Fred POV

Todos nós sabíamos como a Ordem ficou abalada com a morte de Dumbledore. Olho-Tonto se tornou o responsável pelas decisões e depois de sua morte, foi Kingsley que assumiu o posto. Querendo ou não, cabia a ele dar algum direcionamento para nós enquanto Harry, Rony e Hermione agiam sorrateiramente.

Kingsley Shacklebolt pertencia ao Sagrado 28, mas, assim como os Weasley, não acreditava nessa besteira de pureza do sangue. Sinceramente, ser chamado de traidor do sangue é um elogio… Se do outro lado estão bruxos como os Malfoy. Gostaria de ter conhecido sua esposa, Sabrina, mas era arriscado demais ela permanecer aqui, então o auror conseguiu ajuda do Ministro da Inglaterra para extraditá-la para a Índia junto com sua família trouxa. Com isso, ele estava prestes a viver de maneira clandestina.

Nós três nos encaminhamos para encontrar Lino Jordan em seu “acampamento”.

Aparatamos na porta da antiga cabana que Lino costumava nos levar nas férias e assim que a porta se abriu, ele nos olhou com desconfiança. Eu sabia exatamente o que dizer para confiar nossa identidade:

—Sabemos que você tem uma tatuagem de um Hipogrifo acima do...

— Fred! Jorge! Bom ver que vocês ainda estão vivos!Quase inteiros!- comentou apontando para a orelha de Jorge e depois olhou para Shacklebolt — ...Ah, meu nome é Lino Jordan... E você é…

—Kingsley Shacklebolt! É um prazer conhecê-lo pessoalmente. Fred e Jorge não pararam de falar sobre você…

— Eles me amam, é claro. Tive de recusar o pedido de casamento um milhão de vezes! Não posso magoar o coração de um deles...

— Agora não tem desculpa, amorzinho. Deixa o Fred para Hermione e você é todo meu! — Jorge abraçou o amigo bagunçando seus dreads. — Como anda aquele projeto que comentou com a gente?

Lino fez uma expressão mais séria.

—Se vamos falar de negócios, é melhor vocês entrarem. Preciso refazer alguns feitiços.

O moreno abriu caminho para entrarmos e apontou a varinha para o céu. O feitiço não foi verbalizado, mas se eu conheço bem o Lino, deve confundir qualquer pessoa que tente aparatar por aqui.

O local estava muito bem equipado, parecia a oficina do papai cheio de tralhas trouxas. Kingsley tinha a mesma expressão que Arthur teria olhando o local, parecia maravilhado com aquelas coisas cheias de antenas e botões.

—Funciona?

Perguntei apontando para o que parecia um microfone conectado por cabos àquela parafernalha.

—Fiz o primeiro teste essa manhã… Senhores, é com orgulho que lhes convido para a primeira transmissão do futuramente famoso “Observatório Potter”!

— Brilhante!

—Sobre o que pretende falar, Jordan?

—Kings, você está no meu cafofo, pode me chamar de Lino! Sobre a rádio, em poucas palavras, quero falar a verdade. Tenho meus contatos para conseguir informações e a gente sabe que não dá para confiar mais no Profeta Diário. Lembro como foi maneiro quando o Harry deu uma entrevista pro Pasquim falando sobre a volta de Você-Sabe-Quem e mais gente precisa saber dessas coisas.

— Jord... Lino, sabe os riscos que está correndo, certo? Se o Ministério descobrir essa transmissão, você vai ter um alvo na cara para todos os Comensais da morte.

— Relaxa… Tenho tudo planejado! Pensei em colocar uma senha, só quem tiver acesso a ela que vai ouvir. No final da transmissão falamos a senha do dia seguinte, para quem nos acompanha diariamente saber como nos encontrar. Só precisamos de um assunto para as senhas que os Comensais não conheçam… Pensei em colocar senhas da Torre da Grifinória, mas… Mesmo que eu odeie admitir, podem haver ex-alunos da Grifinória do lado do Ministério e dos Comensais…

Olhei para Jorge e eu sabia em quem ele estava pensando. Percy ainda permanecia do lado do Ministério, mesmo depois de tudo que aconteceu. Foi Kingsley que deu o ponto de partida para aquela ideia radio virar algo concreto:

—Lino Jordan… Já ouviu falar da Ordem da Fênix?

* * *

Assim tudo começou a se encaixar.

Enviamos uma carta para Xenofílio pedindo que publicasse uma mensagem subliminar em um artigo apresentando uma rádio fictícia e a primeira senha para a rádio era o nome daquela cujo amor superou o poder de Voldemort: Lilian Evans.

River, o pseudônimo de Lino “Jordan”, dava as notícias e Royal, o nome genial adotado por Kingsley, fazia comentários sobre os problemas no Ministério e em como tudo isso afetada a comunidade bruxa em geral. Logo recebemos uma mensagem de Remo que passou a aparecer eventualmente para falar usando a alcunha de Rômulo e apresentar o quadro “Amigos do Potter” para transmitir esperança às pessoas que confiam nele para mudar a situação.

