Notas iniciais
Oi, espero que gostem. Eu coloquei a descrição dos garotos no Disclaimer, porque é mais fácil para saber quem é quem. Desculpem qualquer erro de português e/ou formatação. Abraço.

Eles eram melhores amigos desde de sempre, desde do jardim de infância ou do colégio, desde de quando se entendem por gente. Em uma tarde tediosa de domingo, eles estavam deitados no chão com o canal de musica ligado, quando o loiro disse: Acho que sou gay.

– Como você sabe? Você gosta de algum cara? — Disse o mais velho, sem parecer dar muita importância na voz.

– Não sei. — deu de ombros e olhou para o amigo — Não, eu nāo gosto de ninguém. Só acho que sou. — voltou a encarar o teto

– Como é que você pode ter certeza então?! — agora o moreno estava sentado encarando o amigo, aquela conversa estava-lhe deixando agitado.

– Eu não tenho certeza. Eu só disse isso porque foi uma razão que me passou pela cabeça. — falou sincero após ver a reação do amigo. Pensou que ele talvez fosse zombar-lhe, mas, se enganou e agora o seu pensamento, que era apenas uma besteira, virou um assunto sério.

– Razão de que? — Matt lhe encarou, sentia que o amigo estava prestes a sair correndo pois se arrependera de ter tocado no assunto.

Bufou e disse o que lhe passava na cabeça — Lembra quando eu fiquei com a Bárbara?! Então, eu achei meio sem graça, não senti nada, nada mesmo, nem lá em baixo. E eu nunca gosto de garota nenhuma, eu acho elas bonitas e é só. — esperava que o amigo entendesse a situação.

– Nossa, o caso é grave. — Matt disse meio de brincadeira. — Talvez você seja do tipo romântico, e esta procurando alguém especial, por isso seu corpo não responde a garotas gostosas. — Sabia que o seu tom foi meio de deboche, sabia também que seu amigo não gostava de romance.

– O que? — Dave parecia não acreditar nisso, seu amigo lhe falando sobre romance.

– É, tipo... — tentou se explicar, agora sem o tom irônico, afinal ele acreditava um pouco no que dizia — Você não sabe, mas talvez o seu eu interior está querendo algo mais sério. — achou que seu amigo fosse rir na sua cara com todo aquele papo de eu interior, mas se surpreendeu quando Dave apenas largou um — É, pode ser. — e voltou a se deitar, agora olhando para a tv.

Matt fez o mesmo, mas agora confuso e com uma dor no peito sem razão.

–x-

Passaram alguns dias depois daquele conversa, tudo normal, se viam na escola, jogavam video game e conversavam sobre qualquer outra coisa, até que em um festa, festa de uma colega deles, com pessoas conhecidas e outras nem tanto assim, uma menina se aproximou de Dave, ele era popular entre as garotas, loiro de olhos com cor de mel, sabia que era bonito e se aproveitava disso, mas não naquela noite, ele apenas disse: — Não desculpa, eu sou gay. — sem ao menos ouvir o que a garota tinha a dizer, a mesma só deu meio giro e saiu em direção a cozinha com uma cara de cu.

– Cara, para de dizer isso. Você não tem certeza. — Matt advertiu indignado.

– Como você pode ter certeza que eu não tenho certeza?! — Dave disse rápido e divertido, vendo uma careta se formar no rosto de seu amigo.

– O que?! Olha, você já ficou com varias garotas, então eu tenho certeza que você não é homossexual. — a ultima palavra saiu como um sussurro, não queria ofender ninguém que pudesse ouvir a conversa deles.

Dave deu de ombro: — Ah nada a ver, se fosse assim, você é o que? Você nunca ficou com ninguém, como pode ter tanta certeza de que é hétero? — queria desfazer a linha de raciocino do amigo, mas invés disso viu o amigo ir embora depois daquela ultima observação.

Ofendido, Matt deixou a sala e saiu da casa e não voltou mais, não por seu amigo duvidar de sua sexualidade, mas sim por falar tão alto que ele, com já 18 anos de idade, ainda nunca havia beijado ninguém.

No dia seguinte Dave passou na casa do amigo para se desculpar, Matt não guardava rancor, sabia disso, mas mesmo assim achou importante se desculpar e eles não tocaram mais no assunto.

