Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
11 Capítulo 11 - Pele...
Notas iniciais
Os últimos dias da viagem foram mais agitados. Frannie conseguiu levá-las para conhecer a noite londrina e elas adoraram. As marcas no rosto de Rachel começavam a desaparecer. Não por completo, mas o inchaço em volta do olho já não existia mais. Como sempre, Quinn lembrava de fazer compressas e de todo e qualquer remédio que ela precisasse tomar. Por mais que a morena insistisse no equilíbrio dos cuidados, a loira ainda não sabia ceder.
Foi no penúltimo dia em Londres que Rachel resolveu fazer uma surpresa para Quinn. Sugeriu que ela e Frannie tivessem um dia só delas. Que saíssem e conversassem. Que diminuíssem a falta de comunicação estúpida entre elas. Quando se viu sozinha, saiu de casa para pôr em prática uma antiga ideia. Algumas poucas horas separadas mexeu com o humor das duas. Elas sentiram uma saudade absurda de estarem juntas. Mas se seguraram. Ambas quiseram enviar mensagens dizendo isso, mas evitaram. Achavam que a outra pensaria que era exagero. Mal sabiam que estavam sentindo a mesma coisa.
Ao chegarem à casa, Frannie precisou se arrumar para resolver alguns assuntos de seu doutorado. Quinn praticamente voou em direção ao quarto, logo que percebeu que Rachel não estava em nenhum dos outros cômodos. Deparou-se com a morena saindo do banho e foi recebida por um sorriso gigante que a arrepiava sempre... Foi Rachel quem avançou mais rápido e tomou-lhe os lábios com saudade. Quinn a segurou com força, circulando sua cintura, trazendo-a para mais perto. Beijavam-se com paixão, como se não se vissem há muito tempo...
R: Oi, meu amor... [sorriu sobre seus lábios ao se separarem]
Q: Parece loucura, mas estava morrendo de saudade... [confessou com os olhos fechados]
R: Então somos duas loucas! [sorria carinhosamente]
Quinn estava saudosa, mas também estava faminta de Rachel Berry. Beijava os ombros da namorada com carinho, até que a temperatura começou a aumentar. A morena sentiu seu corpo ser empurrado para trás pelo da loira, sabendo que o destino seria a cama. Quinn a deitou e arrancou a toalha rapidamente. Antes que pudesse continuar, assustou-se ao ver um curativo no corpo de Rachel:
Q: O que é isso? [exclamou alto]
R: Calma! [apressou-se] Não é nada ruim!
Q: Como não é nada ruim? [contestou] É um curativo! Onde você se machucou? [preocupava-se, levando a mão ao local]
R: Calma, Quinn! É uma tatuagem! [esclareceu]
Q: Tatuagem? O que deu em você, Rach? Pra que fazer uma tatuagem? A maioria das pessoas se arrepende. E você nem sequer pediu minha opinião. [repreendia]
R: Essa bronca vai demorar? [perguntou calma]
Q: Hã?
R: É. Quero saber se vai demorar ou eu já posso mostrar o que tem por baixo do curativo?
Q: Não vai fazer diferença você mostrar porque vou continuar achando que você fez uma bobagem.
R: Ok. Mesmo assim...
Rachel começou a retirar o curativo com cuidado. Sua expressão era tranquila, de quem sabia que estava com a razão. O olhar de Quinn mudou de desapontamento para completa surpresa. Seus lábios se afastaram e seus olhos arregalaram-se.
R: Acha mesmo uma bobagem?
Abaixo das costelas do seu lado esquerdo, quando terminava a cicatriz do acidente, Rachel tatuou a letra “Q”, seguida da expressão “I love you more...” Tudo numa linda caligrafia. Não era uma tatuagem grande, próxima à linha do sutiã.
O silêncio da loira e seu olhar vidrado na tatuagem fizeram Rachel concluir que tinha, finalmente, conseguido a aprovação da namorada.
R: Uma pena que você não gostou... [deu de ombros, na intenção de parecer despreocupada enquanto buscava a toalha para se cobrir novamente]
Quinn a impediu de se mexer. Os olhos claros encararam intensamente os castanhos. Um olhar de extrema devoção que fez Rachel estremecer.
Q: Eu te amo! Mais! Muito, muito, muito mais! [disse apaixonada]
R: Acho que vamos sempre discordar disso! [sorriu vitoriosa]
Q: Não importa! Eu amo mais! Isso é fato! [insistiu]
R: Você vai ter que passar a vida inteira tentando me convencer disso. [desafiou]
Q: Será assim... [prometeu]
Depois de fazerem amor, Quinn deslizava os dedos sobre a tatuagem, hipnotizada pelo gesto, pela declaração, pelo atrevimento de Rachel:
Q: Você é louca! [sorria como se não acreditasse na atitude da morena]
R: Louca por você... [sorriu apaixonada]
Q: Temos que cuidar disso para não inflamar ou infeccionar... [voltou a usar a voz cuidadosa que já virou costume]
R: Temos não! [corrigiu] EU tenho! [enfatizou] Eu sei tudo o que devo fazer e a senhorita não vai levantar um dedo sequer para cuidar de mim dessa vez.
Q: Isso é ridículo, Rachel! [protestou]
R: Não é não! Isso é um presente para você. [apontou para a tatuagem] Não haverá obrigações vinculadas. Eu quero que você relaxe, me beije, me ame, me coma com os olhos... Faça tudo isso e muito mais, só esqueça de pensar em controlar meus cuidados com essa tatuagem. Relaxe, meu amor...
