Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

52 Capítulo 52 - Silence in the darkness... (parte 1)


Notas iniciais
Música do Capítulo: Tiësto - In The Dark

Ela se sentia segura. O braço forte onde suas mãos se agarravam era um apoio verdadeiramente firme. Cada passo que dava parecia produzir um som ensurdecedor. Ela estava com medo, mas não admitia. Ela jamais admitiria... Duas horas antes havia recebido um telefonema da promotoria, informando que o novo advogado de Russel havia solicitado sua presença no hospital onde ele estava internado. Ele havia acordado do coma induzido em que os médicos o mantiveram por todo aquele tempo. Ele não parava de perguntar por ela... Judy, Frannie, Shelby... Todas tentaram convencê-la a não ir. Mas lá estava ela: caminhando pelo corredor aparentemente interminável do hospital com Noah Puckerman ao seu lado. Quinn estava com medo. Mas ela não admitiria isso...

N: Chegamos... [parou em frente a uma porta escoltada por dois policiais]

Q: Não saia de perto de mim... [disse baixinho, enquanto se apertava ainda mais ao braço dele]

N: Eu nunca faria isso! [garantiu]

O cheiro de hospital lhe trazia as mais diversas lembranças. Dolorosas em sua esmagadora maioria... Quando quebrou o braço ainda criança. Quando quase torceu o tornozelo assim que entrou para as Cheerios. O parto de Beth, o acidente de Rachel, seu próprio coma... Quinn respirou fundo, absorvendo aquele cheiro melancólico que transformava seus sentidos em migalhas... A abertura da porta foi silenciosa, mas ela sentiu. O corpo de Noah enrijeceu e ela soube que naquele momento ele olhava para Russel. Ela não podia ver e jamais saberia que os olhos azuis de seu pai estavam marejados. Puck não contaria... Russel já não era mais seu pai. Ela não o via dessa forma. Ela já não via...

Q: Ele está acordado? [perguntou baixinho, virando o rosto para Noah]

N: Sim. Ele está... [respondeu no mesmo tom]

Q: Onde ele está? [manteve o tom]

Puck ergueu a mão esquerda e, delicadamente, segurou o queixo de Quinn, direcionando para onde Russel estava.

Q: Ok... [sussurrou] Obrigada!

Russel a olhava incrédulo. Parecia que havia tomado um choque de realidade. Sua filha estava cega diante de seus olhos. De tudo o que ele havia feito, ali estava a pior das consequências...

Noah tomou o cuidado de se manter, juntamente com Quinn, a uma distância considerável. Ele não achava seguro ficar próximo do homem que tentou matar Rachel.

Quinn respirou fundo. Fechou os olhos e buscou ar em seus pulmões teimosos que pareciam querer parar de funcionar de repente. Ela queria achar explicação para o fato de estar ali, mas não se convencia de que tinha uma verdadeira razão. De alguma forma ela precisava... Ela precisava estar ali...

Q: Eu não sei o que você quer de mim... [sua voz saiu falha, mas logo conseguiu recuperar um certo equilíbrio] Uma garota morreu e eu estou cega. Foi isso o que você conseguiu...

Russel: Eu não...

Russel não conseguia falar. O destemido homem perigoso estava algemado nas grades laterais da cama e completamente mexido com a imagem de sua filha cega. O impensável havia acontecido: Russel Fabray parecia ter um coração...

Q: Eu estarei no seu julgamento e eu vou testemunhar contra você. [tentava a todo custo não fraquejar] Você precisa pagar pelo que fez...

Russel: Eu te salvei! [rebateu de repente]

Quinn se moveu incomodada. Noah impediu que ela saísse do lugar, segurando as mãos dela em seu braço com força.

Q: Como sua mente doentia consegue concluir que me salvou?

Russel: Ela ia matar você!

Q: Tudo isso só aconteceu porque você deu início! [ergueu a voz] Eu jamais estaria diante daquela arma se você não tivesse reaparecido como um louco na minha vida!

Russel: Mesmo assim... Eu te salvei! [insistia]

Q: EU ESTOU CEGA! [gritou] Uma bala desgraçada atravessou minha cabeça, rasgando a minha nuca! EU ESTOU CEGA! [gritou novamente, sentindo o aperto de Noah em suas mãos] CEGA!

Nada mais era ouvido além da voz de Quinn. Ira, raiva, desespero... Sentimentos que se misturavam naquele momento. Ela precisava gritar daquela forma. Ela não fazia isso desde que tudo aconteceu. Toda a calma e tranquilidade que mantinha diante de todos se desfazia ali, naquele momento... A presença de Noah em nada atingia Russel. Ele só tinha olhos e ouvidos para a ira de Quinn...

