Você Sempre Esteve Em Mim
82 Capítulo 82 - Outro lado do mundo...
Notas iniciais
Stanford parecia cada vez mais interessante. Era o segundo dia de Quinn ali e tudo parecia novo, como se as novidades fossem inesgotáveis. A presença física da loira causou uma boa impressão ainda maior à alta cúpula da Universidade e seu Conselho, já que a maioria de seus membros não fazia ideia de que aquela aluna com Q.I. 160, com um currículo impecável, também era linda. Não uma beleza relativa, mas uma beleza incontestável, irretocável, uma unanimidade. Quinn continuou conhecendo as instalações e assistiu partes de algumas aulas. Perdeu-se por horas nas bibliotecas e sentiu-se bem no meio daqueles livros. Estar sem celular dava a ela uma liberdade nova. Não que ela quisesse ou precisasse disso, mas naquele momento, desligar-se do resto do mundo parecia a coisa certa a se fazer. Mas ela conseguia se desligar de tudo, menos de Rachel. Tudo o que via a fazia lembrar da morena, cada detalhe, cada coisa...
Rachel havia acordado mal. Com um humor péssimo que fez com que Kurt desistisse de tomar café em casa, apenas para não se tornar vítima da fúria da morena. Ela teve uma ideia e se xingou várias vezes por não ter pensado nisso antes. Pegou o celular e acessou a internet em busca do telefone do hotel onde Quinn estava hospedada. Ficou ainda mais triste quando ligou e recebeu a informação de que ela havia saído logo cedo. Perguntada se queria deixar recado, respondeu que não.
Ainda era uma incógnita para a administração de Columbia porque alguém tão genial como Quinn não se beneficiou das vantagens que seu avançado Q.I. poderia lhe dar: avanço de série, progressão educacional, e admissão na universidade anos antes. A loira, novamente, explicou que sempre quis ter uma vida normal, seguir a lógica e cronologia correta, e que seus pais não queriam que ela fosse uma criança-adulta. Estudar em escola regular e conviver com pessoas com Q.I. na média, fez com que ela aprendesse muito mais coisas sobre a vida do que aprenderia convivendo com quem tivesse inteligência acima da média como ela. Estavam impressionados com a variação de línguas que ela era capaz de falar, bem como a quantidade que instrumentos musicais que ela tocava, sem ter feito nenhuma aula para a maioria. Além de tudo isso, tornou-se uma atleta, líder de torcida, engajada nas artes, membro de um grupo de coral. Postura elegante, voz pausada e num volume adequado, vocabulário eloquente. Quinn era a cara que Stanford procurava há muito tempo para representá-la. Um gênio que fisicamente estava longe do esteriótipo e que, socialmente, também estava acima da média. Sentada na ponta de uma mesa enorme com 20 lugares, observada por rostos que nunca havia visto, todos tentando explicar-lhe quais vantagens ela teria em se tornar uma aluna de Stanford, só a fizeram pensar em Santana sentada ali, entediada, serrando as unhas, menosprezando cada uma daquelas pessoas. Conteve a vontade de rir. Definitivamente, sua concentração não estava ali. Absorveu o que achou que era útil e, no resto do tempo, deixou sua mente viajar. Agradeceu mentalmente o fato de não terem mencionado Beth. Não sabia se ela fazia parte da pesquisa deles, ou se pularam esse acontecimento de sua vida.
O humor de Rachel não melhorou com o passar das horas. Não desgrudava do celular um minuto sequer, na esperança de que Quinn ligasse. Esperou em vão. Saiu de NYADA mais cedo. Não tinha ânimo para prestar atenção em nada. Em casa, afundou-se na cama, coberta dos pés à cabeça, afogando-se numa tristeza antecipada. Sabia que estava fazendo um drama gigantesco, mas esse é seu jeito, sentindo em todos os poros uma saudade maior do que desses dias. Era uma saudade futura atacando no presente.
Santana recebeu um novo email de Quinn, dizendo que Stanford era incrível, que a Califórnia é incrível e que a latina iria gostar de lá. Mandou ficar de olho em Rachel e avisar que ligaria no dia seguinte, quando estivesse com Mercedes em Los Angeles. Depois, sozinha, a loira se permitiu conhecer mais da cidade. Passeou sem rumo, em busca de coisas que lhe agradavam. Concluiu que se Stanford fosse sua escolha, conseguiria viver facilmente ali. Sentiu-se mal por ter começado a cogitar de verdade a hipótese de mudar de Universidade, com o passar do tempo, mas a própria Rachel a incentivou a se abrir para o mundo antes de fazer uma escolha definitiva. Mas, claro que havia muito temor por trás de qualquer incentivo da morena.
