Você Sempre Esteve Em Mim
90 Capítulo 90 - Proteção...
Notas iniciais
Por mais que o clima entre elas ainda estivesse pesadamente frágil, por mais que ainda houvesse mágoa e receio, pensar demais não era uma característica constante. O corpo de Quinn não se preocupava com a lógica de esperar que Rachel se responsabilizasse por resolver a pequena (ou grande?) confusão que sua decisão havia causado. Independente de estarem dando grande importância àquilo, ou de estarem dando a importância correta, o corpo de Quinn não se preocupava... Tinha Rachel encaixada em seus braços, o rosto na curva de seu pescoço, com a respiração acariciando o local. Havia cerca de duas horas que a loira já estava desperta, acariciando delicadamente o braço da morena que lhe envolvia o colo, enquanto com a outra mão traçava o caminho completo da coluna de Rachel. Quando fracos raios de sol adentraram o quarto, a morena despertou, dando-se conta do carinho que recebia. Esperou um pouco antes de falar qualquer coisa. Precisava ter certeza de que não estava sonhando. Sentir o toque suave de Quinn em sua pele era mais do que imaginava receber naquela manhã. A loira a conhecia com perfeição e sentiu que ela já estava acordada:
Q: Bom dia! [disse serena]
R: Bom dia... [respondeu com um leve sorriso sonolento, sem erguer a cabeça] Faz tempo que acordou?
Q: Um tempinho... [mantinha as carícias]
R: Você percebeu que está me acariciando? [perguntou confusa]
Q: É natural... [respondeu tranquila]
R: Mas você está chateada... [disse baixinho]
Q: Mas se tenho você em meus braços, é natural que te acaricie... [disse calma]
Rachel se remexeu e ergueu a cabeça para olhá-la. Seu olhar era de intensa admiração. Não entendia como Quinn era sempre capaz de surpreendê-la. Apesar de saber que o fato de não ter sido expulsa da cama quando chegou já indicava uma melhora significativa no clima entre elas, não esperava carinho espontâneo tão cedo:
R: Eu não sei como ser assim tão perfeita como você... [demonstrou um sincero olhar contemplativo]
Q: Como assim?
R: Mesmo depois do que houve, você ainda consegue me colocar em seus braços e me envolver nesse carinho perfeito que só você é capaz de me dar. Quando sou eu que tenho que correr atrás de resolver as coisas, você já está tomando as rédeas.
Q: Não estou tomando as rédeas. [disse calma] Mas o problema era eu te querer comigo, perto de mim. Se eu te tenho, não posso simplesmente ignorar. Você está em meus braços...
R: Eu te amo... [encarou-a com carinho]
Q: Você teve suas razões para pensar que sua decisão era a melhor. E eu tive as minhas razões para não aceitá-la. Mais do que esperar que você conserte as coisas, eu devo aceitar que permiti, mesmo sem perceber, que você fosse levada a pensar que estava me ajudando. Que não tinha outra opção. [Rachel a ouvia atentamente] Estou magoada. Ficar sem você me machucou demais e não posso prometer que será fácil por enquanto, pois você me conhece e sabe como eu reajo a mágoas. Mas, eu quero que você tenha em mente, enquanto tenta consertar as coisas, que eu te amo e que não há nada que eu queira mais do que passar o resto da vida com você. Então, quando você se sentir cansada de tentar, porque de alguma forma eu estarei reticente, dificultando as coisas, tenha isso em mente para não te fazer desistir: você é o amor da minha vida.
Rachel avançou sobre seus lábios, tomando para si um beijo intenso. Sentir os lábios de Quinn recebendo os seus sem impedimento, fazia seu coração renovar-se de esperança. Estar ali novamente era uma das melhores sensações do mundo...
R: Podemos faltar aula hoje? [perguntou baixinho, quando cortou o beijo]
Q: Não. Temos aulas importantes hoje. E você tem aquela aula importante de dança. É hoje não é?
R: É. Como você sabe?
Q: Eu lembro. Você andava preocupada e estressada com ela.
R: É porque será uma avaliação e a professora é completamente intragável.
