Você
14 Capítulo 14
Você já arrumou o seu cabelo dezessete vezes. Tudo bem que o seu cabelo é curto demais para que qualquer coisa que você faça nele seja realmente perceptível, mas a aflição o impulsiona a continuar, afinal, Koujaku é cabelereiro, e você imagina que esse tipo de coisa seja muito importante num encontro com ele. Era isso ou ficar olhando para as horas no coil. Normalmente você optaria pelo coil, mas tinha o detalhe de que você e Koujaku não haviam estipulado nenhum horário específico, apenas que estariam ambos nesta noite no Black Needle para o encontro. Diante dessa realidade, restava a opção de esperar o tempo passar a fim de não chegar tão cedo e parecer ansioso demais – já que se dependesse da sua vontade, você ficaria de plantão na frente da Black Needle esperando o Mizuki abrir.
Segundo Usagimodoki, você poderia morrer de hipotermia se o fizesse.
É o primeiro encontro da sua vida, e você sabe que está a um passo de surtar, tanto que você tomou dois banhos por conta do suor que insistia em brotar da sua pele a despeito do frio, e mais um por ter acabado se passando perfume demais. Você também escovou os dentes cinco vezes, apenas para garantir.
Você suspira e olha as roupas jogadas em cima da cama. Você não tinha muitas, mas estavam todas ali. Você havia experimentado quase tudo, mas nada lhe satisfazia. No fim, tudo que você conseguiu foi vestir uma calça jeans escura, um pouco colada demais – mas que você faz o sacrifício por achar que a peça pode atrair os olhos de Koujaku para a sua bunda, e isso seria muito legal – e uma camiseta preta de mangas compridas escrito ‘Erro 404’. Você imagina que quase ninguém lá entenderá a mensagem, mas você a escolheu porque achou que as escritas ‘Rhymers têm o hard driver maior’ e ‘Eu sei o seu IP’ poderiam criar problemas. Além disso, você já colocou as ataduras e munhequeiras de sempre, pois você sabe que as cicatrizes em suas mãos atraem atenção e perguntas desnecessárias.
É insuficiente, você supõe, e por isso volta a cavar a sua pilha de roupas em busca de algo que possa incrementar o seu visual. Uma boina preta e verde, em um padrão de estampa muito semelhante ao do seu gorro perdido parece ser a salvação para o inexistente problema com o seu cabelo, e você tem certeza que o colete branco vai combinar com a camiseta. Você também separa um cachecol verde neon, afinal a temperatura apenas caiu ao longo do dia, mesmo que você não sinta. Você pensa em colocar a jaqueta de couro, mas com receio de ficar parecendo que se arrumou demais, você optar por uma de material sintético. Verde e preta também, é claro, para combinar com o resto das peças. Oh sim, e botas. Botas de trekking. Ninguém nunca erra usando botas de trekking, você tem certeza! Agora é só pendurar os seus allmates e... Você está pronto!
Você suspira um pouco aliviado e se senta, e agora sim começa a olhar para o coil. Ainda é bem cedo, e você começa a bater o seu pé no chão angustiado. Tenta jogar alguma coisa com o Usagimodoki, mas a falta de concentração não permite.
– Noiz está nervoso. Pi!
– Não me diga. – Você comenta com desdém, revirando os olhos.
– Os batimentos cardíacos dele estão fortes e acelerados, e a temperatura corporal das extremidades dele diminuiu, pi! Ele está com os músculos das costas tensos e a respiração desregulada. Pi!
Aquela observação o irrita, e você decide ir para o Black Needle antes que enlouqueça. Obviamente, você chega cedo demais, mas pelo menos não deu de cara com uma porta fechada. Mizuki estava ali no balcão servindo e conversando com alguns membros do Dry Juice, e tão logo te avista, o tatuador acena para você e o chama animadamente. À medida que você se aproxima, todavia, o sorriso dele vai se transformando em uma estranha expressão de espanto.
– Nossa Noiz... Você está... – Ele comenta enquanto te analise de cima a baixo com uma sobrancelha erguida em incredulidade.
