Você é minha droga

4 Uma carona para casa


Pov Joe:

A garota era bonita, mais tímida quando ficou sozinha. Ela tentava olhar para algum ponto, mas seu olhar acabava encontrando o meu. Eu sorri de volta, tentando passar a imagem de "Não vou lhe fazer mal" e acho que ela entendeu, pois também sorriu. Era o sorriso mais inocente do mundo.
Percebi que já tinha fumado todo o maço de cigarros e isso me irritou. Era a única coisa que eu tinha para fazer neste corredor sem ser percebido ou incomodado. Então só me restava cruzar os braços e fazer uma expressão de paisagem.
–Tem um cigarro ai? — perguntei.
–Eu tenho cara de vendedora de cigarros? Só falta me perguntar se também tenho maconha... — a garota franziu a testa e logo em seguida sua expressão de inocente foi embora, dando lugar a uma garota totalmente arrogante.
–Desculpe. Você tem cara de virgem, mas acho que não é porque hoje em dia é raro uma garota se guardar. — respondi a altura dela. — Aliás, maconha é passada, já deixei de lado.
–Garoto eu nem te conheço e você vem dizer que sou virgem? — ela cuspiu as palavras exatamente como eu fazia quando queria ser arrogante com alguém. — Cuida da sua vida.
–Sim eu cuido, porque minha vida é mais interessante que a sua. — falei e pisquei lentamente para ela.
–Você não me conhece.
–Uau. Então porque não deixa de ser durona e deixa-me te conhecer? — comecei a jogar meu maior charme para cima dela. — Uma garota tão bonita e sozinha numa festa?
–Essa é sua melhor cantada? — ela deu de ombros. — Eu não me convenço fácil.
Porque as mulheres têm sempre de fazer um jogo difícil, sem que ninguém consiga conquistá-las? Ok. Eu não precisava ficar ou ter alguma coisa com a garota, nem tão bonita era. Mas eu queria provar que iria cair de amores por mim.
Desgrudei-me da parede e caminhei até o outro lado do corredor onde ela estava sentada num sofá, parei de frente a garota que revirou os olhos.
–Admita que eu seja muita areia para seu caminhão. — falei começando a sorrir quando ela estreitou os olhos. — E não se acha capaz de ter algo comigo. Meu bem, você nem é tão linda para se achar tanto.
–E você? — ela balançou a cabeça. — Se acha o gostosão do pedaço, mas para mim... É um idiota.
–Hum... Achamos muita coisa um do outro. Diga a verdade... Admita que me queira! — abri os braços e ela cruzou as pernas num sinal negativo.
–Eu não quero fumante. — ela se levantou e dei um passo para trás enquanto seu comprimento se ajustava ao meu. Alta, magra e morena, meu estilo preferido de garotas. — E se pensa que vai bancar o machão pra cima de mim está enganado. Eu já lidei com muitos "caras" como você!
–E todos resolveram te largar... -seus olhos fitaram os meus.
–Na verdade eles nem me pegaram. — afirmou sorrindo satisfeita. — Sei que não sou linda, mas não é por isso que vou ficar com o primeiro que aparecer, para não ser encalhada.
–Ui. Acho que fiquei até emocionado, mas você devia parar... -meus braços a puxaram para perto e me inclinei colando nossos lábios. Ela se assustou e tremeu ao toque, enquanto deslizei minha mão esquerda por sua nuca apertando-a e minha mão direita acariciou uma de suas bochechas. — E relaxar... — sussurrei levando minha boca até seu ouvido.
–Clarice Melliny Krueger! — uma voz ecoou pêlo corredor fazendo com que a boca da garota se distanciasse da minha antes que eu aprofundasse o beijo.
–Anne. — a garota se recompôs e me empurrou como se eu tivesse a agarrado à força. — Pensei que fosse atrás de Diamond.
–E fui. Nem precisei descer as escadas. — disse a outra garota, Anne. — O encontrei no corredor, e conversamos. Vim avisar que eu vou embora com ele.
–Ah... Tudo bem eu me viro. — disse a minha garota... Digo, a tal de Clarice.
–Eu liguei para Black vir te buscar. Sei lá, você não quer ir sozinha né?
Quem é Black? Eu parecia um intruso entre a conversa das duas. Revirei os olhos e me limitei a abaixar a cabeça para não ter que olhar para elas.
–Black? Eu odeio aquele cara. Ele me persegue.
