Você Sempre Esteve Em Mim

85 Capítulo 85 - Espaço...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Joy Division - Love Will Tear Us Apart

Rachel acordou e estranhou a ausência de Quinn ao seu lado. Seu corpo pesava em demasia e se culpava mentalmente por toda vodka bebida. Levantou-se e foi procurar a namorada pelo apartamento. Escutou as vozes baixas de Quinn e Mercedes conversando no quarto. Não sabia se era alguma conversa privada sobre a amiga, mas a curiosidade falou mais alto e tentou ouvir um pouco, para saber se poderia entrar:

M: Como eu disse, se você vier, nós podemos ver uma forma de você morar comigo. Sei que é longe daqui, mas você poderia vir nos fins de semana.

Q: Eu agradeço, Mercedes, mas eu não pretendo vir. [sorria em agradecimento]

M: Pensa bem, Quinn. Aqui você já estaria, praticamente, dentro de Hollywood. [incentivava]

Q: Não me importa... [dizia sincera]

M: Como não importa? É o seu futuro. [falou surpresa]

Q: Não vejo dessa forma...

M: Pensei que você tivesse gostado de Stanford e da Califórnia. Eles não te trataram bem?

Q: Eles foram maravilhosos! Eu gostei muito! Stanford é incrível e a Califórnia é linda. Eles disseram que se eu estudar lá eu já estarei, praticamente, dentro de Hollywood, pois eles farão de tudo por mim. Eu gostei de ter vindo porque eu tenho uma nova visão de Columbia. De qualidades e defeitos. Mas eu não quero vir.

M: Por causa da Rachel?

Q: É... Eu vejo as coisas grandes, maravilhosas e promissoras. Mas tudo isso perde a importância quando eu a vejo, quando ela está perto de mim. Eu não sei pensar em mais nada que não a envolva também.

M: Ela pediu pra você não vir?

Q: Não! Por mais que ela não queria que eu largue Columbia, ela não me pede. Ela me incentivou... Me pediu, na verdade, que eu analisasse cada proposta com cuidado. Ela não quer que eu escolha por ela. E estou atendendo ao pedido dela, visitando as universidades... Mas eu não vou sair de Columbia. Lá eu tenho o que preciso e, principalmente, é lá em Nova York que ela está.

M: Então você só está visitando por visitar?

Q: Quase isso. Deixarei as portas abertas para o futuro. Para fazer cursos de verão, ou coisas do tipo...

M: Você está tão apaixonada assim?

Q: Mais do que isso... [sorriu corada]

M: Você não tem medo de se frustrar no futuro e isso atrapalhar a relação de vocês?

Q: Se ela estiver comigo, é impossível que eu me frustre.

M: Engraçado que quando a Tina me contou que vocês estavam namorando eu não fiquei chocada. Era como se fosse a coisa certa. O que todos esperavam... [sorriu suavemente]

Q: É a coisa certa. Sempre foi. Nós que ainda não tínhamos percebido...

M: Então, Rachel Berry conquistou seu coração? [brincou]

Q: Completamente... [sorriu suavemente]

M: Então, como vai ser daqui pra frente, com as outras universidades?

Q: Chicago eu vou negar de cara. Não vou lá conhecer. Vou agradecer, mas não vou. Vai ser perda de tempo pra mim ir lá só por ir... Mas vou conhecer Princeton e Harvard.

M: Meu Deus! Você vai recusar Harvard? Quem recusa Harvard?

Q: Eu! [respondeu segura, rapidamente]

M: Mas...

Q: Eu sei o que eu quero, Mercedes. E eu não vou conseguir o que quero, da forma que quero, em outro lugar.

M: E se um dia vocês terminarem?

Q: Não vamos terminar.

M: E se terminarem? Você não vai se arrepender de ter preferido ficar lá por causa dela?

Q: Eu não posso me arrepender de nenhuma decisão que me garanta ficar ao lado dela. Seja por quanto tempo for...

