CAP 22

Flávia desperta e imediatamente um sorriso brilhante como a luz do sol que ilumina aquele quarto desponta em seu rosto e sua mente a remete às lembranças da noite anterior. De forma automática uma onda de calor invade seu corpo deixando-a totalmente ruborizada, ela entregou-se de corpo e alma a Giselle Vieira, a pele está marcada pela intensidade com que sua mulher a possuiu, Gi foi voraz ao mesmo tempo gentil, delicada como se rendesse homenagem a uma obra de arte. Aquele pensamento provoca um ligeiro gemido, esconde o rosto no travesseiro timidamente, as imagens se reproduzem como num filme e Flávia conclui que toda aquela paixão encontrou eco na sua própria paixão, aquelas carícias que a deixaram tão empolgada foram naturalmente aceitas porque seu corpo clamava por isso, sem sombra de dúvidas Giselle é um vulcão na cama, poderia dizer que é puro fogo, dominadora e ao mesmo tempo suave...Flávia alonga-se e percebe certos pontos sensíveis no seu corpo...sorri, olha o criado mudo e constata no relógio que ainda é cedo apenas 9:30 da manhã, vê vazio o espaço ao seu lado e franze o cenho perguntando-se onde estaria a senhorita sexy Vieira, levanta-se daquela enorme cama de forma preguiçosa e vai até o closet de onde tira uma camiseta, no banheiro faz sua higiene matinal e logo sai em direção à cozinha onde provavelmente encontrará o que procura. Flávia encosta-se na parede para melhor observar aquele espetáculo, sorri...daria tudo para imortalizar o momento, Giselle Vieira uma das mais exitosas empresárias tentando aos trancos e barrancos preparar um café da manhã ou pelo menos acredita estar fazendo isso, Flávia suspira...Giselle tão sagaz para os negócios e na cozinha revela-se um verdadeiro fracasso, por outro lado o esforço dela pra cozinhar é algo definitivamente adorável, entretanto aquela visão perde sua graciosidade quando escuta a exclamação de dor da outra...

– Droooga!...esbraveja a empresária ao segurar a frigideira quente sem proteção, negligenciou nos cuidados porque tinha pressa, esforçava-se pra que não queimassem os ovos mexidos que tentava preparar, nesse momento do fogão sai uma leve cortina de fumaça chamando a atenção da empresária que brada...- Aiiii que porra me queimar não estava nos planos...Flávia reprime uma gargalhada ao ver a carinha de dor de Giselle e o fiasco em que se converteu o que seria o seu café da manhã, o sorriso se transforma numa expressão de preocupação e rapidamente vai em socorro da amada.

– O que foi amor?...pergunta aproximando-se da empresária e examinando os dedos dela que estão bastante vermelhos.

– Ahh...definitivamente não combino com cozinha, fala verdadeiramente frustrada com o que resultou a tentativa de surpreender sua musa com um delicioso café da manhã na cama, ao mesmo tempo olha desolada pra queimadura consequência da sua inaptidão pra culinária.

– Vem bebê...Flávia toma a mão de Giselle e a coloca debaixo da água fria para diminuir o ardor.

– Auch!...queixa-se a empresária sentindo o contato do líquido com a pele.

– Vou pegar o vinagre.

– Vinagre?...a empresária arregala os olhos surpresa.

– Sim Giselle...não conhece?...é algo que normalmente mistura-se com azeite de oliva e se põe na salada....Flávia brinca.

– Ahhh muito engraçadinha!...sei o que é vinagre o que não entendo é qual a função dele aqui...diz fazendo careta provocando mais gargalhadas em Flávia...Giselle parece uma criança perdida naquela cozinha.

– Ohh meu amorzinho está doendo?...Flávia aproxima-se mais de Giselle cheia de cuidados analisando a extensão da queimadura na mão dela.

– Sim e como pode ver está bastante vermelha...responde a empresária choramingando de forma dramática.

– Espera aí...Flávia procura na despensa e encontra vinagre branco...- Vem diz firme e Giselle a observa receosa.

– O que pretende fazer?

– Aliviar essa ardência.

– Como?

