Voce mudou minha vida
23 Capítulo 23
Capítulo 23 — Capítulo 23
ESTÚDIOS VIEIRA...
– E então o que vamos fazer?...Karina pergunta enquanto observa Vanessa caminhar de um lado pra outro da sala, desde a reconciliação de Clara e Marina ela não teve paz.
– Não sei...me deixe pensar...mais do que pra Karina aquela resposta era pra ela mesma...- Alguma ideia vai surgir tenho certeza.
– Por que não desiste dessa vingança?...Isso já se tornou uma obsessão e pelo andar da carruagem...Karina é interrompida, aquelas palavras fazem Vanessa explodir.
– Você é muito engraçada mesmo, elas voltaram por sua culpa...foi muita incompetência!...A ruiva cospe as palavras bastante irritada.
– Ahh não me venha com essa agora!...Karina refuta no mesmo tom.
– Claro que sim...essa reconciliação não teria acontecido se você tivesse sido mais eficiente.
– Está louca!...exclama Karina incrédula com aquele disparate...- Por acaso você não parou pra pensar que isso pudesse acontecer, embora as fotos fossem de certa forma comprometedoras não eram assim tão contundentes...a assistente dá de ombros minimizando a importância daquilo...- Além disso Marina ama aquela mulher, tanto é verdade que ela poderia ter se aproveitado do fato de estarmos sozinhas...apenas ela e eu mas me rejeitou, preferiu manter-se fiel apesar de todas as minhas investidas, não cometeu um deslize sequer, será que isso não representa nada?...Você não tem a menor chance querida, ponha isso na sua cabeça...gesticula.
– O que eu sei é que Marina Meirelles continua sendo a mesma maldita mulher perfeita pela qual um dia me apaixonei...responde visivelmente alterada e Karina só a observa movendo negativamente a cabeça...suspira cansada.
– Afff quer saber...não conte mais comigo pra continuar com isso...aquelas palavras são suficientes pra tirar Vanessa de suas elucubrações.
– O que?...Do que está falando?
– Que não participarei mais desses seus planos, você é a obcecada aqui não eu, tive meus interesses em Marina mas passaram, não quero perder meu tempo precioso com ideias estapafúrdias de vingança.
– Enlouqueceu agora?...O que deu em você mulher?...Vanessa fica completamente alterada.
– Nada...apenas não estou mais a fim.
– Como assim...o que aconteceu que você está me escondendo Karina?
– Eu...
– Você o que?...a ruiva espera impacientemente a resposta da outra que mantém-se
em silêncio...- Vamos criatura fala...o que houve?
– Eu...eu mudei...Vanessa...eu...Karina hesita em responder...- Eu...eu...me apaixonei por você...diz quase num sussurro...e não me pergunte como aconteceu porque nem eu mesma sei, a única coisa que posso dizer é que não estou mais disposta a continuar com esses joguinhos sexuais, não quero ser objeto de manipulação pra você e também não me interessa participar das suas armações pra separar Clara e Marina...move a cabeça negativamente incomodada com aquela situação...apaixonada por uma pessoa que ama outra de forma doentia...- Não é isso que quero pra minha vida...sinto muito...sem dizer mais nada sai da sala deixando uma Vanessa atônita com a surpresa daquela revelação.
EMPRESA DOS MENDONÇA...
Fernando chega à empresa onde por muito tempo foi um funcionário de alto escalão e bastante conceituado, seu destino...a sala da presidência, caminha pelas dependências do suntuoso edifício e pode perceber que apesar do ocorrido com Camila ainda conserva o respeito dos funcionários, muitos param pra cumprimentá-lo outros simplesmente o ignoram, segue seu trajeto até um dos elevadores e pressiona o botão que indica o 10º andar, espera paciente até chegar ao seu destino, as portas se abrem e com passo firme aproxima-se da secretária de Mário...sorri.
– Olá Estela.
– Fernando!...a mulher ao vê-lo abre os olhos surpresa pois seu chefe não havia agendado aquela visita.
– Não me olhe com essa cara de quem está pensando em alguma desculpa pra poupar
o Dr. Mendonça da minha presença, pode me anunciar...ele mesmo pediu pra que eu viesse.