Q: Eu vivo na escuridão da minha mente agora. Você me colocou de volta no lugar mais assustador para mim. Eu passei toda a minha vida tentando sair da prisão psicológica onde suas crenças e forma de educar me colocaram. E quando eu saí, você me colocou de volta. [começava a chorar] Eu tenho o amor da minha namorada, da minha filha, da mamãe, da Frannie, dos meus amigos... Mas eu não me sinto completamente viva. [respirava fundo para não perder a capacidade de falar em meio às lágrimas] Eu estou presa na escuridão da minha mente e não consigo sair dela... Você deve se orgulhar por isso...

Russel: Não! Eu não queria que isso acontecesse! Eu não...

Novamente, Russel perdia a voz. Ela era o vilão. Sim... Não havia dúvidas quanto a isso. Mas em algum momento no meio de tudo aquilo, ele não estava reagindo bem à cegueira de sua filha caçula...

Q: Eu não sei por que você queria me ver, nem me interessa. [enxugou as lágrimas] Eu só precisava te dizer isso... Você me quebrou de vez!

Puck estava irritado. Não era justo que Quinn passasse por isso. E o que mais mexia com ele era o fato de descobrir que ela estava sendo mais forte do que ele pensava. Que toda aquela fortaleza aparente dentro de casa, diante de todos, escondia esse desespero, essa afirmação de que ela se encontrava presa na escuridão de sua mente.

Russel: A culpa é daquela judia vadia!

Ali estava de volta o verdadeiro Russel Fabray...

Russel: Você está cega por culpa dela...

Q: CALE A BOCA! [gritou] NÃO OUSE MENCIONÁ-LA! CALE A BOCA!

Uma verdadeira explosão verborrágica se instalou naquele quarto. Russel passou a xingar Rachel de todas as formas que conseguia, enquanto Quinn o mandava calar a boca. Puck não a largava e sentiu o corpo dela estremecer de raiva. Um policial entrou no quarto e exigiu que Russel se calasse. No meio daquela colérica discussão, Quinn se calou. Levou as mãos à cabeça e fechou os olhos com força. Noah se virou para ela e começou a perguntar o que estava acontecendo. Ela não ouvia. Era como se toda sua mente estivesse dormente. Então uma dor aguda rasgou sua cabeça e ela foi ao chão de joelhos, com as mãos sobre a nuca. Ela abriu os olhos e vomitou em seguida...

Rachel havia passado mais de uma hora ouvindo de Carmen Tibideaux que ela não poderia abandonar a aula de dança e que recusar um papel naquela remontagem de “O Fantasma da Ópera” parecia uma loucura. Mas a morena não quis revelar sua insatisfação com Brody. Não ainda. Sentiu-se péssima por usar Quinn como justificativa, mas, de qualquer forma, tinha muito a ver com ela mesmo...

Ao chegar ao apartamento, estranhou a presença de Judy e Frannie. Shelby havia mandado uma mensagem avisando que estaria lá. E onde estaria Quinn? Ela já devia estar de volta de Columbia.

J: Shelby precisou levar Beth para casa. Ela acabou esquecendo de trazer roupa para ela, que praticamente tomou um banho de sorvete.

O sorriso fraco de Judy deixou Rachel de orelha em pé. Mas como ela conseguiria fingir que estava tudo bem depois de Noah ter ligado e avisado que Quinn ficaria algum tempo em observação no hospital pelo que tinha acontecido? Observação que durou quatro horas. Antes que Rachel questionasse a ausência de Quinn, a porta do apartamento se abriu, revelando a junção de braços de sua namorada com Puck. Foi estranho... Assim que o rapaz avistou Rachel, percebeu no olhar da morena que ela não gostava do que via.

R: Onde vocês estavam?!

Imediatamente o rosto de Quinn se voltou para a direção do som. A voz ríspida de Rachel a fez entender que ela não estava de bom humor.

Q: Hospital... [respondeu baixo, ainda sob efeito dos remédios]

Rachel caminhou para mais perto, extremamente incomodada por ainda ver sua namorada de braços dados com o ex.

R: Isso é sério? [perguntou ríspida] Como você está? [preocupou-se]

Q: Sim... É sério e está tudo bem... [tentou tranquilizá-la]

A morena deu dois passos para trás e olhou bem para Quinn. Ela estava de pé. Falando. Judy e Frannie não tinham ido ao hospital. Então aquilo indicava que estava mesmo tudo bem?

R: Você prometeu que isso não aconteceria de novo... Você prometeu...

Q: Desculpe... [não estava pronta para uma nova discussão]

R: Por que com ele? Eu sou sua namorada e te pedi claramente que me avisasse quando não se sentisse bem. Por que além de eu não ter sido avisada você foi com ele ao hospital?

Judy e Frannie começavam a se preocupar com o rumo daquela conversa. Rachel estava visivelmente incomodada. Já não havia mais delicadeza com a falta de visão de Quinn. Naquele momento, a morena era uma namorada ciumenta que se sentia passada para trás...

N: Calma, Rachel!

R: Noah... [respirou fundo] Eu não confio em você! [levantou a voz] Não confio!

Q: Rach... Não fale assim...

