Você Sempre Esteve Em Mim
17 Capítulo 17 - Eu te desafio...
Notas iniciais
Havia dois dias que Rachel e Quinn não se viam. Os pais da morena conseguiram uma folga e foram com ela para Detroit, visitar os familiares já que ela demoraria a ter uma nova oportunidade de estar com a família reunida. Divertiu-se bastante, o que sempre acontecia quando sua família barulhenta se encontrava, mas sentia falta de Quinn. Eram apenas dois dias, mas incomodavam mesmo assim. Rachel estava sensível, pois havia brigado com Leroy, quando ele soube do que acontecia entre ela e Quinn e posicionou-se contra o relacionamento. Além de Leroy, a morena também brigou com a loira por telefone, quando ela lhe disse que só iria para NY em 3 semanas. Somando tudo, seriam 3 semanas e dois dias sem ter visto Quinn. O humor de Rachel estava definitivamente abalado.
Em Lima, Quinn explicava à Santana e a Kurt que precisava dos dois para fazer uma surpresa à Rachel. Era verdade quando dizia que as aulas em Columbia começariam depois de NYADA. Mas não três semanas depois. Era apenas uma. Mas, Quinn combinou com Santana de irem no mesmo dia que Rachel em Kurt, em um voo mais tarde. Quinn tinha a entrevista misteriosa em Columbia no dia seguinte e usariam o resto da semana para procurar apartamento. E o melhor de tudo: Quinn estaria perto, ou melhor, com Rachel. A irritação da morena valeria a pena. Seria uma surpresa e a loira não pretendia voltar atrás no plano. Santana e Quinn precisavam correr para organizar as coisas, pois como haviam enviado suas inscrições para Columbia tarde, receberam suas respostas em cima da hora, principalmente porque, segundo se informaram, alunos bolsistas recebem as cartas de admissão depois dos não-bolsistas. Em NY, Quinn iria se organizar para passar uns dias em Yale e resolver sua situação lá. Não queria, simplesmente, nunca aparecer.
K: Qual será mesmo minha função, Ice Quinn?
Q: Por favor, Kurt, deixa esse apelido do passado no passado! Já não sou mais como era.
K: Eu sei, foi só para descontrair. — riu dando uma piscadinha.
Q: Apenas garanta que ela não fique com muita raiva de mim.
K: Farei o possível. — assentiu.
S: Minha tarefa é só te acompanhar, vossa alteza? Juro que esperava mais. — falava uma Santana com um ar fingido de tédio.
Q: Não, San! Você vai ter muita coisa para fazer. Espere que passarei as instruções.
Q: Kurt, precisarei de mais uma coisa. Eu e Santana ficaremos no mesmo hotel que vocês, quando chegarmos, mas a Rachel não pode saber, por enquanto. Por isso, preciso saber de cada passo dela quando vocês chegarem lá.
K: Certo. Serei seu espião. — disse sorridente.
Algumas horas depois, Quinn se preparava para dormir quando recebeu uma mensagem de Rachel. A última vez que haviam se falado, tinham brigado, pois Rachel achava que ela poderia ter se esforçado para ir antes para NY. Hesitou em ler, pensando que talvez fosse alguma mensagem irritada, mas a curiosidade e saudade venceram e pegou o celular:
“Acabei de chegar em casa. Acordada? R”
“Sim, estou acordada! Posso te ligar? Q”
“Não. Prefiro te ver... Posso ir aí? R”
Quinn sorriu. Não sabia se Rachel queria vê-la para brigarem pessoalmente, ou para fazer as pazes. De qualquer forma, era só vantagem, pois em qualquer das hipóteses, ela veria a morena novamente.
“Claro que pode! Mas, se preferir, eu vou aí. Q”
“Não. Estou indo aí. Chego em 10 minutos. R”
“Estou esperando! :) Q”
Em 10 minutos, Rachel chegou. Antes que tocasse a campainha, Quinn abriu a porta. Quando seus olhares se encontraram, a morena a abraçou. A loira recebeu o abraço com um sorriso imenso, e começou a dar beijos no topo da cabeça de Rachel.
Q: Senti sua falta. — sussurrou.
R: Eu também. — disse se aninhando nos braços de Quinn.
A loira, então, levantou o queixo da morena e a beijou com ternura nos lábios. Rachel se assustou:
R: Quinn... e sua mãe?!
Q: Está dormindo. Não se preocupe. — falou num tom tranquilizador.
R: Se é assim... — deu um sorriso e voltou aos lábios de Quinn.
R: Me desculpe! — disse, cortando o beijo – Por favor, me desculpe por termos brigado!