Q: Você nunca teve problemas com professores, quer dizer, pessoas intragáveis. Sempre soube lidar com isso. Você vai se sair bem.
R: Tomara! [suspirou]
Ainda era muito cedo, então se permitiram continuar na cama. Enquanto Quinn mantinha os dedos deslizando pelas costas de Rachel, esta acariciava o abdômen da namorada. O silêncio era quase carinhoso, não denotava de forma alguma a tensão que ainda as circundava. Havia uma evidente confusão na cabeça das duas em como deveriam proceder. Rachel sabia que deveria tomar as rédeas da situação e agir mais do que sentir, enquanto Quinn deveria esperar que a morena demonstrasse seus esforços. Mas era natural à loira agir com proteção, acolhendo a morena em seus braços. Mesmo sabendo que deveria se segurar mais, deixando espaço para Rachel agir, era impossível se conter quando estavam juntas. Regras não faziam sentido entre elas. Planos forçados também não. Quando estavam juntas, quando suas peles estavam em contato, quando o mundo se resumia à cama que dividiam, ao quarto que as acolhia, esqueciam completamente das regras de conduta.
Q: Vai trazer suas coisas de volta? [perguntou temerosa, esforçando-se para manter a calma na voz]
R: Eu posso? [perguntou surpresa]
Q: Você nunca deveria tê-las tirado daqui...
R: Então, sim! Eu vou trazê-las... [sorriu amplamente]
Q: Ótimo! [sorriu levemente]
Rachel se levantou e ficou sentada de frente para Quinn, olhando-a demoradamente, provocando uma expressão de dúvida no rosto da loira, que não entendia porquê ela havia se levantado, mas esperou pacientemente até que ela começasse a falar:
R: Você não me deixa controlar.
Q: Como assim? [perguntou se sentando]
R: Eu te conheço e sei que preciso me esforçar para recuperar a sua confiança de que eu não vou mais me afastar. Para isso, você espera que eu assuma o controle da relação, mas você não deixa. É tão natural para você querer cuidar de mim, querer cuidar da gente, que você não deixa que eu cuide de você.
Quinn sabia que Rachel tinha razão. Mas não conseguia evitar. Mesmo tendo dito à Santana que precisava que a morena se esforçasse para mostrar que a merece, sentia todo o seu corpo gritando por esquecer isso. Era mais forte do que ela. Era como se fosse a regra geral do relacionamento delas. Esse era o seu papel.
R: Me deixa cuidar de você... Da gente... Eu amo que você seja tão protetora e dominante. Amo a forma como você conduz nossa relação, mas você mesma reclamou que eu não nos conduzo. Que na nossa dança, eu deixo sempre para você a responsabilidade de conduzir. Então confia em mim e me deixa conduzir agora... [pedia calma, com um olhar carinhoso]
O pedido de Rachel era melhor do que Quinn esperava. A loira pensava que a morena estaria temerosa, cheia de culpa e limites, com medo de dizer ou fazer as coisas do jeito errado. Mas vê-la se expressar dessa forma, sincera e confiante, provocava nela uma sensação confortável de que poderia acreditar... De que poderia relaxar e se deixar conduzir.
Enquanto Quinn tomava banho, Rachel preparava um café da manhã reforçado para as duas. Não entendeu nada quando Santana saiu correndo do apartamento, limitando-se a falar rapidamente coisas sem sentido, com os livros na mão. Das palavras jogadas em sua direção, só havia entendido :”Berry”, “que bom”, “já era tempo”, “não bagunce”, “cuide dela”.
R: Por que a Santana saiu correndo daqui?
Q: Ela tem uma prova importante e precisava passar na biblioteca antes. [disse enquanto se sentava à mesa, já pronta para a faculdade]
R: Ela nem comeu.
Q: Ela vai comer lá... Mas sinto que ela se arrependerá, porque o café aqui parece divino. [sorriu]
R: Sem falsa modéstia, está divino! [sorriu amplamente]
Q: Ela foi com o carro. Você se importa de irmos de táxi para nossas aulas?