–x-

Um mês depois do ocorrido na festa, eles estavam na mercado comprando algumas besteira para comer enquanto assistiam um filme qualquer, Matt pegou seu amigo olhando para um cara na fila do caixa, ele não estava nem sendo discreto, olhava de cima abaixo e ainda fazia umas caretas.

Eai — chamou a atenção do amigo — Já se decidiu sobre... Hum, você? — percebeu que o local não era apropriado, teria que usar palavras certas — Já tem certeza?

O loiro demorou a entender, mas logo riu e disse: — Não, não é uma coisa que eu tenho que decidir, eu tenho que descobrir. — ele notou que seu amigo estava desconfortável com a situação, e resolveu brincar um pouco — Eu só estou checando o produto. Vou ter que experimentar para ter certeza. — foi quando a cara de Matt ficou um pimentão.

Então Matt fechou a cara, não sabia porque aquele assunto lhe incomodava tanto. Pensava: Como assim ele precisava experimentar? Ele está interessado naquele cara, ele não tinha nem um terço de beleza que seu amigo merecia. Ainda se perguntava como Dave conseguia ficar com pessoas que mal conhecia, sem sentimento.

Matt não era do tipo romântico, mas pensava seriamente sobre o assunto, afinal nunca ficara com alguém, e não era por falta de ocasião ou pretendentes, ele era bonito, e todo mundo elogia a seus olhos azuis, ele nunca quis ficar alguém pelo simples fato da falta de sentimento. Ele não precisava estar apaixonado, apenas se interessar pela pessoa já era suficiente, mas nunca conhecera alguém interessante.

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Noutro dia Dave viera feliz lhe contar que tinha conhecido alguém tão confuso quanto ele pela internet, disse que tinha um encontro no parque. Matt ficou furioso, não achava que seu amigo estava falando sério, não sabia que era tão serio a ponto de procurar na internet.

– Você está louco, nunca ouviu falar daquelas histórias de pessoas sumidas depois de encontrar alguém da Internet?!

Dave riu: — Calma, eu conversei com ele por vídeo, sei quem é o cara, ele é um amigo da minha irmã, não é nenhum serial killer.

Matt estava preocupado, seu coração apertado, o ar mal entrava nos seus pulmões, queria saber quem era esse cara.

– Você quer que eu vá junto?

– Não precisa cara, vai lá para que? Segurar vela?!

Matt sorriu amarelo, queria impedir essa loucura, mas porque?

Naquela noite não conseguiu dormir direito, sempre que pegava no sono, sonhava com o tal encontro no parque de Dave, cada sonho tinha uma versão diferente, mas a ultima, foi a que mais lhe espantou:

Dave estava lá em pé, perto de uma árvore, o garoto se aproximava dele, ele sorria enquanto baixava os olhos envergonhado, então o menino passou a mão no cabelo de Dave e a desceu até seu rosto. Quando se aproximou um pouco mais, o loiro disse: Você tem certeza, Matt? E então seu angulo de visão mudou, ele agora conseguia ver os dois garotos como se ele estivesse em cima da árvore, observando de longe, só agora ele notou que o outro garoto era ele mesmo. Sim, como sou burro, ele disse meu nome, pensou, peraí, eu estou pensando no meu sonho.

Só então acordou e não conseguiu dormir mais, ficou pensando no que seu sonho queria lhe dizer, ele não acreditava que sonhos eram futuras premonições, porém acreditava que sonhos eram o subconscientes de suas vontades, é claro que sempre existiam exceções, como aquela vez que sonhou com um ataque de zombis-dinossauros, não era como se ele quisesse que aquilo um dia acontecesse, ou que iria acontecer, mas aquele ultimo sonho não lhe parecia tão ireal e distante assim, a idéia até lhe agradava.

Foi aí que se deu conta, nunca esteve com alguém porque sempre esteve acompanhado de Dave, ele não precisava de ninguém mais, todos aqueles sentimentos de angustia que sentia quando conversava com o mesmo sobre garotas e relacionamentos, era ciúmes, era desejo, era... amor?

