Você já foi Escolhida

8 Entre a Confiança e o Erro



*Helena*

O problema de quase morrer não era o medo.

Medo era simples.

Medo tinha nome, peso, respiração curta, tremor na mão, pensamento ruim martelando atrás dos olhos. Medo você reconhecia. Conseguia apontar e dizer: está aqui. Está me atravessando. Está me deixando fraca.

O problema de quase morrer era o que vinha depois. A lucidez.

Aquela nitidez cruel que surgia quando o corpo percebia que sobrevivera por um triz e, em vez de agradecer, começava a registrar tudo com precisão dolorosa demais. O cheiro do ar. O som dos passos. O gosto metálico na boca. O calor da mão que tinha te segurado quando o chão quase sumiu.

Helena ainda sentia a mão de Ethan na cintura. Não mais fisicamente. Mas na memória recente do corpo, onde as coisas permaneciam de um jeito muito mais perigoso do que deveriam.

Eles haviam atravessado o corredor seguinte quase sem falar. Boris seguia à frente com a brutalidade inquieta de um animal que odeia estar preso. Marco vinha logo atrás, reclamando em voz baixa para si mesmo, como se o próprio som o impedisse de enlouquecer. Leon andava um pouco curvado, os olhos percorrendo teto, chão e paredes ao mesmo tempo, procurando padrões, placas, números, qualquer coisa que entregasse as intenções do cubo antes que elas se transformassem em sentença.

E Ethan vinha ao lado dela. Nem perto demais. Nem longe o bastante.

Helena sentia a presença dele como se sentia uma febre: silenciosa, constante, impossível de ignorar. Ela queria dizer alguma coisa. Qualquer coisa. Um comentário seco, uma ironia, uma provocação pequena que aliviasse a pressão estranha que tinha se instalado entre eles desde a sala redonda. Mas não encontrou o tom. Porque, pela primeira vez desde o começo de tudo, não tinha certeza de que conseguiria brincar sem revelar alguma coisa real demais. No fim, foi ele quem falou.

— Você devia ter me escutado.

A voz saiu baixa, controlada, mas havia raiva nela. Não raiva contra ela exatamente. Pior. Raiva por ela.

Helena virou o rosto.

— E deixar você fazer sozinho?

— Sim.

— Ethan.

— Helena.

Ela respirou fundo.

— Se eu não tivesse entrado na placa, o sistema podia ter fechado.

— Eu sei.

— Então pronto.

— Não, não pronto. — Ele finalmente parou de andar e virou-se para ela no meio do corredor, obrigando Marco e Leon a contornarem os dois com olhares rápidos demais e discretos demais para fingirem que não estavam vendo. — Não foi bravura. Foi desespero vestido de lógica, e eu já te falei que não vou assistir você se entregar assim toda vez que o risco apertar.

A frase bateu nela como uma porta aberta à força. Helena sentiu o queixo endurecer.

— E eu já te falei que você não manda em mim.

— Ainda bem. Porque, se mandasse, você já teria me enlouquecido.

A resposta veio tão seca e tão sincera ao mesmo tempo que ela ficou sem reação por meio segundo. Ethan percebeu. Os olhos dele escureceram um pouco, como se ele também tivesse notado que a própria frase saíra perto demais da verdade.

Marco, alguns passos à frente, soltou um assobio baixo.

— Eu não vou nem comentar.

— Então faz esse milagre — Ethan respondeu sem olhar para ele.

Marco ergueu as mãos e seguiu andando. Helena sustentou o olhar de Ethan por mais um instante. Ali. No meio daquele corredor sem janelas, com uma bomba no peito e morte matemática à espera da próxima porta, existia uma coisa viva e terrível entre eles. Alguma coisa que não cabia mais só em resgate, proteção, adrenalina ou gratidão. Era pior porque vinha com consciência. Porque ambos sabiam. E porque ambos tentavam não tocar nela diretamente, como se nomear a própria queda pudesse torná-la irreversível.

Ela desviou primeiro.

