Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

7 Capítulo 7 - Um dia especial...


Notas iniciais
Música do Capítulo: U2 - I Still Haven't Found What I'm Looking For

Havia um bom tempo que Rachel não via um céu tão azul. Não sabia dizer se realmente já esteve sob algum ou se não prestara atenção. O ar parecia diferente, como se o oxigênio fosse outro, tivesse outra densidade... Sentada num dos tantos bancos do segundo andar de um dos tradicionais ônibus vermelhos, encantava-se com a paisagem londrina. Ao seu lado, Quinn fotografava tudo, acariciando a mão da morena frequentemente.


A decisão de tirar Rachel de Nova York por alguns dias recebeu o apoio de todos. Quinn tinha deixado os Berry, Judy, Frannie, Shelby e Puck cientes do retorno de Russel e suas ameaças. Sabia que ele poderia ameaçar qualquer um deles também. Sua preocupação com Beth, fez com que Shelby sentisse ainda mais que a loira era merecedora de sua confiança. Quinn não tinha contado à namorada que todos sabiam. Precisou contar quando ele foi preso. A tarefa de acalmar os nervos dos Berry foi a mais difícil, mas Shelby os convenceu de que eles deveriam permanecer em Lima e deixar que a polícia cuidasse de tudo.


O problema “Russel” ainda não tinha acabado. Ainda teriam que enfrentar o julgamento. Não sabiam quando seria, nem como seria, mas Quinn precisava viver uma realidade nova com Rachel, mesmo que fosse temporária. A sugestão de Judy foi aceita e a loira surpreendeu a morena com duas passagens para Londres. Nem precisou perguntar se Rachel aceitava...


R: Quando vamos encontrar sua irmã? [buscou os olhos claros]

Q: Amanhã.

R: Você não acha que ela vai se chatear quando souber que chegamos ontem e só vamos vê-la amanhã? [perguntou com a voz suave, mas era nítido que estava preocupada]

Q: Ela sabe que já estamos aqui. [assegurou tranquilo]

R: Sabe? [surpreendeu-se]

Q: Sabe. Sabe que quero passar mais tempo só com você... [sorriu tímida]

R: É? [sorriu provocante]

Q: Claro que é... [beijou-lhe o pescoço rapidamente]


Rachel recostou-se ao corpo de Quinn, sentindo o braço da namorada rodeá-la, apertando-a mais.


R: Não vai tirar mais fotos? [perguntou ao perceber que a loira fechava a tampa da lente da máquina]

Q: Não... Depois eu tiro mais. [afinal, era muito melhor manter as mãos em Rachel]


O beijo no topo de sua cabeça fez Rachel sorrir. Quinn aspirava o perfume dos cabelos escuros, sentindo a paz que lhe trazia. Não se preocupavam se alguém as olhava de modo estranho. Não enxergavam mais ninguém...


Q: Poderíamos ter ido a outro lugar. Um que você gostasse mais. Algo mais musical. [dizia sincera ao entrarem no museu de história natural]

R: Podemos ir depois. Eu gostei daqui. [sorriu para ela] E gosto de ver como você gosta. Quero absorver seus gostos... [terminou quase num sussurro]

Q: Terei que absorver os seus? [perguntou apertando os olhos, com um sorriso travesso]

R: Quinn Fabray! [repreendeu] Eu serei uma grande diva da Broadway e você terá que me acompanhar em todas as minhas apresentações. E você não poderá dormir como faz quando assistimos em casa. Será uma vergonha! Se minha própria namorada não conseguir me assistir, quem mais conseguirá? [tentou manter um tom severo, mas não conseguia ser outra coisa além de doce]

Q: Ou esposa... [complementou]

R: Ou esposa... [suspirou sorrindo]

Q: Quando for você no palco, meu amor, eu sequer irei piscar. Como nunca pisquei... [assegurou]

R: Ótimo! [sorriu amplamente] Bom... Confesso que gostei mais desse museu de história natural do que de ver quadros. Isso é um problema? [perguntou confusa]

Q: Hahahahahaha Não! Não é um problema!


