Você Mudou
6 Capítulo V
Notas iniciais
Gostando? Comentem ai...
—Que foi? -pergunto sem graça.
-Nada! -Alice encara os demais com ameaça na voz. Continuamos ali implicando um ao outro, num jogo que só nós sabemos a existência. Aquela voz me embriagando muito mais que as várias cervejas que tomei.Eu estou totalmente confortável com o estranho momento de paz, me sinto como se estivesse de volta a um passado que eu amava estar, mas vejo-a desaparecer ao ouvi-lo começar outra música, não uma alegre e natural como as de antes, essa é diferente. Cristiano me encara sério deixando todo o humor da descontração para trás, a letra da canção atinge diretamente o pouco de alma que me restou, não é só outra música, é mais...seu olhar revela que ele precisa que eu capte a verdade na melodia, quer que eu encontre seus sentimentos no meio das entrelinhas..." Tentei mas foi inútil,Pôr alguém no seu lugar,Você marcou demais,Você me fez sonhar,Busquei em outras bocas,O sabor do beijo seu,Em outros braços percebi,O quanto o nosso amor valeu,Saiu da minha vida,Levou a minha outra metade,E tudo que passamos juntos,Ficou pra mim só a saudade,Cadê você que não me liga,Pra dizer ao menos se está tudo bem?Ou se alguma vez ouviuSeu coração pedindo pra voltar,Porque eu muitas vezes me peguei aqui sonhandoCom você chegando, dizendo:Te amo, amor voltei pra ficar...”Fico confusa, será isso mesmo? A letra que eu nunca ouvi antes é mesmo pra mim? Duvido!Uma lágrima escapa involuntariamente dos meus olhos, deixando expostas minhas cicatrizes mais feias, acelerando meu surrado coração, outra vez. Eu não tinha percebido que estamos sozinhos, nem sei há quanto tempo, provavelmente Alice com sua sagacidade tentou me ajudar, mal sabe ela que me jogou desarmada nos braços da perdição. Totalmente vulnerável ao olhar dele, eu me levanto e saio correndo mostrando a ele que ainda sou exatamente aquela boba que o amava tanto. Passo correndo pelas barracas onde estão acampados os amigos e sem me despedir entro em casa, já está tarde, todas as luzes apagadas inclusive as dentro de mim. Entro no quarto agradecendo a Deus por estar sozinha e não podendo mais conter, me desmancho em lágrimas, gritos e soluços me odiando por amar tanto esse homem que não consegue sequer notar esse amor. Sem conseguir dormir, obviamente por causa da ressaca acompanhada da vontade de estar morta de remorso, me levanto de fininho e a passos cuidadosos desço para me refrescar no jardim, então de qualquer jeito me escoro na árvore que fica próxima a fonte, fingindo estar em paz observo a água cair pelas pedras e calmamente subir de volta ao começo para novamente cair, um ciclo, um triste ciclo... Talvez eu seja como essa água indo e voltando inevitavelmente, talvez Cristiano seja essa pedra prepotente e imóvel sabendo que sempre vou girar em torno dele, eu sempre volto..."—Eu não vou voltar atrás Malu! -disse decidido por saber que eu não lhe enfrentaria.—Prefere me magoar a desistir? –pergunto queimando por dentro.—É um trabalho Malu, não posso recusar.—Laila me odeia Cris, te contratou apenas para me irritar, ela sempre deixou bem claro que te tiraria de mim. -tento ser persuasiva.—Ela não vai me tirar de você, e é um bom cachê, preciso comprar um violão novo.Não discutimos mais sobre o assunto, ele foi mesmo cantar no aniversário da garota que sempre fez de tudo para conquista-lo, algo me alertou que dessa vez ela iria conseguir... No dia seguinte o encontrei desconfiado, calado e distante... Eu não quis perguntar o motivo por temer a resposta, deixei a situação se estender por puro medo de constatar aquilo que eu já tinha certeza. Uma pena Laila não pensar assim, no fim daquela tarde ela me mandou a foto que comprova minha desgraça: ele me traiu..."—O que tá fazendo aí sozinha no escuro? -só posso estar sonhando, que droga! —O que VOCÊ tá fazendo aqui? -pergunto explodindo de raiva.—Fui impedido de dormir, eu não trouxe barraca, então tive que dividir com o Lucas, mas ele ta se pegando com a Larissa, tenho que esperar. -se defende fazendo uma careta.—Eu também não consegui dormir, e desci pra pensar sozinha. -dou ênfase ao sozinha pra ver se, por acaso, ele desconfia. —Acho que você é desastrada demais pra ficar andando por ai sozinha. –da aquele sorriso torto e eu reviro os olhos.—Talvez você tenha razão, só uma pessoa muito desastrada se mete nessas situações ridículas que me meti.—Do que você esta falando? -deita a cabeça de lado, demonstrando estar interessado.—Não sabe? Sai da faculdade para fugir da perseguição da minha colega de quarto que me obriga a lembrar de você diariamente, chego aqui e dou de cara com você, e quanto mais eu tento não te ver, mais te encontro, parece pouco? –digo cansada.—E isso é ruim assim? –pergunta debochando.—Ruim não, é quase suicídio. –não é exagero considerando a dor física e mental que me causou esse encontro.