Não, não podia estar apaixonado pelo seu melhor amigo, ele era completamente relaxado, falava de boca cheia, nunca dava descarga, ria muito alto em circunstancias erradas, bonito... Não, incrivelmente bonito, ele emociona-se com musicas tristes, ele cora quando é elogiado, ele sabe fazer a gente rir em circunstancias difíceis. Ele era o meu Dave, pensou. Matt e Dave, era assim como os outros nos conheciam, porque eu nunca me reconheci assim?!

Naquele momento percebeu que não poderia deixar o seu melhor amigo, agora recente descoberto, amor de sua vida, sair com um completo estranho em um parque. Ele queria impedir isso agora, naquele instante, mas se deu conta de que ainda eram 5 e meia da manhã, e o encontro só iria acontecer a tarde daquele dia. Ficou na cama armando um plano de como o faria, e o que diria a Dave, mas, o que lhe passava na cabeça era o quanto ele queria abraça-lo e beija-lo, provar o gosto daquele que sempre amou, qual seria a reação dele, se perguntava. E nisso as horas passaram, até que chegou a hora de levantar e ir para o colégio, sua cara estava péssima, não dormira muito e ainda tinha um sorriso bobo na cara, estava determinado, iria falar com Dave na escola mesmo, teria que expor seus motivos caso o seu amigo/amado não desistisse do encontro.

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Antes da aula tentou falar com Dave, sem sucesso, tinha muita gente envolta, parecia de propósito, ficou irritado, não queria ter que dividir a atenção do seu amigo/quase namorado. Na aula, eles sentavam longe, isto era proposital, a professora queria evitar justamente a conversa excessiva dos dois, teria que esperar o intervalo e torcer para que consiga ficar a sós com Dave. Nisso o sinal bate, era agora ou nunca.

– Hey Dave, posso falar contigo. — falou meio baixo, com a voz insegura, o mais novo estranhou, principalmente pelo estado do seu amigo, pensou que talvez Matt estivesse com algum problema em casa, suas olheiras estavam destacadas no seu rosto pálido e bonito. Ele concordou e puxou o amigo para um canto no corredor: — O que houve, cara, você esta bem?

– Não, eu não estou. Na verdade eu estou bem sim, eu descobri uma coisa incrível que talvez você goste, mas eu preciso falar outra coisa antes.

– Fala, aê. — Dave o encarou sério, estava morrendo de curiosidade.

– Você ainda vai naquele encontro? — Matt disse baixo, fazendo o outro sorrir com o assunto.

– Vou porque?

– Dave, não faz isso por favor – a frase saiu de Matt como uma prece. Deixando o loiro assustado: – Matt, eu preciso ter certeza, você não vai deixar de ser meu amigo por causa disso né?

– O que? Não, não é isso. – “ai meu deus, o que estava acontecendo” Matt pensava, ele tentou melhorar o rumo da conversa: – Mas, porque você tem que ficar logo com esse cara?

– Ah, você nem conhece ele. — Dave deu de ombros. – E isso é bom, porque se eu estiver errado, só curioso ou não gostar e der errado eu nunca mais vou ver ele, então está tudo bem. – o loiro terminou dando um sorriso amarelo.

Matt somente balançava a cabeça na negativa e mordia o lábio inferior de nervosismo, e isso fez com que o mais novo desabasse, falando:

– Sério Matt, eu não quero perder a nossa amizade por causa da minha confusão. Se você começar a me odiar, eu não vou saber o que fazer. — enquanto os seus olhos se enchiam de lagrimas, Matt prestou a atenção na suplica do seu amigo e o abraçou pensando que ao se declarar talvez Dave é quem odiaria o amigo, e isso arruinaria sua amizade.

Depois de quase um minuto abraçados, os meninos se separaram, Matt limpava o rosto do amigo carinhosamente enquanto dizia: – Eu nunca vou te odiar. Nem mesmo se você me odiar.

– E porque eu te odiaria? – Dave perguntou olhando nos olhos azuis de seu melhor amigo.

– Essa, era a coisa incrível que eu tinha que te falar... Mas acho melhor mostrar. — Nisso, Matt que ainda segurava o rosto do amigo se aproximou e o beijou, o menor se assustou com o ato e se afastou um pouco, se soltando do amigo, fazendo o beijo não durar ou ser aprofundado.

