Você Sempre Esteve Em Mim

15 Capítulo 15 - Estupidez, conselhos e sinceridade


Notas iniciais
Música do Capítulo: Ben Harper - I Love Her

Rachel despertou e ao se espreguiçar, viu que estava sozinha na cama. Levantou-se rapidamente e, sentada sobre a cama tentava se convencer de que Quinn não havia ido embora sem se despedir. Olhou ao seu redor e viu o vestido da loira ainda sobre a cadeira e o celular na mesinha lateral da cama. Bom, Quinn não havia ido embora. Ficou aliviada. Mas onde ela estava? Viu as horas: ainda eram 07:45am. Por que Quinn já estava acordada? Deitou-se novamente e se viu abraçando o travesseiro com o cheiro da loira. Ficou embriagada com o perfume perfeito. Lembrou da noite passada e sorriu ao lembrar da sensação maravilhosa de ter Quinn Fabray a abraçando durante o sono, com a respiração batendo em sua nuca... Resolveu se levantar, foi ao banheiro, escovou os dentes, lavou o rosto e foi à procura de Quinn. Enquanto descia as escadas, ouvia vozes na cozinha e não acreditava no que seu ouvido lhe indicava: Quinn e Hiran estavam conversando tranquilamente. Seu olhos, então, provaram que isso era real.

R: Bom dia! — dizia com um sorriso confuso e surpreso.

H: Bom dia, filha! — respondia com um sorriso acolhedor.

Q: Bom dia, Rach! — respondia com um sorriso doce.

R: Por que você acordou tão cedo? — dirigia-se à Quinn.

Q: Eu fiquei com sede e não quis te acordar. Acabei encontrando seu pai aqui na cozinha...

H: É... E ficamos conversando. — disse sorrindo.

R: Sobre? — perguntava temerosa.

H: Sobre você, é claro!

R: PAPAI! — falava um pouco irritada – Vocês não teriam outro assunto para falar, não?!

H: Claro que não! Quinn precisa saber tudo sobre você. — respondia com um sorriso ainda maior.

R: Papai, não deveria ter feito isso!

Q: Eu gostei das coisas que ouvi. — sorriu dando uma piscadinha.

H: E o mais importante, é que eu e Quinn nos demos muito bem! Somos melhores amigos agora. — falou sorrindo amplamente e batendo palmas.

Q: hahahahahahaha Verdade! Seremos inseparáveis agora. — entrava na brincadeira.

R: Não tem graça. Vocês estão curtindo com a minha cara. — falava fazendo birra.

H: Estrelinha! Menos, por favor! Escute... Vou trabalhar. Seu pai já saiu e preciso ir também. Prepare um café reforçado para Quinn, porque, até agora, ela só bebeu água.

R: Certo. — respondia séria.

H: Quinn, querida, volte sempre! A casa é sua. — disse deixando um beijo na testa da loira.

H: E você... deixe de birra e se comporte! — disse beijando o topo da cabeça da filha e saindo de casa.

Q: Você está chateada porque eu estava conversando com seu pai? — perguntou calma.

R: Não. — respondeu seca.

Q: Ok. — respondeu, percebendo que Rachel havia ficado incomodada, só não entendia o porquê.

Q: Vou me trocar para ir pra casa. — falou levantando-se para sair da cozinha.

R: Eu vou preparar o café para nós duas. — disse, sabendo que havia chateado Quinn, mas sem saber como contornar a situação.

Q: Não estou com fome, Rach. Mas obrigada! — seguiu em direção ao quarto.

Rachel a seguiu um pouco depois e ao chegar no quarto, viu que Quinn já havia se vestido, e calçava os sapatos para sair.

R: Não quero que você vá agora. — falou um pouco sem graça.

Q: Mas eu quero ir agora. — disse séria.

R: Você quer?

Q: Sim! Acho que está hora de ir. — permaneceu séria.

Então, Quinn se levantou e pegou seu celular para ir embora, quando Rachel, enfim, disse:

R: Desculpa!

Quinn a olhou e perguntou:

Q: Você ao menos sabe por que pede desculpas? — perguntou com a voz calma, porém séria.

R: Pela forma como agi lá embaixo.

Q: Há alguma explicação lógica para você ter se incomodado tanto com o fato de eu ter conversado com seu pai? Eu teria que encontrar com ele e ser mal-educada? Não falar?

R: Não... Não é isso...

Q: Você tem vergonha de mim? É isso? — perguntava ofendida.

R: NÃO! Que absurdo é esse?! Claro que não!

Q: Então me explica qual o problema? — perguntava incomodada.

R: Não sei... Eu só, achei estranho. Não sei porquê... — respondia insegura.

Q: Certo... Enquanto você descobre, eu vou indo... — disse saindo do quarto.

