Você De Novo?

9 Perda Total de Sanidade


Notas iniciais
Aqui vai mais um capítulo e postando com antecedencia ainda hein? Mesmo que muitos leitores não andem merecendo porque, bem, já houve uma redução nos reviews e isso não é um bom sinal. Muito obrigada a aqueles que postam sempre e para aqueles que continuam fantasmas ou postam apenas periodicamente, leiam com atenção: Eu estou postando o capítulo para não fazer feio com aqueles que agem regularmente e sempre comentam. Caso continue assim, e eu não receba pelo menos dez, o que é menos da metade dos meus leitores, eu vou ser obrigada a mudar a história de site porque pelo amor de Deus! Conseguir leitor no Nyah não fantasma é difícil. E vou fazer questão de só enviar o link para aqueles que comentam.
Eu cansei de cobrar, sei que é chato e acreditem, é tanto pra mim quanto pra vocês. Então vamos evitar isso, por favor.

Aqui vai mais um então, pessoal! Espero que gostem! :^)
Não esqueçam de ler as notas finais! Tenho uma votação pra propor pra vocês!
Boa leitura!

Moradia no Inferno – Dia 9

-Então Sidney... Gostaria de me dizer o motivo de estar aqui para começarmos? Acho uma boa iniciativa.

-Sou eu quem devo falar? –Suspirei já sabendo a resposta. –Ok.

Bem, eu não estava ali por vontade própria, aquela era a verdade, e se não fosse por muitos bons motivos pessoais, eu não estaria sentada, me sentindo completamente constrangida na sala da Dra. Eliane. Algo naqueles óculos pesados pousados sobre o nariz empinado da mulher de cabelos castanhos me deixava incomodada. Ela me observava sem expressão, sem qualquer pensamento aparente, completamente imparcial, somente esperando, como alguém fazia quando queria que contássemos um segredo... E era exatamente o que ela queria, eu só não esperava que sua face continuasse daquela forma quando eu começasse a falar. Deus! Eu odiava falar de mim! Sempre tive problemas para me abrir e não era agora que isso ia mudar.

-Eu... Tenho alguns problemas. Vários na verdade.

Mudei de posição desconfortável. Eliane anotou sabe-se o que em sua maldita prancheta, me dando vontade de ler, mas me segurei. Me observou atentamente, como uma boa ouvinte.

-Eu sei, Sidney e é por isso que está aqui. Precisa se abrir com alguém.

-Bem... Eu não sou muito desse lance de me abrir.

-Eu sei disso...

Ela sabia de tudo? Soltei um suspiro enquanto mordia o lábio. Eu não tinha ideia de por onde começar. Bufei enquanto batia os dedos contra a coxa.

-Eu... Eu preciso ter certeza de que tudo o que conversarmos não vai sair daqui.

-Fique tranquila, eu lhe garanto. –Assentiu profissional. –Qualquer conversa minha com pacientes são completamente sigilosas. Só comentamos o que me for permitido com os exteriores.

-Hm... Ok.

-Por que não começa me falando da sua mãe?

-O que tem ela?

Perguntei confusa. Eliane deu de ombros.

-Não sei. O que tem?

Mudei mais uma vez de posição desconfortável. Minha mãe? Eu não costumava conversar muito sobre ela... Vamos lá, Sidney. Se esforce.

-Ela tem problemas. –Falei simplesmente esperando ouvir uma resposta, mas não ouvi. Apenas recebi uma expressão de “certo, continue”. Suspirei. –Ela tem depressão. Desde que papai saiu de casa ela adquiriu uma coisa que vai e volta. Acho que ela já tinha isso, mas piorou com o divórcio. Eu tinha que manter o olho nela o tempo todo, eu já a peguei tentando se matar umas duas vezes. Na verdade peguei-a com objetos nas mãos, mas ela nunca pareceu ter coragem de verdade... Sei lá. Eu meio que tinha que cuidar dela o tempo todo... Tudo piorou há menos de um mês quando ela teve uma quase overdose de medicamentos.

-E para você... –Começou Eliane, anotando em seu caderno. –Como era cuidar da sua mãe?

-Cansativo... –Dei de ombros. –Acho... Acho que nunca comentei isso com ninguém.

Franzi a testa um pouco confusa, me perguntando o porque daquele assunto. Eliane assentiu ainda com a caneta em mãos.

