Você De Novo?
19 Ponto de Partida
Notas iniciais
Nova Moradia –Washington DC – Dia 53
Eu estava morando na casa de Felly pelos últimos dias. Que a verdade seja dita, eu não estava suportando mais passar tempo em casa pensando, falando e vendo Nicholas, quando pelo menos na casa da minha amiga eu conseguia não descansar sobre ele. A verdade era que para quem escapava para o quarto do garoto em algumas noites, eu estava me tornando desesperada demais. Nicholas era maravilhoso, e eu sabia que era o inalcançável, mas a ideia de que ele talvez estivesse comigo por puro interesse em sexo me incomodava muito, ainda mais por saber que eu tinha sentimentos concretos por ele, e já que de acordo com Felicity, a melhor forma de um cara provar que gosta de você era por meio de ciúmes, eu estava morrendo para fazer acontecer. O problema era que as coisas não estavam se saindo com eu planejava. Na verdade nossos planos não haviam servido para nada a não ser deixar grandes marcas de tapas da vida na minha cara e já estava começando a doer. Nicholas não demonstrava qualquer sentimento de proteção quanto a mim, e aquela dor estava começando a tomar a minha cabeça. Chega. Eu tinha que ser forte.
–Eu desisto!
Solucei enquanto Felly e Chris tentavam me acalmar com tapinhas nas costas, acariciando o meu braço e erguendo-me lenços de papel. Meus amigos pareciam genuinamente preocupados comigo e só de pensar que eu estava causando aquela cena toda, me irritava, mas eu não conseguia me conter. Eu sentia o meu coração bater pesado.
–Calma, Sid! Eu pensei que tinha um plano novo...
Comentou a minha amiga enquanto tentava me confortar. Balancei a cabeça negativamente, fungando.
–Eu cansei de planos. Não funcionou e pronto. Ele não me ama.
–Ele no mínimo sabia que estava tentando fazer ciúmes nele, Sid. –Comentou Chris, revirando os olhos. –Ele sabe que eu sou gay. Cem por cento.
–Não tente fazer com que eu me sinta melhor, Chris.
Encarei meu amigo com os olhos cheios de água enquanto pegava mais um lenço e assoava o meu nariz. Meus amigos engoliram em seco, olhando-me ainda preocupados, sem saber o que fazer.
–Por que desistiu assim?
Perguntou a loira. Soltei um longo suspiro.
–Eu tinha um plano até semana passada, mas já estou começando a envolver pessoas que não precisavam ser envolvidas. Isso não é justo.
Falei soluçando mais uma vez. Senti a mão do garoto afagar minhas costas.
–Envolvia quem, Sid? Não sei se notou, mas Christian e eu estamos bem envolvidos.
–Eu sei. –Falei em tom lamentável. –Eu tinha pensado em James e...
–Isso seria genial.
Comentou Chris, recebendo os olhares curiosos de Felly. Balancei a cabeça em tom relutante.
–Eu não vou usar o irmão da minha amiga. Ainda mais porque ele foi tão legal comigo.
–Olha Sid... –Comentou Chris, dando de ombros. –Seria usar sim, mas isso seria perfeito para tirar o seu irmão do sério... Assim como Megan, o que seria um bônus.
Chris olhou para Felly em busca de um apoio, mas a loira estava no mais completo silêncio. Eu sabia que ela não podia tomar lados naquele assunto. James era o seu irmão e eu sabia muito bem que ela não deixaria que eu fizesse aquilo com ele... Nem eu queria fazer aquilo com ele! James foi uma das pessoas mais legais comigo desde o momento em que apareci ali e usar ele daquela forma parecia simplesmente injusto... A não ser que ele topasse fazer, coisa que eu duvidava por dois simples fatos: A: Ele teria que ver o Nicholas. B: Ele provavelmente se sentiria repugnado por eu ter algum sentimento romântico pelo meu próprio irmão. Fora de questão.
–Talvez funcione.
Comentou a loira, recebendo minha face boquiaberta.
–O quê? Não!