—Bom, eu não vejo dessa maneira, na verdade, eu acho que isso tudo é só o resultado das nossas fugas, quanto mais fugimos, mais acabamos sendo atraídos um para o outro, mesmo sem termos planejado isso.—Onde esta a parte divertida nisso? –pergunto indiferente.—Talvez, esses encontros façam parte do nosso destino. –sorri torto.— Essa é a sua definição? Bem, pra mim não é assim, pra mim esse fim de semana está sendo uma piada desse destino, que insiste em provar o domínio que exerce sobre mim e minhas escolhas estupidas.—Então você acha que foi estupidez ter vindo pra cá? Se nem sequer sabíamos que eu viria também, pense bem, não faz sentido. —Vir pra cá não foi estupidez, permanecer aqui depois de ter te visto foi.— Minha presença te incomoda tanto assim? Quer que eu vá embora Malu? -diz chateado.—Não, não precisa ir, você não tem culpa pelo meu azar natural. –sorrio sem humor.Ele se senta junto a mim, sua presença já não me incomoda, pelo contrario, sinto que a distancia é que me faria mal. Ficamos ali, não sei por quanto tempo apenas observando a fonte em silencio. Meu medo do silencio cresce rapidamente ao calcular os resultados desastrosos que podemos ter. Decido voltar para o quarto. Me levanto desconfortável, zonza, prometendo a mim mesma nunca mais beber tanto.—Vou subir. –digo saindo.—Boa noite! –se despede, mas não se move, deixando a certeza de que vai ficar onde esta.—Vai passar a noite em claro? —Eu não tenho escolha, Lucas ta ocupado no momento. –sorri brincalhão.—Hum, é verdade. –penso por uns segundos. –Vem! Tenho um lugar pra você dormir.—Com você? –pergunta levantando as sobrancelhas.—Nem pensar. –sorrio.—Um homem não pode nem sonhar.Não respondo, só balanço a cabeça rindo da enorme cara de pau dele. Atravessamos o jardim e adentramos a casa em silencio para não chamar a atenção de ninguém, logo estamos no sótão que fica na parte de cima do meu quarto, escolhi esse quarto principalmente por causa dele, é pequeno e encantador, me fez lembrar da casa na arvore que tínhamos quando crianças. Esta um pouco empoeirado, com caixas jogadas nos cantos, a antiga mobília esta ainda como deixei da ultima vez, bagunçada mas exatamente igual. Cristiano olha tudo em sua volta calado, acredito que, como eu, ver essas coisas o levaram há um passado doloroso, um passado que só nos conhecemos.—Me lembro dessa cama. –aponta para o móvel que foi testemunha de nossas noites proibidas na minha antiga casa.—Bom, pode matar a saudade dela, fique a vontade. Já vou. –dou as costas para ele, fugindo covardemente das lembranças emergentes.Quando tento empurrar a escada para descer para meu quarto me deparo com um problema.—O que você fez? –pergunto apavorada.—Eu nada, só fechei a porta uai. –diz como se fosse logico.—Você, você, você... –fico sem palavras, sem xingamentos, passo as mãos descontroladamente pelos cabelos exasperada.—Vai me dizer o que fiz de errado? –pergunta confuso.—Cristiano essa porta só abre por fora, estamos trancados aqui!
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