Você Sempre Esteve Em Mim

51 Capítulo 51 - Confiança...


Notas iniciais
Música do Capítulo: The Fray - Trust Me

Rachel dormia enquanto Quinn já havia acordado, preparado o café e arrumado as flores na sala. A loira deixou preparado tudo o que precisaria para trocar os curativos da morena após ela tomar banho. Tirou as roupas de Rachel do chão e o roupão dos pés da cama. Quando ia dobrá-lo, percebeu que um papel caiu de seu bolso. Viu que na verdade era um cartão de floricultura e quando o tinha em mãos, descobriu que nele estava escrito “FINN”. Sentiu-se dominar pela raiva, mas não sabia de quê. Raiva de um pedaço de papel? Não. Raiva de ver que ele continuava rondando e que a ausência de qualquer mensagem explicativa no cartão, só a fazia se perguntar o que ele realmente queria.

Rachel se remexeu e procurou por Quinn na cama, abrindo os olhos rapidamente ao perceber que ela não estava lá. Ao perceber, a loira guardou instintivamente o cartão no bolso. A morena virou-se para o lado em que ela estava e logo esboçou um sorriso:

R: Hey... Por que você está acordada?

Q: Muita coisa pra fazer... [respondeu com um sorriso, tentando dissimular a irritação]

R: O quê, por exemplo?

Q: Preciso acompanhar a mudança com a Santana.

R: Você não vai passar o dia comigo? [perguntou surpresa]

Q: Vou te ajudar com o banho e depois eu preciso ir. Mas eu não demoro. Tudo bem? [disse, tentando não transparecer qualquer incômodo]

R: Certo... [disse um pouco desanimada]

Q: Vem... Deixa eu te ajudar com o banho e depois nós tomamos café.

No banheiro, estavam em silêncio. Rachel já conseguia tomar banho sozinha e a ajuda de Quinn era mais uma desculpa das duas para ficarem juntas do que uma real necessidade. A loira sabia que a morena estava chateada por que ela iria deixá-la só por algumas horas. Mal sabia Rachel que Quinn não precisava ajudar na mudança, que Santana tinha se programado para fazer tudo sozinha, para que a loira pudesse continuar cuidando dela. Mas com a sensação ruim que Quinn sentiu ao encontrar o cartão no bolso da namorada, ela precisava de um tempinho sozinha, para evitar uma briga sem necessidade. Mesmo chateada, aproximou-se da morena e deslizou o nariz pela curva do pescoço dela:

Q: Posso saber por que você está tão calada? [perguntou em seu ouvido]

R: Você sabe porquê... [respondeu séria]

Q: Eu preciso ajudar a Santana, Rach. É uma mudança! Temos que trazer muita coisa.

R: Você disse que ela já tinha providenciado tudo.

Q: Mas ainda precisa da minha ajuda...

R: Ok. Se você tem que ir, vá! [disse séria enquanto desligava o chuveiro e saía do box]

Quinn respirou fundo e se aproximou dela:

Q: Deixa que eu te ajudo a se enxugar!

R: Não precisa. Eu já consigo só... [disse calma]

Q: Pára com isso, Rach! Deixa eu te ajudar...

R: Eu já disse que não precisa! [continuou a se enxugar sozinha]

Quinn a ajudou a se vestir, porque nisso ela realmente precisava de ajuda e a levou até a cozinha para comerem.

Q: O que, especificamente, está te chateando no fato de eu ter que me ausentar algumas horinhas para ajudar a Santana a fazer a mudança do nosso apartamento?

R: Você não me disse que teria que fazer isso hoje. Eu pensei que você passaria o dia comigo. A impressão que eu tenho é que esses não eram seus planos e que você resolveu, de repente, sair para ajudar a Santana. Como se não quisesse estar aqui. [disse com os olhos na comida]

Quinn se assustou com a precisão com que Rachel identificou o problema. Pensou em algo para dizer, mas não conseguiu rebater o que a morena disse.

R: Acertei, não foi?! [disse desapontada, ao perceber o silêncio de Quinn] Desculpe... Não estou com fome. Vou voltar pra cama. [afastava-se da mesa para ir ao quarto]

Q: Rach... [tentava amenizar]

R: Qualquer coisa você me liga... [disse de costas enquanto entrava no corredor]

Quinn pôs os pratos na pia. Nenhuma das duas havia tocado na comida. Pensou em ir até o quarto e dizer o que a estava chateando, mas sem entender o porquê, preferiu sair. Ao encontrar Santana, foi recebida por ela com surpresa:

S: Ué... o que você está fazendo aqui? Não ia ficar com a Berry?!