R: Quinn! Espera. Eu já pedi desculpas! Não vamos brigar por uma coisa que eu nem sei o que foi.

Q: Não estamos brigando. Eu estou indo embora antes que briguemos. Eu não quero ficar aqui agora e não quero que você tente se explicar agora. Você me fez me sentir mal diante do seu pai, porque sei lá por qual motivo, a ideia de me ver conversando com ele lhe desagradou. Então eu estou indo... Depois nós conversamos!

Quinn saiu rápido da casa e nem olhou para trás. Acelerou o carro e seguiu... Automaticamente, acabou desviando do caminho de sua casa e, quando viu, estava em frente à casa de Santana.

S: Pelo amor de Deus, Fabray! Você sabe que horas são? Será que eu vou ter que cortar você da minha vida para poder dormir em paz? — dizia a latina quando Quinn sentou à beira de sua cama.

Q: Desculpe, Santana! Mas eu preciso conversar!

S: Não tem outra pessoa em toda essa estúpida cidade para te ouvir antes de eu acordar?

Q: Não! Tem que ser você...

S: Ou seja, é sobre a Berry!. — dizia já se levantando em direção ao banheiro.

Q: É... é sobre ela.

S: Então deixa eu escovar os dentes antes, porque se eu tiver que sair de casa para partir a cara dela ao meio, eu preciso estar pronta.

Q: Não exagera, San...

S: Fala! — disse voltando ao quarto e sentando em frente à Quinn.

Q: Eu dormi na casa dela e...

S: Huuuuuum, que gostoso!

Q: Não, Santana! Para! Não é nada disso... Você pode, por favor, escutar?

S: Tá, irritadinha... estou ouvindo.

Q: Então... Eu acordei primeiro e acabei encontrando com um dos pais dela na cozinha e começamos a conversar. Nós, realmente, estávamos tendo uma conversa ótima e divertida. Eu fiquei sem graça quando ele começou a falar comigo, mas logo percebi que estava sendo gentil, tentando me deixar à vontade na casa dele, ou melhor, na casa dela! Tudo por ela... Ele sabe sobre nós, porque Rachel já contou a ele... Então, ela chegou na cozinha e se incomodou com o fato de estarmos conversando.

S: Por que?

Q: Não sei... E ela não soube explicar. Disse apenas que achou “estranho”. A única coisa que consegui deduzir era que ela estava com vergonha de mim, da minha presença, do que eu significo.

S: Não seja estúpida, Fabray!

Q: Você está do lado dela?

S: Não! Ela também é uma estúpida. Mas, com certeza, não se trata de vergonha de você. Talvez, ela tenha ficado sem graça, porque você passou a noite na casa dela e ficou de papinho com o pai dela. O fato de você ser uma garota, Quinn, não faz diferença quando você dorme com a filha de alguém.

Q: Mas a gente não fez nada demais! — disse se defendendo.

S: O pai dela sabe que vocês não fizeram nada demais?

Q: Por que ele pensaria o contrário?

S: Você é mesmo estúpida? Os pais sempre vão pensar o contrário!

Q: Mas ele não parecia estar incomodado com minha presença lá. Não parecia pensar nisso.

S: Mas, provavelmente, Rachel não percebeu que o pai dela não se incomodava. Deve ter ficado constrangida por ter sido “pega em flagrante” com você.

Q: Não fomos pegas.

S: Você entendeu...

Q: Será que foi isso?

S: Quase 100% de chance de ter sido. Porque eu sempre acerto, Fabray. Tenha isso em mente...

Q: Bom... Depois eu vejo isso, porque já saí de lá chateada e tenho certeza de que, ainda hoje, vamos ter que conversar.

S: Era só isso que você queria com minha sábia pessoa?

Q: Era... Quer dizer... Não! Assim... Eu quero te perguntar umas coisas, mas preciso que você prometa que vai responder sério. Que não vai rir.

S: É claro que eu não prometo que não vou rir, Fabray. Você sabe que eu vou rir. Mas prometo responder sério. É suficiente para você?

Q: É... Acho que serve...

S: Então vamos lá... Pergunte!

Q: Bom... Como foi que você soube o que fazer com a Brit quando as coisas entre vocês começaram a ficar, assim... mais quentes? — perguntava completamente vermelha, olhando para qualquer lado, menos para o rosto de Santana.

S: Espera... — Santana fechava os olhos, controlando o riso. — Você está me perguntando sobre sexo? Jura, Fabray?!

Q: O que há de engraçado nisso?

S: Você não é virgem, Quinn. Você sabe o que fazer. — dizia, constatando o óbvio.

Q: Não com uma garota...

S: Sexo é sexo. Sempre vai ser diferente, mas sempre vai ser sexo.

Q: O que? Que lógica é essa? E com ela nunca vai ser só sexo...

