APARTAMENTO DE FERNANDO...

— Ora...ora quem resolveu aparecer.

— Não disse que teria notícias minhas...Camila fala já invadindo o apartamento.

— Então desembucha logo, o que quer? Por quê caralho fica me enviando aquelas mensagens?

— Pensei que tinha ficado claro, quero dinheiro!

— O que?

— Isso mesmo depois de tudo o que aconteceu o único que saiu ganhando foi você, voltou a ser o garotinho mimado, o queridinho do patrão e pra mim o que sobrou? NADA! Por sua culpa perdi meu emprego, minha credibilidade, não consigo um trabalho digno que me permita manter o padrão que tinha antes, desde então me sustento desempenhando funções medíocres, praticamente tem sido assim minha vida enquanto você se aproveita das benesses do cargo que ocupa.

— Minha querida não vejo em que posso ajudá-la, não tenho dinheiro pra lhe dar, sinto muito mas não está em minhas mãos mudar sua atual situação.

— Ahhh meu amor...Camila sussurra aproximando-se de Fernando e ficando a escassos centímetros de distância dele fazendo com que sua respiração o atinja, ele apesar do tempo não se mostra indiferente àquela mulher, Camila sorri ao perceber o efeito que ainda tem sobre seu ex-amante...

— Aí é onde você se equivoca, tenho provas dos negócios escusos referentes aos contratos do CONSÓRCIO MENDONÇA, imagina a decepção do velho quando souber das armações que o pupilo dele andou fazendo na surdina...aquela declaração faz Fernando tremer na base e engolir em seco, reage de forma agressiva segurando Camila pelos braços, aquela excitação que antes brilhava em seu olhar agora se transforma em uma expressão de fúria.

— Cuidado...cuidado Camilinha sabe que comigo não se joga.

— Não estou jogando Fernandinho...fala no mesmo tom, solta-se das garras de Fernando com firmeza sem demonstrar o mínimo de medo e acrescenta com ironia...- Caramba querido suas maneiras mudaram muito, antes seu tratamento comigo era mais delicado...sorri...- Aliás depois do que aconteceu ainda acreditei que iria me procurar em nome dos bons tempos e me ajudaria, fui uma idiota mesmo, pensei em me vingar com o que tinha, já poderia ter tomado essa atitude mas temi porque sei do que é capaz, agora você não me assusta mais, nada como fazer boas alianças...bem já dei meu recado preciso de dinheiro e rápido, estou farta dessa pobreza quero a parte que me cabe do que lucrou, aí deixo você em paz e pode esquecer que eu existo...conclui enquanto se encaminha à porta de saída...- Então pense bem conheço esse brilho que tem nos olhos e advirto...não me ameace e nem tente nada contra mim, isso pode sair muito caro pra você, tenho cópia de tudo e se algo me acontecer todas as provas chegarão irremediavelmente ao seu destino...dito aquelas últimas palavras deixa o apartamento e um Fernando completamente aturdido.

RESIDÊNCIA DOS MENDONÇAS...

— Não podemos revelar nada, vamos senhora?

— Sim...sim...va...vamos...Catarina traga minha bolsa por favor...pede nervosa, uma vez que a governanta retorna Sandra acompanha os homens até o carro onde é gentilmente auxiliada ao entrar, ela está visivelmente atordoada, por sorte o trânsito parece colaborar e rapidamente chegam ao seu destino.

DEPENDÊNCIAS DO INSTITUTO DE MEDICINA LEGAL...

Ao chegar ao IML Sandra escoltada pelos oficiais encaminha-se à área onde é realizado o reconhecimento dos corpos, no trajeto ao necrotério ela é tratada com amabilidade, eles tentaram ao máximo amenizar as constrangedoras circunstâncias nas quais o grande Mário Mendonça foi encontrado morto.

— Nos acompanhe por favor...Sandra observa a porta que precisa atravessar e seu coração dispara, as mãos umedecem com o suor frio, a passos lentos aproxima-se da estrutura metálica que contém vários cubículos, um dos homens a espera no final, por segundos suas pernas se negam a avançar, talvez não esteja preparada para revelar a identidade daquele que ali jaz.

— Não...não...eu...eu não posso fazer isso, não posso!

— Sentimos muito dona Sandra mas é necessário...o oficial conduz a mulher até onde está o corpo inerte do marido, ela leva as mãos à boca como que para calar o grito que escapa, seus olhos enchem-se de lágrimas ao ver o companheiro de tantos anos deitado sem vida.

