Você vai lembrar de mim - Fremione
12 Epílogo
Maio de 2000
Hermione POV
—Mais alguma coisa, Granger?
— Sem mais, senhor Weasley.
Depois de 6 meses trabalhando no Departamento para Regulamentação e Controle de Criaturas Mágicas, consegui aprovação para elaborar meu primeiro projeto. Não era nada revolucionário como garantir aos elfos a mesma autonomia jurídica dos duendes, mas era um começo, o programa Elfos Livres daria apoio psicológico e orientação para elfos recém libertos.
Percy Weasley pegou os últimos documentos necessários para levar para Kingsley, atual ministro da magia. Antes de sair, meu cunhado sorriu me desejando boa sorte.
—Vai dar tudo certo, Hermione.
—Espero que sim. Nos vemos na Toca?
—Com certeza! Se alguém perder o primeiro aniversário da primeira neta de Molly Weasley, vai expulso da família e, eu garanto, é uma merda passar o natal sozinho.
O ruivo deu uma espiada fora da porta checando se alguém havia visto o engomadinho do departamento falando um palavrão, depois piscou para mim e saiu pela porta.
Aquela foi minha última reunião do dia. Pensei em aproveitar o tempo livre para fazer uma visita surpresa ao Fred.
Sob a minha mesa estava a nossa foto em frente a Floreios e Borrões quando foi reinaugurada. Fred ainda era sócio da Gemialidades e participava de todas as reuniões criativas com Jorge e Rony, mas passava boa parte do tempo na Floreios. A livraria passou a fazer mais lançamentos, eventos e até ganhou um espaço para cds, fitas cassete e dvds trouxas.
Essa ideia começou quando eu o levei em um cinema, o ruivo ficou irredutível com a ideia de fazer seções de filmes trouxas… Ou pior:
—Podemos produzir nossos filmes, Hermione! Com efeitos especiais infinitamente melhores, é claro. Enquanto eles fingem que podem soltar raios laser ou voar com uma capa… A gente realmente pode fazer isso!
Tive de levá-lo para conhecer o Museum of the Moving Image, não queria desiludir sua vontade de produzir filmes, mas mostrar como era um trabalho difícil. Coincidentemente, estavam lançando na mesma época um novo produto, DVDs. Comprei para Fred um aparelho de Dvd, uma televisão e passamos a comprar os dvds de seus filmes preferidos.
Pelo visto, a paixão de Arthur por objetos trouxas passou diretamente para Fred e ver filmes juntos virou nosso novo hobby.
O outro porta-retrato não se movia, era um cartão de natal que ganhei dos meus pais.
No meu aniversário de 20 anos, eu havia terminando meu último ano em Hogwarts e estava prestes a iniciar meu trabalho no Ministério. Fred me fez uma surpresa solicitando uma chave portal para Austrália e eu pude rever meus pais. Quando suas memórias voltaram, papai e mamãe decidiram continuar na Austrália e isso doeu em meu coração, mas entendia o lado deles. Fred fez toda uma cena cafona pedindo minha mão ao meu pai e ele se esforçou em uma imitação de pai super protetor comigo. Os dois prometeram vir para nosso casamento, eu dei a eles o endereço da Floreios e Borrões e garanti que o correio trouxa tinha seu jeito de me entregar cartas. Mamãe riu e disse que me ligaria.
Celulares. A cada dia parece que me esqueço mais de certas tecnologias trouxas.
Enquanto devaneava nas memórias, ouvi alguém bater na porta.
—Entre.
A porta se abriu e um loiro de olhar esnobe apareceu à minha frente.
—Isso explica muita coisa. É um prazer revê-la, Granger.
—Malfoy.
—Precisamos de informações. Sabemos onde você foi e o que você fez.
* * *
Passado o choque inicial de encontrar Draco, conversamos. A última vez que o vi foi em seu julgamento, Harry depôs a favor dos Malfoy. Lucius foi preso por 2 anos, Draco foi condenado a prestar serviços ao Ministério, assim como Narcisa. Ambos foram convidados para o aniversário de Teddy, mas não compareceram.