Passava das 22h quando Quinn voltou ao hotel. Perguntou se havia algum recado na recepção e ficou um pouco triste quando a resposta foi “não”. Subiu ao seu quarto, tomou banho e dormiu poucos minutos depois de deitar. Não sem antes pensar em Rachel e sentir que mesmo as melhores coisas, não faziam tanto sentido sem ela.
Rachel levantou-se assustada com o barulho de panelas caindo. Olhou as horas e viu que se aproximava da meia-noite. Levantou-se apressada para ver o que acontecia. Chegando na cozinha, Santana e Kurt tentavam cozinhar alguma coisa, depois de beberem sabe-se lá quantas taças de vinho. Realmente, vinho parecia ser o vício dos dois apartamentos. Ou era apenas de Santana?
R: O que vocês estão fazendo? [perguntou irritada]
S: Vivendo, Berry! [respondeu no seu tom característico]
K: Vem beber e comer com a gente, Barbra! [gritava]
R: Fala baixo, Kurt!
S: Não seja chata, Berry! Quer dizer, não seja você! Hahahahahahaha
R: Não enche, Santana!
S: Tá deprimidinha, é?! [provocou] O que você vai fazer se souber que a Quinn está encantada por Stanford?
R: Ela te ligou? [perguntou triste]
S: Não. Ela mandou um email. Pelo que entendi, Berry, a Califórnia está cheia de pessoas lindas e atraentes. E muitas delas estudam em Stanford. Encantada! Ela está encantada... [disse sorrindo]
Rachel sentiu um nó na garganta, mas não poderia mostrar à Santana que seus comentários a afetaram. Virou as costas e voltou para o quarto. Lá pôde extravasar sua tristeza e frustração.
K: Não precisava fazer isso, Santana! [disse se movendo para ir atrás de Rachel]
S: Não vá! [segurou-o pelo braço] Ela precisa entender sozinha que tem que enfrentar esses ciúmes.
K: Como assim? O que você está querendo?
S: Nada disso do que eu falei é verdade. Quer dizer, Quinn disse que Stanford e a Califórnia são incríveis e que eu adoraria. Apenas isso. O resto, foi um tempero que incrementei. [piscou o olho]
K: E por que você fez isso?
S: Para que a Rachel tome uma atitude e não espere que seja a Quinn a que resolve a briga.
K: E isso vai dar certo?
S: Vai! Confie em mim!
Stanford tinha sido apenas a primeira viagem de Quinn. Ainda faltavam Chicago, Princeton e Harvard. Rachel já estava destruída. Tentava encontrar um fio de esperança de que a loira voltaria pra casa dizendo que não iria embora, mas tudo parecia conspirar para sua ida. A falta de comunicação, as coisas que Santana dizia... Mesmo descontando todo o exagero que seu drama natural impunha na situação, ainda assim lhe sobrava uma margem de sensação de que, no fim, teria que se despedir, manter um namoro à distância, até que o tempo fizesse tudo mudar... Chorou. Tudo o que queria era ouvir a voz de Quinn. Pedir desculpas pela forma como agiu antes dela viajar. Não quis escrever um email. Precisava da voz.
Acordou às nove horas e ficou na cama, olhando para o nada. Levantou-se de repente, tomou banho e se vestiu. Do outro lado do país, Quinn aproveitava o último dia em Stanford, indo ver algumas atividades extracurriculares que algumas turmas exerciam aos sábados. Calculou o tempo para voltar ao hotel, pegar sua mala e voar para Los Angeles.
R: Acorda, Kurt! Acorda! [sacudia o amigo]
K: Me deixa dormir, Rach! Eu dormi tarde.
R: Eu preciso de carona.
K: Pegue o carro da Quinn. [dizia sonolento]
R: Preciso de carona nele e depois você traz de volta. Por favor, por favor! Lave o rosto e me leve. Eu fico te devendo essa.
K: Para onde eu tenho que te levar?
R: Apenas venha. Estou te esperando na sala. [saiu do quarto apressada]
Já no carro, Kurt dirigia como um zumbi e resmungava sem parar;
K: Você é louca! Sabia disso?
R: Talvez seja! [sorria apreensiva]
K: tem certeza do que está fazendo?
R: Absoluta!
Horas se passaram e, em Los Angeles, Mercedes terminava de arrumar o apartamento para receber Quinn. Estava animada por rever a amiga depois de tanto tempo, quando o interfone tocou. Foi atender, com a certeza de que já era o Puck, muito adiantado.