— MÁRIO! É a única coisa que consegue dizer antes de perder a consciência e desmaiar, imediatamente é retirada do local e levada a fim de receber atendimento médico. Depois de recuperada os homens que estiveram com ela até aquele momento lhe perguntam se deseja chamar alguém pra acompanhá-la, num primeiro momento pensa em Clara mas lembra do seu estado, definitivamente não é uma boa ideia, então decide que seus filhos Roberto e Mário são as companhias mais adequadas naquela situação. Ao serem informados do ocorrido os dois ficam arrasados, Mário diligentemente assume o controle de tudo, toma todas as providências quanto às formalidades para a liberação do corpo, velório e funeral. Como era de se esperar o falecimento do conhecido empresário causa grande alvoroço na imprensa principalmente motivado pela causa morte.

HORAS ANTES EM UM MOTEL DA CIDADE...

Um casal está na cama degustando um legítimo Moët & Chandon.

— Querido adoooro quando fazemos esses programas, muito sexo e uma boa bebida acompanhada desse delicioso manjar.

— Ah meu amor tudo isso ainda é pouco pra você, a responsável por me fazer esquecer a pressão do dia a dia, dissipar meu estresse, me proporcionar tanto prazer...neste momento seu celular começa a tocar, levanta-se e afasta-se um pouco, enquanto Mário atende à ligação a jovem sorrateiramente retira sob o travesseiro um pequeno envelope cujo conteúdo é um pó de cor azul, no caso um comprimido de viagra que foi triturado pra rapidamente ser dissolvido na bebida do empresário. Quando encerra a conversa e regressa à cama para extasiado observando aquela mulher escultural com quem há algum tempo mantém um relacionamento paralelo, é a sua deusa negra que o enlouquece, tomando um gole do seu champanhe a amante se mostra sedutora, de onde está convida o companheiro fazendo sinal com o dedo indicador pra que se aproxime, sem hesitação Mário atende ao irresistível pedido e começa a beijá-la lascivamente, seu coração acelera sentindo o líquido frio descer pela garganta, o beijo se torna mais voraz, apalpa e suga aqueles seios fartos e rijos, depois de uns minutos sente que seu membro vai ganhando uma ereção rápida, sem cerimônias se posiciona sobre a jovem mulher e a penetra com vigor movimentando freneticamente o corpo incentivado pelos gemidos da companheira de cama, de repente Mário começa a respirar de forma agitada, seu rosto muda de cor ficando num vermelho intenso até que cai inerte sobre a negra que mostra-se também paralisada.

— Oh meu deus Mário! Mário! Ela tenta reanimá-lo, chamar sua atenção mas o homem não demonstra nenhuma reação, seus gritos aumentam percebendo que ele mantém-se com os olhos abertos mas completamente imóvel...- Querido...querido...sacode o corpo sobre ela num último sopro de esperança....- Oh não! Nããão! Está morto!

DIA SEGUINTE...NOTICIÁRIO:

O meio empresarial foi tomado de perplexidade com a notícia da morte súbita e em circunstâncias estranhas do renomado empresário Mário Mendonça. Fontes extraoficiais nos informaram que o mesmo faleceu vítima de ataque cardíaco fulminante quando estava em companhia de uma mulher num motel do Rio de Janeiro, cogita-se ser sua amante cujo nome ainda é desconhecido. A família enlutada não quis se manifestar sobre o assunto. O distinto empresário sempre notabilizou-se por seu conservadorismo, defesa da família, da moral e dos bons costumes. Pelo o que foi apurado o contraditório Mário Mendonça não seguia assim tão à risca seus princípios. Aguardamos por maiores esclarecimentos...

REDAÇÃO DA REVISTA...

Depois de refletir sobre a intimação que recebeu e o quanto aquilo afetaria negativamente a revista Romeu resolve agir.

— Quero falar com a Vanessa, Tallyta ligue imediatamente pra ela...Romeu grita pra secretária que de imediato procura entre seus contatos o número da ruiva irritante que ela assim denominou.

— Não atende...depois de várias tentativas.

— Pois continue insistindo, vá procurá-la faça alguma coisa mas quero que a encontre nem que seja debaixo das pedras, se isso sair do controle será a nossa ruína...brada em alto e bom som.

— Já vou chefe! Calma!...a mulher sai apressada dali.

Umas horas depois Vanessa entra na sala da redação onde Romeu a espera ansioso.

— O que foi meu amigo, qual o motivo dessa agitação toda?

— O que foi? Você ainda me pergunta com essa calma.

— E como queria que perguntasse, sua assistente me procurou histérica vim tão rápido quanto pude.

— Olha isso...leia!

— Hummm...parece que está com problemas...desdenha.

— Graças a essa maldita campanha que você e seus amiguinhos orquestraram contra Marina Meirelles...o homem fala bastante nervoso.

— Calma criatura, por acaso é a primeira vez que é processado?...Vanessa pergunta com ironia.

— Minha querida uma coisa é quando isso acontece por alguma notícia equivocada que depois de um pedido de desculpas tudo se resolve ou com uma pequena quantia em dinheiro, mas você viu a cifra milionária que Marina está pedindo? E se ela ganhar...

