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11 Capitulo 10 - A Queda


Notas iniciais
Nota inicial: Infelizmente este capítulo está sem betagem. Really sorry! Relevem meus erros!

CAPITULO 10 – A QUEDA

O grito de Sherlock ecoou na sala. Quando não tinha mais voz, ele balançou a cabeça, e a bateu no chão. Ele precisava acordar. Precisava ficar lúcido. Ele já havia tido alucinações antes, pelo abuso das drogas e insônia, e todas às vezes, ele conseguia fazer tudo aquilo acabar. Se acalmar! Ele precisava se acalmar. Ajoelhado, sentou-se sobre os pés, e fechou os olhos. Respirou fundo. Se entrasse em seu palácio mental poderia voltar a si. Voltar a si e ver que continuava em Baker Street, com Molly na sua cama. Respirou fundo novamente. O cheiro de sangue era tão pungente e avassalador. E o pior era ouvir Molly chorar de dor. Ele não conseguia se concentrar ouvindo-a chorar.

— Isso não está acontecendo! Acorde! – exclamava ele, sentindo sua roupa úmida. Abrindo os olhos, pode ver o sangue escuro que se escorria pelo chão molhando sua calça. Seguiu a trilha rubra com os olhos até encontrar Molly. Ela estava, como ele, sentada sobre os joelhos, mas debruçada neles. Seu rosto quase se encostava ao chão, e ele apenas pode ver sua expressão de uma dor excruciante. As mãos dela estavam fechadas em punho, e sua mandíbula dura com os dentes cerrados. Ela gemia com a dor, tentando controla-la.

— Sraosha, meu amor! – Henkel se aproximou, pisando no sangue, como se fosse gramado fresco. – Isso pode acabar. Eu posso acabar com a dor num mísero segundo. É só ficar ao meu lado.

Molly respirou fundo, e virou o rosto, encarando Sherlock. Ele a olhava com os olhos vidrados, como se jamais a tivesse visto na vida. O rosto dele começava a inchar, próximo ao olho direito, onde Henkel havia o acertado por ela ter rido dele. Sherlock era só um peão naquele jogo. Era tão fácil para Henkel descarta-lo.

— Sraosha, não seja estúpida. Você não é ninguém para ele. Coisa alguma. Só um brinquedinho numa noite solitária. Ele não ama você, nunca amou. Só eu a amei de verdade. Eu sou capaz de tudo por você. Tudo! Matar e morrer. Que tal isso, huh? Que tal punir esse monte estúpido de barro por não amá-la? Pode se vingar dele.

— Não o ouça, Molly. – Sherlock tentava se aproximar. — Nada disso é verdade.

— Não existe glória como essa. – Henkel apontou o martelo ensopado de sangue para Sherlock, fazendo-o se afastar, enquanto continuava. — Sentir o prazer de destruir o que lhe magoou. Você pode fazer isso. Todo anjo é um anjo vingador. Todo anjo é um anjo de morte.

— CALE A BOCA! — gritou Sherlock.

— Pare com isso, Henkel. – ela murmurou. Não tinha forças para mais do que isso. – Jamais faria isso.

— O quê?

— Não sou como você.

— Mas é. É sim. Pergunte a ele. Pergunte se ele a ama. – ele olhou para Sherlock, sorrindo. Molly se sentou, e pode encarar Sherlock. Ele a olhava atônito. – É fácil. Uma pergunta de sim ou não. Ama, Sherlock Holmes?

— Molly, não o ouça. Ignore. Isso não é real. Isto tudo é a minha consciência, minha culpa...

— Se não é real, onde você acha que está? Você foi até o hospital, onde eu o peguei. Você acha que injetei drogas em você? Porque eu faria algo tão sem sentido? Se Moriarty estivesse mesmo vivo, por que ele faria isso? Não, ele iria querer você bem lúcido.

— Real? Molly como um anjo que está aqui para me proteger é real? Se é real, ela fez um trabalho péssimo.

Henkel gargalhou.

— Fez mesmo. Sraosha não é a melhor do mundo, mas você não é fácil. – ele se agacha na frente de Sherlock. – Mas me responda uma coisa: você a ama? Ela precisa ouvir sua resposta.

Sherlock fechou os olhos, pensando em todos os anos que a conhecia. Em todos os momentos em que ela o ajudou, em Barts e fora dele, como ela o salvou, como foi bom se perder no corpo dela, vê-la dormir, fazer planos com ela... Alucinação ou não, a resposta era só uma:

— Sim.