M: Me tira uma dúvida?

Q: Claro!

M: Quando você morou lá em casa, você já era apaixonada pela Rachel?

Q: Eu, sinceramente, não sei... Digamos que eu tenha sentido algumas coisas que não queria aceitar... Atração... Mas eu não sei dizer desde quando eu sinto o que sinto.

M: Acho que ela sempre foi apaixonada por você. Quando ela chegou aqui ontem te procurando, ela tinha o mesmo jeito e o mesmo olhar da época do Mckinley. Eu estava vendo a mesma Rachel Berry do clube do coral.

Q: Eu não sei... E acho que nem ela sabe... Mas o que me importa é que ela me ama hoje.

M: Quinn... Como você acha que vai convencer a Rachel de que sua decisão não é por causa dela?

Q: Ainda não sei... Acho que só dizendo que concluí que Columbia é mesmo melhor.

M: Eu preciso ir à Nova York.

Q: Você está intimada a ir! [sorriu]

O peso que Rachel sentia no corpo ao acordar, passou a esmagá-la após ouvir a conversa entre Quinn e Mercedes. Saber que Quinn não pretendia atender ao que ela pediu não a deixou com raiva, mas apreensiva por saber que a loira já estava decidida a condicionar seu futuro a ela. E esse peso, essa responsabilidade, era algo que ela não sabia se poderia carregar. Voltou à sala e deitou-se novamente. Sabia que pressionar Quinn a confessar não era uma boa opção. Teria que lidar com isso em silêncio. Ela não poderia obrigar a namorada a fazer uma escolha contra a vontade. E não sabia como fazer com que ela decidisse por conta própria. Fechou os olhos e cobriu-se até a cabeça, retardando o máximo que podia enfrentar o que viria.

Já se aproximava da hora do almoço e Mercedes ligou para um delivery, enquanto Quinn se aproximou de Rachel para acordá-la. Entrou embaixo do cobertor, pensando que ela realmente dormia. A morena sentiu o contato do corpo quente da loira em suas costas e os lábios macios em seu pescoço:

Q: Acorda bela adormecida... [sussurrou sorridente]

Rachel se virou e a abraçou forte, encaixando o rosto em seu pescoço, em silêncio. Quinn não estranhou a atitude e devolveu o aperto, beijando-lhe no ombro repetidas vezes:

Q: Mercedes pediu o almoço. Que tal começarmos a nos aprontar para não perdermos a hora do nosso voo?

R: Acho uma boa ideia... [respondeu baixinho]

Q: Está tudo bem? [questionou ao perceber certa desanimação]

R: Dor de cabeça... [mentiu]

Q: Bebeu muito, Rach... Vou pegar uma aspirina e você vai tomar banho. Depois eu vou. Certo?

R: Certo...

A água quente relaxava seu corpo, mas não a cabeça. Os pensamentos chocavam-se como se estivessem num furacão. Todo o tempo em que ficou preocupada com que Quinn escolhesse outro lugar, foi em vão... Em nenhum momento ela correu esse risco. Deveria ficar feliz por isso? Talvez. Mas ser a razão de ela abrir mão de grandes oportunidades não parecia ser algo que traria um sentimento bom. Rachel, simplesmente, não entendia o que sentia naquele momento. Era uma angústia irritante, que não conseguia fazer passar. Agarrou-se à esperança de que passaria. Ela precisava que passasse...

O almoço transcorreu bem. Mercedes puxava a conversa e Quinn interagia perfeitamente. Rachel falava menos, mas não deixava de se pronunciar. A quietude que tomou conta da morena foi interpretada pela loira como resultado da bebedeira na noite anterior. Preocupou-se em medicá-la e deixá-la confortável. O tempo passou depressa e, quando viram, já estavam se despedindo de Mercedes e combinando sua visita à Nova York. Puck as levou ao aeroporto, abraçando-as fortemente antes de embarcarem. Ele combinou algumas coisas com Quinn, referentes à Beth e prometeu visitá-las em breve.