Exclamei com os olhos arregalados e no mais puro alarme. Será que todos ali estavam malucos? Eu havia pensado em envolver James quando surgiu a oportunidade em um momento de pânico, mas pensando bem eu via que a ideia era horrorosa. Como em nome de Deus, Felicity poderia estar a considerando?
–Relaxe Sidney. –A loira revirou os olhos com um sorriso na face. –Eu conheço o meu irmão. Conheço a rixa com o seu irmão. Esse sim seria o plano perfeito. Em primeiro lugar, todos aqui chegamos a conclusão de que isso deixaria Nicholas doido, e caso isso não o fizer, vamos ter com certeza os sentimentos dele por você. –Mordi o lábio, nervosa com o que ouvi. –Em segundo lugar, James adoraria sem problemas agarrar a chance de ter a irmã do maior rival, ainda mais quando o maior rival já teve a irmã dele... –Falou um pouco sem graça, dando de ombros. O argumento fez total sentido. –E em terceiro e último: Eu conheço o meu irmão bem o suficiente para saber que ele não vai se apaixonar. Sid, você é linda e muito legal, mas o coração de pedra do meu irmão é inquebrável. Se você terminar com ele mais para a frente, eu garanto que ele não irá se importar... Exatamente como acabou de reagir com Megan.
Meus olhos analisaram a loira e cada palavra que saía da sua boca fazia o maior sentido para mim. Sim, James estava há um tempo com Megan e quando ela havia saído brava da casa, indicando o fim do namoro, ele sequer tinha uma ruga de preocupação. Eu realmente achava que se aquela menina não havia o feito se apaixonar, como Felly, eu faria muito menos. E em outro ponto, Felly estava cem por cento certa de que se Nicholas se mostrasse indiferente quanto eu sair com James, seria uma prova concreta de que ele não ligava para mim e que a melhor coisa a fazer era lhe dar as costas e seguir com a minha vida, por pior que a ideia soasse. Eu tinha que tentar e aquela era a minha única chance. James me usaria para se vingar de Nicholas, eu o usaria para ganhar Nicholas. Era um ganho duplo. Essa forma de pensar parecia boa o suficiente para mim e logo eu senti uma forme emoção tomar o meu corpo. Eu estava me sentindo esperançosa e animada mais uma vez, e isso era mais do que perfeito. Eu só tinha um probleminha.
–Por que você acha que James vai querer ficar comigo.
Perguntei franzindo a testa. Christian e Felicity trocaram olhares, juntos caindo logo em gargalhada. Olhei para ambos, completamente confusa enquanto minha amiga me olhava em tom divertido, como se tivesse acabado de partilhar com eles a melhor palavra.
–Sidney, eu realmente não me preocuparia com isso.
(...)
As três espiãs demais resolveram parar a assistir um filme depois de muitos planos malignos bolados. Foi engraçado quando Christian havia nos dado aquele apelido há algumas semanas atrás, ou então “As Meninas Superpoderosas”, coisa que era verdade por sermos realmente uma loira, uma morena e um ruivo. Por essa simples razão, resolvi adotar o nome. Era realmente melhor do que “Trio parada dura” ou então “Os três mosqueteiros”. Felly não era tão boa em nomes quanto Christian. Seja como fosse, escolhemos um filme qualquer que passava na televisão e estouramos pipoca para comermos com refrigerante para fazer daquela sexta-feira mais uma comum, enquanto víamos a face de algum ator bonitinho na tela. A loira agarrou o seu copo e com um grunhido alto eu pude perceber que havia acabado com as últimas gotas do seu refrigerante. Tentei desviar os olhos para não sobrar para mim, porém infelizmente Christian conhecia a mesma técnica que manteve a sua pele salva. Me custou apenas um escorregão para olhar de canto para a loira e logo receber um:
–Sid, minha linda! Pode ir pegar mais Coca?
Perguntou com aquele sorriso que eu conhecia como próprio da loira. Revirei os olhos e com um sorriso me coloquei de pé, agarrando a garrafa vazia. Balancei a cabeça negativamente.