— Seu ombro está pior.

Ele soltou um ar pelo nariz, breve demais para ser riso.

— Troca de assunto ruim.

— Não é ruim. Está sangrando de novo.

Só então ele baixou os olhos para a própria manga escura. Havia mesmo uma mancha nova perto da costura, discreta, mas suficiente para denunciar o esforço da sala anterior.

— Não importa.

— Você insiste muito nessa mentira.

— E você insiste em se colocar na frente do dano.

— Talvez eu tenha bons motivos.

— Eu não gosto de nenhum deles.

A resposta veio tão imediata que Helena se arrepiou.

Não gosto de nenhum deles.

Não era uma frase grande. Não era uma declaração. Não era nada que mudasse formalmente o mundo. Mas tinha peso. Tinha um tipo de verdade áspera que a pegou abaixo da linha das defesas. Ela abriu a boca para responder, mas uma vibração seca atravessou o corredor. À frente, a parede começou a se abrir.

Todos pararam. A próxima sala era menor. E pior. Helena soube disso antes mesmo de entrar.

As paredes eram mais escuras, recortadas por linhas metálicas finas, e o teto parecia mais baixo, apesar de provavelmente não ser. Havia cinco colunas estreitas distribuídas em círculo irregular e, no fundo, uma parede translúcida atrás da qual corria água. Não muita. Mas o suficiente para transformar o ambiente inteiro numa ameaça diferente.

Marco viu primeiro.

— Não. Não, não, não. Água não. Eu odeio lugar com água.

— Você odeia todas as salas — Boris disse.

— Sim, mas essa eu vou odiar com coerência.

Leon já estava observando as colunas.

— Tem sensores nelas.

Ethan entrou primeiro, atento ao chão, às laterais, à parte superior das colunas. Helena foi logo atrás, sentindo o ar mais úmido ali dentro. O som da água do outro lado da parede translúcida era baixo, mas constante. Como uma promessa.

— O que isso faz? — ela perguntou.

Leon se aproximou de uma das colunas, sem tocá-la.

— Ainda não sei. Mas as marcas aqui parecem indicar níveis.

— Níveis de quê? — Marco perguntou, já sem paciência.

Como resposta, a voz automática surgiu outra vez.

Módulo de compressão progressiva. Sequência iniciada. O grupo deve identificar a coluna correta para estabilização do fluxo. Erros sucessivos implicam aumento do nível de inundação.

Marco ficou muito quieto.

Muito.

Depois passou as duas mãos pelo rosto.

— Eu sabia. Eu sabia que ia ter água. Eu sabia.

Helena sentiu o estômago gelar.

A parede translúcida ao fundo iluminou-se em azul pálido, e então a água começou a entrar por aberturas mínimas junto ao piso. Primeiro como filetes. Depois como uma lâmina fina e fria que se espalhou por toda a sala.

— Ótimo — Marco murmurou, já dando um passo para trás como se pudesse fugir para cima. — Isso é ótimo. Alguém me mata antes da água, por favor.

— Cala a boca e ajuda — Boris rosnou.

— A água está subindo, eu tenho o direito de ser dramático.

Ethan se abaixou junto a uma das colunas e analisou os símbolos gravados na base. Leon foi para outra. Helena observou que cada coluna tinha pequenas marcações numéricas e riscos horizontais, mas não eram iguais. Em duas delas, as marcas estavam quase apagadas. Em outra, havia um símbolo geométrico mais acentuado perto do meio. Na quarta, um pequeno recorte lateral. Na quinta, uma sequência que lembrava frações.

A água já passava dos tornozelos. Fria. Cruelmente fria. O contato fez Helena sugar o ar com força. A bomba no peito pareceu mais pesada. Ela se obrigou a respirar devagar, a não deixar o medo escalar rápido demais, mas o corpo começava a entender o que a mente ainda tentava organizar: se errassem, a sala encheria. E com uma bomba presa ao corpo, não havia sequer como se mover ou lutar livremente.

— Leon — Ethan chamou. — O que você tem?

