Você Sempre Esteve Em Mim
71 Capítulo 71 - Lembranças...
Notas iniciais
Estavam de pé, em frente ao lugar onde tudo começou. Juntas, admiravam o enorme prédio do Mckinley, como se fizesse muito mais tempo que estiveram ali. Tanto para Rachel, quanto para Quinn, ali foi o começo de tantas coisas que elas sequer saberiam enumerar. Ali foram garotas ambiciosas, às vezes egoístas, foram sonhadoras, foram apaixonadas e apaixonantes. Ali se tornaram mulheres. Estar ali novamente era algo que não sabiam que causaria a enxurrada de lembranças que as acometia:
R: Está pronta pra entrar? [virou-se para olhá-la]
Q: Estou! E você?
R: Acho que sim...
Q: Vamos [disse com um sorriso, enquanto começava a caminhar]
Os corredores estavam vazios, o que indicava que as salas de aula estavam cheias. Foram direto à sala do coral, que ainda estava vazia. Para Rachel, ali era como um santuário, o local onde ela desenvolveu seu talento, seus sonhos, sua personalidade. Ali ela fez amigos e encontrou o amor... Quinn também se sentia especial naquela sala. Graças ao coral, ela teve amigos quando mais precisou, e teve motivos para perceber que a máscara de Cheerio má já não precisava existir. Descobriu seus talentos e encontrou o amor de sua vida...
R: Esse é um dos meus lugares favoritos. E acho que sempre será... [disse com os olhos cheios de lágrimas enquanto olhava ao redor]
Q: Devo dizer o mesmo... [disse com um sorriso doce]
R: Mais do que o território das Cheerios? [perguntou provocante]
Q: Sim!
R: Posso saber por quê?
Q: Por vários motivos. Mas o principal... É que aqui eu descobri você... [disse encarando-a]
Rachel sentiu as pernas fraquejarem e tentou disfarçar, mas Quinn percebeu, o que a fez sorrir.
R: Mas você não me conheceu aqui no clube do coral.
Q: Antes eu sabia que você existia. Aqui eu soube quem você é... Aqui eu pude me apaixonar... [disse suavemente]
Rachel se arrepiou. Quinn Fabray tinha mesmo o poder de deixá-la desestabilizada com poucas palavras.
Foram interrompidas pela porta se abrindo e em segundos já estavam sendo abraçadas em meio a palavras e risadas indecifráveis. Sam, Tina, Artie e Sr. Schue estavam eufóricos com a presença das garotas ali. A falta de Britt e Blaine indicava que a noite com Santana e Kurt havia se estendido ao dia. Os alunos novos estavam encantados por verem Rachel Berry e Quinn Fabray, verdadeiras lendas na escola. A morena nunca pensou que alcançaria esse respeito. Sempre achou que ficaria famosa e as pessoas de seu passado veriam e se arrependeriam de agirem com desdém e inveja. Mas bem antes de sair da escola, já sabia que tinha feito algo diferente ali. Os amigos que conquistou era uma prova disso...
Enquanto os amigos e Sr. Schue paparicavam Rachel, perguntando sobre o acidente e NYADA, Quinn saiu um pouco. Andou pelos corredores com a mesma firmeza de sempre, seguindo o caminho que poderia trilhar até de olhos fechados. A porta estava aberta, então apenas deu duas batidinhas na madeira para chamar a atenção da mulher sentada.
Q: Posso entrar, treinadora? [perguntou com um sorriso]
Sue Sylvester: Q? [surpreendeu-se] Claro, entre! [tentava disfarçar a felicidade de vê-la ali]
Q: Que bom ver a Senhora! [disse com um sorriso sincero, enquanto se sentava à sua frente] Na última vez que estive nesta sala, a Senhora me disse coisas tão lindas, coisas que eu levarei sempre comigo...
SS: Não espere que eu repita o que disse, Q! Já não estou afetada pelos hormônios. [tentava fingir indiferença, mas demonstrava carinho no olhar] Como está Columbia? [perguntou realmente interessada]
Q: Está ótima! Muitas e grandes oportunidades! [pensou se deveria falar sobre as propostas das outras universidades, mas preferiu não mencionar, pois não saberia como explicar que sua recusa em aceitá-las tinha a ver com Rachel]
SS: Fico feliz, Q! [disse com um olhar e sorriso orgulhosos]
Q: Eu quero agradecê-la pela carta de recomendação à Universidade! A Senhora não tem ideia do quanto significa para mim!
