Você Sempre Esteve Em Mim

88 Capítulo 88 - Voltando a respirar...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Amy Winehouse - Love Is A Losing Game

R: Eu sei que não tenho o direito de estar aqui. De pedir isso... Mas eu preciso... Eu preciso... [dizia agoniada]

Q: Precisa de quê? [mantinha a voz calma e seca]

R: Preciso de você! Eu preciso sentir você de novo. Eu preciso da sua pele. Preciso do seu cheiro. Eu preciso do seu corpo. Eu preciso da sua boca... [a agonia se transformava em um choro nervoso] Eu preciso de você agora!

Ao que parecia, sem muita demora, Quinn avistava uma possível volta por cima. Na verdade, Quinn estava ressurgindo das cinzas...”



O que estava acontecendo? Na cabeça de Rachel a reação de Quinn seria completamente diferente. Esperava que, naquele momento, a loira já tivesse se atirado em seus braços. Mas não. Ela permanecia no mesmo lugar, olhando-a da mesma forma, estranhamente serena.

R: Você não vai dizer nada? [perguntou confusa]

Q: Preciso dizer alguma coisa? [mantinha a calma, ainda que seu interior estivesse em chamas, explodindo em fogos de artifício]

R: Eu acabei de dizer que preciso de você, que quero você agora... Eu esperava alguma reação... [disse triste]

Q: Esperava que eu me atirasse em seus braços, certo?! [acertou na mosca]

R: Era o que eu queria... [tinha um tom de súplica em sua voz]

Q: E por que eu deveria fazer isso? [desafiou]

R: Eu não... Eu... [as palavras faltavam. O comportamento de Quinn era perturbador]

Q: Por que você não se atirou em meus braços? [questionou] Por que na nossa dança, sempre sou eu quem tem que conduzir?

R: Não é sempre você! [contestou]

Q: Sim... Você conduz... É verdade! Por uma noite, ou duas, você conduz. Com sorvete de chocolate ou algum creme de alguma coisa... Ou em algum banheiro. [disse cortante] Você ouve seus instintos primais e domina quando precisa calar seu tesão. Mas por que na hora de resolvermos nossos problemas, sou eu quem tem que lhe tomar em meus braços?

R: O que... Por que... Por que isso agora? [perguntava confusa ao ataque inesperado que recebia]

Q: Por que? Quem deve perguntar isso sou eu, Rachel. Por que você me quer agora? Há uma semana você não me queria. [sua voz era incrivelmente calma, porém, firme]

R: Eu sempre te quis! [defendeu-se] Há uma semana eu te queria como hoje. Eu nunca deixei de te querer...

Q: Me deixar, há uma semana atrás, contradiz o que você está dizendo agora.

R: Eu não quero discutir. Eu não quero discutir sobre quem está certa ou errada. Eu só quero...

Q: Sexo? [interrompeu]

R: O que? [surpreendeu-se com o quão direta Quinn estava sendo]

Q: Sua cama esfriou e uma semana depois, você precisa que eu esquente de novo? [Quinn não parava de desafiar]

R: Por que você está falando assim? [a vontade de chorar se fazia presente pelo nó que se formava em sua garganta]

Q: Por que? Eu preciso repassar pra você o que aconteceu aqui naquele dia? Eu preciso te relembrar que você terminou comigo?

R: Eu não terminei com você! [insistia]

Q: Chega! Nossas interpretações sobre o que aconteceu aqui na semana passada são diferentes e nunca chegaremos a um consenso. [disse duramente]

R: Eu sei que você está magoada.

Q: Não deveria estar?

R: Eu te amo e isso não mudou...

Q: Sentimentos não valem nada sem ações...

R: O que você quer dizer com isso?

Q: Eu não vou te explicar o óbvio, Rachel.

R: E o que é? Você não me quer mais? [sua voz saiu quebrada]

Q: Você não entende mesmo, não é?!

R: O que? O que eu não entendo?

Q: Como você pode duvidar se eu te quero? [questionou ofendida]

R: Eu não sei. Há uma semana você estava aqui chorando para não darmos um tempo e agora você parece não me querer mais. Como as coisas podem ter mudado tão rápido? [sua voz ficava mais tremida]

Q: Rápido? Assim como você transou comigo numa noite e 24 horas depois estava dizendo que iria se afastar de mim?

R: É diferente!

