Você Sempre Esteve Em Mim

89 Capítulo 89 - Esforço...


Notas iniciais
Música do Capitulo: Oasis - Don't Go Away

S: Oh cala a boca! [dizia surpresa] Você e a Rachel transaram?

Q: Sim... [respondeu constrangida]

S: Sobre o piano? [perguntou animada]

Q: Hum hum... [limitou-se a responder]

S: E não sei porquê eu ainda gasto meu tempo e dinheiro indo ao cinema. A história de vocês é muito mais complexa e interessante! [disse provocante]

Q: Não enche, Santana! [tentou se esquivar]

S: Até que enfim a Berry usou aquele piano para algo útil, hein?!

Q: Eu devia ter ficado calada...

S: Não! Espera! Vocês voltaram? [demonstrou toda sua atenção e curiosidade]

Q: Sei lá. Tivemos uma conversa e eu fui bastante sincera com ela.

S: E a conversa terminou em sexo... [piscou-lhe]

Q: É só nisso que você consegue prestar atenção de tudo o que falo? [revirou os olhos]

S: Isso é o mais interessante, afinal! [deu de ombros]

Q: Santana! [repreendeu]

S: Ok, Fabray! Eu só quero entender... Vocês passaram uma semana miserável separadas e agora você me diz que conversaram, que transaram, mas que não sabe se voltaram. Depois de você passar vários dias como a rainha dos depressivos, chorando no meu quarto, inundando minha cama, deprimindo minhas paredes, sem comer, tomando banho porque eu te jogava no banheiro, de repente você acorda e escreve um monte de complexidades naquele quadro de maluco, e agora me diz que transou com ela e eu já não vejo mais o seu olhar de psicopata. Então eu acho que devo ficar feliz, certo?!

Q: Olhar de psicopata? [estranhou]

S: É... O olhar que você faz quando você sai de um comportamento desesperado para aquela calma gélida que assusta até a mim...

Q: Oooook... Quanto a esse olhar, eu não sei... Mas eu quero que as coisas se resolvam, só não sei como. E eu não quero pensar. Eu quero deixar as coisas acontecerem. Por mais que meu corpo grite para voltar ao apartamento dela, por mais que eu quisesse ter ficado lá, eu não acho que seria certo. Ela precisa se esforçar mais. Essa não foi a primeira vez que ela quis dar um tempo, embora tenha sido a única que realmente aconteceu. Mas eu não posso ficar à mercê de uma outra decisão genial dela de que é melhor ficarmos afastadas por seja lá qual for o motivo... Eu venho sendo a que mais se entrega neste relacionamento e, consequentemente, a que mais se ferra.

S: Você acha isso?

Q: Bom... A que se afetou mais com a nossa relação fui eu. Você viu o quanto eu sofri na última semana. Eu não posso passar por aquilo de novo.

S: Você acha que corre esse risco?

Q: É a Rachel, Santana. Ela mete os pés pelas mãos quando você menos espera... Eu pensei que com o tempo isso mudaria. Mas não mudou. E eu sei que não é de propósito. É só que... Sei lá, parece que ela não tem muita noção do que provoca nas pessoas. Do que provoca em mim. Por mais que ela saiba que eu a amo, ela não tem noção da real intensidade disso.

S: Mas, Q! Você não pode crucificá-la. Ela não quis te magoar. Eu sei disso. Sei que ela sofreu também. O Kurt disse que dava pena vê-la chorando pelos cantos, ouvindo música triste, agarrada com seu travesseiro. Ela nem deixou eu entrar no quarto dela pra pegar suas coisas. Ela não queria se livrar delas. Ela se machucou também e sei que ela não quis te machucar.

Q: Existe uma grande diferença entre machucar tentando fazer o bem e machucar errando grosseiramente. Por mais que a atitude dela tenha parecido a coisa certa para ela, ou para vocês, é inadmissível que, na nossa relação, ela tenha pensado que o afastamento poderia dar certo. A ligação que temos é única e eu pensei que ela entendesse isso.