— Sinto muito mas essa é uma questão que não me diz respeito, acione sua equipe de advogados, da minha parte nada posso fazer...depois dessas palavras Vanessa sai deixando o homem boquiaberto e possesso.

— Ahhh sua maldita você me paga, isso não ficar assim ninguém usa Romeu de Castro Santos e descarta...diz entredentes enquanto vasculha uma das gavetas em busca do registro de uma conversa gravada com a ruiva...- Não é somente você que sabe jogar pesado também sei usar de golpe baixo.

ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA...

— Então Sra. Marinelli o que deseja?

— Joanne por favor, quero mover uma ação judicial contra Marina Meirelles.

— Sim mas pode ser mais específica, do que se trata?

— Bem Dr. Mendes seria um processo pedindo a custódia do meu neto, como o senhor poderá ver quando analisar esses documentos acredito que temos condições de fazer essa solicitação o que acha?

— Definitivamente você deve ter investido muito tempo nesse dossiê, me surpreende o quão foi metódica fazendo a compilação de todo o material.

— Com o tempo vai aprender uma coisa a meu respeito...faz uma pausa dramática fingindo estar emocionada...- Eu sempre vou atrás do que quero...a voz falha...- Agora o que mais desejo é meu neto vivendo comigo...os olhos brilham pelas lágrimas não derramadas...- Não posso permitir que o último legado de minha filha fique sob a guarda daquela depravada, uma mulher capaz de destruir um lar feliz pra satisfazer seus mais baixos e imorais instintos...durante uns momentos Joanne Marinelli e Jonas Mendes se analisam, Joanne apostando que seu calculado teatro de avó preocupada tenha convencido o sagaz homem das leis que está sentado diante dela olhando-a fixamente, por seu lado Jonas percebe que a voz da delicada senhora denota uma grande inquietação com o futuro do neto querido, assim sendo toma uma decisão.

— Muito bem Joanne vou aceitar o caso, como falei aqui está reunida muita evidência que nos ajudará na ação, me atrevo a afirmar que uma vez analisados todos os argumentos e com uma boa motivação acredito que um juiz não deixará o garoto a mercê dessa mulher.

— Sério?...um grande sorriso estampa o rosto da velha senhora, o advogado não perde nenhum detalhe das suas expressões e sente-se satisfeito ao notar como o semblante dela muda radicalmente transparecendo euforia.

— Claro que sim, com toda a experiência acumulada nestes casos posso afirmar peremptoriamente que terá seu neto de volta, além do mais durante todos esses anos que exerço a profissão me cerquei de bons amigos, posso dizer que tenho alguma influência e com os contatos certos conseguirei pra que o processo seja designado a um juiz amigo, no mais será só uma questão de tempo.

— Ohh Dr. Mendes essa é a melhor notícia que eu poderia receber...diz exultante.

APARTAMENTO DE JUDITH...

Logo que Giselle saiu de seu apartamento Judith ficou muito reflexiva, a forma com que a empresária falou com ela foi demasiado contundente, não havia mais lugar pra dúvidas, o amor de Gi por Flávia está muito além de qualquer lógica, como se houvesse lógica no amor...fala pra si mesma, de tudo o que ouviu o que mais lhe doeu foi Giselle dizer que mesmo se separando de Flávia nem assim reataria com ela, aquilo foi demais, destruiu qualquer esperança de reconquistar a empresária, definitivamente aquela mulher não era pra ela...concluiu e neste mesmo instante decidiu que o melhor a fazer era afastar-se, pensando assim entrou em contato com alguns amigos que moram em Belo Horizonte.

NA CRECHE...

— Mas Judth você tem certeza?

— Sim senhora diretora estou mais que segura disso, é uma decisão irrevogável.

— Ohhh querida Belo Horizonte é tão longe.

— Exatamente por isso que pretendo me mudar, no momento estou numa situação difícil e não quero entrar em detalhes, preciso na verdade respirar novos ares.

— Infelizmente vamos perder nossa melhor professora mas como você mesma disse que será melhor assim quem sou eu pra impedi-la.

— Meus amigos que moram lá podem me ajudar a encontrar um bom emprego, de fato acho que já tenho um...diz sorridente.

— Ohh minha menina...a diretora levanta-se da cadeira e vai até onde está Judith abraçando-a afetuosamente...- Saiba que tem nosso total apoio, não imagino o que a fez tomar essa decisão mas tenha certeza de que se quiser retornar aqui estaremos esperando de braços abertos.

— Muito obrigada!...diz com a voz chorosa.

— Quando pensa em nos deixar?

— Na próxima semana estarei partindo, só lhes darei o tempo suficiente para que consigam uma substituta, não quero deixá-los na mão.

— Agradeço por isso, bom só me resta desejar toda a sorte do mundo neste novo caminho que decidiu seguir, que seja muito feliz...as duas mulheres se despedem com outro abraço.

