Voce mudou minha vida
20 Capitulo 20
CAP 20
CCAS... Clara encontra-se reunida com sua equipe técnica repassando tópicos do aproveitamento de cada área, enquanto as vozes ressoam ao seu redor ela apenas observa sem dar muita atenção a nenhuma das questões ali discutidas, está completamente absorta e imersa na lembrança do malfadado jantar com os padrinhos e na viagem de Marina. Em sua mente uma profusão de perguntas...será que sua branquinha já se registrou no hotel, estará trabalhando e outras tantas que vêm em cascata desviando totalmente seu foco. Depois de um tempo a reunião é concluída, ela apenas acompanha com o olhar os profissionais retirarem-se e suspira triste. – Afff por deus Clara!...Helena diz exasperada.– O que foi? – Como...o que foi?...Caramba mulher a Marina não foi para o outro lado do mundo ela está a apenas algumas horas de distância daqui...cruz credo com esse seu aspecto fúnebre até parece que ela morreu ou algo assim. – Deus me livre!...batendo na madeira...Não fale isso nem brincando. – É o que está deixando transparecer com essa cara de velório, agindo feito um zumbi...essa não é você, desde manhã está ausente, dispersa...sei que está apaixonada, que é o amor da sua vida mas ficar nesse estado é realmente inadmissível. – Ai Helena...não é somente a viagem da Marina que está me deixando assim, é também porque... – O que? – Tive uma briga feia com meus padrinhos. – Como assim? – Como?...Aquele jantar tão importante resultou num grande fiasco...Clara suspira desolada ao lembrar a noite desastrosa. – Ai meu deus...me conta como foi tudo...Clara começa seu relato. – Ahh então os planos de uma aproximação e de construir boas relações com seus padrinhos foram por água abaixo...Helena diz depois de ouvir toda a história. – Isso mesmo e da pior forma possível. – Ahhh Clara...sinceramente não esperava que fosse ser diferente, conheço bem seus padrinhos, os valores deles, princípios...essas coisas que na verdade acho uma grande hipocrisia da parte deles, principalmente do Mário um machista inveterado, reacionário e preconceituoso, que gosta de aparências e de cultuar a imagem da família perfeita e a Sandra aquela é uma coitada me causa pena, obediente, devotada à família e sem voz e vez, amiga você foi ingênua ao considerar que eles pudessem aceitar de bom grado a sua relação com a Marina, naquela festa eles já deram mostras do que pensavam a respeito. – Como assim? – Depois da sua declaração em público eles ficaram perplexos, sem entender o que estava acontecendo e tive que intervir, colocar panos quentes, usar do meu poder de persuasão pra desfazer o clima pesado que ficou e naquele momento consegui. – Ehhh você tem razão...mas sempre acreditamos que as pessoas possam rever seus conceitos, mudarem posicionamentos...enfim agora está feito e eu não recuo um milímetro da minha decisão, se não me aceitam e a pessoa que amo, se não querem compartilhar da minha felicidade que fiquem lá com seus princípios arcaicos. – E será que toda a família pensa assim?...questiona Helena. – Pois é não sei...meu contato foi só com meus padrinhos que me proibiram de frequentar a casa deles, por ora prefiro manter-me afastada de lá até que as coisas se acalmem, se isso for possível...só o tempo dirá. – Que horror Clara...mas acho que é o melhor a fazer.EM ALGUMA CIDADE DO BRASIL... Marina e a assistente chegam ao hotel confirmam as reservas e dirigem-se aos seus respectivos quartos que ficam lado a lado. A produtora começa a abrir sua pequena mala de viagem quando batem à porta...intrigada vai atender e encontra Karina. – Oi! – Karina precisa de alguma coisa?...Algum problema com seu quarto?...ainda surpresa com aquela inesperada visita. – Não...está tudo bem só vim saber se precisava de ajuda. – Ahh...não...já estou acostumada com essa maratona de viagens. – Ahh sim imagino...com todos os filmes que já fez e que requerem muitos deslocamentos para as locações era de se esperar, que cabeça a minha deve ser mesmo bem comum...enquanto a assistente fala Marina circula pelo quarto organizando a pequena muda de roupas que preparou. – Karina...desculpa mas preciso fazer uma ligação, nos encontramos na recepção...diz isso sem ao menos olhá-la enquanto realiza a chamada.RIO DE JANEIRO... – E o que fará à noite?...(Helena) – Mmm não sei...(Clara) – Por que não se anima um pouco e vem com o pequeno furacão jantar conosco?...antes de responder à Helena no fixo o celular de Clara começa a tocar e um sorriso radiante desponta nos lábios quando ver na tela do aparelho o rosto de sua amada...- Amiga depois nos falamos e eu dou um retorno a Marina está ligando...Tchau!..Beijos. – Está certo...vai mulher!...sorri...Tchau!..Beijos (desligam) – Amoooor! – Marina...minha vida! – Como você está? – Morrendo de saudade...como uma louca. – Não estou nem um dia fora e você já está assim?...Marina brinca.