Eu sei, os nomes ficaram muito bons!

Jorge e eu ainda vendíamos objetos da Gemialidades por correio, sobretudo kits de segurança para bruxos com pouca experiência com feitiços de proteção, mas estávamos lá, participando de tudo. Às vezes tínhamos de mudar o acampamento de local com a aproximação de caçadores de recompensas e Comensais, mas com 3 mentes geniais e um auror, conseguimos nos livrar deles em pouco tempo.

A rotina seguiu assim por meses. Mandávamos notícias para a mamãe garantindo que estávamos seguros e que se soubéssemos algo de Rony, avisaremos ela, mas nada aconteceu.

Passamos meses sem receber algum sinal que Harry, Rony e Hermione.

Eu estava ansioso pensando no que poderia ter acontecido com ela, mas também estava confiante que estavam bem, afinal, Voldemort não perderia a chance de se gabar disso caso tivesse o trio em mãos… Se ele está em silêncio, é bom sinal.

Soubemos que Teddy, pai de Tonks que vivia foragido por ser trouxa, faleceu. Não foi a primeira morte que noticiamos, mas era uma morte muito próxima. Lupin não quis dar a notícia, era seu sogro afinal de contas… Decidi que a partir daquele dia eu também teria um quadro. Depois tantas perdas e separações, Voldemort já não me causava medo, mas raiva. Eu precisava falar algo para as pessoas para não se deixarem levar pelo medo que ele se esforçava em nos causar. Bem, o que é melhor para combater o medo do que uma boa desmoralizada da imagem de grande bruxo que ele teimava em passar ?

—[...]Gostaríamos de nos referir a ele como o Chefão dos Comensais da Morte e, para comentar alguns boatos delirantes que circulam a seu respeito, eu gostaria de apresentar um novo colaborador: Rodent.

— Rodent? – Aquela era minha grande estreia e Lino conseguiu confundir um nome super legal, Rapier, com algo bobão como Rodent – Não sou o Rodent, nem pensar, já disse que queria ser o Rapier!

— Ah, está bem então. Rapier, pode nos dar a sua interpretação das várias histórias que temos ouvido sobre o Chefão dos Comensais da Morte?

Respirei fundo, aquele era o momento. Muita coisa passava pela minha cabeça. Eu queria que as pessoas se divertissem, ao mesmo tempo que ficassem informadas e pudessem ver como essas histórias do Voldemort são ridículas!

— Pois não, River. Os nossos ouvintes conhecem, a não ser que tenham se refugiado no fundo de um laguinho no jardim ou lugar semelhante, a estratégia usada por Você-Sabe-Quem em que ele permanece nas sombras para criar certo clima de pânico. Vejam bem, se todas as notícias de gente que o avistou forem genuínas, deve ter bem uns dezenove Você-Sabe-Quem andando por aí.

— O que naturalmente convém a ele – comentou Kingsley, ou “Royal”. – O mistério está criando mais terror do que sua real aparição.

— Concordo! Então, pessoal, vamos tentar nos acalmar um pouco....As coisas já estão bem ruins sem precisarmos inventar nada. Por exemplo, essa nova ideia de Você-Sabe-Quem ser capaz de matar com um olhar. Isto quem faz é o basilisco. Um teste simples é verificar se aquilo que está olhando para vocês tem pernas. Se tiver, pode fixá-la nos olhos sem medo, embora haja a probabilidade de ser a última coisa que você fará na vida, se for realmente Você-Sabe-Quem.

— E os boatos de que não param de avistá-lo no exterior? – perguntou Lino.

— Bem, quem não iria querer umas férias agradáveis depois de todo o trabalho pesado que tem feito? Pessoal, a questão é: não se deixem embalar pela falsa sensação de segurança achando que ele está fora do país. Talvez esteja, talvez não, e é inegável que, quando ele quer, consegue se deslocar mais rápido do que Severo Snape ameaçado com um xampu, portanto, não confiem que ele esteja muito distante se estiverem planejando se arriscar. Nunca pensei que me ouviria dizer isso, mas a segurança vem em primeiro lugar! E se você estiver me ouvindo, querida. Fique segura, você ainda me deve um beijo depois que essa loucura acabar!

— Obrigado por suas palavras sensatas, Rapier...Caros ouvintes, chegamos ao final de mais um Observatório Potter. Não sabemos quando será possível voltarmos ao ar, mas podem ter certeza de que voltaremos. Não parem de girar os botões dos rádios: a próxima senha será “OlhoTonto”. Mantenham-se mutuamente protegidos, mantenham a fé. Boa-noite.

A rádio foi desligada e a tensão passou. Lino, Kingsley e Remo me parabenizaram por minha “atitude”, mas é claro que minha cópia precisava dar destaque ao meu lado mais… cafona.

