Voce mudou minha vida
27 Capítulo 27
CAP 27
Flávia permaneceu sozinha e inerte em sua sala desde a saída de Murilo, acomodou-se no sofá com a mente imersa numa nuvem escura, leva as mãos ao rosto e uma pergunta ainda insiste em martelar sua cabeça, qual seria a razão de Giselle ter omitido a viagem a São Paulo e a conversa com seu ex- marido. – Por que não me contou...por quê?...um suspiro de desalento escapa entre seus lábios enquanto balança o corpo pra frente e pra trás. – O que não contaram pra você?...uma voz rompe o fio de pensamentos negativos que se instalaram em Flávia e ao escutá-la sente o corpo ser tomado por uma súbita rigidez interrompendo aquele balanceio, a morena estava tão ensimesmada com seus questionamentos que não percebeu a presença de Giselle. As duas mulheres se encaram e a empresária observa atentamento os olhos da amada, eles estão desprovidos do brilho com o qual sempre é recebida e o efeito daquela falta de calidez é uma sensação de pequenas adagas cravadas em seu coração.– Você nunca me disse que foi a São Paulo atrás de Murilo e que...Flávia se detém não consegue sequer completar a frase, por seu lado Giselle fica em estado de alerta sabendo muito bem aonde aquela conversa irá levá-las só não entende o porquê da namorada estar tão chateada. – Primeiramente não falei que fui vê-lo por não achar necessário e segundo...eu... – Você só me contou que sabia onde ele estava e nada mais, por que omitiu o resto? – Não achei importante e naquele momento você estava muito abalada pela separação, realmente não pensei... – Ahh não pensou Giselle Vieira! – Não Flávia não achei relevante, pra mim era muito tranquilo não havia necessidade de conversarmos a respeito...diz Giselle convicta percebendo o clima pesado que invadiu aquele espaço. – Me responda e quero que seja o mais sincera possível, Murilo falou pra você me conquistar?...depois de uns segundos que pareceram uma eternidade Giselle se manifesta. – Sim...foi isso mesmo. – Por que diabos não me contou antes? – Ahhhh Flávia nem que quisesse eu poderia, como iria contar isso logo para o meu amor secreto, como externaria uma coisa dessas pra você, além do mais ele foi tosco e ridículo...aiiii amor não sei nem por que estamos falando sobre isso! – Pela simples razão de termos um relacionamento em que acreditei não haver segredos, pra mim era importante saber e você se calou esse tempo todo, quando conversamos naquela ocasião sem mais nem menos resolveu declarar seu amor por mim, falou que eu era a mulher misteriosa por quem sempre esteve apaixonada, que conveniente depois que aquele filho da puta me abandonou você subitamente se empolgou e decidiu me conquistar como acostumou-se a fazer com tantas mulheres que já passaram na sua vida, posso pensar então que tudo o que estamos vivendo é só parte de um plano. – Flávia tenha muito cuidado com as palavras, não estou gostando do caminho que essa conversa está tomando. – O que é...não quer ouvir a verdade?...que eu sou apenas mais uma que você leva pra sua cama?...me diz uma coisa...Flávia aproxima-se de Giselle até ficar a escassos centímetros, a raiva não a deixa respirar seu peito sobe e desce como se o ar fosse faltar-lhe...