Quinn estava no avião, lembrando de cada momento em Stanford. Tinha muitas fotos para reforçar cada parte da história que teria que contar quando chegasse em Nova York. Avistou Los Angeles pela janela. Deu um sorriso aliviado. Pousou rápido e pegou um táxi, indicando o endereço que Mercedes havia lhe dado há muito tempo. Admirava as ruas largas, amplas da cidade dos sonhos. Era tudo muito diferente de NY, a pressa das pessoas era numa velocidade diferente. O sol parecia outro. Quando o táxi parou em frente ao prédio branco baixo, com detalhes amarelos, logo o reconheceu das fotos que Mercedes já tinha enviado por email. Desceu com segurança, sabendo que tinha chegado ao endereço certo. Na portaria, foi informada pelo porteiro que a amiga tinha saído, mas que havia deixado a chave com ele para entregá-la. Quinn seguiu a direção indicada...
Após pisar no último degrau, resmungou pelo fato de Mercedes morar, justamente, no último andar de um prédio sem elevador. Deparou-se com a porta branca 5-A, pôs a chave e girou. Tudo o que queria era descansar um pouco, para estar com as energias renovadas quando saísse com os amigos à noite.
Apenas dois passos foram necessários para que a chave caísse no chão:
Q: Rachel?! [surpreendeu-se como nunca antes havia se surpreendido]
R: Oi... [levantou-se do sofá constrangida]
Q: Como? O quê? Como assim? Você aqui... [tentava se expressar diante da surpresa]
R: Eu... Eu... senti sua falta e você não ligava e não escrevia... Só dava notícias pra Santana e tudo estava perfeito aqui... E as pessoas são lindas e tudo é incrível... E eu fui uma idiota... [tentava falar, mas já estava chorando sem ao menos perceber]
Rachel ainda tentava parecer coerente quando sentiu os braços de Quinn envolverem sua cintura e os lábios calando os seus lábios nervosos. Beijavam-se como se fizesse muito mais tempo que não se viam. A língua sedenta da loira, serpenteava a língua carente da morena. Sugavam seus lábios com voracidade igual. A saudade era sentida em ambos os lados.
Q: Será que agora você cala a boca? [perguntou sorrindo ao cortar o beijo]
R: Me desculpa... [pedia baixinho] Por favor, me desculpa!
Q: Eu não acredito que você está aqui! [dizia beijando-lhe o pescoço, o ombro, o queixo, a testa]
R: Eu não aguentava mais esperar você voltar... [disse com uma sinceridade sofrida]
Q: Mas eu já volto amanhã. Era só mais um dia, Rach!
R: Eu não devia ter vindo, né?! Desculpa... [pedia se afastando]
Q: Não! [segurou-a em seus braços] Não é isso! É maravilhoso que tenha vindo! Maravilhoso! [sorria animada]
R: Então você não está com raiva de mim?
Q: Não... Não estou, meu amor!
R: Mas você ficou chateada...
Q: Fiquei. Mas não fiquei com raiva. A gente ia se entender quando eu voltasse. Sem nenhum problema...
R: Mas eu não quis esperar.
Q: Percebi! [beijou-lhe levemente os lábios] Vem, senta aqui! [levou-a ao sofá] Como você teve essa ideia de vir?
R: Eu tinha o endereço da Mercedes faz tempo. Seu telefone estava desligado. Liguei para o hotel, você tinha saído. Você só escrevia pra Santana. Eu precisava te ver. Falar com você...
Q: Meu telefone não funcionou lá. Eu não sei porquê. Nem sei se vai funcionar aqui. Espera... Você ligou para o hotel?
R: Liguei.
Q: Mas eles disseram que não havia nenhum recado para mim.
R: Eu não deixei recado... [disse baixinho] Por que você só escrevia pra Santana?
Q: Porque pensei que você ia reclamar dessa forma fria de comunicação. Da maneira como você estava na última vez em que nos falamos, eu sabia que você ia brigar, fosse ao telefone ou por email. Eu não queria que isso acontecesse com o país nos separando. Preferi esperar chegar em casa. Mas mandei Santana ficar de olho em você. [sorriu suavemente]
R: Ela ficou até demais... [resmungou]
Q: Como assim?
R: Nada... É só que... Não era por ela que eu queria saber que aqui é incrível, que as pessoas são lindas. Que os alunos de Stanford são lindos e que você está encantada com tudo isso. [reclamava incomodada]
Q: E de onde ela tirou isso?
R: Do seu email...