– Deixa de ser covarde que eu sei o que estou fazendo.

– Oookkk aceita a empresária ainda temerosa olhando sua amada...Flávia segura delicadamente a mão de Giselle e coloca um pouco do líquido.

– Aiiii caramba...Flávia isso dói!

– Não seja exagerada...nem foi nada demais só doeu um pouquinho, você é muito dengosa amor, agora sente-se e assista de camarote minha performance porque cozinha é para experts...Flávia faz graça enquanto Giselle deixa-se guiar até umas das cadeiras da sala de jantar, então percebe como a morena está vestida e seu rosto se ilumina.

– O que foi?...Flávia ao vê-la sorrindo.

– Nada...só que você está muito sexy com essa camiseta.

– Hummm...gostou?...a morena envaidecida dá uma volta circulando a empresária que só observa.

– Certamente...gostei muuuuuito...fala de forma insinuante.

– Giselle!...Flávia num tom de advertência pois os olhos da mulher diante dela já brilham perigosamente sensuais o que provoca nela uma onda de sensações que não consegue descrever.

– Vem cá!...a empresária chama com uma voz rouca.

– Giii...Flávia tenta argumentar.

– Por favor...vem...Giselle insiste.

– Ok!...Flávia cede e aproxima-se da empresária que de imediato a toma nos braços e a beija suavemente, a princípio sua língua pede passagem timidamente e sem oferecer nenhuma resistência a outra abre os lábios dando pleno acesso aquela deliciosa boca, separam-se um pouco pra respirar e a morena aproveita pra escapar daquela nuvem sensual em que Giselle a colocou.

– Agora vamos preparar o café da manhã que estou faminta...fala em tom firme e inicia a árdua tarefa de por em ordem aquele caos em que Giselle transformou a cozinha, por sua vez a empresária sorri completamente encantada ao ver sua amada desfilando com leveza pelo local, íntima que é daquela área do apartamento.

SANTA TERESA...

Clara está deitada no peito de Marina enquanto ela brinca com uma mecha do seu cabelo.

– Clara...

– Mmmmm...a morena encontra-se num estado de total relaxamento com aquele afago.

– Temos que ligar pra Helena e saber como acordou nosso pequeno.

– Não se preocupe está tudo bem, enquanto preparava o café da manhã aproveitei e liguei pra saber notícias, me disse que o bandidinho está brincando com os filhos dela, tão à vontade que segundo ela se atreveria a jurar que nem sentiu a nossa falta.

– Ahh esse meu filho...sabe isso ele herdou da Gio, ela era assim tinha uma capacidade de adaptação incrível...Marina diz em meio a um suspiro.

– Amor...

– Sim?...agora Clara levanta a cabeça e a olha fixamente.

– O que foi?...a produtora pergunta curiosa ao ver que sua mulher está hesitante...- Clara sabe que podemos conversar abertamente sobre tudo.

– É...que...que...quero perguntar uma coisa.

– Diga...o quer saber?

– Gostaria que me falasse sobre sua família, por que você nunca me contou nada sobre ela?

– Ahh...suspira Marina...- Bom isso acontece porque não há muito o que contar, sou filha única minha mãe abandonou a mim e ao meu pai quando eu ainda era bem pequena, chamava-se Marian Wesmore pertencia a uma família abastada e tradicional inglesa, segundo meu pai ela engravidou dele muito cedo o que não agradou nem a ela e nem a sua família que não concordava com o relacionamento deles já que consideravam meu pai indigno daquela dama londrina, imagina o preconceito social, ele era filho de imigrantes brasileiros e não viram com bons olhos uma união entre eles, além disso minha mãe também não estava pronta para o casamento, assim mesmo mantiveram-se juntos por um tempo, acho que ela não o amava e nem a mim, uma coisa levou a outra e num belo dia surtou simplesmente desapareceu, eu tinha à época uns 3 anos fui deixada na casa dos vizinhos e para o meu pai restou apenas uma carta explicando que aquela não era vida pra ela, que era muito difícil lidar com responsabilidades, que necessitava viver sua juventude, ter outras experiências, outros horizontes, preferia outra realidade onde não cabiam nem eu e nem meu pai...por sorte esses vizinhos eram ninguém menos que a família Vieira, ali começou a minha amizade com Giselle, minha mãe desapareceu sem deixar rastros, nem sequer os parentes sabiam o paradeiro dela ou pelo menos assim diziam seus pais, depois disso não havia mais nada a se fazer a não ser seguir em frente, imagina como ele ficou arrasado porque a amava muito...a voz da produtora não deixa entrever nenhuma emoção e seu rosto não revela expressão alguma mostrando-se completamente impassível ao relatar seu passado...- Do meu pai só posso dizer que é um homem excepcional...nesse momento Marina muda totalmente e o semblante se ilumina com um grande sorriso...- Diogo Meirelles foi o melhor pai do mundo, jamais casou-se outra vez...Marian partiu seu coração, se esforçou tanto por mim, muito dedicado, amoroso, a ele devo a mulher que sou hoje, me ensinou valores familiares, princípios sólidos de respeito e amor ao próximo, com ele aprendi simplesmente que a família vem em primeiro lugar, mas o que mais me impressionou no meu pai sabe o que foi?