- É isso que eu sou pra você, mais uma no rol das suas vadias e quando se cansar de mim vai atrás de conquistar outra?...ou talvez volte para aquela pirralha com quem estava há pouco tempo!...Flávia descontrola-se infligindo a Giselle o poder da sua ira, a empresária apenas permanece calada ouvindo aqueles impropérios, respira profundo sabe que para sair daquela discussão com o menor dano possível uma das duas tem que manter a calma e contemporizar, afaga a testa da morena e logo mergulha seus dedos naqueles cabelos negros deixando que deslizem por entre os fios sedosos até parar na nuca, olha fixamente a namorada rogando pra que em meio aquela onda de fúria surja em Flávia um lampejo de prudência e que possa ver o quanto está sendo injusta, que o amor sufocado durante tanto tempo sempre esteve ali diante do seu nariz e ela nunca conseguiu enxergá-lo. – Fala alguma maldita coisa...grita a dona do bistrô, finalmente Giselle com uma voz completamente calma pergunta-lhe. – E o que você acha?...olha diretamente nos olhos de Flávia, sente-se profundamente magoada, aquele definitivamente não é seu dia, primeiro o embate com Vanessa, agora a discussão com a namorada, só pode ter ofendido alguém lá de cima pra merecer esses reveses...- Então o que me diz, agora sou eu quem quer saber, o que você pensa de verdade sobre isso tudo? – Que...o que eu penso?...eu não sei...não sei, Murilo vem aqui e destila todo o seu veneno, fala pra você me conquistar e é isso que faz, me reduz a uma dessas mulheres com as quais você transa e depois descarta como se não tivessem nenhuma importância, Giselle fecha os olhos e deixa a raiva invadi-la pensando em como Flávia pode ser tão idiota a ponto de não perceber o que é tão evidente e que todo mundo sempre soube menos ela. – Como não sabe, você deve ter alguma opinião afinal há quanto tempo me conhece, com certeza agora mais profundamente, ninguém mais do que você sabe quem é Giselle Vieira, quem eu sou realmente, olha Flávia o meu erro foi ir atrás do Murilo, depois que descobri onde aquele sacana foi se refugiar resolvi ir conversar com ele mesmo sabendo que ter ido embora era a melhor coisa que podia ter acontecido, fui tirar satisfação e sabe por quê?...simplesmente não compreendia como aquele idiota tinha coragem de abandoná-la, isso não entrava na minha cabeça pois no lugar dele certamente jamais faria algo assim e o desgraçado então me vem com esse absurdo de que eu deveria conquistá-la, que usasse todo meu poder de sedução pra ficar com você, ele sabia o que eu sentia por você...Giselle esboça um sorriso de lado, mas não podia ser assim, não com você, porque...porque eu te amo...a empresária dirige o olhar para um ponto perdido daquela sala e ao expressar-se a emoção é visível...- Você é minha casa, minha rocha, meu final feliz, meu amor, só posso aspirar a viver a vida com você...só com você, porque quando está comigo não há espaços vazios, sinto a plenitude, todas essas mulheres as quais acha que usei, jamais...jamais prometi nada a nenhuma delas e não foi porque não quisesse, não sabe quantas vezes jurei que a esqueceria Flávia, que a tiraria do meu coração mas não conseguia, simplesmente porque eu já estava entregue a você, assim volto a pergunta inicial...o que você acha Flávia?...acredita mesmo que eu seria capaz de algo tão deplorável?...durante uns segundos as duas ficam encarando-se até que a morena não consegue mais sustentar o peso daquele olhar e vira-se de costas pra Giselle, apoiando as mãos sobre a mesa baixa a cabeça, a empresária fica um tempo parada observando a mulher que tanto ama esperando alguma reação da parte dela, diante de um silêncio torturante Giselle respira profundo e pesadamente, sem dizer mais nada balança a cabeça negativamente e sai da sala, está farta de ser na relação a que corre atrás, a que está sempre lutando, àquela altura do relacionamento ela não admite que paire a menor dúvida sobre seus sentimentos, por seu lado Flávia perdida nas próprias avaliações e com a consciência pesando pelas duras acusações dirigidas a namorada não percebe a saída dela, quando vira-se pra falar algo encontra a sala vazia e só então se dá conta que Giselle foi embora, naquele instante o desespero invade seu peito, aturdida sai correndo em busca da empresária e no caminho encontra Felipe.