–Vocês bebem tanto refrigerante que chega a ser assustador.
Ignorada, deixei o quarto da minha amiga, agarrando a garrafa em uma das mãos e três copos na outra enquanto com o pé, eu fechava a porta atrás de mim. Eu sempre fui uma menina desastrada, por isso eu sabia que eu ser a voluntária –ou nem tanto –para levar os copos para a cozinha poderia ser simplesmente um desastre, mas a culpa estava na minha amiga. Qualquer coisa quebrada ela limparia.
Descendo as escadas me surpreendi ao perceber que já era noite. A lua brilhava alta e o seu estava escuro repleto de estrelas que iluminava-o em pequenos pontos. Pelas grandes janelas eu pude ver a piscina da casa do lado de fora, com a água pintada de prateada pelo reflexo da lua, e virando a esquerda, encontrei a cozinha que era o meu destino final. Estava tudo silencioso, exceto por algumas risadas baixas que eu conseguia escutar ao longe vindas do quarto da loira. Apoiei os copos e a garrafa sobre a bancada e abri a geladeira em busca de mais refrigerante, mas tive a minha missão interrompida com apenas um doce som. Meus olhos procuraram por toda parte. Era baixo e parecia vir de muito longe. Eu procurei por um radio que tocava algum CD, ou alguma coisa do tipo, mas nada encontrei. Eu decidi que se estivesse em um filme de terror, eu estaria ferrada e provavelmente morta, mas resolvi seguir o barulho.
A música me levou até o andar debaixo no porão da casa que eu não conhecia muito bem. Eu havia estado ali com Felly algumas vezes, mas sempre que optávamos por assistir TV, ficávamos em seu quarto já que tínhamos mais privacidade e menos interrupções. De qualquer forma, o porão era composto de um carpete branco que tomava o chão, um bar que ficava perto de uma janela de correr e um grande sofá de couro que cabiam ao menos dez pessoas, que rodeava uma televisão gigantesca sobre uma lareira. Atrás do sofá havia uma banheira de hidromassagem e uma entrada para uma espécie de depósito onde eram guardadas as coisas que realmente deveriam estar em um porão. Próximo do bar havia uma longa porta de correr que eu sabia que levava para um quarto que ficava ali embaixo. O som vinha de trás da porta, mas nem precisei me atrever a invadir o espaço de alguém, porque ela já estava aberta. Quando vi quem ali estava, já era tarde demais para me esconder. Os olhos azuis me flagraram em questão de segundos.
–Gostando do show?
Senti meu rosto corar em todas as cores possíveis enquanto eu tentava achar alguma desculpa para estar onde eu estava. Não obtive sucesso. James estava com pinta de músico, com os cabelos loiros atrapalhados, uma camisa vermelha que deixava nítido os seus braços fortes e um violão apoiado em seu colo que lhe caía simplesmente bem. Engoli em seco recuando um passo, enquanto via o garoto soltar uma risadinha. Tentei mudar de posição para não parecer uma garotinha ou coisa do tipo. Eu só havia sido pega em uma situação não muito boa.
–Eu ouvi o barulho. Pensei que alguma criança estava sendo morta. –Brinquei, coisa que o fez rir ainda mais. Balancei a cabeça negativamente. –Mentira. Não queria aumentar o seu EGO, mas a música era tão boa que pensei que vinha de algum rádio. Me desculpe por interromper.
–Você nunca interrompe, Texas.
Sorriu o garoto enquanto fazia um gesto para que eu me aproximasse. Abriu um sorriso ao me ver, sem jeito, caminhar em direção do quarto em passos lentos. James estava sentado em uma cama de casal gigante decorada em lençóis de cor azul clara e preto. O chão era do mesmo carpete branco do porão e no quarto havia mais uma beliche, tão grande que me perguntei se cada cama era de casal também. Um armário se abria para um lado e do outro havia uma televisão enorme, junto de dois monitores de computador que formavam apenas uma máquina gigante. Na parede haviam três guitarras, dois violões, um contra baixo e uma bateria eletrônica, pequena, mas que eu sabia que poderia fazer um som bem alto. Aquele era o paraíso de um homem. Olhei para James em tom curioso observando o lugar. Eu sabia que o seu quarto era no andar de cima porque havia o encontrado pelos corredores algumas vezes... Mas aquela me parecia bem um lugar onde o garoto ficaria. Pude ver algumas medalhas e uma bola de futebol americano, pousada sobre a sua mesa.
