me preocupa é que eles nos encontrem, afinal ainda estamos perto demais do acampamento.

Vejo um telefone e corro o mais rápido que posso até ele, ouço barulhos, urros e praguejos atrás de nós. Quando avisto o primeiro rosto escapo de um tiro já consigo pegar o telefone e ligo pra policia desesperado.

IA tenta acalmar os terroristas, mas eles pretendem atacá-la também se precisar.

Um homem com voz grave e rouca me atende e digo rapidamente:

–Por favor, nos ajude, estamos cercados por terroristas! Eles estão armados e...

–Qual a rua? Quem é você? – pergunta o homem despreocupado.

–Sou Yoshiaki Kotoba e estamos... – olho para os lados procurando saber o nome da rua.

Uma bala acerta meu braço e solto um grito inevitável, o homem ao telefone parece estar mais apreensivo e indaga:

–Onde você está? Responda!

–Eu não sei! É uma rua deserta... Ah... – meu braço dói bastante.

–Parem com isso! – Itou aparece.

O telefone desliga de repente.

–Itou, por favor! Deixe-nos ir! – suplica IA.

–Não! – nega ele – Você vai ser minha! Por bem ou por mal!

–Mesmo que tenha meu corpo, jamais terá meu coração! – discorda ela.

–O que você quer que eu faça? – Itou se ajoelha no chão, todos ficam calados – Eu liberto ele, mas você fica comigo. Preciso implorar?

–Não, ela não ficará com você – me intrometo quase caindo no chão com o braço sangrando.

–É ele, não é? – o rosto de Itou fica sombrio e sua voz calma indica perigo – O que esse idiota tem que eu não tenho? Você estava gostando da gente Miyako. Era mentira? Não estava feliz?

–Eu estava, mas você me dá medo – explica IA – Não posso ficar com você, não o amo. Não é certo.

–Você poderia amar, ainda não me conhece direito – ele tenta sorrir falsamente, mas quase chora – Você queria saber porquê me tornei terroristas, certo? Eis a resposta: todos me odiavam. Meus pais me batiam, meus colegas me ridicularizavam, meus professores...abusavam de mim.

Itou não consegue segurar as lágrimas e chora sem mostrar o rosto cabisbaixo enquanto está ajoelhado no concreto.

–Itou – IA quer ir até ele, mas a impeço.

–Ele pode estar te enganando – alerto.

–Maldito... Você não sabe o que eu passei! – berra Itou alterado – Você é como eles! Tirando tudo de mim e rindo de meu sofrimento! Desgraçado!

Ele pragueja várias vezes, até que ouço as sirenes da policia.

–Aqui! – grito acenando com o braço bom.

–Maldição! – praguejam os terroristas.

Eles correm para se esconder, mas alguns permanecem e tentam atirar nos policiais. Itou permanece imóvel no chão e não sai de lá mesmo que seus colegas tentem levantá-lo. IA fica aflita quando os homens armados saem dos carros.

–Não! Deixem-no! – implora ela.

Fico confuso com sua reação, eles precisam segurá-la para prender Itou. IA grita e esperneia querendo salvá-lo. Por que ela quer isso? Ele queria prendê-la, tê-la só pra si. É um terrorista louco, já matou milhares de pessoas friamente. E mesmo que tenha um passado tão sombrio como diz, tem um coração tão sujo que não é merecedor de pena. IA é tão ingênua pra sentir pena dele?!

–Por favor, me soltem! Itou é inocente! Não! Não! – ela se debate tentando se soltar.

Não sei o que fazer, ela não deveria estar assim. Itou queria dormir com ela! Ele queria prendê-la! Queria me matar! Por que ela está assim?!

IA consegue se libertar dos policiais e pega os revólveres deles.

–Soltem Itou imediatamente! – ordena apontando as armas para os homens.

–IA – fico incrédulo.

–Abaixe essas armas garota, antes que se machuque – um dos policiais se aproxima dela lentamente.

–Soltem o Itou! – IA vai pra trás, parece ter medo do homem.

–Ele é um terrorista, não se arrisque por um lixo podre como ele – fala ele.

–Itou não é um lixo! – ela atira sem mirar, mas consegue acertar a perna dele.

O homem cai de joelhos no chão e dá uma ordem a seus colegas:

–Peguem-na! Antes que faça mais estrago!

–IA! – grito em alerta, mas ela provavelmente não me ouvirá aqui preso dentro do carro de policia.

Ela atira nos homens que se aproximam, desengonçada, mas machuca alguns. Não consigo abrir a porta do veículo em que estou. Itou também bate no vidro gritando, sem que ninguém o ouça.

Os policiais cercam IA e a dão choque pela retaguarda, ela desmaia. Apavoro-me com o que fizeram, isso é horrível de se ver. Por ela fez isso?! Por que tentar salvar Itou?! Será que no fundo... ela o ama mesmo e não percebe?

Lágrimas escorrem por meu rosto, eu tinha esperança, mas como sempre ela foi destruída.

Colocam IA ao meu lado no carro, ela cai em meu colo inconsciente. Vejo seu rosto angelical sem parar de chorar. Por que é sempre assim? Por que eu sempre alimento falsas esperanças? Elas são como uma bomba, um dia explodem e destroem tudo. É claro que ela nunca se apaixonaria por esta criança sonhadora e ordinária. Um inútil, um idiota, um nada.

Os homens entram no veículo e lhes pergunto:

–O que vão fazer com IA?

–Depende do nosso delegado – responde um deles suspirando – Ela é menor de idade para ir para a prisão, no mínimo irá para algum reformatório.

–Não! – protesto – Ela não tem culpa de nada! Aqueles terroristas colocaram coisas na cabeça dela!

–Essa garota nos causou sérios danos, precisa aprender – dizem eles friamente.

Fico apavorado, não posso deixar IA enlouquecendo em um reformatório, não posso suportar. Se ao menos ela não tivesse resistido. Por quê? Por quê?

Chegamos à delegacia, não quero largar IA. Itou tenta resistir ao chegar lá, me olha com tristeza e raiva.

Idiota.

Terrorista maníaco e odiável! Isso é tudo culpa dele!

Agarro-me a IA e não a solto mesmo que eles ordenem, ficamos numa sala de espera ouvindo os berros de Itou resistindo. IA parece tão amável dormindo, seria impossível imaginar que todos a odeiam, que ela queria ser uma terrorista.

Sinto um desejo insano de fugir com ela para algum lugar distante, mudar de identidade, mudar de vida antes que tudo esteja acabado. Mas duvido que ela queira ir comigo.

IA acorda e questiona confusa:

–Onde estamos? Cadê o Itou?

–IA, o Itou...você – me enrolo.

–Delegacia?! – ela vê o brasão da policia na parede – Então o Itou... Não! Itou!

Ela sai correndo, tento impedi-la, mas meu braço ferido me impede.

IA não poderia simplesmente esquecer aquele garoto, não é? Por mais desprezível que ele seja, porque ela o ama.

A esperança como previ, explode. Estava na hora. Nunca serei um herói, como fui idiota por pensar que podia ser. Nunca serei amado e certamente nunca melhorarei o mundo. A verdade dolorosa me queima por dentro e essa explosão se transforma em lágrimas inocentes e detestáveis.

–Eu desisto – decido quando a última luz se apaga, não tenho mais a única coisa que me fazia acordar todos os dias com um sorriso, não tenho mais nada agora. Adeus esperança, adeus IA.

Estou vazio agora.

Notas finais
Será que IA conseguirá salvar Itou da prisão ou mesmo da morte? E Kotoba o que ele fará pra recuperar sua esperança e a garota que gosta?