Notas iniciais
Demorei, mas cheguei. No sábado, como sempre. Lembro-lhes do tumblr da história: http://youstillhavent15.tumblr.com/ porque eu sou legal. Esse capítulo é recomendado para se ler ouvindo Story Of My Life, de preferência com o cover da Katy B. Bem, é isso, espero que gostem!

Depois de muito esforço, eu finalmente consegui acalmar minha mãe naquele dia. Depois, insisti que ela fosse ao psiquiatra pegar a receita e comprar logo um remédio para poder fazer com que a Sra. Martins ficasse melhor. Eu tentei depois disso ficar sempre me lembrando de verificar se minha mãe estava tomando os remédios direito.

De qualquer forma, depois disso não houve mais incidentes como aqueles pelo meu cuidado com ela. Minhas conversas com Manu e Alice também acabaram ficando cada vez mais escassas devido o fato de eu estar bastante ocupada ultimamente com a escola.

Por falar nisso, meu colégio também estava normal e mais duas semanas foram o suficiente para eu conseguir acabar com o meu lento processo de adaptação ao mudar de cidade. Estava tudo começando a entrar nos eixos, André também começava a entender o assunto e eu acredito que logo não precisará mais de mim. Finalmente livre. Não aguentava mais ter que ser odiada por toda a população feminina do colégio por ficar separando ele dos beijos ou ele ficar me fazendo perguntas inconvenientes durante a aula em que eu virava sua professora.

Eu tinha marcado com os meus amigos que iria para a casa de Josh de tarde para uma tarde de pura diversão antes que a tensão das provas comece. Quando fui convidada, acabei descobrindo que o único Montez legal que eu conheço impressionantemente morava sozinho. Sendo ele mais velho que todos nós, com já quinze – quase dezesseis – anos, é de se esperar que seja mais independente, mas achei que morar sozinho foi algo meio exagerado. Quando perguntei sobre o assunto, recebi esta resposta:

– Luns, – meu apelido recentemente adquirido – aparentemente o mal dos Montez é perder a mãe aos treze anos.

Levei um tempo para compreender o que ele queria dizer e quando finalmente o fiz, arregalei os olhos levemente surpresa e decidi não tocar mais no assunto.

– Sinto muito. – sussurrei.

– Tudo bem. – ele sorriu fraco e depois disso acabamos mudando de assunto.

Não soube muito mais que isso, nem faço a mínima ideia do que ocorreu com o pai dele e por que Josh morava sozinho, mas eu realmente queria descobrir. O garoto é meu amigo e acabou me deixando bastante curiosa em relação à família do próprio.

Quando eu saía da escola para ir para o apartamento de Josh, desci pelo mesmo caminho que sempre saio, através de um corredor na parte de trás da escola. Como tinha no hall de entrada uma escada em espiral, quando se chegava ao segundo andar, já se poderia se encontrar outra escada, do outro lado. Esta me levava até a parte de trás da instituição. Onde se passa por um corredor geralmente vazio que levava até a quadra ou até a “porta dos fundos” do colégio.

Quase ninguém saía ou entrava por aquele lado e eu fazia parte desse pequeno grupo de alunos. Na verdade, eu geralmente entrava pelo hall e saía por ali porque o ponto de ônibus que eu pegava ficava por aquele lado.

Como eu descia pelas escadas vazias com um silêncio absoluto (não dava nem mesmo para ouvir os carros do lado de fora), é de se esperar que eu tome um susto ao ouvir vozes de forma tão súbita. E eram justamente as vozes de André e Alanna enquanto eu descia o último lance de escadas. Não consegui evitar tentar ser mais silenciosa para poder ouvir a conversa. Curiosidade disse: “olá”.

– Lanna, pensei que não tinha medo de ser pega pelo diretor. Por que em um lugar tão escondido? – não consegui evitar o sentimento de nojo que eu tive. Agora não posso nem mais atravessar um corredor em paz!

– Ah, você sabe, Andrézinho. Mais uma vez e eu fico sem celular. – revirei os olhos, já estava quase no térreo e logo poderia acabar com essa cena desagradável.

– Sei, sei, agora venha aqui. – que horror, finalmente eu consigo descer as escadas e o que eu encontro? Uma competição para ver quem engole quem ali. É uma coisa maravilhosa de se assistir para não dizer o contrário.

A bela cena que eu presenciei contava com um André cego, porque ficava apalpando todo o corpo da garota (inclusive dentro da blusa) como se não pudesse enxergar enquanto Alanna se empenhava em desafiar a lei da física que dizia que dois corpos não podem permanecer em um mesmo espaço.

Parei onde estava por um momento com uma sobrancelha erguida. Um pouco mais de pudor não faz mal a ninguém. Revirei os olhos, suspirando. Já não basta ter que fazer isto toda terça e quinta ainda teria que perder o meu tempo os ensinando a ter o mínimo de educação?