– Um segundo longe da minha branquinha é uma eternidade...ficar sem você não é minha ideia de diversão...Clara dá uma gargalhada. – Hummm vejo então que já está bem...diz Marina. – Não...mas me sinto melhor só em estarmos conversando, ouvindo sua voz doce que acalma meu coração e alegra minha alma. – Ai amor... esses dias passarão rápido...você vai ver. – Me promete? – Prometo minha deusa. – Amo você Marina Meirelles! – Amo muito você Clara Fernandes...se despedem e encerram a ligação. Assim os dias vão transcorrendo...Clara e Marina estabelecem uma rotina, conversam ao telefone pela manhã e à tarde, à noite se comunicam através do skype. A produtora sente muita a falta de Clara e Diogo, a saudade dos dois é imensa e só se passaram alguns dias, em contrapartida pra morena e para o pequeno também não está sendo fácil mas juntos pelo menos conseguem amenizar a ausência do amor da vida deles. Em um certo dia... – Alô... – Alô...Karina?...O que está acontecendo?...até agora nada...nem uma notícia minha filha, me parece mais lenta do que eu pensava, quero resultados...nessa morosidade e incompetência não vai subir na vida, o tempo urge e estou impaciente esperando algo de concreto. – Olha como fala comigo se deseja sua vingança ...Karina responde aborrecida. – Calma querida...calma....então está dentro ou não? – Estou é claro!...Só preciso de mais tempo, as coisas não são tão fáceis como se imaginava. – Como não?...Uma mulher bonita, atraente e tentadora como você...Vanessa sorri divertida. – Opa...já gostei...Karina entrando na brincadeira...- O problema é que Marina vive pendurada no telefone com aquela mulher, à noite se enfurna no quarto dela e ficam conversando horas a fio juntamente com aquele monstrinho. – Cuidado com as palavras porque o monstrinho em questão é meu sobrinho! – Ah já sei de quem ele herdou os encantos então...Karina sendo irônica. – Não tem graça...agora ( seu tom muda )...ponha-se a trabalhar mocinha se quiser ganhar o prometido, seja criativa!...A parte que me cabe no plano já está organizada só tem que me dizer quando e onde, se as oportunidades não existem faça aparecerem...isso é o que dizem por aí e você bem que poderia por em prática...entende o que digo amorzinho?...Vanessa pergunta dando ênfase à última palavra, sem esperar resposta desliga enquanto Karina fica ali parada olhando o vazio e pensando numa forma de conseguir seu objetivo. Marina entra em seu quarto e vai direto para o banho...suspira...mais uns dias e estará regressando pra casa. É dolorosa a saudade que sente de Diogo e Clara...sua bela morena, durante todos esses dias conversaram pelo skype e o garoto encantou ainda mais sua mãe, quando a via na tela sorria feliz e tentava tocá-la como que buscando por ela pra que saísse de onde estava para juntar-se a eles, enquanto se vê perdida naquelas doces lembranças e fazendo sua higiene pessoal o celular começa a tocar. – Olá! – Gi!..Bandida...como está?. – Com saudades e aí como estão as coisas? – Tudo avança conforme o planejado, mais uns dias e terminaremos. – E as produções? – Vão num ritmo bom sem nenhum atraso, o cronograma está tal e como programamos, hoje terei que participar da festa de encerramento das filmagens...já sabe como é isso. – Que bom!...Amiga só tenho a agradecer, desde que você se integrou à empresa tudo melhorou consideravelmente. – Ahh é pra isso que você me paga não é Giselle Vieira! – E você vale todo o investimento é uma profissional extremamente talentosa...ahh amiga não sabe o quanto eu gostaria de estar aí...mas... – Obrigada minha querida...