– Felipe onde está Giselle você a viu? – Sim há alguns minutos, estava indo na direção do estacionamento um pouco cabisbaixa, brigaram?...o rapaz pergunta preocupado. – O que?...Claro que não...Flávia leva uma das mãos a cabeça...- Oh meu deus!...apressa-se mas chega tarde demais, só consegue ver à distância as luzes traseiras do carro que desaparece no trânsito agitado da cidade...- Droga!...Flávia retorna apressadamente ao bistrô pra pegar o celular e ligar pra Giselle, depois de várias tentativas em que as chamadas vão para caixa de mensagem não pensa duas vezes recolhe suas coisas, bolsa, chaves do veículo e sai em disparada atrás da namorada.ESTÚDIOS VIEIRA... Karina hesitante vai a sala de Vanessa. – O que faz aqui...o que quer?...a ruiva pergunta num tom agressivo. – Vim ver se precisa de alguma coisa...Karina diz solícita. – Não preciso de nada!...só resta a assistente resignar-se, sente-se derrotada lamenta que Vanessa não consiga superar sua obsessão por Marina e deixar de lado seus planos maquiavélicos de prejudicar a produtora, assim decide que não há mais nada a fazer ali e sai deixando-a sozinha, não sem antes adverti-la. – Espero que essa paranoia não seja a causa da sua destruição! Giselle deixa o bistrô dirigindo sem rumo, o sistema de bluetooth do automóvel ativa as chamadas recebidas e no painel aparece o nome de Flávia, respira profundo, na realidade não quer falar com a morena, não está com disposição pra continuar com aquela discussão sem sentido e não retorna as ligações, apenas sente vontade de entrar no primeiro bar que encontrar no caminho.LOFT DE GISELLE... Flávia está o coração apertado pode ver que o carro de Gielle não se encontra no estacionamento do prédio, desde que saiu do bistrô tenta contato com a empresária mas sem sucesso, de uma coisa a morena tem certeza não pode deixar para o dia seguinte a conversa com a namorada, precisa dizer o quanto foi estúpida em duvidar dela, o quanto a ama, assim desliga o carro e sobe até o apartamento de Giselle.NO BAR... Giselle já tomou dois drinks e faz sinal para que o bartender sirva-lhe outro que atende o pedido prontamente, fica olhando pra aquele copo do seu escocês preferido como se ali encontrasse as respostas para o que acabara de acontecer, o celular volta a tocar e na tela mais uma aparece vez o nome de Flávia, observa até que o aparelho deixe de vibrar e de repente uma voz conhecida a tira de seus pensamentos. – Por que não atendeu?...com surpresa Giselle vira o rosto para encontrar um par de olhos cor de chocolate muito conhecidos por ela, um sorriso cálido aflora em seus lábios. – Judith! – O que faz aqui? – Nada...só dando uma espairecida. – Como que nada! Giselle Vieira eu a conheço, vamos me diz o que houve? – Nada. – Ahh tudo bem, se não quer me contar eu entendo, até imagino o que seja, brigou com ela é isso?...ambas olham o celular que volta a vibrar e na tela o nome de Flávia. – Sim...nós discutimos, aquela resposta desperta um grande sorriso em Judith. – Por que está rindo? – Porque sim!...estou muito feliz em tê-la encontrado, aproxima-se de Giselle e a poucos centímetros de seus lábios a encara e sussurra-lhe...- Por que não vamos a um lugar mais aconchegante?...Giselle sabe exatamente o que a jovem deseja com a insinuação, conhece bem aquela linguagem, com um sorriso amável lhe dá um beijo na testa e responde... – Sinto muito pequena mas não estou a fim de algo assim, faz sinal ao bartender para que traga a conta, deixa o suficiente para pagar o seu e o consumo de Judith e sai do bar. Mais Tarde... Giselle regressa ao apartamento, depois de estacionar o carro vai direto ao elevador ainda abatida e chateada, enquanto pressiona o número que corresponde ao seu andar pede a deus pra não encontrar ninguém pois prefere continuar sozinha, não está com disposição pra fingir amabilidade com vizinhos, mantém-se com a vista voltada para o piso e assim garantir pelo menos que ninguém tenha interesse em falar com ela, entretanto como nada é tão ruim que não possa piorar e como naquele maldito dia nada esteve a seu favor, ao abrirem-se as portas em um determinado momento um casal entra abraçado, Giselle sorri vendo a cena é sempre bonito ver duas pessoas