Você
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu gostaria muito de agradecer a Mari Stt e a Perséfone Tenou pelas ideias e dicas, e especialmente pela betagem e pelos puxões de orelha (eu vou me esforçar, Tenou! Juro que vou me esforçar para ser mais contida XD) Ah, a Tenou está fazendo uma capa para a fanfic também! Essa moça é um amor, não? Ah, sim, um grande agradecimento a Nai-chan por me ajudar a segurar todos esses feels! Eles são pesados demais às vezes!
Você gostaria de poder culpar o álcool por seu estado deplorável, mas a verdade é que aceitou essa proposta absurda motivado apenas por seu orgulho. Sim, você sempre foi orgulhoso demais para deixar um desafio, por mais tolo que fosse, passar em branco.
E aquele desafio em especial fora muito tolo.
Teoricamente a sua obrigação moral enquanto homem mais velho e maduro seria ignorar aquelas provocações e ir para casa. Mas não, lá estava você com as mãos vacilantes e o olhar incerto, com um jogo ruim na mão e morrendo de frio por estar apenas de cueca.
Sim, aquela cueca preta era a única peça de roupa que lhe restava, e por isso você se agarrava à presença dela como se fosse a sua única salvação diante da humilhação completa – afinal, estava realmente muito frio naquela madrugada.
Diante de você, Mizuki estava sem jaqueta, luvas e camisa. Ele ria e já adiantava que a velha desculpa do frio não surtiria efeito, afinal o aquecedor estava ligado. O bastardo estava quase caindo de tão bêbado, e ainda assim jogava melhor que você. Mas pior mesmo era o terceiro jogador que se encontrava à esquerda dele. Bem mais irritante que o riso solto do tatuador, era o sorriso pequeno e sarcástico do principal culpado pro sua desgraça. Afinal, se não fosse o ‘vai afrouxar?‘ dele, você jamais concordaria em jogar strip pôquer com dois outros homens. Afinal, que graça tinha jogar algo assim sem mulheres na mesa? Mas você viu naquilo uma oportunidade perfeita para colocar aquele pirralho metido em seu devido lugar e fazê-lo engolir toda a arrogância.
Mas tudo que você conseguiu – não você de fato, mas Mizuki – foi fazê-lo tirar aquele chapeuzinho ridículo.
Oh, sim, você devia ter previsto que um bastardo que nunca demonstrava qualquer sentimento ou emoção seria um ótimo jogador de pôquer, por isso você já não tinha mais certeza se desejava acertar um soco na cara dele por ser tão inexpressivo ou na sua própria por ser tão idiota. Seu único alívio era que ele não fizera nenhum comentário inconveniente sobre suas tatuagens, apenas as observando atentamente à medida que suas roupas e ataduras sumiam. Mizuki, como já sabia da história, também ficou calado a respeito, e isso era de alguma maneira confortável para você. Isso até você perder as calças.
Mas eis que quando tudo parecia perdido, vocês baixam as cartas e surpresa: ele perdeu, pois não tinha sequer um único par nas mãos. Você respirou aliviado enquanto Mizuki contava vantagem de suas habilidades com as cartas. O menino, todavia, não parecia minimamente incomodado com a derrota. Ele apenas continuou sorrindo enquanto tirava aquela gravatinha horrorosa.
E então, para sua recorrente surpresa, ele perdeu mais uma vez, o que o fez tirar as ataduras que cobriam as mãos. Você notou interessado que além de piercings, as mãos dele surpreendentemente tinham mais cicatrizes que as suas – algo inesperado se tratando de um Rhymer. Você tentou não pensar muito e se concentrar no jogo, o que aparentemente funcionou já que você ganhou a partida, Mizuki ficando em segundo lugar e as meias de Noiz sendo retiradas. Depois a camisa de botões e depois a bermuda – sim, o maldito usava bermudas por cima das calças, o que o fez pensar em quanto tempo ele gastava para se vestir, afinal. Mas era estranho ele perder tantas vezes, não? Quer dizer, você definitivamente nunca conseguia dizer quando ele estava blefando, e provavelmente Mizuki, dado seu teor etílico no sangue, saberia menos ainda. Sua teoria era que ele estava perdendo de propósito, mas você não compreendia o motivo.