é eu sei...fique tranquila na próxima viagem viremos juntas...e está cuidando bem da minha família? – Claro que sim!...Clara leva Diogo à Creche pela manhã, eu me encarrego de pegá-lo e depois deixá-lo no Centro. – E o seu rolo com a Flávia...já está perto do aniversário dela é isso? – Ahh Marina...daquele mesmo jeito... melhor nem falar sobre isso, quanto ao aniversário eu tenho uma ideia que quero compartilhar com você, saber sua opinião. – Claro diga-me...enquanto Marina conversa coloca o celular no viva voz para ganhar tempo e se arrumar para o compromisso que tem com a equipe de produção local, apesar de não estar nada entusiasmada em ir, as duas trocam algumas ideias e Giselle fala da surpresa que está preparando para o aniversário de Flávia, seguem com o bate papo até que é interrompido por uma batida na porta, despedem-se e Marina sai não sem antes olhar sua imagem no espelho, aprova o look escolhido embora não tenha se esforçado muito, apenas vestiu um jeans, camiseta e jaqueta de couro. Nesse mesmo dia umas horas antes... – Ora ora...se está me ligando é porque tem novidades pra mim. – Claro que sim...espero que tenha meu dinheiro e que esteja com tudo preparado. – É evidente que sim sou mulher de palavra minha cara, basta me dizer quando e onde vai ser pra que eu possa acionar meus contatos. – Esta noite!...É uma oportunidade única se quer levar seu plano até o final. – Óbvio mocinha...me dê os detalhes e do resto eu me encarrego...não quero falhas ouviu?...torço realmente pra que o retorno do meu investimento seja satisfatório ou você não receberá um tostão sequer. – Ok...ok...Tchau! – Tchau e boa sorte!NO BAR...LOCAL DA FESTA... Todo a equipe está reunida, Marina e Karina chegam e são recebidas com muito festa, a produtora sorri...nada muda...não importa onde estejam, o tipo de produção que seja, uma vez que o grupo consegue encerrar os trabalhos há de tudo um pouco, uma mescla de emoções envolvida, por um lado o sentimento de tristeza pois essas pessoas criam laços quase familiares, em contrapartida há também o alívio pelo dever cumprido, quem está de fora não imagina as sensações vividas e por isso ao final sempre celebram. – Um brinde!...alguém propõe e todos se unem, assim começa uma noite regada a muita bebida. No bar existe pista de dança e Marina é a mais visada, o alvo preferido daqueles que querem dançar e tê-la como companhia, o clima vai ficando cada vez mais leve, o grupo mais animado, entre comidas, brincadeiras, gargalhadas, bebidas, música as coisas vão fluindo, a produtora está mais relaxada, o álcool tem esse efeito nas pessoas, Karina só observa seus movimentos como um predador que espera o momento certo pra atacar sua presa, aproveita e coloca um petisco na boca de Marina com a desculpa de que ela deve experimentar, se inclina sussurrando-lhe qualquer bobagem ao ouvido que por estar um pouco ébria não percebe o jogo sórdido de sua assistente, a proximidade é tanta que facilmente poderia sugerir muita coisa entre elas. – Marina vamos dançar?...Karina pede. – Ahh não...não me sinto com ânimo pra isso. – Dança...dança...dança!...Todos os integrantes da mesa em coro começam a gritar e Marina se vê encurralada. – Oookkk vaaaamos...vibra Karina. Na pista a mulher aproveita para insinuar-se pra chefe que se esforça em desvencilhar-se dela, quando termina a música insiste em dançar outra mas Marina prefere sair e num descuido da produtora Karina sorrateiramente tenta roubar-lhe um beijo, só que não esperava a reação da branca que mesmo num estado de quase embriaguez defende-se e a sua fidelidade à Clara conseguindo escapar das garras da ardilosa assistente. – Sabe que isso não vai funcionar...melhor pararmos por aqui...Marina diz com a voz arrastada deixando Karina sozinha e frustrada na pista de dança...- Ainda não foi dessa vez mas tenho outras cartas na manga...me aguarde Marina Meirelles. – Rapazes preciso ir. – Ohhhhh (todos). – Eu vou também...posso ir com você? – Ok...Marina assente...mas se quiser pode ficar. – Não...não pra mim já está bom. – Vamos então!...Nos vemos amanhã meninos e não vão se exceder ainda mais! – Sim senhora chefe!...Tchau...diz em coro toda a equipe que àquela hora já está completamente bêbada. Marina e a assistente pegam um táxi de volta ao hotel e ao chegar Karina finge sentir-se mal, ao sair do carro o faz agarrada à produtora, quem as vê de longe pode perfeitamente deduzir ser um casal que regressa depois de uma noitada louca na cidade, ainda mais que Karina capricha na dramatização, é uma atriz muito convincente. O que Marina não percebe é que furtivamente desde o bar seus passos e da assistente foram acompanhados muito de perto por um paparazzo contratado pra registrar os melhores ângulos das duas mulheres juntas.