– O que?...Clara atenta ao relato de Marina.

– Quando revelei minha orientação sexual ele agiu com naturalidade e me disse que ser diferente não é estar do lado errado, que todos fazemos escolhas e não me preocupasse se não eram bem aceitas, que devemos ser firmes em nossos propósitos, na vida o importante é acreditar em algo e se dedicar com a alma a isso, que o respeito à diversidade é o cerne da vida, é o que o rege uma convivência harmoniosa.

– E onde ele está agora?

– Infelizmente meu pai faleceu um ano antes de eu entrar na universidade, Marina sai de suas lembranças ao sentir sua morena apertando-a contra ela, a produtora respira fundo recordando a figura paterna e a importância em sua vida...emociona-se...- Ah Clara estou certa que teria adorado Diogo Meirelles.

– Tenho convicção disso...diz Clara com a voz embargada.

– O que foi amor?...pergunta Marina intrigada.

– É que não entendo como uma mãe pode abandonar seu filho assim tão naturalmente, Marina e se tivesse acontecido algo a você, ser deixada pra trás como um estorvo...diz Clara com lágrimas nos olhos imaginando aquela criancinha desprezada e entregue aos vizinhos.

– Ahh amor...Marina a consola enxugando seu rosto...sorri terna comovida pela sensibilidade da morena...- Não quero que essas lembranças atinjam você, são águas passadas, já superei há tempos, tive o melhor pai que alguém poderia querer, fui muito amada e nunca me faltou nada, sabe amor a única coisa que lastimo é que ele não viveu o bastante para ver minha realização profissional e não ter conhecido Diogo, sei o quanto sonhava com o dia em que seria avô, ver a família que constitui, ele sempre me ensinou que deveria batalhar por meus objetivos e jamais desistir deles, meu pai tinha faro para os negócios, como era amigo da Branca mãe de Giselle sabiamente seguiu seus passos empreendedores, assim como não herdou nenhuma fortuna foi trabalhando que conseguiu êxito profissional e o suficiente para que tivéssemos sempre uma vida confortável...a produtora suspira e prossegue com sua história...- Sabia que eu e Giselle crescemos praticamente juntas como irmãs, na sequência minha pequena família ganhou mais uma integrante quando conhecemos a Flavinha...e aqui estou depois de tantas alegrias e tristezas só posso agradecer, a vida foi e é tão generosa comigo que pôs você no meu caminho...aquelas palavras emocionam ainda mais Clara.

– Amor...não chore...diz Marina carinhosa.

– Não posso evitar...Clara comovida por tudo o que a produtora contou.

– Melhor mudarmos de assunto...então me fala dos seus irmãos?...ou melhor seus primos o que dizem sobre nossa ralação?

– Bom...a morena faz uma pausa....realmente não tive mais contato com eles, estou esperando que as águas fiquem menos turvas, mas se não nos aceitarem...Clara deixa morrer a frase enquanto dá de ombros como se aquilo fosse um insignificante detalhe.

– Ok!...amor...(Marina).

– Sim?...