-Está indo bem. Continue.

-Eu não sei... Acho que eu nunca tive tempo para ser criança. Eu amo minha mãe, tivemos tempos ótimos, mas eu sempre vivi na incerteza. Eu sempre vivi me preocupando quando ela atacaria em depressão de novo e tentaria alguma besteira. Sempre tive essa insegurança.

-Não teve infância?

-Não muito... Acho que no fundo eu sempre fui a mãe.

-E como é isso para você?

Mudei mais uma vez a posição na cadeira, pensativa. Odiava resgatar pensamentos que eu mais tentava afogar. Eu odiava tudo aquilo.

-Ruim?

-Certo... –Assentiu a Dra. Como se o que eu tivesse dito, tivesse feito o maior sentido da terra. –E você? Disse que sua mãe piorou com a saída do seu pai. Que agravantes esse episódio teve para você.

-Alguns, eu acho. –Torci o nariz. –Não podemos falar da escola?

-Depois.

Suspirei.

-Eu já estive em psicólogos antes. Eu tomo um remédio forte, um calmante... Para evitar os pesadelos.

-Os pesadelos?

Perguntou a doutora, curiosa. Assenti, dando de ombros em seguida.

-Sim. Os com a ida do meu pai. Todas as noites são diferentes, horríveis, e eu acordo gritando.

-E em relação a isso... O que acha que quer dizer?

-Eu não sei. Ninguém sabe.

Anotações.

-Por que toma os remédios, Sidney?

-Hm... Para evitar os pesadelos?

Perguntei confusa. Eliane assentiu.

-E a relação com o seu irmão?

Quase engasguei com o que ouvi. Meu coração foi a mil enquanto eu me lembrava da cena assombrosa da noite anterior, e tentei não cuspir o meu fígado. Tentei agir o mais naturalmente possível.

-O que tem?

-Vocês se dão bem? Por que mudou de reação?

Merda. Mudei de posição desconfortável e respirei fundo. Ok...

-Não nos damos muito bem...

Contei.

-Por quê?

-Bem... Ele é um intruso. Ele e a mãe dele. Se não fosse por causa deles eu não teria nenhum desses problemas.

-Certo... Fale mais.

-Eu sei lá. É como se eles tivessem conseguido destruir tudo! A minha vida inteira, entende? Eu... Eu não sei! Eles não deveriam estar na minha família, ou então eu não deveria estar. Eu estou tentando lidar com eles, mas é impossível!

-Eles lhe tratam mal?

-Não...

-Então por que?

-É maior do que tratar mal... É que... –Parei por um momento. –Argh! Não tem palavras.

-E como está a adaptação por aqui?

-Está bem, eu acho. –Franzi a testa. –Quer dizer, fiz alguns amigos, tive um churrasco...

-Isso é bom... Bem Sidney... –Começou em um tom conclusivo. –Nosso tempo é curto, infelizmente e não podemos discutir em um dia só tudo o que eu gostaria. Você sim tem problemas, mas eu te garanto que isso não é o fim do mundo... Você está falando pouco, mas de início é o que esperamos. –Seu tom era lento e calmo. Prendi a respiração observando-a lentamente. –Eu não espero que já se sinta confortável, mas em outras seções começaremos a fazer você falar mais... Bom. Eu gostaria de lhe propor um exercício.

Lá vem.

-O que?

-Eu quero que esqueça seus medicamentos nessa semana. Tenha os pesadelos e toda vez que acordar gritando, pegue um caderno e escreva exatamente o seu sonho nele. Depois quero que escreva o que fez no seu dia.

Olhei atônita para ela, me perguntando se ela falava sério... E ela falava. Ela queria realmente que eu parasse com os remédios que eu tomava desde os nove anos de idade? Jura? Prendi a respiração tomando cuidado para não mandar ela à merda, e me saí bem com isso. Assenti obediente, enquanto me colocava de pé e retribuía o cumprimento que recebi com a mão. Limpei a garganta, enquanto ela me abria a porta.

-Ok... Até semana que vem.

-Até, querida.

***

-E aí? Como foi na sua terapia para loucos?

-Você é tão gentil...

-Eu tento.

