“Você...”

1 “Qual o seu tipo, então?”


Notas iniciais
Hey everyone! Bom gente, não estou acostumada a escrever one-shots. A minha única história publicada no site é uma long fic beeem longa mesmo (https://fanfiction.com.br/historia/626197/School_Days/) de 125 capítulos. Portanto, qualquer crítica ou dica é bem-vinda nos comentários. Espero que gostem, de qualquer forma! ♥

Gostar de alguém que não sente o mesmo é difícil, sim, mas a situação se torna ainda pior quando se é um adolescente gay em uma cidade do interior que, por alguma razão, havia “escolhido” justo seu melhor amigo para se apaixonar.

Por quê?

Se lhe perguntassem, Pedro não saberia ao certo como responder. Já não sabia mais como era não estar apaixonado por ele. Enrique era, a seu ver, a pessoa perfeita. Como não amá-lo? Era impossível! Gentil, carinhoso, inteligente, divertido, fofo... E o mais importante, livre de preconceitos. O outro sabia sobre sua sexualidade e não o julgava por isso. Inclusive, o defendia sempre que algum babaca tentava agredi-lo, verbal ou fisicamente.

Isso sem mencionar beleza inegável do rapaz. Um rosto devidamente emoldurado, com traços muito bem desenhados, que levavam ao equilíbrio perfeito entre a virilidade e a inocência. Os olhos verdes eram hipnotizantes, acabava sendo impossível não perder-se neles vez ou outra quando conversavam. O corte desconexo com franja do cabelo castanho-escuro acabava sendo o complementar perfeito a todas aquelas características, pois dava a ele o ar mais despretensioso e natural possível.

Tudo em seu amigo o atraía, desde a aparência digna de um astro de Hollywood— ao menos, em sua cabeça – até o jeito meigo, atencioso e, por vezes, exageradamente protetor. Amá-lo era algo tão natural que não havia uma explicação lógica. E Pedro não precisava de uma.

— Ei! – Enrique o chamou, estalando os dedos para chamar sua atenção. – É impressão minha ou não ouviu nada do que eu disse?

Hum? – Murmurou, ainda “voltando à realidade”. Demorou alguns segundos para que percebesse de fato que, mais uma vez, havia se abstraído do mundo real, ao observá-lo. – Ah... Desculpe. Eu me distraí.

— Eu percebi. – Um sorriso se formou nos lábios do alguns meses mais velho, Pedro sorriu de volta. – E sabe o que mais eu percebi?

— O quê?

— Aquele cara, ali atrás... Não para de olhar ‘pra você.

Pedro revirou os olhos, mentalmente. Estava aí um dos poucos – talvez o único relevante – defeito do amigo: estar sempre tentando lhe arranjar alguém. tinha aquela ideia besta de que ele precisava de alguém que o fizesse feliz. “Você me faz feliz”, era o que tinha vontade de dizer todas as vezes, mas claro que não o faria.

— Talvez ele esteja olhando ‘pra você. – Sugeriu, divertido.

Bem provável. Eu sou mesmo um gato... – Enrique disse, convencido. – Mas falando sério agora cara, ele está olhando ‘pra você. Deve estar interessado. Por que não vai falar com ele? Já o vi por aqui algumas vezes, parece ser um cara legal.

Pedro olhou então para o lado, e o tal garoto sorriu para ele. Até pensou em ir falar com ele, mas acabou desistindo da possibilidade. Não achava que o método “a melhor forma de esquecer alguém é ficar com outra pessoa” funcionaria em seu caso. Com tal conclusão, desviou o olhar.

— Não sei não... Ele é até bonitinho, mas não faz meu tipo.

Enrique riu. Uma risada simples e discreta e o menor se perguntou qual a graça no que havia dito, mas nada contestou, apenas manteve os olhos fixos nele, tentando entender a situação. Notando a confusão estampada na face do amigo, ele decidiu se explicar:

— É que você sempre diz que eles não fazem o seu tipo.

— Porque não fazem. – Foi a “justificativa” de Pedro.

Enrique então ergueu uma sobrancelha e pôs-se a encará-lo, cheio de curiosidade.

— Qual o seu tipo, então?

Pedro corou. Ter os belos olhos do amigo focados completamente em si sempre o deixava constrangido. Sem falar naquela pergunta tão simples que tinha apenas uma resposta...

“Você...”

Ah, sei lá. – Deu de ombros.

Enrique abriu a boca para dizer algo, mas não teve tempo.

Amor! – Sophia, sua namorada, vinha na direção deles, com um largo sorriso.

Pedro pôde, pela enésima vez, presenciar o brilho no olhar de seu amigo, ao vê-la. E logo, o viu dar a ela o único sorriso que jamais teria: o apaixonado. Assim que ela alcançou a mesa em que se encontravam, o casal trocou um selinho demorado, forçando-o a olhar para o outro lado.

— Oi, Pedro! – Sophia o cumprimentou, educadamente. – Como vai?

Ótimo. – Forçou um sorriso.

“Seja legal.”, disse para si mesmo. Não tinha raiva da garota, ou nada assim, apenas um pouquinho de... Inveja. Desejava ter a chance de estar no lugar dela, ao lado do mais velho. No entanto, se ela o fazia o feliz, faria um esforço para ficar feliz também. Afinal, acima de tudo, Enrique era seu melhor amigo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!