Segunda Semana a três dias de seu retorno... No hotel da última cidade a ser visitada como de praxe Marina desce para tomar seu café da manhã, encontra-se um pouco apreensiva pois desde cedo tenta comunicar-se com Clara e não consegue, fica frustrada, permanece um tempo no restaurante e de imediato sente que está sendo observada, passeia seu olhar pelo local até cruzar com dois pares de olhos acusadores, duas mulheres tem em mãos uma revista e a encaram com uma expressão de repúdio e movendo suas cabeças negativamente como que dizendo QUE VERGONHA...a produtora mexe-se incomodada em sua cadeira. – Bom dia!...Karina a cumprimenta. – Bom dia!...Marina responde distraída ainda intrigada com as mulheres que começam a cochichar e sinalizar pra Karina olhando a revista, aquilo deixa Marina mais encafifada, as duas observadoras levantam-se e saem do local deixando sobre a mesa o objeto de curiosidade de Marina. – O que foi?...Karina pergunta só que não recebe nenhuma resposta, na cabeça da produtora só há um pensamento, ir à outra mesa e desvendar o mistério daqueles olhares questionadores, sem refletir muito dirige-se até lá e ao fazê-lo sente seu mundo desabar, a revista trás em sua capa a foto dela com Karina juntas e muito próximas praticamente se beijando e a manchete “TRAIÇÃO À VISTA?”, trêmula começa a folhear procurando a página de seu interesse e ao ler fica num estado quase catatônico “Depois de ser vista num clima de muito romance no aeroporto do Rio de Janeiro com uma morena misteriosa até então, a famosa produtora do mundo cinematográfico Marina Meirelles foi flagrada em muito boa companhia num conhecido bar da cidade onde acontecia a festa de confraternização com sua equipe de trabalho, a moça em questão é sua assistente pessoal Karina Façanha, as duas foram clicadas em poses bem insinuantes o que suscita boatos de um novo “affair” da produtora. Pelo visto ela não foi flechada pelo cupido e tudo não passou de chuva de verão com a morena do aeroporto. Vamos aguardar!” – MALDIÇÃO!...Marina vocifera chamando a atenção de todos os presentes. – O que aconteceu?...Karina pergunta fingindo nada saber. – Olha essa merda! – Oh!...Meu deus Marina!..Euuu...não sei...o que dizer... – Você não tem nada que dizer!..É evidente que isso é armação dessa imprensa sensacionalista – Eu... – Desculpa...nos falamos depois...Marina sai do restaurante com a revista nas mãos enquanto Karina com um largo sorriso começa a desfrutar do seu café da manhã e do delicioso sabor da vitória. Em seu quarto Marina caminha de um lado a outro enquanto tenta se comunicar com Gi, o telefone chama e Marina olha para aquelas fotos ainda não acreditando no que está diante dela, àquele tipo de reportagem não deveria se dar crédito, pergunta-se como fizeram aquelas imagens suas com Karina, tudo por conta daquela maldita festa que nem queria ir mas teve que aceitar por insistência da sua equipe e também porque não seria nada demais, apenas a celebração de um trabalho concluído, mas aqueles abutres estão sempre à espreita de algum deslize de pessoas famosas pra distorcerem a verdade e venderem aquelas notícias desprezíveis, por vezes acabam expondo irresponsavelmente a vida das pessoas, sem medir as consequências que em muitas ocasiões são devastadoras, somente com o objetivo de vender mentiras. O problema em seu caso é que as fotos foram feitas em ângulos que parecem indicar algo entre ela e Karina, são realmente muito incriminadoras. Marina fecha os olhos sentindo tudo desmoronar pois se Clara viu aquilo dificilmente qualquer palavra a fará mudar de opinião, afinal contra os fatos não há argumentos, insiste na ligação pra Giselle e agora consegue seu intento. – Oi Gi! – Oi amiga...pelo o seu tom acredito que já viu essa maldita reportagem. – Isso mesmo...ahhh Gi preciso ir embora daqui o mais rápido possível e esclarecer tudo com a Clara. – Eu sei...já estou tomando todas as providências, se você sair agora em três horas estará aqui. – Ok...você pode ir me pegar? – Claro...sabe que sim. – Obrigada...tenho que desligar...após encerrar a ligação Marina respira fundo tentando manter-se calma e forte, não pode desmoronar agora há muito o que