Mas o que lhe deixou pasmo mesmo foi quando ele teve que tirar a camisa de mangas compridas, finalmente expondo seu torso. Como se não fosse suficiente o fato dele exibir o peitoral e o abdômen fortes e bem definidos, ele ainda detinha mais cicatrizes do que você e Mizuki juntos. Aquilo era perturbador já que vocês tinham mais de dez anos de Rib, enquanto o moleque era um nerd viciado em computadores, não? Ah, sim... E ele tinha piercings na barriga e nos mamilos também. Você achou isso muito estranho, mas de alguma maneira era bonito também. Quer dizer, aquele tipo de coisa ficaria certamente melhor numa garota, mas também formava um contraste interessante com a pele pálida e marcada.
Quando notou por onde seus pensamentos rumavam, você tomou mais uma dose de vodka. Você tentou desviar seu olhar, mas não conseguiu. Você não se aguenta mais e pergunta:
–Quantos brincos você tem afinal?
–Está curioso, velhote?
Não, você não está. Você diz a si mesmo, ao menos. Ele sorri, mais sarcástico e vitorioso do que antes. A teoria de que ele está perdendo de propósito faz mais sentindo ainda quando ele lhe passa um ás de copas e pisca com um olho para você. Você sente um calafrio e vira de uma vez sua dose de vodka. Maldito. Maldito bastardo filho da puta. Sim, Mizuki ganhou mais uma e apenas comemorou, bêbado demais para notar o que estava acontecendo – para notar que ele estava tirando as calças de propósito.
Você reparou que ele tinha várias cicatrizes pelas pernas também; Mizuki reparou apenas que o seu copo estava vazio e tratou de enchê-lo. Você bebeu um gole, encarando a situação enquanto as cartas eram dadas. Você estava de cueca, ele estava de cueca, Mizuki estava de porre. Aquele sorriso e aquela sequência de derrotas eram um desafio para você e mais ninguém.
Aquilo era um duelo, e você precisava vencer. Você tinha cartas boas na mão, agora só precisava fingir que tinha um jogo bom também. Você sorriu e soltou um som arrogante. O menino apenas continuou com aquele sorriso cínico e impassível no rosto. Você não fazia ideia do que ele tinha na mão, e isso lhe angustiava. Você estava prestes a descartar quando aquele tenso momento de troca de blefes foi interrompido dramaticamente pelo som brusco do punho de Mizuki sobre o tampo de madeira da mesa. Como se fizesse o anúncio mais importante do mundo, o ruivo se levantou e encarou seriamente vocês dois:
–Vou mijar.
Se aquilo não era um alívio cômico, nada mais seria, e por isso você se permitiu rir enquanto observava Mizuki tropeçar nos próprios pés a cada dois passos antes de chegar até a porta banheiro. Escorando-se nela como se esta fosse sua salvação contra a inviolável força gravitacional, ele gritou antes de entrar:
–Se alguém olhar meu jogo eu mato de porrada.
Você riu um pouco mais daquela ameaça. Por essas e outras que você sempre se divertia bebendo com Mizuki. Ele ficava irreconhecível de tão divertido depois de meio litro de destilado, mas você supunha que com você também não era muito diferente. Noiz, todavia, continuava lá, sorrindo e lhe encarando. Ele não estava afetado pelo álcool, ou se estava era bem pouco, uma vez que diferente de você e Mizuki, ele não estava bebendo vodka pura, mas sim um coquetel preparado por Mizuki. Você encarou o copo dele: o líquido era branco e estava enfeitado com uma fatia de limão. Você sabia que os drinks do Mizuki eram perigosamente enganadores – eles pareciam fracos para quem tomava, mas na verdade derrubavam rapidamente graças à quantidade absurda de álcool que o ruivo colocava neles – mas ainda assim você aproveitou para provocar o mais novo:
–Acho que você não é homem o suficiente para tomar vodka pura. –Você sabia que estava sendo infantil. Mais infantil do que alguém que não bebia vodka pura, mas não podia evitar.
