Você Sempre Esteve Em Mim
75 Capítulo 75 - A escolha...
Notas iniciais
Os raios de sol invadiam o quarto pelas frestas das janelas, acertando perfeitamente o rosto de Rachel. Parecia de propósito. A morena, incomodada com a claridade, começou a se remexer na cama. Percebeu que estavam numa posição completamente diferente da que adormeceram: agora Quinn estava de bruços e Rachel deitada sobre as costas dela. “Quente e macia”, foi a primeira coisa que a morena pensou ao deslizar o nariz sobre a pele da loira. “E cheirosa”, complementou. Saiu distribuindo beijos por ali, percorrendo em direção à nuca descoberta, pois os fios loiros estavam jogados para o lado. Ouviu Quinn resmungar alguma coisa, então escovou a pele branca com os dentes, fazendo a loira despertar:
R: Acorda, preguiçosa! [disse sorrindo] Já é dia...
Q: Eu estou destruída, Rach... [falou rouca de sono]
R: Se eu que tive três orgasmos já estou acordada, você pode muito bem lidar com dois e se levantar. [disse divertida]
Q: Eu não sei onde você guarda tanta energia... [disse se virando para ficarem de frente]
R: Bom dia, meu amor! [sorriu antes de beijar-lhe delicadamente nos lábios]
Q: Bom dia... [sorriu preguiçosa]
R: Vamos tomar banho e ir pra casa. Prometi almoçar com meus pais de novo. Você vem?
Q: Não vai dar, Rach. Já combinei com minha mãe. Teremos um momento de mãe e filha. [sorriu suave]
Quinn ocultou a verdadeira razão de precisar estar sozinha com Judy. Desde que chegou em Lima, não teve tempo de conversar com sua mãe sobre as ofertas das outras universidades. Aquela era a chance.
Tomaram banho e pediram o café pelo serviço de quarto. Quase se desentenderam ao sair, pois Rachel fez questão de pagar a conta do hotel, alegando que o plano foi dela, então ela quem deveria pagar. Ainda jogou na cara de Quinn as tantas vezes em que a loira pagou a conta em jantares, lanches, táxi, cinema, teatro etc. Quinn a deixou em casa, e acelerou rumo à sua. Lá chegando, sentiu o inconfundível cheiro delicioso do bolo de chocolate de Judy. Seu sorriso se ampliou até o limite. Cumprimentou a mãe, subiu para trocar de roupa e voltou à cozinha para conversar.
Quinn estava com a pasta em mãos, contendo todas as cartas das universidades que estavam oferecendo bolsas e programas de estudo diferenciados para ela. Judy percebeu que a filha estava um pouco nervosa, insegura na escolha das palavras, mas esperou que ela concluísse toda a explicação sobre como esses convites surgiram e como chegaram até ela. Esclareceu que não havia procurado nenhuma delas e que, por isso, tinha ficado surpresa com todas. Finalizou dizendo que apesar de tudo aquilo que estava sendo oferecido, escolheu continuar em Columbia, que também reforçava suas ofertas.
J: Quinnie, estou muito orgulhosa de você! Não tem ideia de como é maravilhoso ouvir tudo o que você falou e tudo o que essas universidades falaram sobre você. Mas, para você provocar esta conversa, é preciso mais do que o que você me disse.
Q: Como assim?
J: Eu te conheço, Quinnie. Você não me contaria nada disso se não houvesse alguma dúvida rondando sua cabeça. Se você estivesse mesmo certa sobre essa escolha, sobre ficar em Columbia.
Quinn não disse nada. Sua mãe a decifrou rapidamente, mas não era difícil chegar a essa conclusão. Santana já tinha dito. Se a loira realmente estivesse certa da escolha, este assunto já estaria enterrado e esquecido.
J: O que está te preocupando?
Q: Não me parece plausível que qualquer pessoa que recebe essas ofertas não se sinta curiosa ou balançada em algum momento. São algumas das melhores universidades do país, consequentemente do mundo, oferecendo oportunidades que não oferecem a ninguém... Não é tão simples esquecer e deixar pra lá. [dizia um pouco agoniada, sentindo-se culpada por pensar assim]
J: E você se sentiu tentada a escolher alguma dessas ofertas?
Q: Eu não sei. Não me dei a chance de pensar na possibilidade de nenhuma.
