Você Sempre Esteve Em Mim

47 Capítulo 47 - Destino...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Jack Johnson - My Little Girl

Com Rachel dormindo, Quinn, Leroy e Hiram saíram da UTI, como se tivessem nascido novamente. A loira caminhava em silêncio, provocando curiosidade nos pais da morena:

H: Quinn, tudo bem?

Q: Eu nem acredito... [disse, finalmente] Eu rezei tanto, eu pedi tanto... Mas ainda parecia tão difícil ficar tudo bem... Eu nunca estive tão aliviada em minha vida... [disse com a voz trêmula]

H: Nossa estrelinha é forte! E teimosa! [disse, arrancando sorrisos de alívio de Quinn e Hiram]

Quando passaram pela porta que os separava dos demais, perceberam a ansiedade que dominava Kurt, Britt, Santana e Judy. Seu sorriso aliviado fez com que todos soltassem gritos de comemoração, mesmo estando num corredor de hospital:

Q: Ela acordou e falou... Ela está bem! Ela está, finalmente, bem... [disse com um sorriso emocionado]

L: Eu gostaria de agradecer a todos vocês pela força. Pelo apoio, por ficarem aqui, sem querer deixar nossa Rach sozinha. Sem nos deixar sozinhos... [disse enquanto derramava algumas lágrimas de agradecimento]

H: Faço do Leroy minhas palavras. Mas agradeço em especial à Quinn e Santana que salvaram minha filha, literalmente! [finalizava também chorando]

Todos estavam emocionados. Tinham sido momentos difíceis. Incrivelmente difíceis. Rachel saiu de um estado grave para uma melhora inacreditável numa velocidade vertiginosa. Mas se todos parassem para pensar, essa era mesmo uma característica da morena: essa pressa em alcançar os objetivos. A mesma pressa que a levou à escuridão, trouxe-a de volta à luz.

L: Judy, você poderia, por favor, Levar a Quinn pra casa?

Quinn o olhou surpresa, sem entender o porquê do pedido, enquanto Leroy concluía o que dizia:

L: Ela não tem comido nem dormido direito. Ficou nesse hospital mais tempo do que todos. Ela precisa descansar. Já percebi que ela é teimosa e não sei se é uma característica natural dela, ou se ela aprendeu com minha filha, mas espero que você, como mãe, consiga convencê-la do que nós tivemos grandes dificuldades em todo esse tempo. [disse com um leve sorriso]

Quinn estava corada. Sabia que Leroy tinha razão, mas se dependesse dela, ela não sairia dali nem tão cedo.

J: Obrigada por me contar tudo isso, Leroy! [disse em agradecimento] Você não me escapa, Quinn Fabray! [disse virando-se para a filha] Vamos embora agora e você vai comer e dormir.

Q: Mas, mãe...

J: Mas, nada! Depois de comer e dormir, você poderá voltar pra cá.

H: Pode ir, Quinn! Nós ficaremos aqui.

Q: E se ela acordar de novo e eu não estiver aqui?

H: Tenho certeza de que ela concordará com isso: que você tinha que comer e dormir...


Estavam no táxi: Kurt, Britt, Santana, Judy e Quinn. Respiravam aliviados pelo término de tanta tensão. No silêncio do carro, Quinn voltou a chorar, fazendo com que todos se virassem para olhar pra ela.

Q: Não se preocupem! [chorava com um sorriso nervoso] Isso é felicidade e alívio...

Santana que estava ao seu lado, segurou em sua mão e sentiu que a amiga tremia. Sabia que ela estava colocando pra fora todo o sentimento acumulado e que aquilo era uma tremenda descarga de adrenalina.

Q: Ela sentiu meu cheiro... [disse baixinho]

S: O que?

Q: Ela ainda não tinha me visto e o médico falava com ela. Do nada, ela parou de interagir com ele e disse que estava sentindo meu cheiro... [continuava a dizer baixinho, com um sorriso choroso e orgulhoso] Ela não tinha me visto, mas ela sentiu que eu estava lá...

S: Agora eu acho isso lindo, Fabray! Mas no futuro, por favor, deixe que eu tire sarro da cara de vocês dizendo que isso foi incrivelmente brega! [disse em tom de brincadeira, fazendo Quinn rir de verdade]


Enquanto Quinn tomava banho, Judy preparava o jantar para todos, inclusive Kurt, que aceitou o convite das meninas para ficar com elas naquela noite. A loira relaxava, conforme a água deslizava por seu corpo, pensando no giro de 180º que sua vida deu nas últimas horas. Em como a quase falta de esperança se transformou na recuperação surpreendente de Rachel. Não quis demorar mais no banho e saiu, vestiu uma roupa confortável e, só depois, percebeu que a blusa que vestiu era de Rachel. Agora era a loira quem voltava a sentir o cheiro da morena.

Todos ainda estavam meio tensos no jantar. Visivelmente aliviados e falando pelos cotovelos, mas ainda estavam emocionalmente cansados. Pouco tempo depois de terminarem de comer, Santana e Britt foram para o quarto, não sem antes abraçarem, beijarem e apertarem Quinn. Kurt se arrumava num saco de dormir no chão, enquanto na cozinha, Quinn ajudava a mãe a lavar os pratos.