– Quando irá marcar a consulta com seu ginecologista?...não acha que já está na hora de providenciarmos um irmãozinho ou irmãzinha para o Diogo?

– Siiiim...responde Clara com um sorriso maravilhoso estampado no rosto.

– Que carinha é essa?...pergunta a produtora ao ver Clara encará-la de forma terna.

– É que de imediato imaginei em meus braços uma mini Marina!

– Ahhh você quer uma miniatura minha...Marina brinca e Clara cai na gargalhada.

– Muito engraçadinha...diz Clara.

– Sim...apesar de não ser boa com piadas, então quer dizer que minha mulher deseja uma Marina tamanho P...é interrompida por Clara que acrescenta...

– Uma linda menina de cabelos negros, com a pele branquinha como neve, um belo sorriso que me enlouquece e essa exuberância que me arrebata.

– Nossa Clara!...Tudo isso está em mim?

– E muito mais meu amor...responde uma Clara apaixonada ao mesmo tempo que se inclina pra beijar sua amada.

– Jura?...pois amor imaginei uma garotinha assim de pele morena como a sua, com esses olhos cor de caramelo e um sorriso encantador, até pensei em procurarmos um doador com esse perfil...a produtora expressa-se de maneira sonhadora.

– Claro que não!...A ideia é que Diogo tenha um irmão ou irmã com o mesmo sangue dele.

– Está bem...me convenceu teremos uma miniatura de Marina Meirelles.

– Óbvio que sim...e eu serei a mãe mais orgulhosa do mundo porque vou...a conversa continua em torno da expectativa de Clara em gerar uma menina que seja uma pequena Marina, a mulher que tanto ama e as duas permanecem ali descansando, fazendo planos e desfrutando uma da outra.

ESTÚDIOS VIEIRA...

– Ahhh não pode ser...não acredito!...vocifera Vanessa.

– O que foi mulher?...dá pra ouvir seus gritos a quilômetros...brinca Karina enquanto a curiosidade a invade.

– Olha isso aqui!...entrega o jornal pra assistente, na coluna social há uma reportagem sobre Giselle.

“ A importante empresária Giselle Vieira por fim rompe o silêncio quanto ao amor, famosa por sua discrição nas relações amorosas ao que parece findou com esse comportamento velado e foi surpreendida no concerto do MAROON 5 em clima de romance com a bela Flávia Mendes proprietária de um famoso Bistrô muito frequentado pela sociedade carioca encantada com a beleza do local e as delícias culinárias que ali são servidas. Não esqueçamos que a referida empresária do ramo gastronômico é casada com o piloto de corridas Murilo Mendes ”...Karina interrompe a leitura, pode ver que o artigo traz uma foto de Giselle e Flávia compartilhando um beijo ardente, olha para Vanessa e pergunta...

– E qual o problema?...Não entendo a razão desse escândalo todo...ignorando o porquê de Vanessa estar tão possessa...- Não sabia que queria tanto ir ao show do Maroon 5 eu também adoro essa banda...Vanessa olha pra Karina como quem diz... “ainda tenho que aguentar essa anta” e então explode...

– NÃO SEJA ESTÚPIDA!...Vanessa perde o controle...mas você é uma idiota mesmo, acorda mulher antes que seja tarde demais!...se continuar assim tão lenta não conseguirá nada na vida...Karina continua lendo a reportagem e aí finalmente percebe o que tanto irritou Vanessa.

– Como assim?...ao lado do texto há uma foto onde podem ser vistas juntas também Clara e Marina.

– Isso mesmo...agora entende a minha raiva e frustração?

“ No mesmo show a poucos metros de Giselle e Flávia registramos a presença da famosa produtora Marina Meirelles cheia de carinhos com a exitosa Diretora do CCAS Clara Fernandes...segundo consta sua atual companheira, recentemente Marina havia sido flagrada em poses bastante comprometedoras com uma misteriosa mulher o que parece ter gerado a separação do casal, pelo que foi observado a relação foi reatada, há rumores de que Clara tenha laços familiares com o importante empresário Mário Mendonça.