Depois de conversarem por bastante tempo, dividiam um silêncio confortável. Rachel já se sentia sonolenta, mas as carícias de Quinn em sua pele indicavam que a loira não tinha sono algum:
R: Não tem sono? [perguntou meio sonolenta]
Q: Não.
R: Por favor, meu amor! Você precisa dormir. A viagem será cansativa.
Q: Tudo bem. Eu estou bem! Não se preocupe comigo...
R: Quinn! Por favor, durma! [disse um pouco mais autoritária]
Não que a loira estivesse desperta por completo. Poderia dormir facilmente se tentasse. Mas isso seria obra apenas de seu corpo. Sua mente estava completamente acordada e não conseguia se desligar. Não conseguia deixar de pensar em Nova York. Não conseguia deixar de pensar no novo morador da cidade. Sabia que ele ainda era uma pedra em seu sapato e tinha certeza de que continuaria sendo por muito mais tempo. Quinn tinha muita coisa para se preocupar. Coisas realmente sérias e relevantes. Russel ainda era um problema longe de ser resolvido... Odiava-se por se deixar afetar por Finn, mas não conseguia. Detestava pensar em qualquer proximidade entre ele e Rachel...
A morena se moveu e acendeu o abajur, procurando encarar o rosto da namorada:
R: O que está havendo? [perguntou séria]
Q: Nada! [tentou disfarçar]
R: Eu vou perguntar de novo e espero que você não mantenha essa resposta. Eu quero saber... O que está havendo, Quinn? [insistiu ainda mais séria]
Depois de cogitar a hipótese de insistir na negação, a loira acabou cedendo:
Q: Finn está morando em Nova York. [disse quase num sussurro]
R: Quem te disse isso? [surpreendeu-se]
Q: Ninguém. Ele postou isso no Facebook.
R: Ooooook... E o que isso tem a ver com essa sua cara?
Q: Eu não quero brigar, Rach.
R: Nós não vamos brigar, Quinn. Acho que já passamos por muita coisa séria para perdermos tempo brigando por bobagem.
Q: Eu sei que é bobagem, mas eu não consigo me sentir bem com isso.
R: Com “isso” o quê?
Q: Com ele por lá.
R: Nova York é tão grande que pode ser que não o vejamos pelo resto de nossas vidas. [tentou amenizar]
Q: É claro que vamos ver! Ele vai acabar aparecendo por causa do Kurt. Mas isso será uma desculpa, porque na verdade ele só estará atrás de você. Com a história falsa de que quer sua amizade.
R: Não me diga que vamos voltar a esse assunto, Quinn. [levava as mãos à cabeça, respirando fundo para não se irritar]
Q: Viu? Era por isso que eu não queria falar. Ia acabar chateando você.
R: Não estou chateada. Não estou... Vem cá... [fez a loira se sentar com ela] Me diga o que eu posso fazer para impedir que você se sinta mal com isso. O que eu posso fazer para afastar esse sentimento ruim que ele provoca em você?
Q: Eu não posso te pedir.
R: Peça! Seja o que for, eu farei.
Q: Não. Eu não vou pedir. [recusava-se a exigir algo que sabia que era exagerado]
R: Você quer que eu mantenha distância dele? Que eu recuse qualquer tentativa de amizade dele? É isso, né?! [perguntava calma]
Q: É o que quero, mas eu não vou pedir nada disso. Eu sei que não posso pedir e...
R: Pode sim! [interrompeu] Pode, mas não precisa. Eu farei mesmo assim.
Q: O quê? [surpreendeu-se]
R: Eu gostaria de não precisar fazer isso, pois eu quero acreditar que você confia em mim. Mas eu vou manter distância dele e não vou aceitar uma tentativa de amizade. Pelo menos até que você se sinta segura com isso.
Q: Mas... Eu sei que não estou sendo razoável querendo isso. E eu confio em você, meu amor! Eu confio! [insistiu em dizer, para que Rachel não se chateasse ao pensar que ela não confiava]
R: Eu te amo! Qualquer coisa que ponha nossa relação em risco ou que faça você sofrer, deverá ficar longe da gente. Eu não vou arriscar o que temos para não me indispor com ele. Posso ser educada e cordial sem precisar de qualquer intimidade, sem precisar cultivar uma amizade que lhe incomode. Eu faço tudo por você! Tudo por nós...
Q: Agora eu não sei o que dizer... Eu não consigo me sentir como se tivesse razão. Como se estivesse certa.
R: Não importa, meu amor! [sentou-se em seu colo, rodeando-a com suas pernas] Não importa se você está certa, sendo razoável, sã... Eu farei tudo e qualquer coisa para que nada nos atrapalhe. Nada, nem ninguém... E não se sinta mal por isso. Você tem feito tudo e mais um pouco por mim. Você tem sido perfeita! Fazer isso por você, quer dizer, por nós, é um investimento na nossa relação. Você é tudo para mim! Todo o resto vem depois...
Q: Eu queria não me sentir mal com isso. Eu sei que não deveria, mas eu não consigo... [fechava os olhos com força] Eu morro de medo de perder você...
R: Ei, olha pra mim! [Quinn abriu os olhos, agoniada] Você não vai me perder. Estou com você! Sempre estarei. Estamos ligadas para sempre, em tudo! Você é minha e eu sou sua. De corpo e alma. Você está em mim por completo. Você está na minha pele...
Notas finais
Espero que gostem deste capítulo. No próximo, elas estarão de volta à Nova York.
Comentem!
Beijos!
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