Notas iniciais
Boa leitura :3 ps. demorei séculos arrumando essa pequena estória, parecia impossível escrever algo do meu agrado D: e ainda não senti o ápice que eu imaginei, mas tá aí ps². nome original da obra: "Você ainda me amará quando eu não for mais jovem e belo?"

Ele era um jovem desleixado, sempre de cabelos despenteados, olhos sonhadores, de temperamento forte, gentil, um cavaleiro admirável, de cosmo poderoso e, um senso de justiça digno de um santo de Athena. Misturava-se aos seus pensamentos distantes daquela vidinha de anseios pela coragem, pelo suor da batalha, por um milagre de segundos, e como um baque mudo, a vida fizera questão de mostrar-lhe tudo isso, e como uma “dádiva”, incluiu coisas poderosas até para um guerreiro de seu patamar:

Ele tinha planos, veja bem, e nenhum deles envolvia esse tal sentimento, o “amor”. Sim, o amor; aquilo que sentimos por várias pessoas, mas só uma possuirá o nosso amor romântico, o amor de compartilharmos uma vida inteira com aquela única pessoa, amá-la mesmo que seu corpo térreo já tenha definhado. Este amor tão repentino, poderoso, aprazível para seu coração agitado.

Mas, sua vida não era como estórias criadas por romancistas de vidas fáceis e estimulados por sentimentos recíprocos​, não teria tempo ao deleite de seu amor. Ensinado a se acostumar à perdas, a lutar pelo amor e justiça, e guiar-se na luz do cosmo de sua deusa.

Fatídico fôra o dia que tudo se findara em suas vidas, o prólogo de uma nova vida, o epílogo de um século de guerras e perdas, aqueles que lhe eram queridos​, vistos como irmãos; do vasto campo onde milhares partiram, daqueles​ vários corpos largados, restos de armaduras por aí, só existia eles dois: cobertos​ de lama, sangue, suor, mal aguentavam em pé, apoiados um ao outro.

Shion, o cavaleiro de ouro da constelação de Áries. Seu grande amigo, companheiro de batalhas e ele, Dohko de Libra. Estavam vivos, cansados, esgotados, depois de tudo aquilo. Carregavam uma vitória quase gélida, carregada pela chuva, pelo sol, por tudo. Caminhavam de volta ao Santuário, onde aspirantes e soldados​ que ainda tiveram a graça de viver aguardavam por algo que talvez nunca viesse, uma luz de esperança, um novo recomeço. Sim, um recomeço, uma nova página, era tudo que precisavam​ agora.

Era claro que tinham que recomeçar, tinham ordens à seguir. Jamais desrespeitariam a última ordem direta de Athena para eles – não tardou a Shion assumir o posto de Grande Mestre, uma solene cerimônia foi feita às pressas –, Dohko estivera sempre ao seu lado, como seu amigo, e secretamente, um admirador apaixonado. Talvez não tenha sido dito quem ele realmente amava, nunca pensou em dizer amá-lo, com todas as letras, não parecia ser necessário, Shion sabia, sentia tudo aquilo junto consigo.

Voltaria para Rozan, deixaria o Santuário para o amigo cuidar, manteria seu posto na sétima casa zodiacal. Ainda tinham onze armaduras disponíveis.. agora. Indagava-se, inexplicavelmente, se esse profundo amor iria durar por tantos anos que ainda viveriam – ele graças ao poder secreto dado por Athena, e Shion, poderia viver bons anos graças à sua descendência muviana –, ele, seria um vigilante, Shion, o patriarca de todo o Santuário, posições dadas especialmente à falecida reencarnação de Athena. E mesmo assim, permitindo-se a mais uma emoção mundana que sobrevivera a toda aquela guerra: o seu amor devoto ao melhor amigo, seu companheiro.

Shion ainda o amaria mesmo quando ele não fosse mais jovem e belo? Quando estivesse tomado de trabalho com seus afazeres, quando Dohko estivesse longe dali, o tempo imprevisível os afetaria? Sentia-se​ fracote por isso, chegando ao cúmulo de esperar uma “resposta” divina sobre suas dúvidas. Um tolo, apaixonado e inexperiente nisso que chamamos de amor.

O tempo, era seu principal medo, e também, seu único aliado. E esperaria o que viria à seguir.

A ideia de estarem sentados nas escadas da primeira casa fôra totalmente de Shion. Sentaram-se nos degraus empoeirados​, em silêncio. Era a despedida de Dohko, e o novo patriarca não parecia a fim de presenciar essa despedida.

— “Vamos envelhecer, mudarmos..” – olhou ao horizonte. — “Ainda irá me amar? Mesmo que eu acabe um velho feio?”

— “Ainda o amarei como amo-o agora!” – afirmou. — “Não consigo acreditar que duvide tanto sobre isso tudo!” – sorria.

— “Tenho medo de não amá-lo como agora daqui cem anos.” – apertou a mão do outro. — “É errado eu temer perdê-lo?”

— “Não.” – seus olhares de cruzaram. — “Não pense no futuro, Dohko. Pense no agora, o futuro trás perdas.. não pode ser impedido, e eu ainda o amarei, mesmo que você acabe como um velhote enrugado!”

— “Ei!” – as risadas soavam por ali, rolaram pelas escadarias, numa brincadeira deverás infantil. Todavia, como despedida de duas almas apaixonadas, dois amantes que logo teriam que se separar, e esperar por anos à fio um devido reencontro.

Notas finais
Oie sz Dei uma sumida das fics, eu sei. Então decidi escrever algumas oneshots sobre alguns otp's que amo ♥ Inclusive este, que como dá para se notar, é totalmente inspirado em young and beautiful da Lana Del Rey (pq quase sempre escrevo fics baseadas nas músicas dela, juro que não faço de propósito!)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!