–Huh... Pensei que o seu quarto fosse no andar de cima.
Comentei um tanto intrometida. O garoto voltou os olhares para mim, abrindo um sorriso.
–Sim, sim. Eu resolvi me mudar para o porão... A ideia não é tão ruim quanto soa.
Falou, fazendo-me soltar uma risadinha. Assenti olhando em volta e sentindo o meu rosto esquentar.
–Com certeza não é. Perdão por invadir o seu quarto.
–Pode vir para o meu quarto quando quiser.
Respondeu em seu tom brincalhão como de costume, fazendo-me sorrir e corar mais ainda. Eu morria só de pensar na cor em que meu rosto deveria estar. Eu nunca me acostumaria com as piadas do loiro.
–Bom, eu fiquei de pegar refrigerante para a sua irmã... –Comentei. –Vou deixar você continuar com as suas músicas.
Terminei, com um sorriso simpático, enquanto eu me preparava para me retirar. Antes que eu pudesse sequer colocar o pé para fora daquele lugar, a voz do garoto chamou a minha atenção.
–Ela pode esperar. –Revirou os olhos. –Felicity sempre tem tudo o que quer. Junte-se ao meu lado. Faça-a sofrer por mais dez minutos.
Falou em um tom maligno exagerado, fazendo-me rir de novo. Bem... O que poderia dar errado fora Felicity arrancar a minha cabeça? Eu acabei aceitando o pedido do garoto. Um pouco sem jeito, me sentei sobre o beliche ao lado da cama onde ele estava e o observei enquanto os seus dedos dedilhavam o violão de forma astuta e habilidosa. Eu adoraria poder fazer isso, porém eu não tinha dons musicas como ele ou Nicholas. Eu nunca mais havia ouvido Nicholas tocar piano... Estremeci ao me lembrar do tanto que a cena havia sido maravilhosa.
–Vamos lá, Texas. –Sorriu o loiro. –Me diga uma música que você gosta.
–Hm... Deixe-me ver. –Falei com um sorriso enquanto parava por um momento pensativa. Uma música que eu goste... –Que tal Man on The Moon?
–Phillip Phillips? –Perguntou o garoto em um tom brincalhão. –Acho que está subestimando minhas habilidades...
Abri um sorriso, mas não fiz som sair da minha boca. Os dedos de James deslizaram sobre o violão e logo eu pude escutar o dedilhado da música que eu tanto gostava. O som era limpo e perfeito, eu conseguia reconhecer a melodia de longe. James tinha talento naquilo e algo dizia que ele sabia. Com um sorriso no rosto e olhando-me nos olhos, a boca do garoto se abriu, deixando-me mais surpresa ainda com o talento em sua voz.