–É amargo. –Ele respondeu simplesmente, ignorando sua provocação e bebendo mais do copo dele.
Fazia sentido, você tinha que concordar. Por que diabos você estava tomando aquilo puro, se poderia beber um coquetel de sabor agradável? Novamente seu típico orgulho masculino era a resposta, e por isso você virou mais uma dose da sua maldita vodka pura, sentindo como ela queimava o seu caminho até o estômago.
–Qual drink é esse?
–Não sei, o Mizuki só me entregou a jarra e disse para eu beber.
–Posso experimentar?
Ele passa o copo e você mata a curiosidade. Era bem doce, tinha gosto de limão e leite condensado. Você quase não sentia sabor de álcool, mas sabia que isso se dava graças ao fato de suas papilas gustativas estarem acostumadas.
–Não conheço esse drink. –Você admitiu devolvendo o copo, mas não era como se ele parecesse interessado em saber de qualquer maneira e por isso vocês dois ficaram em silêncio esperando Mizuki voltar.
Mas Mizuki não voltou.
–Não seria melhor a gente ir checar? –Ele perguntou parecendo preocupado depois de olhar as horas no coil. Já passavam das quatro da manhã, pelo menos era o que você achava.
Você concordou e lá foram vocês dois apenas de cueca até o banheiro da Black Needle testemunhar uma das cenas mais patéticas que aquele bar poderia proporcionar: Mizuki literalmente caído de bêbado, sentando no chão e escorado na porta de uma das cabines. Aquilo não era nada que você não tivesse visto antes, mas o moleque pareceu um pouco preocupado ao ver o tatuador jogado daquele jeito. Você achou aquilo interessante, pois no geral ele parecia não se importar com ninguém. Pelo visto ele estava construindo mesmo uma amizade com Mizuki, e de alguma maneira isso acabou forçando você a também aturar o tal nerd metido. No início vocês não se suportavam e chegaram a brigar diversas vezes, mas com o passar do tempo as provocações se tornaram mais toleráveis e vocês já conseguiam compartilhar o mesmo ambiente sem que você desejasse esganá-lo.
Você o encarou e ele não disse nada, apenas o olhou com aquela cara de ‘o que a gente faz?’. Aparentemente ele não sabia também lidar com gente bêbada, por isso você tomou a iniciativa de se abaixar e checar o ruivo, dando leves tapinhas na face dele a fim de acordá-lo.
–Oi... Mizuki? Você tá bem?
–...Tô... –Ele respondeu arrastado, abrindo os olhos apenas de relance.
–Então levanta.
–Daqui a pouco eu vou...
–Não, levanta agora.
–Ah... Depois eu vou...
–Você não vai dormir no chão do banheiro, Mizuki. Vai pra sua cama.
–Me deixa, porra...
Você suspira, se levanta e olha de novo para Noiz. Ele entende o que deve fazer e logo estão vocês dois arrastando Mizuki para o andar superior– uma vez que ele morava em cima do bar. Depois de muito ouvi-lo resmungar para que o deixassem em paz, vocês jogam o tatuador na cama dele e o põe para dormir. Vocês dois se entreolham, como se perguntassem mudamente ‘tá, o que a gente faz agora?’. Você chega a abrir a boca para falar alguma coisa, mas ele se adianta:
-Não vamos ver quem vai vencer no pôquer?
Você o detesta por isso. Você detesta o sorriso vitorioso que ele ostenta e detesta a certeza de que ele joga muito melhor que você. Mas nada é impossível, afinal, existe o fator sorte em qualquer jogo de cartas. Talvez você possa contar com a sua. Talvez Deus ajudasse os homens bêbados e orgulhosos. Você reza para isso antes de abrir o sorriso e aceitar o desafio. Vocês voltam para o bar, sentam-se, embaralham as cartas e você se desespera. Um ás de ouros, um nove de paus, um valete de espadas, um rei de ouros e um rei de copas. Um par. Você tem certeza que o Noiz tem um jogo melhor que o seu, mas nada pode ser feito a essa altura.
