Você De Novo?
1 Adeus Pode Doer - Prólogo
Notas iniciais
Espero que gostem ;)
Boa Leitura e vamos lá reviews!
Dallas — Último Dia
Deixei escapar um longo suspiro, enquanto me virava em direção às paredes coloridas e dava uma última olhada para a casa onde havia crescido. Eu nunca fui uma pessoa apegada a objetos, essa não é a questão, mas quando se tratava de sair de uma casa a qual você morou há dezessete anos, você sente na pele a tristeza e o estresse que um episódio desses pode dar.
Me virando em direção ao espelho vi exatamente a imagem que eu esperava. Meus cabelos negros que geralmente caíam volumosos por minhas costas agora estavam baixos e sem brilho, sob os meus olhos acinzentados olheiras enfeitavam a área e meus lábios que antes eram rosados estavam rachados. Em outras palavras, eu estava um caco. Segurava as malas com as mãos trêmulas e olhava como se tivesse de abandonar um filho. O porquê de tanto sofrimento? Simples, mas para ficar claro, deixe-me voltar alguns anos de minha vida.
Bem, mamãe e papai se conheceram e depois de um tempo de amor intenso, resolveram se casar. Meu pai é de origem Venezuelana, e quando minha mãe e ele se encontraram em uma situação na qual ele poderia ser expulso do país, resolveram tomar os votos, o que não era exatamente um problema já que, afinal estavam apaixonados. Um ano se passou e o casamento estava indo bem. Minha mãe engravidou de mim e então as coisas pareceram ficar perfeitas. Tinham a vida perfeita, a casa perfeita e agora a filha perfeita. Porém, é impressionante como o que pode ser “perfeito” pode ser ao mesmo tempo tão instável. Um telefonema foi o que bastou para destruir a minha família.
Meu pai tinha um caso com outra mulher. Uma americana chamada Jessica, e com ela havia tido um filho. Porém um detalhe: O filho com aquela mulher era um ano mais velho que eu, ou seja, papai estava traindo minha mãe, antes mesmo de se casar. Derrotada com a descoberta, as coisas ficaram feias para o lado dos dois. Aos quatro anos fui obrigada a assistir brigas, xingamentos e gritos. Uma verdadeira guerra dentro de casa. Depois disso, o divórcio chegou, minha mãe pegou minha guarda, papai saiu de casa e as coisas nunca mais foram as mesmas. Simplesmente isso. Eu morava com a minha mãe e agora éramos apenas nós duas, e isso era bom... Ou quase.
Papai tinha uma ordem para que eu o visitasse pelo menos uma vez por mês. Para não ficar tão difícil nosso contato, foi morar com a outra em uma casa na cidade vizinha e bem... Eu era submetida a ficar um fim de semana inteiro com ele e... Eles. Não que eu não gostasse da minha família era... Ah não, era exatamente isso. Começando pela parte boa Jessica era uma loira perua, o que na verdade não era o problema. O problema era que ela, além de mais nova, era completamente louca das ideias, eu digo em relação a parafusos a menos. Ela realmente achava que seriamos melhores amigas e sairíamos para o shopping juntas... Mesmo que seu jeito histérico me assustasse. Outro demônio encarnado era Nicholas, o meu “irmão”. Tínhamos um ano de diferença, e esse ano para ele deveria significar a eternidade, porque achava que sabia tudo a mais do que eu e usava qualquer coisa para pregar uma peça em mim. Sabe aquelas crianças encapetadas? Exato. Me prendeu no armário de casa, arrancou a cabeça das minhas Barbies, me disse que era legal sair na rua usando o meu biquíni de bolinhas rosa da Barbie enquanto os amigos dele brincavam com suas bicicletas... Ele fez de tudo para tornar minha vida um inferno. Eu entendo que éramos crianças e tudo mais, mas... As coisas não deveriam estar melhores... Não que eu tivesse como saber.
Eu parei de frequentar a casa do meu pai aos sete anos, quando comecei a ir no psicólogo. Para eu ficar bem mentalmente a médica havia me dito para dar um tempo daquele hospício, e eu levei tempo como o resto da vida. Na verdade eu rezava até agora para que eu estivesse certa naquele momento. Seria perfeito nunca mais ter que ver qualquer pessoa daquela família maluca, mas é claro que minha sorte não era tanta assim.
Mês passado mamãe entrou em uma depressão pesada quando foi demitida do seu trabalho. Tomou remédios, ficava deitada chorando e eu agora mais velha fazia o meu possível para ajuda-la. Porém as coisas vieram piorando de algumas semanas para cá e ela começou a surtar. Quando a encontrei no banheiro colocando quase o pote inteiro de remédio dentro da boca foi a gota d’água e minha mãe foi internada para melhorar. Eu poderia muito bem viver sozinha, não teria problema, mas como eu era menor de idade eu teria de me mudar, agora para outro Estado, já que meu pai havia mudado de casa e ir morar com aquele bando de loucos que me fariam arrancar os olhos em menos de uma semana.
Grandioso, hein? Acho que não. Eu não queria aceitar que estava tudo prestes a mudar, não queria aceitar que eu iria ficar um tempo sem ver meus amigos, minha mãe, minha escola, meu quarto e todas as minhas coisas. Eu não queria nem pensar que estava prestes a rever Jessica e Nicholas depois de tantos anos. Dez anos, para ser exata. Eu não queria aceitar que o TAXI estava logo ali atrás contando o dinheiro do tempo que eu demorava com o meu drama por não querer sair de casa. Bufei. As coisas não iam ser fáceis, eu sabia, mas havia prometido para mim mesma, que eu faria o possível para não facilitar.
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