Sorriu Nicholas, enquanto tinha as mãos firmes no volante enquanto voltávamos no conversível do papai de volta para a casa. Havia o convencido de colocar o teto no carro já que estava sol e eu não ia querer que meu cabelo voltasse como o de um dos membros do Jackson Five. Já dava muito trabalho penteá-los quando eu sentia vontade, quem diria então quando eu estava com preguiça de fazê-lo... Nicholas estava com seus óculos aviador que odiava admitir que caíam tão bem em seu rosto, a camiseta azul polo que usava ressaltava os seus olhos e lhe dava mais ar de filhinho de papai do que já tinha, e o sorriso em seu rosto por conseguir me irritar era o mesmo de meu pai, que sempre me irritou tanto. Tão bonito... Era simplesmente difícil olhar para ele e ver que aquela peça pertencia a mesma família do que eu... Nicholas é como se fosse mais um amigo bem próximo da família.

-Do que falaram?

-Se eu te contasse teria que te matar. E pode parar. –Empinei o nariz enquanto abria o porta-luvas do carro em busca de algum CD. –Preferi que você viesse me buscar para não ter que ouvir as perguntas do pai. Não faça eu me arrepender.

-Mas isso faz parte do meu trabalho de pentelho.

Brincou olhando-me em ar divertido, revirei os olhos com um mísero sorriso, enquanto observava os CD’s por que passava... Beatles, Led Zepelin, Metallica...

-De quem são esses CDs?

-Meus. –Nicholas deu de ombros. –O pai não deixa os dele no carro porque... Bem, eu tenho mais coragem do que ele de tirar essa coisa da garagem.

-Você é louco, aliás.

-Eu sou?

Me ergueu uma sobrancelha. Assenti.

-Sabe que se amassar isso, você morre certo?

-Não confia no meu senso incrível no volante?

Me perguntou se fingindo ofendido. Dei risada enquanto balançava a cabeça negativamente e colocava no rádio o CD do Nirvana que mais gostava.

-Não.

-Poxa...

Fingiu enxugar uma lágrima. Arregalei os olhos, fingindo-me assustada e o repreendi, com os olhos estreitos.

-Duas mãos no volante, menino!

-Certo, mãe.

-Bom garoto.

Sorri enquanto o via colocar as duas mãos no volante e ficar parado, quase sem mover um músculo, em posição perfeita exceto pelas mãos que guiavam o carro. Não consegui não rir daquela cena de postura perfeita. Ele se parecia uma estátua daquelas escolas diplomáticas, ainda mais com a roupa e a cara que tinha.

-Me pergunto se a senhorita estaria com fome.

-Meu estômago se pergunta como você pode ser bobo o bastante para me perguntar isso.

-Minha pessoa está ofendida.

Dei risada enquanto o via abrir um sorriso e exibir a covinha que eu nunca havia reparado que tinha. Acho que nunca havia visto Nicholas sorrir sem ser por conta de alguma ironia ou para me irritar... Ele tinha um sorriso bem bonito.

-E isso resulta em...?

-Vamos parar para comer.

Deu de ombros enquanto ligava a seta do carro e entrava no estacionamento de alguma lanchonete que ainda não me conhecia. Na verdade, o lugar me parecia mais com uma daquelas filias australianas do Outback ou coisa do tipo, pois assim que entramos, as paredes de madeira e a luz fraca, deu espaço para várias mesas, um balcão e muitos enfeites maravilhosos que dava ao local um ar de pub jovem e que eu adorei. Não me parecia o tipo de lugar que Nicholas frequentaria, na verdade se eu fosse chutar algo para ele fazer no fim de semana, eu diria que ele iria a um museu de coisas caras com os amigos e não para um restaurante legal como aquele... Acho que ele estava certo no fim das coisas. Talvez eu não o conhecesse.

-A gente vai sentar no bar, ok?

Falou para a moça no balcão que assentiu, e abriu espaço para nós dois passarmos, entrando em um enorme bar repleto de mesas de sofá onde as pessoas conversavam. Os olhos de Nicholas rodaram o local, finalmente parecendo encontrar o que procurava e me puxando pelo pulso, andou em um passo mais acelerado em direção a única mesa de sofá que sobrava vaga por ali. Me abriu um sorriso enquanto apoiava a carteira e o celular sobre a mesa.

-E então?

-Gostei do lugar.

-Imaginei. –Sorriu. –Finalmente consegui te agradar!

Fez uma comemoração silenciosa, o que me fez revirar os olhos, mas sorrir por fim. Balancei a cabeça negativamente enquanto apoiava meus óculos escuros sobre a mesa.

