Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

32 Capítulo 32 - Mães e filhas...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Queen - Bohemian Rhapsody (versão Glee)

Quinn tinha o sono leve e normalmente acordava antes de Rachel. Naquele dia foi diferente. A loira havia passado horas admirando o sono de Beth, cada movimento da respiração da filha... Ela queria guardar aquilo na memória, para lembrar nos dias de saudade. Ela sabia que seriam todos os dias. Bastava arrastar seu olhar um pouco mais adiante e tinha a morena num sono tranquilo. Linda! “Minha garota é linda” pensava... Desejou que todos os dias fossem daquele jeito, que sua cama estivesse sempre daquela maneira. Sabia que não seria assim. Rachel, Beth e Quinn... Parecia uma verdadeira família. Quinn acabou dormindo mais pesado do que de costume. Talvez porque sentia uma paz que nunca mais havia sentido. Talvez porque nunca tenha sentido paz antes. Ali, naquela noite, seu mundo estava completo...


Não foi a claridade que lhe despertou. Nem os beijos de Rachel em seu pescoço, ombros ou nuca. Dessa vez era diferente...


B: “Coda, Kim!”


A voz baixinha parecia vir de longe, de seu sonho talvez...


B: “Coda, Kim! O sol já codou!”


Novamente aquela voz... Um sorriso se formou naturalmente no rosto da loira, mas ela não acordou. Era o melhor sonho de sua vida. Ela não poderia deixar que ele acabasse. Foi obrigada a acordar... Sentiu algo cutucando seus olhos com leveza e aquilo foi estranho. Quando o tal contato deu uma trégua, ela os abriu devagar.


B: Êêêêêêê! Ela “codou!”


Aquele sorriso de antes se intensificou. Aquela era a melhor forma de ser acordada. Pela inocência de Beth, pela presença da filha...


B: Já é dia, Kim! [sorria]

Q: Bom dia, meu amor! [respondeu sonolenta, porém mais feliz do que nunca]


Beth soltou uma gargalhada gostosa e Quinn não entendeu a razão.


Q: O que é tão engraçado, princesa? [sentou-se sorrindo]

B: Eu ser seu “amô” também...


Quinn não precisava perguntar pra saber que aquela era a forma de Shelby falar com ela. Seu coração apertou ao se tocar que ela não era a primeira pessoa a dizer aquilo e que, talvez, seu amor não tivesse tanta importância pra garotinha. Foi surpreendida pelos bracinhos dela lhe envolvendo num abraço repentino e um beijinho no braço.


B: Bom dia, Kim! [respondia orgulhosa]


A interação foi interrompida com a entrada de Rachel no quarto. A visão da namorada fez Quinn se perguntar como era possível ainda sentir seu coração disparar todas as vezes em que a via... Ela sentia! Principalmente se aquele lindo sorriso iluminado estivesse presente. Ele estava! A loira ficou tão hipnotizada que demorou a notar que Rachel estava vestida, pronta para sair. A morena se aproximou dela e, pela presença de Beth, conteve-se e lhe deu um beijo na testa.


R: Bom dia, meu amor!


O gesto foi singelo e normal, mas Quinn estremeceu. Pelo contato, pela vibração da voz... Pela felicidade de ter seus amores ali. Antes que se fechassem naquela bolha entre elas, a risada de Beth foi ouvida de novo. Rachel a olhou confusa, mas Quinn já havia sacado o que era:


Q: Por causa de “meu amor”? [perguntou à filha, sorrindo]


Beth assentiu freneticamente com a cabeça. Ela estava na fase de perceber as coisas, de assimilar seus significados. Obviamente que Rachel não perderia a oportunidade de brincar com a garotinha. Se atirou na cama e a agarrou para uma sessão de cócegas. Então, a mais bela sinfonia tocava para os ouvidos de Quinn. As risadas de sua filha e de sua namorada, misturadas numa batalha. Ela se deu o direito de fechar os olhos e absorver aquele instante. Ela sabia que não seria mais feliz do que como naquele momento. Quando Beth se livrou das cócegas e se arrastou pela cama, jogando-se em seu colo, ela finalmente despertou.