– Ok...calma a mulher sempre eficiente pega o telefone e liga para seu superior...- O Fer...interrompe e desliga com a fleuma que a caracteriza...- Pode entrar ele o aguarda...diz simplesmente.
– Obrigado...Fernando sorri triunfante e entra na sala de Mário.
– Aqui me tem à sua disposição...fala debochado.
– Vou ser bem direto...quero que faça a Clara voltar pra você, isso não pode continuar...mostra o jornal.
– Eu já vi a reportagem...diz resignado.
– E você fala assim...tão conformado?...Mário exaspera-se.
– O quer que eu faça?
– Como que...que eu quero!...Quero que vá buscar sua mulher, que a tire daquele antro de perdição e a leve pra sua casa...é isso o QUE EU QUERO Clara não pode permanecer mergulhada nessa imundície...aponta irritado para o jornal...- Vivendo com aquelas LÉSBICAS e se expondo na mídia com frequência.
– E como espera que eu consiga isso?...Mário não sei se percebeu mas sua filha...Fernando faz uma pausa dramática...- Não...
– Um momento...Mário interrompe o genro...- Clara não é minha filha, é afilhada...afilhada!
– Ok...como queira...sua afilhada não quer nada comigo...encolhe os ombros.
– A culpa é toda sua, como deixou-se ser flagrado com uma amante...por deus homem só com novatos acontece isso.
– Ahhhh Mário se vamos por esse caminho é melhor pararmos por aqui, como já disse tenho outras preocupações e não estou a fim de ouvir seus lamentos porque Clara resolveu agora se envolver com uma mulher, minhas prioridades estão além disso, preciso me manter, pagar minhas contas, cuidar da minha própria vida, sendo assim se era esse o assunto...ao mesmo tempo que fala Fernando levanta-se e começa a caminhar até a porta de saída.
– Espera!...a voz imperiosa de Mário ressoa na sala enquanto Fernando que está de costas sorri satisfeito, antes de virar-se muda sua expressão...- Tenho um proposta pra você.
– Sou todo ouvidos...Fernando internamente vibra.
– Não quero aquelas duas juntas, traga sua esposa de volta e a faça comportar-se como antes dessa vergonha se abater sobre nossa família.
– E o que ganho com isso?
– Você terá seu emprego de volta.
– Que garantias eu tenho?
– Sou um homem de palavra e você sabe melhor que ninguém.
– E quando serei reintegrado à empresa?
– Hoje mesmo se quiser...Mário diz convicto.
– E o que fará com o meu substituto?
– Seu cargo nunca foi ocupado, devo admitir que o único que mantinha o alto padrão da empresa era você, ao final acho que me precipitei ao afastá-lo...depois do que houve as coisas não funcionaram como esperava...Fernando abre um grande sorriso, escutar Mário Mendonça resignado reconhecer que errou ao demiti-lo é música para seus ouvidos.
– Perfeito...pode contar comigo!
– Só peço uma coisa...
– E o que poderia ser?...Fernando pergunta receoso.
– Não quero saber dos seus casos no ambiente de trabalho, respeite minha empresa se quer tê-los que escolha mulheres fora daqui, não precisa se envolver com nossas funcionárias...o tom utilizado por Mário não deixa espaço pra dúvidas e Fernando entende perfeitamente a advertência.
– Não se preocupe...o que houve não vai mais se repetir.
– É o que espero...pega o telefone...- Estela...por favor convoque uma reunião de emergência com a Divisão de Desenvolvimento de Software de Segurança.
– Sim senhor...do outro da linha Estela responde como sempre tácita e impassível, mas ao ouvir as instruções do seu superior pela primeira vez em muito tempo fica surpresa, pois conhecendo o caráter de Mário Mendonça não imaginaria em hipótese alguma que Fernando Fernandes voltasse a fazer parte da empresa.
AUTÓDROMO DE INTERLAGOS...
– O que diabos foi aquilo?...pergunta o chefe dos mecânicos já que a uma certa distância pode observar a reação de Murilo ao ver o jornal e ouvir o comentário do colega.
– Não sei do que está falando...Murilo se faz de desentendido e tenta sair dos boxes onde sua equipe trabalha.
– Sabe muito bem a que me refiro...o rapaz fez só uma brincadeira com você.
– Brincadeira de mau gosto...e quem você pensa que é pra falar assim comigo?...Murilo está furioso.