–Oh, oh, oh yeah. Oh, oh, oh yeah. Oh, oh, oh yeah... I watch the world from the side of the moon, looking at the stars, looking back to you just to see if you were still alive, looking at the sun with the fire in your eyes. It’s hard to know where I stand, even the man on the moon couldn’t tell me where to land but, I wanted to fly in the sea with no gravity to pull me down... –James fazia questão de manter os olhos azuis presos aos meus e um sorriso bobo se formava em seu rosto na medida em que cantava. A voz grave do garoto entrou em meus ouvidos e em uma doce melodia tomou controle do meu cérebro. Eu não raciocinava, eram só os olhos azuis e a maravilhosa música. Acho que eu estava sorrindo... –Hold on it won’t take long you can find yourself if you decide to finally start. Don’t look to me when you fall, cause the steps get bigger so we’re here to walk them all. And you know how I fell... So don’t let your life start to slowly waste away. –Eu era incapaz de não sorrir de volta ao garoto. Acho que me deixei levar tanto pela música, que sequer esqueci de me sentir constrangida por tanto contato visual. –Oh, oh... No, no. So tell me this one thing, now listen to me close. You steal from me but you call it your own. You liar, you thief go make you stand on your own two feet. So oh now oh now, listen what your friends say. Go now, go now, go and do it that way. I’m the one you want to believe, but in your heart you can’t see. Hold on it won’t take long you can find yourself if you decide to finally start. Don’t look to me when you fall, cause the steps get bigger so we’re here to walk them all. And you know how I fell... So don’t let your life start to slowly waste away. –O dedilhado se tornou mais calmo e as mãos do garoto escorregavam lentas pelo violão. James segurava o objeto com tanta delicadeza que por um curto momento de tempo, eu cheguei a desejar que fosse eu. O garoto abriu um sorriso mais uma vez e humedeceu os lábios com a língua, em contato fixo aos meus olhos. Sua voz soou em tom rouco, fazendo com que eu me arrepiasse ao ouvir. –Let it fall, let it fall... Hold on it won’t take long you can find yourself if you decide to finally start. Don’t look to me when you fall, cause the steps get bigger so we’re here to walk them all. And you know how I fell... So don’t let your life start to slowly waste away.
Mais algumas batidas mais fortes no violão e o belo dedilhado por fim terminou a música. Saindo do meu traze, usei todas as minhas forças para aplaudir e o sorriso na face do garoto se alargou mais ainda. Fez uma reverência em agradecimento e riu, colocando a palheta na boca para pendurar o seu violão mais uma vez. Observei-o fazer enquanto engolia em seco. Eu tinha que ter alguma queda por músicos. Se aquele não fosse James, o irmão de Felly, e eu não fosse apaixonada pelo meu irmão, ele provavelmente teria me ganhado com aquela curta apresentação.
–Você poderia ser famoso.
Comentei em um tom quase orgulhoso. James riu, balançando a cabeça negativamente.
–Eu costumava ter uma banda no primeiro ano do colegial, mas acabei desistindo pelo futebol. É isso o que eu faço.
–Deve ser tão difícil quando tem mais de um talento e tem que escolher apenas um deles.
Falei em tom sarcástico, enquanto revirava os olhos e fazia-o rir. James assentiu, dando de ombros.
–Não tem ideia, Texas. E você?
–Eu o que?
Perguntei distraída ainda olhando a grande coleção de instrumentos musicais do garoto. James abriu o armário e de costas para mim arrancou a camisa vermelha do seu corpo, deixando mais a mostra as costas definidas e os braços fortes. Revirei os olhos deixando escapar uma risadinha com a cena. Exibido.
–Qual o seu talento?
Perguntou o garoto me erguendo uma sobrancelha. Dei de ombros tentando não deixar muito aparente o fato de os meus olhos estarem analisando o seu corpo esculpido.
–Eu desenho.
Comentei sem dar muita importância a isso. Os olhos do loiro caíram curiosos sobre mim quando vestiu uma camisa azul mais leve sobre o seu corpo, curioso. Caminhou em minha direção, sentando-se na outra cama, mas de frente para mim. Apoiou o antebraço em suas pernas.
–É mesmo?
–Sim...
Dei de ombros. James abriu um sorriso como se tivesse tido pelo menos um milhão de piadas para fazer com apenas aquela declaração.
–Já tentou desenhar um deus grego?
Brincou, fazendo uma pose exagerada que me fez rir. Joguei o travesseiro no garoto, puxando-me nas risadas comigo.
–Ainda não tive a chance de conhecer um...
Comentei, fazendo-o abrir uma expressão exagerada de dor. O loiro levou a mão ao coração, como se tivesse acabado de levar um tiro.
–Ai... Isso magoa, Texas.