Rachel parecia uma criança, animada com as réplicas de dinossauros e fósseis expostos. Quinn se sentia leve. Nada era tão perfeito quanto o sorriso de Rachel Berry. A maquiagem feita pela loira ajudava a esconder as marcas no rosto da morena, mas ainda era possível ver que estava machucada. Mas, aparentemente, Rachel parecia não pensar no que havia sofrido e Quinn faria de tudo para que ela continuasse se sentindo segura. E se possível, feliz...


R: Estou com fome!

Q: Eu disse a você que deveria ter comido bem no café da manhã.

R: Mas eu não estava com fome naquela hora.

Q: Vamos procurar algum lugar para almoçar.


Rachel comeu como há muito não comia e tagarelava. O coração de Quinn voltava a bater no ritmo certo, já que estava angustiado há bastante tempo. Um dos grandes medos que sentia era o de que a morena perdesse um pouco de seu brilho, daquela mania linda de falar, falar, falar... Estava sendo fácil conversar com ela. Estava sendo natural sorrir. Era impossível não amá-la ainda mais...


Enquanto voltavam para o hotel, Quinn fotografava o caminhar de Rachel. Aquele foi um dos poucos momentos em que a morena ficou realmente distraída, sem interagir com ela. Mais uma vez, as fotos ficaram em segundo plano... O toque suave da mão de Quinn segurando a dela fez Rachel voltar de seus pensamentos. Um sorriso suave tomou os lábios dela, enquanto a loira lhe lançava um olhar cheio de ternura. Ela queria poder ler seus pensamentos e extrair de sua mente todos aqueles que a machucavam.


Rachel voltou a olhar para frente e apertou a mão de Quinn, como se dissesse que ainda estava machucada...


R: Por mais que eu pense, eu não consigo entender porque aquilo aconteceu. [desabafou] Não entendo qual o propósito. Por que conosco?

Q: Eu não sei, meu amor... Eu realmente não sei... [apertava ainda mais a mão dela]

R: Mais uma vez eu te dou um susto. Mais uma vez você tem que cuidar de mim... Fico com medo de você cansar disso... [suspirou pesadamente]

Q: Não fala bobagem, Rachel! [repreendeu, virando-se para olhar para ela] Isso é um relacionamento e é assim que funciona. A gente se cuida.

R: Quando eu cuidei de você? [perguntou triste]

Q: Todos os dias você cuida de mim... [respondeu segura, provocando um sorriso apaixonado na morena]

R: Eu vou ficar bem, não vou?! [voltou a andar, puxando Quinn, encaixando seu braço no dela]

Q: Claro que vai! [disse segura]

R: Você ficará bem, não é?! [perguntou preocupada, sabendo que a loira deixava de cuidar de suas próprias feridas para cuidar das dela]

Q: Sim... Ficarei! [sorriu]

R: Estamos bem? [perguntou insegura]

Q: Nada nos deixará mal! [respondeu decidida]

R: Eu te amo... [sussurrou]

Q: Eu mais... [sussurrou de volta]


A noite começara fria, fazendo Rachel perder a vontade de sair. Durante o banho, Quinn falou mais sobre Frannie, para que a morena a conhecesse um pouco mais antes que a visse. O ritual pós-banho foi tranquilo: cada uma passando seu próprio hidratante no corpo, vestindo pijamas confortáveis para se aquecerem. Naturalmente, Rachel pegou seus cremes e se colocou em frente ao espelho. Respirou fundo e se encarou. A região do olho esquerdo estava roxa e um pouco inchada, o corte no canto dos lábios... Respirou fundo novamente. Quinn a abraçou, prevendo que ela começaria a chorar. O silêncio dominou o momento. A loira beijou-lhe o ombro, a base do pescoço e a apertou delicadamente.


R: Isso está feio. [deu um sorriso triste]

Q: Feche os olhos... [Rachel obedeceu] Vai passar... [disse em seu ouvido] Logo irá passar...


Seus corpos continuavam unidos e os olhos de Rachel permaneciam fechados. Sentia os beijos carinhosos de Quinn em seu pescoço e as mãos apoiadas em sua cintura.