E você ganha.
E ele perde sorrindo.
Ele sorri e se levanta enquanto tira a própria cueca.
E você engole em seco, quase não acreditando no que seus olhos viam.
Oh, sim... Ele tinha um piercing lá também, e tudo que você conseguiu fazer foi soltar a pergunta mais imbecil possível:
-Cara, isso não doeu?
Surpreendentemente, ele apenas fez que não com a cabeça, e pela primeira vez na noite ele não detinha aquela típica expressão cínica, por mais que para você fosse claro que ele estava mentindo. Aquilo tinha que doer. Muito. E é por isso, apenas por isso, que você continua olhando inconformado para o membro dele até aquela voz seca e monótona chamar sua atenção da pior maneira possível:
–Quer pegar?
–O quê?! –Você exclama, não acreditando naquela pergunta.
–Pegar. –Aquele sorriso. Aquele maldito sorriso ficou mais, muito mais cínico e mais irritante que de costume.
–Caro que não quero!
–Tem certeza? –Ele confirma de maneira casual e desavergonhada, pegando no próprio membro e o levantando de modo que você pudesse ter uma visão mais detalhada. E aquilo lhe irrita, afinal você não conseguia parar de olhar. Quatro. Ele tinha quatro malditos piercings no maldito pênis dele! –Você está encarando tão intensamente.
–Porque você é estranho! Isso aí é uma aberração, claro que vou olhar!
Você notou que o sorriso dele se desfez por um segundo quando você disse aquelas coisas. Era quase como se as suas palavras o tivessem machucado, mas ele pareceu se recuperar rápido o suficiente para continuar enchendo seu saco.
–Vai dizer que não tem curiosidade?
–Claro que não!
–Hum. –Ele apenas ri e olha para você como se soubesse mais coisas do que deveria. Era a mesma forma que ele olhava quando você tentava blefar no pôquer, e isso lhe irrita.
–O que foi? –Você indaga enfurecido. –Se quer falar algo, fale logo!
–Quando você mente, sua sobrancelha franze. É o mesmo franzido de quando você vê o Aoba e o Clear juntos, porque você quer fingir que está tudo bem e que está feliz por eles. – Oh... Parece que ele pegou você dessa vez.
–O que você está insinuando, pirralho?
–Que você morre de curiosidade de saber o que aqueles dois fazem na cama, e por isso você tem vontade ficar com outro homem, mas você é orgulhoso e medroso demais para ter coragem de tentar.
Você se ofende. Você se irrita. Você quer dar um soco na cara daquele moleque presunçoso.
Porque ele está certo.
Você se pergunta como ele poderia ter notado tanta coisa, afinal você mesmo demorou muito tempo para compreender tais fatos. Compreender que gostava de Aoba de uma maneira mais profunda do que imaginava, e compreender que tinha perdido para aquele cara estranho. Sim, você demorou uns tantos meses para entender aquilo tudo, e mais ainda para aceitar. E agora vinha um pirralho chato esfregar essas coisas na sua cara. Isso não era nada legal.
–Você está errado. –Você fala seriamente, tentando convencê-lo.
–Se você diz...
Ele nem tentou convencê-lo, porque ele sabia que não precisava. Maldito, mil vezes maldito. Mas o mais estranho era que ele parecia encarar aquilo com muita naturalidade. Será que ele era gay também? Você refletiu se aquele seria um momento adequado para revelar ao loiro que morria de curiosidade de fazer aquilo com um homem há um bom tempo. Especificamente desde que Aoba assumira seu namoro com Clear. Mas logo ficou óbvio que o momento adequado para confessar algo assim a Noiz seria nunca. Enquanto você divagada sobre o que deveria ou não fazer, ele já estava subindo a cueca pelas coxas.
–Já vai se vestir?
–Você disse que não queria.
