Vocadroid
5 Watashi Piko desu
Notas iniciais
Miranda encarou o android caído no chão. Então cutucou seu rosto com o garfo que o loiro lhe trouxe junto com a comida.
– Será que ele quebrou? – Miranda pensou em voz alta enquanto guardava o garfo de volta.
Foi então que ouviu a porta de casa ser destrancada.
Seus pais tinham chegado mais cedo.
– Agora ferrou de vez! – falou Miranda desesperada – Anda, acorda!
A morena sacudia o android para ver se ele despertava. Nenhum resultado.
– Miranda?! – falou a voz da sua mãe perto da porta de seu quarto – Está aí?
– Claro, mãe! – falou Miranda tentando demonstrar sonolência na voz, mas esta saiu meio desesperada.
– Tudo bem filha? – perguntou a senhora preocupada. A morena viu a maçaneta sendo girada – Porque a porta está trancada?
– E-Está? – mentiu Miranda colocando o android em seus ombros – Deve... Deve ter emperrado e eu não notei...
“onde eu vou esconder um android de mais de 1,50m de altura?!!” pensou a morena desesperada de um lado para o outro.
Miranda tropeçou na cauda do Piko, caindo de cara no chão, o vocaloid sobre ela.
– Miranda! – falou a mãe forçando a porta.
– Itai! – resmungou Miranda, então viu que a porta foi aberta – Não mãe, não entra ago...
Sua mãe entrou as pressas no quarto.
– Mas que bagunça! – falou ela olhando ao redor – Você deu uma festa do pijama e não nos avisou?
Espera... Ela estava olhando para a arrumação do quarto em vez do android de roupas brancas e pretas sobre a filha?
– Mãe, a senho...
– Ai, Meu Deus, Miranda! Seu nariz está sangrando! – falou a mãe se agachando e tirando um lenço da bolsa para limpar o rosto da filha – Onde foi que você escorregou?
– Na... Espera... – falou Miranda afastando a mão da mãe que tinha o lenço para longe – A senhora não está vendo nada de diferente por aqui?
– Além do seu nariz sangrando e de um ciclone ter passado por aqui? Não. – falou sua mãe em tom irônico.
– Certeza? – falou Miranda assombrada. Então olhou para os lados. Percebeu que só ela e a mãe estavam no quarto – Cadê ele?!
– Ele quem? – perguntou a senhora confusa.
– Piko! – falou Miranda ao mesmo tempo surpresa e assustada – Ele... Ele estava bem aqui!
– Piko? Fala desse bonequinho? – ela pegou um boneco que estava ao lado da filha.
Miranda arregalou os olhos. Nas mãos da mãe se encontrava um vocagochi do Piko de olhos fechados, aparentando dormir serenamente. Seu queixo só faltou bater no chão de tão surpresa que estava.
– E esse? – repetiu a mãe colocando o Piko nas mãos da morena.
– É... É ele sim. – falou Miranda assustada – Só que ele parecia... Maior...
Sua mãe riu.
– Foi o boneco que você comprou na internet, não foi?
– Aham.
– Sabia. Devia ter mais cuidado com as compras da internet minha filha. As vezes chega o que a pessoa não comprou. – Ela entregou o lenço a filha e se levantou – Limpe esse nariz e arrume essa bagunça. Seu pai daqui a pouco chega e você sabe como ele é em relação a bagunças e machucados.
– Claro, mãe. – suspirou Miranda.
– Não, Miranda. Não tem nada dizendo que vocagochis podem ficar do tamanho de uma pessoa real. – falou Esme que lia as informações técnicas gerais dos vocagochis no site oficial pelo seu tablet – Por quê? O Piko ficou do seu tamanho e cantou pra você?
Miranda ficou calada. Será que ela tinha sonhado com tudo aquilo.
Já faziam duas semanas do ocorrido. Piko não voltara mais ao tamanho humano. Tampouco voltara a virar a massa pastosa cinzenta que antes era. Mas também não se mexia. Parecia estar em algum tipo de sono profundo. Mas androids podem dormir?
– Terra chamando Miranda! – falou Esme estalando os dedos na frente da morena – Eu fiz uma pergunta.
– Ahn.. Oi?! Desculpe... Qual foi a pergunta? – perguntou Miranda sem graça.
A loira arqueou uma sobrancelha.
– Você anda muito distraída ultimamente. – falou a amiga – Tem algo te preocupando?
Miranda suspirou.
– O Piko não quer acordar.
– E vocagochis dormem? – perguntou Esme fazendo careta.
– Você quer dizer que não consegue ligar ele. – falou Letícia se aproximando das duas amigas – Desculpe, mas eu ouvi a conversa.
– Mal educadaaa... Ai! Doeu Letícia. – resmungou a loira acariciando o novo galo que ganhara sobre a cabeça.
Letícia suspirou. Então encarou Miranda.
– Você já tentou colocar ele pra carregar?
– Aonde? Ele não veio com um carregador.
– Sério? Que estranho...
– Coloca a USB dele em alguma entrada e vê no que dá então. – falou Esme indiferente.
As duas encararam a loira.
– Eu sei, eu sei... Ideia boba, mas...
– Até que pode funcionar... – falou Miranda um pouco animada – Nas características gerais do vocagochi do Piko a USB que ele tem também serve como tomada para uma fonte de energia pra ele recarregar.
Ela tirou o vocagochi da mochila. Piko ainda tinha a aparência de adormecido, os olhos fechados.
– Ahn, é muito fofo! — falou Esme.
Miranda pega a USB do vocagochi.
– Agora onde colocamos?
– O Gakupo não tem uma entrada de USB na parte de... Ai! O que eu falei demais agora? – resmungou Esme ao receber um cascudo de Letícia.
– Isso seria uma cena indecente. – falou Letícia suspirando.
– Que... Ah... Uuuhhh.... Tááá... (imaginem o Kronk de A Nova Onda do Imperador falando) – falou Esme com um sorriso suspeito.
– Eu não entendi. – falou Miranda confusa.
– Não entenda. Bem... Que tal plugarmos no Tablet de Esme?
– Quê?! Coloca no Gakupo!
– É melhor eu fazer isso em casa no meu computador. – falou Miranda se afastando discretamente das amigas enquanto elas começavam uma discussão sobre onde meter a USB do Piko.
~*~
– NANI?!!!
Yuko encarava a tela do computador assustado.
– Yuko-san! Daijobu? (?) – perguntou Karin entrando as pressas do escritório do chefe. Ouvir Yuko gritando era sempre preocupante.
– O protótipo... Karin... MANDARAM O PROTÓTIPO PARA A PESSOA ERRADA!
A japonesa perdeu a pouca cor que tinha no rosto.
– Como?! O estagiário garantiu que...
– O demita agora! – berrou Yuko – Não quero mais incompetentes na minha empresa!
– H-hai! – falou Karin saindo as pressas, deixando um Yuko desesperado sozinho no escritório, as mãos nos cabelos.
– Preciso encontrá-lo. – falou ele nervoso – Antes que alguém o ative. Preciso encontrá-lo!
Yuko pegou o paletó que estava sobre um porta-casaco e saiu de sua sala, deixando o computador ligado, aberto em seu e-mail. Um específico, com apenas alguns Kanjins e romanjis grandes e em negrito que diziam: gosta de piadas, não Yuko? Pois aqui lhe vai uma: se o protótipo não estiver na minha mesa em duas semanas, você será despedido.
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