– Não sei porque se sentiu tão ofendido cara se foi você mesmo que abandonou sua esposa, o que importa o que ela faz agora da vida?
– Enquanto estiver casada comigo o comportamento dela me afeta, não estou nem aí para o que ela faz entre quatro paredes, só não tem o direito de me prejudicar, se ainda conserva meu sobrenome não pode estar publicamente exibindo suas preferências sexuais, posso perder meus patrocinadores.
– Ahhhh...agora entendo a sua preocupação é com a carreira...mas também não há necessidade dessa agressividade toda, temos que manter a harmonia na equipe.
– Sim eu sei...desculpa isso não vai mais se repetir, me deixe sozinho preciso pensar...Murilo ainda afetado pela notícia no jornal.
EMPRESAS MENDONÇA...
A reunião extraordinária com a Divisão de Desenvolvimento de Software de Segurança foi breve, algumas palavras de Mário comunicando o retorno de Fernando o que causou um certo alvoroço entre os empregados que jamais imaginaram uma reviravolta como aquela acontecer e o próprio manifestando seu compromisso de mais uma vez assumir a gerência daquela Divisão com o mesmo empenho que sempre teve, em seguida todos voltaram às suas atividades. Fernando ocupa novamente sua antiga sala e observa satisfeito o ambiente ao redor, começa a revisar documentos e constata que praticamente tudo está como deixou, senta-se em sua cadeira e recosta-se confortavelmente, logo levanta-se e vai ao local onde guardava suas bebidas...sorri ao encontrá-las, serve-se de uma dose do seu whisky predileto e dando pequenos goles caminha até a grande janela onde aprecia dali a cidade sentindo-se o dono do mundo, imediatamente lembra-se do trato com Mário e decide dar início a sua missão, do casaco tira o celular e procura entre os contatos um em especial.
– Alô...(escuta) sim...eu sei...que abandonei você mas agora estou precisando outra vez dos seus serviços...(escuta)... perfeito...então eu espero... (escuta)...como onde estou...eu meu antigo centro de operações.
Meia hora depois...
Enquanto prepara o plano de trabalho o telefone da sala de Fernando toca...
– Sim?...faça-o entrar, desliga e em alguns segundos surge a figura do detetive que já trabalhou pra ele.
– Como vai?...cumprimentam-se com um aperto de mãos...- Algo de muito grande o senhor deve ter feito pra estar de volta a empresa...conjetura o homem.
– Estou muito bem...posso dizer que a vida definitivamente foi generosa comigo...quer um drink?
– Por favor...isso merece um brinde!
– Com certeza...já sabe muito bem onde fica tudo, esteja à vontade!
– Obrigado...o detetive aproxima-se das bebidas e serve-se do whisky como Fernando sugeriu...- Então em que posso ser útil?
– Preciso que retome àquela investigação.
– Mas você já tem todos os dados.
– Agora é diferente, quero saber os pormenores da vida de Marina Meirelles!...absolutamente tudo até o menor dos detalhes, se necessário até as vezes que aquela mulher vai ao banheiro, quem são seus inimigos, algo que desabone sua conduta...tudo você entendeu?...os dois homens ficam se entreolhando degustando suas bebidas e após uns segundos o detetive fala...
– Sim...como queira mas o que tem em mente?...agora ele está curioso.
– Muitas coisas meu amigo...muitas coisas.
UM PAR DE DIAS DEPOIS...
Ao término de um dia cansativo Clara e Marina estão na área da piscina aproveitando que Diogo dorme para desfrutar daquela paz que envolve a casa quando o pequeno furacão adormece, como sempre a morena está deitada sobre o peito da amada que acaricia distraidamente seus cabelos.
– Dentro de dois dias será o aniversário de Diogo.
– Sim...e quais são seus planos?
– Estou pensando em fazer uma festinha na creche mesmo afinal é lá onde estão os amiguinhos dele...Marina soa um pouco jocosa...- Falei com Judith e ela concordou até prometeu me ajudar.
– Claro e como ela está?
– Suponho que bem...não falamos sobre Giselle, depois de tudo não saberia muito o que lhe dizer.