Q: É diferente em que? Você quer me ouvir responder à sua pergunta? Se eu quero você? Pois bem, Rachel Berry, eu te quero! Eu te quero a cada segundo mais. Eu quero, inclusive agora, tirar toda a sua roupa e te mostrar o tanto que te quero. Mas eu te quero tanto quanto eu quis me atirar dessa janela quando eu me vi sem você... [confessou apontando para a ampla janela da sala]

R: O que? [assustou-se]

Q: Isso mesmo! A ideia de me jogar por esta janela me passou pela cabeça diversas vezes, num intervalo de 48 horas e isso só não aconteceu, porque Santana estava grudada em mim. Durante esses dias todos, eu me vi sufocada no ambiente claustrofóbico da minha própria mente, lembrando dolorosamente cada segundo que passei com você, desde quando te conheci. Tentei encontrar, nesses pensamentos, uma brecha que me indicasse um momento mágico que tivesse me impedido de me apaixonar por você. Eu me perguntei, várias vezes, encolhida na cama da Santana, porque eu não aguentava sentir seu cheiro na minha, por que que eu me apaixonei por você. Por que o meu caminho se tornou o seu?

R: Isso não pode ser sério... [negava a possibilidade de Quinn ter pensado mesmo em se machucar]

Q: Lembra-se que era isso que eu tentava dizer quando você me falou que íamos dar um tempo?

R: Quinn...

Q: Não. Não. Só escute. E veja... [dirigiu-se ao quadro] Aproxime-se... [Rachel obedeceu hesitante]

Q: Está vendo isso? [apontava para as anotações]

R: São as fases do luto? [perguntou confusa, assustada]

Q: Que bom que você sabe! [deu um sorriso presunçoso]

R: O que elas fazem aí?

Q: Você realmente pensou que você ia me dizer que ia se afastar de mim e que quando a porta se fechasse eu iria enxergar isso como um ato de generosidade e amor?

R: Mas foi um ato de generosidade e amor! [insistiu]

Q: Pra você! Pra você foi um ato de generosidade. Pra você pareceu ser um ato de amor. Pra mim, foi como me atirar num abismo. Você me tirou a coisa mais importante da minha vida: você mesma!

R: Era um tempo... [disse baixinho]

Q: Não insiste nisso, Rachel! Temporariamente ou pra sempre, tudo resultava em ficar sem você.

R: Eu só...

Q: Então [interrompeu] as sensações dessas fases do luto me acompanharam durante esses dias. Misturadas, bagunçadas, desordenadas. Sua atitude supostamente generosa, não tinha como sair impune.

R: Eu também estou sofrendo. Eu fiquei enclausurada no quarto também e...

Q: Isso não faz eu me sentir melhor! [cortou-a] Seu sofrimento não me agrada. Eu não preciso que você também sofra para dar sentido ao meu sofrimento.

R: Isso que você falou sobre a janela...

Q: Sobre pular?

R: Sim... Isso é sério? [perguntou temerosa]

Q: Completamente! [respondeu sem pestanejar] Eu não acho que eu concluiria, mas eu senti vontade ou necessidade...

R: Pelo amor de Deus, Quinn! Onde você estava com a cabeça ao pensar isso? [fechou os olhos, tentando conter as lágrimas que já caíam sem que ela tivesse percebido]

Q: Em você! Eu estava com a cabeça em você! [disse firme, com a voz mais alta] Em algum momento, no meio disso tudo, eu tomei consciência de que quando eu digo que não faz sentido viver sem você, eu estou realmente falando sério!

R: Eu achei que você precisava de espaço para que você percebesse que suas decisões não podem girar em torno de mim. [tentava justificar sua atitude]

Q: E por que não podem? [perguntou demandante]

R: Hã?

Q: Me dê uma simples razão para as minhas decisões não girarem em torno de você! [desafiou]

R: Eu já falei... Eu... Você é um gênio e precisa... [tentava explicar, sem sucesso]

Q: De você! Eu preciso de você! E eu não entendo como isso não entra na sua cabeça. Na cabeça de todo mundo! Por que, para vocês, propostas e ofertas parecem mais importantes do que isso? [finalmente, estava irritada] Eu passei a minha vida inteira tentando não pautar meu futuro apenas seguindo a minha inteligência. Eu fui líder de torcida, Rachel. Eu fui capitã das Cheerios. Isso é o tanto que eu me importo com a minha inteligência! Tem muito mais coisa no mundo e na minha vida, além do meu QI. E o mais importante disso tudo, pra mim, é você! Qual a dificuldade em entender que eu poderia ter uma proposta de ir pra lua, porque o meu QI é irritantemente igual ao do Albert Einstein, e isso não me importaria de forma alguma se você não pudesse ir comigo?