B: Me ajuda, Kim! [pedia rindo]


Quinn a envolveu num abraço de urso e a fez se sentir protegida como nunca havia se sentido... As mãozinhas de Beth seguraram os braços que a envolviam, como se quisesse que eles a envolvessem para sempre. Quinn se distraiu com o momento e não percebeu as várias fotos sequenciadas que Rachel tirava das duas. Ela saberia depois... Quando ergueu o olhar, despertou para aquela realidade de que a morena estava pronta pra sair.


Q: Por que você está vestida assim? [perguntou confusa]

R: Não lembra que combinei com a Shelby de passear por Nova York, pela Broadway?

Q: Sim... Foi mesmo! [levou a mão à testa] Vou tomar um banho rápido para irmos.

R: Você não vai!

Q: O quê? [arqueou a sobrancelha sem entender]

R: Quer dizer... Vocês não vão! [apontou para as duas loiras]


Beth estava muito tranquila. Já sabia que não iria sair com Rachel e Shelby.


Q: Como assim?

R: Meu amor... [olhou-a nos olhos] Hoje você vai passar o dia inteiro com a Beth. Só vocês!

B: Êêêêêêêêêêêêê! [vibrou verdadeiramente animada]


Rachel caiu na gargalhada com a reação da garotinha e Quinn sentiu o coração disparar. Ela nunca havia passado um dia inteiro sozinha com ela. Sempre tinha alguém. Ou o Noah, ou a Shelby e, mesmo assim, fazia muito tempo! Era uma notícia boa? Era maravilhosa! Mas todas as suas inseguranças vieram à tona: se ela não soubesse cuidar dela? Se Beth sentisse falta de Shelby? Se Beth chorasse? Se Beth se machucasse?


Rachel reconheceu o olhar de preocupação da namorada e logo levou a mão ao seu rosto para acalmá-la. Beth se remexeu no colo de Quinn e imitou o gesto da morena. Não sabia o porquê daquele gesto, mas achou que tinha que fazer. Quinn amoleceu e sorriu.


R: Vai dar tudo certo... [murmurou para a namorada que assentiu]

B: É... Vai “dá cétu!”


Era impossível Beth ser mais fofa...


R: Hey, Beth! [chamou em tom de conspiração] Preciso te pedir um favor! [afastou-se um pouco na cama, chamando a loirinha que saiu do colo de Quinn rapidamente para saber o que era]

R: Eu preciso que você fique de olho na Quinn! Que você cuide dela... Você pode me fazer esse favor? [perguntou baixinho]

B: Sim! Sim! Eu “pode”! [assentia com a cabeça freneticamente, orgulhosa pela missão recebida]


Era muita ternura para uma única manhã! Quinn se moveu para abraçá-la, mas Shelby entrou no quarto, lembrando-a naturalmente da verdadeira realidade...


Sh: Meninas, desculpem entrar assim, mas a porta estava aberta.

R: Não tem problema! [sorriu]

Sh: Venha tomar banho, Beth! Tirar esse pijama!

B: Tá! [murmurou desanimada se arrastando pela cama para descer]


Quando chegou à beira da cama, girou para descer apoiando-se no colchão, com medo de cair daquela altura, que nem era tão grande assim, mas enorme para ela. As três mulheres precisavam de babadores para lidar com aquela cena. Quando estavam sozinhas, Rachel aproveitou para se aproximar e sentar no colo de Quinn. Segurou seu rosto com as duas mãos e a beijou.


R: Eu não ia conseguir sair de casa sem meu beijo de bom dia! [sorriu quando seus lábios se separaram]

Q: Rach... Eu não sei se é uma boa ideia ficarmos sozinhas. Ela pode sentir falta da Shelby. Eu não sei se saberei cuidar dela.

R: Você sabe cuidar dela! [disse firme] Você cuida de mim, que sou bem mais complicada! [piscou divertida]

Q: É diferente! [sorriu mais calma]

R: Relaxe! Hoje é o dia de vocês! Eu vou passar o dia com a minha mãe, tentando construir um vínculo que você e Beth já têm naturalmente. E você vai passar um dia com sua miniatura. [sorriu]

Q: Shelby está de acordo com isso? [perguntou temerosa]

R: Totalmente! [assegurou]


Quinn aproveitou a presença de Rachel e Shelby para tomar banho. Não queria deixar Beth sozinha depois para fazer isso.