que se amam demonstrando afeto, ao mesmo tempo enche-se de tristeza ao pensar que ela e Flávia poderiam estar assim. O elevador para finalmente e ela encaminha-se direto ao seu apartamento, tudo está às escuras e de certa maneira prefere assim, não tem ânimo pra nada, distraída em seus pensamentos caminha até o quarto e então subitamente sente a presença de mais alguém ali, suas narinas inflam aspirando aquele aroma que reconheceria mesmo se estivesse com os olhos vendados e num lugar lotado de gente, como sempre seu corpo reage de forma imediata, é como se tivesse um GPS integrado. – Não esperou minha resposta...a voz suave de Flávia preenche todo o lugar e naquele momento acende uma das luminárias deixando apenas uma luz tênue, as duas ficam se olhando e o silêncio impera, depois de uns segundos que mais pareciam horas a morena suspira soltando um pouco a pressão que sente, caminha até a varanda onde pode observar as luzes da cidade, realmente a visão que tem daquela altura configura-se num grande espetáculo, reconhece que em outras circunstâncias certamente as apreciaria mais como já fez em tantas outras oportunidades, por seu lado Giselle se dá conta que ainda tem em mãos as chaves, as coloca sobre a mesa e apenas admira aquela imponente mulher contemplar a cidade e por fim decide falar... – Então...interrompendo o fio de pensamentos de Flávia...- Qual é a resposta?...a morena ao escutar mais uma vez a pergunta da empresária vira-se e caminha até ficar de frente pra ela, sabe que nada melhor que ações para definir e deixar bem clara sua posição sobre o que houve, assim reduz a nenhuma a distância entre elas, toma o rosto de Giselle entre as mãos e a beija apaixonadamente, a princípio por ter sido pega de surpresa a empresária não corresponde mas quando Flávia com a ponta da língua delineia aquela boca para solicitar entrada, ela de imediato cede e o beijo transforma-se em voraz, desesperado, saudoso como se estivessem distantes há muito tempo, Giselle também segura o rosto de Flávia e ali ficam devorando-se uma a outra, entrelaçando as línguas até que seus pulmões reclamem o ar. – Minha resposta é que EU TE AMO, me perdoa por ter reagido a princípio daquela forma, não era minha intenção, é que eu...eu tenho muito medo, medo de que você me abandone, me sinto insegura em não atender às suas expectativas, de...de não conseguir mantê-la interessada em mim, sei lá de você se cansar de... – Shhhh...não fale nada...Giselle silencia Flávia colocando o dedo em seus lábios, os olhares se encontram e a empresária ainda segurando o rosto da namorada também reitera seu amor...EU TE AMO...entenda isso, esperei uma vida por você e nem em meus mais loucos sonhos me atrevi a imaginar que algum dia estaríamos assim. – Prometo que nunca mais isso vai acontecer, nada e nem ninguém vai me fazer duvidar dos seus sentimentos...ninguém!...perdoa minha estupidez...diz apoiando sua testa na de Giselle que de imediato a aperta contra seu corpo, as duas mulheres olham-se fixamente. – Amo você!...a empresaria repete ao mesmo tempo que investe vigorosamente contra os lábios de sua amada que devolve o beijo com a mesma intensidade.DIAS DEPOIS NO CCAS... Clara entra em sua sala cheia de disposição, desde que fez a FIV Marina não a perde de vista nem por um segundo, aceitou com relutância que ela retornasse às atividades no CCAS foi uma verdadeira odisseia convencer a produtora, a morena teve que usar todo seu poder de persuasão pra voltar a trabalhar. Coloca sua bolsa no lugar de sempre e começa a preparar-se pra realizar sua costumeira ronda, de repente a porta se abre dando passagem a Helena. – Onde você pensa que vai? – Oi?...vou dar uma volta por aí. – De jeito nenhum, lamento dizer que isso não vai acontecer, aproxima-se de Clara e a leva até a cadeira...- Vem...senta aqui e fique quieta, nada de fazer movimentos bruscos, nem esforços desnecessários durante estes dias. – Me deixa adivinhar, você andou falando com a Marina...a morena diz resignada. – Claro que sim, ela me ligou hoje cedo e me deu todas as instruções então você não acha que vai livrar-se de mim facilmente, diz apontando o dedo indicador pra Clara...- Quero esse sobrinho são e salvo aí dentro.