SS: Eu só disse verdades, Q! Eu sempre soube e sempre acreditei que você alcançaria grandes feitos. Não digo apenas pela sua inteligência acima da média, mas pela coragem que você sempre teve de enfrentar tudo. Pelo espírito de liderança e pela necessidade de ser muito mais do que um cérebro privilegiado. Você foi minha melhor aluna em toda a minha vida profissional, e tenho certeza de que jamais terei qualquer outra que possa chegar aos seus pés! [disse sincera, emocionando Quinn]
Q: Treinadora, eu ainda me sinto um pouco perdida na cidade grande e no mundo de gente grande... Quando eu tenho várias oportunidades boas, como saber qual a que devo escolher?
SS: Escolha a que seu cérebro e coração escolherem juntos... Não faça nada só com racionalidade, nem nada só com amor. Na primeira opção você terá vitórias vazias e na segunda, terá sentimentos frustrados.
Q: E se eu não souber identificar essa concordância entre razão e coração?
SS: Você vai saber... O tempo te ensina. E, no seu caso, você é Quinn Fabray, sua inteligência fará você perceber antes do que a maioria.
Sue Sylvester não sabia, mas acabava de dar conselhos importantes sobre a atual situação de Quinn, que se levantou e rodeou a mesa para abraçar a professora...
Q: Nunca duvide de que a Senhora foi e sempre será importante para mim. Sempre! [disse abraçando-a, emocionando Sue]
R: Posso entrar? [perguntou sem graça, interrompendo o momento das duas]
SS: Ora, ora, ora... Se não é a irritante Berry?! Soube que você anda abraçando carros em Nova York. Pensei que sua loucura ficaria aqui em Lima, mas vejo que você deve ter uma mochila de fracassados onde guarda seus delírios e arrogância, carregando para cima e para baixo, para usá-los sempre que puder diante das pessoas normais que só querem um pouco de paz e não essa ambição embriagada que você sempre apresentou no “clubinho” do coral [disse no seu tom característico]
R: Mas o quê... [já ia começar a se exaltar quando Quinn a impediu]
Q: Relaxa, Rach! É só a treinadora sendo a treinadora. [disse com um sorriso suave]
SS: Isso! Relaxa, Berry! [disse com um sorriso] Eu sei que você é talentosa e que vai ganhar um Tony, mas eu não posso perder a oportunidade de despertar o seu lado mais irritante. [piscou-lhe o olho] Devo confessar que jamais imaginei a Q te chamando de Rach... [disse franzindo o cenho, com os olhos semicerrados] Vejo que muita coisa mudou... [sorriu como se soubesse de algo que não quisesse dizer]
As duas gelaram. Será que estava tão na cara? Mas elas nem se deram as mãos. Como a treinadora poderia saber? Será que o Finn havia espalhado pela cidade que elas estão juntas?
SS: Como você está, Berry? Já se recuperou completamente do acidente? [perguntou sincera, demonstrando uma real preocupação]
R: Sim! Já sim... [respondeu aliviada diante de uma treinadora calma e quase carinhosa]
SS: Bom! Que ótimo! Mas tomem cuidado! Nova York é um mundo, vocês precisam se cuidar. [disse em tom de proteção]
Depois de mais algum tempo ali, conversando, com a treinadora relaxada, agindo com normalidade, sem ofensas, sem provocação, sendo apenas três mulheres conversando e rindo, Rachel e Quinn voltaram à sala do coral para conversar com Sr. Schue, que se dizia extremamente orgulhoso das duas. A loira também o agradeceu pela carta de recomendação para Columbia, recebendo dele, praticamente, a mesma resposta de Sue.
Marcaram de encontrar os amigos à noite, no Breadsticks, para relembrarem os velhos tempos. Inclusive Kurt e Santana, que só se deram o trabalho de responderem às mensagens recebidas com “Ok!” Estavam mesmo ocupados... Enquanto caminhavam pelos corredores, foram acometidas novamente pelas lembranças da época em que não sabiam o que significava aquele sentimento que impedia que se afastassem uma da outra, aquele magnetismo avassalador que as manteve sempre próximas. Passavam entre os alunos, recebendo olhares curiosos, outros de admiração, e mantinham suas mãos afastadas, mas o roce de suas peles era inevitável. A eletricidade que sempre existiu, estava ali, mas muito mais intensa...
