Você Pode Ouvir Meu Coração?
25 Capítulo 25
Ela ficou um pouco diferente depois do que eu disse, mas eu tento não pensar nisso enquanto estou parado nesse semáforo, porque eu disse aquilo da forma mais carinhosa possível. Eu realmente a amo... como uma amiga.
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Já faz mais de uma semana que eu estive na casa da Emilly. O aniversário do Liam passou, ela não ligou, acho que ele nem percebeu,ele até estava com uma outra garota na festa, mas pra mim essa falta de contato só significa uma coisa: ela realmente não quer ter contato com nenhum de nós e em especial, eu.
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Já são onze da noite, fizemos um show hoje á tarde para milhares de fãs, tudo foi tão incrível, todos estavam tão animados e eu fiz o meu melhor para parecer bem por dentro, como demonstrei estar por fora.
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Acabo de sair do banho no meu quarto de hotel. Estamos no Canadá e a noite está fria. Eu sei que ainda está cedo para ir pra cama, mas meu corpo está muito cansado. Os outros caras da banda estão reunidos em algum quarto desse hotel jogando algum game. Eu fiquei lá por um tempo,mas decidi subir para tomar um banho.
Eu apago as luzes e me deito na cama. Eu liguei pra Julliet hoje mais cedo. Já faz tempo que não falo pessoalmente com ela,mas ela sempre liga pra saber como estou. Conversei com os caras da banda e eles me perguntaram se eu estava bem, menti que sim. Talvez só quem ainda anda desconfiando que isso não seja verdade, seja o Louis.
Eu olho para o teto do quarto e relembro que meus últimos pensamentos só envolvem ligações feitas, ou não feitas.
Eu me viro pro lado e vejo meu celular em uma mesinha próximo da cama. Eu olho para aquele aparelho ali por uns segundos. Ergo minha mão na direção dele e o pego.
Deslizo o dedo na tela visualizando os contatos. O número dela ainda está ali, a foto dela ainda está ali. E eu tenho olhado essa foto todas as noites, como se fosse uma prece particular.
Mas em nenhuma outra noite eu tive tanta vontade de ouvir a voz dela, como eu tenho agora. Eu sei que fiz uma promessa de não procurá-la por um tempo até ela poder pensar em tudo,mas eu preciso muito ouvi-la agora.
Eu coloco meu número em restrito, aperto o botão de chamar e fecho os meus olhos me arrependendo no mesmo instante que o faço.
Mas já que fiz, eu coloco o telefone próximo ao ouvido e o ouço chamar, e a cada chamada em que ela não me atende, eu me sinto aliviado e triste ao mesmo tempo.
Alguns segundos depois ouço ela dizer com uma voz feliz:
__Oi, é a Emilly...
Meu coração fica acelerado. Eu me sento na cama e eu tenho um sorriso tão grande no rosto. Mas depois a voz do outro lado continua:
__No momento eu não posso atender. Então deixe seu recado após o sinal.
Eu não tenho mais aquele sorriso de segundos antes, porque me dou conta de que aquilo é apenas uma gravação.
Eu me deito na cama. Eu ligo novamente, porque ainda preciso ouvir um pouco mais, aquela voz. Eu faço esse jogo auto destrutivo mais algumas vezes, até cair no sono.
...
De volta pra Londres.
Já é fim de tarde e estamos na casa do Liam, para variar.
Eu saio da sala de jogos e vou até a cozinha pegar alguma coisa pra beber, perder sono me deixa com sede e na noite passada eu dormi muito pouco depois do show.
Eu opto por um suco de laranja e assim que termino de encher meu copo e colocar a jarra novamente na geladeira, alguém me abraça por trás e diz em meu ouvido:
__Senti saudades!
Por um segundo, eu sinto meu coração parar.
Me viro com um sorriso enorme no rosto e me deparo com a Julliet.
Juro que por um segundo eu imaginei que fosse outra pessoa.
No entanto eu não deixo que ela perceba que o meu sorriso diminuiu consideravelmente depois de ver que não era quem eu realmente esperava. Ela não merece que eu haja como um idiota com ela.
Então eu digo:
__Julliet! Eu também estava com saudades!
Ela se afasta de mim e me olha sorrindo. Eu vou até ela e a abraço.
__Estamos na sala de jogos. Você quer ir lá dar outra surra no Nial, naquele game?
Ela ri, eu passo um dos meus braços por sua cintura e a conduzo até onde os outros caras estão.
Vê-la ali se divertindo me faz perceber que eu também senti muito, a falta dela.
...
Já é um pouco tarde da noite. Eu vou pro meu quarto tentar recuperar meu sono perdido da noite passada.
Alguns minutos depois de me deitar, ouço meu celular vibrando perto do meu travesseiro. Eu o pego e olho na tela. Minha vista ainda não se acostumou com a claridade, porque eu já tinha pegado no sono. Depois de uns segundos consigo ler: Número desconhecido.
Eu atendo ainda meio chateado com a pessoa, que ousa me ligar uma hora dessas e ainda não se identificar.
Eu digo:
__Oi!
A pessoa do outro lado não responde de volta. Eu digo mais uma vez:
__Oi! Olha eu tô muito cansado, então se você quer alguma coisa, diz logo de uma vez!
Ouço apenas a pessoa do outro lado respirar fundo.
Então eu me dou conta de que pode ser a pessoa com quem eu mais quero falar no momento, não importando o quanto eu esteja me sentindo cansado, porque para ela eu nunca, jamais vou estar.
Eu me sento na cama e digo:
__Emilly! É você?
A pessoa desliga imediatamente o telefone.
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