Leon falava rápido quando estava sob pressão, como se a própria velocidade o mantivesse funcional.

— Cinco colunas, mas só uma estabiliza. As outras provavelmente desviam o fluxo ou aceleram. O símbolo aqui parece indicar divisão... não, espera... não é divisão. É prioridade. Camadas.

Marco já estava com água na canela e o rosto branco.

— Eu não quero morrer afogado. Eu juro que, se eu sair daqui, nunca mais mexo com dinheiro de gente louca. Nunca mais.

— Você vai morrer falando? — Boris perguntou.

— Melhor do que morrer em silêncio do seu lado.

Helena ignorou os dois e foi até a coluna com o recorte lateral. Ficou agachada com cuidado, evitando encostar no peito contra qualquer coisa, e passou os olhos pelas marcações. Ali. Havia alguma coisa. Um detalhe mínimo: pequenas setas voltadas para baixo, quase apagadas, seguidas de uma sequência de três riscos curtos e um longo.

— Ethan.

Ele estava ao lado dela em um segundo.

— O que foi?

— Aqui. Essas marcas.

Leon também veio, a água já quase no meio da canela.

— Setas descendentes... — ele murmurou. — Não, isso pode ser drenagem. Ou pode ser armadilha de escoamento falso.

— “Pode” de novo — Marco reclamou, a voz mais aguda que antes.

Ethan olhou para a parede de água ao fundo, depois para a coluna, depois para Helena.

— O que você acha?

Ela ergueu os olhos para ele, surpresa por ele perguntar de verdade.

— Eu acho que esse símbolo não foi feito para chamar atenção. Foi feito para ser percebido só por quem estivesse calmo o suficiente para olhar.

Leon encarou a base da coluna outra vez e então a expressão dele mudou.

— Meu Deus.

— O quê? — Helena perguntou.

— Três riscos curtos e um longo. Não é aleatório. É código de sequência curta e longa. Não matemática. Ritmo.

— Ritmo? — Ethan repetiu.

Leon assentiu, agora completamente aceso pela descoberta.

— Esse módulo talvez não seja de escolher a coluna certa e pronto. Talvez seja de ativar a coluna correta no padrão certo.

Marco ficou imóvel.

— Você está dizendo que a gente pode ter que... bater na coluna?

— Pressionar em intervalos — Leon corrigiu. — Curto, curto, curto, longo.

A água já estava perto dos joelhos.

Boris xingou.

— Então faz.

— Não é assim — Leon retrucou. — Se for a coluna errada, acelera a inundação. E se o padrão estiver errado, também.

Helena olhou de novo para as setas, os riscos, o recorte lateral. Sentiu uma intuição estranha e insistente, daquelas que não vinham da lógica completa, mas de uma espécie de coerência silenciosa. Algo ali pedia repetição. Pedia leitura. Pedia calma.

Ethan percebeu a forma como ela voltou a olhar para a coluna.

— Fala.

— Eu acho que é essa.

— Com base em quê?

— Com base no fato de que as outras querem ser vistas. Essa quer ser lida.

Ele ficou olhando para ela por um segundo. Longo demais para o tipo de situação em que estavam. Água subindo. Tempo correndo. Marco prestes a colapsar. E, ainda assim, Ethan parou para olhá-la como se quisesse entender não só a hipótese, mas a mulher que havia chegado até ele.

— Certo — ele disse por fim.

Marco arregalou os olhos.

— Certo? Só isso? Você vai confiar no instinto dela?

— Vou.

Helena sentiu o coração bater mais forte. O módulo no peito respondeu com uma luz breve. Ethan notou imediatamente.

— Respira.

— Não me manda respirar desse jeito.

— Então para de me fazer ter razão.

Ela quase respondeu, mas a água gelada agora subia pela coxa de Marco, e isso foi suficiente para obrigar todos de volta à urgência.

Leon apontou para o recorte lateral.

— Talvez a pressão tenha que ser ali.

Ethan testou com os dedos. Nada.

