Você voltou?
8 Resolvendo problemas...
Notas iniciais
No dia seguinte fui mais cedo esperando encontrar com Jin logo para resolver este problema, e não ser ignorado pela Lire logo antes da escola.
Infelizmente, a Titia Jin chegou atrasada.
Passei a aula quieto, de novo… E na hora do intervalo fui procurar Jin, mas encontrei com Elesis junto de Arme antes.
—Lass! —as duas me surpreenderam.
—Ah, oi… Voltaram a se falar? —perguntei vendo as duas juntas, coisa que não aconteceu ontem.
—Sim, ela me ouviu. —Elesis falou.
—Ela invadiu minha casa e me amarrou na cadeira para me obrigar a ouvir… —Arme falou parecendo que era algo normal.
Ta… Como reagir a isso? Ela falou parecendo normal… MAS NÃO É NORMAL UMA PESSOA INVADIR SUA CASA E TE AMARRAR, bom… É a Elesis… Então posso considerar normal ou quase isso.
—Ah, que bom que estão se falando. —falei tentando ser gentil.
—Ela ficou brava porque eu não falei que a gente estava namorando. —Elesis falou.
—E A GENTE NÃO ESTA NAMORANDO! —fiquei surpreso com o motivo.
—É, agora eu sei… —Arme deu de ombros.
—Porque acharam que nós estávamos namorando? —perguntei confuso.
—Ela te deu um beijo na saída… Antes de ontem… —Arme disse meio envergonhada.
Tá, não é só a Elesis que sabe que eu saio por trás da escola.
—Na bochecha! Na bochecha! —Elesis falou.
—É… Não pareceu isso do lugar que eu vi, mas acredito na Elesis. —Arme falou. —E vocês foram pro parque da praça… —ficou envergonhada de novo.
—Mas agora está tudo certo, né? —perguntei, não acredito que foi por isso.
—É. —elas sorriram.
—Lire também está brava por causa disso?
—Sim. —elas responderam juntas.
—Eu até falaria com ela, mas acho melhor você mesmo resolver isso. —Elesis falou.
—Por que eu? Ela não vai prestar atenção em nada em que eu falar!
—E ela ainda está de TPM… —Arme lembrou.
SÉRIO ISSO? SÉRIO? VOU MORRER… TO FUDIDO… EU SOU O CARA MAIS AZARADO DO MUNDO.
—Já era… —falei baixo.
—Boa sorte! —elas falaram.
—Se você estragar tudo... —Elesis falou.
—Nós falamos com ela depois que a TPM passar. —Arme continuou.
—Então eu só vou falar com ela depois disso também!
—Melhor não, problemas assim é melhor resolver rápido. —Elesis avisou.
—E por que vocês só falariam com ela um tempo depois?
—Acho que você nunca a viu de TPM… —Arme falou.
—Não mesmo, por quê?
—Ela não é nada gentil, meiga, amigável… —Arme parecia com medo.
Tá, sem família na cidade vai demorar pra identificar o corpo…
—Foi muito bom conhece-las. —já me conformei que iria morrer
—Que sua morte seja rápida e indolor. —Arme tentou achar esperanças.
—Obrigado.
Depois disso fui falar com o Jin, apesar que eu deveria ir falar com a Lire… Na escola teriam muitas testemunhas.
Tá, vou falar com ela a sós… Não quero ela presa.
—Jin! —chamei.
—E ai, Lass? —ele falou bem humorado como sempre.
—Falou com a Amy?
—É… —o bom humor dele sumiu.
—É?
—Ela parece bem brava… —ele disse coçando a nuca.
—Por que motivo?
—Ciúmes… —ele olhou para o lado um pouco bravo.
Titia Jin Friendzonada.
—Do que? —perguntei, tá que eu já tenho uma idéia do que seja.
—Você e a Elesis namorando… —ele deu de ombros.
—Nós não estamos… Você não falou pros outros né?
—É, eu achei isso… Não falei antes de confirmar com você. —ele colocou as mãos no bolso da calça.
—Então elas estão só com ciúmes?
—Parece que sim.
—Sério isso, que idiotice… Pera… A LIRE COM CIÚMES? —acho que pensei alto de mais, sorte que só o Jin ouviu, só que não era nem pra ele ter ouvido.
—É, parece que sim.