S: Vou desenhar para você... — dizia sarcástica.

S: Não importa o quanto você saiba sobre sexo na teoria, na prática, você vai sempre se surpreender. Você já transou. Sabe que cada vez é diferente. Tirando o fato de que se trata de outra garota, além de você, tudo se resume em explorar o desejo, em deixar fluir, em toques. Eu sei que você é a ativa dessa relação e...

Q: Por que você pensa que eu sou a ativa? Para seu governo, Rachel sabe muito bem provocar...

S: Ou seja, ela provoca e você age... — disse dando uma piscada para ela – Eu te conheço, Q... Há muitos anos eu te conheço. E também conheço a Berry... Sei que nessa relação de vocês, você é a que conquista, ela é a que precisa ser cortejada, que precisa de atenção. Isso refletirá na cama, tenha certeza disso. Comparando comigo e Brit: Você sou eu e Rachel é Brit.

Q: Faz sentido. — disse sem graça.

S: Claro que faz! Sou eu que estou falando e eu sempre tenho razão! Bom... então, diferente de qualquer relação que você já teve, essa vai exigir mais de você, porque você terá que agir mais do que agiria. Você vai ter que “sentir” o que fazer. Sentir os limites, o que ela permite que você faça. Só preste atenção. Preste atenção nela. O desejo dela vai lhe mostrar o caminho que você deve seguir para satisfazê-la e o seu desejo vai responder a isso, e lhe dizer o que fazer, onde tocar e como tocar. O mais importante é que você deverá tocá-la como você quer ser tocada. Entendeu?

Q: Entendi...

S: Mas, Q... Vocês já estão nessa fase?

Q: Não... Quer dizer, concluímos que é cedo, mas quando estamos juntas, às vezes é muito fácil perdermos o controle... Chega a ser quase impossível resistir a ela... — respondia encabulada.

S: Mas é o que você quer? Você acha que se vocês perderem o controle agora, você estará fazendo o que você realmente quer?

Q: San... Isso martela em minha cabeça. Esse desejo quase animalesco que eu sinto por ela. Eu desconheço esse sentimento porque eu nunca senti isso por ninguém. Quando estou com ela, é como se tudo o que sei não fizesse o menor sentido. Tudo o que aprendi deixa de ter uma lógica, porque ela está ali, ao meu alcance e tocá-la é tudo o que preciso. Vai ser um exemplo esdrúxulo, mas é como se eu fosse cega e ela fosse uma leitura em braile: tocá-la me faz enxergar tudo diferente.

S: Oh meu Deus, Quinn! Isso foi absolutamente romântico e incrivelmente BREGA! Quase vomito com tanta doçura. Fiquei enjoada, juro! — dizia sorrindo com ironia — Mas foi lindo, devo admitir... — dizia com um sorriso compreensivo.

Quinn avançou sobre ela e a abraçou.

Q: Obrigada, San! Você não faz ideia de como está sendo importante para mim poder contar com você. — agradecia com sinceridade, deixando uma lágrima cair discretamente.

S: Bobagem... Somos amigas, faço tudo por você! Mas se você disser isso para alguém eu digo que você é uma louca mentirosa. — dizia em tom de ameça.

Q: hahahahaahahahah Não direi.

S: Agora vá embora daqui e resolva essa merda de briguinha ridícula que vocês duas estúpidas tiveram.

Q: Não foi briga.

S: Pouco importa... Só resolva.

Q: Ok. — deu mais um abraço na amiga e se dirigiu à porta, sendo interrompida pelo chamado de Santana.

S: Q! Sério: quando tiver a chance de usar essa coisa de braile e tal, diga para ela. Ela vai gostar. — disse com um sorriso sincero. — Seu “micro-projeto de sensualidade”, quer dizer, Rachel, vai gostar! — dessa vez, ria com mais entusiasmo, orgulhosa pelo apelido inventado.

Q: Obrigada! Usarei. — deu uma piscadinha e saiu sorrindo.

Quinn dirigiu até em casa, agradecendo a Deus por ter Santana em sua vida. Sabia que não conseguiria passar por essas mudanças, nem com as coisas que sabe que terá que enfrentar, sem a força da amiga. Ao se aproximar de casa, avistou de longe que havia alguém sentado nas escadas da entrada. Era Rachel. Sabia que teriam que conversar, mas não imaginava que tão cedo. Nem que a morena iria atrás dela. Parou o carro na garagem e foi ao encontro dela. Rachel não se levantou. Permaneceu sentada. Então Quinn sentou-se ao seu lado.

R: Eu te liguei milhares de vezes e seu celular só dá caixa-postal. Cheguei aqui e não tinha ninguém em casa. — disse com a voz baixa.

Q: Eu desliguei meu celular. Passei na casa da Santana antes de vir. — respondeu naturalmente.