Q: Tudo bem, Rach! Não se preocupe, está tudo bem! Vamos para o meu quarto.
R: Não posso demorar. Queria muito, mas não posso. Só precisava te ver. Meu pai, Leroy, ainda está chateado e preciso amansá-lo antes de ir embora.
Q: Ele não gosta mesmo de mim?
R: Não é isso. Ele não tem a mesma visão romântica do papai. Ele não quer que eu passe pelas mesmas provações que eles passaram e acha que se eu estiver com você, ele vai sempre se preocupar. Não tem muito a ver com nosso passado. Se isso o incomoda, você consegue convencê-lo que é maravilhosa em menos de dois minutos. O problema é o que ele acha que terei que enfrentar. Ele só está sendo super-protetor, mas do jeito doloroso: brigando comigo.
Q: Posso fazer alguma coisa para ajudar?
R: Pode!
Q: O que?
R: Fala alguma coisa ao meu ouvido com essa voz que me enlouquece e depois me beija... — disse de uma vez só.
Q: Você quem manda! — disse com um sorriso malandro.
Aproximou-se do ouvido da morena e falou com a voz rouca e suave:
Q: Eu te amo!
E depois beijou Rachel com paixão, deixando a morena arrepiada e sem fôlego...
R: Tenho que ir! — disse, dando um selinho em Quinn e depois se afastando para sair da casa.
Q: Me avisa quando chegar em casa.
R: Aviso sim!
Quinze minutos depois, Quinn recebe uma mensagem:
“Cheguei. E seu cheiro veio comigo... :) Me enlouquece... R”
“E o seu ficou aqui... Me mata! ;) Eu te amo... Q”
Rachel acordou tarde no dia seguinte, coisa que detestava. Encontrou Hiran na sala e não se conteve:
R: O pai ainda está chateado?
H: Sim, filha. Mas vai passar. Dê tempo a ele.
R: Eu não tenho tempo, papai . Depois de amanhã eu vou embora. — falava chorosa.
H: Filha, você vai para NY, não pra lua. Seu pai vai arrumar um jeito de se entender com você depois, se não o fizer até depois de amanhã.
R: Ele já saiu? Vai demorar pra voltar?
H: Sim e sim. Relaxe e vá aproveitar o tempo que ainda tem antes de viajar. — deu-lhe um beijo na cabeça e foi para a cozinha.
H: Almoça comigo, estrelinha?
R: Sim, papai!
O almoço foi relaxante. Pai e filha falaram sobre NY, e sobre como as coisas deveriam ser organizadas. Como seria o pagamento das contas, quanto dinheiro eles mandariam por mês e como ela deveria administrar. As coisas técnicas e necessárias...
Horas depois, Rachel estava saindo do banho, sua campainha tocou. Sabia que seu pai abriria a porta, e como não estava esperando ninguém, começou a trocar de roupa, ligou o som e aumentou a música. Pouco tempo depois, batidas em sua porta não foram ouvidas, então a porta se abre: Uma Quinn Fabray vestindo uma calça jeans preta, uma blusa azul, uma sapatilha preta e um casaquinho de couro preto se depara com uma Rachel Berry de calcinha e sutiã brancos, em pé em frente ao guarda-roupa sem saber o que vestir. Para Quinn, aquela visão era a coisa mais linda e sexy que já tinha visto. Rachel demorou a perceber sua presença ali, mas ao vê-la, correu para seus braços, abraçando-a feliz. O contato com a pele semi-nua da morena, fez Quinn se arrepiar e estremecer por completo. Então, Rachel percebeu que não estava vestida...
R: Oh, meu Deus! Eu não estou vestida! — soltou-se dos braços de Quinn e enrolou-se com a toalha.
Quinn tinha um sorrisinho no rosto que fez Rachel corar.
Q: Não se desculpe, Rach! Tenha certeza de que não há qualquer motivo para se desculpar. — Esboçava um sorriso charmoso – Aliás, acho que devo te agradecer – disse chegando perto da morena e deixando um selinho em seus lábios.
Q: Vou descer e te esperar. Nós vamos sair, ok?
R: Vamos? — perguntava uma Rachel ainda encabulada.
Q: Vamos! Vista algo para jantarmos!
R: É um encontro, Fabray? — perguntava com um sorriso curioso.
Q: Digamos que pode ser que seja um encontro. Pode ser que não... Você terá que vir para saber – dava uma piscadinha com um sorriso divertido.
R: Ok! — sorria amplamente – Vou me vestir e desço daqui a pouco.
Q: Não tenha pressa... Já disse que estou esperando por você... — lançou-lhe um olhar cúmplice e dirigiu-se à parte de baixo da casa.