No avião, Rachel mantinha o silêncio, fechando os olhos para evitar conversar. Quinn continuou pensando que ela estava com dor de cabeça e pediu à aeromoça um copo d'água para dar-lhe remédio. Rachel se deixou medicar. A loira a envolveu com o braço e, carinhosamente, acariciava a mão esquerda da morena, sobre sua coxa:

Q: É melhor você tentar dormir... Eu te acordo quando chegarmos. [disse com a voz doce, fazendo-a assentir com a cabeça]

Rachel não dormiu. Manteve os olhos fechados, como se adormecesse, mas sua cabeça não parava de trabalhar. A noção de que Quinn era capaz de qualquer coisa para estar com ela era embriagante. Não que ela não soubesse. Mas a constatação clara de que isso é uma verdade, começou a martelar em sua cabeça: até que ponto essa entrega é benéfica? Quando se torna nociva para a loira?

Horas depois o avião pousou em Nova York e elas foram recebidas por uma Santana curiosa e um Kurt triplamente curioso. Queriam saber tudo sobre a viagem: a reação de Quinn ao ver Rachel; Como foi recebida em Stanford; Como é estar na Califórnia, dentre outras curiosidades. A morena se mantinha calada, deitava no ombro da loira, que acariciava seus cabelos naturalmente.

Aquele foi apenas o primeiro dia de poucas palavras. Uma Rachel mais silenciosa virou uma constante. A morena passava mais tempo em NYADA do que deveria, enchendo-se de ocupações para evitar pensar mais. Ela simplesmente não estava conseguindo lidar com o peso de ser o motivo de Quinn sequer pensar em coisas grandes para si. A loira, por sua vez, percebeu essa mudança na namorada, mas atribuiu à preocupação de que ela escolhesse ir embora. Apesar de querer acabar com essa angústia e definir de uma vez que as coisas não mudariam, sabia que entrar nessa discussão com Rachel não resultaria em nada bom.

Apesar de silenciosa, quando estavam juntas, Rachel estava sendo muito mais carinhosa do que de costume. Quase todas as vezes em que fizeram amor nas duas últimas semanas, tinha sido ela a que tomou a iniciativa. Fazia carinhos intermináveis na pele da loira após o orgasmo e a acordava cheia de beijos. Preparava comida para Quinn e dormia sempre com ela. Não houve uma briga sequer, ou qualquer desentendimento. Tudo estava em paz. Aparentemente... A guerra que a morena travava dentro de si não tinha fim. Sentia-se sufocada pela ideia de ver Quinn estagnada junto a ela. De, no futuro, ela não ter oportunidades tão boas. Nem a genialidade da namorada a estava deixando tranquila para deduzir que ela sempre teria as portas abertas para ela.

Numa determinada tarde, Rachel se viu em prantos ao telefone, falando com Hiram:

R: Eu não sei o que fazer pra não me sentir assim, papai. Eu sinto que as coisas não podem ser as mesmas se eu não tomar uma atitude. [soluçava]

H: Filha... Você tem certeza?

R: Tenho! Eu preciso fazer isso... Por ela... Eu a amo tanto, papai... Tanto! Que me deixa sem ar... [chorava desesperada]

Numa noite fria de quinta-feira, onde Quinn tinha prometido levá-la ao cinema e jantar, Rachel a esperava em casa, sentada na cama da loira, com as mãos sobre os joelhos, respirando fundo, tentando não desabar. Tremeu ao ouvir a porta da sala se fechando. Conhecia o som do caminhar de Quinn... Sabia, inclusive, calcular os milésimos de segundos que levava para trocar os pés.

Q: Oi, meu amor! [disse carinhosamente enquanto deixava um delicado beijo em seus lábios] Vou tomar banho correndo e vamos. Santana e Kurt já estão chegando no cinema para comprar os ingressos. Não demoro!