-Não tão rápido. Eu tenho que ver o cardápio ainda.

-Isso, senhorita, não me preocupa.

Sorriu confiante enquanto eu assentia com uma risadinha e pegava o Menu. Fiz uma caretinha diante de uma variedade de pratos tão deliciosos e olhei para Nicholas em um pedido de ajuda. Me abriu um sorriso enquanto se inclinava para ver o que eu apontava com o meu dedo contra o papel.

-Eu estou entre esses dois.

-Se quer uma carne, a Ribye é a mais saborosa daqui. –Deu de ombros. –E vem com acompanhamento.

-Como sabe de tudo isso?

Ergui uma sobrancelha. Nicholas deu de ombros.

-Eu venho aqui com meus amigos, bastante.

-Certo... –Estreitei os olhos ainda desconfiada. Nicholas deu risada diante da minha reação. Acho que o museu realmente não era a sua. –Eu vou lavar as mãos. Já volto.

Anunciei enquanto me levantava da mesa e caminhava em direção a porta onde se lia “toalete”. Era impressionante como os garçons naquele lugar eram tão bonitos e todos jovens. Aquilo era muito legal, eu com certeza voltaria ali com Christian e Felicity. Apertando o negócio de onde saía o sabão, esfreguei minhas mãos até fazer espuma, e apertando a torneira com o antebraço as enxaguei, sentindo a sujeira ir toda embora. Eu era incapaz de comer sem ter esse mínimo de higiene, eu me sentiria pesada o resto do dia. Ao meu lado, na pia vizinha, uma garota de cabelos loiros dourados parou ali, tirando da bolsa um batom rosa e passando nos lábios enquanto se aproximava do espelho. Ela era bem bonita. Tinha cabelos lisos até uma certa altura, onde começava a cachear e caía até os ombros. Seus olhos eram bem azuis e ela tinha uma pinta charmosa em baixo de um deles. Era vestida como uma modelo e tinha a postura de uma... Não posso mentir que senti um pouco de inveja dela.

-Amei seu batom.

Falei simpática, chamando sua atenção. A garota virou o olhar para mim e por um momento desconfortável, analisou-me da cabeça aos pés. Tinha um ar meio metido e logo me arrependi de ter feito o elogio.

-Obrigada. É Prada.

Falou sem eu sequer ter perguntado. Sorri um tanto cínica fazendo uma caretinha e assenti enquanto enxugava minhas mãos. Eu ainda sentia os olhos da garota em mim e era um tanto desconfortável. Odiava aquilo.

-Qual é o seu nome?

Perguntou em um tom bem seco. Olhei-a confusa.

-Sidney... E o seu é...?

-Me chamo Megan. –Sorriu. –É nova na cidade, Sidney?

Meu corpo congelou com uma simples palavra e logo um flash se passou em minha mente. Megan... Será que era essa a garota quem Felly abominava? Ela era bem bonita... Era a namorada ou sei lá o que de James? Não soube explicar porque eu senti uma pontadinha de ciúme, mas ignorei. Eu estava há muito tempo em silêncio e já estava ficando estranho. Balancei a cabeça, voltando do mundo da lua.

-Sim, eu sou. –Sorri. –Cheguei há pouco mais de uma semana.

-Que legal... –Assentiu. –Te vejo por aí então.

-É... Quem sabe.

Sorri tão cínica quanto ela enquanto nós duas saíamos juntas do banheiro e caminhávamos em mesmo sentido. Apertei o passo para evitar passar mais tempo com ela, e disfarçadamente praticamente corri em direção a Nicholas, me sentando de frente para ele. De canto de olho pude reparar que a garota me olhava, agora mais curiosa ainda, como se eu ter me sentado com o garoto fosse a coisa mais bizarra do mundo. Ignorei os olhares enquanto abria um sorriso para o moreno. Felicity havia falado que ela era puta e que Nicholas era impossível. Muito provavelmente estava encucada pelo fato de eu estar sozinha com ele em uma mesa e ela não, pois afinal, ela era mais bonita do que eu e blá-blá-blá.

-Então, chegou o... –Os olhos do garoto caíram sobre mim, parecendo por um momento um tanto confusos. Franziu a testa. –O que foi?

-Hein?

-Parece que viu um fantasma.