Alguns minutos depois, uma Rachel Berry, usando um vestido branco curto, com um casaco preto por cima, desce as escadas, deixando Quinn boquiaberta. Com um sorrisinho, aproxima-se dela e diz:
R: Vamos?
Q: Sim... Vamos!
R: Papai, vamos sair!
H: Vão demorar?
R: Não sei, papai! Nem sei para onde vamos. Vamos demorar, Quinn?
Q: Sim, Sr. Berry, digo, Hiran. Vamos demorar um pouco, mas eu a trago antes da meia-noite. Tudo bem?
H: Sim, tudo bem! Juízo, meninas! — disse, lançando beijos para as duas.
Já no carro, Rachel observava Quinn dirigindo. Tranquila, linda...
R: Você está linda! — disse com um olhar carinhoso.
Q: Você está linda como sempre! — disse com um olhar igualmente doce.
R: Não vai me dizer para onde vamos?
Q: Vamos jantar.
R: Onde?
Q: Calma, Rach. Estamos chegando.
Quinn a levou num restaurante vegetariano que ela nunca tinha ido. Era um restaurante lindo, numa região nobre de Lima. A morena percebeu que era um restaurante caro, o que comprovava que era mesmo um encontro. Quinn chamava o garçom e se encarregava de fazer os pedidos. Rachel apenas apreciava sua garota controlando a situação.
Q: Bom... Isso é um encontro.
R: Percebi – disse olhando em seus olhos, com um brilho que só ela provocava.
Q: Quero que você se acostume com isso, porque teremos muitos encontros em NY.
R: Mesmo?! Vou adorar. — sorria.
Q: Sim! Vou te tratar como ninguém jamais tratou.
R: Você já o faz... — respondeu com a voz baixa, porém firme, e o olhar fixo na loira.
Q: Continuarei fazendo.
A conversa fluía naturalmente. Quinn se encantava com a paixão com que Rachel falava da Broadway e de como tudo prometia ser maravilhoso em NY. E como tudo seria ainda melhor porque as duas estariam juntas. A morena também se encantava com a inteligência da loira, que falava sobre Columbia e Yale como se conhecesse todos os detalhes das duas universidades. Falava sobre os lugares de NY que queria conhecer e os que queria mostrar à Rachel. Tudo ligado à cultura e arte.
Terminaram o jantar e Quinn pediu a conta. Quando Rachel pegou a bolsa para pagar sua parte, Quinn a impediu:
Q: É um encontro, meu amor! Eu pago. — disse calmamente.
Rachel estremeceu novamente, mas dessa vez foi mais intenso. OUVIR Quinn chamá-la de “meu amor”, com aquela voz maravilhosa, era infinitamente melhor do que ler numa mensagem de celular. Para a loira, chamar Rachel de “meu amor” parecia tão natural, que não percebeu quando a morena estremeceu.
Ao saírem do restaurante, Rachel foi em direção ao carro, mas Quinn a impediu:
Q: Não! Não vamos embora ainda. Quero te mostrar uma coisa.
R: Certo.
Quinn apoiou sua mão na base das costas de Rachel e a direcionou à entrada lateral do prédio alto, onde o restaurante se localizava. Era o edifício empresarial mais alto de toda Lima. Entraram e Quinn cumprimentou o porteiro pelo nome.
Q: Oi Juan! Boa noite!
J: Boa noite, princesa!
Q: Podemos subir?
J: Claro! Não esqueça de escorar a porta.
Q: Não esquecerei. — respondeu com um sorriso em agradecimento.
Rachel estava confusa e não conseguiu permanecer calada.
R: Para onde estamos indo e como você conhece o porteiro?
Q: Estamos indo para o topo do prédio. E conheço o Juan porque ele foi o anjo que me permitiu levar você até lá em cima, já que não é permitido para pessoas de fora.
R: E como você conseguiu?
Q: Disse que precisava mostrar as estrelas ao meu amor... — disse olhando-a nos olhos.
Rachel corou e engoliu seco. E, mais uma vez, Quinn a fez se arrepiar. Ao chegarem no destino, Quinn abriu a porta do terraço e indicou a Rachel que entrasse primeiro. A morena ficou sem palavras e maravilhada com o que via. O chão estava completamente coberto por flores brancas, que a morena logo identificou como sendo lírios. A vista permitia que visse quase toda a cidade de Lima, ali a seus pés. As luzes pareciam um reflexo do céu, com estrelas espalhadas pelo chão. Quinn percebeu que a morena estava maravilhada e se aproximou, abraçando-a por trás. Pôs o queixo em seu ombro e colocou os braços em volta de sua cintura. Rachel levou as mãos às mãos de Quinn e entrelaçou seus dedos, deixando-se aconchegar no corpo da loira. Esta, então, perguntou:
Q: Gostou daqui?