fazer. Três horas depois...Aeroporto do Rio de Janeiro... – Olá....Giselle abraça forte a amiga e a cumprimenta de forma comedida, não há necessidade de palavras no momento. – Me leva pra casa...por favor. – Vamos. – Sou inocente Gi...não fiz nada. – Eu sei...não precisa me dizer isso seu problema é a Clara.SANTA TERESA... Marina abre a porta de forma brusca, entra feito um raio chamando por sua morena. – Clara...Clara...o coração bate tão acelerado que parece saltar do peito, entra no quarto e o encontra vazio, vai ao quarto de Diogo e também nada, corre até o pátio e respira aliviada quando a vê brincando com o garoto, por uns segundos fica com o olhar preso à cena sabendo que ao notarem sua presença o inferno se materializará pra ela. – Mamãããããe!...Diogo grita a plenos pulmões sendo o primeiro a perceber a entrada de Marina, o menino deixa o que está fazendo e corre na direção da mãe que de imediato o toma dos braços apertando-o num abraço carregado de saudade, olha pra Clara que tem um semblante abatido e os olhos vermelhos...- Precisamos conversar...Maria começa a dizer, a respiração está em descompasso e o medo a invade...Clara vendo aquela mulher que feriu mortalmente seu coração simplesmente levanta-se e ignorando a branca caminha para o interior da casa sem dizer uma palavra sequer. Aquele silêncio foi pior do que palavras hostis e o bastante pra deixar Marina mais devastada. Neste momento Giselle entra e se depara com a amiga completamente aturdida. – Deixa que eu fico com Diogo...vai conversar com ela. – Giiiii...o garoto brada empolgado, é sempre assim quando vê sua madrinha, o pequeno em sua inocência está completamente alheio a tempestade que estar por vir. – Epa campeão...vamos ficar aqui bebê brincando um pouco enquanto suas mães se entendem...diz com a vez dengosa...- Vai Marina e boa sorte! – Vou precisar de muita embora acredite que não vá ser suficiente...a branca fala cética e triste sabendo ser muito provável que Clara não a escute e mande sua relação para os ares...entra em casa arrastando-se como se tivesse o peso do mundo em suas costas. – Clara...a produtora encontra a morena no quarto, o clima é pesado e a atmosfera em nada lembra àquela cheia de amor que antecedeu a partida dela. Em silêncio Clara se posta diante de Marina e a encara fixamente, a branca sustenta o olhar afinal tem a consciência tranquila, não há do que envergonhar-se só roga a todos os santos que Clara acredite nela, em seus olhos a morena deixa transparecer toda a sua raiva, tomada por esse sentimento irracional e sem ao menos escutar o que Marina tem a falar a esbofeteia. – Como você foi capaz...por que...por que fez isso?...Clara grita com a voz cheia de rancor. – Amor...eu...eu...não...fiz nada!...Eu juro... – Não minta pra mim!...Está aqui...mostra a revista...você e aquela mulherzinha intratável num clima de romance, parece que se divertiram muito não é Marina? – Sei que tudo conspira contra mim mas por favor Clara apenas me escute, eu posso explicar tudo! – Não!...Não quero ouvir nada, já passei por isso e sei muito bem como é, o mesmo discurso de sempre, que é inocente...que nada aconteceu e blá blá blá...mas as evidências estão aí, definitivamente Marina não quero sofrer mais com esse tipo de comportamento do qual já fui vítima...pra mim chega...CHEGA!...ACABOU!...Clara se dirige à porta mas Marina se coloca à frente impedindo sua saída.– Não Clara...por favor você precisa me escutar...Marina a segura pelos braços chorando compulsivamente...- Clara não faça isso com o nosso amor...não me deixe!...a produtora desespera-se. – Me solta Marina...não há nada a ser dito...você não tinha o direito de destruir essa relação tão linda que construímos...a produtora percebe que nada que venha a falar mudará o pensamento de Clara que está irredutível, então coloca-se de lado e vê Clara afastar-se, a morena não consegue nem sequer olhar pra Marina e sai do quarto com a visão embaçada pelas lágrimas, antes que ela saia em definitivo de sua vida Marina a abraça por trás escondendo rosto nos cabelos da mulher que tanto ama e decide fazer uma última tentativa de dissuadi-la. – Clara antes que parta e termine com tudo deixe-me dizer que eu seria incapaz de fazer o que Fernando fez...eu sei do que me acusa e o que viu evidencia isso, mas saiba que eu nunca fui infiel a você, sempre a respeitei e sei que ainda descobrirá a verdade...só espero que não seja tarde demais pra nós. – Marina....foi você quem estragou tudo...você...você traiu minha confiança...Clara sussurra com o coração despedaçado...e acrescenta...