-Ah... –Baixei os olhares abrindo um sorriso amarelo. –Longe disso.

-O que você viu no banheiro?

Me ergueu uma sobrancelha com uma expressão curiosa tão engraçada, que mesmo que não fosse sua intenção me fez cair na risada. Uma coisa eu tinha que admitir: Nicholas era o mestre em fazer caretas e expressões. Dei de ombros enquanto olhava discretamente para os lados, me certificando de que ela não estava por perto.

-Uma menina de quem ouvi falar.

-Mal chegou e já está por dentro das fofocas. –Sorriu o garoto. –Chegou o pão.

Anunciou enquanto eu via sobre a mesa um delicioso pão de cor marrom de onde saía fumaça e que veio acompanhado por um potinho de manteiga. Senti minha boca salivar e meu estômago roncar enquanto eu tirava um pedaço para mim.

-Que delícia. –Falei com a boca cheia, fazendo Nicholas soltar uma risada gostosa. Sorri sem exibir os dentes já que tinha pão em minha boca. –Mas me diz uma coisa... –Comecei enquanto limpava os lábios com um guardanapo. –Já que você mora aqui há muito tempo, conhece Megan?

-Que Megan? Conheço algumas.

Deu de ombros enquanto cortava um pedaço do pão e levava aos lábios. Dei de ombros.

-Não sei o sobrenome dela.

-Já imagino de que Megan está falando... Eu pedi coca para você, tem problema?

-Não, gosto do refrigerante... Mas foco! –Exclamei percebendo o péssimo fofoqueiro que meu irmão era. Nicholas arregalou os olhos pelo susto o que me fez querer rir de novo, mas me segurei. –O que sabe sobre ela?

-Vem cá, Sid... –Falou bem baixinho fazendo-me aproximar dele para ouvir o segredo. Nicholas olhou para os lados para se certificar de que ninguém nos ouvia. Sussurrou: -Eu por acaso tenho cara de Christian fofoqueiro?

-Idiota.

Revirei os olhos lhe dando um tapa no braço fazendo-o dar risada. Como ele conhecia Christian afinal para saber que ele era gay e que era “fofoqueiro”. Me segurei para não brigar com Nicholas mais uma vez.

-Ah vamos lá. Sidney. Não há motivo para falar da vida alheia.

-É bonzinho demais até para fofocar?

-Sou um anjo.

-Faça-me crer.

Revirei os olhos enquanto Nicholas me abria um sorriso e levava a mão ao lábio, apontando para um ponto abaixo do inferior.

-Sid... Tem um pouco de veneno escorrendo aí...

-Vá se foder!

Exclamei horrorizada, mas sem deixar de achar o comentário engraçado. Revirei os olhos com um sorriso enquanto dava um gole no meu refrigerante de cola. Ah meu Deus.

-Sabe, eu me pergunto qual é a da Sidney... Chega há pouco tempo, mas já arranja amigos, inimigos...

-Não tenho inimigos. –Sorri. –Mas é uma questão de tempo. Não sei ser perfeita como você.

-Não sou perfeito...

Falou enquanto dava um gole em seu refrigerante igual ao meu. Não resisti em fazer minha melhor careta e encara-lo, até ele ficar sem graça, dar uma risada e perguntar “O quê?”. Revirei os olhos cortando mais um pedaço do pão para mim.

-É claro que é. Não faz nada de errado.

-Não é bem assim, Sidney. –Ele franziu a testa enquanto me observava de forma intuitiva. Logo entendi ao que ele se referia. Revirei os olhos tentando ao máximo abafar meu pensamento, e percebendo isso, Nicholas limpou a garganta. –Bom, eu só sei lidar com o pai. Eu sou educado com ele e faço o que ele quer. Em troca eu ganho confiança total. Por isso posso dirigir o conversível, tenho dinheiro para o que quiser, posso sair quando tiver vontade...

-Ahn, danadinho! –Abri um sorriso um tanto orgulhoso do que ouvi sair dos seus lábios. Então essa era a mágica por trás de Nicholas... –Compra e confiança do papai.

-Chame como quiser. –Deu de ombros dando um gole em seu refrigerante, fingindo-se indiferente. –E pare de me olhar com essa cara maliciosa, por favor?

-Estou de deixando sem graça?

Sorri abertamente para ele. Nicholas revirou os olhos.