–Eu te levo. — ofereci e senti o olhar delas sobre mim. — Se quiser...
–Anne eu vou sozinha. — disse Clarice.
–Mas... Eu pensei que... Ah tudo bem. Eu ligo para a Black e desmarco. Afinal você quer ficar sozinha com seu ficante. — disse Anne. — Eu entendo.
–Não. Eu e... — levantei o olhar para Clarice que apontava diretamente para mim. — Ele, não temos nada.
–Pareciam ter antes de eu chegar. — disse Anne. Gostei dela, era direta e sincera na hora certa.
–Não aconteceu nada antes de você chegar. — Clarice gritou furiosa. — Eu não quero sua carona. Pego um ônibus ou ligo para minha mãe.
–Calma... Eu faço questão de levar você em casa. — falei sorrindo e ela fez uma expressão de horror. — Prometo não tentar nada, sua amiga está aí de testemunha.
–Então eu vou com você, afinal me deve isso. — Clarice bufou. — Tchau Anne.
–Amiga depois você me liga. — disse Anne e ficou completamente imóvel na entrada do corredor olhando para nós. — Ah... Esqueci-me que essa é a hora que eu saio para vocês ficarem sozinhos. — ela sumiu virando a esquina para outro corredor.
Aproximei-me dela e quase a beijei novamente, mas ela recuou.
–Vamos minha mãe deve estar preocupada. – disse ela caminhando para fora do corredor. Eu a segui.
–"Obrigado Joe" — sussurrei para ninguém em particular. — Seria uma resposta melhor.
–O quê? — ela arqueou as sobrancelhas.
–Podia ter me agradecido. — falei. — Afinal, pelo visto te livrei de ir sozinha há essa hora para casa ou ir com o "Black". Aliás, ele é um dos caras que você não fica?
–Ele é o marido da minha amiga. E fica dando em cima de mim. — confessou e logo em seguida se arrependeu. — Ai esquece! Você não me disse seu nome.
–Joe. — falei sorrindo descaradamente. — E você? Clarice?
–Clary. — corrigiu-me. — Odeio meu nome inteiro.
–Hum...
–Aliás, obrigado pela carona. — ela sorriu para mim e acabamos parando no meio do corredor. -Mas não fique achando que isso significa que estou louca por você.
–E não está? — perguntei satisfeito.
–Me faça ficar. — disse ela de um jeito tão sensual.
Ela se virou e voltou a caminhar. Saímos fora do hotel depois de passar pela pista de dança, passamos perto dos caras da gangue na frente do hotel, mas evitei e disfarcei para que não me vissem. Nunca nenhumas das garotas que fiquei sabia da verdade sobre mim, não sabiam que eu era de uma gangue ou um meu nome verdadeiro, a única que soube de pouca coisa mesmo e que me arrependi de ter confiado foi Yara, mas isso é outra história.
Meu carro estava estacionado a alguns metros de distância dos outros, mais escondido num beco. Entrei no carro (sim eu deixava aberto todas as portas) e ela do outro lado. Permanecemos em silêncio enquanto eu saía do beco. Ela olhava para a janela, estava me evitando e se era isso que ela iria fazer eu também entraria em seu jogo.
–Então patricinha onde mora? – perguntei.
–Quando estiver perto eu te aviso. – disse ela.
Ela permaneceu em silencio enquanto eu dirigia para fora do subúrbio. Eu já estava passando pela zona norte da cidade, parei num sinal vermelho. Por mim tinha passado assim mesmo, mas queria demonstrar um pouco de educação diante dela. Clary tirou de dentro do decote de seu vestido um celular de capa amarela, eu fingi não prestar atenção, mas acabei rindo.
–É nos seios que as patricinhas guardam seus iphones? – perguntei sarcástico.
–Meu celular não é um iphone. – disse ela.
–Ah não? Que estranho.
–Dá para parar de achar que eu sou uma patricinha. Na verdade eu nem sou assim, eu odeio usar vestido, odeio meu cabelo solto e odeio caras como você que se acham os melhores. – o sinal abriu e dei partida.
–Eu não me acho o melhor, eu sou o melhor.
–Ah... Sei. Se eu estivesse vestida como eu mesma naquela festa você nem tinha me percebido.
–Como assim “vestida como você mesma”?
–Calça jeans, camisetão, cabelo preso.
–Eu prefiro nua, mas as leis desse país não permitem. Pode me dizer onde mora ou vou ter que rodar com você a noite toda?