Q: Ia... Mas o clima ficou chato entre a gente.

S: E por que?

Q: Porque eu encontrei um cartão de uma floricultura com o nome do Finn no bolso do roupão dela.

S: E qual o problema disso?

Q: O problema é que aquele cartão deve ter sido de algum dos buquês e foi o único que ela guardou no bolso. Por que só ele?

S: O que ela disse?

Q: Eu não perguntei...

S: Você é demente, Fabray? [perguntou irritada]

Q: Por que?

S: Vai ficar aí se remoendo de raiva por causa de uma porcaria de cartão e ela nem sequer sabe que você está assim?

Q: E o que você quer que eu faça?

S: Pergunte a ela o que você quer saber, ora... Pelo amor de Deus! Será que eu vou ter que pegar na mão de vocês e ensinar como se namora? Tenha santa paciência! [continuava irritada]

S: Resolva logo isso que eu preciso saber se eu tenho que ficar com raiva dela. Eu não estou muito acostumada com essa afeição que tenho sentido por ela.

Q: Isso não é brincadeira, Santana!

S: Eu não estou brincando!

Q: Eu não quero ir pra lá agora. Deixa eu ajudar com a mudança. Afinal, são minhas coisas também!

S: Ok. Você quem sabe...


Cinco horas depois, Santana havia dado dezenas de instruções aos carregadores da empresa de mudanças, enquanto Quinn apenas observava e ajudava com algumas caixas mais valiosas. Arrumaram as coisas mais urgentes e tentaram organizar as caixas que ficariam para depois. Quinn tomou outro banho antes de voltar ao apartamento de Rachel. Abriu a porta com a própria chave e estranhou o silêncio do apartamento. Observou que a cozinha continuava do mesmo jeito. Foi até o quarto e se deparou com a morena deitada, com as cortinas fechadas, meio copo d'água na cabeceira, o braço imobilizado ao lado do corpo e o braço direito sobre os olhos.

Q: Rach? [perguntou baixo]

Rachel afastou o braço e a olhou. Sem esboçar qualquer reação, voltou a colocar o braço sobre os olhos.

Quinn se aproximou e sentou-se ao seu lado na cama.

Q: Lembrou de tomar o remédio das 10 horas?

R: Lembrei! Não se preocupe comigo! [respondeu ríspida]

Q: É claro que eu me preocupo!

R: Não precisa! [continuava ríspida]

Q: Onde você quer chegar, Rach?

R: Você não tem que ficar de enfermeira. Eu sei me virar sozinha. [disse se apoiando com o braço direito, enquanto se levantava] Você pode ir fazer suas coisas. Eu não quero atrapalhar você!

Q: O que você está falando? De onde você tirou isso?

R: Do óbvio! Você arrumou a primeira desculpa que veio à sua cabeça para sair daqui. Você já não aguenta isso. Eu não queria que você ficasse pra cuidar de mim. Eu não preciso que você faça isso mais. Eu só queria ficar com você!

Q: Você está enganada, Rach...

R: Eu só queria que você me dissesse. E não que ficasse estranha de novo.

Q: Rach... Me escuta...

R: Eu reparei, Quinn! Você acordou e saiu da cama. Você não me olhou nos olhos quando eu acordei. E nem me olhava enquanto falava que teria que sair. Eu sei: você cansou de ficar aqui presa nesse apartamento junto comigo. Eu não te culpo! Mas eu só queria que você fosse sincera comigo e não mentisse pra mim, inventando desculpa para se afastar!

Q: PODE PARAR! [disse irritada] Pode parar de viajar! Nada do que você disse faz o menor sentido! NADA! Não fala bobagem!

R: Não é...

Q: Deixa, Rachel! Deixa eu falar! Eu te amo e cuido de você com o maior prazer. Se você quer sinceridade, sejamos sinceras as duas. Quer saber o porquê de eu estar diferente? Aqui está o motivo! [disse enquanto tirava o cartão do bolso] Aqui está minha sinceridade. Agora eu quero ouvir a sua. Por que esse era o único cartão no seu bolso se há tantos outros nas outras flores? [perguntou calma]

R: Foi por isso?! Por isso você ficou calada de novo? Por que você não me perguntou?