Pelo que entendi, o loiro foi sentenciado a prestar consultoria sobre artes das trevas aos Inomináveis. A maioria dos Comensais se recusa a falar sobre os segredos guardados por suas famílias, mas ele concordou.
—Mas você não está com o crachá de consultor, Malfoy.
—Acabei de terminar minha sentença e fui admitido a trabalhar integralmente com os Inomináveis.
—Imagino que isso tenha a ver com o motivo de vir até minha sala…
—Continua inteligente, Hermione. Deve saber que não podemos falar do nosso trabalho, mas curiosamente você me foi designada como parte do meu novo objeto de estudo.
O sonserino me olhava como se tivesse me pego quebrando as regras. De fato, tenho a impressão que quebrei algumas depois dos que Rony, Percy e eu fizemos durante a última batalha de Hogwarts para salvar Fred. Era questão de tempo até o Ministério vir até nós.
—Eu tenho direito civil de me manter em silêncio em um interrogatório, Malfoy.
Risadas. Draco Malfoy estava literalmente rindo da situação.
— Não precisa entrar em pânico, minha cara Heroína de Guerra. Você não está sendo acusada, nem será obrigada a falar algo. Nós, Inomináveis, estamos atrás de conhecimento genuíno, mesmo envolvendo situações menos ortodoxas. O encantamento que realizou ficou registrado pelo Ministério, mas provavelmente passaria despercebido se não fosse por minhas atuais pesquisas.
—Você está pesquisando sobre memórias, algo assim?
—Como você faz parte da pesquisa, posso responder. Sim, sobre memórias e magia das trevas… — reagi com espanto e ele parecia se divertir com meu receio- Por favor, Hermione. Eu sei que essa não foi a primeira vez que você se envolveu com magia das trevas. Não se faça de santa!
—Como você…
E o bruxo à minha frente sorriu como se tivesse ganho na loteria.
—Então você não descobriu? Depois de todo esse tempo? Não que eu não me orgulhe das minhas habilidades, mas eu não achei que conseguiria te enganar por tanto tempo… — Ergui minha varinha. O sonserino já havia rido o suficiente de mim sem me dar qualquer explicação — Calma, querida! Não precisamos passar dos limites! Estou do seu lado agora, lembra?
Abaixei a varinha e continuei ouvindo:
—Em poucas palavras, eu apaguei uma memória sua. POR FAVOR, SEM VARINHAS! Posso explicar… Em nosso sexto ano, nós estávamos com alguns problemas pessoais… -eu sabia exatamente do que estava falando, do que passei- Começamos a conversar nas madrugadas, eu diria até que nos tornamos amigos. Mas eu dei informações demais a você e precisei apagar sua memória. Tudo que aconteceu é passado e vou entender se não quiser saber o que aconteceu… Tenho certeza que você deve odiar a ideia de ter conversado com um comensal repulsivo como eu…
Refleti sobre o assunto. Algo dentro de mim sempre soube que faltava algo.
—Quero, Malfoy. Draco. Quero saber o que aconteceu.
Assim, sua varinha foi apontada para mim e Draco me encarou como se pudesse entrar em meus pensamentos, foi exatamente o que fez.
—Legimens!
Foi como se portas fossem destrancadas e partes da minha memória que estavam borradas foram completadas pela figura à minha frente. Nós cuidávamos um do outro, até rimos juntos! Draco Malfoy foi meu amigo. No pior cenário possível, agora que sabemos o que aconteceu com Dumbledore, mas no momento em que eu precisava, ele esteve lá comigo.
—Eu já pedi muitas desculpas, Hermione. Mais do que meu orgulho pode suportar por 2 vidas! Agora, o que posso fazer é pedir que confie em mim. O Ministério confia, espero que você também. Depois de tudo que aconteceu, sabemos que não dá para só fingir que magia negra é terrível e negligenciar ter informações sobre ela. Precisamos entendê-la… Não só para combatê-la, mas para saber como funciona, e inclusive, seus benefícios. O amor é um tipo de magia negra, salvou seu amigo testa rachada há anos atrás e salvou seu namoradinho da morte. Nem todo mundo tem estômago para estudar essas coisas, mas eu tenho. A única coisa que preciso é saber o que você viu.