R: Desligou por raiva? Raiva de mim? — perguntava triste, direcionando o olhar para ela.

Q: Não. Eu só não queria falar agora.

R: Quer que eu vá embora? — perguntava, tentando compreender a vontade da loira.

Q: Não. Não quero que você vá. — estendeu a mão para ela e se levantou. — Vem, vamos subir e conversar.

Rachel a seguiu. Entrou no quarto de Quinn e lembrou que só esteve lá duas vezes e em situações que envolviam o clube Glee. Era bom voltar àquele lugar. Tinha o cheiro de Quinn... E a personalidade dela espalhada em quadros, desenhos, livros (muitos livros), cds, dvds... Tudo muito ela...

Q: Você quer começar ou eu começo? — perguntou enquanto fechava a porta.

R: Eu quero começar.

Q: Estou ouvindo.

R: Eu não tenho vergonha de você. Nunca pense isso! Nunca! — dizia séria, com a voz um pouco hesitante, mas mantendo a postura.

R: Eu não sei porque me comportei daquela forma, mas eu sei que foi estranho ver você falando com papai na minha ausência, porque eu não sabia o que estava sendo conversado. Eu havia falado com ele sobre nós, porque precisava entender algumas coisas que eu acho que ele poderia me ajudar. E ajudou. Eu não queria que ele falasse ou que vocês falassem, alguma coisa que pudesse nos afetar... Quando eu conversei com ele, eu fiquei sem graça porque ele me perguntou se nós tínhamos transado e... Meu Deus! Não é o tipo de pergunta que se recebe do pai com naturalidade. Com você dormindo, de novo, lá em casa, ele vai me perguntar mais uma vez, porque conheço meus pais, e o papai sempre acha que estou escondendo algo. Eu só não me sinto à vontade em ter nossa intimidade especulada por meu pai, sendo que nós ainda estamos lidando com isso de forma tão cuidadosa. — finalizava soltando a respiração.

Q: Sabe... Acho que Santana é mesmo sábia. Ela acertou, em tese, o motivo de você ter agido como agiu.

R: Você falou com ela sobre nós? — perguntava sem graça.

Q: Sim. Mas não se preocupe. Eu confio em Santana e você também pode confiar. Ela tem sido muito importante para mim agora. Acredite...

R: Eu acredito em você... Então... Você me desculpa? — perguntava enquanto olhava Quinn de um jeito apenado.

A loira se aproximou dela e a beijou delicadamente os lábios.

Q: Eu desculpo se você me desculpar também. Eu não deveria ter saído sem conversarmos.

R: Então estamos quites?

Q: Sim. Estamos quites. — disse voltando a beijá-la.

O beijo foi ficando mais intenso, com Quinn empurrando Rachel até a parede. As duas se beijavam com paixão. As mãos da morena foram direto para o pescoço da loira, arranhando a nuca e prendendo os dedos nos cabelos loiros que tanto mexiam com ela. Enquanto isso, Quinn segurava fortemente a cintura de Rachel, ao mesmo tempo em que posicionava sua coxa direita entre as pernas da morena, fazendo esta tremer de excitação com o toque. As mãos de Quinn passaram a percorrer o corpo de Rachel com fervor, enquanto sua boca e língua deslizavam entre o maxilar e o pescoço da morena. A mão direita percorreu a barriga de Rachel por baixo da blusa e seguiu diretamente para o seio esquerdo da garota. Dessa vez não houve pausa, nenhuma das duas se assustou. Quinn massageava o seio de Rachel sobre o sutiã, ouvindo os gemidos da garota, quer dizer, de SUA garota, misturarem-se com os seus. Os limites todos estavam sendo extrapolados. Então, o celular de Rachel tocou... Ela não se importou em atender, mas o clima já havia sido quebrado. Devagar, a urgência do momento começou a passar. Quinn retirou sua mão debaixo da blusa de Rachel, enquanto esta a olhava nos olhos com total cumplicidade. Quinn ia se afastar por completo, quando Rachel a segurou. Ambas ainda tinham a respiração ofegante. Rachel a beijou com adoração. Um beijo sentido, porém delicado. Sua língua dominava a boca de Quinn, que se deixou levar completamente. Então, o beijo foi parando, até terminar em um selinho carinhoso. Quinn se aproximou do ouvido de Rachel, deu-lhe um beijo no pescoço e, com a voz rouca, disse:

Q: Você me deixa louca! Tocar você me faz enxergar tudo de um modo diferente. E não vejo a hora de te mostrar isso... De te mostrar o que você me faz ver... e sentir...

Rachel estremeceu e apertou o abraço em Quinn. A hora podia não ser aquela, mas a loira pôde sentir que Santana, tinha mesmo razão...


Notas finais
Espero que continuem gostando. Estou amando os comentários! Obrigada por eles! :)