Depois de várias recomendações de Shelby, todas para Beth, mandando-a se comportar, as duas saíram. Ainda no elevador, Rachel não se conteve:


R: Obrigada! Obrigada por permitir isso!

Sh: Eu sei que é importante pra ela. Sei que é importante pra você! Eu não poderia te negar esse pedido. Meu coração está na mão, mas se você confia na Quinn, eu também confio!

R: Não há ninguém em que eu confie mais no mundo...


No apartamento, Beth estava sentada sobre a mesa da cozinha, esperando Quinn preparar uma vitamina para ela. A garotinha dizia os ingredientes que queria que ela colocasse, mas nenhum deles combinava:


B: Bota “lête”, chocolate, “chiquete”, “pilulito” e “sovete”.

Q: Tudo isso na vitamina? [sorriu incrédula, pela sagacidade da pequena]

B: É... É assim “memo”! [garantiu]


Quinn se aproximou dela e negou vitoriosa:


Q: Você não me engana, sua loirinha esperta!


Beth sorriu vencida...


Shelby estava encantada com aquele momento. Dividir seu tempo com Rachel era algo que ela queria há muito tempo. Estar com uma Rachel mais madura, falando sem parar sobre Nova York, servindo de guia para ela, que já não ia àquela cidade há muito tempo, era mais do que ela esperava... Não havia estranheza entre elas. Shelby quase era capaz de sentir que Rachel a havia perdoado por completo. Mas ainda era cedo para ter essa certeza...


Sh: Sua maturidade é visível! [disse de repente]

R: O quê?

Sh: Sua maturidade... Dá pra notar que você não é a mesma garota que saiu de Lima. Dá pra notar que há uma luz diferente em você. E ela é mais brilhante... [sorria de forma protetora]

R: Obrigada! [agradeceu encabulada]

Sh: Seria por causa da Quinn? [Rachel assentiu com a cabeça em silêncio] Ela te ajudou a amadurecer?

R: Ela me transformou! [respondeu sincera, com segurança]

Sh: Fale-me sobre isso!

R: Já conversamos sobre isso!

Sh: Não. Não da maneira que deveria ter sido. [sorriu suavemente] Hoje estamos tendo um dia de “mãe e filha” e quero desfrutar de tudo o que tenho direito.

R: E o que seria exatamente agora?

Sh: Eu me metendo em sua vida. Isso é clássico! [sorriu animada, fazendo Rachel sorrir também]

R: Ok, ok... Vamos falar sobre isso. Mas eu preciso de um café!


Numa Starbucks, Shelby percebeu que havia mais dela em Rachel do que poderia imaginar. Elas gostavam do mesmo tipo de café, feitos da mesma forma e na mesma quantidade. Rachel não deixou de notar isso e sorriu suavemente ao constatar que não era só Quinn e Beth que tinham uma ligação especial. Ela também poderia ter uma... Quem sabe?


R: Certo... O que você quer saber? [perguntou nervosa]

Sh: Como vocês passaram pelo começo? Como foi descobrir esse sentimento e lidar com ele?

R: Bom... [pigarreou, limpando a garganta] Foi mais difícil pra ela. Foi ela quem precisou aceitar primeiro. Foi ela quem se declarou e quem tomou a iniciativa. Imagina como foi confuso pra ela que vem de uma família extremamente conservadora! [enfatizou] Então... Pra mim foi mais fácil! Foi libertador! Ela decifrou pra mim o que significava aquilo que nos unia. Ela me esclareceu que não era um sentimento qualquer. Eu tive a explicação para todas as sensações que ela me provocava. Eu saí da jaula em que vivia sem nem saber...

Sh: É frustrante para mim não ter conversado com você sobre isso no começo. [confessou] Eu sei que você não me procuraria e isso é o que me dói. Saber que eu não seria a primeira pessoa em quem você pensaria para te ajudar. [Rachel ficou calada] Mas eu confesso que me senti mais tranquila, mesmo que isso soe egoísta, quando seus pais me disseram que você também não os procurou.