Gastei alguns segundos pensando nessa avalanche de informações.
—Espero que esse monólogo pelo menos tenha te convencido que tenho boas intenções. Poderia voluntariamente falar comigo, Hermione?
Sorri.
—Será um prazer, Draco. Venha visitar a Floreios e Borrões algum dia. Também tenho alguns livros que podem lhe interessar.
Passamos o resto do tempo livre conversando, Malfoy trabalhava sozinho como Inominável e pareceu gostar de ter alguém com quem falar sobre seus estudos. Eu sentia que dali surgiria uma nova amizade. Convidei-o para visitar Teddy e sugeri que levasse sua mãe. Até mesmo Harry gostaria que o afilhado tivesse mais contato com a família.
***
Fui direto para a Floreios. Já morava com Fred há mais de um ano, mas sempre que entrava na Floreios, era a mesma sensação de êxtase. Juntos, enfim estávamos juntos e podiamos aproveitar a companhia um do outro sem preocupações.
Assim que saí da lareira, dei de cara com um ruivo sorridente tentando bancar uma expressão de irritado com minha demora.
—Granger… Granger… Pelo visto a futura senhora Weasley não sabe mais respeitar as horas. Está quase dois minutos atrasada para nosso importante compromisso!
Eu sabia exatamente que tipo de compromisso ele estava falando. Sempre imaginei que uma vida ao lado de Fred seria cheia de diversão... Mas confesso que não achei que seria esse tipo de diversão.
Fiz a melhor encenação de culpa que pude para entrar na personagem.
—Minhas sinceras... Desculpas... Senhor... Weasley…
Falei me aproximando do bruxo a minha frente, que só agora noto estar vestido unicamente com uma toalha na cintura. Senti com as pontas dos dedos seu rosto se segurando para manter a cara fechada e desci a mão sutilmente apreciando cada parte de seu corpo rígido. Os anos como batedor do time de Quadribol lhe deram um tronco musculoso e, obrigada Merlin, a herança Wealsey lhe concedeu um caminho de fios ruivos que me deixavam completamente excitada.
Ele podia manter a pose, mas seu corpo não mentia, a cada toque eu sentia como estava arrepiado e como gostava da nossa brincadeira.
—O que posso fazer para compensar... Meu… -cheguei a toalha e senti o volume sob o tecido. Fred segurou um gemido involuntário e eu afastei minhas mãos. — ...atraso?
Aquele jogo era nossa diversão entre quatro paredes.
Fred mordeu os lábios como se pensasse no que fazer… Em como me "punir".
—Antes de mais nada, a senhora deveria tirar esse casaco...
Senti suas mãos em meus ombros me fazendo girar e ficar de costas para ele. Seu corpo colado ao meu, logo os botões do casaco foram abertos enquanto ganhava beijos em meu pescoço. Fred enfim tirou meu casaco e o arremessou para longe. Estávamos quase empatados no número de roupas.
Eu lhe sentia me roçando, me deixando úmida com a ideia do que me aguardava.
—Preciso sentir… — suas mãos foram para dentro do meu sutiã, acariciando as pontas até ficarem rígidas com o toque gelado. — Que você sabe que fez algo... Errado... — apertando o bico, meu corpo respondeu sozinho se inclinando contra seu quadril — E sabe que precisa...Implorar…
Senti seus lábios deslisando em meu pescoço fazendo uma trilha até meu ponto fraco. Enquanto isso, uma de suas mãos foi ao fecho do sutiã e a outra desceu até minha calcinha. Fred me provocava apenas por cima do tecido.
—Fred… P...Por favor…
—Por favor o quê...Hermione…
O sutiã logo caiu e sua mão voltou aos meus seios, me massageando. Senti um dedo me penetrar ainda sobre o tecido e me apertar contra seu corpo.
—Me… Fode! Fred Weasley... — seus dedos roçavam no local certo e aceleraram o ritmo me tirando o fôlego — Me fode!