J: Você, simplesmente, escolheu ficar como está. [deduziu]
Q: Sim... [respondeu num tom fraco]
J: O que Rachel pensa disso?
Q: Ela não sabe... [respondeu constrangida]
J: Como não sabe, Quinnie?
Q: Eu não queria que ela se estressasse.
J: Mas por que ela se estressaria? Ela teria que ficar feliz por você.
Q: Mas qualquer uma dessas escolhas me levaria para longe dela.
J: Eu posso não entender como vocês se apaixonaram, nem entender como conseguem levar essa relação. Mas eu sei, minha filha, que vocês têm uma relação. Você precisa conversar com ela sobre isso.
Q: Isso vai virar um problema, mãe! [disse preocupada]
J: Se você não contar pra ela, quando ela descobrir vai virar um problema maior.
Q: Mas ela não vai descobrir. Eu vou rasgar esses papéis e ela nunca vai saber disso.
J: Quinnie... Está bem óbvio para mim, mas eu vou perguntar mesmo assim: existe outra razão para você escolher Columbia além da Rachel?
Q: Não é bem assim, mãe! Columbia é uma excelente universidade. Também está entre as melhores do país, e eu gosto de lá.
J: Mas não é Harvard. Me diga: Se a Rachel fosse com você pra qualquer uma das cidades onde essas universidades ficam, seria diferente?
Quinn não respondeu novamente.
J: Foi o que pensei... Filha, vocês são jovens. Ainda têm um mundo de sonhos e realizações para trilhar... Você acha que está tomando a decisão certa, abrindo mão do seu sonho por causa dela?
Q: Não é meu sonho, mãe. Até bem pouco tempo eu nem pensava em nada parecido com o que essas universidades me ofereceram. Não era algo que eu desejava. Simplesmente apareceu. Eu só... Só não consigo ignorar. Mas eu já decidi não aceitar.
J: E se isso causar sua infelicidade, filha?
Q: Eu seria infeliz longe dela, mãe.
J: Você acha que vocês ficarão juntas para sempre? [perguntou calma]
Q: É tudo o que quero... [respondeu sincera]
J: Eu sei que vocês se amam agora, mas as duas são jovens demais para definirem o amor de suas vidas. Jovens demais para que tudo seja tão sério e para pensar que o futuro já está definido. Jovens demais para abrirem mão de sonhos e oportunidades.
Q: Onde você quer chegar, mãe? Você acha que eu deveria aceitar alguma delas? [perguntou receosa]
J: Não, filha! Não sou eu quem tem que achar alguma coisa. É você quem tem que decidir. Mas sua decisão não pode ser tomada de forma desmedida. Se você decide por causa da Rachel, pode ser que mais cedo, ou mais tarde, acabe descontando nela frustrações que surjam da sua escolha. Converse com ela.
Q: Eu tenho medo. Nós viemos brigando por várias coisas e eu não quero dar mais um motivo pra isso.
J: Você seria capaz de impedi-la de realizar um sonho dela, ou de aceitar uma excelente oportunidade, só para que ela não ficasse longe de você?
Q: Não!
J: Então acredite que ela pensa como você. Não digo que abandone Columbia ou Nova York. Digo que converse com ela. Ela tem que deixar você livre pra sonhar, como você a deixa.
Q: Só que... Já não existe sonho sem ela, mãe. Nem realidade... [disse com um sorriso fraco]
Na casa dos Berry, os três se divertiam, assistindo a uma maratona de musicais na “sala do Oscar”, no porão da casa. Após três filmes, Rachel pediu aos pais que esperassem antes de colocar o quarto, pois queria conversar com eles sobre uma coisa. Recebeu a atenção imediata dos dois:
R: Eu vou pedir à Quinn pra morar comigo e queria que vocês fossem os primeiros a saber.
H: Filha... Você não acha que está indo rápido demais? [perguntou preocupado]
R: Não, papai! Nós já dormimos juntas, mas temos que nos dividir entre os dois apartamentos e acho que isso já não faz mais sentido.
L: Morar junto não é igual a dormir junto, filha. É um pouco mais complicado.
R: Mas a gente, praticamente, já mora junto. Quando Blaine e Britt se formarem, o que será daqui a pouco, eles vão para Nova York e, cada um, vai se instalar no apartamento de seu respectivo namorado. Eu e ela seremos as únicas separadas?