Q: Rach... [sorriu carinhosamente] A Santana te pregou uma peça...
R: Quê? [perguntou confusa]
Q: Eu só disse que Stanford é incrível, e isso é verdade. E que a Califórnia como um todo é incrível e que ela iria gostar daqui. E mandei que ela ficasse de olho em você. Não mencionei nada sobre a beleza de ninguém, nem sobre estar encantada com qualquer coisa. Até disse que ligaria hoje.
R: Aquela vadia! [disse irritada, provocando risos em Quinn] Não ria...
Q: Então você só veio por isso? Insegurança?
R: Não. Vim pela saudade. Apesar do pouquíssimo tempo que você veio, senti sua falta de uma forma dolorosa... Eu precisava ter você perto de novo e logo! [confessou] Parecia que você estava do outro lado do mundo...
Quinn a puxou para seu colo e Rachel se encaixou em seu corpo. Beijava os lábios da loira de forma apaixonada, arranhando a nuca branca, arrastando as unhas até a base dos fios loiros, arrancando gemidos dela:
R: Eu te amo... Eu te amo... [sussurrava sobre seus lábios] Eu preciso sentir você comigo...
A resposta de Quinn foi curta e direta: suas mãos foram direto à calça da morena, abrindo-a, ao mesmo tempo em que deitava Rachel no sofá:
R: Se a Mercedes chegar? [perguntou já ofegante, sentindo a língua de Quinn em seu pescoço]
Q: Vamos torcer para que não chegue... [sussurrou em seu ouvido]
Foi muito rápido. Quando Rachel se deu conta, estava arqueando as costas ao sentir os dedos de Quinn lhe invadindo. A mão da loira entrou facilmente dentro da calça da namorada que, logo tinha a calcinha completamente ensopada. Os movimentos eram intensos, cheios de saudade. Era a loira quem dominava. Tinha a morena completamente em suas mãos, entregue à forma animalesca com que Quinn a penetrava. O vai-e-vem dos movimentos de todo o corpo, facilitava a estimulação do ponto mais sensível da intimidade de Rachel, fazendo-a enlouquecer. Os gemidos ficaram mais altos, enquanto Quinn chupava seu pescoço e mordia sua clavícula. A blusa da morena já estava completamente aberta, com os botões arrancados. Seu peito arfava demonstrando a busca desesperada por ar. Os dedos de Quinn pareciam ter vida própria, caçando o ponto G de Rachel, aquele que ela já sabia onde ficava. Rachel sentiu a língua da loira rodeando seus mamilos, sem sequer entender em que momento seu sutiã foi aberto. Mas foi quando Quinn começou a chupar seus seios que a morena perdeu-se completamente. Com alguns poucos movimentos, atingiu o orgasmo. Mas não acabaria ali. A loira continuou chupando os seios perfeitos e penetrando-a intensamente. Rachel já não estava mais ali, não estava mais no planeta. Já havia sido sugada para um universo paralelo de prazer que a impedia de ouvir qualquer coisa ou enxergar algo que não fossem a voz de Quinn, ou ela inteira. As palavras quentes, as declarações de amor e os gemidos da loira, atravessavam a pele de Rachel, rasgando-lhe como laser, afundando-se em todo seu ser. O medo de que Mercedes chegasse, o apartamento desconhecido, a saudade... Tudo potencializava a fragilidade do corpo excitado da morena que chegou ao segundo orgasmo sentindo os dentes de Quinn prenderem seu lábio inferior, para chupá-lo em seguida.
Rachel não conseguia abrir os olhos, respirar corretamente, muito menos se levantar. Sentiu as mãos de Quinn vestindo-a adequadamente, enquanto distribuía beijos por sua pele.
Q: Tudo bem? [perguntou suave, sobre seus lábios]
Rachel apenas assentiu com a cabeça, puxando a loira para um abraço necessitado. Quinn relaxou com o toque carinhoso da morena em seus cabelos, com o deslizar dos dedos em sua coluna:
R: Talvez só Deus saiba o quanto eu te amo... [sussurrou]
Quinn ergueu a cabeça, para deixar um beijo na testa suada e quente da morena.
Q: Ele sabe de nós duas... [sussurrou apaixonada]
Era impossível não voltarem a se beijar. Voltaram. Diziam tudo com o encontro de suas línguas, com os movimentos de suas mãos. Tudo poderia recomeçar ali, se não fosse a maçaneta da porta se movendo, indicando a chegada de alguém...
Notas finais
Aguardo reviews!
Próximo capítulo: noite californiana e outras coisinhas mais... ;)
Beijos!
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