EMPRESAS MENDONÇA...

Fernando caminha nervoso em sua sala, realmente a morte de Mário se converteu num acontecimento com o qual nem em um milhão de anos iria prever. Este fato atinge seus planos consideravelmente fazendo com que fiquem sob uma nova perspectiva, afinal perdeu um dos seus principais aliados na sua cruzada contra Clara e Marina. Tudo ficou estagnado desde a morte do empresário, o consórcio entrou em baixa atividade, todos esperam as mudanças que certamente virão, acredita que os filhos assumirão o controle do conglomerado, de qualquer forma não estará numa situação muito favorável. Inegavelmente sempre teve um excelente relacionamento com o patriarca beneficiando-se de várias prerrogativas, era seu genro e protegido, mesmo quando cometeu erros e foi afastado do grupo não demorou a ser reintegrado, claro havia interesses de ambas as partes além da posição que ocupava sendo praticamente seu braço direito. Entretanto agora com o falecimento de Mário o destino das empresas é uma incógnita, natural que o primogênito assuma a presidência e com ele ou Roberto certamente Fernando não terá os mesmos privilégios.

RESIDÊNCIA DOS MEIRELLES...

Em Santa Teresa a família está reunida conversando amenidades, desde que Mário morreu Sandra recusou-se a permanecer morando na casa em que passou grande parte da sua vida ao lado do marido, dizia que ali não era um lar como ela pensava. Sabia que o homem não era um santo só não imaginou que fosse uma pessoa tão sórdida capaz de manter uma relação fora do casamento. Por um lado apregoava ao mundo aquela falsa moralidade e valores tão arraigados por outro era um adúltero convicto, quanta hipocrisia num ser humano, de imediato tudo o que viveu naquele lugar deixou de ter sentido, valor, estava enojada e arrasada como aquele castelo de areia desmoronou diante dela, decidiu então sair dali, recolheu uma parte de suas roupas e foi ao único destino no qual se sentia em um verdadeiro lar, embora seus filhos tenham protestado alegando que deveria ficar com eles Sandra permaneceu firme e manteve sua decisão de ir morar com os Meirelles definitivamente Clara, Marina, Diogo e a coisinha se converteram em seu refúgio.

— Obrigada Marina por ter me acolhido aqui.

— Ah Sandra nem diga isso por favor, seja bem-vinda a casa é sua, agora tenho tudo o que desejo, Clara que é minha razão de ser, meus filhos e a vida me presenteou também com uma mãe pois quer você queira ou não agora terá que me adotar...diz brincando.

— Marina é uma dádiva tê-la como filha me considero uma pessoa abençoada, o mínimo que posso fazer é agradecer, por seu intermédio minha menina alcançou a felicidade de realizar o sonho da maternidade, de ser verdadeiramente amada e embora as coisas tenham se tornado um pouco difíceis todos os obstáculos vão sendo vencidos passo a passo, garanto que Fernando não perde por esperar, tenho algo preparado pra ele.

— Isso é sério Sandra?...Marina pergunta intrigada.

— Claro que sim minha querida.

— Fiquei curiosa agora vai ter que me contar.

— Ahh não se preocupe você saberá no momento oportuno, muito em breve nosso querido Fernando terá uma grande surpresa...diz com entusiasmo...- Assim conseguiremos frear de vez os avanços daquele desgraçado, vagabundo sem ofício...tanto Marina como Sandra caem na gargalhada é a primeira vez que a produtora vê aquela senhora tão à vontade, transluzindo leveza.

— Oláááá pelo visto estão se divertindo bastante, qual foi a piada mesmo de longe se escutam as risadas das duas...Clara aproxima-se animadíssima unindo-se a dupla na área da piscina.

— Que nada amor estamos só falando bobagens pra descontrair...responde Marina que de imediato ajuda sua mulher a sentar-se.

— Como se sente filha?...Sandra pergunta é a típica preocupação de mãe.

— Estou bem madrinha e a senhora como está em meio a esse vendaval de acontecimentos?...depois de tudo ainda não conseguimos conversar sobre o assunto.

— Não sei como definir mas posso dizer que me sinto diferente...Sandra compartilha um sorriso cúmplice com Marina, a troca de olhares entre as duas mulheres de sua vida não passa despercebido por Clara que decide fazer-se de desentendida sabe que não vão lhe contar nada.

— Em breve teremos o aniversário de Diogo e embora ainda não saiba o que fazer com certeza não estou disposta a realizar uma grande festa, quero algo mais íntimo, em família...Marina manifesta-se.

— Concordo amor vamos pensar nisso com calma.

— Será o primeiro aniversário com meu neto...Sandra fala emocionada.

EMPRESAS MENDONÇA...