Brincou, fazendo-me revirar os olhos. Me coloquei de pé com um pulo e em passos rápidos caminhei até a porta, impedindo-me de sair por pouco. Eu não esperava que do nada James me chamasse para sair, mas por fim decidi que aquela seria a minha melhor oportunidade para fazer. Eu nunca chamaria um cara para sair em minha vida se não fosse extremamente necessário. Prendi a respiração enquanto tomava coragem para me virar. Forcei os meus pés a se moverem e encarei o garoto em uma expressão sem jeito.
–James...
Me interrompi já sentindo o arrependimento. O loiro pousou os olhos em mim dando-me atenção e franziu a testa. Sorriu.
–Sim?
–Huh... –Tossi tentando escolher as minhas palavras. O meu rosto já estava vermelho antes mesmo de eu falar. –Eu... Você vai fazer alguma coisa amanhã?
Perguntei, parecendo ganhar toda a atenção existente no corpo do garoto. James ergueu uma sobrancelha e observou-me por um momento, coisa que me deixou um pouco desconfortável. O loiro sorriu, assentindo.
–Não... Por quê?
–Eu estava pensando em ir assistir um filme, ou sei lá. Eu estou sem companhia.
Para a minha surpresa, o sorriso no rosto de James se alargou e se colocando de pé ele caminhou até não muito longe de onde eu estava. Eu quis recuar um passo, mas me forcei a ser forte e permanecer no meu lugar.
–Está me chamando para sair, Sidney?
–Facilite para mim.
Revirei os olhos, coisa que o fez dar risada. James assentiu.
–Acho que um filme vai ser legal. Desde que não seja um desses de meninas.
–Não se preocupe. –Sorri. –Eu já sei bem o que eu quero ver.
–Já?
Perguntou o garoto com um sorriso divertido no rosto. Assenti.
–Sim. Espero que goste de filmes de terror.
–Está brincando? –James abriu um sorriso que por um momento não pude descrever. –São os meus favoritos.
Eu não poderia dizer quanto a mim. Eu gostava de filme de terror desde que não fosse um daqueles japoneses ridiculamente assustadores como os que Nicholas gostava e eu realmente achava que ir ao cinema com James não iria doer. Poderia ser divertido... Se não fosse extremamente estranho. No fim Felly estava certa, James não abriria mão da chance de se vingar de Nicholas saindo com a sua irmã.
–Ótimo. –Sorri, em tom satisfeito. –Bem... Eu...
–Você não é muito boa nisso, é?
Brincou James, fazendo-me corar. Dei de ombros.
–Nunca precisei chamar um garoto para sair antes.
–Deixe-me te ajudar. –Sorriu o loiro, piscando. –Eu te pego amanhã as oito.
–Combinado. -Sorri enquanto ele me devolvia. Tossi antes que um momento estranho pudesse acontecer entre nós. –Bem... Até então!
–Até.
Sorriu o loiro soltando uma risadinha conforme eu corria os degraus escada acima. O sorriso estava estampado em meu rosto e meu coração ainda batia forte pelo momento estranho de pouco tempo atrás. O plano estava começando, eu já tinha James, mas eu sabia que aquela parte não era sequer de longe a mais difícil de vir. Eu ainda tinha que voltar para a casa, e conseguir ficar longe de Nicholas.
(...)
Eu fechei a porta cuidadosamente atrás de mim quando cheguei em casa. Já era noite e por ser uma sexta feira, eu imaginava que a casa estaria vazia. Jessica e meu pai estariam em algum tipo de festa, Nicholas com seus amigos e eu... Bem, eu poderia tirar a noite para descansar e me preparar para o meu encontro no dia seguinte. Não posso dizer que eu tinha sentimento algum por James, mas mesmo assim a ideia de sair em um encontro, por mais que eu soubesse que para mim não era pra valer, me deixava nervosa. James era um rapaz bacana e tudo mais, eu realmente esperava que Felicity estivesse certa sobre o fato de ele não se apegar.