- Depois venho pegar minhas coisas...a produtora solta finalmente Clara que sai fechando a porta e sem olhar pra trás. Marina fica um tempo sozinha no quarto com o olhar perdido pensando no redemoinho que em tão pouco tempo conseguiu destruir o estado de graça em que estava e simplesmente pulverizar a felicidade que havia encontrado ao lado de Clara. Nunca sentiu um dor tão excruciante como aquela que dilacera seu coração, talvez nem quando perdeu sua esposa. A morena entrou na sua vida e preencheu um grande vazio, não só isso...ela fez Marina transbordar amor, agora a branca está ali impotente percebendo tudo esvair-se entre suas mãos, vendo partir a mulher que deu mais brilho e alegria aos seus dias e do Diogo, que fez emergir ainda mais seu lado generoso e protetor, que fazia seu coração dar cambalhotas e que contagiava o ambiente com seu sorriso encantador...não pode acreditar que está perdendo tudo por conta daquelas fotos inconsequentes e forjadas...então decide sair do quarto e vai ao encontro da amiga e do filho em busca de consolo. – Eu a perdi Giselle...a perdi...lamenta-se Marina aos prantos, a empresária sente seu peito apertar vendo Marina naquele estado deplorável ao presenciar Clara abandonar a casa, na sua inocência Diogo manifesta-se aumentando ainda mais a desolação de Marina, o garoto que está nos braços de Giselle acaricia o rosto da mãe e diz na sua linguagem infantil... – Mamãe...Clara...saiu... – Oh meu amor...ela foi embora...ESTÚDIOS VIEIRA... Duas semanas se passaram desde a separação de Clara e Marina, a produtora viu seu mundo transformar-se num completo desastre depois do ocorrido, estranha não saber como reagir e não encontrar sentido em nada, surpreende-se em como num piscar de olhos pode-se ir do céu ao inferno, num momento sua vida estava perfeita e no outro o caos. Desde aquele fatídico dia Marina comporta-se tal e qual um zumbi, age de forma mecânica e sem alento o que deixa sua equipe muito preocupada e frustrada por não saber como ajudá-la, evidentemente uma pessoa não compartilha desse sentimento, ao contrário de todos Karina está feliz pelo êxito no plano traçado com Vanessa.EM OUTRO LOCAL DA CIDADE... A campainha toca de forma insistente e Karina vai atender abrindo a porta bruscamente depois de verificar pelo olho mágico quem está à porta. – Caralho Vanessa!...Isso são modos de chegar a casa de alguém? – Não gosto que me façam esperar. – O que você quer afinal? – Vim cumprir minha parte no acordo...entrega um cheque e exibe uma garrafa de vinho acompanhada de um largo sorriso de vitória ...vamos comemorar Karina!...- Onde consigo um saca rolhas? – Espera...vou pegar...Karina diz entrando na cozinha...aqui está. – E as taças? – Pronto!...Vanessa serve e estende uma taça pra Karina. – Por uma parceria de sucesso!...propõe um brinde. – Enquanto sejam rentáveis pode contar comigo...as taças se tocam e as duas bebem deleitando-se com o prazer daquele momento de triunfo. – Humm que vinho delicioso...Karina elogia dirigindo-se ao sofá e seguida por Vanessa. – O melhor é que aquelas idiotas nem imaginam o que realmente aconteceu, você viu o estado em que Marina ficou, como se nada mais importasse na vida...ahhh não existe sensação melhor que essa...a vingança realmente é um prato que se come frio...Vanessa ironiza. – Tem certeza que não existe nada mais prazeroso que isso?...Karina pergunta de forma insinuante fazendo com que Vanessa lhe dirija um olhar enigmático. – Como assim pequena...onde você quer chegar?...Como resposta Karina sorri de um jeito safado. – Você só pensa mesmo em vingança...não existem outras coisas mas atraentes pra você?...pergunta mordendo o lábio inferior e olhando a boca de Vanessa que sorri. – Não...acho que existem outros atrativos. – E posso saber quais?