R: Eu falei com papai. [corrigiu]

Sh: Hiram disse que você buscou esclarecer algumas coisas com ele, mas que você já tinha suas ideias e sua convicção formada.

R: A maioria dos pais se orgulha dos filhos quando eles são seguros a esse ponto... [murmurou um pouco contrariada]

Sh: E quem te disse que não nos orgulhamos de você?

R: Não sei... [murmurou encabulada]

Sh: Talvez eu não tenha esse direito, mas eu me preocupo! Eu te dei espaço demais para viver sem mim, mas eu sempre senti sua falta! [confessava] Seus pais são maravilhosos, porque me receberam de volta como se eu nunca tivesse ido! [dizia sincera]

R: Eles não sabem guardar rancor... [sorriu]

Sh: Sorte minha! [piscou-lhe]

R: O que mais você quer saber?

Sh: Sobre o efeito de Quinn em você. Sobre a Beth... Bom... Ninguém precisa de dois segundos para perceber, não é?! [sorriu] Mas e sobre você? Além dessa maturidade evidente, quem ela é pra você?

R: Tudo! Ela pra mim é tudo! Meu tudo... [respondeu intensamente, sem nenhum pudor] Ela me transformou. Me virou do avesso e trouxe à tona minha melhor versão de mim mesma.

Sh: Por isso vocês tornaram tudo tão sério tão cedo?

R: Não tinha como não ser assim! Como eu poderia não fazer questão de desfrutar o máximo possível daquilo que me faz mais feliz? Por mim já teríamos morado juntas desde o sétimo dia de namoro. Talvez desde o primeiro beijo... [suspirou] Mas Quinn manteve os pés no chão, numa insistência de irmos devagar, mesmo que já estivéssemos correndo. É maravilhoso ser agraciada, todos os dias, pelos detalhes dela. [fechou os olhos] Sorriso, cheiro, voz, calor, presença... Pele! [sorriu encabulada] Tê-la em minha vida me amadureceu. Amá-la me fez amadurecer. O amor dela me faz melhor...

Sh: É... Seus pais têm razão... Você é mesmo completamente apaixonada. [sorriu]

R: Completamente! [garantiu]

Sh: Viver como casadas não é um pouco precipitado? [perguntou temerosa]

R: Você conversou com o pai antes de vir, não foi?! [perguntou desconfiada. Sabia que Leroy pensava dessa forma]

Sh: O quê? Não! [tentou dissimular, mas não conseguiu]

R: Somos jovens sim, mas não somos estúpidas. [disse calma]

Sh: Mas ela abriu mão de algumas oportunidades por causa do relacionamento de vocês. Você acha que isso foi certo?

R: Você abriu mão de mim por causa de uma oportunidade. [disse séria] Valeu a pena?


Shelby enrijeceu no lugar. Rachel levantou um ponto relevante e completamente sincero. Ela tinha o direito de falar sobre isso quando quisesse, mas ela não estava preparada...


R: Eu não estou te julgando. Só quero saber se valeu a pena.

Sh: Não! Não valeu nem um pouco! É o maior arrependimento da minha vida! [respondeu firme, sincera]

R: Então... [tentou manter a calma, disfarçando o sentimento forte em ouvir aquilo] Ela me faz melhor em todos os sentidos. E sou feliz em dizer que eu faço o mesmo por ela. Tivemos um ano maravilhoso de namoro quando chegamos aqui, mas também tivemos sérios problemas. O acidente, a construção de nossa maturidade... Brigamos demais por insegurança, ciúmes, medo... Foi um ano de verdadeiro amadurecimento. Descobrimos, nos machucando, que não havia caminhos diferentes. Que não há “meus sonhos” e “sonhos dela”. São NOSSOS sonhos!


Definitivamente aquela Rachel era mais madura e era impossível Shelby não a admirar!


R: Quinn me transformou em uma mulher. Em todos os sentidos! [disse sem o menor pudor] Ela me ensinou a ver minha beleza, a entender minha sensualidade, a conhecer meu corpo... E sou feliz por saber que faço o mesmo por ela!