R: Vamos? [perguntou ao chegarem à porta de saída]
Q: Não. Ainda falta um lugar... Vem! [disse caminhando]
Chegaram ao campo. Os jogadores estavam treinando. Sentaram-se nas arquibancadas, lado a lado, e ficaram observando...
Q: Aqui, nesse campo, eu me sentia bem. Era o lugar onde eu podia ser uma garota comum. [quebrou o silêncio]
R: Você nunca foi comum... [disse sorrindo]
Q: Eu quis dizer que me sentia alguém além de um gênio, você sabe... Que eu também podia ser bonita e líder. Aqui, observando a dimensão do campo, do céu, eu sabia que poderia sempre tentar ser mais do que esperavam de mim. Ser mais do que saber as respostas. Aqui eu podia falhar, podia cair, e ser alguém comum... Entende?
R: Sim, meu amor... Eu entendo! [olhou-a apaixonada] Daqui eu observava você e era só isso que importava... Você já era tudo, mesmo que eu não soubesse... [disse carinhosa]
Q: Vamos embora! [disse se levantando abruptamente]
R: Mas acabamos de sentar, praticamente! [respondeu surpresa enquanto olhava para cima]
Q: Mas eu estou louca pra beijar você e não vou poder fazer isso aqui. Então vamos embora!
R: Ok! Vamos! [levantou-se com um imenso sorriso]
Algum tempo depois, estavam na casa de Rachel, reunidas com Leroy, Hiram e Judy, num almoço oferecido pelos pais da morena. Apesar do nervosismo inicial de Quinn, sem saber se sua mãe realmente se sentiria à vontade, a loira se surpreendeu com o entrosamento de seus sogros com Judy, que riam e contavam histórias divertidas de Rachel e Quinn crianças. Ninguém focou no namoro delas ou no acidente. Falavam sobre diversos assuntos, mostrando como aqueles temas já eram normais para eles. Que ali, com a família, elas poderiam e deveriam se sentir seguras e à vontade. Enquanto seus pais conversavam animadamente na sala, após o almoço, conseguiram subir, discretamente, ao quarto de Rachel. Lá chegando, Quinn a imprensou na parede, atacando seus lábios com urgência. A morena logo rodeou seu pescoço com os braços, correspondendo ao beijo na mesma intensidade. Suas línguas se provavam com necessidade. Quinn alternava entre explorar o interior da boca de Rachel, e entre provar cada lábio individualmente. Isso as estava deixando loucas:
Q: É uma tortura esperar para te beijar... [sussurrou após cortar o beijo]
R: Vamos deitar... [sussurrou de volta]
Q: Não! Não é uma boa ideia, Rach... [disse se afastando]
R: O que foi? [perguntou surpresa]
Q: Primeiro: nossos pais estão lá embaixo e daqui a pouco percebem nossa ausência. Segundo: quando descobrirem, não teremos muito tempo para nos vestir e descer.
R: Mas eu não estou falando de sexo, meu amor... Eu sei que não devemos fazer, porque eles estão lá embaixo. Eu só queria ficar um pouco com você, deitada... [disse calma]
Q: Mas vai acabar em sexo... Estou queimando de desejo por você, não é seguro deitarmos... [disse fechando os olhos, tentando conter a respiração já um pouco acelerada]
Rachel se aproximou mais e a abraçou, levando os lábios ao seu ouvido:
R: Então quer dizer que, neste momento, você está queimando de desejo? [perguntou provocante, enquanto lambia o lóbulo da orelha de Quinn e arranhava a nuca da loira da forma que sabia que ela gostava]
Q: Oh, Rach... Não me provoca... [disse amolecida]
Rachel a soltou, deu-lhe um selinho e se afastou:
R: Vamos descer. Mais tarde eu apago esse seu fogo... [disse sorrindo, estendendo a mão para ela]
Quinn segurou sua mão e desceu, já contando os minutos para irem ao Breadsticks e saírem de lá para ficarem sozinhas... Seria uma longa noite...
Notas finais
Espero que gostem deste também e que comentem!
No próximo, algumas surpresas e algo quente... ;)
Beijos!
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