–Que merda! Por que você é tão irritante? –Você se zanga e se levanta, dá apenas um passo e já está diante dele. Seus olhos estão em chamas pela raiva que você está sentindo, e você o encara seriamente. Em menos de um segundo, sua mão direita está segurando os testículos dele de uma maneira nada delicada, quase ameaçadora – você queria pegar o pênis dele, mas ficou com receio por causa dos piercings, pois a sua mente ainda gritava que aquilo devia doer demais.
Ele sorri mais uma vez, mais vitorioso e arrogante do que nunca.
–Você está vermelho.
–Cala a boca.
–Aposto que você é ruim nisso, velhote.
Você quase grunhe de raiva, depois quase grunhe de susto quando sente os dedos dele apertarem também seus testículos por cima da sua cueca. Você se pergunta se está tudo bem deixar isso rolar, mas antes que se desse conta, a mão livre dele colocava seus cabelos para trás enquanto os lábios dele deslizavam por seu pescoço.
–A gente tá bêbado, qualquer coisa a gente finge que não lembra amanhã. –Ele disse assim que a boca se aproximou da sua orelha. E foi então lhe mordeu, bem no lóbulo. Aquilo fez com que um arrepio aterrorizante de tão bom subisse pelo seu corpo.
–Você está bêbado? –Você quis confirmar, afinal ele parecia bem sóbrio.
–Não tanto quanto você.
–Você também tem curiosidade de saber como seria fazer isso com outro homem?
–Não. Eu já sei como é fazer isso com outro homem.
Certo, você achou essa informação um tanto perturbadora, mas você não estava em posição de julgá-lo. Você estava com a mão nas partes íntimas dele, então você estava em posição de fazer exatamente o que ele estava fazendo agora mesmo: ele estava com a mão enfiada na sua cueca, envolvendo o seu pênis, masturbando-o lentamente.
Você mordeu o lábio, um pouco inseguro e incomodado por estar achando aquilo excitante. A mão dele era macia e você pode constatar a habilidade dele com os dedos quando pressionou a unha do dedão na sua glande. Aquilo doeu um pouco, mas o fez reagir imediatamente e o seu membro pulsou, já quase totalmente ereto.
–Se você ficar com muito medo, a gente para. –Ele o provocou. E você caiu na provocação.
Você não estava com medo. Estava nervoso, ansioso e inseguro, mas isso não vinha ao caso. E você ia mostrar para aquele pirralho que você não estava com medo. Você era mais velho e mais experiente que ele – ao menos, você julgava. Ele podia não ter experiência com homens, mas você tinha com muitas – muitas – mulheres, e isso teria que servir para alguma coisa.
Mas você mudou de ideia ao finalmente segurar o membro dele, sentindo com estranheza os piercings dele contra a palma da sua mão. Será que você poderia masturbá-lo normalmente? Não iria machucá-lo? Com esse pensamento, você se enche de delicadeza, massageando-o levemente. Mas o membro dele continuava flácido, o que o deixa muito frustrado, já que ele já lhe tinha totalmente duro nas mãos.
-Não precisa ser tão delicado, eu não sou uma das suas mulheres. Faça direito. – Ele reclama depois de alguns de seus toques, e morde seu pescoço em seguida, passando a masturbá-lo com mais vigor. Você geme baixo diante daquelas sensações, o que aumenta ainda mais sua frustração. Você o segura com mais firmeza, novamente se sentindo desconfortável por causa daqueles piercings. Mas se ele disse que não precisava ser delicado, você não seria. Tendo isso em mente você passou a masturbá-lo com vigor, finalmente conseguindo alguma reação dele.
Ele endureceu, mas bem pouco, o que é ainda mais frustrante diante da situação na qual você se encontrava. Você respira fundo, pensando em como reagir. Parece que ele ainda não está no clima, e você se pergunta se ele não seria como uma mulher, que precisa de carinho e preliminares para ficar excitada. Você não sente vontade de fazer carinho nele, mas será que estaria tudo bem beijá-lo?