Fiquei feliz em ouvir isso, até cheguei a sorrir. Jin não viu por não estar prestando muita atenção.
Ele foi saindo aos poucos e meio triste… Deu pra perceber o porquê dele estar assim.
—Amy ou Lire? —perguntei.
Ele ia andando com as mãos no bolso e cabeça baixa, mas ao ouvir a pergunta levantou a cabeça.
—Amy… —voltou a andar.
Sorte, se ele gostasse da Lire eu já acertaria uma voadora nele.
Tá, antes de eu ir falar com a Lire acho que estou devendo uma pro Jin.
A aula passou e eu fui rápido para encontrar Amy, ainda dentro da escola. Quando a encontrei me coloquei na frente dela, impedindo que continuasse.
—Da pra deixar eu passar? —ela falou grossa.
—Eu não estou namorando. —pisquei.
Ela mudou a expressão assim que eu falei isso.
—Quer que eu te leve até em casa? —continuei.
—Claro! —ela se animou e foi ao meu lado.
Sugeri que parássemos numa parque que tinha, Amy não morava tão longe de Elesis.
—Porque você achou que eu estava namorando com a Elesis? —acabei rindo.
—Nós vimos… —ela se sentou no balanço que havia.
—Viram errado, eu nunca namorei pra falar a verdade. —sentei no balanço ao lado.
—Se-Serio? —ela parecia nervosa.
—É… —dei de ombros, me balançava um pouco.
—E você quer?
—Que garoto não quer? —dei uma risada.
—Lass, eu gos… —Amy falava, mas eu a interrompi.
—Não termina, eu sei o que você vai falar. —me balançava um pouco mais.
—E então? —ela perguntou.
—Então o que?
—Você?
—Ah, eu não gosto de você —deu pra ver que ela ficou triste quando eu falei isso — e você também não gosta de mim.
—Como não? —ela me olhou confusa —Eu gos...
—Não termina, você não gosta de mim.
—Por que não? Sei que sim.
—Você não tem motivos para gostar de mim. —eu já tinha parado de me balançar.
—Claro que tenho!
—Então quais são?
Amy ficou quieta, mas depois de um tempo respondeu:
—Você… É… Bonitinho.
Acabei por rir.
—Só?
—Não… também tem… —Amy tentou achar alguma coisa.
—Você não tem motivos, já eu tenho todos os motivos do mundo para dizer que você não gosta de mim. —dei de ombros.
—Quais?
—Eu não sou bonitinho, na verdade eu sou feio e cheio de espinhas escondidas pela franja; sou frio; nunca troquei uma palavra com você antes de você virar amiga da Lire; eu sou burro; você na verdade não sabe nada sobre mim; pareço ser gay… —fui falando todos os motivos, até pessoais, pra uma pessoa não querer gostar de mim.
Conforme fui falando, ela foi rindo.
—E agora? Tem motivos? —terminei.
—Eu até esqueci que eu gosto de você… —Amy riu —Na verdade você ter espinhas, parecer gay, ser burro, ser frio e outras coisas eu não me importo muito.
—Mas… —forcei.
—Mas… Eu realmente não sei nada sobre você e só comecei a falar com você depois de ser amiga da Lire, e eu já gostava de você bem antes… Nem lembro quando começou. —ela tentava lembrar mas não conseguia.
—Quando uma garota gosta de um garoto e fala pra alguma amiga ela também começa a gostar, mas por querer ser melhor que a amiga, e assim por diante. —Sieg já havia me explicado isso.
—Talvez. —ela se balançava um pouco.
—Esse é o verdadeiro motivo por você gostar de mim. —voltei a me balançar.
—Vendo por esse lado, acho que eu não gosto de ninguém. —ela se balançava alto e sorria.
—Gosta sim.
—O que? —ela parou rápido e bruscamente, levantou bastante poeira.
—Você gosta de alguém.
—Não.
—Sim.
—Não.
—Sim.
—Eu só gostava de você, então na verdade eu não gosto de ninguém. —ela se balançava rápido.
—Gosta sim.
—Não, não tem ninguém com quem eu fale muito e a bastante tempo, e que eu conheça muito também.
—Tem sim.
Coitado, friendzonado completamente.
—Quem? —ela parou o balanço e me olhou confusa.
—Um tal de Jin, conhece? —na hora que falei o nome dele ela ficou vermelha.