S: Então foi apenas sexo? [perguntou temerosa]

Q: Claro que não! [respondeu de imediato] Nunca é apenas sexo entre a gente. Eu precisava tê-la de novo em meus braços. Eu precisava senti-la. Eu preciso... Só que ela só toma uma atitude quando provocada por ciúme. Ou se o meu ciúme tem algum fundamento. Eu me pergunto se ela teria entrado aqui caso não tivesse visto a Jennifer falar comigo. Ou se ela teria ido a Los Angeles se você não tivesse falado aquelas coisas. A Rachel sempre foi mimada. É impossível eu não pensar que ela pode ter vindo apenas por possessividade. Eu sei que ela me ama, claro. Mas eu não sinto que ela aja por isso. Mesmo inocentemente, ela já entendeu que me tem na mão, mesmo que ela ainda não entenda o que isso significa. Ela precisa se colocar na minha mão também. Esse tipo de decisão, como dar um tempo, não deve ser dada como um ultimato. Ela me deixou sem opção. Sequer se dispôs a conversarmos. Ela decidiu por nós duas e dando como justificativa um assunto que estava diretamente ligado a mim, quando eu sei que, no fundo, o que ela tinha era medo de que eu a deixasse. Parecia mais fácil e nobre ela me dar o tal espaço, do que me ouvir dizer que escolhi ir embora. Só que eu não iria. Eu nunca iria sem ela. E ela deveria saber disso...

S: E do que você tem medo agora?

Q: Do que sempre acontece... Ela pede desculpas, eu a desculpo e depois eu estou correndo atrás dela de novo.

S: Mas você passou uma semana terrível, Q! Eu estive ao seu lado e vi o quanto você sentiu falta dela. Você não está complicando as coisas?

Q: Não. Eu estou me preservando. Ela é o amor da minha vida, S. Eu não suportarei vê-la se afastar de novo. Ela precisa aprender a praticar o que ela prega. Ela precisa crescer. Entender que a gente precisa enfrentar as coisas juntas. Que a gente não pode se afastar para cada uma cuidar de seus assuntos com liberdade. Isso não existe. O pior é que ela me ensinou isso. Ela fez questão de colocar isso na minha cabeça. No fim, ela mesma é quem não sabe fazer.

S: Você anda tomando alguma coisa?

Q: Oi? [questionou confusa]

S: Como você pode estar tão serena depois de toda aquela tensão?

Q: Não tenho outra opção. Além do mais, parecer tranquila não significa que eu esteja mesmo... Enfim, eu preciso dormir... [moveu-se para ir ao quarto]

S: Certo. Eu vou depois.

Q: Eu vou dormir no meu quarto hoje.

S: OBA! Um avanço! [vibrou]

Q: Se eu consegui fazer sexo com ela sem me desestabilizar, posso lidar com o cheiro dela em meus lençóis. [disse com um sorriso triste]

S: Não me faça vomitar! [brincou, tentando aliviar o clima]

Q: Hey, S... Eu te amo! Obrigada por tudo! [abraçou-a forte]

S: Você quer mesmo que eu vomite, não é?! [disse brincando, tentando disfarçar o rosto vermelho]

Ao mesmo tempo, no apartamento em frente, Rachel andava de um lado para o outro com uma xícara enorme de café, enquanto Kurt a observava, ouvindo com atenção o relato dos fatos:

R: Eu não sei, Kurt! Depois de tudo, ela me deu um beijo na testa e saiu. Não disse nada. E eu estou com medo de perguntar a ela como estamos agora e receber uma resposta desagradável. Eu não entendo... Eu pensei muito, ponderei todas as opções e concluí que deixá-la tranquila para decidir sobre o futuro dela era a melhor alternativa. Eu não imaginava que eu seria a primeira a fraquejar. Mas você esteve comigo em todos esses dias e viu como ficar sem ela estava me deixando louca. Eu não fui atrás dela porque achava que a decisão tinha sido equivocada, mas porque eu sentia tanto a falta dela, que já não me importava em que situação estávamos. Então, depois de tudo o que ela me disse e da forma como me disse, eu pude ver que, sei lá, eu deveria ter sido menos radical. Eu só não sei o que fazer agora... [dizia triste]

K: Barbra, meu amor! Você caiu de cabeça quando era criança?

R: O que?

K: Você não entende que o bastão está na sua mão?

R: Hein?

K: Santo Deus! Entenda que agora é seu papel recuperá-la. Você teve uma atitude que não deu certo, por mais que tenha sido com a melhor das intenções. Isso a magoou e causou um abalo na relação de vocês. Então, caberá a você fazê-la se sentir bem novamente.

R: Mas como eu faço isso?

K: Use as suas cartas, ué... Você, melhor do que ninguém, sabe do que ela gosta e sabe o que você é capaz de fazer para deixá-la maluca.

R: A gente transou, Kurt. E nem isso fez com que ela continuasse aqui comigo. [disse, novamente, triste]

K: Nem tudo gira em torno do sexo, Rach. Use a sua cabecinha e lembre do que mais você faz que a deixa feliz.

R: Mas eu tenho medo de pressionar, de invadir o espaço dela...

K: Definitivamente você caiu de cabeça!

R: Por que?