A voz fraca de Quinn indicava que ela não estava bem, mas Rachel não conseguia lidar com isso e com seu ciúme. Não fazia sentido nenhum ela ter ido ao hospital com Noah. Elas haviam combinado. E com tantas outras pessoas para acompanhá-la, por que logo ele? Mas ninguém tinha coragem de dizer que Quinn tinha ido ver Russel. Ninguém tinha coragem de dizer que Noah a havia acompanhado para protegê-la. Só Quinn poderia contar e ela não parecia que queria fazer isso...

Q: Ele só quis ajudar...

R: Eu estou um pouco perdida aqui... Eu não sei exatamente qual o meu papel nisso tudo... [começava a caminhar nervosa pela sala] Eu sou sua namorada, mas não te acompanho ao médico. Não sou informada quando você se sente mal. Se eu chego em casa e você já está aqui, você faz tudo parecer bem e, no máximo, choraminga pequenos lamentos. Mas nunca sou a pessoa que vai com você ao médico quando você passa mal. Eu sequer sei que você passa mal. Eu descubro depois, quando todo mundo já soube e já fez algo a respeito.

Q: Rach...

R: Então... Mesmo depois de eu te pedir para que isso não acontecesse de novo, aconteceu... Simples assim!

Rachel estava com raiva. Ela se sentia excluída. Judy preparava a comida de Quinn. Congelava e Rachel só tinha o trabalho de esquentar. Frannie lavava suas roupas. Santana e Michael a acompanhavam na faculdade. A tal da Summer escrevia por ela nas aulas. Beth a divertia e Britt sempre levava novas músicas para ela ouvir. Não sobrava muita coisa prática para fazer por ela. Quinn passava mal e ela sequer sabia... Ela se sentia por fora...

Q: Podemos conversar no quarto?

Quinn não podia ver, mas estava constrangida. Ela não queria discutir na frente de sua mãe e irmã. Nem queria que Rachel se desentendesse com Noah.

R: O que você quer me dizer? Para não me preocupar com o Noah? [sorriu nervosa] Eu sei que você não está me traindo. Mas também sei que eu ele ainda gosta de você!

N: Não força, Rachel! [irritou-se]

R: Não fala comigo, Noah! [disse irritada]

N: Qual o seu problema?

Q: Não discute... [disse para Puck]

R: Isso! Controla seu namoradinho...

E Rachel se arrependeu daquelas palavras assim que fechou a boca...

Q: Eu vou para o quarto... [disse baixo, tentando manter-se calma]

R: Você pensa que é fácil?

Ninguém entendia onde Rachel queria chegar...

R: Estão todos me olhando como se eu fosse um monstro. Porque estou brigando com você. É por que você não enxerga? É por isso que não posso ter uma discussão com a minha namorada? [aproximou-se, ficando à frente de Quinn] Sou um monstro por sentir ciúmes? Por exigir que você me respeite e cumpra com o que combinamos?

Q: Eu não quero discutir isso agora...

Nem a voz fraca de Quinn foi indício suficiente para Rachel entender que ela não estava bem... Parecia que a loira queria fugir da discussão. Mas não era bem isso...

R: Você precisa parar de me poupar! [exigiu] Precisa parar de me empurrar para longe, para fora desse apartamento. Precisa parar de querer me ocupar. Não é porque estou lá fora que estou bem. Não é fácil pra você, eu sei! Mas também não é fácil pra mim! Não é fácil nem um pouco! [tentava não chorar] Mas eu aguento! Eu aguento, Quinn! [ergueu a voz novamente] Então eu chego em casa e você não está. Logo depois eu descubro que mais uma vez você me deixou de fora. E dessa vez você levou seu ex-namorado, pai da sua filha com você! E eu não vejo qualquer sentido em ninguém ter me ligado. [falava ainda mais alto] Eu disse que você é minha prioridade, mas parece que você esqueceu o significado dessa palavra.

Quinn levou a mão direita à nuca e a voz de Rachel foi ficando mais distante. Ela fechou os olhos, e sua audição foi ficando ainda mais prejudicada. Ela abriu os olhos e então uma claridade nova se formou. Mas doeu. Doeu como ela nunca havia sentido... Ela vomitou outra vez...

[CONTINUA...]

Notas finais
Antes de ficarem chateados com os ciúmes da Rachel, entendam que ela realmente está se sentindo excluída. Por mais que elas se declarem e se entendam, na prática, todo mundo resolve alguma coisa por Quinn e ela acaba ficando de fora. Todos sabem do ciúme que ela sente do Puck e ninguém pode culpá-la por focar nele, já que ela não sabe ainda que Quinn viu Russel.
Mais adrenalina no próximo capítulo! ;-)
Muito obrigada pelas novas recomendações e pelos comentários! Tive uma semana complicada e isso me animou... :-) Muito obrigada!
Comentem! Gostaria de saber o que acharam deste capítulo!
Beijos!