Mudou a posição da mão. Pressionou em três toques curtos.

Nenhuma reação.

No quarto toque, mais longo, a coluna emitiu uma vibração grave.

A água parou de subir por um segundo.

Depois voltou.

— Não foi suficiente — Leon disse. — De novo!

Ethan repetiu: três toques curtos, um longo. Dessa vez a vibração percorreu as paredes. A luz azul ao fundo tremeu. A água hesitou. Marco começou a rir de nervoso.

— Vamos lá, vamos lá, vamos lá...

Mais uma vez.

Curto. Curto. Curto. Longo.

A parede translúcida chiou. Um dreno se abriu no piso perto da extremidade oposta. A água começou a escoar, primeiro devagar, depois com força.

Marco soltou um som entre riso e choro. Boris fechou os olhos um segundo inteiro, como se tivesse acabado de sair de um pesadelo específico.

Helena segurou a coluna mais próxima para se manter firme, porque o alívio veio forte demais e o corpo cobrou tudo de uma vez: frio, cansaço, tremor, exaustão e aquele medo humilhante de ter realmente acreditado que ia morrer afogada com um explosivo preso ao peito.

A água desceu até os tornozelos. Depois sumiu pelos drenos. A parede oposta se abriu. Mas, antes que alguém pudesse comemorar, a parede translúcida ao fundo se acendeu novamente. Desta vez não mostrando água. Mostrando imagem. Uma gravação.

Noah.

O irmão de Ethan. Mais nítido do que antes. Sentado numa cela estreita, o rosto mais magro, o olhar cansado mas vivo. Havia um corte na sobrancelha, hematomas velhos e uma barba mais longa do que na foto anterior. Ele ergueu o rosto para a câmera como quem já sabia que ela viria.

E falou. Sem som. Só movimento de boca. Ethan foi até a parede em dois passos.

— Não.

A palavra saiu quase sem voz. Noah falava alguma coisa. Devagar. Duas vezes. Três. Leon franziu a testa, tentando ler. Marco ficou em silêncio pela primeira vez desde que Helena o conhecera.

Helena aproximou-se também, olhando com toda a atenção que tinha. Os movimentos da boca eram claros, mas a mente demorou um segundo para fechar a leitura.

A frase era curta. Três palavras. Ela entendeu no mesmo momento que Ethan.

Não confie nele.

A parede escureceu. Silêncio. Pesado. Brutal. Boris foi o primeiro a falar, baixo e desconfiado:

— Nele quem?

Ninguém respondeu de imediato. Porque havia uma pergunta ainda pior atravessando a sala toda:

Quem, ali dentro, era o “ele” de Noah?

Ethan ficou imóvel diante da parede apagada por dois segundos que pareceram muito mais. Depois se virou lentamente para o grupo.

O rosto dele tinha mudado. Não descontrolado. Não desesperado. Mas mais fechado. Mais perigoso. Como se, de repente, o cubo tivesse parado de ser só estrutura e voltado a ser vingança também. Helena deu um passo na direção dele.

— Ethan.

Ele não respondeu.

Marco olhava de Ethan para Leon, de Leon para Boris, de Boris para Helena, como se tentasse mapear quem poderia ser a peça errada. Leon tinha o rosto drenado de cor. Boris parecia pronto para atacar a suspeita antes mesmo de defini-la.

Aquilo ia explodir. Helena sentiu isso com a mesma certeza com que sentia a bomba no próprio peito. E foi então que a voz automática surgiu mais uma vez:

Separação temporária iniciada. Configuração do próximo módulo definida por pares.

Antes que qualquer um entendesse o que significava, o chão vibrou. Painéis desceram do teto entre eles com violência. Helena só teve tempo de ver Ethan virar na direção dela. Só isso. O rosto dele. Os olhos dele encontrando os dela. E então uma parede metálica caiu entre os dois.

Marco gritou alguma coisa do outro lado. Boris bateu em metal. Leon chamou por alguém. O som embaralhou-se num caos abafado. Helena recuou por instinto, o coração disparando ao perceber que agora estava presa em um compartimento estreito, separado dos outros por placas grossas de aço.