Suas mãos me soltaram imediatamente e senti um tapa ressoar em minhas nádegas, aquele som havia se tornado um guilty pleasure para me excitar. Por um milésimo de segundo, desejei que suas mãos ainda me tocassem, mas logo me virei encontrando um Fred completamente nú prestes e me beijar.
Sorri. A brincadeira de verdade estava prestes a começar.
***
Horas depois, estávamos chegando na Toca. Mesmo trabalhando no Ministério com Harry e Rony, eu quase não via meus melhores amigos. Eram momentos assim que podíamos nos ejcontrar e colocar o papo em dia!
Jorge estava acompanhado de Angelina e a aniversariante estava com os pais, mais precisamente no colo da vovó Weasley. Carlinhos e senhor Weasley pareciam entretidos numa conversa sobre asas de dragões e aviões trouxas e Percy estava num canto, felizmente, dessa vez não parecia estar se afastando da família, mas conversando com sua acompanhante, minha colega de repartição, Audrey.
Em seguida à nossa chegada, vimos Harry e Gina chegar pela lareira. Os dois não se separaram desde que a grifinória terminou seu último ano em Hogwarts… Harry não sabe disso, mas Rony, Fred e eu apostamos quem dará o próximo neto à família. Meu slickes depende dele e Gina.
Falando em Rony, era o único Weasley faltando no grupo. Achei que já estaria lá já que voltou a morar com os pais, mas logo a resposta apareceu batendo à porta.
—Boa noite. Desculpem pelo atraso… A culpa não é minha, juro.
—Eu precisava tirar eles só depois que anoitecesse, Rony. Vejam! Trouxemos brigadeiro de cenoura! Ajuda a afastar zonzóbulos e ainda tem chocolate que, é claro, é um amplificador natural de patronos.
Luna. Pelo visto, os dois vieram andando até a Toca. Gina e eu teremos muitas perguntas para uma determinada magiozoologista… Mas isso fica para depois.
Agora, com todos presentes, nos reunimos em torno de um bolo numa mesa cheia de guloseimas.
Notei que Jorge e Fred estavam se encarando e ouvi um sussurro do meu noivo:
—Quando eu disser 3, a gente se abaixa.
—Parabéns… Para você…
Foi como se eu ouvisse a música em camera lenta, já imaginando que o pior fosse acontecer.
—Um…
—Nessa data querida… Muitas fe...Licida..Des!
—Dois…
—Muitos anos de vida!
—Três!
O próximo segundo muita coisa aconteceu simultaneamente. Fred, Jorge, Angelina e eu nos abaixamos. Todos os demais levaram uma avalanche de purpurina laranjada saindo do bolo! Em seguida, ouvimos Gina e Molly gritarem ao mesmo tempo:
—Fred e Jorge!
E logo os gêmeos começaram uma verdadeira corrida em meio aos cômodos para desviar de feitiços da matriarca e da caçula. Luna ria de toda a situação e Rony reclamava dos irmãos não terem lhe avisado. Percy pediu mil desculpas à namorada por passar por essa situação enquanto tentava tirar a purpurina de seu vestido.
Ainda abaixada, segui para debaixo da mesa de comida e me deparei com Angelina fazendo o mesmo.
Nós duas não havíamos conversado sobre nossa "situação". Lembrei de uma conversa que tivemos há anos atrás no banheiro da Murta. Angelina ainda namorava Fred. Anos antes de Jorge passar a ir em todos seus jogos durante a última temporada e agora começarem a namorar.
—Peguei alguns doces antes de purpurinar tudo.
A morena estendeu a mão oferecendo um brigadeiro laranjado. Nesse caso, laranjado pela cenoura, não pelo logro explosivo.
Sorri e compartilhamos alguns doces enquanto o caos se alastrava pela Toca.
De onde estávamos, podíamos ouvir Victoria rindo e quase falando enquanto tentava pegar os brilhos espalhados no rosto da mãe. Os gêmeos pareciam ter sido encurralados já que resmungavam sobre puxões de orelha.
Mais um dia na família Weasley.
Tudo parecia bem.
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