J: Pode deixar que eu arrumo tudo, filha! Você tem que dormir...

Q: Eu quero ajudar, mãe...

Ficaram em silêncio por um tempo. Um silêncio confortável, até que Quinn resolveu falar:

Q: Mãe... eu sei que te devo uma conversa. Sei que a senhora não entende, mas eu gostaria de tentar explicar...

J: Você não precisa fazer isso, Quinn. Você me disse que está apaixonada por ela e que tentou não sentir o que sente, mas que não conseguiu fugir disso. Então, não há o que explicar. Estava escrito...

Q: A senhora acredita mesmo nisso? De que era o nosso destino?

J: É em que você acredita, não é?

Q: Totalmente! Mas eu não sabia que a senhora acreditava em destino.

J: Filha... [disse calmamente] Acredito em destino e acredito em milagres. Você acabou de testemunhar um: Rachel saiu de um estado complicado de saúde e despertou bem. Foi Deus agindo sobre ela. O destino colocou você ao lado dela quando ela precisou, reanimando Rachel no local do acidente. O destino permitiu que Santana tivesse o mesmo tipo sanguíneo que ela. E Deus uniu todas essas coisas e a trouxe de volta. A sua fé, a nossa fé, a fé de todos a mantiveram forte para voltar... Você não precisa me explicar o seu amor. Um dia, talvez eu entenda. Mas não se sinta na obrigação de me fazer entender. [disse calma]

Q: Obrigada, mãe! [respondeu emocionada] Só quero que a senhora saiba que o amor que eu sinto por ela é o mais forte e verdadeiro que existe... Que eu já não posso ser feliz sem ela.

J: Isso eu já percebi... [disse com um sorriso terno, enquanto se aproximava para lhe dar um beijo na testa] Agora vá descansar!

Q: Eu vou dormir no sofá e a senhora dorme no meu quarto.

J: De jeito nenhum! Já vi que é um sofá-cama e está perfeito pra mim! Você precisa dormir em sua cama, para ficar completamente confortável.

Q: Mas, mãe...

J: Mas nada! Saia já daqui, Quinnie!

Q: Eu te amo, mãe!

J: Eu te amo, filha!

Já em seu quarto, Quinn olhou novamente ao seu redor e se deu conta novamente de que Rachel estava em tudo ali. Em cada detalhe. Deitou em sua cama e aspirou o cheiro dela que estava impregnado nos travesseiros. O cheiro de Rachel era o mais perfeito do mundo. Quinn abraçou o travesseiro, como se sentisse a presença de sua namorada ali e permitiu-se chorar de alívio. De saudade... Não demorou a dormir. O cansaço que a dominava era gigante. Todo o peso da preocupação, do desespero se desfez... Quinn estava em paz de novo...


Já era dia quando Quinn foi acordada por Santana.

Q: Que horas são?

S: 07:30.

Q: Oh meu Deus! Eu preciso ir para o hospital! [disse enquanto se levantava]

S: Calma, Fabray! Sua mãe já falou com os pais da Rachel e está tudo bem. Você se incomoda se eu for pra aula hoje? Tenho um trabalho importante para entregar.

Q: Claro que não! Você deve ir! E a Britt?

S: Ela resolveu ficar até domingo. Conseguiu dispensa das aulas, pois o Blaine contou no McKinley sobre o acidente da Rachel e, embora a treinadora Sylvester nunca tenha demonstrado alguma empatia pela baixinha, ela conseguiu com que a Britt pudesse faltar esses dias sem se prejudicar. É claro que ela terá que estudar as aulas que vai perder, mas eu vou ajudá-la nesses dias... Ah, o Sr. Schue ficou muito preocupado. Todos ficaram, na verdade. Mas o Kurt disse que já avisou ao Blaine ontem, que Rachel acordou.

Q: Ok! Vou me arrumar pra ir.

S: Sossega, Fabray. A Rachel deve estar dormindo ainda.

Q: Mas eu quero estar por perto, San! Eu quero estar lá o tempo inteiro. Principalmente quando ela acordar de novo.

S: Tudo bem, teimosia! Se arrume, então! Sua mãe preparou um café da manhã maravilhoso! Por favor, peça a ela que venha morar conosco! [disse sorrindo]

Q: Não deixaria minha mãe morar com você. Ela é uma mulher séria! [sorria de volta]

S: Me respeite, Fabray!


Quinn preferiu ir sozinha para o hospital. Após tomar o café da manhã, pegou um táxi e contou cada segundo pelo caminho inteiro. Lá chegando, encontrou Leroy com um copo de café e um bolinho, enquanto Hiram assinava uns papéis.

H: Oi, Quinn! Conseguiu dormir? [falou enquanto se aproximava para dar-lhe um beijo na cabeça]

Q: Consegui. Estava mesmo precisando... Como ela está?

L: Está bem! Sairá da UTI e irá para um quarto agora.

Q: Sério? [perguntou animada]

L: Sim! Ela passou a noite bem.

Q: Chegou a acordar?