-Tão criança.

-Está no sangue.

(...)

O carro parou na frente de casa e já deviam ser umas quatro horas da tarde quando finalmente chegamos. Nicholas puxou o freio de mão e nem se incomodou de abrir a porta ao pular por cima dela, do carro que havia me convencido a recolher o teto. Balançando a cabeça em desaprovação, praticamente rolei para fora do banco, já que havia comido tanto no restaurante, que minhas pernas mal aguentavam meu peso. Um sorriso divertido se abriu no rosto do garoto, que me observava como se eu fosse a coisa mais engraçada do mundo. Tentei ignorar o olhar para não avançar nele, Nicholas e eu, estávamos tendo um dia bom demais para estragar com mais uma discussão.

Tirando o bolo de chave do bolso, meu irmão caminhou em direção a porta, a destrancando e com um empurrão a abriu, dando passagem para que eu entrasse. Agradeci com a cabeça enquanto continuava a andar com dificuldade para dentro da construção, mal sentindo os meus pés. Pude ouvir a porta bater logo em seguida, enquanto Nicholas passava logo atrás de mim.

-Obrigada pela carona, Nico.

Falei em tom de agradecimento enquanto me preparava para subir as escadas. Olhei desanimada, o lance gigantesco que provavelmente ia me fazer querer cometer suicido no meio da subida. Suspirei.

-Ei. –Chamou antes que eu pudesse começar a escalada. Me virei para ele, curiosa. –A tarde foi... Legal. Acho que gosto mais de você quando não está querendo arranjar confusão comigo.

-Posso dizer o mesmo. –Respondi sentindo um pequeno sorriso brotar em meu rosto. –Talvez você saiba ser uma pessoa... Agradável.

-Obrigado pela consideração. –Sorriu Nicholas. –E me desculpe pelo que aconteceu ontem...

-Isso... É melhor deixar pra lá. –Dei de ombros soltando um suspiro cansado. –Cansei de te evitar... E... Bom modo de esconder o chupão.

Abri um sorriso divertido, me lembrando de como seria engraçado ver Nicholas usando camisas polo ou cachecóis pelo resto da semana. O garoto abriu um sorriso um tanto debochado também, provavelmente achando graça da própria desgraça.

-Eu mereci.

-Obrigada pelo almoço também.

-De nada.

Falou finalmente enquanto eu em pulos consegui subir todos os degraus da escada. Soltei um longo suspiro quando alcancei o segundo andar e me apoiei em minhas pernas. Meu Deus. Eu definitivamente nunca mais comeria daquela forma. A garçonete do restaurante provavelmente achou que eu havia ficado anos sem comer na guerra e havia voltado só então. Acho que assustei a pobrezinha.

Fechando a porta do quarto logo atrás de mim, sentei-me em minha cama, pensativa, me perguntando o porque de eu não estar odiando tanto aquele lugar naquele momento. Depois da conversa com meu pai, eu não tinha exatamente do que reclamar. Eu tinha meus amigos, eu estava bem em casa e bem... Nicholas e eu ainda éramos um problema X, uma incógnita sem solução, mas eu havia aprendido que evita-lo era simplesmente pior do que conversar com ele. Ele poderia ser criança e tudo mais... mas eu não podia mentir. O dia havia sido maravilhoso e estava nítido para quem quisesse ver. Ele era sim uma pessoa bacana e não havia quem dissesse ao contrário, não havia motivos para eu guardar tanto rancor dele. Agora eu estava tentando. Me lembrei de papai que praticamente implorou para que eu fizesse. Bem. Talvez a vida melhorasse a partir dali, ou eu tinha a esperança de que pelo menos se tornasse um pouco menos complicada. Eu ainda tinha um embrulho no estômago ao me lembrar do que aconteceu na noite anterior, e mais ainda em pensar que um dia Nicholas e eu teríamos de conversar sobre aquilo. Foi errado, mas foi bom. E era esse pensamento que talvez me fizesse considerar se minha sanidade era algo realmente existente.

Notas finais
Reviews? Recomendações? Conte-me o que achou do capítulo! Faça perguntas sobre os personagens! E aqui vai uma pergunta para todos os leitores e faremos uma votação:
Vocês gostariam que eu postasse uma foto de 3 dos personagens por capítulo ou querem deixa-los na imaginação?
Espero que tenham gostado! :)