–... Estou..? – Você tenta incitá-lo a continuar, mas ele para de te encara e volta ao sorriso amigável de sempre.
– Nada. Enfim, que bom que você veio! Fazia tempo que você não aparecia, estava preocupado já. Vai beber o quê?
– Hum, estava resolvendo umas coisas. – Você responde um pouco desconfortável enquanto se ajeita no banco alto e tira o casaco imaginado que a temperatura dentro do bar esteja mais amena. – E qualquer coisa que não seja amarga.
– Espero que esteja tudo bem agora. – Ele diz de forma amigável enquanto começa a escolher algo dentre garrafas arrumadas nas prateleiras que ficavam atrás do balcão.
– Está tudo bem, sim. – Nesse ponto qualquer conversa casual tendia a acabar, mas Mizuki tinha um talento para continuar a falar com você a despeito das suas respostas secas.
– O Aoba também estava preocupado com você. – Ele fala enquanto começa a preparar a sua bebida.
– Você acha que ele vem hoje? – Você indaga se sentindo um pouco culpado, afinal a presença dele poderia criar problemas nessa noite, por mais que Koujaku afirmasse não amar mais o amigo da mesma forma que antes.
–Não, ele não costuma vir nas noites de Rib. Por falar nisso, nem você. –Nesse ponto ele coloca na sua frente um copo alto contendo gelo e um líquido azul. Você cheira antes de dar um gole. O sabor é muito mais agradável do que o aroma forte de álcool, certamente, mas ainda assim você faz uma careta. –Algum motivo especial para você vir?
– Ah, eu tenho um encontro. – Você finge indiferença nesse momento, mas a verdade é que você estava morrendo de vontade de falar para alguém... Não, melhor, de gritar para que todos no bar escutassem. Não, melhor ainda, de tatuar ‘estou tendo um encontro’ na sua testa. Será que Mizuki toparia tatuar isso agora?
– Opa! Um encontro! Por que não disse antes? – Ele fica animado e tira abruptamente o copo da sua mão. – Isso pede um drink especial! – E nesse momento ele volta às suas garrafas. Em poucos segundos tem um novo copo na sua frente, dessa vez com um líquido branco. – Esse é o drink da sorte em encontros!
Você prova um gole e logo reconhece o sabor doce sobressaindo a um forte fundo cítrico de limão.
–Esse não é o drink que você fez para mim na última vez?
– O mesmo. É o meu famoso ‘Abridor de Pernas’.
–‘Abridor de Pernas’? – Você repete franzindo a testa. – Você disse que ele dava sorte no jogo.
– E não deu sorte no jogo que você estava jogando? – Nesse momento ele pisca para você com um olho só de maneira significativa, e tudo que você consegue fazer é arregalar os olhos, perguntando-se se você havia entendido direito.
– Então foi por isso que você insistiu para o velhote jogar?
Ele apenas alarga o sorriso e aponta com o queixo na direção da porta.
– Olha só quem chegou mais cedo hoje também. Será que devo preparar mais um desses para ele?
Nesse momento você se vira e seus olhos encontram imediatamente os de Koujaku. Ele acena para vocês e vai se aproximando, e a feição dele vai se desfazendo em espanto à medida que ele chega mais perto. Ele te analisa de cima abaixo em uma reação semelhante a de Mizuki.
–O que foi? –Você pergunta incomodado.
–Que foi o quê?
–Você estava me olhando estranho.
–Nada, é só que você está... Arrumado. –Ele comenta desviando o olhar, e bem...
Você imediatamente se sente ridículo, claro. Koujaku, já havia mencionado seu mau gosto para roupas em uma das suas brigas há muito tempo. Você não se importou na ocasião, é claro, mas dessa vez você realmente achou que conseguiria impressioná-lo de forma positiva. Não conseguiu, pelo jeito, e por isso você quer arrancar as suas roupas. Você realmente pensa na possibilidade de beber o suficiente para subir no balcão e se livrar de toda aquela vergonha, mas você não acha que Koujaku iria ficar muito contente com isso. Nem Mizuki, provavelmente. Por isso você se limita a tirar disfarçadamente – como se desse para disfarçar o ato de despir duas peças de roupa verde cítrico – a boina e o cachecol.
