Finalmente tinha voltado para casa. Já estava cansada de ter que ir e voltar da minha casa para o manicômio. Sim, manicômio. Culpa do meu vício.

Uns chamam de vicio outros de amor. Tanto faz para mim. Abri a porta de casa e fui recebida com uma lufada de ar abafado.

Retirei os sapatos, troquei de roupa e peguei o meu violão. Comecei a tocar a música tão conhecida.

Logo pude sentir as feridas se abrindo novamente, mas não parei de tocar. Aquela música me fazia lembrar dele.

Uma gota caiu no meu violão e percebi que era minha. Estava chorando! Estava chorando por causa do homem que me fez ir pro manicômio. Ele fazia falta, mas eu não podia vê-lo. Não queria ser magoada por ela de novo.

Ouvi a campainha tocar. Caminhei lentamente até a porta e a abri.

Lá estava ele, lindo como sempre com aquele olhar penetrante que me fazia arrancar suspiros.

– Vá embora – ordenei tentando fechar a porta.

– O que aconteceu? – perguntou empurrando a porta para que eu não a fechasse – É sempre assim. Eu chego aqui e você vem fechando a porta na minha cara. Conta-me o que aconteceu, por favor. Eu quero poder te ajudar.

As lágrimas rolaram pelo o meu rosto. Por que ele tinha que voltar? Por que ele é tão teimoso? Por que ele simplesmente não me escuta e vai embora? Era sempre assim; ele vinha aqui e abria todas as feridas antigas, e me fazia voltar para o manicômio.

– Apenas vá embora, Tom – disse suspirando alto – Eu não quero voltar para lá. Você é o meu vício. Escute-me, Fletcher, vá embora e não volte mais. Eu quero ficar em paz e te esquecer. Eu te amo mais que tudo na minha vida. Eu sei que esse amor não é recíproco, então, por favor, me esquece. Eu não agüento mais ouvir sua voz. Eu não agüento mais ter que te ver. Eu não agüento mais ter que sofrer por você.

Ele abaixou o olhar triste. Talvez ele tivesse percebido que me fazia mal.

Fechei a porta e corri para o banheiro. Lavei o rosto e fitei-me no espelho. O meu coração estava apertado. Por que eu voltei para casa? Por que eu tive que vê-lo? Respirei fundo, peguei um pedaço de papel e escrevi um bilhete para Tom.

Sai de casa e empurrei o bilhete em baixo da porta do Tom. Voltei para casa correndo e sentei-me no chão frio. A frase que escrevi no bilhete ecoou na minha mente:

Você me faz tão bem, mas ao mesmo tempo tão mal, Tom.

As vezes eu não sei se você é um anjo ou um demônio.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!