Sh: É... Hiram não vê problema quanto a isso, mas Leroy resmunga muito sobre você ser muito jovem para ser sexualmente ativa. [disse em tom de companheirismo e cumplicidade, sem qualquer julgamento]

R: O que fazemos... o que dividimos é muito mais intenso do que sexo. [mantinha-se firme, sem qualquer vergonha] Dividimos uma cumplicidade irrefreável. Dividimos uma vida juntas porque já não sabemos viver separadas. Eu já não sei e nem quero saber viver sem ela... É óbvio que não sou mais uma criança. O pai ainda me vê como uma criança que eu não sou. Eu já sou uma mulher!

Sh: Definitivamente você está madura! [sorriu em cumplicidade]

R: Estou! [concordou] Não que ainda não seja imatura! Sou muito e é Quinn quem sofre com meus rompantes de infantilidade. Mas eu adquiri uma maturidade que me permite, por exemplo, passar o dia com você sem me preocupar em buscar explicações. Sem te questionar pelo nosso passado. O amor de Quinn pela Beth e a forma como eu a vejo sofrendo por não tê-la com ela, me faz imaginar que você pode ter se sentido daquela forma com relação a mim. E por mais que eu não queira que você tenha sofrido, por mais que tenha me doído sua ausência em todos esses anos, eu não posso negar que imaginar que você sentiu minha falta me conforta de alguma forma... [uma lágrima teimosa escapou, mas ela não se preocupou em enxugá-la]

Sh: Senti sua falta todos os dias em todos esses anos! [respondeu sincera] Não posso te devolver esse tempo que passou, mas posso te dar meu futuro, Rachel! Eu quero, de verdade, que você me sinta como sua mãe! Eu quero que tenhamos uma convivência verdadeira, nós quatro: eu, você, Beth e Quinn. Eu preciso ter você em minha vida e sei que fazer o que estou fazendo, abrindo todas as portas para que Quinn e Beth convivam, facilita essa proximidade que preciso ter com você!

R: Então é por isso que você está sendo tão compreensiva com a Quinn?

Sh: Também é por isso. Mas eu me toquei que as minhas duas filhas são loucas por ela. A Beth, você já sabe, é completamente louca e encantada por ela. Eu não posso fechar os olhos para isso por ciúmes. Eu quero que vocês sejam felizes e eu não desejo à Quinn a dor que eu senti em todos esses anos sem você!


A lágrima solitária de antes ganhou algumas companheiras e Rachel já não conseguia controlar mesmo! Shelby trocou de lugar e sentou-se ao lado dela puxando-a para um abraço.


Sh: Me deixa ser sua mãe de verdade. Eu espero o tempo que for pra você me aceitar completamente, mas me deixa tentar... [pediu enquanto a abraçava forte]


Rachel apenas assentiu com a cabeça, apertando-se ainda mais no abraço. Ela tinha sonhado durante anos com isso. Desejava que esse abraço acontecesse. Não que não tivessem se abraçado antes, mas nunca foi tão intenso e verdadeiro. Nunca foi tão sincero!


A algumas quadras dali, Quinn caminhava com Beth, devidamente agasalhada, em direção à maior loja de brinquedos de Nova York. A pequena loira tagarelava sem parar, no que fazia Quinn sorrir mentalmente ao pensar que ela poderia facilmente ter alguma ligação genética com Rachel Berry. Arrumar-se para sair não foi um problema. Descobriu que Beth é uma criança muito obediente. Escolheram a roupa com que ela sairia com calma e a pequena se divertiu ao ser questionada por Quinn sobre com qual roupa ela deveria ir. Era uma missão importante ajudar um adulto a escolher uma roupa, afinal!


A movimentação da Times Square deixou Quinn um pouco tensa, mas a mãozinha de Beth apertando a sua dava-lhe a calma necessária para aproveitar o momento. Seu coração falhou uma batida quando a pequena loira pulou animada ao se deparar com a fachada da loja. Era uma cena linda! Saiu arrastando Quinn loja adentro. Ela nunca tinha visto uma loja tão grande, nem tantos brinquedos juntos. De repente, ela parou!