R: Eu falei com eles. Avisei que não vamos. [disse temerosa]

Q: Por que? Você não quer ir mais? [perguntou surpresa]

R: Precisamos conversar... [sua voz estava trêmula]

Q: Aconteceu alguma coisa? [questionou preocupada]

R: Eu preciso que você me ouça com atenção. [estava sendo impossível controlar os tremores das mãos]

Q: Rach, você está me assustando.

R: Eu te amo...

Q: Por que você está me dizendo isso dessa forma? [a preocupação começava a se agravar]

R: Só me escuta. Por favor... Eu amo você! Amo totalmente, acima do limite da razão. Você é, com certeza, o amor da minha vida! E eu preciso ser merecedora disso... [sem que percebesse, algumas lágrimas começaram a escapar]

Q: Eu não quero ouvir. Não vamos ter essa conversa. [adiantou-se, sabendo que não era nada que pudesse acabar bem]

R: Precisamos de um tempo, Quinn... [disse sem pausas]

Q: Não estamos conversando. Você está falando sozinha... Não quero saber. [tentava se controlar]

R: Eu quero um tempo! [disse firme]

Q: Do que você está falando? Você não me quer mais? O que eu fiz de errado? [a angústia começava a dominá-la]

R: Claro que te quero! Lógico! [exaltou-se]

Q: Não! Não é lógico, se você diz que quer um tempo... [devolveu no mesmo tom]

R: Não é por falta de amor... Eu te amo mais do que tudo!

Q: Então não tem porque me pedir um tempo.

R: Eu não estou pedindo... Isso não é um pedido, Quinn... Eu preciso me afastar de você, para que aprenda a pensar em si. Você não está pensando. Eu estou te prejudicando, te fazendo mal... Eu te pedi, mas você está mentindo pra mim. De novo! O que você pensa que está fazendo? Abrindo mão de grandes oportunidades por minha causa? [as lágrimas estavam mais intensas]

Q: Do que você está falando? [perguntava nervosa]

R: Eu ouvi sua conversa com a Mercedes em Los Angeles e sei que você vai dispensar Chicago sem analisar. Eu sei que Stanford lhe ofereceu o céu e você quer negar isso tudo por minha causa. Eu não posso aceitar isso! Eu não posso... É demais pra mim! [fechava os olhos com força]

Q: Você não suporta o meu amor por você? É isso? [perguntava ofendida]

R: Não é isso! Eu não suporto a culpa de ser responsável por suas decisões equivocadas.

Q: Não são decisões equivocadas. Estou apenas fazendo o que quero. O que é importante pra mim!

R: Eu não posso aceitar isso...

Q: Você tem que aceitar. Eu já disse que você não pode me obrigar a fazer uma escolha que não quero. Eu venho tentando cumprir com o que você me pediu, mas não dá! Eu não quero ir pra outro lugar. Pronto! Acabamos com essa discussão aqui! Eu não preciso mais ir conhecer universidade nenhuma. Pronto! Escolhi Columbia desde o começo. Vou ficar. Esquecemos esse assunto e continuamos bem.

Q: Fala alguma coisa... [pediu angustiada diante do silêncio de Rachel]

R: Nossos pais têm razão quando dizem que somos jovens demais para encarar nosso namoro de forma tão séria. [disse quase que num sussurro]

Q: O quê? [perguntou surpresa] Eu não ouvi isso, ouvi?! [indignou-se]

R: Você está agindo como uma adolescente teimosa. Você não consegue enxergar que essa sua decisão, um dia, vai explodir na nossa cara. Um dia, isso vai ficar entre a gente.

Q: Já está! Você está colocando entre a gente. [gritou] Eu não entendo... [descontrolava-se] Fizemos amor ontem e foi perfeito... Como hoje estamos tendo essa conversa?

R: Vamos dar um tempo! Você precisa pensar nas coisas sem me ter por perto. Minha presença está atrapalhando seu discernimento...