A única abertura à frente começou a se iluminar. Outra porta. Outro corredor. Mas dessa vez, antes que ela desse um passo, uma voz surgiu no pequeno alto-falante embutido na parede lateral. Não era a voz automática. Era a de Ethan. Baixa. Tensa. Muito perto apesar da parede entre eles.

— Helena. Você está bem?

Ela fechou os olhos por um segundo ao ouvir a voz dele. Só por um segundo. O suficiente para sentir o alívio doer.

— Estou.

— Mentira.

— Muito observador.

Do outro lado, houve um som que podia ter sido a palma da mão dele apoiando no metal.

— Escuta com atenção. Acho que o sistema nos separou em pares de percurso. Não sei quem ficou com quem ainda.

— Ótimo. Maravilhoso. Perfeito.

— Helena.

— Eu sei. Estou ouvindo.

Silêncio breve. O tipo de silêncio carregado em que a voz deixa de ser só informação e vira companhia.

— Eu preciso que você continue respirando devagar — ele disse.

— Você realmente tem fixação nisso.

— Tenho fixação em te manter viva.

A frase a acertou inteira. Sem aviso. Sem defesa. Helena encostou as costas na parede oposta e fechou a mão livre com força, como se o gesto pudesse conter o impacto.

— Ethan...

Do outro lado, ele ficou em silêncio por um instante. Quando voltou a falar, a voz saiu mais baixa. Mais honesta do que deveria.

— Quando essa porta abrir, eu não vou poder alcançar você imediatamente. Então presta atenção em tudo. Símbolos. Sons. Tempo entre mecanismos. E, se tiver que escolher entre ser corajosa e ser cautelosa, escolhe cautelosa.

Ela sorriu sem humor, os olhos ardendo.

— Engraçado. Você passou as últimas horas reclamando justamente de eu tentar ser corajosa.

— Porque você usa coragem como se o seu corpo fosse descartável.

— E você usa controle como se não sentisse nada.

Silêncio. Pesado. Vivo. Ela ouviu a respiração dele do outro lado do metal.

— Isso não é verdade — ele disse.

Helena encostou a testa na parede fria.

— Eu sei.

Foi a primeira vez que nenhum dos dois tentou desviar.

A bomba pesava. O cubo apertava. Noah estava vivo em algum lugar. Havia alguém possivelmente errado entre eles. E mesmo assim, naquele espaço mínimo entre uma porta fechada e outra prestes a abrir, a coisa mais perigosa continuava sendo o que surgia quando os dois falavam sem armadura.

A abertura à frente dela vibrou. A luz ficou vermelha. Tempo acabando. Helena falou antes de perder a chance.

— Ethan.

— O quê?

Ela hesitou. Por um segundo inteiro. Quis dizer cuidado. Quis dizer não confie em ninguém. Quis dizer volte pra mim sem nem saber por que essa frase lhe pareceu tão natural e tão proibida. No fim, disse só:

— Não faz nenhuma idiotice.

Do outro lado, ela ouviu o sopro breve de uma risada cansada.

— Você me conhece pouco pra pedir isso.

— Conheço o suficiente.

Outra pausa. Então, muito baixo, quase como se dissesse contra a própria vontade:

— É exatamente isso que me preocupa.

A porta dela se abriu. Helena ergueu o rosto. À frente havia um corredor estreito, iluminado por pulsos vermelhos lentos, e no final dele uma sala pequena demais para ser segura. Ela respirou uma vez, segurou o próprio medo pelas rédeas e deu o primeiro passo.

Atrás da parede, a voz de Ethan veio pela última vez antes do sistema cortar a comunicação:

— Eu vou encontrar você.

E o pior era que ela acreditou. Acreditou com uma força absurda. Perigosa. Inevitável. E foi assim, com o coração apertado demais e a promessa da voz dele ainda viva no corpo, que Helena avançou sozinha para a próxima parte do cubo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.