– Verdade...eu gosto muito dela mas realmente prefiro a Gi com Flavinha...Clara acomoda-se ainda mais no colo da sua mulher ficando completamente relaxada, sem dúvidas aquela é a melhor hora do seu dia, assim como acordar Diogo pela manhã...sorri ao ouvir um suspiro sair dos lábios da branquinha.
– Amor...(Clara)
– Sim?...(Marina)
– Já marquei a consulta com o ginecologista.
– E a que horas vai ser?
– Ele estará nos esperando às 09h da manhã.
– Pra mim está perfeito...depois de levarmos Diogo a creche nós iremos o que acha?...Aquelas palavras fazem Clara virar-se e ficar de frente pra Marina que toma seu rosto entre as mãos e acrescenta...- Quero acompanhá-la em todo este processo, passo a passo...Clara sorri encantada pois conhecendo sua branquinha sabe que não a deixará sozinha em nenhum momento.
– Obrigada meu amor...você é maravilhosa!...diz ao mesmo tempo que abraça mais o corpo da mulher que desde que entrou em sua vida causou uma grande mudança em tudo, ficam ali durante um tempo aproveitando a companhia uma da outra, a harmonia reina até que Marina interrompe aquela calmaria.
– Clara...
– Sim?
– Como estão os trâmites do seu divórcio?...a produtora até então não havia se manifestado sobre o assunto deixando que as coisas fluíssem ao ritmo de Clara, só que ao iniciarem o processo de realização do grande sonho da morena e seu também, Marina deseja que isso ocorra num clima de tranquilidade, não pretende que sua filha ou filho seja concebido em meio ao caos de um divórcio litigioso, não quer nenhum tipo de conflito entre elas e aquele imbecil do Fernando...um incômodo silêncio se faz presente naquele momento até que Marina insiste...
– Clara?...a produtora espera uma resposta.
– Nenhum progresso...Fernando está relutante em assinar os papeis...Clara suspira profundo, sente-se impotente o que dá a Marina uma boa ideia da complexidade do problema...- Juro que já tentei de tudo...diz cansada com aquela incômoda situação...Marina decide calar-se.
DIA SEGUINTE CONSULTÓRIO DO DR. MORAIS...
Clara e Marina chegam ao consultório médico de mãos entrelaçadas, falam com a recepcionista que as faz entrar na sala do Dr. Morais, ele as recebe gentilmente e encantado com a beleza das duas mulheres. A morena é uma velha conhecida...sua paciente há anos, a outra jamais havia visto pelo menos pessoalmente, mas sabe quem é pois ultimamente aquele rosto tem ocupado assiduamente a mídia, teve conhecimento da relação das duas através dos meios de comunicação, de fato pode inteirar-se de como está agitada a vida de Clara e pensa nas voltas que o mundo dá, como aquele casamento aparentemente tão estável acabou e hoje sua paciente está envolvida amorosamente com uma mulher, não que condene as relações homoafetivas e sinceramente aquilo tampouco o afeta, ficou apenas surpreso pela guinada que a vida de Clara deu, seus pensamentos são interrompidos pela voz da morena que o saúda...
– Olá Dr. Morais!
– Clara como tem passado?...pergunta enquanto observa o casal ocupar as cadeiras a sua frente.
– Muito bem...responde com um amplo sorriso e estendendo a mão ao médico.
– Bom...e a que devo essa visita?...dirigindo o olhar às duas.
– Antes de mais nada gostaria de apresentar Marina Meirelles minha companheira...o médico não demonstra qualquer tipo de reação contrária apenas arqueia as sobrancelhas e a cumprimenta educadamente que retribui o gesto...- Estamos aqui porque desejo engravidar utilizando os óvulos da Marina...Clara conclui nervosa, a produtora mantém-se calada todo o tempo segurando uma das mãos da sua amada dando-lhe apoio, ao escutar aquele pedido Dr. Morais continua olhando as duas mulheres e depois de uns segundos começa a falar...
– Entendo...devo adiantar que teremos que submeter Marina a uma série de exames pra dissipar qualquer dúvida acerca da viabilidade dos óvulos dela, precisaremos também fazer um perfil hormonal dentre outros testes.
– Quando começamos?...Marina pergunta ansiosa.
– Calma criança vamos por etapas...no momento gostaria de saber se já decidiram que tipo de doador vão querer?...Imagino que se você será a doadora desejarão um que tenha esperma geneticamente compatível com Clara.