– Mmmmm pra que palavras se as ações valem mais...aproxima-se de Karina toma seus lábios e a beija com volúpia.NO CCAS... No Centro o cenário também não apresenta-se muito diferente, Clara sente profundamente a falta de Marina e Diogo as duas pessoas que fizeram a diferença em sua vida, converteram seus dias nos mais felizes da sua existência. No trabalho cumpre a rotina de atividades sem motivação e parece uma autômata, diferente daquela pessoa que irradiava alegria durante sua tradicional caminhada pelas dependências do CCAS e no contato com as mulheres ali atendidas. Clara encontra-se no escritório analisando papeis e pastas acumuladas sobre sua mesa, não consegue concentrar-se em nada, em sua mente só aparecem aquelas malditas imagens, além disso seu coração sangra por Diogo aquele pingo de gente que deixou pra trás, ainda contenta-se em ir vê-lo na Creche e matar um pouco da torturante saudade, nada comparado aos momentos em família que usufruía naquela casa ao lado do pequeno furacão e de sua branquinha, as brincadeiras, a festa que era o banho, colocá-lo pra dormir...de repente a porta se abre e a assistente dá passagem à Giselle. – Olá Clara!..Giselle a cumprimenta e mostra um semblante sério...a morena observa a amiga...aquela mulher é de uma elegância sem par, isso só faz lembrar-se ainda mais de Marina, as duas têm esse poder de chamar a atenção em qualquer ambiente que estejam. – Gi...tudo bom?...A que devo essa visita?...Clara pergunta mas já imagina a razão dela estar ali. – Precisamos conversar...Clara sabe que não será fácil...Giselle está com cara de poucos amigos. – Está certo...mas se veio falar da Mari... – Pode parar...é claro que eu vim falar da Marina...explode Giselle...- Jamais pensei que você seria tão fraca, como se atreve a duvidar do amor dela. – Não a defenda!...Ela me enganou, traiu meu amor e minha confiança, então não me venha com esse argumento de que estou duvidando dos sentimentos dela, aquilo não foi fruto da minha imaginação...as fotos comprovam. – Umas estúpidas fotos!...Caramba Clara só mesmo na sua cabeça...você nem ao menos a escutou, sequer lhe deu a chance de defender-se, nããããão já deu seu veredito...Marina Meirelles culpada de infidelidade...Giselle faz uma voz teatral...não estou aqui à toa mas porque a conheço como ninguém e tenho certeza que Marina seria incapaz de traí-la. Clara quando vocês começaram essa relação pensei que se havia duas pessoas que mereciam ser felizes eram vocês...poxa amiga!...acredita mesmo que ela iria arriscar tudo que construíram juntas, essa mulher proporcionou a você mais do qualquer um conseguiu, abriu sua casa e seu coração, deu a você uma família de verdade, se dispôs a realizar seu sonho de ser mãe, você acha realmente que ela jogaria tudo isso fora por causa de uma aventura com Karina?...pois se pensa assim então não é digna do amor dela... por último ninguém existe pra ela além de você e se não consegue ver isso será melhor esquecê-la, embora não consiga...Gisellle está bastante alterada e cospe as palavras tentando convencer a morena que apenas a observa estupefata. Neste exato momento Helena entra assustada, do outro lado da porta podia-se ouvir as vozes exasperadas vindas da sala de Clara, agora Giselle dirige-se a ela...- Vê se consegue fazer com que essa louca encontre a razão antes que perca a mulher maravilhosa que é a Marina...Gi sai batendo a porta.NO MESMO DIA EM SANTA TERESA... Marina recebe a visita de Giselle e Flávia, as amigas de longas datas...sua família na realidade, tentam animar a produtora que está cada dia mais cabisbaixa, combinaram passar a tarde na piscina compartilhando o prazer de estarem juntas como nos velhos tempos, quando tinham como lema “uma por todas e todas por uma”, Giselle é a encarregada de preparar o churrasco, Marina está ao lado de Flávia que não tira os olhos da empresária. – Você vai secá-la se continuar assim. – Que...do que está falando? – Ahh Flavinha...comigo não precisa se fazer de boba, desde que chegou você devora a Gi com o olhar, acompanha cada movimento dela, está parecendo uma psicopata amiga...Marina consegue brincar causando sorrisos em