Q: Eu fiquei louca ou retardada de repente? É isso o que você está dizendo? [irritava-se ainda mais]

R: Você sabe que não é isso, Quinn! [gritou]

Q: Então o que porra é? [gritou mais alto] Que merda eu devo fazer pra você parar de querer me fazer mudar de ideia? Você me quer longe, é isso?

R: Você está entendendo tudo errado. Deturpando as coisas... [agoniava-se]

Q: Não estou, não! Por que eu desisti de Yale então, se no fim você ia me querer fora da sua vida?

R: Tá vendo? É disso que estou falando: você acaba de jogar na minha cara a sua escolha! É isso que vai acontecer no futuro, quando você perceber que as propostas que você deixou passar eram o que você realmente queria.

Q: Quer saber? Foda-se tudo! Você não vai me pressionar a decidir. Eu já decidi. Eu decidi ficar. Eu vou ficar.

R: Você não está pensando, Quinn. Eu ouvi você dizer que as coisas grandiosas perdem a importância quando você me vê, quando eu estou perto de você... Isso não está certo!

Q: Eu não vou ficar sem você! Entenda isso! Eu não vou a lugar nenhum sem você! [começava a chorar desesperada]

R: Em nenhum momento eu me dispus a te acompanhar... Isso deveria significar alguma coisa... [disse desanimada]

Q: Você não pode me acompanhar. A Broadway é aqui! [constatou o óbvio]

R: Mas eu poderia ter outros sonhos.

Q: Não longe daqui!

R: Você está protegendo o meu futuro. Agora eu também estou protegendo o seu...

Q: Por que você não esquece isso, simplesmente? Por que não podemos voltar ao que era antes dessas malditas cartas chegarem?

R: Porque eu sei o que me custa sonhar. E sei o quanto eu me sentiria vazia se eu já não tivesse ambição. Eu não posso deixar que você se esvazie. Eu não posso ver você agir sem pensar. Não posso compactuar com isso... Eu te amo o suficiente para impedir que você faça uma besteira.

Q: Eu já disse que Columbia é excelente.

R: Mas não é por isso que você está escolhendo... Meu Deus, Quinn! O seu QI é igual ao do Albert Einstein... Você tem noção de que as coisas grandes que lhe são oferecidas são por causa disso? Porque você foi agraciada com uma inteligência fenomenal e você não pode desperdiçar isso agindo pela emoção! Você precisa ser racional, porque se você tomar sua decisão pensando em ficar perto de mim, você estará arruinando muita coisa do seu futuro.

Q: Por que você faz parecer que o meu amor por você é errado? [perguntou triste]

R: Ele não é errado. Erradas são as decisões que você toma por causa dele. Por minha causa...

Q: Mas Columbia pode me garantir um futuro promissor! Não faz isso, Rach... Eu já disse que não sei existir sem você... [o choro se intensificava]

R: Não é um término, Quinn... É um tempo! [chorava igualmente] Tempo para você decidir as coisas com calma, sem se deixar levar pelo coração... Eu não me perdoarei jamais se você desistir das coisas por mim...

Q: Mas eu amo você! Eu quero ficar com você! Eu não quero ficar longe. Eu preciso sentir você comigo... [não conseguia conter as lágrimas] Eu não quero um namoro à distância. Eu preciso da sua pele, do seu cheiro, do seu calor, dos seus beijos... Eu preciso! Ter você em meus braços é vital para mim... [seus tremores eram evidentes] Eu não quero saber de um futuro que seja sem você! Eu não quero! Pra mim não existe isso de tempo. Ou nós estamos juntas, ou estamos separadas. Não há meio termo... Não há essa história de “tempo”. [insistia]

R: Há sim...