R: Eu... Eu... [a verdade caía pesada sobre ela]

Q: Eu atrelei minha vida à sua. Desde a escola... Desde antes de eu entender que eu amava você. Eu mudei meus planos de ir pra Yale, para poder vir para Nova York com você. Eu não me inscrevi em Harvard, Princeton ou Stanford, porque nenhuma dessas universidades me permitiram te ter por perto. Eu tentei sabotar minha própria inscrição pra Columbia, tentando parecer uma aluna excelente, porém normal, porque eu queria ser aceita como todos os outros, sem chamar atenção. Mas eu falhei miseravelmente na tentativa de disfarçar o meu QI. Se senti e tenho sentido orgulho de mim? Sim! Eu me orgulho de mim. É gratificante ver que as outras universidades me querem também? Sim! Muito! Eu fui conhecer Stanford e a achei incrível? Com certeza! Harvard vai me deixar embasbacada? Sem dúvida! Mas nada, e entenda bem quando eu enfatizo o NADA... Nada nunca provocou, nem vai provocar o que você me faz sentir. Então nada, em nenhum lugar, será capaz de me fazer feliz como você tem essa capacidade.

R: Quinn, eu... [tremia incontrolavelmente]

Q: Eu não terminei! Me deixe falar... [foi enfática] Eu tenho tentado deixar claro o meu amor por você e o quanto ele é importante pra mim. Eu me dilacerei de dor quando você sofreu o acidente, porque eu sequer poderia aceitar o fato de passar o resto da vida sem você. E eu tenho te amado da melhor maneira possível. Eu sei que temos muitos problemas de amadurecimento, e muito disso se deve ao fato de que nosso namoro começou depressa e tudo foi muito veloz: a dependência, o sexo... E eu sei que somos jovens, mas eu nunca duvidei de que o que eu sinto por você é maior e mais importante do que tudo. E desde que eu falei pra você sobre essas propostas, apenas porque eu não acho que esse tipo de assunto deve ficar de fora do nosso relacionamento, eu tenho gritado a plenos pulmões que eu não pretendia deixar você. E ainda que, remotamente, eu resolvesse mesmo ir, sei lá, para Stanford, que é do outro lado do país, eu só faria isso se eu tivesse a certeza de que eu teria você comigo o tanto que eu preciso.

R: Um namoro à distância, eu sei...

Q: Eu não quero um namoro à distância. Eu nunca quis. E não porque eu pense que daria errado. Mas porque eu preciso de você perto de mim! Eu preciso! Entenda isso! [disse irritada] E não quero saber se isso é anormal, se as outras pessoas não são assim. Eu sou eu! O meu amor é o meu amor! E não é igual ao de ninguém! Nem mesmo ao seu...

R: Eu só não quero ser um empecilho para suas conquistas... [tentou se explicar novamente]

Q: Pára com isso! Eu tenho falado grego esse tempo inteiro?! Eu nunca quis te amar assim. Eu nunca pensei que eu seria capaz de te amar assim. De amar qualquer pessoa assim... Mas eu te amo! Se você quer mesmo saber sobre o meu querer, eu posso te garantir que eu te quero com todas as minhas células. Que eu desejo a sua pele o tempo inteiro... Sua boca, sua língua, seu corpo inteiro. Que imaginar um dia sequer sem ver seu sorriso é doloroso. E eu senti isso durante todos esses dias. O cheiro dos seus cabelos, o calor de suas pernas, a maciez dos seus seios, a perfeição do seu corpo em minhas mãos... Ficar sem isso, me fez querer pular dessa janela. Isso faz você ter uma noção do que realmente me importa? Isso faz você entender que eu não preciso que você me dê um espaço para que eu possa enxergar as decisões que tenho que tomar? Porque se você se afasta, eu perco o ar. [dizia exasperada] Lembre-se que antes de virmos pra cá, quando ainda não tínhamos nos envolvido, o Finn tentou parecer generoso com você, tentando consertar a burrada que ele havia feito em não te apoiar, fazendo parecer que queria te dar liberdade para brilhar. Você tentou fazer a mesma coisa, sem prestar atenção de que mais do que não precisar, eu nunca quis isso. Eu nunca quis espaço nenhum, nem distância, nem liberdade, porque eu nunca me senti presa a você. Você me completa, mas não me prende.