– Não...já temos um doador, na realidade Marina tem um filho e queremos que...
– Que sejam irmãos...conclui Dr. Morais.
– Exatamente...Clara assente.
– Eu tenho o esperma congelado em Londres, podemos providenciar o seu traslado para o Brasil...finalmente a produtora se manifesta de forma mais incisiva.
– Muito bem então teremos que verificar se esse material genético é viável.
– Ele é...isso eu asseguro ao senhor...está guardado em um dos laboratórios criogênicos mais avançados do mundo.
– Excelente...então entraremos em contato para ver em que condições o material será transportado de Londres ao Rio de Janeiro.
– Tenho todos os dados posso ir conversando com o pessoal de lá e me inteirar dos detalhes.
– Perfeito...mas gostaria de conversar com eles também.
– Claro que sim.
– Por outro lado haverá a necessidade de realizar uns testes com você Clara, embora na última visita já tenha feito uma bateria deles, agora é só uma questão de atualizar uma parte, vou requerer também que faça uma histerossalpingografia...e outros exames.
– E o que é isso...histero...tenta dizer uma outra vez...histero...
– Histerossalpingografia...completa a produtora despertando tanto a atenção de Clara quanto a do Dr. Morais.
– Sei do que se trata pois fui a mãe substituta do meu filho...Marina inicia então uma conversa mais técnica com o médico.
NO BISTRÔ...
Flávia está no escritório concentrada trabalhando e não percebe que tem companhia, logo aquele delicioso perfume invade o ambiente desviando completamente sua atenção e deixando-a ser seduzida pelo aroma, muda o olhar indo da tela do computador à porta a sua frente e um largo sorriso se desenha em seu rosto, Giselle está ali apoiada de braços cruzados, sexy como sempre usando um daqueles trajes de executiva. Flávia sente o coração acelerar e o corpo arder ao relembrar dos momentos juntas, a empresária sorri de um jeito sedutor, Flávia levanta-se e vai em sua direção diminuindo a curta distância que as separa, desfruta do olhar de GIselle que desliza por todo seu corpo, adora a sensação que aquilo provoca o que faz eriçar todos os seus pelos.
– Oiiii amor...saúda quando chega bem junto da amada, envolve o pescoço dela em seus braços e lhe dá um beijo que começa com a inocente intenção de ser apenas um selinho mas Giselle habilmente movimenta a língua entre os lábios da morena e a beija apaixonadamente.
– Hummm...está cada dia melhor...sussurra Flávia contra a boca da empresária que sorri divertida.
– O que foi?...
– É a primeira vez que me dizem isso.
– Sério Giselle Vieira?...Pois espero que seja a última, preste a atenção porque a conheço muito bem.
– Aiii amor...passei toda minha vida correndo atrás de você, como acha que vou deixá-la escapar entre meus dedos....Flávia Morais agora você é completamente minha, beija-lhe e as duas riem.
– Sim mas a que devo a honra dessa visita...se não estou enganada hoje não temos nada agendado pra resolver...Giselle passa os braços pela cintura de Flávia e juntas caminham pela sala, a empresária então observa ao redor franze o cenho e solta um sorriso maroto.
– O que foi...por que está examinando tudo assim?...Flávia segue o olhar de Giselle por todo o lugar.
– Porque ultimamente isso aqui está muito organizado e me alegra bastante essa constatação, pelo visto não sou mais necessária, estou muito orgulhosa amor de encontrar a sala completamente diferente daquele caos, pilha de papeis por toda a parte é coisa do passado, devo confessar que depois de tudo...daquela fase alucinante lamento não ter registrado em foto aquela bagunça que estava aqui, quando contei pra Marina ela não acreditou e ainda tripudiou me dizendo que sou mais lerda do que imaginava porque não percebi que...ao ver a expressão divertida de Flávia a voz de Giselle vai se apagando...- Então tudo não passou de uma armação amor...termina a frase num sussurro...- Flávia!...diz num falso tom de advertência enquanto permanece com o olhar fixo no rosto de sua eterna amada...- Não posso acreditar que...