Q: Beth? Tudo bem? [abaixou-se para perguntar]

B: Num me deixa sozinha... [pediu assustada com a quantidade de pessoas à volta]

Q: Não vou deixar! [garantiu] Eu não vou perder você de vista, ok?! [a garotinha assentiu com a cabeça]


Beth explorava aquele imenso mundo colorido da mesma forma que Quinn explorava os museus e exposições para onde ia. Olhava para os brinquedos da mesma forma que Quinn olhava para os livros. Beth era uma reprodução exata de Quinn e as pessoas percebiam isso. “Ela é a sua cara!”, “Vocês são a cópia uma da outra”, “Nunca vi tão parecidas”... Pessoas aleatórias, estranhas, diziam ao passar por elas. Uma vez, tudo bem. Duas vezes, ok. Mas a partir da terceira, Beth ficou atenta. Quando a quarta pessoa disse algo do tipo elas estavam em frente a um espelho. A garotinha mirou o reflexo das duas e seus olhos passearam de uma à outra. Quinn gelou. Beth fez sinal para ela se abaixar e Quinn assim o fez, tentando ficar da mesma altura que ela. Beth olhou de novo para o espelho, depois para Quinn. Para o espelho, para Quinn. Para o espelho, para Quinn... Passou a mãozinha pelo rosto dela e sorriu. Quinn estava nervosa, mas é claro que a garotinha não percebeu:


B: Você é como eu... [sorriu, concordando com os comentários das pessoas desconhecidas]


Beth não precisou explicar. Estava claro que ela se referia ao fato de serem loiras, de terem olhos incrivelmente parecidos e a pele... Do jeito dela a garotinha confirmava que elas se pareciam e que ela tinha consciência disso, ainda que não soubesse o porquê. Quinn respirou fundo, aliviada, mas com um nó na garganta. Sua filha era mais esperta do que ela pensava.


Pacientemente, Quinn acompanhava Beth a cada brinquedo que ela queria ver. Com sua câmera em punhos registrava os detalhes, os momentos de sua filha brincando, sem que ela percebesse. Quando percebeu, Beth ficou curiosíssima para se ver. Quinn tirou a câmera do pescoço e a entregou à filha. Com cuidado, fez questão de ensiná-la a fotografar. Com o pouco que poderia aprender naquela idade e naquele momento, Beth se sentiu realizada. Ela tinha uma câmera fotográfica sob sua responsabilidade pra fotografar o que quisesse! A primeira imagem que ela quis registrar foi Quinn... E ela assim o fez... Sem saber como, Beth talvez tenha tirado a melhor foto de Quinn em toda a vida. Muito mais do que pela imagem, mas pelo significado... Quinn era sua imagem preferida em qualquer lugar...


Rachel e Shelby passeavam pela Broadway. A mais nova ouvia atenta todas as histórias que a mãe tinha pra contar sobre as peças das quais participou:


Sh: É sempre importante você escolher o papel certo.

R: Mas eu nem sei que papel é esse. [referia-se à tal peça misteriosa pela qual havia se interessado]

Sh: O que a Quinn acha disso?

R: Ela não sabe... [respondeu insegura]

Sh: Como não sabe? [estranhou]

R: Eu não quero deixá-la ansiosa se nem sei direito do que se trata. Ela tem muitos assuntos pendentes a resolver sobre a graduação dela. Eu prefiro deixar as coisas mais consistentes nessa história para só depois, se realmente for preciso, deixá-la a par disso. Pode ser que, sei lá, de repente nem seja algo bom... [deu de ombros] Melhor esperar para ver!


Antes que Shelby dissesse alguma coisa, o celular de Rachel tocou, desviando sua atenção. Quando seu sorriso se expandiu, não foi preciso perguntar de quem se tratava:


R: Oi, meu amor! [atendeu melosa]

Q: Hey! [sorriu do outro lado da linha] Como está sendo seu passeio?

R: Ótimo! De verdade! [trocou um olhar cúmplice com Shelby] E vocês? O que estão fazendo?

Q: Estamos na “Toys’R’Us”! [respondeu sorridente]

R: Jura?! [sorriu ainda mais]

Q: Juro! Beth está encantada com tudo! Você precisava ver! [dizia animada]

R: Ô meu amor... Eu imagino! [dizia carinhosa] E como você está se sentindo?