Com o passar do tempo as coisas vão se organizando depois da morte de Mário, com o apoio de seus filhos Mário e Roberto que articularam com outros acionistas, Sandra assumiu a presidência do Grupo Empresarial Mendonça. A notícia caiu como uma bomba entre os executivos que ficaram atônitos com a decisão, como uma simples dona de casa poderia conduzir os destinos daquele sólido império edificado com punhos de ferro pelo grande Mário Mendonça. Evidentemente Fernando foi um dos que seria tomado pela perplexidade, imaginava que seu patrão deveria estar se contorcendo no túmulo com aquela mudança radical nos rumos da empresa, isso só aumentou sua insegurança pelo o que estava por vir. Diante dos últimos acontecimentos em que esteve envolvido como sua batalha nos tribunais por conta do divórcio litigioso, além da exposição negativa na mídia a que foram submetidas Clara e Marina orquestrada por ele certamente Sandra não iria contemporizar agora que detinha o poder em suas mãos. Apesar das desconfianças iniciais a matriarca mostrou ter tino para os negócios, cercou-se da sua prole, de assessores fieis e competentes que a auxiliaram na tomada de decisões importantes. Nascia uma nova mulher, forte, determinada, empreendedora e articulada. Sandra não era só uma dona de casa submissa, tinha formação em Administração, era culta, bem informada, no seu tempo livre não apenas cultivava flores e cuidava da casa, lia muito e através dos filhos se inteirava dos assuntos da Empresa. O escândalo que se abateu sobre sua família com a morte de Mário em circunstâncias tão bizarras, noticiada em toda a imprensa maculando a imagem de um casamento longevo e feliz, ferida em sua dignidade com a traição exposta em público, o apoio incondicional e incentivo de Clara, Marina e Rita, além dos filhos funcionaram como uma mola propulsora pra que desse uma guinada na vida e resolvesse assumir a direção do Grupo Mendonça. Tal e qual uma fênix Sandra renascia das cinzas essa era a simbologia que a representava naquele momento. Ela agora é a responsável por administrar os recursos, os acionistas, além de determinar o que continua ou não sendo realizado nas empresas, pelas estratégias que irá assumir como forma de dar prosseguimento ao trabalho ou como mudança de ação.

Sozinho em sua sala e tomando seu whisky predileto Fernando só tem motivos pra lastimar-se.

— Merda!...desde que aquela maldita velha tomou o controle dos negócios meu poder aqui dentro ficou muito reduzido, agora vigiam todos os meus passos, questionam minhas decisões, como se atrevem a rever minhas negociações, estou acuado numa gerência onde não tenho autonomia e nem autoridade...- Ahhhh Mário por quê você foi morrer e me abandonar aqui neste covil de feras?

NO FÓRUM – VARA DE FAMÍLIA...

Giselle e Flávia entram na antessala do juiz que homologará a sentença, por fim terminará o pesadelo da morena que está a escassos minutos de converter-se numa mulher completamente livre e assim realizar seu sonho de tornar-se a senhora Vieira, as duas entram de mãos entrelaçadas e se encontram com o desagradável Murilo.

— Vejo que se tornaram inseparáveis...o rapaz fala ironicamente.

— Não nos provoque Murilo...Giselle adverte com firmeza.

— Por acaso tem medo que sua queridinha Flávia mude de ideia e queria reatar comigo?

— Cala a boca idiota, jamais voltaria com você nem que fosse a última pessoa na face da terra.

— Murilo...a empresária tenta controlar a raiva falando entredentes chamando a atenção do rapaz, sabe que ele gosta de provocá-la, que sente prazer em causar problemas entre ela e Flávia, antes que Murilo possa dizer mais alguma coisa o juiz entra na sala, é seguido pelas partes envolvidas e seus representantes.

— Bom dia!...já que estão todos aqui advogados comecemos...depois de iniciar o protocolo onde o magistrado tenta pela última vez fazer-lhes reconsiderar a decisão e ao receber de ambos a ratificação do que foi acordado ou seja de separarem-se legalmente procedem com a assinatura dos documentos necessários para oficializar a liberdade de Flávia, uma vez concluídos os trâmites o juiz antes de deixar o recinto aperta as mãos dos presentes, todos recebem cópias dos papeis, enquanto o advogado de Murilo conversa com seu cliente em um canto o de Flávia faz o mesmo em outro lugar.

— Bem agora você é uma mulher completamente livre!

— Oh meu deus nem acredito...Flávia está eufórica com o resultado do processo...todos saem e o grupo se encontra do lado de fora

— Obrigada Armando e parabéns pelo brilhante trabalho.

— Não me agradeça ainda Giselle espere quando chegar a fatura...diz sorrindo.

— Pode me cobrar o triplo, quintuplicar seus honorários...nada...absolutamente nada tem tanto valor quanto isso.