—Mandando recadinho para a Granger e rede nacional? Esse é meu irmão, já está de quatro pela Sabe-Tudo!

Todos riram, é claro, mas gostei da ideia. Se aquele fosse meu jeito de falar com ela, vou aproveitar cada segundo com uma declaração diferente.

No dia seguinte, antes de entrarmos ao vivo, recebi uma coruja de Gui.

“Sua querida está aqui.”

Olhei para Jorge ao meu lado. Ele riu e comentou:

—Eu posso ser o Rapier hoje. Agora vai! Há! Traz uns Cockies…

No mesmo instante eu aparatei na entrada.

Eu não sabia porque ela estava aqui, nem se a mensagem era realmente segura… Confesso que não pensei direito, só que queria aproveitar uma última chance de vê-la.

Foi aí que a vi na porta do Chalé das Conchas : Belatrix Lestrage.

A ansiedade e alegria foram consumidas por um ódio absoluto. O que ela estava fazendo aqui? O que havia feito com minha família?!

Eu estava de varinha e punhos preste a enfeitiçá-la antes que me notasse quando seu rosto virou em minha direção e sorriu:

—Fred!

Por mais bizarro que toda aquela situação, aquela expressão sincera e apaixonada… Eu sabia que aquela era Hermione.

Harry saiu pela porta com Rony usando novamente uma roupa estranha, dessa vez um casaco preto bem estilo Comensal. Ao lado deles, um duende. Pareciam estar de saída.

—Hermione! Por quê?… Como?… Onde..? Você…?

—Pretende terminar uma das perguntas, mano?

Foi Rony quem me respondeu e eu olhei para Harry, pedindo uma explicação. Confesso que era desconfortável olhar para Hermione daquele jeito, ao mesmo tempo eu ansiava por tê-la por perto novamente, tudo estava tão estranho!!

—Fred… Você não deveria estar aqui, — tive a impressão dele olhar com cara feia para Hermione — mas eu entendo que esteja morrendo de saudade da Hermione. Eu sinto o mesmo por… Todos da Toca. Mas temos que ir quanto mais rápido terminarmos isso, mais rápido podemos voltar às nossas vidas.

Hermione continuou a explicação. Ela me olhava com ternura, como se também estivesse morrendo de saudade de me abraçar.

—Nossa missão agora exige que eu assuma a aparência da Bellatrix, então eu tomei poção polissuco...

— Como conseguiu um fio de cabelo dela?

O trio de ouro se encarou e Hermione continuou.

—Longa história, é melhor que você não saiba agora.

De fato foi melhor que eu não soubesse, ou teria surtado naquele momento ao saber de sua tortura. Eu sabia que era uma possibilidade, mas o ódio a Bellatrix poderia me fazer tomar uma atitude irresponsável que apenas colocaria minha vida em risco.

—Precisamos ir agora, Hermione. Ou vamos perder a hora. Harry, pode conduzir a aparatação? — Rony cortou nossa conversa, ele logo deu as mão para Hermione e o duende — Se for ficar para ver Gui e Fleur, agradeça a eles por nós.

E tão rápido eu pude vê-los, o grupo desaparatou, deixando-me sozinho na porta do chalé. Aproveitei o momento para ver meu irmão e quem sabe, conseguir respostas.

* * *

Assim que encontrei Gui, ele me explicou que o trio havia chegado no dia anterior, mas que concordaram em manter em segredo para garantir a segurança, Hermione pediu que ele me chamasse hoje pela manhã.

Quando me falou sobre o estado em que estavam, sobretudo a tortura… Não consegui me segurar e a parede ficou marcada por meu punho. Eu tive vontade de chorar e berrar com Gui, mas a culpa não era dele. Era de Voldemort, no fim, sempre voltava a ele.

Gui não sabia para onde iam, eu não tinha ideia de como contatá-los, só me restou voltar para a cabana do Lino. Quase me esqueci de pedir alguns cookies feitos pela Fleur, quando bati na porta para entrar no Chalé mais um vez e pedir os famosos biscoitos, vi Gui lendo uma carta enviada por nosso pai.

—Um dragão, Fred. Aqueles doidos saíram de Gringotes voando em um Dragão!

Aquilo me deixou eufórico, orgulhoso e preocupado, essa notícia eu fazia questão de falar no Observatório Potter! E no meio dessa curiosa e alegre situação, de algum jeito, o trio de ouro nos inspirava esperança!

O que eu não esperava é que naquela mesma noite, tudo se resolveria. Aquele seria o último dos embates contra Voldemort… Uma última chance de enfim conseguirmos ficar livres e em paz.

Notas finais
Depois de todo esse tempo, a conclusão se aproxima. Essa história em quatro partes me ajudou muito a passar meu tempo durante a pandemia e eu redescobri como gosto de escrever. Aos que acompanharam até aqui, obrigada! Aos que esperam descobrir o final... O próximo capitulo será a conclusão de tudo que vimos até aqui.