Ela me explicou o resto durante o caminho. Parei na frente de um sobrado branco, em estilo grego. Uau, a garota não era pobre não. Ela abriu a porta e ainda tentei puxá-la para um beijo, mas ela apertou meu peito me afastando.
–Acho melhor não apressar as coisas. — disse ela me olhando com aqueles olhos castanhos.
Inclinei-me de volta ao banco, pensei que depois do quase beijo ela estaria a fim de alguma coisa, inclusive de mim. Apesar de ter se feito de difícil.
–Pensei que estava...
–Pensou errado. — ela abriu a porta e saiu. — Tchau Joe. – disse fechando a porta.
–Hey... Posso te ver novamente? – perguntei achando tudo isso idiota. Ninguém me rejeita assim, talvez ela estivesse brincando. Mas sua expressão era séria.
–Não, aliás, obrigado pela carona. –disse ela. Liguei o carro e fiquei observando-a entrar em casa. Ela era tão perfeita e ao mesmo tempo tão difícil, diferente de todas as que conheceram, não vi um traço de maquiagem em seu rosto e mesmo assim linda. Droga, não posso ficar louco por alguém que mal conheço.
Resolvi ir atrás de Kevin. Era tarde, mas eu precisava de informações e com todo esse rolo com Clary me esqueci do importante. Mandei uma mensagem pedindo para que ele me encontrasse num prédio abandonado ali perto. Kevin respondeu em seguida dizendo que chegaria antes de mim.
Foi o que aconteceu, parei meu carro atrás do dele e saltei para fora. Ele usava uma jaqueta laranja de seu colégio, calça jeans e tênis de skatistas, detalhe: Ele nunca andou de skate na vida!
–Olha espero que tenha um motivo muito justo para me tirar de meu sono de beleza. — disse ele.
–Você estava transando com alguma puta. — falei e ele riu. — Agora é sério, tem algo novo?
–Não. Mas fique alerta, meu pai ta desconfiando de todos inclusive de mim. E planeja um ataque ao sobrado. Cuida da sua gangue Joe. — alertou-me.
–Eu vou cuidar. Pode me responder sobre uma pessoa? — perguntei pensando em Clary.
–Claro. Fale logo quero voltar para minha puta...
–O que sabe sobre Clarice.
–Clarice... Sobrenome?
–Krueger.
–Nada. Eu a vejo no colégio, ela tem um belo par de seios, mas em compensação não tem quase nada de bunda. Anda com uma líder de torcida e... É mais pura do que qualquer pessoa.
–Ta me dizendo que ela nunca...
–Nada. Ela nunca fez nada com nenhum cara do colégio, porque se tivesse feito eu saberia. Acho até que nunca beijou alguém. Pelo que diz, ela vai terminar a faculdade e só depôs pensar em relacionamentos... Coisa de puritana. — ele revirou os olhos. — Porque quer saber?
–Nada. — falei por fim. — Quando tiver mais alguma coisa me liga.
–E você também. — ele deu de ombros e entrou em seu carro enquanto eu me dirigia até o meu. — Não se esqueça Joe que eu te amo!
Ri e balancei a cabeça. Pelo menos ele é sincero, também quem não me ama? No caminho de volta para o sobrado pensei em tudo que aconteceu naquela noite e principalmente na morena... Clarice. Eu não podia me envolver com alguém, nada além de uma noite apenas... Porque eu sempre acabava mal, como acabei com Yara, a tal outra história que eu evitava lembrar, mas ela sempre me vinha à cabeça.
Yara era uma Stripper que conheci em Los Angeles logo após fugir do colégio de garotos ao qual minha mãe me aprisionou depois da morte de meu irmão, aquela morena de corpo surreal sabia exatamente o que dizer para que eu fizesse o que ela queria. Sabia de meus pontos fracos e de toda a minha história, mas vendeu todo o nosso amor por dinheiro. Não é a toa que eu quero matá-la.
Entrei no sobrado tentando não fazer barulho, mas acabei encontrando um dos caras da gangue, lembrei que era aquele que havia me encarado no dia que cheguei a casa, sentado na escadaria, pela sua expressão quando me viu, ele me aguardava impaciente.
–Joe Slater. — disse ele abrindo um sorriso do qual me fez querer espancá-lo. — Sou Gastón.
–Não quero saber. Não tenho nenhum compromisso com a gangue. — falei me aproximando para subir as escadas, mas ele me impediu.