Q: Esquece o espelho e vem pra cama... [puxou-a com carinho, deitando-se com ela]

R: Ainda sou bonita? [perguntou enquanto se encaixava no corpo de Quinn]

Q: Essas marcas vão sair, Rach. [disse paciente, deslizando os dedos pelo braço dela]

R: Eu sei. Mas eu ainda sou bonita, mesmo com elas? [precisava saber]

Q: Você é linda! [entrelaçou seus dedos] Nada é capaz de mudar isso.


O encontro de suas mãos era quente. A respiração de Quinn batia no rosto de Rachel. As pernas entrelaçadas as uniam ainda mais...


Q: Me fale um dia especial. [disse de repente]

R: Apenas um? [perguntou surpresa]

Q: Um... [confirmou sorrindo]

R: Nossa primeira vez em Nova York, no nosso apartamento... [respondeu facilmente]

Q: Boa escolha! [sorriu nostálgica]

R: Agora me fale você... [disse curiosa]

Q: Nossa primeira vez... [respondeu ainda mais segura]

R: Por quê?

Q: Eu não te perguntei o porquê. [sorriu]

R: Mas eu quero saber... [insistiu manhosa]

Q: Porque eu descobri que nada me faria mais feliz do que você... [respondeu com seus olhos vidrados nos olhos castanhos]

R: E você descobriu isso com o sexo? [perguntou confusa]

Q: Não estou falando do prazer que senti. Falo do que você sentiu. Você me dá prazer, mas dar prazer a você é prazer dobrado... Muito melhor! [dizer isso fez Rachel corar]

R: Outro dia especial? [tentou diminuir o rubor de seu rosto]

Q: Sim... Fale outro dia especial... [aceitou continuar a brincadeira]

R: O dia do nosso casamento. [demonstrou um imenso sorriso]

Q: Huuuuum... [arqueou a sobrancelha sorrindo] Um dia no futuro!

R: É! [balançou a cabeça freneticamente em afirmação]

Q: E por que será tão especial? [perguntou curiosa, querendo saber qual a perspectiva de Rachel]

R: Porque estaremos recomeçando de novo... E é incrível saber que com você eu sempre posso recomeçar... [respondeu docemente] Agora diga seu outro dia especial.

Q: Hoje. [respondeu rápido]

R: Hoje?

Q: Hoje!

R: Por quê?

Q: Porque eu tenho você aqui comigo. Porque eu pude passar o dia inteiro com você. E porque vou dormir em seus braços. Quero que amanhã seja hoje. Que todos os dias sejam hoje...


Rachel não conseguiu conter o choro. Mesmo fraco, mesmo suave. O polegar de Quinn enxugava com cuidado, sabendo exatamente o que ela diria:


R: Seu amor é tão perfeito! Eu sei que a vida não é perfeita, que nossa vida não será perfeita... Mas o seu amor é. Ele é perfeito!


Quinn juntou seus lábios num beijo doce e puxou o corpo da morena para mais perto. Seus dedos deslizavam pela coluna de Rachel, desenhando o carinho pela pele macia por baixo da blusa:


Q: Você me deixa sem ar... [sussurrou em seu ouvido]

R: Isso pode ser literal? [começou a acariciar a lateral da barriga de Quinn]

Q: Mas é literal...

R: Então me mostre agora... [pediu]


Rachel era capaz de enumerar todos os toques de Quinn em seu corpo desde quando se conheceram. Desde quando ela era uma irritante integrante do Glee Club e a loira era a indomável líder de torcida. Cada toque, mesmo acidental, de suas peles... Ela era capaz de citar todos e de descrever o que sentiu com cada um deles. Naquela noite, ela se sentia diferente, porque havia mais do que desejo e amor. Havia o reconhecimento natural de suas zonas erógenas, que veio com o tempo, com a prática... Que Quinn conhecia tão bem... Os lábios da loira já sabiam como se mover pela pele morena. Sua língua trilhava os caminhos certos e identificava cada contração, cada tremor de excitação. O contato de sua boca com os seios de Rachel sempre causava gemidos intensos e o interior da morena pegava fogo. Seus corpos se ligavam e se encaixavam em partes desiguais com uma perfeição inexplicável. E com a loira não era diferente. Seu corpo gritava por Rachel. Sua pele queimava ao toque da pele dela. O perfume da morena invadia o olfato de Quinn com uma voracidade inevitável. E quando os lábios carnudos exploravam a pele branca, não havia chão, não havia paredes, não havia nada no mundo que pudesse lhe dar estabilidade.