— Bom entraremos em contato, durante a semana enviarei os documentos é um trâmite legal, digamos pra oficializar a decisão tomada aqui hoje.

— Perfeito!...concorda Giselle.

— Vamos amor quero comemorar minha liberdade...Flávia está em estado de graça.

— Vamos então!

As duas mulheres saem sem perceber a fúria desenhada nos olhos de Murilo que imediatamente as segue, fora do prédio Flávia lança um grito no ar.

— SOU LIVREEEEEEEE! LIVREEEEE!...a atitude da morena chama a atenção de vários funcionários e transeuntes quem estão próximos ao prédio, ela se joga nos braços de Giselle que sorri encantada ao vê-la tão feliz....

— Amor você está linda com um brilho diferente no olhar.

— É porque estou muito feliiiiiiiiz! Giselle Vieira sabe o que isso significa?...a empresária balança a cabeça respondendo negativamente...- Significa...continua aproximando-se perigosamente, passando os braços pelo pescoço da noiva e encostando o rosto nos lábios dela.

— O que?...Giselle sussurra com a respiração agitada, aquela mulher sabe como descontrolá-la.

— Que eu sou completamente livre para me tornar legalmente sua mulher, unem os lábios e compartilham um beijo apaixonado.

— Acho que deveriam guardar essas demostrações de falta de vergonha pra quando estiverem a sós, é de muito mal gosto tem gente aqui olhando, que comportamento mais ridículo...Murilo implica fazendo com que o casal se afaste...- Giselle preciso falar com você.

— O que quer?

— É uma conversa entre mim e você...o rapaz fala num tom provocador.

— Não escondo nada de Flávia, o que tiver que dizer que seja agora e na frente dela

— Tem certeza que não há segredinhos entre as duas?...Murilo destila mais uma vez seu veneno.

— Do que está falando?...a morena pergunta desconfiada ao escutar aquela insinuação.

— Então Giselle vamos ou não bater um papinho?

— Giselle!...Flávia fica sem entender.

— Nos dê um momento vou resolver isso...a empresária pede enquanto coloca a mão nos ombros da morena.

— O que está acontecendo amor?

— Nada importante...depois eu explico ok?

— Mas...

— Confia em mim por favor...logo se volta pra Murilo.

— Estou esperando...o rapaz faz um gesto dando passagem a Giselle que se adianta uns passos...- Se fosse você não confiaria tanto...diz pra Flávia.

— O que quer seu infeliz?...a empresária pergunta furiosa.

— Quero mais dinheiro...fala cinicamente.

— O que?...indigna-se.

— Se não ouviu direito eu repito, QUERO MAIS DINHEIRO!

— Por acaso 10 milhões não foram suficientes?

— Minha cara automobilismo é um negócio que demanda muita grana, assim sendo pra manter minha boca fechada vou precisar dessa quantia.

— Definitivamente você só pode estar louco.

— Acho que não, se deseja permanecer nessa relação com a mulher que era minha vai ter que comprar meu silêncio.

— Sobre o que ele está falando?...Giselle e Murilo não perceberam que Flávia aproximou-se o bastante pra conseguir ouvir tudo.

— Amor...

— O que se passa aqui?

— Pelo visto não sabe de nada....Murilo sorri antecipando o prazer de desmascarar Giselle diante de Flávia, era o seu objetivo desde o início imaginou que não teria êxito em extorquir mais dinheiro da empresária.

— O que eu não sei?...Flávia pergunta olhando de um para o outro... Murilo estampa um sorriso vitorioso enquanto Giselle fica completamente sem ação pois não esperava que o rapaz iria abrir a boca, sabe que aquela revelação terá consequências devastadoras em seu relacionamento

— Bom vamos resumir em poucas palavras, se estamos divorciados hoje é porque Giselle comprou sua liberdade.

— O que?...a morena demonstra toda sua perplexidade, não pode acreditar no que acaba de escutar.

— Flávia...amor...Giselle dá um passo na direção da mulher que tanto ama.

— Não! Não se aproxime...o brilho que antes estava ali agora se transforma num olhar frio e cheio de desprezo...- É verdade o que esse verme acabou de afirmar?...a empresária não consegue encarar a noiva, sabe o quanto está sendo doído, que ela está sofrendo.

— Eu...

— Você me comprou...me comprou como se eu fosse um...um objeto...conclui a duras penas.

— Nãããão...jamais pensei isso!...Giselle desespera-se.

— E o que devo achar dessa armação toda? Me diga?

— Bom...Murilo começa a falar.