R: Claro que não! [sorriu carinhosa]
Rachel não demorou para se arrumar. Sentia-se leve com a forma como Quinn encarava as coisas. A maturidade com que a loira levava as coisas era impressionante. Qualquer pessoa, em seu lugar, estaria fazendo birra, mantendo distância, fazendo a outra sofrer para se esforçar cada vez mais. Mas ela não conseguia ser assim com Rachel e a morena estava disposta a compensá-la por isso. Se Quinn não sabia largar mão de protegê-la, ela mostraria que era tão protetora quanto ela.
Kurt também já havia ido para a aula, então as duas dividiram o táxi sozinhas. Enquanto Rachel tentava repassar mentalmente os passos de dança que teria que fazer durante a aula à tarde, Quinn repassava mentalmente tudo o que teria que fazer durante o dia inteiro. A despedida entre elas quando o táxi parou em NYADA foi tranquila, embora Rachel tenha percebido que, apesar do beijo suave trocado entre elas, a loira ainda parecia desconfortável. Foi um raro momento naquela manhã, desde que acordaram. Toda a disponibilidade de Quinn desde cedo, já não estava tão presente ali, naquele beijo. Foi aí que a morena entendeu o que a loira havia dito antes, sobre não desistir quando ela parecesse reticente. Entendeu também que seria assim por um bom tempo e que teria que estar preparada para momentos como esse, em que Quinn demonstraria que as coisas ainda não estavam perfeitas novamente. Mesmo assim, a morena a puxou para um abraço, envolvendo-a carinhosamente em seus braços, deixando um beijo em seu pescoço, sentindo o arrepio na pele branca.
O dia passou depressa e ambas ocuparam a cabeça com seus afazeres. Quinn se segurou durante o dia inteiro, para não enviar mensagens para Rachel, como também para não responder às duas em que a morena dizia que a amava. Não era do seu feitio não responder de propósito, mas sabia que se quebrasse essa relutância, estaria entregando os pontos e, novamente, não deixaria espaço para que Rachel agisse. Sabia que a morena tinha razão ao dizer isso mais cedo.
As aulas de Santana e Quinn tinham acabado, o que as levou até NYADA para esperar por Rachel. Sabiam que aquele dia era importante para ela, e não estranharam quando encontraram Kurt sentado no grande auditório, esperando a aula da morena terminar. Sentaram-se ao lado dele, sem saber que daquele lugar, Rachel não conseguia vê-los.
Q: Faz tempo que começou?
K: Faz um tempinho. Mas Rachel ainda não se apresentou.
Quinn avistava a morena e poderia ler o nervosismo em seu rosto. Era estranho vê-la daquela forma, acuada. Estava acostumada com seu comportamento corajoso, impetuoso, desafiante. Ali era uma versão de Rachel sobre o palco que literalmente desconhecia. E não estava gostando nem um pouco do que via. Sua atenção foi desviada para a voz da professora que chamou pelo nome da morena, que caminhou até o centro do palco do auditório quase vazio. Ela estava linda. Apesar do olhar temeroso, estava linda e Quinn não conseguiu segurar o sorriso suave que se apoderou de seus lábios.
Os passos de Rachel eram suaves, precisos. Era possível identificar ali, passos de Brittany. Sabia que a morena estava reproduzindo dicas que a amiga havia dado. Era uma dança perfeita, interrompida pelo corte da música e o barulho de um cajado batendo na madeira do chão.
Cassandra: Ohio... Você chama isso de dançar? [perguntou sarcástica]
R: Com certeza! [respondeu com o máximo de coragem que lhe sobrava no momento]
Cassandra: Pois eu chamo de mediocridade! [respondeu alto, fazendo todos os alunos se voltarem para a cena]
Quinn franziu a testa, sem entender o porquê de aquela mulher estar sendo tão ignorante com Rachel. Até porque a dança da morena estava perfeita.