R: É lindo! Definitivamente é a vista mais linda que já tive dessa cidade. Talvez de todas as cidades em que já estive. As flores são lindas. Não são rosas... São lírios! — falava emocionada. — E seu cheiro... Seu cheiro me embriaga...
Q: Que bom que gostou! — respondia aliviada.
R: Amei! Mas, por que me trouxe aqui?
Quinn saiu do abraço e colocou-se ao lado de Rachel e começou a gesticular, apontando para aquilo que citava:
Q: Porque eu quero que você olhe toda essa cidade aos seus pés, todas essas luzes, e saiba que o que te espera, a partir de agora, é muito maior do que isso. Quero que lembre, ao olhar as estrelas em NY, que aqui, nesta cidade, tudo começou. Sua vida começou, seu talento e o meu amor por você...
Rachel olhava Quinn, completamente hipnotizada. Cada palavra que saía dos lábios rosados, parecia invadir sua pele, possuí-la por inteiro. Percebia, naquele momento, o quão incrível é Quinn, o quanto é inteligente e apaixonante!
Q: Aqui, no alto de tudo e de todos, acima do nosso passado, deixando de lado todo o medo, eu quero dizer que eu acredito em você. Acredito que você será o nome mais famoso dessa cidade e que será um nome conhecido no mundo todo. Que esse brilho que você tem, levará você aonde você quiser. E aqui, eu quero dizer novamente que eu te amo! Aqui, olhando para essas luzes, olhando as estrelas, eu quero lhe dizer que a melhor coisa que aconteceu na minha vida foi ter conhecido você, e ter me apaixonado... Aqui, tendo a cidade onde nossa história começou como testemunha, eu quero dar mais um passo nessa história que estamos construindo e pedir que você seja minha garota, minha namorada.
Rachel já estava chorando pelas palavras ditas por Quinn. Tremia, mas não era de frio. Quinn colocou a mão esquerda em seu pescoço, a mão direita em sua cintura, beijou-lhe o olho direito, depois foi passando o nariz pelo nariz da morena, relembrando o primeiro beijo das duas, há poucos dias. Poucos dias... E tudo mudou! Tudo se transformou em menos de uma semana... Quando chegou aos lábios de Rachel, Quinn, enfim, perguntou:
Q: Quer namorar comigo?
R: Sim! Claro que quero! — respondia sorrindo, enquanto uma lágrima caía.
Q: Por que chora? — perguntou preocupada.
R: Porque é muito bom sentir o seu amor... — respondeu olhando-a com os olhos cheios de lágrimas.
Quinn a beijou apaixonadamente. Rachel gemia com os movimentos da língua da loira. Sentia todo o amor de Quinn por ela naquele beijo.
Estavam abraçadas novamente, admirando a vista da noite de Lima. Quinn por trás, com a cabeça apoiada no ombro direito de Rachel, dando-lhe breves beijos no pescoço e no ombro, fazendo carinho naquela região com seu nariz.
R: Quinn...
Q: Hum...
R: Por que lírios?
Q: Pelo significado.
R: Eu acho que não me lembro o que significa...
Q: Significa: “Eu te desafio a me amar...” — disse sussurrando no ouvido da morena.
Rachel fechou os olhos com o arrepio provocado pela resposta e pela voz que lhe quebrava as defesas. Virou para Quinn, segurou seu rosto com as duas mãos e a olhou nos olhos:
R: Eu acho que já te amo... — disse com o olhar emocionado e cúmplice que confirmava que aquelas palavras eram a mais pura verdade.
Quinn não conseguiu segurar as lágrimas que começaram a cair, e Rachel começou a enxugá-las, beijando delicadamente o caminho que faziam.
R: Mas eu vou me esforçar para ter certeza e te convencer, certo?! — sussurrava.
Voltaram a se beijar. Finalmente Rachel entendia o que sentia, mas não podia dizer que tinha certeza. Precisava respeitar Quinn e só dizer quando fosse uma certeza plena. Sabia que era só questão de tempo até se sentir segura para falar. Ver que Quinn estava disposta a fazê-la feliz a fez perceber que nada poderia ser mais perfeito do que aquele relacionamento, onde ela sabia que era amada, respeitada e admirada.
R: Acho que posso dizer que, finalmente, eu estou me encontrando em você...
Notas finais
Agora estamos chegando perto de NY e muita, muita coisa ainda vai acontecer... ;)
Obrigada por acompanharem e pelos comentários! bjos
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