Diante daquela indagação, você afastou seu rosto do ombro dele e o encarou por alguns segundos antes de aproximar-se, permitindo que suas bocas roçassem. Você continuou com os olhos abertos, mesmo quando sentiu contra seus lábios os dois piercings que ornavam os dele. Ele pareceu não se importar e, também de olhos abertos, entreabriu um pouco a boca, como um convite. Você obviamente não recusou aquele convite. A sua língua adentrou timidamente os lábios dele e você constatou que ele tinha um gosto adocicado, provavelmente pelo fato de estar bebendo aquele coquetel. Ele não beijava bem, mas também não beijava mal, você pensou, mas tudo valeu a pena quando você sentiu o membro dele finalmente pulsar enquanto se enrijecia mais. Aquilo foi um estímulo e você enfim permitiu que a sua língua encontrasse a dele.
“Oh... ele tem um na língua também...”
–São dois. –Ele comentou sorrindo em meio aquele beijo, provavelmente deduzindo o que passava por sua cabeça. –Se você me beijar direito vai sentir o outro. –Ele completou, e por algum motivo aquilo o soou como uma provocação.
Aquilo era uma verdadeira afronta ao seu orgulho. Era praticamente dizer que você não era bom naquilo. E você era. Bem, talvez você não fosse bom com homens, mas você podia contar com o testemunho acalorado de dezenas de mulheres que diziam ir ao paraíso com apenas um beijo seu. Sim, aquilo tinha que valer de algo, mesmo para Noiz.
Você respirou fundo e puxou a nuca dele com a mão livre, enfiando sua língua de maneira intensa, buscando descobrir onde estava o outro piercing. O beijo se tornara tão intenso e tão deleitoso que você nem se deu conta quando fechou os olhos. O que importava nesse momento era que você tinha achado o outro piercing – ficava debaixo da língua dele – e acima de tudo que seu plano parecia ter funcionado, afinal ele estava bem mais ‘animado’ lá em baixo. Você usou aquilo como estímulo para masturbá-lo mais forte, imitando o que ele fizera com a unha em sua glande em dado momento. Aparentemente ele gostou, pois seus quadris se moveram em um espasmo e ele suspirou contra a sua boca. Você finalmente tinha aprendido como fazê-lo reagir, e não se faria de rogado em utilizar tal conhecimento. Aparentemente ele gostava da coisa um pouco mais bruta, e por isso, de uma maneira que você julgava sequer ser possível, intensificou o beijo enquanto sua mão esquerda afunda-se nos cabelos dele, puxando-os com mais força do que deveria. Você não pôde deixar de reparar como os cabelos dele eram macios e finos, como nenhum que você tivesse tocado antes, e tal pensamento o excitou.
Excitado, você o apertou com mais força, e se por um segundo você temeu ter exagerado, por outro sentiu-se vitorioso afinal ele finalmente havia gemido, rouco e discreto, contra seus lábios. Você adorou aquele gemido. Era o som mais sexy que você tinha escutado na vida, possivelmente pela dificuldade que você teve em arrancar aquele som dele. Foi nesse momento que ele fez vocês se separarem daquele beijo e exibiu a face levemente corada, mas ainda serena. Aquela era uma visão sexy também.
–Quer fazer? –Ele perguntou repentinamente, e seu coração falhou uma batida.
–O quê? – Obviamente você sabia o que. Queria apenas confirmar, afinal você ficou surpreso com aquela proposta tão brusca. Aparentemente aquilo o irritou um pouco e ele suspirou como se estivesse entediado.
–Quer me comer? –Ele perguntou mecanicamente enquanto empurrava seu tronco e separava seus corpos.
Simples e prático, direto ao ponto. Você finalmente havia descoberto uma característica que você apreciava em Noiz – além daquele amontoado de metal ridiculamente sexy que ele ostentava pelo corpo. Havia joias até na parte de trás do pescoço, coisa que você só notou quando ele se virou de costas para você, encostando-se novamente ao seu tronco de modo que a bunda dele roçasse contra o seu membro. E que bela bunda ele tinha, você pensou, permitindo-se tocá-la. Era magra, um pouco menor do que as que costumavam passar por suas mãos. Era puro músculo, firme e empinada, gostosa de se apalpar. De alguma maneira aquilo o deixava mais ansioso em saber que poderia possui-la – ansioso no mau sentido, afinal você sentia as palmas das mãos suarem enquanto alguma angústia densa se acumulava em sua garganta sem que você compreendesse o motivo. Não deveria ser muito diferente de como era com uma mulher, certo?