– Bom...uma mulher deve usar todos os truques pra manter o que é seu por perto...fala simplesmente e tenta escapar sem êxito já que Giselle a mantém presa em seus braços, a empresária ainda demonstra perplexidade, jamais imaginou que Flávia fosse capaz de tais subterfúgios...- E se tivesse que fazer tudo novamente faria contanto que não se afastasse de mim...conclui a morena.
– E você se atreve a confessar isso sem nenhum sinal de arrependimento?
– Claro...e estou muito satisfeita com o resultado...Flávia acrescenta e percebe um sorriso pretensioso de Giselle que não cabe em si de tanta felicidade, ao mesmo tempo que sente-se lisonjeada por aquele gesto desesperado de Flávia pra mantê-la próxima.
– Eu te amo...é só o que consegue dizer pra logo em seguida tomar os lábios da morena e beijá-la apaixonadamente que se entrega sem restrição alguma.
ESTÚDIOS VIEIRA...
Karina entra na sala de Vanessa que está sentada e absorta em suas atividades profissionais.
– Mandou me chamar?...Karina pergunta secamente.
– Sim...
– E o que deseja?...depois daquele dia ela tem evitado um contato mais próximo com Vanessa.
– Preciso falar com você...a ruiva responde levantando-se e aproximando-se sensualmente de Karina que ao ver como ela está vestida fica sem respiração...Vanessa sabe como explorar seus encantos, usa uma saia excessivamente curta...aquilo deveria ser proibido, passa junto de Karina que fecha os olhos entorpecida com o perfume que invade suas narinas e tranca a porta, se bem que àquela hora há poucas possibilidades de serem flagradas, aproxima-se mais da outra.
– Anda deixa fazer jogo duro comigo...diz em tom manhoso.
– Só pra isso que você me quer...Karina tenta fazer-se de dura sem conseguir pois em sua voz há um ligeiro tremor que Vanessa não deixa de perceber.
– Eu quero fazer as pazes...fala insinuante e começa a acariciar aquele corpo que a enlouquece e mordisca o lóbulo da orelha da loira.
– Pa...ra...para...pra isso existem telefones...argumenta em vão Karina.
– Mas acho mais divertido pedir desculpas pessoalmente...Vanessa encurrala a assistente tomando seus lábios e demonstrando todo o desejo que tem por ela...- E então aceita?...a resposta que recebe de Karina é dada por seu corpo que de imediato reage, então começa a beijar aquela boca faminta e desesperada, as duas sentem urgência em despir-se e ter o contato de suas peles ali naquela sala já não se fala mais nada, só ecoam os suspiros que cada uma emite ao entregar-se à paixão que até o momento está disfarçado de puro desejo.
CASA DOS MENDONÇA...
Como é uma prática costumeira a família Mendonça está reunida, Mário e Sandra gostam de fazer encontros com os filhos e noras pra manter os laços familiares, desta feita diferentemente de outras ocasiões há dois lugares vazios, não é segredo pra ninguém que o velho rompeu relações com Clara, há um acordo expresso de não pronunciarem o nome dela na frente de Mário. Ao terminarem o jantar as mulheres ficam sozinhas enquanto os homens se retiram e vão ao escritório do patriarca conversar sobre negócios.
– Sandra você tem notícias de Clara?...se aventura a perguntar uma das noras...esposa de Mário o primogênito, pois o tema Clara se transformou em tabu naquela casa e embora não admitam todas sentem curiosidade em saber o que está acontecendo com a afilhada dos Mendonça.
– Ahh Luciana...não tenho contato com Clara há muito tempo.
– É o melhor que você faz, não deve mesmo correr o risco de ser contaminada por aquelas pessoas...diz em tom de repulsa.
– Não acredito no que estou ouvindo...intervém Rita esposa de Roberto o mais jovem dos varões chamando a atenção das outras mulheres.
– Como não...é intolerável esse comportamento pecaminoso de Clara, ela cuspiu no prato que comeu envergonhando toda nossa família...diz Luciana.
– Que absurdo!...Rita olha de forma fulminante a concunhada....- Sinceramente acho uma bobagem manter-se longe de Clara a quem considera uma filha.
– É que...que Mário ordenou que me afastasse totalmente dela...Sandra mostra-se hesitante.
– Desde quando marido pode nos impedir de ver nossos filhos...minha querida este é o momento em que Clara mais precisa de você...da mãe dela e o que faz...vira-lhe as costas, por deus como acha que ela está se sentindo.