Você ia confirmar com ele se a roupa não havia ficado boa, mas o som de Mizuki pondo com força uma garrafa e um copo bem pequeno no balcão o distrai. Você reconhece aquela garrafa, é igual a que o tatuador te deu de presente no seu aniversário, e que você secou quando estava triste. A lembrança faz com que seu estômago se revolte um pouco, mas você o ignora a sensação bebendo um pouco da doce batida em sua mão.
– Conte as doses para eu te cobrar depois. – O ruivo diz sorrindo cínico, e o Koujaku já toma posse da garrafa, servindo-se de uma dose.
–Você teria coragem de cobrar um serviço merda desses? – O moreno brinca. – No bar do outro quarteirão teria uma loira sensual me servindo! – Ele comenta rindo, mas parece se lembrar da sua presença e para na mesma hora. Mizuki tenta sorrir para você a fim de confortá-lo, mas também parece sem graça com a situação, dizendo que precisa atender o resto do pessoal e se retirando.
Você tenta não se incomodar com aquele comentário, até porque você já havia escutado os dois brincarem com esse tipo de assunto muitas vezes antes, mas... Você se questiona se tudo não seria bem mais fácil de você fosse uma mulher.
Nesse momento, você olha para o homem mais velho e sabe que não. Não seria, afinal Koujaku é gay, você se conforta. Você tem certeza que ele é gay, e não bissexual. Com essa certeza você sorri e ergue o seu copo na direção dele, convidando-o mudamente para um brinde.
Ele demora um pouco para entender a sua intenção, mas logo encosta o copo dele ao seu e vira todo seu conteúdo de uma vez em seguida. Ele sorri também e ele olha para a sua roupa um tanto intrigado.
–Sobre o que é a sua camiseta?
–Hum... É uma coisa de informática. Era o que aparecia no antigo protocolo de conexão a internet quando o servidor não respondia.
–Ah... – Ele comenta claramente desinteressado e você subitamente compreende que você realmente não pertence àquele lugar. Você até já sabia disso antes, mas agora esse fato finalmente começa a incomodá-lo, pois agora você se sente patético. E mais nervoso. E mais desesperado. E você bebe em dois goles todo o conteúdo do copo na sua mão. Um calor reconfortante o preenche de imediato, e você apenas pensa que precisa mais daquilo, mas como Mizuki está longe e aparentemente ocupado, você olha com cobiça para o pequeno copo nas mãos de Koujaku.
– Quer uma dose? – Ele pergunta enquanto se serve de novo. – Tequila. – Você pensa em aceitar, mas você se lembra, ou melhor, você não se lembra do que aconteceu da última vez que você exagerou no álcool. Você não acha que terminar a noite com a cara enfiada numa privada seria um bom desfecho para um encontro, por isso você apenas faz que não com a cabeça. – Ainda traumatizado com o último porre? –Ele pergunta de forma amigável, deixando o copo ainda cheio sobre o balcão. Você faz o mesmo com o seu copo vazio.
– Um pouco. Meu corpo parece rejeitar a ideia.
– Normal. Nos meus primeiros porres eu passava um bom tempo sem beber depois. Depois de um tempo, eu passei a tomar um novo porre para curar a ressaca do dia anterior.
– Não parece uma ideia muito inteligente.
– Não é, mas demora uns anos até você sacar que não dá mesmo para beber todo dia. – Ele ri. – Não tanto, pelo menos.
– Mas para quê beber tanto? – Sim, você sempre quis saber. Dois ou três drinks eram o suficiente para que você se sentisse relaxado e ‘alegre’. Mais do que isso, depois das duas experiências que você teve, parecia no mínimo tolice.
– Hum... É uma coisa de homem, eu diria. Difícil explicar.
– Eu acho parecido com aquelas coisas que os gorilas fazem para se provar macho alfa, mas em vez de urrar e bater no peito, vocês veem quem vira mais doses.