Diante da sua falta de atitude, ele se esfregou um pouco mais contra seu falo, como se o ordenasse a prosseguir. Então aquilo ia acontecer mesmo, e você suspira mais uma vez diante da perspectiva.
–Não tem problema? –Você insiste, mesmo sem compreender por que. Era só comê-lo, não? Era um processo muito simples, então você se perguntava por que aquilo parecia tão errado. Sexo casual não era uma novidade para você. Não mesmo.
Ele parou de se esfregar em você e se virou na sua direção, encarando-o com aqueles olhos verdes parecendo tão frios que chegava a doer.
–Eu quero dar, você quer comer, certo? Fecha os olhos e finge que eu sou mulher, se quiser. –As palavras secas dele fizeram com que você se sentisse mais errado ainda. Era como se estivesse se aproveitando dele de alguma forma, o que era absurdo já que fora ele quem se oferecera a você desde o princípio.
–Você sabe que eu não vou dizer que o amo nem mandar flores amanhã?
–Você faz isso com todas as mulheres que come?
–Não.
–Então por que eu esperaria algo assim?
–Não sei... Você é novo demais para encarar isso dessa maneira. –Você responde após refletir um pouco sobre o que poderia estar incomodando-o tanto afinal. –Você deveria fazer isso com alguém que você goste.
–E você é velho demais para ser tão sentimental. –Ele suspirou parecendo irritado e frustrado. –Afinal, você é especialista em transar com quem você gosta, né? –E ele não o olhava mais nos olhos. Dando um passo para trás ele apenas abaixou a cabeça e procurou a cueca. Pegou a peça de roupa e a vestiu rapidamente, logo buscando o resto de sua vestimenta.
–Não quer terminar? –Você perguntou apenas por desencargo de consciência, afinal estava claro que não havia mais clima para aquilo.
–Você enrola demais. Vou bater uma na minha casa que eu ganho mais. –Ele comentou casualmente enquanto prendia seu amontoado de allmates nas calças.
Ele levantou o olhar para você por apenas alguns segundos mais, e você sentiu como se pudesse ver algo muito estranho dentro dos olhos dele. Decepção, raiva, frustração? Você não sabia identificar o que era, mas era doloroso. E foi então que ele se dirigiu até a porta do Black Needle sem dizer mais nada.
Você se vestiu lentamente e então se sentou de volta na cadeira. Encarou as cartas jogadas pela mesa e a garrafa de vodka. Você suspirou sonoramente enquanto decidia que o mais sensato a fazer seria tentar ficar no mesmo estado que Mizuki e rezar para não se lembrar de nada na manhã seguinte.
Notas finais
1- Pode não parecer, mas eu odeio o Koujaku. Sério, eu odeio muito. Mas eu não consigo evitar shippá-lo hard com o Noiz e achar que eles foram feitos um para o outro.
2- Esse drink que o Noiz estava bebendo chama-se Abridor de pernas. Sério. Consiste em limão taiti macerado com gelo picado, leite condensado e vodka.
3- Essa foi minha primeira e última tentativa de escrever uma narração em segunda pessoa. Eu fiquei louca para fazer isso desde que li uma fanfic em inglês de um@ autor@ que escreve sobre dmmd, mais especificamente com o Noiz, Truejaku seu nome. Eu pirei com a narração e decidi que queria fazer algo semelhante, mas eu não atentei ao fato que em português ficaria uma merda porque o pronome reto certo a usar seria o tu, e não o você. Mas se eu usasse o tu as pessoas estranhariam, enquanto usando o você os pronomes oblíquos dão um trabalhão, então me perdoem por minha teimosia. Não faço mais, embora no fundo esteja gostando, a despeito do trabalho e da dor de cabeça que dá...
No mais, é isso mesmo. O capítulo seguinte já está pronto esperando apenas se betado e preciso dizer que morri de rir escrevendo.
Fale com o autor