Chegava a parecer mentira quando se parava para pensar nas coisas ruins pelas quais já passaram. Não havia sentido naquilo tudo. Eram perfeitas juntas. Seus corpos perfeitos, com toques perfeitos... Eram merecedoras desse mútuo amor e estavam apenas começando suas vidas e a vida juntas. Por que não poderiam apenas atravessar os dias indo às aulas, jantando juntas, divertindo-se com seus amigos e fazendo amor? Fazendo planos para o futuro... Por que tinha que aparecer um carro com os freios problemáticos numa manhã chuvosa quando Rachel estava distraída? Por que Russel tinha que reaparecer, tentando recuperar uma família que ele mesmo destruiu? Por que ele tinha que atingir logo o maior motivo da felicidade de Quinn? Elas nunca saberiam... Nunca teriam uma explicação lógica, uma resposta simples que fizesse com que as coisas parecessem mais fáceis de serem absorvidas...


Seus gemidos eram sons harmônicos, que se equalizaram depois de tantas vezes. E para cada sensação intensa do prazer proporcionado pela outra, havia um determinado som, um determinado tom, um determinado suspiro. Quinn conhecia cada milímetro do corpo de Rachel. Cada pequeno sinal, cada curva, cada pelinho... E conhecia o gosto de cada pedaço. Seu paladar apurado pelo sabor da pele, da intimidade, da essência, do suor da morena... Ela não mentia quando dizia que Rachel a deixava sem ar. Ela deixava mesmo! Seus pulmões ainda não haviam se acostumado com o efeito que a morena causava em seu corpo, em sua mente. Quando faziam amor devagar e ambas desfrutavam dos toques, das carícias delicadas e da invasão dos dedos e de suas línguas, tudo se tornava mais perfeito...


R: Gosto quando você fica por cima... [disse relaxada sobre o corpo de Quinn]

Q: Gosto quando você fica por baixo... [respondeu sorrindo, enquanto voltava a deslizar os dedos pelas costas nuas da morena]

R: Chegamos ao orgasmo juntas de novo? [perguntou curiosa, enquanto desenhava círculos no mamilo da loira]

Q: Tenho quase certeza que sim... [respondeu sorrindo]

R: Sou mimada por preferir que você fique por cima? [perguntou encabulada]

Q: Não. [sorriu] Eu gosto de dominar e de sentir que te levo à loucura. [piscou-lhe] Mesmo assim, acho que já estamos juntas há tempo suficiente para saber que você me controla na cama.

R: Controlo?

Q: Santana me disse isso uma vez. [beijou a testa levemente suada da morena]

R: Que eu controlo? [olhou-a surpresa, deparando-se com o sorriso de Quinn]

Q: Ela disse que você me provoca e eu ajo. Chegando a uma boa conclusão, posso dizer seguramente que você tem todo o controle.

R: Você quer brigar pelo controle, Quinn Fabray? [perguntou provocante]

Q: Podemos ver se isso é necessário. Mas acredito que continuará sendo assim... [respondeu charmosa]


Rachel a beijou calmamente, buscando a língua deliciosa da namorada, aprofundando devagar...


R: Obrigada! [disse sobre seus lábios]

Q: Por quê?

R: Por me fazer esquecer que há um mundo lá fora e que há problemas.

Q: Por enquanto, aqui dentro é o único mundo que importa, meu amor...



Notas finais
Desculpem não conseguir postar diariamente, mas o tempo tem sido complicado e a história está me tomando mais atenção. Está num momento complicado emocionalmente e não quero postar qualquer coisa. Espero que compreendam.
Ainda tentarei manter as postagens constantes. Pode ser que continue postando diariamente, mas não quero prometer. De qualquer forma, não demorarei. :)
Continuem comentando.
Espero que gostem!
Beijos!