Ele faz uma careta ante a comparação, e você teme tê-lo ofendido, mas logo ele ri levemente e responde.
– É, acho que é bem isso mesmo.
Você sorri. Você está feliz que ele tenha vindo – sim, a ideia de levar um bolo chegou a passar por sua cabeça, mesmo você sabendo que Koujaku podia ter todos os defeitos do mundo, mas não era esse tipo de pessoa – e está feliz que esteja tudo dando certo a despeito de seu problema inicial com as roupas. Ah, você ainda está com o colete branco. Você o tira também.
Nesse momento você se preparava para comentar sobre como o bar havia enchido rapidamente ou qualquer outra futilidade, mas uma voz alta e animada o interrompe.
– Ora se não é o nosso líder! Chegou cedo hoje! – Você olha para trás e identifica Kou, o braço direito de Koujaku no Beni-Shigure. Ele ignora completamente a sua presença e pega o velhote pelo braço, já o puxando, fazendo com que ele se levante. –Ei, o Hagima saiu do hospital hoje e nós vamos beber para comemorar!
– Ei, calma Kou! Espera! – O mais velho tenta detê-lo, mas o jovem o ignora, gritando para a as pessoas reunidas ao redor de uma mesa no fundo do bar.
– Ei Hagima! Ninguém bebe ainda que o chefe vai se juntar a nós! Mais uma dose na rodada, Mizuki-san!
E nisso você se vê sozinho no balcão do bar. Mizuki nota a sua situação e se aproxima tão logo serve as bebidas e vira uma dose junto aos membros do Beni-Shigure.
– Noite difícil, hum? – Ele pergunta com um guardanapo e um copo na mão, imitando perfeitamente alguns dos filmes de faroeste que você já viu. – Mais um drink?
– Mais cinco, por favor. – Você pede frustrado, recebendo um sorriso amigo enquanto ele volta a preparar a bebida para você.
– Tá tão difícil a situação?
– Eu devo ser a companhia mais entediante do mundo.
– Nem é, ele só foi cumprimentar o pessoal.
– Eu sei...
– Sinto muito que o Black Needle não seja o lugar mais romântico da cidade. Aliais, que lugar você foram escolher para um encontro, heim? Quer dizer, aqui pode ser bom quando já se está namorando, mas para um encontro inicial seria melhor um lugar mais reservado e sem tanta gente conhecida.
– Verdade...
– Se eu fosse você, arrastava ele daqui. – Mais uma vez ele pisca com um olho para você na tentativa de animá-lo, mas dessa vez não consegue. Você pega seu drink e bebe cabisbaixo, mas a bebida parece mais forte e você tem dificuldade em fazê-la descer pela sua garganta.
– Você acha que ele tem vergonha de mim? – Você pergunta repentinamente.
– Por que ele teria?
– Eu sou estranho, eu era Rhymer, eu sou homem. Aposto que se eu fosse mulher ele teria me levado para sentar no colo dele e exibir para os amigos.
– Você tem a opção de ir até lá e sentar no colo dele agora mesmo.
– Ele iria me odiar.
– Você acha? Eu digo que ele ficaria vermelho e sem reação.
– E depois brigaria comigo.
– É, talvez, mas sabe, acho que ia até ajuda-lo a sair do armário.
– Então você também tinha notado?
– Noiz, acho que só ele não tinha notado. Ah, e o Aoba também, que é tão cabeça de vento quanto ele. – Nisso você sorri concordando.
– Você acha que os outros amigos dele iam aceitar bem?
– Ah, o pessoal do Rib não é tão conservador... Eu já vi uns os rapazes fazem umas ‘brincadeiras’ bem pesadas quando estão muito bêbados ou loucos. –Ele faz referência ao uso de drogas, que era comum em alguns times, mas não no Dry Juice nem no Beni-Shigure. Mizuki e Koujaku eram bem rígidos com relação a isso. – E fora isso, por vezes se formam alguns casais dentro dos times. Atualmente tem um no Dry Juice, e todo mundo leva numa boa, então é comum esse tipo de coisa. É mais questão do próprio Koujaku aceitar a ideia de que tá saindo com um homem, e que isso é tão normal quanto sair com uma mulher. Tente ser paciente com ele nesse aspecto. – Você sorri agradecido, mas não muito convencido enquanto o ruivo pensativo bebe uma dose da garrafa que havia entregue a Koujaku. – Opa, ele está vindo, boa sorte.