H: Esse é o motivo de você querer isso agora?
R: Não, papai... Claro que não! Isso é só um ponto a se observar. Eu já quero isso faz tempo e já sugeri a ela, mas ela disse que achava cedo, assim como vocês estão dizendo. Mas não é. [dizia segura]
L: Você está pronta para receber um outro não? [perguntou preocupado]
R: Não acho que dessa vez receberei um não. Estamos mais unidas, mais próximas. E apesar dos problemas e das brigas que tivemos, estamos mais maduras do que no começo. Eu a amo... Que mal tem querer dividir minha vida com ela? [perguntou entristecida]
H: Oh, filha. Não há mal nenhum... Mas assim parece que você está falando em casamento.
R: Não é um casamento. Ainda! Mas, mesmo que moremos em apartamentos separados, no nosso namoro, já dividimos uma vida, mesmo sem rotular. Minhas coisas estão junto das dela, em ambos os apartamentos. A gente se preocupa em cuidar da outra. E a gente se apaixona cada vez mais... [disse encabulada]
L: Você não tem medo de que essa coisa tão séria de morar junto apague um pouco o encanto do namoro?
R: Não vejo como pode ser possível qualquer coisa apagar o encanto do que existe entre a gente.
H: Você está mesmo decidida a isso?
R: Sim, estou! [disse segura] E não se preocupem que isso não é um ato espontâneo e repentino como meu noivado com o Finn, e o quase-casamento.
L: Assim espero, filha! [sorriu aliviado]
Já era noite quando Quinn tocou a campainha dos Berry. Foi muito bem recebida pelos sogros, que estavam terminando de arrumar a cozinha pós-jantar.
H: Suba, querida! A Rach está no quarto dela.
Quinn deu duas batidas na porta e abriu só um pouco:
Q: Posso entrar?
R: Claro! [levantou-se da cama rapidamente para ir em direção a ela, abraçando-a animada] Você não me disse que viria. Pensei que só nos veríamos amanhã. Já estava me programando pra te ligar e reclamar de saudade... [disse dengosa]
Rachel percebeu uma certa tensão em Quinn e não conseguiu se conter:
R: Está tudo bem? [perguntou receosa]
Q: Eu quero conversar sobre uma coisa. [respondeu insegura]
R: Estou te ouvindo... [disse preocupada, sentando na cama]
Q: Nós combinamos que não teríamos mais segredo entre a gente, não foi?!
R: Sim... Foi! [respondeu tensa, temendo o que viria em seguida]
Q: Eu quero que você veja isso... [estendeu-lhe a pasta]
R: O que é isso? [perguntou confusa]
Q: Apenas leia...
Rachel lia atenta cada linha, de cada folha. Ainda no começo da leitura da primeira carta, seu estômago revirou e suas mãos ficaram geladas. Não precisava ler todas para entender o que aquilo significava, mas mesmo assim as leu. Quinn esperava apreensiva, preparando-se para responder qualquer pergunta que a morena lhe fizesse. Quando ela terminou de ler a última folha, disfarçando o nó na garganta que havia se formado, juntou os papéis de novo e os colocou na pasta, limpou a garganta e falou:
R: Parabéns, meu amor! [forçou um sorriso] Estou orgulhosa de você! Mas eu pensei que você só tivesse enviado inscrição para Yale e Columbia... [disse o mais calma que pôde]
Q: Eu não me inscrevi para nenhuma dessas universidades. Essas ofertas são espontâneas... [respondeu tentando disfarçar a insegurança de falar sobre o assunto]
R: Isso é pelo seu Q.I. não é?!
Q: Sim...
Rachel se levantou e foi até ela. Abraçou-a e deixou um beijo em seu pescoço. Sentiu que ela estava tremendo. Essa reação fez com que entendesse que a conversa não acabaria bem.
R: Você é incrível! Merece cada uma dessas ofertas, cada uma daquelas palavras.