– Que porra é essa?...Como Clara e Marina se reconciliaram e ninguém me contou nada...quando aconteceu essa desgraça?...exaspera-se Vanessa.

– Não tenho a menor ideia, estou tão pasma quanto você...Karina acrescenta.

– Ahhh que ódio...droga isso não era pra ter acontecido preciso pensar em algo!

RESIDÊNCIA DOS MENDONÇAS...

– É inadmissível!...Não posso tolerar mais essa vergonha!...grita Mário.

– Mas o que houve querido?...pergunta Sandra inocentemente.

– Olha!...olha isso!...joga o jornal sobre a mesa pra que sua mulher leia...- Você acha justo que Clara nos faça passar por esse achincalhe!...Como é possível mudar tanto e comportar-se de forma tão imoral, exibindo-se com aquelas mulheres...veja!...estão abraçadas...em seu rosto há uma expressão de nojo...- E pra piorar as outras duas se beijando, esse mundo está realmente perdido que Deus nos proteja...e a imprensa ainda celebra como se fosse um grande feito, isso vai macular definitivamente o nome da nossa família e comprometer a imagem da empresa.

SÃO PAULO...AUTÓDROMO DE INTERLAGOS...

– E aí Murilo já viu isso?...pergunta um dos membros da sua equipe.

– O que cara?...responde distraído pois está ajustando alguma coisa no carro.

– Sua mulher parece que virou lésbica!

– Hã?...Murilo ao escutar aquela afirmação aproxima-se do homem e arranca o jornal de suas mãos...- Deixa eu ver isso...ao se deparar com as imagens e o título da reportagem seu coração enche-se de fúria, aquilo com certeza vai prejudicar sua carreira...com toda a raiva que está sentindo rasga o jornal deixando-o em pedacinhos.

ANTIGA RESIDÊNCIA DE CLARA...

Fernando está em casa lendo o jornal e também mostra-se bem furioso, aquilo é um acinte pensa, como Clara consegue se dar ao desfrute de exibir-se ao lado daquela mulher, até onde vai com esse descaramento, com esse comportamento deplorável, agora ele é motivo de piada em toda a cidade...o som do celular tira Fernando dos seus pensamentos.

– Ora veja só que bons ventos o trazem...diz enquanto olha a tela do aparelho...- Meu sogro que milagre é esse!...saúda ironicamente.

– Como pode permitir isso!...Mário esbraveja do outro lado da linha.

– Como assim?...Fernando se faz de desentendido.

– Não me diga que não leu o jornal ainda hoje.

– O que houve?...pergunta de forma inocente

– Sua mulher está fazendo um papel ridículo desfilando por aí com aquela produtora lésbica, não sai mais da mídia, outro dia era numa revista, agora isso!...- Fernando não me diga que vai deixar as coisas assim, que não tem nenhum plano pra impedir essa pouca vergonha.

– Mas o que posso fazer se Clara não quer nada comigo...só me ignora?...e pra falar a verdade tenho outros problemas mais urgentes como conseguir um emprego decente com o qual eu possa me manter, não tenho tempo para as aventuras amorosas dela.

– Vejo então que esse é um assunto que teremos que tratar pessoalmente, por que não aparece hoje lá na empresa?...acho que precisamos conversar melhor.

– Tudo bem como queira...responde Fernando com um grande sorriso desenhado no rosto.

RESIDÊNCIA DOS MEIRELLES...

Marina e Clara estão terminando de se vestir.

– Bandida você não me falou nada!...diz Clara colocando os brincos.

– Sobre o que amor?...a produtora pergunta distraída arrumando-se.

– Do presente de aniversário da Giselle pra Flávia...minha nossa que mulher mais galanteadora!

– Sim Giselle é assim...Marina comenta dando importância aquilo pois a empresária é famosa por esse detalhes quando se trata de sedução, sabe como conquistar uma mulher, se bem que com Flávia é diferente...faz o possível e o impossível pra agradá-la porque a ama.

– A verdade é que vocês são uma caixinha de surpresas!...- Qual das duas é a mais conquistadora com as mulheres?

– Como assim...não me coloque em saia justa?...pergunta Marina aproximando-se de Clara.