– Espero que eu não tenha que pagar por essa dose! – O moreno chega falando, e o tatuador apenas dá os ombros.
– Vai negar bebida para um velho amigo?
– Quando esse amigo é o dono do bar, sim!
– Certo, certo! Hoje é por minha conta a bebida. Dos dois! Divirtam-se! – O ruivo ri e se afasta com a desculpa de ir atender outras pessoas.
O moreno sorri e se senta ao seu lado novamente, servindo uma dose antes de te olhar de forma mais séria e aparentemente arrependida.
– Desculpe ter saído daquele jeito.
– Tranquilo, são os seus amigos.
– Mas o meu encontro é com você.
– Não é como se você pudesse dizer para todo mundo ‘ah, não posso deixar aquele cara sozinho porque a gente está tendo um encontro’.
– Sério? Porque foi isso que eu disse para me deixarem voltar.
– Verdade? – Você quase derruba sua bebida de tão empolgado, mas tenta se controlar em seguida. A ideia de Koujaku admitindo para os amigos que estava saindo com você parecia surreal demais.
– Bem, não para todo mundo, mas para o Kou, o que significa que amanhã o Beni-Shigure todo deverá saber.
– Normal. – Você sorri feliz. Então Koujaku não tinha vergonha de você, afinal. – De qualquer jeito, se você não falasse, do jeito que o Mizuki está bebendo, daqui a pouco certamente que vai começar a falar pelos cotovelos.
– Você contou para o Mizuki? – O timbre de preocupação o incomoda um pouco, mas você tenta relevar.
–Não, ele sacou sozinho. Há um bom tempo pelo jeito. Por isso que ele me deu esse drink.
– O que tem o drink?
– Experimenta. – Você oferece o copo para ele e ele bebe lentamente tentando identificar o sabor.
– É o mesmo daquela noite do pôquer, não?
– Uhum, Mizuki fez esse drink para mim porque segundo ele traz sorte.
– Sério? Qual o nome?
– “Abridor de pernas”.
Nesse momento ele quase se engasga e você sorri. Ele sorri também e te devolve o copo, e você volta a beber.
– Ei, mas isso que dizer que o Mizuki acha que eu sou gay? – Ele pergunta incomodado.
– O Mizuki não acha que você é gay. – Você o corrige. – Ele sabe.
– Eu posso ser bissexual.
– Poderia, se não fosse gay. – Você o corrige novamente.
– Sério, qual seu argumento para dizer que eu sou gay?
– Você é tão gay que até o seu allmate é gay.
– Certo, do que você está falando agora?
– O Beni é apaixonado pelo Ren.
– Hã?
– Claro que não é exatamente amor, mas o tipo de inteligência artificial que você instalou nele dá autonomia suficiente para que ele emule sentimentos e aja de acordo com eles. E ele gosta mais do Ren do que de você, daí a obsessão que ele tem em perguntar do Ren sempre que você encontra o Aoba. É a maneira deles de se ‘se apaixonarem’.
– Como você sabe disso? – Ele te pergunta incrédulo.
– Quando eu invadi a sua casa e acessei a rede física do local, eu chequei os dados e algoritmos do Beni.
– Por quê?
– Porque a reação dos allmates a pessoas ou situações tende a se assemelhar com as respostas cerebrais, físicas e comportamentais dos donos.
– E...?
– E eu queria saber se o Beni realmente me odiava.
–Hum... E ele te odeia?
– Os números indicam que ele apenas gosta de implicar comigo.
– Isso é bom, não?
– Talvez...
– E como seria se ele te odiasse de fato?
– Uma vez que os Allmates tendem a reproduzir as emoções do subconsciente dos donos, se ele me odiasse de fato, era quase certo que você me odiaria também.