R: Eu sinto muito, mas terei que discordar. [Rachel manteve a cabeça erguida, mas a voz era vacilante]
Cassandra: Isso não me importa, Ohio. Eu não me interesso pelo que você pensa. Com essa dança medíocre e seus pensamentos medíocres, seu tão sonhado futuro na Broadway será resumido a uma dança numa praça qualquer, com seu corpo todo pintado com uma tinta prateada vagabunda, enquanto os turistas jogam moedas em algum chapéu barato no chão.
Antes que Rachel pudesse responder algo que acompanhasse seus olhos marejados, ouviu uma movimentação súbita vindo da plateia:
Q: HEY! [gritou, recebendo a atenção de todos do palco]
Cassandra: Quem falou? [virou-se buscando a voz que havia gritado]
Q: Eu! [respondeu caminhando em direção ao palco, fazendo com que Rachel arregalasse os olhos em surpresa ao vê-la ali]
Cassandra: E quem é você atrapalhando a minha aula? [perguntou irritada]
Q: Aula? Você chama isso de aula? Eu que pergunto: Quem é você para pensar que pode falar com ela assim?
Cassandra: Filhinha, eu não estou entendendo. O que diabos você faz aqui e o que você quer? [disse com um ar de superioridade]
Q: Fale direito comigo que eu não te dei ousadia nenhuma. [disse irritada subindo no palco, ignorando o olhar assustado e suplicante de Rachel]
Cassandra: Você é alguma maluca?
Q: Não tão maluca quanto você é uma imbecil! Peça desculpas a ela agora!
Cassandra: Me desculpe... O quê? [perguntou confusa com um sorriso irritante]
Q: Retire toda a merda mentirosa que você falou com seu recalque venenoso, ou eu vou arrancar isso das suas cordas vocais! [ameaçou a escassos centímetros do rosto da professora]
Cassandra: Quem... quem é você, afinal?
Q: PEÇA DESCULPAS! [gritou]
Todos estavam surpresos. Santana, claro, estava orgulhosa! Sentia como se Quinn fosse sua pupila. Rachel estava assustada, sem entender o que estava acontecendo e o que aconteceria logo após.
Cassandra: Você só pode... só pode estar brincando... [tentava manter a pose, mas era evidente que estava assustada] Eu vou chamar a segurança!
Q: Tente! Eu quero ver você tentar... [disse provocante]
R: Quinn... [tentou se aproximar, recebendo um olhar que lhe disse logo para ficar quieta]
Cassandra: Quem é você?
Q: Sou a namorada dela!
Cassandra: O quê? [perguntou virando o rosto imediatamente em direção à Rachel] Ohio, você é gay? [perguntou surpresa]
Q: RACHEL! O nome dela é Rachel! Fale direito com ela!
Cassandra: Eu falo com ela como eu quiser!
Q: Não fala não! Ela não paga uma fortuna em mensalidade, a mesma que garante a compra dos seus antidepressivos, para ouvir suas ofensas sem cabimento, nem sua forma pretensiosa de gritar sua frustração. Retire a merda que você falou ou eu terei que fazer você se arrepender do que disse!
Todos estavam atônitos ao ver aquela linda loira que mais parecia uma princesa, agindo como uma leoa para defender Rachel. A morena não sabia como se sentia. Feliz por ver Quinn tomar seu partido, mas temerosa quanto às consequências daquilo.
Cassandra: Faça o que você pensa que pode fazer contra mim... [desafiou]
Q: Você pediu! [ergueu a sobrancelha]
Quinn deu dois passos para trás e estendeu a mão para Rachel que, sem pensar, aproximou-se segurando com força. A loira saiu de lá puxando-a em direção aos corredores de NYADA. Não sem antes virar-se para Cassandra e deixar-lhe um aviso:
Q: Apenas espere para ver o que eu vou fazer... [e voltou a caminhar para fora dali]
Independente de qualquer coisa, de qualquer clima, de qualquer desentendimento, uma regra era fundamental no relacionamento delas e Quinn nunca pretendia quebrá-la: Proteger Rachel! Proteger seu amor...
[CONTINUA...]
Notas finais
E MUITO OBRIGADA pelos mais de MIL comentários! Você são DEMAIS! :D
Aguardo por mais comentários! Quero sempre mais! ;)
Beijos!
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