Olhou um pouco para baixo ainda vermelha; depois que voltou ao normal, surgiu uma aura demoníaca.
—Elesis… —ela fechou a mão em punho.
—Elesis? —essa eu não entendi…
—O que ela te falou? —parecia que estava me ameaçando.
—Que vocês são melhores amigos… —falei nervoso.
—E o que mais?
—Só isso.
—Fala tudo exatamente como ela falou.
—’Ele é meio… Que… O MELHOR amigo da Amy’, só.
—Só?
—Só.
—Então, como Elesis mesmo disse, ele é só meu melhor amigo.
Friendzonado…
—Ele gosta de você, e você gosta dele.
—Ele não gosta de mim… —ela falou um pouco triste.
—Como não?
—Eu já o vi babando pela Lire. —cruzou os braços e olhou para o lado oposto ao meu.
—Ah, por que ela fala francês? —ri.
—Ela fala francês?
—E inglês, alemão, espanhol, entre outras. —ri de novo.
—Ela fala tudo isso? —Amy se espantou.
—Sim, acho que ele estava babando por ela ter falado francês com eles no primeiro dia dela…
—Mas já falou que gosta dela.
—Estranho.
—Estranho?
—Hoje mesmo ele falou pra mim que gosta de você. —ela ficou bem vermelha com isso.
—Ele falou isso mesmo?
Ele não tinha falado nessas exatas palavras…
—Sim, e todo dia reclama por você não dar tanta atenção a ele e outras coisas. —dei de ombros.
—Eu não sabia… —pela voz, ela se sentiu culpada.
—Ele deve ter falado que gosta da Lire para você, porque eu aposto que já falou que gosta de mim para ele.
—Várias vezes… —ela parecia estar mais culpada.
—Tudo bem, ainda dá pra arrumar. —sorri.
—Se for ver por assim… —ela pensou um pouco —Você gosta da Lire?
—Só não fala pra ela. —sorri nervoso.
—Claro. —ela riu —Vou tentar te ajudar.
—Tá, mas revolve as coisas com o Jin antes.
—Ok. —ela riu.
—Acho que já vou pra casa, era isso o que eu tinha pra falar. —levantei.
—É, eu vou também. —ela também levantou —Obrigada. —ela sorriu e me deu um beijo na bochecha.
—Haha, nada… —ok, fiquei meio sem graça.
—Obrigado mesmo. —ela sorriu.
Eu sorri de volta, mas foi o meu sorriso quase não-sorriso típico.
—Sério, não fala NADA pra Lire.
—Não vou falar, e você não fala pro Jin!
—Não sei o porquê já que você não vai ser rejeitada, mas tudo bem…
—Verdade né, —ela riu —mas eu ainda tenho um pouco de vergonha… —ela se balançava pra frente e pra trás com os pés.
—E comigo? Já foi falando… —brinquei.
—Você sabe que é diferente! Vai que não da certo e perde a amizade. —ela falou meio triste.
—Nunca pensei desse jeito. —agora eu pensava em todo dia ver a Lire e ser ignorado… —Se eles nos aturaram até agora, daqui pra frente não vai ser muito difícil. —tentei ser positivo.
—Talvez sim. —ela sorriu de canto.
—Vou tentar fazer as pazes com a Lire… —suei frio, por que ela tinha que estar de TPM?
—Toma cuidado. —Amy não estava tão radiante.
—Vou tentar. —sorri forçado.
—Talvez um dia poderíamos sair em um encontro duplo. —falou alegremente.
—O que é isso? Um segura a vela do outro?
—Não. —ela riu.
—Ok então… —dei de ombros.
—Até. —ela acenou e saiu saltitando.
—Até. —apenas observei e fui para a minha casa, ou não…
Parei em frente a casa da Lire, é… Eu teria que fazer aquilo e eu não poderia deixar pra outro dia.
Bati na porta e depois de algum tempo Lire a abriu; me encarou e logo bateu a porta, mas eu não deixei que ela fechasse a porta, colocando o pé e impedindo a porta de fechar. Ela ainda forçava a porta no meu pé.
—Lire! Eu vim falar uma negócio pra você! —eu não sabia o que dizer que a convencesse de abrir a porta.
Felizmente, ela abriu a porta e me encarou brava, eu já sorri torto e entrei na casa dela.
Fale com o autor