– Meu deus que exagero, o médico disse que eu poderia levar uma vida normal. – Não fale mais nada, sou estou cumprindo ordens. – Ahhhh meu pai!...Clara lastima-se movendo a cabeça negativamente mas por dentro sente-se feliz com os inquestionáveis cuidados de Marina.ESTÚDIOS VIEIRA... Giselle caminha pelas dependências dos Estúdios em companhia de Marina, conversam e observam as atividade ali desenvolvidas. – Realmente não consigo acreditar no que está me dizendo, é simplesmente abominável (Marina). – Pois acredite minha amiga, foi exatamente assim como estou lhe contando, alguma vezes me pergunto como Vanessa e Giovana sendo gêmeas idênticas eram ao mesmo tempo tão diferentes (Giselle). – Sinceramente não sei, agora o que não entendo é a razão de tanto ódio. – Ora porque você se apaixonou por Gio e não por ela. – Mas no coração não se manda caramba, o amor apenas nasce!...Juro que jamais lhe dei alguma esperança, é certo que conheci a Vanessa primeiro e apesar de serem fisicamente iguais...Marina move a cabeça negativamente buscando uma explicação ao inexplicável...- Simplesmente esse click mágico somente aconteceu com a Gio. – Verdade...infelizmente fiquei com uma cópia barata da Giovanna...o inferno, a ruiva diabólica!...as duas caem na gargalhada até chegarem às lágrimas. – Ehh que conste em ata que eu não a obriguei, você que se apegou a ideia maluca de que como éramos irmãs deveríamos namorar duas irmãs...boba. – Ahh siiim que dias aqueles, sabe agora analisando por outro ângulo e estando em outra fase da minha vida, fica difícil assumir que pude sentir alguma coisa por ela. – Realmente, mas meu bem aquilo nunca foi amor, ela queria me atingir através de você, era só orgulho ferido, uma vingança barata dela e você acabou se envolvendo, amor...amor mesmo você apenas sente por Flávia. – Verdade!...tem razão essa mulher...não há necessidade de dizer mais nada, Marina entende muito bem o que Giselle quer dizer pois compartilha da mesma opinião. – Por certo, agora vamos ao outro ponto dessa questão o que vai acontecer com Karina?...evidente que não a quero trabalhando comigo, outra víbora e pensar que todo esse tempo estava mancomunada com Vanessa, eu convivendo com o inimigo e não sabia, não aceito mais essa mulher perto de mim. – Sim eu sei, infelizmente tenho que zelar por tudo isto...Giselle abre os braços como se pudesse abarcar entre eles as instalações dos estúdios....- Além disso ela conhece nossas estratégias não quero que em represália procure a concorrência pra tirar proveito das informações privilegiadas que tem. – O que planeja fazer então? – Vou transferi-la, digamos que agora você não terá mais que viajar tanto, ela seguirá dando continuidade aos projetos cinematográficos que iniciamos pelo país e permanecerá sob suas ordens...Giselle está um pouco hesitante sabe que possivelmente Marina não vá aceitar, assim decide ser mais persuasiva...- Eu entendo que não a queira por perto, mas pense bem e veja pelo lado positivo, se você tem Karina viajando no seu lugar não precisará deixar Clara sozinha, poderá concentrar-se no processo de fertilização que certamente será exitoso, depois na gravidez dela e em Diogo...então o que me diz?...Marina observa a amiga e pouco a pouco um sorriso aparece em seu rosto sabendo que aquela guerra já está perdida, é certo que não deseja nenhuma relação com Karina mas Giselle habilmente acaba de explorar seu ponto fraco...CLARA...como poderia recusar uma proposta como aquela. – Ohh caramba!...mulher você agora agiu como uma legítima Vieira, a capacidade de negociação está no sangue isso é fato, acaba de destruir qualquer contra-argumento, me encurralou não deixando nenhuma outra saída...a produtora resigna-se – O que posso fazer?...diz Giselle encolhendo os ombros, no fundo tenho até pena daquela idiota – Por que?...Marina pergunta intrigada. – Apaixonou-se por Vanessa quer castigo maior que esse, maior desgraça na vida?...depois de um breve silêncio as duas mulheres sorriem e continuam sua vistoria. – Com certeza, a propósito como estão as coisas entre você e a Flávia? – Ahhh nem me fale, essa é outra história escabrosa....Giselle começa a contar o episódio envolvendo Murilo.NO CCAS... – Clara...Clara...não me parece