K: Vocês estão separadas há uma semana porque você quis dar espaço a ela e ela ficou arrasada e furiosa por causa disso. Espaço, Rachel, é a última coisa que ela precisa que você dê! Use seus neurônios! [disse dando um tapinha na cabeça dela]

R: Você está andando demais com a Santana! [fingiu que estava ofendida]

K: Por incrível que pareça, nós somos muito parecidos! [piscou-lhe sorridente]

R: Você acha que eu devo voltar lá? [perguntou temerosa]

K: Eu acho que devo bater em você com força, nessa cabeça dura que ainda não entendeu o que tem que fazer.

R: Eu estou com medo, Kurt. [choramingou] Há uma semana eu tinha certeza de que fazia a coisa certa. Agora, veja só como eu estou... Veja só no que deu.

K: Sabe qual o seu problema?

R: Qual? [perguntou ansiosa]

K: Você não deve pensar demais! Quando você pensa demais, você faz besteira. Rachel Berry é impulsiva e passional. A pensadora e pensativa é a Quinn. É assim que vocês funcionam. Se você age como ela, vira essa bagunça que vocês se tornaram. Seja Rachel Berry e você saberá o que fazer.

R: Eu já disse que te amo? [perguntou formando, finalmente, um sorriso]

K: Hoje não!

R: Eu te amo amo amo amo... Você é o meu irmão! [pulou sobre ele]

Rachel lembrou que havia tirado suas coisas do apartamento de Quinn, então arrumou uma pequena bolsa com o que precisaria para dormir e para a manhã seguinte. Abriu o apartamento com sua chave e deu de cara com o mais absoluto silêncio. Seguiu o caminho tão familiar, que há uma semana não trilhava, abrindo devagar a porta do quarto. Quinn dormia na mesma posição de sempre, com a diferença de que não a tinha em seus braços. O travesseiro da morena estava no mesmo lugar, como se esperasse sua volta a qualquer momento. Não precisou mais esperar... Despiu-se, ficando apenas de blusa e calcinha, respirou fundo e se deitou. Como se naturalmente nada tivesse mudado, aconchegou-se nas costas de Quinn, fazendo com que a loira despertasse. Antes que se manifestasse, Rachel se adiantou:

R: Por favor, não me peça para sair... Me deixa ficar com você... [mantinha a voz baixa, sussurrada, suplicante]

Quinn não respondeu, dando a entender que ela deveria ficar. A morena deslizou a mão por baixo da blusa da loira acariciando a barriga, como tantas outras incontáveis vezes já havia feito, enquanto beijava o pescoço claro e macio:

R: Eu te amo... Deixa eu consertar as coisas... [deslizou o nariz pela curva do pescoço, uma e outra vez]

Quinn se mexeu, virando-se para ela. Encarou-a por alguns segundos, admirando a pele morena, iluminada precariamente pela luz fraca que vinha da fresta da janela.

Q: Está tarde... [murmurou sonolenta] Vamos dormir...

R: Eu só...

Q: Não precisamos conversar agora. [interrompeu] Eu não preciso mais de palavras. Não hoje...

R: Desculpe... [pediu baixinho, com um olhar constrangido]

Q: Isso é uma palavra.

R: Desculpe... [sorriu encabulada]

Q: Percebe que isso não vai ter fim? [Rachel sorriu mais tranquila]

A morena se aproximou e beijou-lhe a boca, sentindo-se aliviada ao perceber que Quinn retribuía o movimento dos seus lábios. Não durou muito, mas tempo suficiente para que Rachel entendesse que tinha passe-livre para permanecer ali. Encaixou o rosto no pescoço da loira:

R: Eu amo você... [sussurrou chorosa, sem deixar que Quinn percebesse a lágrima solitária que rolava por seu rosto]

Sentiu o aperto delicado dos braços de Quinn ao seu redor, e o toque suave dos lábios da loira em sua cabeça. Nada mais foi dito nem insinuado. Não era um momento de total resolução. Rachel sabia que precisava deixar as coisas como eram antes, mas não sabia de que forma proceder. Conhecia Quinn o suficiente para saber que o que havia acontecido, era o bastante para fazê-la se fechar mais uma vez. Mas a morena estava disposta a se esforçar para reverter o clima que se instalou entre elas, mesmo que não soubesse como faria isso... Dormiram rapidamente, com a leveza que esteve ausente por uma semana...

Notas finais
Espero que gostem e preciso que vocês comentem!
Essa primeira fase da fic está chegando ao fim e o desfecho já está pronto. Em 10 capítulos concluo e partimos para a segunda fase.
Nos próximos capítulos, veremos mais sobre os passos de Rachel para fazer Quinn se sentir segura novamente e se isso vai dar certo. Teremos mais sobre Columbia e NYADA. E mais Britt, Blaine, Santana e Kurt.
Beijos e até o próximo! :)