R: Eu não quis te magoar... [aproximava-se com cautela]

Q: Eu sei... Eu tenho certeza disso. [deu um passo para trás, fazendo Rachel parar] Mas eu não entendo como pôde passar pela sua cabeça que eu poderia acordar em qualquer outro lugar sem você ao meu lado e ainda ser feliz... Eu gritei, gritei e gritei, tentando te convencer de que eu não poderia ficar sem você, mas você não me ouviu. Você simplesmente tomou uma decisão em nosso relacionamento, sem nem levar em consideração o quanto isso me machucava. Eu prometi ceder à sua vontade de me ver tentando levar em consideração uma outra realidade, mas eu não poderia cumprir isso nunca! Eu posso rodar o mundo inteiro, conhecendo lugares que tenham a ver com o que eu quero profissionalmente e posso adorá-los, mas tudo o que eu quero, depois de vê-los, de absorver conhecimento, de ver que existe um mundo lá fora gritando por mim, é chegar em casa e deitar em seus braços e ouvir você me contar seu dia, e sussurrar em meu ouvido, gemer meu nome, beijar minhas costas, me forçar a comer... Será que é preciso eu pular mesmo dessa janela pra você entender tudo isso?

R: Me perdoa! [pedia chorando] Eu... pensei que estava fazendo o bem pra você! Eu pensei que estava fazendo o certo... Eu não sei...

Q: O quanto você me ama, Rachel?

R: O que? [surpreendeu-se com a pergunta]

Q: O quanto você me ama? [repetiu]

R: Eu pensei que você soubesse... Eu não deixei claro?

Q: Por mais que você tenha feito por amor, se afastar de mim não prova que você o sente.

R: Você duvida do que sinto? [ofendeu-se]

Q: Não! Eu só quero saber o quanto você me ama. Porque eu preciso ter a certeza de que você não veio aqui porque está com ciúmes, ao ver a Jennifer falando comigo na academia.

R: O que? Como... [a surpresa de descobrir que Quinn sabia disso, que ela havia visto Jennifer na academia, fez seu corpo gelar]

Q: Foi por isso que você veio? Assim como você foi atrás de mim em Los Angeles, depois de a Santana dizer que eu tinha falado o quanto as pessoas de lá eram lindas? Ou por que o Puck estava lá? O quanto você me ama ou o quanto você pensa que eu pertenço a você, Rachel? [questionou]

R: Eu posso não saber usar as palavras como você, mas eu te amo mais do que meu corpo é capaz de sentir. Eu te amo mais do que desejo ser famosa! Eu te amo mais do que eu mereço que você me ame... [disse sincera]

Q: Então, se você me ama tanto, por que você não consegue entender as diretrizes do meu amor por você? Eu me assumi gay por você, mesmo com a minha formação religiosa e toda a minha discrição... Eu me assumi gay por você. Rótulos? Não me apego a eles, mas eu sei, como você já me disse há muito tempo, que estar com você não me faz um exemplo de heterossexualidade. Se estar com você me faz gay, se amar você me faz gay... Então eu sou a rainha dos gays. Isso deveria significar alguma coisa para você, ao invés de pensar que eu seria capaz de colocar qualquer coisa à frente disso.

Aquilo tudo era demais para Rachel. Não esperava que Quinn fosse despejar tanta verdade e sinceridade sobre ela. Era sufocante constatar que, talvez, sua atitude de tentar dar espaço à namorada tenha sido, realmente, uma péssima decisão...

R: Você vai me perdoar? [perguntou chorosa]

Q: Eventualmente sim... Mas não hoje... [respondeu calmamente]

R: Mas... Depois de tudo o que você me disse e de eu te dizer que te quero... Por que ainda precisamos nos machucar? [perguntava em um tom sofrido]

Q: Eu estou machucada, Rachel. Só se passou uma semana do baque que você me deu. Uma semana que bagunçou minha sanidade, que me fez mergulhar de cabeça numa escuridão profunda. E se eu tive a sorte ou desenvoltura de estar hoje, aqui de pé, sem desmoronar à sua frente, eu não posso arriscar isso me atirando cegamente, de novo, em seus braços.

R: O que você quer dizer com isso?

Q: Que hoje não é o nosso dia e que precisamos amadurecer um pouco mais antes de ele chegar.

R: E isso vai demorar?