conveniente, por que você quer fazer isso agora?...pergunta Helena exasperada por conta da ideia maluca que Clara acaba de expor. – Ohh amiga porque tenho que fazê-lo, não posso deixar que as coisas continuem assim entre nós. – Realmente algumas vezes você exagera. – Não sei se estou cometendo um erro, mas preciso falar com ela. – Aiiii meu deus tenho certeza que sua branquinha vai me matar quando souber, bem então vamos eu a acompanharei! – Ohh Helena minha querida, sabia que não me deixaria só nessa hora. – Hummmm você sabe que consegue tudo de mim...as duas saem.EM UM RESTAURANTE DA CIDADE... – Bem talvez você esteja se perguntando o porquê de estar aqui. – Devo confessar que a princípio o convite soou bastante estranho, mas logo o panorama mudou e aqui estou disposta a ser útil de alguma forma. – Que bom saber, esta é uma notícia maravilhosa. – E então o que tem em mente? – A estratégia é a seguinte, quero expor Marina Meirelles o máximo que for possível, uma constante exibição na mídia, claro que dando notoriedade ao fato de estar vivendo com uma mulher casada, quero que a opinião pública a condene, a execração da imagem dela, que a julgue como uma destruidora de lares, um péssimo exemplo para as famílias de bem. – Hummmm isso é fácil tenho vários contatos nos meios de comunicação...um sorriso maléfico surge nos lábios daquela mulher...- Está preparado para ser o triste marido abandonado, traído pela esposa?...advirto que isso poderá ter uma repercussão imensurável, as ondas de destruição que provocaremos atingirão inclusive aquele Centro Comunitário da sua ex...Vanessa deixa a frase inconclusa. – É exatamente isso que eu quero, destruir as duas...Fernando fala categórico. – Então um brinde ao nosso sucesso....ambos levantam as taças desfrutando antecipadamente do êxito de seus planos.NOS ESTÚDIOS... No escritório Giselle está com Marina terminando de discutir assuntos referentes aos projetos em andamento e outros concernentes ao trabalho. – Bem acho que está tudo pronto, se mantivermos este ritmo para o final do ano estaremos alcançando a primeira parte da estratégia traçada. – Isso...Gi você e a Flávia têm algum compromisso pra hoje? – Que eu saiba estamos livres. – Então por que não vão lá em casa?...faz tempo que não jantamos juntas. – É uma excelente ideia, vou combinar com ela. RESIDÊNCIA DOS MENDONÇA... Sandra está sentada no jardim observando velhas fotos, um sorriso pleno de amor desenha-se em seu rosto, sente-se feliz pela família que conseguiu constituir junto com Mário, entre aquelas imagens aparece Clara e agora o sorriso se faz triste, recorda quando a morena chegou àquela casa tinha olhos grandes e assustados como se fossem saltar da órbita, não era pra menos dada a imensa mudança que deu-se em sua vida, quem imaginaria que aquela criancinha tão amedrontada se transformaria em uma mulher valente, corajosa, sim ela sente muito orgulho de Clara por isso. Abriu aquele Centro Comunitário e o levou a ser um lugar bem-sucedido, talvez Rita tenha razão e ela esteja julgando erroneamente sua filha, enquanto busca na mente e no coração o discernimento necessário para entender Clara seus pensamentos são interrompidos por uma voz muito familiar. – Clara!...Sandra olha para todos os lados como se do nada Mário fosse se materializar ali. – Como está madrinha?...cumprimenta timidamente. – Es.. estou bem...o que faz aqui...sabe que... – Sim eu sei...só que esta é uma etapa da minha vida em que estou precisando da minha mãe, aquelas palavras são como punhais cravando o peito de Sandra e de imediato elas a remetem ao discurso de Rita, desde aquele dia a cena se repete em sua cabeça, ela nunca conseguiu esquecer o que foi dito por sua nora e agora ter Clara de frente pra ela expressando-se daquela forma tem um peso considerável em seu coração, certamente isso é o que ela representa pra morena, uma mãe e Clara indiscutivelmente tem sido pra Sandra como uma filha. – Aiii minha pequena...a matriarca abre os braços com olhos lacrimejantes pois compreende o quanto está errada ao permanecer alheia ao que acontece com a filha, sua apatia indiscutivelmente contribuiu pra que as coisas chegassem aquele ponto...Clara imediatamente refugia-se naquele abraço sentindo todo o amor e a proteção de mãe...