Q: Não há! Por acaso, a quanto tempo você se refere? Quantos dias eu terei que esperar para ter você de volta? Isso é ridículo! Eu não vou me prestar a isso! Você está me forçando a decidir uma coisa da forma que eu não quero. Isso sim me magoa. Isso sim nos separa! [mudava a atitude triste para uma raivosa]

Nervosa, Quinn foi em direção ao banheiro para pegar o calmante. Precisava estabilizar suas emoções. Estranho. O cômodo estava estranho. Virou-se bruscamente e voltou a olhar para Rachel:

Q: Cadê suas coisas? Cadê seu shampoo, seus cremes? Cadê sua escova de dentes? [perguntou nervosa]

Rachel baixou os olhos e não respondeu, enquanto a loira ia depressa em direção ao closet e via que o lado que tinha cedido à namorada estava vazio. Enfim parecia que a ficha havia caído... Quinn, finalmente, entendeu que Rachel falava sério. Que toda aquela conversa desconfortável e absurda (pelo menos para ela) não era fruto de sua imaginação, nem era algo passageiro:

Q: Me diz que isso é uma brincadeira! Por favor, me diz! [pedia olhando fixamente para o espaço vazio]

R: Eu não... Eu não posso mais...

Q: Pelo amor de Deus, Rachel! Pelo amor de Deus! Eu estou te implorando pra dizer que isso não é sério! [estava desesperada] Você... Você... tirou suas coisas daqui... Você quer mesmo sair da minha vida? [perguntou machucada]

Rachel se aproximou dela com determinação e segurou seu rosto com as duas mãos:

R: Olha pra mim, meu amor... [disse chorando. Quinn a obedeceu com um olhar doloroso]

R: Mesmo que seja difícil, eu preciso que você acredite que eu amo você! Eu sou completamente apaixonada por você. Sou totalmente sua! Mas nesse momento, eu preciso deixar que decida pensando em você. De verdade! Pra valer! [encarava os olhos claros, vermelhos de chorar]

Q: Você tirou suas coisas... [fechou os olhos com força, chorando mais] Tirar as coisas diz que é definitivo... Você está me deixando... Você está me abandonando...

R: Não é um abandono...

Q: É sim... Você está me deixando sozinha... [as pernas começaram a fraquejar] Você me disse que eu não poderia deixar você fraquejar. Eu não posso desistir. Você está fraquejando. Eu vou fazer voltarmos ao nosso eixo... [disse desesperada, tentando passar uma segurança inexistente]

Rachel a beijou. O beijo mais doloroso de suas vidas até então. Imediatamente, Quinn a puxou pra mais perto. O beijo era urgente. Desesperado. As mãos da loira seguravam com força a lateral da roupa da namorada, como se assim pudesse segurá-la para sempre. Rachel invadia a boca de Quinn com sua língua apressada, ansiosa, apaixonada. A loira não queria deixar de beijá-la nunca mais, mas o beijo foi interrompido. Rachel buscou ar... Juntou suas testas e baixinho, falou:

R: Você vai acabar me entendendo... Estou fazendo isso por nós. Para que uma possível frustração não destrua nosso relacionamento. Eu só estou te dando o espaço que você pensa que não precisa. Use-o e volte pra mim...

Q: É você quem está me deixando...

R: Então eu voltarei pra você, meu amor...

Q: Você está nos separando, Rach. Isso não pode estar acontecendo... [voltava a chorar]

R: É o amor que está nos separando...


[CONTINUA...]



Notas finais
Antes de qualquer coisa: desculpem! Desculpem não ter postado nos últimos dois dias, mas eu não tive tempo de concluir esse capítulo da forma que queria, até hoje. Foi um capítulo difícil de fechar, porque, emocionalmente, ele me desgastou demais. Acabei e reescrevi várias vezes, vários trechos, até achar o ponto que queria.
Obrigada pelas mensagens inbox preocupadas! :)
E quanto ao capítulo, sei que ninguém esperava isso a essa altura. Só que, mais uma vez, peço que confiem em mim. Esse drama atual é extremamente necessário para o fechamento dessa fase. Para que a história seja contada da forma que imaginei antes de começar a escrevê-la. Faz parte do ciclo delas. Por favor, confiem!
Beijos!
E não demorarei mais a postar.