— NÃO! NÃO AMA. – gritou com força. — Você não ama ninguém. Só a si mesmo. É bom tê-la na cama, gemendo, enquanto satisfaz seu corpo físico. Isso não é amor. Ama-la é esperar por ela por centenas de anos. É tê-la viva no seu consciente em todos os segundos da sua vida. É respirar esperando-a voltar.

— Henkel... – Molly soltou baixinho. – Pare.

— Ele não lhe ama, Sraosha. Ele pode se importar, ser grato, sentir prazer ao seu lado, mas isso não é amor. – Henkel dizia com tanta ternura, que Molly achou que ele acreditava naquilo mesmo. Ela mantinha os olhos em Sherlock, enquanto ouvia Henkel. – Nenhum amor se compara ao meu.

Molly levantou os olhos para Henkel. Ele estava certo. Sherlock não a amava. Ele se importava com ela, era sua amiga, e confiava nela cegamente. Mas isso não era amor. Não de verdade. Ela sim, o amava com toda a força que um coração, uma alma pode aguentar. Ele era amado por um anjo. Um amor que milênios não podem apagar. E naquele momento, estava se decidindo por Henkel. Não acreditava na sua causa, em Lúcifer, ou coisa alguma. Mas ao lado dele, ela poderia cuidar dele, vigiá-lo e protege-lo.

— Henkel... Tenho uma condição para ficar ao seu lado.

Henkel abriu o maior sorriso que Molly já viu antes. A divindade dele a inundou com uma esperança que jamais achou que Henkel pudesse sentir. Ela sabia que ele a amava. Era algo doentio e obsessivo. Um anjo é superior em tudo, inclusive em amar.

— Aceito qualquer coisa.

— Promete?

— Claro. Você é tudo para mim. Preciso de você como minha rainha.

— Molly, não. Não aceite isso. – Sherlock implorou. Molly olhou para o homem amado, com os olhos molhados. — Se for real, se isso tudo destruir tudo o que eu acredito que seja lógico e racional, será o fim.

Molly sorriu para ele. O sorriso mais doce e verdadeiro que alguém podia dar.

— Quero continuar como a Ofanin de Sherlock. Para protegê-lo.

— NÃO! NUNCA! SERÁ SÓ MINHA! — gritou Henkel, beirando o descontrole.

— Não, Molly. Não faça isso.

— Isto é o que eu quero, Henkel. É o meu sacrifício.

Henkel arregalou os olhos e a encarou, ao ouvi-la dizer aquilo. Ele sabia. Soube ao mesmo tempo em que Molly. Ela entendeu o que deveria fazer assim que as palavras saíram da sua boca. Não haveria alternativa. Acabaria com tudo, com a tortura, com a dor, com Henkel, com seus planos, sua vida com Sherlock e, acima de tudo, consigo mesma.

— SUA MALDITA! – ele se jogou sobre ela, a acertando onde podia.

Sherlock pulou para cima deles, mas Henkel era forte demais para ele. Ele tentava tirá-lo de cima dela, enquanto gritava. Nada ouvido ali era compreensível: Sherlock gritava com Henkel, e Henkel gritava com Molly.

— NÃO IRÁ FAZER ISSO! NÃO IRÁ! NÃO IRÁ SALVÁ-LO!

— LARGUE-A!

Molly, deitada sobre sua única asa, e sobre o coto ensanguentado, respirava com dificuldade, mas começou sua prece. Tinha que ser rápido. Era algo que, em milhares de anos de historia, poucas vezes foi utilizado. Nenhum anjo faria aquilo. Não era só proibido. A punição para o uso daquilo era a morte. Molly, pela última vez, quebraria a Palavra.

As palavras angélicas fluíram como se ela o entoasse todos os dias. Eram compreensíveis apenas para Henkel, que gritava e tentava fazê-la parar. Ele sabia quais eram aquelas palavras, o que faziam, o poder que tinham. Ele levou às mãos a garganta dela, enquanto sentia as mãos de Sherlock na sua. Mas ele sabia que a vocalização não era necessária. Ela podia continuar com aquilo em pensamento. E aquilo era sua vingança pessoal.

Ele parou, e empurrou Sherlock longe, pulando sobre ele. A alternativa era mata-lo antes que ela terminasse o clamor de sacrifício. Suas mãos foram até sua garganta, e Sherlock tentou se soltar.