De braços cruzados, me aproximei dos dois e os separei já irritada. Os pareceram ficar entorpecidos por um momento, mas logo os olhares de raiva foram direcionados para mim.

– Falando sério, qual o problema de vocês? Eu sinceramente não vim para a escola para ficar vendo pornografia e estou sem nenhuma paciência para isso então se vão fazer qualquer coisa, vão para um lugar mais reservado. Conhecem a palavra cama? Sabe, aquele objeto que vocês usam para dormir? Vou contar um segredo: pode ser usado para o que vocês estavam fazendo aí também. – fiz uma falsa expressão surpresa e os olhares por parte da garota se intensificaram. O jovem de cabelos negros riu. Depois eu digo que é anormal e ninguém acredita.

– Olha aqui, sua... – logo a interrompi.

– Alanna, o mínimo direito que eu tenho é o de sair da escola em paz, portanto eu não poderia deixar que uma visão desagradável atrapalhasse esse momento. – descruzei os braços e ajeitei a mochila nas costas. – Se me dão licença, bêbado e senhorita Andrézinho, passarei o resto do meu dia em paz.

Eu acho que estava meio suicida naquele dia. De qualquer forma, saí do local e fui direto para o ponto de ônibus para finalmente poder chegar à casa de Josh e me divertir um pouco com meus amigos. Após chegar, eu subi e já todos estavam lá, apenas esperando por mim.

– Demorou. – disse Daniel saindo da cozinha com um prato de pizza em mãos.

– O idiota do André de novo. – suspirei, colocando minha bolsa em cima do sofá. – Pizza no almoço? Que feio... Eu quero.

Rindo, fui atrás daquela comida dos deuses e ao voltar, Josh deu um sorriso debochado para mim enquanto se esparramava no próprio sofá.

– Já ouvi a expressão “o idiota do André” bastante esses dias. – dei uma careta.

– Que absurdo, Josh. Não pense mais besteiras como essa. – comi um pedaço de minha pizza enquanto ele ria.

– Não falei nada.

– Mas pensou.

– Luna Martins, a leitora de mentes. ­– dei a língua para o Daniel morrendo de rir do outro lado da sala.

– Mas falando sério, você faria muito bem para ele. — intrometeu-se Lizzie na história enquanto saía do banheiro. Olhei-a torto.

– Srta. Elizabeth, aquele ser não tem mais solução. ­– mordi outro pedaço em procura de alimento para meu estômago faminto. Josh deu uma careta.

– Ah, Luns, você é a única de nós que tem algum contato com ele. Não faria mal se tentasse ajudá-lo. – já ouvi essa conversa antes...

– Por que você está tão empenhado em me fazer começar a ajudá-lo?

– “Ohana significa família e família significa nunca abandonar ou esquecer.” – as pessoas da sala formaram um coro de risadas com a menção a Lilo & Stich.

– Responda-me seriamente, Josh. – sentei no sofá e ele colocou as pernas em meu colo. Revirei os olhos e empurrei esse peso de cima de mim. O garoto suspirou.

– Bem, ele é praticamente minha única família. Quase não encontro meu tio e com meus pais mortos... – Pais mortos? Parecia haver uma interrogação colada em minha testa, porque ele logo se lembrou do pequeno detalhe de eu não fazer ideia do que ele está querendo dizer. – Ah é, você não sabe.

É, eu não sabia de muita coisa. Saber que os dois estavam mortos me abalou um pouco. Já não consigo imaginar como deve ser ficar sem um, imagine sem os dois.

– Bem, meu pai sofreu um acidente de carro quando eu tinha três anos. Minha mãe fez o possível para cuidar de mim, mas também acabou falecendo quando eu tinha treze. – eu percebi que ele tentava falar de uma forma natural, mas deu para sentir a tristeza ao anunciar tais fatos. – Antes disso, ela conseguiu me emancipar e cá estou eu.

Minha expressão era preocupação pura.

– Sinto muito, Josh. – ele esboçou um sorriso.

– Está tudo bem. Eu consigo me virar, mas André não. Eu queria que você o ajudasse porque é minha família e ele era um cara legal antes de tudo isso acontecer. Você tem mais chances que nós.

Todos permaneciam em silêncio perante aquele momento. A partir disso, soube que a vida dos Montez pode possuir bem mais do que se imagina. Saber que Josh é emancipado e perdeu os pais tão cedo me abalou, mas também me fez perceber o quanto ele foi centrado e maduro com essa situação. Portanto, decidi ajudar o jovem atualmente perturbado a melhorar seus modos e sentimentos. Eu havia feito uma grande besteira com isso, sabia que iria me arrepender, mas continuei com essa ideia em mente. Eu ajudei André Montez. Pode ter certeza que não foi uma das melhores escolhas que eu fiz.

Notas finais
Então, é isso. O que acharam da história do André e do Josh? Meio triste? André pegador, coitada da Luns. Será que ele se ajeita? kkk