– Você não deveria se meter nisso, por que está defendendo ela?...Clara está maculando o respeitável nome dos Mendonça...fala a preconceituosa Luciana...- Ela tomou sua decisão pois arque com as consequências.
– Não concordo com essas posições retrógradas, evoluam e atualizem-se...pra mim é completamente normal que duas pessoas do mesmo sexo se relacionem, desde quando o amor é algo maléfico?
– É contra a natureza humana e as leis de Deus, o homem nasceu para a mulher e vice-versa, o que Clara está vivendo é uma aberração e não tem perdão pra ela...Luciana exaspera-se.
– Pelo amor de Deus...estamos no século 21 essa postura é da época medieval, você é uma louca, uma falsa moralista...Rita está indignada.
– Louca eu?...Você é que parece moderninha demais, na nossa família não admitimos homossexualidade, comportamentos obscenos, não aceitamos e pronto...Luciana fala convicta.
– Apenas adultério é isso?...É muita hipocrisia da sua parte em censurar alguém e não olhar pra sua própria vida...quem tem teto de vidro não joga pedra no vizinho...Rita ironiza.
– Calma queridas!...Sandra resolve intervir.
– Escuta bem minha sogra...antes de mais nada você é a mãe da Clara, não é correto o que está fazendo ela não merece essa rejeição de vocês...- Sandra ela é sua filha ao menos era isso que dizia.
– Clara é minha filha sim...Sandra é categórica.
– Pois está longe de ser uma mãe de verdade pra ela e francamente é uma pena...Rita solta as últimas palavras e sai em busca de seu marido deixando as duas mulheres ali.
– Que insolente!...Luciana aproxima-se de Sandra colocando os braços sobre os ombros da sogra que permanece calada, reflexiva com as palavras de Rita.
SANTA TERESA...
Depois do jantar Clara e Marina terminam de organizar a cozinha.
– O que achou do Dr. Morais?
– Me pareceu muito bom...bastante profissional, fez as perguntas corretas...Marina encolhe os ombros...acho que não há necessidade de procurar outro médico, o importante é que pra este processo esteja tranquila e relaxada, que não tenha pressão de nenhuma espécie, agora vamos iniciar uma bateria de exames e veremos como tudo irá se desenvolver...Clara que está guardando o último prato no armário abraça sua branca por trás e a beija na nuca, deixa escapar um suspiro nervoso.
– O que foi amor?...Marina pergunta apertando-a mais contra suas costas.
– É...que...é que tenho medo que não funcione...responde quase murmurando, sente-se invadida por uma estranha sensação de temor.
– Ahh amor...Marina agora vira-se e fica de frente pra mulher que tanto ama...- Não há o que temer amor vai dar tudo certo, faremos o tratamento indicado...tudo o que for necessário e quando nos dermos conta já teremos uma mini Marina correndo pela casa.
– Você acha?...Clara está insegura.
– Tenho certeza....o que não pensamos é que esses processos podem resultar em mais de um bebê, por precaução sempre colocam dois óvulos o que pode gerar gêmeos ou trigêmeos.
– Santo deus!...Clara assusta-se...a produtora ao ver a cara de espanto da morena cai na gargalhada...- Então meu amor imagine que em pouco tempo podemos ter um batalhão aqui em casa.
– De verdade?...É sério isso?
– É tão sério que estou até planejando fazer uma reforma na casa, quando a comprei jamais imaginei que minha vida mudaria tanto.
– Tudo culpa minha...sinto muito!...Clara fala abraçando sua branquela, Marina afasta-se um pouco da morena pra melhor olhá-la nos olhos.
– Escute bem amor...nunca mais diga isso, agora se quer sentir culpa por algo posso dizer que você é a responsável por ter me trazido as maiores alegrias, por fazer esse coração bater acelerado só em saber que me ama, começa a beijá-la...por ter mudado minha vida sim mas pra muuuuuuuito melhor.
– Eu amo você...declara-se Clara emocionada com as palavras de Marina.
– Também amo você minha linda...agora vamos descansar que amanhã será um dia muito agitado pra nós.
– Sim...vamos!...Abraçadas caminham para o quarto ao mesmo tempo que vão apagando as luzes da casa.
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