— NÃO IRÁ CONSEGUIR! NÃO IRÁ CONSEGUIR! – Henkel gritava, mas já sentia que era impossível. Ela tinha conseguido.

Com um grito inumano, ele se afastou. Ele podia sentir a divindade de Sraosha em Sherlock.

— Acha que pode conseguir tudo, Sraosha? Não pode. Você cavou sua sepultura.

— O que está acontecendo? – Sherlock perguntou, confuso e rouco.

Molly sorriu feliz.

— Eu venci, Sherlock. Ele não pode lhe tocar. Não pode mata-lo.

— O que você fez?

— Minha essência está em você. Tem algo de anjo em você agora. Meu sacrifício o impede de lhe matar. Minha consciência está limpa. Gabriel irá me julgar sabendo o por que eu fiz isso.

Henkel, desesperado e furioso, tinha uma ultima cartada. Uma última vingança. Gabriel não poderia perdoa-la. Ela não poderia ter uma nova chance. De voltar a terra, para esse estúpido humano. Não. Ele não deixaria Sraohsa ter chance. Nem. Uma. Única. Chance.

Ele foi rápido demais. Demais para os olhos de Sherlock e de Molly. O que Sherlock pode ver foi apenas o Utførelseøks, o machado dourado ensanguentado, na mão de Henkel. E na piscada de olhos seguinte, a asa que sobrara ensanguentada no chão.

O grito de Molly se misturou com a gargalhada de Henkel.

— Comigo aqui, você nunca irá vencer! – ele gritou no ouvido dela. — Tudo o que sobrou de você, da sua divindade, morrerá com seu humano!

Henkel se levantou, ajustou o terno e sumiu pela porta. Sherlock observou tudo com seu coração despedaçado. Viu Molly deitada no chão, numa poça de sangue. Ela estava pálida e seus lábios arroxeados. Sherlock sabia. Não havia dúvida: Molly estava morrendo.

Se rastejou até ela, aninhando-a em seus braços.

— Molly... – sua voz era um murmúrio desesperado. – Por favor...

— Acabou, Sherlock. – ela sussurrou. — Estou caindo.

— Não, não. Vou chamar John e uma ambulância.

— Eu amo você.

— Não, agora não. Você vai me dizer isso no hospital.

— Não há tempo, Sherlock. Estou caindo. Estou perdendo tudo o que é celestial em mim.

Ele balança a cabeça, sem compreender de verdade aquilo tudo. As lágrimas caem, e seu coração enche de dor e de medo.

— Me perdoa por ter escondido quem eu sou.

— Isso não importa agora.

— Me perdoa por ter envolvido você nisso.

— Molly, não há o que...

— Ele está certo. Eu nunca deveria ter me envolvido com você. – Ela começa a se engasgar, e sangue sai da sua boca. – Você quase morreu por isso.

— Você não fez nada. Foi ele...

— Ele me persegue há séculos e mata todos quem eu amo.

— Não fala nada. Vou chamar John e levar você para um hospital.

— Ter estado ao seu lado todos esses anos é tudo o que podia querer. Tive o que ninguém teve: Sherlock Holmes nos meus braços.

— Não, Molly, não. Não faça isso.

— Eu amo você, Sherlock.

— Oh Molly... Eu... – Sherlock encara os olhos vidrados dela. – Não, não, não...

Nunca Molly morreria em uma alucinação sua. Jamais. Seu consciente não faria isso. O que fez Sherlock congelar de pavor: era real. Puramente real. Molly estava morta em seus braços. Jamais voltaria. Ele jamais veria seu sorriso novamente. Sua força, sua lealdade, seu suéter de cerejas, seus olhos castanhos, seu cabelo espalhado pela sua cama, suas mãos passeando pelos cabelos dele... A pontada no seu peito e em seu estomago, o fez perder o folego.

— NÃO! NÃO! NÃO! – gritou com força.

E Sherlock faz algo que jamais fez na vida: com seu rosto na curva do ombro de Molly, sentia tanta dor que só com lágrimas podia se expressar.

TO BE CONTINUED...

Notas finais
N/A: Eu sei, eu sei. Ligya má! Mas hold your knickers! Está tudo sobre controle! Todas as explicações necessárias, principalmente sobre o que a Molly fez, será no próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.