Q: Se eu não tivesse achado, você me mostraria?

R: Eu não queria que você visse. [respondeu sincera]

Q: E por que?

R: Por isso! Para não discutirmos, de novo, por causa do Finn.

Q: Não estamos discutindo.

R: Estamos sim!

Q: Você não pode me esconder essas coisas. Não pode me esconder as coisas sobre ele!

R: Mas isso não é nada. É uma bobagem que você transforma em algo enorme, sem necessidade!

Q: Você tem que me deixar a par de tudo!

R: Pra você brigar comigo?

Q: Rach...

R: Você não reage bem a nada relacionado a ele. Recebi lindas flores de vários amigos e ele foi um deles. Havia esse cartão, que sequer tem uma mensagem, e o guardei para que você não agisse como está agindo agora. Eu não guardei porque significa mais do que os outros. Guardei porque não queria que você ficasse com raiva. Mas não adiantou nada. Não importa o que eu faça, ou qual seja a minha intenção. Você sempre vai desconfiar de que há algo maior por trás.

Q: Não é assim... [tentava explicar]

R: Estou com dor de cabeça. Vou tentar dormir. Não quero mais conversar... [disse enquanto voltava a se deitar]

Q: Rach...

R: Eu vou dormir, Quinn! Você pode ir fazer o que quiser... Só me deixa quieta... [disse desanimada, deitando-se de lado, numa posição um pouco incômoda]

Quinn se levantou e saiu do quarto. Foi até a cozinha e começou a arrumar o que tinha ficado fora de ordem desde o café da manhã. Pensava se deveria voltar ao quarto e tentar conversar com Rachel novamente, mas já havia estressado a morena além dos limites permitidos. Tudo o que ela devia fazer era evitar que ela se chateasse. Percebeu que não havia trocado os curativos dela.

Q: Estúpida! Você é uma estúpida, Quinn! [murmurava para si mesma enquanto voltava ao quarto]

Rachel continuava na mesma posição. A loira se aproximou e se deitou. A morena permaneceu com os olhos fechados, mas sentiu os braços de Quinn ao redor de sua cintura e o calor de seu corpo a envolvendo.

Q: Desculpa! Eu sei que isso não basta, mas tenta desculpar minha estupidez... [dizia com a voz baixa]

Rachel abriu os olhos e a encarou calada.

Q: Eu não consigo afastar o medo de ele tirar você de mim... [confessou]

R: Nem a morte me tirou de você... Você não tem que se preocupar com ele... [disse firme] Você precisa confiar em mim, Quinn! Confie em mim! [permaneceu firme]

Q: Prometa que não me esconderá mais nada relacionado a ele!

R: Prometo... Mas prometa que vai confiar em mim!

Q: Eu prometo!

Quinn se aproximou mais e deslizou o nariz pelo rosto de Rachel antes de beijá-la levemente os lábios:

Q: Precisamos trocar seus curativos...

R: Ok.

Rachel observava o cuidado, atenção, delicadeza e paciência com que Quinn retirava cada curativo, passava pomada e colocava um novo. Perguntava-se em silêncio se aquelas marcas realmente sairiam. Quando a loira trocava o curativo da testa, Rachel a impediu de continuar e segurou sua mão, provocando a surpresa de Quinn. Então a beijou!

R: Você disse que não sabe mais existir sem mim. Então entenda que eu já não sei existir sem você também... [disse sobre seus lábios ao cortar o beijo]

Quinn, então, tomou a iniciativa da vez e a beijou. Suas línguas se comunicavam melhor do que as palavras, então já não precisavam dizer mais nada. Mais uma vez se desentendiam e se resolviam da maneira que melhor sabiam: sentindo uma a outra. Mas sabiam que, apesar de terem feito promessas, em algum momento poderiam se ver tentadas a não cumpri-las. Mas, por enquanto, deveriam manter a certeza de que “prometo” está acima de qualquer falha, mesmo que não esteja...


Notas finais
Vocês comentam mais nos capítulos dramáticos. Tenho uns dramas guardados que estou começando a achar que é hora de usá-los. ;)
Sei que saímos de capítulos extremamente dramáticos, mas eu adoro receber reviews e como vocês se manifestam mais no drama, vou pensar seriamente em trazê-los mais cedo. ;)
Antes disso, aguardo seus comentários! :)
Beijos!