Matt abriu os olhos, procurando uma resposta e encontrou um Dave de olhos arregalados, foi quando pensou: Fiz merda!

Quando ambos abriram a boca para falar algo, um colega de sala gritou:

– Hey Dave! Peguei seu caderno de Química emprestado!

Dave virou rápido gritando: O que?? Não mexa nas minhas coisas, cara! – E se afastou de Matt indo em direção ao colega.

O moreno abalado com o ocorrido pegou a sua mochila e saiu. Pensava em como tudo tinha dado errado, Dave provavelmente o odiaria agora, provavelmente ainda iria naquele encontro, e era bem provável que algum colega tenha visto os dois juntos e isso seria uma dor de cabeça no dia seguinte. Pediu a secretaria que lhe liberasse para ir para casa, tinha dado alguma desculpa que não se sentia bem, e após confirmarem a saída dele com a sua mãe ele pode ir.

No caminho para a casa não conseguia manter a calma, milhões de coisas passavam pelo sua cabeça: Dave com um cara qualquer, seus colegas de sala rindo da sua cara, sua mãe e seu pai com um olhar decepcionado, até as suas notas baixando, afinal era Dave que lhe ajudava a estudar. Quando chegou em casa resolveu se deitar, colocou no fone de ouvido um rock qualquer só para evitar pensar e caiu no sono.

–x-

Quando acordou sua mãe já estava casa, a tarde já chegava ao fim, “ótimo” pensou, “Dave já deve ter um namorado a essa altura". Matt encontro com sua mãe que estava na cozinha.

– Se sente melhor, filho?

– Um pouco, acho que vou tomar um banho.

– Faz isso enquanto eu preparo alguma coisa para você comer, aposto que não almoçou.

Apenas concordou e disse um obrigado seguindo para o banheiro. Depois do banho Matt se dirigiu a cozinha e encontrou sua mãe com uma visita, era Dave.

O mais velho congelou e viu sua mãe sair do cômodo dando uma desculpa qualquer, deixando os dois a sós.

– Oi, Matt – Dave disse com as mãos nos bolsos.

– Oi, porque você esta aqui? – perguntou sem ser rude.

– Eu liguei para a sua mãe, já que você não me atendeu, ela me disse que me avisaria quando você acordasse. – ele respondeu simples se aproximando. – Matt, desculpa por ter recuado hoje de manhã.

– Não, eu que peço desculpas por ter feito aquilo, foi totalmente errado e....

– Não foi errado. – O menor interrompeu. Deixando Matt surpreso.

– Mas, você parecia assustado.

– E eu estava assustado. Você fez aquilo no intervalo no meio da escola. – Dave falo rindo.

Matt riu e concordou: – Foi mal, nem pensei nisso na hora.

– Tá tudo bem – Dave deu de ombros.

Matt gostou que o loiro não se importou com o beijo, por isso resolver tentar mais uma vez, só que agora do jeito que tinha pensado.

– E como foi o encontro? – O moreno perguntou não mostrando muito interesse.

– Não sei, não fui. – Dave falou simples e Matt deixou escapar um sorriso.

– Porque? – Matt se aproximava mais de Dave.

– Porque eu não preciso mais. – o menor agora sorria bobo.

– Como assim? – Matt se fazia de desentendido, o que deixava o outro sem graça ao se explicar.

– Bom, eu já experimentei, já descobri e agora tenho certeza.

– É mesmo? E qual é o veredicto? – perguntava ao o outro que agora estava vermelho, como a muito tempo não o via.

– Meu eu interior definitivamente quer mandar em mim.

– Você tem certeza, Dave? — Matt lembrou de seu sonho, quando o menor lhe fazia esta mesma pergunta.

– Só com você eu tenho certeza, Matt.

Se aproximaram mais, quase não havendo mais distancia entre eles, e como no sonho o moreno passou a mão no cabelo de Dave e a desceu até seu rosto, beijando o menor, que desta vez não fugiu e retribuiu o contato, colocando seus braços na cintura de seu, agora, mais que amigo.

Fim.

Notas finais
Vou ficar devendo a capa, pois esqueci de desenhar D:Sinta-se a vontade de comentar, se quiser ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!