— Cale-se seu cafajeste já não causou bastante prejuízo, agora sai daqui não quero ver essa sua cara asquerosa nunca mais...diz afastando-se, corre até alcançar Flávia que havia saído em disparada, a segura pelos braços e tenta argumentar fitando-a nos olhos...- Não...não me deixe, eu amo você, posso ser culpada de muitas coisas, sim comprei sua liberdade mas não porque a considerasse um objeto, jamais a rebaixaria a isso, eu somente fiz o que achava certo pra que aquele desgraçado nos deixasse em paz pra que pudéssemos ser felizes juntas, se tivesse que mover céus e terras para tê-la o faria mil vezes porque você é minha vida, a mulher que amo e com quem decidi passar o resto dos meus dias, se não pode enxergar isso, se é tão cega a esse ponto não posso fazer nada por mais que a ame...Giselle desaba diante da reação de Flávia...- Faça o que tem que fazer!...a morena desvencilha-se das mãos da empresária deixando-a sozinha completamente derrotada e em lágrimas.

NO BISTRÔ...

Depois dos acontecimentos recentes, primeiramente a felicidade pela homologação do divórcio, depois a revelação de como ele foi negociado, as condições que Murilo aceitou pra assinar os documentos da separação, Flávia sentia-se num turbilhão de emoções, foi da completa euforia à decepção. Dirigiu-se ao Bistrô e não quis conversar com ninguém, apenas ficar sozinha com seus pensamentos, aproveitou pra fazê-lo no seu cantinho no terraço onde tinha uma bela visão da cidade maravilhosa. Lembrou-se de tudo o que ela e Giselle passaram pra chegar àquele momento, da abnegação da empresária que sempre a amou mas sufocou seu sentimento por tanto tempo. As palavras da noiva e aquela imagem de desolação não saiam de sua mente, seu coração parecia comprimido no peito, ponderou, o que Giselle fez foi tão somente para ficarem juntas, sabia da intransigência de Murilo e que ele não facilitaria em nada, certamente teriam que enfrentar um divórcio litigioso que demandaria mais tempo e desgaste emocional. Se não compartilhou com ela é porque imaginou qual seria sua reação, preferiu então omitir, não foi um erro tão grave afinal e quanto a isso poderiam conversar pois confiança é algo imprescindível num relacionamento. Definitivamente Giselle não merecia retaliação mas compreensão, aquela atitude foi por amor, pela felicidade delas, com esse pensamento Flávia abandona suas reflexões e sai em busca de sua mulher.

APARTAMENTO DE GISELLE...

Flávia entra apressada procurando pela noiva, a encontra na varanda apreciando a cidade e tomando seu scotch, o coração da morena está disparado por um momento imaginou não encontrá-la. Havia ligado para os estúdios e a assistente informou que a empresária não dera notícias, depois tentou o celular e também não obteve resposta. Ao vê-la ali de costas sem perceber que está sendo observada se entristece, parece tão desolada e solitária, aquela postura imponente que sempre a caracterizou e que tanto atrai Flávia não se faz presente, sem pensar mais corre e a abraça por trás.

— Ohhh graças a deus que está aqui.

— Flávia!...há incredulidade na voz de Giselle.

— Perdão...perdão por ser tão tonta.

— Amor...Giselle vira-se e separando-se da morena imerge o rosto entre suas mãos...- Amor não há o que perdoar, o importante é que esteja aqui comigo...sem dizerem mais nada começam um beijo ardente até que o ar lhes falte, logo apoiam suas testas e acariciam os rostos.

— Me desculpa...Flávia sussurra novamente.

— Shhhhh...Giselle arrebata os lábios de sua mulher desfrutando do sabor que tanto a seduz, sem pensar muito toma a morena nos braços e a leva para o quarto, uma vez ali um desejo desesperado apodera-se das duas, uma ânsia incontrolável de sentir o contato da pele, o calor dos corpos, com pressa se desnudam deixando as roupas espalhadas pelo chão, os beijos compartilhados são acompanhados de pequenas mordidas, chupões e carícias. A empresária assume o comando investe contra o pescoço de Flávia, desce mais um pouco alcançando os seios, chupa e mordisca um enquanto massageia o outro logo estão rijos com o toque, ela geme e sussurra o nome da amada, lentamente muda o foco e percorre um caminho na descendente em busca daquela zona tão almejada também, beija o ventre sarado até chegar ao sexo de Flávia, separa delicadamente as pernas dela e inala o cheiro que emana dali, só o ato de aspirar o aroma da morena é suficiente pra levá-la ao delírio, sua boca anseia por sentir mais uma vez o gosto da sua mulher, estimula com dedos hábeis o clitóris ao mesmo tempo que desce a língua por toda a extensão daquela vagina já lubrificada, Flávia geme e se contorce, as duas mulheres estão bastante excitadas, Giselle somente em ver a reação da noiva, ela então abandona aquela região e posiciona-se pra encaixar seus sexos, precisa senti-los em contato, remexe os quadris com frenesi no que é acompanhada por Flávia, o vai e vem é sincronizado, a fricção entre os clitóris e grandes lábios provoca sensações incríveis, adicionam beijos, acariciam os seios, os corpos flamejam, aceleram os movimentos, a excitação chega agora a níveis incontroláveis e assim as duas explodem num orgasmo indescritível que reverbera pelo quarto.