– Qual é a mais gentil, a que se mostra mais apaixonada, mais sedutora?...Clara vira-se ficando de frente pra sua branquinha a envolvendo em seus braços.

– Certamente você sabe qual é a mais apaixonada...Marina murmura contra os lábios da sua deusa, ficam encarando-se fixamente e então a produtora com a língua delineia os lábios da morena que prende a respiração diante daquela atitude libidinosa.

– Ma...ri...na...Clara gagueja e engole em seco provocando uma risadinha em Marina que desfruta enormemente do efeito que tem sobre sua mulher.

– Amor vamos nos apressar que precisamos pegar Diogo na casa da Helena, aposto que ele já deve estar impaciente nos esperando...a branca fala fingindo não ter se dado conta da reação de Clara terminando de abotoar a blusa e saindo do quarto enquanto a morena continua imóvel ali, pensa como Marina foi capaz de uma maldade como aquela...pois com certeza foi muita maldade da sua branquinha.

– Claraaaaaa...amorrrrrr...Marina grita da sala no mesmo instante em que a morena ainda suspira frustrada revirando os olhos, sorri e balança a cabeça negativamente para só enfim sair do quarto.

APARTAMENTO DE FLÁVIA...

Flávia e Giselle tomam finalmente seu café da manhã e em seguida organizam a cozinha. A morena aproxima-se de Gi que a toma nos braços, olham-se fixamente, para empresária é como se estivesse sonhando e Flávia percebe o estado de ainda incredulidade dela.

– Por que me olha assim?

– Assim como?...questiona Giselle.

– Não sei...como se não acreditasse no que está acontecendo, se aventura a dizer a dona do Bistrô enquanto Giselle a olha diretamente nos olhos, as duas ficam assim durante uns segundos compartilhando o momento de cumplicidade até que Flávia acaricia aquela franja sexy sobre a testa da bela mulher a sua frente...- Vamos diga-me o que está passando por essa cabecinha, fala de forma meiga fazendo com que a empresária baixe a guarda.

– Creia...ainda temo estar sonhando...sussurra Giselle com um pouco de receio em admitir vulnerabilidade diante de Flávia, por seu lado a morena sabe que de alguma maneira necessita fazer com que Giselle saia do seu ceticismo e sinta-se segura de que não se trata de sonho, mas da mais doce e deliciosa realidade, sem nada a dizer aproxima-se da empresária e segura carinhosamente seu rosto.

– Então precisamos fazer algo para que veja que tudo é muito real, que estou aqui com você...que estamos juntas...diz a uma distância mínima dos lábios de Giselle.

– E o que você tem em mente?...a empresária provoca Flávia que sem dizer nada envolve o pescoço da outra e termina por unir seus lábios, Gi deixa-se seduzir por aquela boca que até a noite anterior era do seu amor platônico...a morena continua a invasão de forma tranquila ao mesmo tempo que acaricia aquele pescoço e suas mãos se perdem entre os cabelos sedosos da empresária, há uma coisa que descobriu há algumas horas...um novo sabor que a encanta...o sabor de Giselle Vieira, a morena segue movendo sua língua habilmente pelos lábios da empresária que pouco a pouco entrega-se inteiramente ao beijo, à sua maneira também busca decifrar o gosto da sua amada que a deixa sem respiração...que é capaz de fragilizá-la, sedentas uma da outra intensificam os beijos e os gemidos na mesma proporção, Giselle então abandona a boca de Flávia e busca desbravar outras fronteiras arriscando-se a explorar aquele delicioso e delicado colo, a morena adora sentir os efeitos que aquela mulher provoca nela, a empresária desliza as mãos por seu corpo esbelto acariciando-o e deleitando-se com a textura daquela pele aveludada. Flávia está a mercê de Giselle...completamente refém dos toques da amada, a empresária sendo mais ousada e desejosa de sentir melhor a tez da sua musa tira a camiseta deixando Flávia somente de calcinha, aquela visão desperta um sorriso lascivo em Giselle, seus olhos felinos brilham, a morena sente seus mamilos endurecerem em reação àqueles estímulos...está muito excitada, Gi tem o poder de alterar seus sentidos de uma forma tão sensual, tão contundente...a empresária hipnotizada com aquela imagem passeia suas mãos pelos seios que estão eretos e desejosos de sentir sua boca, passa a língua pelos lábios imaginando a delícia de senti-los, apalpa-os e os acaricia percebendo os mamilos cada vez mais duros, Flávia solta gemidos suaves indicando o quanto desfruta da desenvoltura de Giselle.