– Você estava com medo que eu te odiasse?
– Um pouco... – Você responde desviando o olhar e bebendo mais um pouco.
– Mas agora você sabe que não, certo? – Ele pergunta, mas você não consegue responder. Você apenas faz que sim com a cabeça a bebe mais. Ele sorri contente. –Mas voltando ao assunto, me diz uma coisa... Funciona?
– Hum? –Você o olha sem entender.
– O drink. Traz sorte mesmo?
– Sei não... Naquela noite eu perdi no pôquer em vão e nem consegui sexo.
– Talvez o efeito dele seja a longo prazo.
– Então vou ter que fazer toda aquela frescura de novo para conseguir te leva para a cama? Tipo as flores e o poema?
– Não, por favor, não faça. –Ele diz calmamente e olha para o balcão. Você segue o olhar dele e nota que a mão dele está sobre a sua, ambas repousando sobre a superfície de madeira do balcão.
Sim.
Koujaku está segurando a sua mão.
No Black Needle.
Na frente de todo mundo.
Nesse instante seu corpo todo se aquece. Você sabe que não é por conta da temperatura do ambiente ou pelo álcool que você ingeriu, mas sim pela proximidade do homem mais velho.
– Acho que agora está muito mais fácil me levar para a cama. – Ele diz depois de alguns segundos de silêncio confortável.
–E para o banheiro masculino?
–Ah, não, para isso eu teria que beber mais. Bem mais. – Ele completa rindo.
–Pena. Se você topasse e alguém entrasse no banheiro, você seria o assunto da cidade.
–Só eu?
– Uhum, você que estaria gemendo, e todo mundo aqui conhece a sua voz.
– Ah, e você não gemeria?
– Não, eu estaria de joelhos te chupando, só. – Você sorri de forma desafiadora, e se regozija ao notar que havia o feito corar, mesmo que só um pouco.
– Você é muito indecente... – Ele comenta, pondo a mão na frente do rosto e bebendo a dose em seguida.
– E você não gosta de indecências? – Você o provoca, sentindo-se repentinamente muito confiante. Talvez fosse essa a magia do drink de Mizuki. Se não fosse isso, certamente seria a vontade louca de abrir as suas pernas para o mais velho, o que não necessariamente seria efeito da bebida. – Aposto que você fica pensando altas perversidades, só não tem coragem de falar. – Nesse instante ele cora um pouco mais e desvia o olhar claramente desconfortável enquanto se serve com mais tequila. –‘Bora velhote! Diz o que você pensa em fazer comigo. – Você o incentiva, mesmo sabendo que ele provavelmente não vai ceder. – Eu pessoalmente gosto de pensar no seu abdômen.
–No meu... Abdômen? – Ele volta a olhar para você, claramente sem entender.
–Uhum... Seu abdômen é muito legal, todo definido. Eu não posso deixar de pensar no quão boa deve ser a visão dele por entre as minhas coxas quando eu estiver cavalgando você. – Ele cora. Muito. Muito mesmo, e olha ao redor, você imagina que para se certificar de que ninguém mais está escutando aquela conversa. E você apenas sorri mais. – Eu imagino você suado e arfando debaixo de mim, todo descabelado. Você certamente ficaria vermelho como está agora, pedindo para eu ir mais devagar porque você não aguentava mais. – Você pausa para analisa-lo e ver se ele não gostaria de falar nada, mas como ele fica em silêncio você continua. – Mas eu não iria mais devagar não. Eu iria mais rápido e mais forte, porque eu iria querer que você gozasse dentro de mim. – Ele fecha os olhos e respira fundo. Você sente a mão dele apertando mais a sua. – Ah, e é claro, eu estaria me masturbando para você. Tenho certeza que eu gozaria ao mesmo tempo que você, sujando todo o peito e quem sabe até a sua cara. E o seu abdômen definido também, é claro.
Subitamente ele se levanta e te puxa pela mão, fazendo você sair do banco alto e você chega a se assustar com o quão abrupto ele foi.
–Vamos. –Ele diz apressado.
–Para onde?
–Para a sua casa, é mais perto.
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