–Tem sim. — disse ele franzindo o rosto numa expressão de ameaça. — Se pensa que vai assumir o poder eliminando Owen está enganado.
Tive que rir.
–Olha... Gastón? — perguntei fingindo não saber seu nome. — Esse lugar é meu por direito, já que meu pai foi um dos fundadores da gangue e acabou morrendo por ela nas mãos de Owen. Se Owen esteve vivo esse tempo todo, deduzi que também deve ter matado meu irmão, então eu vou matá-lo assumindo a gangue ou não. — cuspi no mesmo tom de ameaça.
–Joe... Eu sou o terceiro na linha de sucessão Touro. Não quero você no meu caminho.
–Nem eu quero estar no seu caminho. — falei sorrindo. — Aliás, como quer assumir a gangue se Santiago está a sua frente?
–Matando-o. Logo após o velho renunciar ou morrer. Não sou burro Joe.
–É ganancioso. — corrigi. — Acho que vai gostar se eu compartilhar seus planos com eles? Não vai?
–Se me arrastar eu machuco a morena que estava com você na festa. — ameaçou mais uma vez.
–Pode machucar. — dei de ombros. — Ela não é nada minha mesmo.
–Vai deixar uma garota inocente ser molestada?
Dito isso meu ódio por ele aumentou, eu sei que Clarice não era nada minha. Mas eu me importava e não ia deixar aquele idiota tocar na morena. Dei-lhe o primeiro soco em seu rosto e ele cambaleou sorrindo.
–Uau. Pelo visto você se importa... — disse ele sorrindo. — Venha Joe. Soca mais. — virou o rosto apontando exatamente para a sua bochecha.
Cerrei os punhos, mas resolvi jogar sujo, ele não merecia uma briga justa. Abaixe-me esticando a perna e girei dando uma perfeita rasteira no idiota que caiu a minha frente.
–Não estou brigando com você por ela. — falei enquanto me arrastava para cima dele prendendo suas pernas. — E sim para aprender que não deve molestar ninguém.
–Eu vou molestar sua irmã. — disse ele rindo e minha mão direita acertou outro soco em sua bochecha. — E...
–Não tenho irmã mesmo... — falei começando uma seqüência de socos em seu rosto. Fui parado quando senti mãos me empurrando para longe.
–Que droga é esta? — gritou Santiago olhando de Gastón para mim.
–Joe começou... — sussurrou o outro com sangue pela boca.
–Eu devia ter acabado com você. — gritei.
–Querem parar? — Santiago me empurrou e ajudou Gastón a se levantar. — Se fosse meu pai os dois estariam ferrados. Receberiam um castigo.
–Quero ver ele me castigar. — falei. — Mantenha esse cara longe de mim, eu não vou deixar barato da próxima vez.
–Coitadinho. — disse Gastón. — Quero ver... Da próxima vez eu não deixo você me bater como uma mulherzinha.
–Ah... — fui a sua direção, mas Santiago me puxou.
–Parem! — gritou perdendo a paciência. — Joe precisamos conversar, e Gastón... — ele olhou para o mesmo — Pare de provocar os outros.
O desgraçado sorriu e subiu as escadas. Santiago ficou em silêncio enquanto eu encarava-o. Eu não gostava de ninguém me interrompendo no meio de uma briga, mas ele é uma exceção.
–Porque estava batendo nele? — perguntou curioso. — Você não é de violência gratuita.
–Não gosto dele. — respondi.
–Ah... Então resolveu meter a porrada nele?
–Ele disse que ia molestar a minha irmã.
–Mas você não tem irmã!
Ele fez silêncio. Depois de um logo tempo com uma expressão séria ele começou a rir.
–Seu filho da...
–Olha! — levantei o dedo indicador. — Cuidado com as palavras.
–Você bateu nele por nada! — ele arregalou os olhos.
–Já disse que não gosto dele. Foi por isso. E por ele querer molestar minha irmã... Bem... Se eu tivesse uma.
–Agora... Mudando de assunto, Kevin me ligou. — dito isso eu tapei sua boca com minha mão.
–Não podemos falar disso aqui no meio da casa. — sussurrei.
Ele assentiu e quando o soltei subiu as escadas sendo seguido por mim.
–Ele perguntou se eu queria me juntar a vocês. — disse Santiago andando pelo corredor até meu quarto.
–E o que você respondeu? — perguntei abrindo a porta de madeira e entrando no quarto.
–"Um por todos e todos por um".

Notas finais
Capítulos grandes agora.