- Me perdoa...me perdoa, é a única coisa que Sandra consegue verbalizar tomada pela emoção. A poucos passos dali Helena observa comovida a cena. – Desculpa por estar aqui, sei que não sou bem-vinda nesta casa e também não quero causar problemas pra senhora, mas não podia continuar assim distante. – Eu sei...e sinto muito que as coisas tenham tomado esse rumo, sabe...eu...eu estou muito envergonhada. – Não madrinha...não tem motivos pra isso. – Deixe-me falar...claro que sinto vergonha por ter sido tão intolerante, me deixei levar pelas ideias preconceituosas de Mário e não soube ser a mãe que você merecia ter, por isso peço que me perdoe, fui omissa quando não a defendi...agora Sandra chora copiosamente. – Ahh madrinha!...Não por favor...não chore. – Mas prometo que a partir de agora as coisas serão diferentes eu...eu sou uma mulher velha, educada nos moldes antigos e por isso aceitei tudo passivamente sem questionar, só preciso me acostumar a essa nova forma de amar, de família. – Claro que sim, eu entendo perfeitamente sei que não é fácil quando se tem alguns pensamentos tão arraigados...uma vez mais as duas mulheres se abraçam. – Agora vem e me conta como tem sido sua vida nestes últimos dias, quero saber detalhes dessa novidade maravilhosa, ohhh meu deus serei avó finalmente? – Ainda não sabemos, temos que esperar mais três dias pra nos certificarmos de que tudo deu certo. – Óbvio que deu, você é uma mulher jovem!...Continuam conversando, Clara fala sobre sua relação com Marina e Diogo...Sandra ao se inteirar dos detalhes compreende que o amor tem caminhos incertos e embora sua cabeça ainda não consiga assimilar completamente duas mulheres vivendo juntas como casal, sabe que aquela mulher ama verdadeiramente sua filha, tudo o que Clara relatou aponta nessa direção, o amor delas é puro, por isso enche-se de coragem e resolve falar dos planos que estão sendo arquitetados em torno delas...- Clara...preciso contar uma coisa. – O que foi?...a morena sente o coração disparar ao ver a mudança na expressão de sua madrinha. – É sobre o Mário. – O que houve por acaso meu padrinho está doente? – Não...mas é algo muito sério. – Ohh meu deus a senhora está me assustando. – Eu o vi conversando com Fernando e eles estavam tramando algo para afastá-la da Marina. – O que? – Isso mesmo, eles estão planejando alguma coisa que não consegui entender direito o que é, eu os vi folheando uns documentos e sei que tem a ver com o passado dela, só posso dizer que fiquem atentas...ao ouvir aquilo Clara sorri aliviada. – Ahh madrinha não se preocupe, eles podem procurar incansavelmente qualquer coisa contra ela asseguro que não descobrirão nada de relevante, nossa relação é prova disso, não temos segredos e que eu saiba não existe nada na vida da Marina que possa nos prejudicar. – Tem certeza?...prestem atenção pois eles se vangloriavam de terem encontrado as armas necessárias pra usar contra vocês e separá-las. – Esquece aqueles dois madrinha, confie no que eu digo, nada e nem ninguém conseguirá isso.SANTA TERESA TRÊS DIAS DEPOIS... Marina acorda muito cedo e logo prepara o café da manhã, aquele será um dia especial, Clara fará os exames de sangue indicados pelo Dr. Morais e ela não pode perder aquele momento mágico para as duas. Rapidamente vai ao quarto de Diogo, depois das brincadeiras diárias antes e durante o banho ela prepara calmamente seu pequeno pra levá-lo a creche e em seguida tomam seu café. A produtora quer a amada tranquila por isso praticamente madrugou pra fazer todas as tarefas matinais, Clara como de hábito participa desse ritual com o filho mas hoje Marina a quer bem relaxada, descansada, estão a poucas horas de ir ao laboratório. – Vamos campeão termina seu café. – Café...bom...Diogo fala levando à boca um pedaço de panqueca que Marina preparou pra ele, sorri, aquela predileção por panquecas o garoto só pode ter herdado de Giovanna...Marina procura guardanapos pra limpar o rosto do filho que costuma se sujar quando está devorando-as, uma vez pronto pega a mochila do pequeno furacão e ambos se encaminham pra creche, em meia hora a produtora chega ao seu destino e como sempre vão direto pra sala do garoto onde encontram Judith.