– Gi...é um pedido quase inaudível da morena para que a empresária termine aquela deleitosa tortura, a mesma não protela mais toma entre os lábios um daqueles pontos marrons e o mordisca arrancando de Flávia um agonizante gemido, simultaneamente destina atenção ao outro também sequioso de carinho, a morena no afã de mais ação pressiona a empresária contra seu peito que o chupa voluptuosamente, arqueia as costas facilitando o acesso de Giselle e ambas gemem de prazer, Flávia delira com os movimentos que são concentrados naquela área revezando entre um e outro seio, Giselle guiada por todo o desejo que emana de seu corpo percorre com as mãos as curvas perigosas da morena até chegar a calcinha dela último obstáculo que a separa da sua intimidade onde desliza suavemente um dos dedos enlouquecendo com a constatação de que encontra-se completamente lubrificada, a sensação é impossível de ser descrita e ambas gemem, numa atitude carregada de tesão Giselle arranca aquela minúscula peça deixando Flávia completamente nua e vulnerável, agora a empresária abandona aqueles picos de prazer pra olhar com profundidade nos olhos da mulher que tem amado por tanto tempo...um longo tempo diga-se de passagem, logo segura a morena pela cintura e a conduz até o amplo sofá da sala, Giselle senta-se trazendo consigo sua musa que fica entre suas pernas com os joelhos apoiados, Flávia aproveita e também tira a blusa da empresária jogando-a longe dali, Giselle consegue livrar-se de sua própria calcinha e a morena percebe a excitação da empresária que tem os seios rijos, não se furta ao prazer de tocá-los e acariciá-los, enquanto reiniciam os beijos ardentes e impetuosos Giselle segura firmemente as nádegas da morena puxando-a para si, o contato dos corpos desnudos fazem com que entrem em ebulição, a tensão sexual está no ar, os gemidos ecoam, a empresária desce sua mão até o centro de Flávia e começa manejar com perícia o clitóris dela o suficiente pra morena enlouquecer e movimentar-se na mão hábil da empresária que sente aquele ponto ereto e a vagina totalmente úmida pronta pra recebê-la.

– Gi...

– Calma amor... sussurra a empresária.

– Ahhh...amoooor...delícia....Flávia parece convulsionar.

– Vo...cê...gos...ta?

– Sim....muuuuito....ahhhh...amooor eu...que...ro...

– O que você quer?...Giselle murmura contra os lábios da morena.

– Quero sentir vo...cê...tam...bém... por fa...vor.... Giselle sorri feliz ao ouvir sua companheira manifestar o desejo de tocá-la.

– Ahhh...sim...ahhh é só o que a empresária consegue verbalizar, Flávia então sem amarras ou timidez escorrega seus dedos pelo sexo molhado de Giselle que vai à loucura separando mais as pernas e facilitando a invasão da morena que àquele momento parece cavalgar, as duas se masturbam com eficiência e tamanha sintonia que parecem ser amantes de longas datas...os sinais do gozo já começam a aparecer, os movimentos dos dedos são mais intensos e os sons perceptíveis, os corpos movem-se num ritmo acelerado já tomados por uma avalanche de excitação que os arrebata culminando num orgasmo avassalador...

– Aiiiiiiiiiiiii amoorrrrr....ahhhhh...gritam simultaneamente.

Flávia relaxa sobre Giselle, deitam-se abraçadas e exaustas, os batimentos cardíacos em descompasso, a respiração ofegante, os corpos ainda flamejantes que depois dos espasmos parecem readquirir a placidez...e ali naquela agora calmaria em que ambas se encontram não há mais dúvidas, elas se pertencem e isso longe de ser apenas um sonho é muito real como o amor tenaz, abnegado e paciente de Giselle Vieira.