Quinn a apertou no abraço e não disse nada. Esperava uma reação completamente diferente: choro, gritos, xingamentos... Tudo, menos calma... Rachel se separou do abraço e voltou a sentar na cama. Tentava manter uma postura tranquila, mas estava se despedaçando por dentro. A simples ideia de ficar longe de Quinn a atormentava. Queria pedir que ela não fosse. Queria arrumar um jeito de brigar ali, discutir até aqueles papéis sumirem. Mas não podia fazer isso. Ficaram em silêncio por um minuto inteiro, até que a morena o quebrou:
R: Você já decidiu qual delas vai aceitar? [perguntou tentando passar firmeza]
Q: Eu não vou aceitar nenhuma. Vou continuar em Columbia. [respondeu calma, tentando passar confiança]
R: Como assim? [perguntou confusa] Você chegou a analisar isso com cuidado? Talvez não tenha tido tempo para chegar a uma conclusão... [tentava entender]
Q: Não. Eu tive tempo. E não precisei analisar porque eu não quero ir para nenhum desses lugares. [disse o mais segura que conseguiu, mas era puro disfarce]
Rachel respirou fundo e fechou os olhos por alguns segundos, tentando organizar sua mente. Voltou a perguntar:
R: Então quer dizer que você não analisou essas propostas como deveria?
Q: Eu não preciso analisá-las. Está decidido!
R: Então qual a razão dessa conversa? [mostrou certa irritação]
Q: Eu não quero que exista segredos entre a gente. Achei que você deveria saber disso.
R: Isso não é de hoje, Quinn. Então você teve tempo de, pelo menos, começar a analisar.
Q: Mas como eu disse, eu...
R: Você não me disse de imediato. Então você ficou com medo de alguma coisa. Da minha reação, talvez. [mantinha uma calma que sequer sabia de onde vinha, decifrando o comportamento da loira]
Q: Não se preocupe. Está tudo certo. Nada vai mudar. Eu ficarei em Columbia.
R: Você está se ouvindo, Quinn? A forma como você fala isso soa como se você tentasse se convencer de que isso é o que você quer. Mas, talvez, não seja...
Q: Mas é exatamente isso que eu quero. [tremia mais, o que deixou transparecer em sua voz e Rachel percebeu]
R: Vem cá... [chamou calma]
Quinn se sentou na cama também e Rachel subiu em seu colo, sentando ali como em tantas milhares de outras vezes. Buscou os olhos da loira, mas percebeu certa hesitação dela. Segurou seu rosto com as duas mãos, daquela forma tão dela:
R: Olha pra mim... [pediu baixinho e Quinn obedeceu] Eu quero que você me diga que eu não sou a razão por você escolher Columbia... De novo!
Q: Por que... Por que você me pergunta isso? [perguntou agoniada]
R: Porque eu preciso acreditar que não estou, novamente, desviando você do seu caminho... [disse com os olhos marejados] Provocando escolhas que você deveria fazer por outros fatores e não por mim...
Quinn não respondeu. Não sabia como verbalizar sem que sua voz entregasse toda sua insegurança, todo seu medo.
R: Me diz, Quinn... Me diz que eu não sou o motivo... [pedia demonstrando um fio de agonia]
Q: Você sempre será meu motivo... [fechou os olhos e sussurrou]
Rachel sentiu seu coração desacelerar... Encostou a testa na de Quinn e permaneceu ali naquela posição por um tempo que não saberia nunca calcular. As mãos trêmulas de Quinn estavam apoiadas nas coxas da morena. A loira sentiu a testa livre e o peso de Rachel no seu colo desaparecer. Abriu os olhos e deparou-se com a morena caminhando em direção à pasta e a entregando:
R: Você vai reconsiderar essa decisão... [disse séria]
Q: O que? Não! Eu não vou! [disse de supetão]
R: Vai. Você vai analisar cada uma dessas propostas e só depois disso você vai decidir. [mantinha a seriedade]
Q: Eu não quero fazer isso!
R: Mas você vai! [disse autoritária, levantando um pouco a voz] Eu não vou permitir que você se prive do que seu talento e sua inteligência podem trazer pra você por minha causa. Você me disse que não permitirá que eu me prive de exercitar meu talento por qualquer motivo. Lembra disso? [Quinn assentiu com a cabeça] Comigo é igual. Eu não posso permitir que você desista disso sem sequer tentar.