Q: Eu não sei, Rach... Eu te amo. Você me ama. Ele vai chegar...

Rachel não se segurou e caminhou até Quinn, sentindo-se aliviada ao perceber que a loira não recuou mais. Manteve-se a escassos centímetros, sem saber se poderia tocá-la, ou se seria repelida. Deixou de pensar e levou as duas mãos ao rosto de Quinn, unindo os olhares, tentando conectar-se de novo com ela:

R: Eu amo você! Eu nunca quis te magoar... Eu pensei que agia certo, mas devo ficar aliviada por não ter demorado para vir aqui. Por ter enfrentado o abismo que aquele corredor representou durante a última semana. E eu vou esperar o “nosso dia”... Vou fazer de tudo para que ele chegue o mais depressa possível... [disse carinhosamente, encarando fixamente os olhos claros]

Os lábios de Rachel pousaram sobre os de Quinn. Calmamente... Tentando passar para ela todo o amor que sentia. A loira não a impediu, não recuou. Correspondeu ao toque delicado da boca carnuda, enquanto os dedos da morena se moviam em seu rosto, fazendo carícias circulares em suas bochechas. Ficar ali naquele beijo, sem poder aprofundá-lo, estava fazendo o corpo de Rachel doer. Ela cortou o beijo e manteve sua testa apoiada sobre a de Quinn:

R: Eu te amo... [sussurrou sobre seus lábios antes de se afastar]

As duas trocaram um olhar cúmplice. Todo o entendimento que as definia, que as tornava tão especiais, estava ali de volta. Com um sorriso fraco, Rachel afastou-se mais e foi em direção à porta. Sabia que precisava ir devagar. Precisava fazer Quinn se sentir segura de novo e isso não aconteceria ali, naquele momento. Atravessou o corredor com uma nova sensação de alívio, mas ainda se sentia deprimida, por tudo o que ouviu e pelo arrependimento que bateu pela decisão que havia tomado há uma semana. Não teve muito tempo para se perder novamente em seus pensamentos... A surpresa de ver Quinn entrando em seu apartamento foi indescritível. A loira avançou sobre ela sem dizer nada, empurrando-a até o piano, quando foram paradas ao encostar no instrumento:

Q: Eu só não quero esperar para matar esse desejo incontrolável por seu corpo. [disse a encarando]

Rachel a beijou. O sabor daquele beijo era diferente. Como se estivessem se beijando pela primeira vez. Havia um misto de saudade, desespero, necessidade e carinho. A língua de Quinn logo correspondeu à investida da morena e já não havia qualquer pensamento transitando em suas mentes. Ali, era só desejo, num encontro carnal que lhes devolvia parte de seus mundos. Parte do mundo em comum... Quinn suspendeu Rachel sem dificuldade, colocando-a sobre o piano. O ar entre elas estava absolutamente rarefeito. A morena chupava o pescoço de Quinn com voracidade, como se sua língua garantisse uma união eterna àquela pele deliciosa. As unhas da loira percorriam as coxas perfeitas da morena, subindo rapidamente até o interior de sua saia. Rachel sequer sentiu sua calcinha sendo arrancada. Estava ocupada demais tentando tirar a blusa de Quinn. E as peças de roupa iam se afastando de seus corpos sem que se dessem conta de como as retiraram... Ter os seios de Rachel novamente em sua boca, fez Quinn gemer intensamente. Enquanto chupava com fome os dois montes perfeitos, sentia os dedos de Rachel engancharem em seus cabelos, e as unhas da morena cravarem em sua nuca. O peito da morena arfava, sentindo os lábios macios de Quinn descerem por seu corpo. Sua mão esquerda, que agora segurava-se no piano, escorregou, fazendo-a perder o equilíbrio e deslizar a mão até atingir as teclas. Quinn se assustou. Rapidamente, fechou a tampa das teclas e arrastou Rachel para o centro do piano, sem dizer nada. Atacou sua boca, chupando agressivamente cada lábio em separado. A morena não queria que isso acabasse nunca. Só se tornou consciente de que ainda não tinha chegado nem no começo do seu prazer, quando sentiu os dedos de Quinn lhe invadindo sem aviso, enquanto sua língua era chupada sem cerimônia pela língua selvagem da loira. O corpo da loira inclinava-se sobre o dela, fazendo seus seios se tocarem, causando arrepio em ambas. A respiração de Quinn passou a bater no pescoço de Rachel, que gemia enlouquecida em seu ouvido. A loira introduziu o terceiro dedo, sentindo o puxão que a morena deu em seus cabelos, na tentativa de se segurar por tanto prazer...