Q: Você me conhece. Eu sei que você sabe como me sinto. Eu não consigo explicar... [confessava, ouvindo a respiração de Rachel no outro lado da linha] Seria mais perfeito se você estivesse aqui...

R: Faremos isso na próxima vez! [deixava escapar uma lágrima silenciosa, sentindo na voz de Quinn o quanto aquele dia estava sendo importante para ela]

Q: Rach... Você pode perguntar uma coisa à Shelby?

R: Claro!

Q: Beth me pediu sorvete, mas eu não sei se Shelby me autoriza a dar. Posso comprar pra ela?

R: Espera um pouco... [afastou um pouco o telefone para perguntar]


Alguns poucos segundos de silêncio na linha e logo Quinn voltou a ouvir a voz de Rachel:


R: Ela disse que você quem decide.

Q: O quê? [perguntou confusa]

R: Beth está por sua conta hoje! [sorriu] Se você acha que ela merece e que ela pode tomar sorvete, você dá a ela.

Q: Mas Rach...

R: Você pode fazer isso, Quinn. Você pode! [encorajava]

Q: Ok... [respondia um pouco insegura, olhando para Beth que a olhava ansiosa, esperando pela resposta] Eu te amo... [disse baixinho] Você sabe disso, não sabe?!

R: Eu sei! [sorriu] Eu também te amo! Amo muito! Você sabe...

Q: Eu mais... Muito mais!


Quando Quinn desligou o celular se derreteu com o olhar expectante de Beth. Ela estava por sua conta. Oh Deus! Ela tinha a responsabilidade de decidir se ela tomaria ou não sorvete. Mas era só sorvete, afinal! Beth estava sob seus cuidados durante aquele dia e ela estava preocupada com sorvete?


Q: Qual o sabor do sorvete que vamos tomar? [perguntou sorrindo]

B: Êêêêêêêêê! [pulou comemorando] Chocolate! Chocolate! [vibrava]


E o dia foi passando. De sorvete a algodão-doce. Sanduíche, na tentativa de fazer Beth comer algo nutritivo. Água... Quinn tinha consciência de que estava cuidando dela muito bem! Chegaram em casa com dois pacotes de presentes. Um pequeno que Beth fez questão de carregar, e um enorme que Quinn levava consigo. A loira não conseguiu dizer não aos pedidos da loirinha. E todo e qualquer brinquedo que fazia seus olhos brilharem entrou na lista dos comprados. Enquanto colocava os brinquedos num canto, Quinn observou Beth se aproximando do piano:


B: Piano! [apontou]

Q: É... É um piano! [sorriu se aproximando dela] Quer tocar?

B: “Eu pode?” [arregalou os olhos]

Q: Claro que pode! [sorriu]


Quinn sentou-se no banquinho e puxou Beth para sentar sobre suas pernas. Indicava cada tecla que a garotinha deveria apertar. Beth vibrava cada vez que seu toque produzia som. Pacientemente, Quinn ia mostrando a ela as notas musicais. Era tão natural pra ela, que sequer percebeu que era natural para Beth também. Ela aprendia rápido o que Quinn lhe ensinava e se enchia de orgulho por aquilo.


A porta se abriu, mas elas não perceberam. Rachel e Shelby pararam ao visualizarem a linda cena das duas loiras diante do piano. O som suave tocado a quatro mãos, sendo duas bem pequenas, deixou as duas emocionadas. Todo o amor que havia em Rachel por Quinn multiplicava-se ao vê-la com Beth. Para ela, era a prova mais perfeita de que sua namorada só era capaz de criar perfeição. E que não havia nada no mundo capaz de colocar um freio em sua capacidade de se apaixonar por ela... Nada!


[CONTINUA...]

Notas finais
Desculpem a demora em atualizar, mas como podem ver, foi um capítulo grande que me deu trabalho pra concluir. Meu tempo tem sido complicado, mas não abandonarei isso aqui nunca! :-)
Espero que gostem!
Esse capítulo foi escrito na intenção de ser especial. Espero que seja pra vocês!
Comentem!
Beijos!