– Tudo bem? – Sim muito bem...as duas mulheres se saúdam cordialmente...- Bom aqui está o cavalheiro. – Olá Diogo! – Ju! Oláá!...o menino a cumprimenta com entusiasmo e elas sorriem. – Foi ótimo revê-la, depois nos falamos. – Claro...até logo Marina! Depois de deixar Diogo na creche Marina retorna pra casa, no trajeto passa em uma floricultura e entra com um sorriso encantador estampado no rosto. – Bom dia em que posso servi-la?...pergunta a vendedora. – Gostaria de levar um buquê com rosas vermelhas, brancas e essas amarelas aqui. – Muito bem...a jovem rapidamente prepara um bonito e delicado arranjo. – Obrigada ficou lindo!...quanto lhe devo? – Pode passar ali no caixa a moça vai atendê-la. – Está certo...a produtora então paga a quantia devida, ainda dá uma generosa gorjeta e sai feliz da floricultura, entra no carro e faz mais uma parada extra, agora o destino é uma confeitaria onde ela gosta muito de ir, lá é o local em que encontra os melhores croissants, sempre no ponto que a agrada, depois de tudo finalmente chega em casa, vai direto pra cozinha e coloca as flores num jarro, não sem antes separar uma de cada cor e colocá-las num recipiente menor, organiza numa bandeja onde completa com um omelete preparado rapidamente e que Clara tanto aprecia além do suco de laranja fresca, depois de tudo devidamente disposto dirige-se ao quarto do casal. – Clara!...ao entrar vê a cama vazia, coloca então a bandeja sobre o colchão, certamente a morena está fazendo sua higiene pessoal antes de irem ao laboratório, chegando ao banheiro Marina se depara com a pior das visões, Clara chorando compulsivamente com as mãos sujas e entre suas pernas percebe-se uma tênue linha de sangue escorrer, aquilo destroça o coração da produtora pois sabe muito bem o efeito devastador que aquilo produzirá em sua mulher. – Amor!...Marina corre pra socorrer a morena. – Ma...ri...na.... meu...bebê...meu...be...bê...Clara diz desesperada e impotente diante daquela constatação. – Shhhh calma amor calma...Marina com a voz embargada de dor tenta consolar a amada, ela sabia dos riscos mas era tão bom imaginar que tudo daria certo. – Ma...ri...na...Clara diz entre soluços. – Não...shhhh...não fique assim amor!...desesperada Marina segura o rosto da amada entre suas mãos...- Escuta bem...- Nós vamos conseguir!...a branca também chora pois embora soubesse que não necessariamente aquela tentativa daria o resultado esperado, vê que ali encontra-se despedaçado o sonho de Clara ser mãe...- Ainda temos uma outra chance, preste atenção...da próxima vez teremos sucesso, acredite minha linda e não chore mais. – Mas...Clara tenta falar entre lágrimas. – Mas nada!...agora o tom da produtora é duro e firme, seja otimista e pense positivo! – E se eu fracassar novamente?...diz a morena amargamente. – Amor tentaremos mais uma vez e outra...outra e tantas quantas forem possíveis...Marina fala convicta beija sua mulher e a abraça com força procurando naquele gesto transmitir confiança e fortaleza.
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