— Ahhhhhhhhh !!!!!!!!!!

Giselle cai extenuada sobre Flávia que a acolhe em seus braços, os corações ainda em descompasso, as respirações irregulares, ficam em silêncio por um tempo e logo relaxam. É naquela junção que encontram a calma, a paz, a felicidade, não há mais obstáculos que as impeçam de viver plenamente o amor.

— Amo você Giselle.

— Também amo você Flávia...muito!

ESCRITÓRIO DE JONAS MENDES...

— Estimada Joanne como tem passado?...o advogado cumprimenta a mulher.

— Eu estou bem e ansiosa, alguma novidade?

— O processo está caminhando a estas horas a senhora Meirelles já deve ter recebido a intimação.

— Sério?...Que boa notícia!

— Claro que sim minha querida, prepare-se que muito em breve terá seu neto vivendo sob o mesmo teto.

— Falando assim não tenho como duvidar, sinto-me aliviada, o senhor não tem ideia de como isso é importante pra mim, é um sonho que acalento desde a perda da minha filha amada Giovanna...Joanne mais uma vez usa da arte de representar e mostra-se emocionada.

— Acredito senhora mas não se preocupe que ele será realizado, confie em mim não sou de perder causas em que trabalho.

— Muito obrigada Dr. Mendes.

— Não seja por isso, passar bem minha cara Joanne...despedem-se e a velha deixa o escritório, internamente já canta vitória.

SANTA TERESA...

Como de hábito Clara e Helena reúnem-se na residência dos Meirelles pra discutir assuntos do trabalho, realizar a análise das finanças e discutir decisões operativas do CCAS, isso acontece desde que a morena deixou a administração do lugar, neste momento a campainha começa a tocar insistentemente tirando-as de sua concentração.

— Jesus Cristo mas quem será, por acaso o mundo está se acabando.

— EU ATENDO NÃO SE PREOCUPEM...escuta-se a voz de Marina ao longe.

— Como essa mulher é cuidadosa Clara.

— Nem me fale e agora que estamos nas últimas semanas mostra-se mais protetora que nunca, até diminuiu seus horários nos estúdios e contando com o apoio da maluquinha Giselle já imagina.

— Santo deus quisera eu ter uma mulher dessa na minha vida, caramba amiga quase chego a te invejar.

— Como?...Helena quer variar o menu?...Clara pergunta em tom provocador e as duas caem na gargalhada.

— Pensando bem acho que não, gosto muito do meu marido.

— Mas não é pra menos um homem como aquele não aparece assim tão facilmente...as amigas param instantaneamente a conversa ao escutar a voz alterada de Marina.

— FOOOOORA SAIA DA MINHA CASAAAAAA!!!

— Minutos antes...

— Marina brinca com Diogo o que já faz parte da sua rotina pós trabalho, o som da campainha interrompe aquele momento tão especial entre mãe e filho.

— Quem será a esta hora...fala com o pequeno que só a observa com aqueles olhinhos inocentes, levanta-se e aproveita pra avisar a Clara e Helena...- EU ATENDO NÃO SE PREOCUPEM...abre a porta...- Sim o que deseja?...pergunta ao homem parado diante dela.

— Você é Marina Meirelles?

— Isso...do que se trata?

— Estou aqui pra entregar-lhe isso...Marina olha para o papel intrigada.

— A senhorita precisa assinar neste local por favor...aponta.

— Quem é o senhor e o que significa isso?...a produtora questiona receosa.

— Eu sou um oficial de justiça e esse documento é uma intimação.

— Uma intimação...mas por quê?

— Meu trabalho é fazer com que receba, assine e tome ciência do conteúdo...Marina pega o papel e começa a ler rapidamente então uma onda avassaladora de fúria toma conta do seu corpo.

— FOOOOORA SAIA DA MINHA CASAAAAAA!!!...a produtora grita de imediato.

Helena e Clara saem pra verificar o que está acontecendo, Helena corre mas Clara sem muita mobilidade só consegue chegar uns segundos depois no extremo esforço que sua barriga permite.

— O que houve?...as duas perguntam ao mesmo tempo.

— Eu vou matá-la!

— Quem?...a morena pergunta ainda esbaforida.

— Joanne!..Aquela megera...Marina está colérica.

— Mas por quê?...O que ela fez?

— Olha...olha isso, a maldita se atreveu a solicitar a custódia de Diogo!..a notícia deixa Helena e Clara em estado de choque, por essa ninguém esperava, além de todas as adversidades que vêm enfrentando agora o risco de perder a guarda do pequeno furacão seria um golpe mortal que abalaria sobremaneira as estruturas da família Meirelles.