L: Sim, ela acordou...

H: E perguntou por você... [disse sorrindo]

Q: Mesmo? [perguntou com o olhar brilhando]

L: Sim... Ela perguntou.

Q: Ela ficou chateada por eu ter ido?

H: De jeito nenhum! Ela entendeu que você precisava descansar.

Quinn ficou um pouco triste, pois queria estar presente quando ela acordasse novamente. Também estava preocupada se, no fundo, Rachel ficou chateada por ela ter saído.

L: Fique tranquila, Quinn. Ela logo dormiu de novo...

Uma enfermeira apareceu para avisar que Rachel já estava no quarto e que eles poderiam ir pra lá.

H: Quinn, nós precisamos urgente de um banho! Você poderia ficar um pouco sozinha com a Rach, enquanto nós vamos no apartamento rapidinho?

Q: Claro! [respondeu rapidamente, afinal, era tudo o que queria: ficar sozinha com ela]


Quinn entrou no quarto, que estava com as cortinas fechadas para que a claridade não incomodasse. Rachel só tinha um aparelho ligado a si, indicando seus batimentos, e soro e medicamentos intravenosos. Respirava sozinha e dormia, aparentemente tranquila. A loira se aproximou, puxou a cadeira que tinha perto e, antes de se sentar, observou sua namorada por completo: cada curativo, cada arranhão. Cada pedaço de pele exposto. Cada traço do rosto que tanto amava. O sono sereno a deixava ainda mais linda...

Quinn, enfim, sentou-se, levando sua mão até a mão de Rachel, acariciando delicadamente, enquanto levava seus lábios até o braço da morena, dando leves beijos de extremo carinho, deslizando seu nariz por ali. Quinn não percebeu, mas Rachel havia despertado e desfrutava daquele singelo carinho apaixonado. Não se conteve:

R: Espero que você tenha dormido e comido... [disse baixinho e devagar, com a voz rouca]

Quinn levantou a cabeça e a olhou com um sorriso enorme!

Q: Oi, meu amor... Desculpe! Eu não queria te acordar... [acariciava a mão da morena com um pouco mais de intensidade]

R: É sempre perfeito ser acordada por você... [disse ainda baixinho e devagar, com a mesma voz rouca]

Q: Não fale muito... Você é quem precisa descansar mais!

R: Eu estou bem... Estou com sede...

Q: Espera, vou pegar água pra você... [disse enquanto se levantava]

A loira sentou-se na beira da cama e aproveitou que a parte superior já estava elevada para servir Rachel do copo d'água. Após beber tudo, a morena olhou Quinn intensamente:

R: Desculpa...

Q: Por que? [perguntou confusa]

R: Pelo susto que te dei...

Q: Não precisa se desculpar, meu amor... Foi um acidente.

R: Eu fui imprudente... Você já tinha me dito pra não atravessar a rua daquela forma, mas mesmo assim eu atravessei...

Q: Pare, Rach! [disse carinhosamente] Você está falando muito e precisa não se esforçar tanto.

R: Ok... [disse fechando um pouco os olhos]

Q: Você está bem? [perguntou enquanto lhe acariciava o rosto]

R: Eu me sinto tonta e a cabeça dói bastante...

Q: Acho que é normal, mas vou chamar o médico...

R: Não!

Q: Não?

R: Não... Quero ficar um pouco só com você... [disse carinhosa, enquanto abria os olhos]

Q: Eu estou aqui... [respondeu sorrindo, aproximando-se ainda mais de seu rosto]

R: Eu sei que eu estava inconsciente o tempo todo, mas ao acordar, tudo o que sinto é a sua falta... Como se eu estivesse consciente a cada segundo em que fiquei em coma... E essa consciência só me fez sentir saudade... De você... [disse enquanto deitava um pouco a cabeça para a esquerda, apreciando o toque suave da mão de Quinn]

Q: Eu tive tanto medo de te perder... [disse com a voz sofrida, tentando disfarçar um nó que se formou na garganta]

R: Eu não poderia te deixar... Eu ainda preciso brilhar na Broadway e você terá que me dar filhos lindos... Eu não poderia deixar você se safar dessa tão fácil... [disse com um sorriso suave, mas brincalhão]

Q: Hahahahaahahahhaha [Quinn, enfim, sorriu com a máxima verdade possível]

R: Estou com sono, Quinn...

Q: Dorme, meu amor... Dorme... [disse enquanto continuava acariciando seu rosto]

R: Você pode me beijar?

Quinn não respondeu. Apenas se aproximou e juntou seus lábios com imenso amor... Ao se separar, disse sobre os lábios da morena:

Q: Eu te amo, meu amor...

R: Eu te amo mais... [sussurrou]

Q: Não! A última palavra é minha: eu que amo mais!

Rachel sorriu e fechou os olhos para dormir.

R: Você estará aqui quando eu acordar?

Q: Sempre, meu amor... Sempre estarei...



Notas finais
Um capítulo bem mais leve, né?! Agora teremos que acompanhar a recuperação da Rachel. Espero que gostem do desenrolar da história.
Aguardo reviews! :)
Beijos