Q: Escolher qualquer uma dessas ofertas, significará que eu irei embora. Que ficarei longe de você. É isso o que você quer? [perguntou começando a chorar]
R: Meu amor... [aproximou-se novamente] É claro que eu não quero ficar longe de você... Mas eu também não quero impedir as coisas maravilhosas que você conquista e que ainda conquistará. Não quero impedir a realização dos seus sonhos, mesmo que isso tenha que acontecer longe de mim... [disse enquanto algumas lágrimas escapavam]
Q: Mas eu não sonhei com essas ofertas...
R: O que não te impede de sonhar agora... É Harvard, Quinn... Princeton, Stanford... Não é o tipo de coisa que se desconsidera tão facilmente.
Q: Mas eu gosto de Columbia! É excelente! [defendia-se]
R: Mas não é o suficiente para você! [disse segura] Nenhuma delas é, na verdade. Mas você precisa escolher a que mais se aproxima disso.
Q: Mas eu não quero passar por isso. Eu não quero escolher e você não pode me obrigar! [disse se levantando e colocando a pasta sobre a mesa de estudos] Eu não vou aceitar nenhuma dessas propostas.
R: Eu não posso te obrigar... Você está certa. Mas eu posso te pedir. E eu te peço: não me faça carregar a culpa de ser uma pedra no seu caminho... [disse chorando]
Q: Não fala isso! Você não é uma...
R: Por favor, Quinn! [respirou fundo] Eu amo você! Amo você! Amo tanto que não posso deixar que você tome uma decisão cega, ainda que isso implique em ficar longe de você... [tentava enxugar as lágrimas que teimavam em escorrer] Então, por favor, prometa que você vai analisar. Por mim... Prometa! E se depois de analisar tudo, você concluir que Columbia é a melhor para sua formação, eu ficarei feliz e não duvidarei de que você decidiu segura. Mas se você concluir que outra é sua melhor opção, eu apoiarei você... [finalizou com um fio de voz]
Q: Eu não quero! [dizia agoniada] Eu escolhi Columbia para ficar perto de você! Que sentido faz eu ir para outro lugar agora ou depois? Que sentido faz qualquer lugar sem você? [perguntava chorando]
Rachel voltou a segurar seu rosto com as duas mãos e forçou Quinn a olhar pra ela:
R: Eu te amo! Aconteça o que acontecer, eu te amo!
A loira a abraçou com força. Queria que fosse possível ficar naquele abraço para sempre. Só ali se sentia segura...
R: Meu sonho está em Nova York... Mas e o seu? Também está? Permita-se sonhar, meu amor... Mesmo que seja sem mim... [disse baixinho, com a voz trêmula]
Quinn beijou-lhe o pescoço carinhosamente, acariciando suas costas e aproximou os lábios de seu ouvido:
Q: Só que não existe sonho sem você...
A conversa terminou ali, com ambas chorosas e tristes. Era uma mistura de sensações. Felicidade? Sim. Afinal, havia um reconhecimento explícito do quão especial é Quinn e, aquilo tudo, poderia definir o futuro brilhante ao qual ela deveria estar destinada. Tristeza? Principalmente. Pensar que suas realizações profissionais podem estar em caminhos diferentes, provocava o mais absoluto desespero em ambas...
Quinn foi pra casa, pois já tinham combinado de passarem a noite separadas, para curtirem seus respectivos pais antes de voltarem para Nova York. Antes de descer para se juntar aos pais, Rachel se deixou vencer pelo choro. Agarrou-se ao travesseiro e chorou, chorou, chorou sem parar. Pensou na ironia do destino: depois de brigarem, fizeram as pazes chegando num consenso definitivo, com uma noite maravilhosa de puro amor... Agora que ia chamá-la para morar com ela, já não sabia se a teria, pelo menos, no apartamento da frente. Mas sabia que não poderia agir diferente. Sabia que se fosse o contrário, Quinn a incentivaria a correr atrás. Não queria ser egoísta e permitir que a loira decidisse, novamente, por ela.
Em sua cama, Quinn fazia o mesmo: chorava. Sabia que não queria ficar longe de Rachel, mas também sabia que a morena estava certa. Ela precisava decidir após analisar as propostas, e não apenas recusá-las, sem sequer ponderar. Mas, mesmo assim, não fazia sentido pensar numa realidade em que a morena não estivesse. Pelo menos não perto.
Quinn já não sabia pensar sem pensar em Rachel...
Notas finais
Muito obrigada pelos comentários no capítulo anterior! ;)
Beijos! :)
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