Como eu previ, a casa estava toda apagada e mergulhada em silêncio. Meus pés me guiaram em direção a escada, mas antes que pudesse fazer, resolvi mudar a minha rota e caminhar até a sala do piano. Acendi a luz e olhei por um momento para o instrumento, me lembrando de como havia sido linda a imagem de Nicholas tocando-o com tanta habilidade e como aquela foi provavelmente a primeira vez em que eu senti uma atração realmente forte por ele. Nicholas parecia um profissional quando tocava, mas infelizmente eu não havia tido a chance de ver alguma das suas performances nos últimos dias. Me sentei no banco acolchoado e completamente aleatória, apertei uma das teclas ouvindo o barulho. Eu queria tanto saber tocar... Dei um pulo alto quando ouvi a voz atrás de mim.
–O que faz aqui sozinha, moça?
Nicholas estava em casa e no mesmo momento não me arrependi de não ter corrido para o meu quarto antes. Me coloquei de pé e dei de ombros parecendo não estar nervosa. Nos últimos dias eu havia feito tudo o que Nicholas queria, havia escapado para o seu quarto de noite e havia suportado aquela ideia pesada de que ele não gostava de mim em minha mente. Agora eu estava cansada e para o meu plano funcionar de verdade, eu tinha que rejeita-lo, coisa que eu sabia que seria extremamente complicada para mim, ainda mais pelo nível de atração que eu sentia por ele. Prendi a respiração enquanto encarava os olhos azuis. Meu irmão me abriu um sorriso de canto.
–Eu acabei de chegar... Não senti que queria ir para o quarto.
Nicholas assentiu como se o que eu disse havia tido o maior sentido e em passos lentos caminhou até mim. Não me movi e logo o rosto conhecido estava tão perto do meu que deveria ser ilegal. Engoli em seco tentando fugir de alguma forma, mas nada me ocorreu. Os lábios do moreno quase tocavam nos meus quando ele disse:
–É? Eu também não.
E então foi tudo muito rápido. Nicholas me puxou pela cintura e com força me segurou, pegando-me em seu colo enquanto seu beijo me afogava. Senti meu corpo ser apoiado contra o piano e então minhas pernas serem puxadas contra a cintura do garoto que beijava toda a extensão do meu pescoço. Meu coração batia forte e eu sentia a excitação me tomar. Eu não acreditava. Ali? Na sala do piano? Nicholas estava incrivelmente sexy naquela noite. Seus cabelos negros estavam bagunçados e seus olhos azuis cheios de desejo. Suas mãos agarravam firmes minhas coxas e o sorriso em seu rosto era enlouquecedor. Não! Ouvi a voz gritar e isso foi suficiente para que eu tomasse minha força por um momento e o empurrasse para longe. Nicholas franziu a testa, provavelmente confuso por eu tê-lo repelido, e me observou por um momento. Ergueu uma sobrancelha.
–Desculpa, não dá.
Falei enquanto arrumava a minha blusa torta. O garoto engoliu em seco, olhando-me curioso.
–Por que não?
–Eu... Eu não posso, Nicholas. Eu encontrei outra pessoa.
Meu irmão revirou os olhos e surpreendeu-me com a descrença. Olhou-me em um tom não muito contente.
–Quem? Christian?
Perguntou em um tom de zombo. Balancei a cabeça negativamente engolindo em seco, enquanto descia do piano. Nicholas observou com os olhos curiosos.
–Não... Eu... Bem, eu vou dormir.
Anunciei enquanto corria em direção as escadas tentando ao máximo fugir e ignorei pelos chamados do garoto que vinha atrás de mim. Fechei a porta do meu quarto e Nicholas pareceu não insistir em abri-la. Prendi a respiração enquanto conseguia ouvir a dele, alta também, do outro lado da porta. Seja lá o que ele estivesse pensando em fazer, desistiu, porque logo pude escutar um suspiro e passos se afastando. Um suspiro aliviado escapou dos meus lábios enquanto eu escorregava, sentando-me no chão. Olhei para o teto sem acreditar que eu havia conseguido. Aquela era a minha primeira noite sem Nicholas. Aquele era o início de todo o processo.
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