ambas. – Sério...uma psicopata? – Com certeza...não sei como ela ainda não percebeu. – Ai...ai...meu deus!..Flávia leva as mãos aos olhos. – Não compreendo o que acontece entre você e a Gi por que não assume logo o que sente?...Fica se recusando a admitir o que está estampado no seu rosto...nos seus olhos. – Ahhh Marina quem não está entendendo nada aqui sou eu...Flávia insiste em disfarçar. – Será que vou ter que abrir sua cabeça e colocar isso dentro...Flavinha é inútil tentar esconder a verdade, você pode até conseguir ocultar dos outros mas de você mesma é impossível, as duas são minhas amigas, as amo por igual, são minha família e me preocupo com vocês, quando quiser podemos conversar sobre esse assunto...diz apontando pra Giselle e Flávia direciona seu olhar para a empresária...mas se aceita um conselho embora não esteja em condições de fazê-lo, escuta minha querida...você precisa dar um norte, uma forma ao que está sentindo, se a quer então lute por ela antes que outra se adiante e arrebate o que sempre foi seu. Flávia permanece em silêncio mas reflexiva com as palavras de Marina.DIA SEGUINTE NO CCAS... Clara percebe que não está sozinha na sala ao deparar-se com Helena parada na porta observando-a, as duas mulheres encaram-se por uns segundos até que Clara resolve falar... – O que é?...Não me diga que você também veio interceder por Marina! – Sim...mas o que tenho a dizer será breve. – Ai...ai...ai santo deus!...O que aconteceu agora...todo mundo resolveu fazer a defesa dela é isso?... não vê que foi a mim que ela enganou, por acaso não pode entender isso!...Que droga!...irritada Clara grita. – Sim...eu venho falar por ela e sabe por que?... porque é ilógico que Marina traísse você com outra, ainda mais com aquela mulherzinha intragável, onde está seu senso crítico...seu discernimento, aquele idiota do Fernando minou a segurança que você tinha em si mesma e isso está comprometendo seu julgamento, esqueça aquele idiota e não a compare com ele, essa mulher já deu inúmeras demonstrações do amor que dedica a você, se eu estivesse no seu lugar não a perderia, iria conversar e ouvir o que tinha pra me dizer, Clara uma pessoa como a Marina não aparece na nossa vida todo dia. – Mas... – Mas nada!...Você passou essas semanas devastada por causa dela, definhando em vida, olhando direto o celular como se ele fosse lhe dar alguma resposta...não seja idiota criatura...Helena insiste uma vez mais...- Clara...depois de tudo o que essa mulher fez pra conquistar você acha realmente que ela desperdiçaria tudo com aquela cretina da Karina que vivia assediando ela, enquanto Marina só a ignorava mantendo-se sempre profissional...isso sabemos e não me venha dizer que nunca percebeu, por acaso esqueceu aqueles dias que trabalharam no documentário, era de uma desfaçatez sem limites, aquela é capaz de qualquer coisa para conseguir o quer. – Helena! – Helena nada!..Vamos levante seu traseiro daí vá procurar sua branquinha e conserte a besteira que fez antes que não tenha outra chance!...Clara fecha os olhos pensando...e se todos tiverem razão e o tempo todo ela esteve somente vendo fantasmas. – Ahhh Helena será que estraguei tudo e a Marina não vai me querer mais. – Ah por favor Clara...não diga bobagem apenas recupere o que é seu...Helena pega a bolsa da morena as chaves do carro e a empurra pra fora da sala. – E... – Shhhhh não quero saber mais de nada...vá atrás da sua mulher porque a fila anda amiga e por uma mulher como ela anda mas rápido ainda...as duas riem e Clara sai. Uma vez fora do Centro Clara entra no carro e em sua mente uma torrente de pensamentos...será possível que interpretou tudo errado, sucumbiu ao sensacionalismo estampado naquela revista e por conta disso fechou os olhos ao que todos conseguiram enxergar, não deu a Marina sequer o direito de argumentar e tentar explicar-se, duvidou do amor incondicional da sua branquinha, esqueceu de todas as demonstrações desse amor e ignorou que o sentimento que as uniu está acima de tudo e é a fortaleza delas...sem demorar-se mais com conjeturas dá partida no carro...com destino a Santa Teresa.
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