Não houve palavras, nem românticas, nem eróticas. Depois de uma semana sem saber o rumo da relação, depois de Rachel ter provocado em Quinn sentimentos tão tristes e pesados, tudo o que precisavam, independente do futuro, independente de entenderem seus pontos de vista ou não, era sentirem suas peles juntas, o sabor de seus beijos, o prazer compartilhado. Sentir o corpo de Rachel sob seu domínio de novo, fez Quinn sentir seu coração se renovar. Era ali, naquele momento, quando seus corpos se comunicavam sem palavras, quando seus dedos exploravam o corpo da morena, quando ouvia os gemidos em seu ouvido, que ela se sentia completa. Que ela sentia que a vida valia a pena. Rachel, por sua vez, renovava suas esperanças ao sentir a pele de Quinn deslizando sobre a sua. Quando sentia o toque intenso, mas apaixonado da loira em sua intimidade. Estar ali, novamente em seus braços, sentindo o mundo girar, sobre aquele piano, que foi uma das maiores declarações de amor que Quinn já lhe fez, despertou-lhe lágrimas. Rachel chorava silenciosamente, mas a loira não havia percebido. A voracidade animalesca com que possuía o corpo que tanto amava a impediu de perceber qualquer coisa que estivesse fora de suas mãos. Naquele momento, tudo que ela percebia eram os arrepios do corpo de Rachel sobre sua mão esquerda que segurava-lhe o pescoço, e as paredes da morena se fechando em seus dedos anunciando o orgasmo que chegava. Os dedos de Quinn se encharcaram, apertados dentro de Rachel, enquanto a respiração ofegante da morena e os gemidos incessantes tratavam de invadir sua audição. As lágrimas ainda deslizavam por seu rosto, mas Quinn ainda não tinha visto. Os olhos fechados, apreciando a sensação do corpo moreno colado ao seu, era só o que ela precisava naquele momento. Não se tratava de provar o amor que sentiam, mas de saciar a sede e a fome de seus corpos... Um pelo outro... Vagarosamente, os dedos de Quinn deslizaram para fora da intimidade de Rachel, causando novos arrepios na morena que se apertou ainda mais ao corpo da loira. Havia também, naquele abraço, o medo gigante de que ela se afastasse. A morena precisava sentir que tudo voltaria ao normal. Sentiu o beijo carinhoso de Quinn em seu pescoço, para logo depois sentir a língua da loira, lambendo a camada de suor que se formou ali. Depois uma leve mordida e um novo beijo, ainda mais intenso. Era mais... Muito mais do que Rachel esperava. Era mais do que pensava que merecia.

Depois de um longo período de silêncio, a respiração de ambas se normalizou. Rachel continuava alisando os cabelos de Quinn, que mantinha o rosto encaixado no pescoço da morena.

R: Eu te amo... [disse antes de se mover para beijar-lhe a têmpora] Você é tudo pra mim, meu amor...

Rachel sentiu as mãos de Quinn, que estavam paradas em suas coxas, deslizarem para fora delas. Viu a loira se mover, afastando-se de seu corpo para começar a pegar as roupas pelo chão. Sem dizer nada, Quinn começou a ajudar Rachel a se vestir. Vestiu-se sozinha e segurou a morena em seus braços, tirando-a de cima do piano. Vestidas novamente, frente a frente, depois do momento tão íntimo vivido, olhavam-se sem dizer mais nada. Rachel já havia falado, mas Quinn manteve-se em silêncio. Segurou o rosto da morena, fazendo com que ela fechasse os olhos ao toque, inclinando a cabeça em direção à mão da loira. Um beijo delicado sobre os lábios e um sentido na testa de Rachel, foi tudo o que Quinn se dispôs a fazer antes de se afastar e sair do apartamento.

Rachel entendeu que Quinn deixou a porta aberta para ela voltar, mas sabia que não seria tão fácil como queria que fosse...


Notas finais
É claro que espero que gostem do capítulo! Esse me custou mais tempo do que o normal, pois precisei ter um cuidado maior com a linha a ser seguida.
E acho que vocês não imaginavam que ele seria assim. ;)
Bom... Até o próximo!
Obrigada pelos comentários nos anteriores! Por opinarem sobre a dor das duas. ;)
Espero seus comentários neste! :)
Beijos!!!!!